O consultório do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, um sítio na Internet que recebia semanalmente cerca de 500 perguntas, encerrou há um mês e vai continuar fechado por falta de apoios, revelou hoje à Agência Lusa o responsável pelo consultório.
De acordo com José Mário Costa, responsável pelo consultório em conjunto com a Sociedade de Língua Portuguesa, os contactos junto de entidades públicas e privadas para angariar apoio financeiro foram "infrutíferos".
O Cíberdúvidas da língua portuguesa tem um arquivo de 16 mil questões mais frequentes, "que pode continuar a ser consultado na Internet, mas o consultório linguístico, que recebe cerca de 500 perguntas semanais, vai deixar de funcionar".
"As perguntas eram respondidas por linguistas e outros especialistas da língua portuguesa, mas deixou de haver dinheiro para lhes pagar", acrescentou, estimando em 2500 euros mensais os custos para manter o consultório a funcionar.
José Mário Costa pediu, sem sucesso, apoio ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, ao Ministério da Cultura e ao Instituto Camões, e igualmente os CTT e a Caixa Geral de Depósitos, BCP, BPI, GALP entre outras entidades públicas e privadas.
"Só o Ministério da Educação destacou uma professora a tempo inteiro para trabalhar no Ciberdúvidas, o que já constitui uma ajuda importante, mas sem dinheiro para pagar aos especialistas não é possível responder às questões colocadas no consultório", lamentou.
Ao fim de oito anos e meio de existência, o sítio acumulou um arquivo de respostas a dúvidas sobre ortografia, sintaxe e pronúncia da língua portuguesa, respondidas por uma rede de especialistas da área.
Fundado por José Mário Costa e pelo jornalista João Carreira Bom, o Ciberdúvidas é visitado diariamente por três mil a cinco mil pessoas, e responde a centenas de questões todas as semanas, feitas na sua maioria por estudantes e professores, mas também por jornalistas, advogados e médicos.
Depois da morte inesperada de João Carreira Bom, em 2002, o sítio esteve encerrado durante um ano por falta de financiamento, pois o jornalista foi sempre o mecenas do projecto.
Um abaixo-assinado foi lançado no último fim-de-semana para recolher assinaturas contra o encerramento do consultório do Ciberdúvidas (http://www.petitiononline.com/CIBERDUV/petition.html) que serão enviadas ao primeiro-ministro, Ministério da Cultura, Ministério dos Negócios Estrangeiros, Secretaria de Estado das Comunidades e Instituto Camões.