14. Tipos de orações

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Esta secção descreve a Floresta numa perspectiva oracional, isto é, pretende-se descrever certos tipos de orações básicas, seguindo a nomenclatura tradicional.

14.1. Oração comparativa

A oração comparativa possui dois termos que se encontram numa relação de comparação.

A relação de comparação pode ser uma relação de inferioridade, igualdade ou superioridade que um termo exibe relativamente ao outro.

A relação é tipicamente expressa por um adjectivo, advérbio ou verbo que é modificado por advérbios, dependendo do tipo de relação; a relação de inferioridade exibe o advérbio menos, a de igualdade, o advérbio tão e a de superioridade, o advérbio mais . Exceptuam-se os casos em que o adjectivo ou advérbio tem formas próprias de expressar as relações de inferioridade e superioridade, como os adjectivos bom, mau, etc. A relação de comparação pode, embora menos frequentemente, ser expressa por uma expressão nominal, como, por exemplo, “%” (Ex: CP332-1 A nossa participada …atingiu uma facturação de cerca de 1.150.000 contos, mais 48% do que no ano anterior).

O segundo termo de comparação é marcado pela existência de (do) que ou como, quanto que o precede.

Os seguintes exemplos ilustram cada uma das relações de comparação acima descritas:

Relação de inferioridade

CP203-1 A banda sonora de «Thirtysomething» é a de uma série televisiva, domínio onde a música vem sendo tratada pior que no cinema.

Relação de igualdade

CF158-3 «Nós não vamos acreditar que um povo tão culto como o da Guanabara possa ter problemas como andam dizendo por aí», afirmou, referindo-se à população do antigo Estado da Guanabara, que desapareceu na fusão com o Estado do Rio de Janeiro.

Relação de superioridade

CF119-1 Não sei se fui claro: seria mais fácil um pinguim cruzar três Saaras do que FHC comer carne de bode espremido a um magote de sertanejos suados.

14.1.1. Representação da relação de comparação

Em termos de representação em árvores, a particularidade é o segundo termo de comparação ser etiquetado com KOMP< (etiqueta de sintagma) ao mesmo nível de constituintes que o adjectivo ou advérbio e o seu dependente. Assume-se que numa relação de comparação de inferioridade, igualdade e superioridade, os termos de comparação são sempre orações, estando o verbo principal expresso ou omisso. KOMP< terá como forma ‘fcl’, no caso de o verbo principal estar expresso ou ‘acl’, no caso de o verbo principal estar omisso.

O complementizador (do) que, como, quanto terá a etiqueta de função COM. O seguinte exemplo ilustra a representação das orações comparativas em árvore:

CF158-3 «Nós não vamos acreditar que um povo tão culto como o da Guanabara possa ter problemas como andam dizendo por aí», afirmou, referindo-se à população do antigo Estado da Guanabara, que desapareceu na fusão com o Estado do Rio de Janeiro.

A1
STA:fcl
=ACC:fcl

==SUBJ:pron-pers('nós' M 1P NOM) Nós
==ADVL:adv('não') não
==P:vp
===AUX:v-fin('ir' PR 1P IND) vamos
===MV:v-inf('acreditar') acreditar
==ACC:fcl
===SUB:conj-s('que') que
===SUBJ:np
====>N:art('um' <arti> M S) um
====H:n('povo' M S) povo
====N<:adjp
=====>A:adv('tão' <quant> <KOMP>) tão
=====H:adj('culto' M S) culto
=====KOMP<:acl
======COM:adv('como' <rel> <ks>) como
======SUBJ:np
=======H:pron-det('o' <dem> M S) o
=======N<:pp
========H:prp('de' <sam->) de
========P<:np
=========>N:art('o' <-sam> <artd> F S) a
=========H:prop('Guanabara' F S) Guanabara

CP687-4 ; e a sua relevância é tanto maior quanto o seu calendário a torna um barómetro da estação que antecipa.

A1
STA:fcl
=;
=CO:conj-c('e') e
=SUBJ:np
==>N:art('o' <artd> F S) a
==>N:pron-det('seu' <poss 3S> F S) sua
==H:n('relevância' F S) relevância
=P:v-fin('ser' PR 3S IND) é
=SC:adjp
==>A:adv('tanto' <quant> <KOMP>) tanto
==H:adj('grande' <KOMP> F S) maior
==KOMP<:fcl
===COM:adv('quanto' <rel> <ks> <quant>) quanto
===SUBJ:np
====>N:art('o' <artd> M S) o
====>N:pron-det('seu' <poss 3S> M S) seu
====H:n('calendário' M S) calendário
===ACC:pron-pers('ela' F 3S ACC) a
===P:v-fin('tornar' PR 3S IND) torna
===OC:np
====>N:art('um' <arti> M S) um
====H:n('barómetro' M S) barómetro
...

No entanto, diferentemente dos exemplos acima, nem sempre o adjectivo ou advérbio ocorre imediatamente antes do segundo termo de comparação. Nesses casos, a representação da relação de comparação far-se-á através de constituintes descontínuos (ver secção 9 sobre representação de descontinuidade), como o seguinte exemplo:

CF119-1 Não sei se fui claro: seria mais fácil um pinguim cruzar três Saaras do que FHC comer carne de bode espremido a um magote de sertanejos suados.


=P:v-fin('ser' COND 1/3S) seria
=SC:adjp-
==>A:adv('mais' <quant> <KOMP>) mais
==H:adj('fácil' M S) fácil
=SUBJ:np
==>N:art('um' <arti> M S) um
==H:n('pinguim' M S) pinguim
=P:v-inf('cruzar') cruzar
=ACC:np
==>N:num('três' <card> M P) três
==H:prop('Saaras' M P) Saaras
=-SC:adjp
==KOMP<:acl
===COM:conj-s('do_que') do_que
===SUBJ:prop('FHC' M S) FHC
===P:v-inf('comer') comer
===ACC:np
====H:n('carne' F S) carne
====N<:pp
=====H:prp('de') de
=====P<:np
======H:n('bode' M S) bode
======N<:v-pcp('espremer' M S) espremido


           





14.1.2. Superlativo relativo de inferioridade e superioridade

Semanticamente, o superlativo relativo de inferioridade e superioridade estabelecem uma comparação (Mateus et al, 1989:318). Os seguintes exemplos ilustram estas expressões:

O mesmo tipo de análise para as orações comparativas de inferioridade, igualdade e superioridade é usado para as orações comparativas superlativas relativas, como se pode observar nas seguintes árvores:

CF121-9 Sua popularidade está mais baixa do que nunca e um de seus possíveis oponentes é filho de George Bush.

A1
STA:cu
=CJT:fcl
==SUBJ:np
===>N:pron-det('seu' <poss 3S> F S) Sua
===H:n('popularidade' F S) popularidade
==P:v-fin('estar' PR 3S IND) está
==SC:adjp
===>A:adv('mais' <quant> <KOMP>) mais
===H:adj('baixo' F S) baixa
===KOMP<:fcl
====COM:conj-s('do_que') do_que
====ADVL:adv('nunca') nunca

CP484-9 No pior dos cenários, o país volta a abster-se e a regionalização tem assegurados mais 25 anos de permanência no fundo falso da gaveta da democracia.

A1
STA:fcl
=ADVL:pp
==H:prp('em' <sam->) Em
==P<:np
===>N:art('o' <-sam> <artd> M S) o
===H:adj('mau' <n> <KOMP> <SUP> M S) pior
===KOMP<:pp
====H:prp('de' <sam->) de
====P<:np
=====>N:art('o' <-sam> <artd> M P) os
=====H:n('cenário' M P) cenários
=,

14.2. Oração consecutiva

As orações consecutivas exprimem uma relação de implicação ou causalidade entre dois elementos. São, juntamente com as orações comparativas, construções de graduação (Mateus et al, 1989:314).

Na Floresta, as orações consecutivas têm uma análise sintáctica semelhante às orações comparativas, embora o que não seja complementizador (COM) mas um subordinador (SUB), como se pode constatar pelos exemplos a seguir. Além disso, no Bosque, o verbo de orações subordinadas consecutivas é marcado com a etiqueta secundária <fs-cons>. 

Com isso, as orações consecutivas podem ser facilmente encontradas por meio da interface de busca em árvores Milhafre. Para tanto, basta digitar fs-cons no campo Procuráveis ou, para o caso de buscar os verbos de orações consecutivas que estão no infinitivo, icl-cons.

CP649-4 Uma história bem real, tão real e violenta que o livro foi já posto fora de circulação oficial no Brasil

A1
UTT:np
=>N:art('um' <arti> F S) Uma
=H:n('história' F S) história
=N<:adjp
==>A:adv('bem' <quant>) bem
==H:adj('real' F S) real
=,
=N<PRED:adjp
==>A:adv('tão' <dem> <quant> <KOMP>) tão
==H:cu
===CJT:adj('real' F S) real
===CO:conj-c('e' <co-postnom>) e
===CJT:adj('violento' F S) violenta
==KOMP<:fcl
===SUB:conj-s('que') que
===SUBJ:np
====>N:art('o' <artd> M S) o
====H:n('livro' M S) livro
===P:vp-
====AUX:v-fin('ser' PS 3S IND) foi
===ADVL:adv('já') já
===-P:vp
====MV:v-pcp('pôr' <fs-cons> M S) posto
===ADVS:pp
====H:prp('fora_de') fora_de
====P<:np
=====H:n('circulação' F S) circulação
=====N<:adj('oficial' F S) oficial
...

CF259-1 O tricolor, após tantas decepções na temporada, vai às finais da Conmebol, caça-níqueis tão inexpressivo que o próprio São Paulo inscreveu apenas jogadores jovens, que se denominaram Leões, ao invés de o tradicional Expressinho.

A1
STA:fcl
=SUBJ:np
==>N:art('o' <artd> M S) O
==H:adj('tricolor' <n> M S) tricolor
...
=P:v-fin('ir' PR 3S IND) vai
=ADVS:pp
==H:prp('a' <sam->) a
==P<:np
===>N:art('o' <-sam> <artd> F P) as
===H:n('final' F P) finais
===N<:pp
====H:prp('de' <sam->) de
====P<:np
=====>N:art('o' <-sam> <artd> F S) a
=====H:prop('Conmebol' F S) Conmebol
=====,
=====N<PRED:np
======H:n('caça-níqueis' M S) caça-níqueis
======N<:adjp
=======>A:adv('tão' <dem> <quant> <KOMP>) tão
=======H:adj('inexpressivo' M S) inexpressivo
=======KOMP<:fcl
========SUB:conj-s('que') que
========SUBJ:np
=========>N:art('o' <artd> M S) o
=========>N:pron-det('próprio' <ident> M S) próprio
=========H:prop('São_Paulo' M S) São_Paulo
========P:v-fin('inscrever' <fs-cons> PS 3S IND) inscreveu
========ACC:np
=========>N:adv('apenas') apenas
=========H:n('jogador' M P) jogadores
=========N<:adj('jovem' M P) jovens
...

14.3. Oração relativa

As orações relativas são iniciadas por um pronome relativo que concorda em género e número com o seu antecedente. A função da oração relativa é de modificador do seu antecedente. O seguinte exemplo ilustra uma oração relativa:

CF260-2 Em respeito à história, diga-se que o mal que a UDN fez ao país não decorreu de seu moralismo, mas de sua amoralidade.

As orações relativas, como modificadoras de nomes, podem ter, na Floresta Sintáctica, as funções de adjunto adnominal (N<) ou de epíteto predicativo (N).

CF709-3 E, para Bruno Bettelheim, as pequenas velas e lâmpadas que a iluminam seriam vestígios das antigas fogueiras que os pagãos do norte da Europa ateavam no alto das montanhas para antecipar a chegada do Sol e o fim do inverno.

=SUBJ:np
==>N:art('o'  F P)	as
==>N:adj('pequeno' F P)	pequenas
==H:cu
===CJT:np
====H:n('vela'  F P)	velas
===CO:conj-c('e')	e
===CJT:np
====H:n('lâmpada'  F P)	lâmpadas
==N<:fcl
===SUBJ:np
====H:pron-indp('que'  F P)	que
===ACC:np
====H:pron-pers('ela' F 3S ACC)	a
===P:vp
====MV:v-fin('iluminar'  PR 3P IND)	iluminam
=P:vp
==MV:v-fin('ser' COND 3P)	seriam
=SC:np
==H:n('vestígio'  M P)	vestígios
==N<:pp
===H:prp('de' )	de
===P<:np
====>N:art('o' <-sam>  F P)	as
====>N:adj('antigo' F P)	antigas
====H:n('fogueira'  F P)	fogueiras
====N<:fcl
=====ACC:np
======H:pron-indp('que'  F P)	que
=====SUBJ:np
======>N:art('o'  M P)	os
======H:n('pagão'  M P)	pagãos
======N<:pp
=======H:prp('de' )	de
=======P<:np
========>N:art('o' <-sam>  M S)	o
========H:n('norte'  M S)	norte
========N<:pp
=========H:prp('de' )	de
=========P<:np
==========>N:art('o' <-sam>  F S)	a
==========H:prop('Europa' F S)	Europa
=====P:vp
======MV:v-fin('atear'  IMPF 3P IND)	ateavam


Na frase acima, há duas orações relativas, indicadas com N<:fcl (leia-se: um modificador do nome (N<) que é uma oração finita (fcl)). Na primeira delas, o pronome relativo exerce a função de sujeito (que = lâmpadas / lâmpadas iluminam) e, na segunda, exerce a função de objecto directo (ACC) (que = fogueiras / atear fogueiras). Como os verbos de orações relativas são marcados com a etiqueta fs-rel, podem ser facilmente encontrados com a interface de busca em árvores Milhafre. Para tanto, basta digitar fs-rel no campo Procuráveis.

Nos exemplos acima, o pronome relativo segue imediatamente o constituinte a que faz referência. Mas nem sempre assim ocorre, como se pode constatar no exemplo em baixo:

CP650-4 O conselho foi ontem dado pelos técnicos da OCDE, no seu mais recente relatório sobre o estado da economia norte-americana, em que se avisa as autoridades do país a reduzirem os gastos com a Segurança Social com o objectivo de assegurar, a longo prazo, a saúde financeira federal.

Esta situação ocorre apenas porque o pronome relativo faz parte de um outro constituinte um ou mais níveis abaixo do constituinte imediatamente abaixo do nó não terminal que indica uma oração dependente. A representação será a seguinte:

CP650-4 O conselho foi ontem dado …, no seu mais recente relatório sobre o estado da economia norte-americana, em que se avisa as autoridades do país a reduzirem os gastos com a Segurança Social


=ADVL:pp
==H:prp('em' <sam->) em
==P<:np
===>N:art('o' <-sam> <artd> M S) o
===>N:pron-det('seu'<poss 3S> <si> M S) seu
===>N:adjp
====>A:adv('mais' <quant> <KOMP>) mais
====H:adj('recente' M S) recente
===H:n('relatório' M S) relatório
===N<:pp
====H:prp('sobre') sobre
====P<:np
=====>N:art('o' <artd> M S) o
=====H:n('estado' M S) estado
=====N<:pp
======H:prp('de' <sam->) de
======P<:np
=======>N:art('o' <-sam> <artd> F S) a
=======H:n('economia' F S) economia
=======N<:adj('norte-americano' F S) norte-americana
===,
===N<PRED:fcl
====ADVL:pp
=====H:prp('em') em
=====P<:pron-indp('que' <rel> M S) que
====SUBJ:pron-pers('se' M/F 3S/P ACC) se
====P:v-fin('avisar' <fs-rel> PR 3S IND) avisa
====ACC:np
=====>N:art('o' <artd> F P) as
=====H:n('autoridade' F P) autoridades

Pode também existir descontinuidades nas orações relativas. No exemplo a seguir, a descontinuidade é motivada pelo facto de o sujeito de um verbo, que corresponde ao pronome relativo, a um nível de constituinte mais baixo ter sido deslocado para um nível de constituinte mais elevado. A representação da árvore é a seguinte (o verbo de uma oração relativa é marcado no Bosque com a etiqueta secundária <fs-rel>:

CP271-3 «Isto é maravilhoso, é um verdadeiro tesouro, que não imaginei que existisse ».

A1
STA:cu

=CJT:fcl
==SUBJ:pron-indp('isto' <dem> M S) Isto
==P:v-fin('ser' PR 3S IND) é
==SC:adj('maravilhoso' M S) maravilhoso
=,
=CJT:fcl
==P:v-fin('ser' PR 3S IND) é
==SC:np
===>N:art('um' <arti> M S) um
===>N:adj('verdadeiro' M S) verdadeiro
===H:n('tesouro' M S) tesouro
===,
= ==N<PRED:fcl
== ==ACC:fcl-
=== ==SUBJ:pron-indp('que' <rel> M S) que
====ADVL:adv('não') não
= ===P:v-fin('imaginar' <fs-rel> PS 1S IND) imaginei
== ==-ACC:fcl
=== ==SUB:conj-s('que') que
==== =P:v-fin('existir' IMPF 3S SUBJ) existisse

=.


14.4. Oração causal

As orações causais expressam causa, motivo, razão da ideia expressa na oração principal. São introduzidas por conjunções / locuções causais porque, visto que, já que, uma vez que, etc. No Bosque, o verbo de orações subordinadas causais está marcado com a etiqueta secundária <fs-cause> Com isso, as orações causais podem ser facilmente encontradas com o Milhafre, a interface de busca em árvores sintácticas. Para tanto, basta digitar fs-cause no campo Procuráveis ou, para o caso de buscar os verbos de orações causais que estão no infinitivo, icl-cause.

CF247-5 Isso porque ninguém sabe quais serão os critérios da conversão automática, explica.

=ADVL:fcl
==SUB:conj-s('porque') porque
==SUBJ:np
===H:pron-indp('ninguém' M S) ninguém
==P:vp
===MV:v-fin('saber' <fs-cause> PR 3S IND) sabe
=SC:fcl
==SC:np
===H:pron-det('qual' M P) quais
==P:vp
===MV:v-fin('ser' FUT 3P IND) serão
==SUBJ:np
===>N:art('o' <artd> M P) os
===H:n('critério' M P) critérios
===N<:pp
====H:prp('de' <sam->) de
====P<:np
=====>N:art('o' <-sam> <artd> F S) a
=====H:n('conversão' F S) conversão


14.5. Oração concessiva

As orações concessivas expressam a ideia geral de oposição ao que foi dito na oração principal. Como a conjunção concessiva esvazia a força causal ou argumentativa do fato que anuncia, o conteúdo da oração principal passa a representar o contrário do que se espera. É possível ainda caracterizá-las como orações nas que introduzem um fato/ideia considerado irrelevante para o conteúdo restante do enunciado (Azeredo, 2000:237). São introduzidas por conjunções / locuções concessivas embora, ainda que, mesmo que, se bem que, nao obstante, conquanto, etc. No Bosque, os verbos de orações subordinadas concessivas estão marcados com a etiqueta secundária <fs-conc>. Para encontrá-los usando a ferramenta de busca em árvores sintácticas Milhafre, basta digitar <fs-conc> ou então <icl-conc>, caso deseje os verbos de orações concessivas no infinitivo.

CP652-1 Para os habitantes do Sul, observou a Reuter, a discussão da guerra civil nas Nações Unidas dá credibilidade ao seu Estado, embora este seja apenas reconhecido pela Somalilândia, outro território secessionista, da vizinha Somália, que também ninguém reconheceu.

=ADVL:fcl
==SUB:conj-s('embora')    embora
==SUBJ:np
===H:pron-det('este' <dem> M S)    este
==P:vp-
===AUX:v-fin('ser' <fs-conc> PR 3S SUBJ)    seja
==ADVL:advp
===H:adv('apenas')    apenas
==-P:vp
===MV:v-pcp('reconhecer' M S)    reconhecido
==PASS:pp
===H:prp('por' <sam->)    por
===P<:np
====>N:art('o' <-sam> <artd> F S)    a
====H:prop('Somalilândia' F S)    Somalilândia

14.6. Oração conformativa

As orações conformativas expressam um fato que ocorre em conformidade com outro, expresso na oração principal, numa espécie de confirmação. São introduzidas por conjunções conformativas conforme, como, segundo, consoante, etc. No Bosque, o verbo de orações subordinadas conformativas está marcado com a etiqueta secundária <fs-conf>. Para encontrar tais verbos, usando a interface de busca em árvores sintácticas Milhafre, basta digitar <fs-conf> ou então <icl-conf>, caso deseje os verbos de orações conformativas no infinitivo.

CF719-2 «Ele reclamou de que não lhe pagariam o prometido, não lhe dariam um carro e que só bancariam seis meses de aluguel de sua casa e não os quatro anos, como esperava», disse o dirigente.

=====ADVL:fcl
======SUB:conj-s('como' <ks>)    como
======P:vp
======MV:v-fin('esperar' <fs-conf> IMPF 3S IND)    esperava

14.7. Oração condicional

As orações condicionais expressam uma condição necessária para a realização ou não do que está expresso na oração principal ou ainda um facto que está em contradição com o expresso na oração principal. São introduzidas por conjunções condicionais: se, caso, sem que, dado que, uma vez que, desde que ( as duas últimas + verbo no subjuntivo), etc. No Bosque, o verbo de orações subordinadas condiconais está marcado com a etiqueta secundária <fs-cond>. Para encontrá-los usando a ferramenta de busca em árvores sintácticas Milhafre, basta digitar <fs-cond> ou então <icl-cond>, caso deseje os verbos de orações condicionais no infinitivo.

CP488-4 Tomando como caso concreto a França, com um mercado de trabalho considerado pouco flexível, o mesmo responsável do FMI antevê que a Europa deverá continuar a registar um «crescimento lento», caso não concretize rapidamente as necessárias reformas estruturais.

=ADVL:fcl
==SUB:conj-s('caso')    caso
==ADVL:advp
===H:adv('não')    não
==P:vp
===MV:v-fin('concretizar' <fs-cond> PR 3S SUBJ)    concretize


14.8. Oração final

As orações finais expressam objectivo ou finalidade do que está expresso na oração principal. São introduzidas por conjunções finais: para que, a fim de que, etc. No Bosque, o verbo de orações subordinadas finais está marcado com a etiqueta secundária <fs-fin>.Para encontrá-los usando a ferramenta de busca em árvores sintácticas Milhafre, basta digitar <fs-fin> ou então <icl-fin>, caso deseje os verbos de orações finais no infinitivo.

CF33-1 O Pentágono usa a Internet, que conecta computadores a sistemas telefônicos, para que seus funcionários troquem informações.


=ADVL:pp
==H:prp('para')    para
==P<:fcl
===SUB:conj-s('que')    que
===SUBJ:np
====>N:pron-det('seu' <poss 3S> M P)    seus
====H:n('funcionário' M P)    funcionários
===P:vp
====MV:v-fin('trocar' <fs-fin> PR 3P SUBJ)    troquem
===ACC:np
====H:n('informação' F P)    informações

14.9. Oração temporal

As orações temporais expressam o tempo de realização do que está expresso na oração principal. São introduzidas por conjunções/locuções temporais: quando, antes que, primeiro que, depois que, logo que, assim que, sempre que, enquanto, etc. No Bosque, os verbos de orações subordinadas temporais estão marcados com a etiqueta secundária <fs-temp> .Para encontrá-los usando a ferramenta de busca em árvores sintácticas Milhafre, basta digitar <fs-temp> ou então <icl-temp>, caso deseje os verbos de orações temporais no infinitivo.

CP999-1 N. R. A razão por que se realçou no título da notícia em causa o benefício do whisky foi porque ela se refere a um estudo que realçava esse facto, o que se compreende quando se sabe que se trata de um estudo britânico.

===H:pron-pers('se' M/F 3S/P ACC)    se
==P:vp
===MV:v-fin('compreender' PR 3S IND)    compreende
==ADVL:fcl
===ADVL:advp
====H:adv('quando')    quando
===SUBJ:np
====H:pron-pers('se' M/F 3S/P ACC)    se
===P:vp
====MV:v-fin('saber' <fs-temp> PR 3S IND)    sabe
===ACC:fcl

14.10. Orações Passivas

As orações passivas estão descritas na secção 12

.

14.11. Orações Subordinadas

As orações subordinadas, adjetivas (orações relativas) e substantivas estão descritas na secção 3.2

.
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