<DOC>
<DOCNO>FSP940717-001</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-001</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Circula hoje o terceiro dos cinco fascículos da série "Seu negócio na nova era", um projeto Folha/Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). A edição apresenta estratégias para identificar e superar os riscos que envolvem a abertura de uma empresa.
O fascículo ensina também a reconhecer os nichos de mercado –pequenos grupos de consumidores com interesses específicos.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-002</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-002</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Brasil e Itália chegam à final pela quinta vez
Partida começa às 16h30 no Rose Bowl
Parreira quer o time "frio e calculista"
MATINAS SUZUKI JR.
Enviado especial a Los Angeles
Os tricampeões Brasil e Itália disputam hoje, a partir de 16h30 de Brasília para 2 bilhões de telespectadores, o inédito tetracampeonato mundial de fute
bol. As seleções chegam à final da Copa pela quinta vez. Para o Brasil, a última foi em 70, quando bateu a Itália no México. Os italianos conquistaram seu terceiro título em 82 na Espanha, quando eliminaram os brasileiros nas quartas-de-final. Os times se enfrentaram quatro vezes em Copas. Cada um venceu duas vezes.
O técnico Parreira quer a seleção "fria e calculista". A partida no Rose Bowl em Pasadena (Califórnia) deve ser sua despedida da seleção. Ele vai para a Espanha.
Preparador físico auxiliar em 70, Parreira dirige a seleção desde outubro de 91. Hoje é seu 47º jogo. Foram 28 vitórias, 13 empates e 5 derrotas. Ele diz querer deixar ao Brasil uma lição do "pragmatismo".
Com cinco gols, o atacante Romário tenta hoje ser o artilheiro da Copa.
Copa 94
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-003</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-003</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
A sabedoria política convencional, compartilhada tanto pelos analistas como pelos próprios QGs dos candidatos, indicava que, durante o mês de julho, nenhuma grande mudança ocorreria nas intenções de voto para a Presidência.
Havia a Copa a desviar as atenções, havia pouco tempo para uma efetiva avaliação do real e, para completar, não era época do horário gratuito de propaganda eleitoral, que massifica a campanha.
No entanto, as duas pesquisas do Datafolha feitas no mês de julho desmentiram dura e inexoravelmente tais expectativas.
Luiz Inácio Lula da Silva iniciou o mês com uma vantagem sobre Fernando Henrique Cardoso de 22 pontos percentuais (41% das intenções de voto contra apenas 19%, conforme a pesquisa Datafolha feita entre 9 e 13 de junho). Agora, a diferença é de apenas nove pontos, duas vezes e meia inferior.
Essa mudança e a surpresa por ela provocada devem-se, ao menos em parte, a um fenômeno político relativamente novo e ainda de difícil absorção. Hoje, talvez pela velocidade com que se transmitem informações e pelo predomínio da imagem sobre a palavra, o eleitorado move-se muito à base de emoções, de sentimentos, que por vezes desafiam a pura racionalidade.
Parece ser o caso do crescimento de FHC e da queda concomitante de Lula. Tudo indica que se trata de uma influência direta da introdução do real. Mas a pesquisa que captou a alteração foi fechada em 13 de julho, com apenas 13 dias de real.
É muito pouco tempo para que a população possa, de fato, avaliar e racionalizar os seus efeitos. Parece claro, portanto, que a reação do eleitorado está sendo determinada mais pela sensação de que a nova moeda vai mudar a vida das pessoas do que por uma aferição palpável, estatística, racional.
Por isso mesmo é recomendável cautela ao emitir juízos definitivos sobre as tendências apontadas pelas pesquisas mais recentes.
A única coisa concreta que se pode afirmar é que a campanha entra na fase de fato decisiva. Termina hoje a Copa, a cada dia que passa há mais tempo para uma avaliação objetiva do real e vai começar, dia 2, o horário eleitoral gratuito.
Que tipo de sensações o eleitorado retirará dessa fase final e decisiva é uma incógnita, ainda que a lógica elementar indique que a disputa será muito mais acirrada do que se poderia supor há um mês.
E o equilíbrio nas pesquisas se dá apenas em torno de duas candidaturas, as de Lula e FHC. Por mais surpresas que as pesquisas de julho tenham proporcionado, elas não incluíram mudança alguma no patamar dos demais candidatos, praticamente estacionados onde estavam em maio e junho. Mantida essa tendência, a disputa eleitoral será um enredo com apenas dois protagonistas e alguns figurantes.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-004</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-004</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
A atabalhoada decretação da prisão de dois acionistas minoritários, um executivo e um gerente da empresa atacadista Makro de Brasília, com base na alegação de aumentos abusivos de preços, traz de volta o receio de que a estabilização da economia venha a ser tratada, mais uma vez, como questão de polícia, e não de política econômica. Este jornal já havia alertado, neste mesmo espaço, para o perigo de que, no afã de controlar preços, fosse reeditada a histeria punitiva e ilegal que se observou por ocasião do Plano Cruzado em 1986.
Esse tipo de atitude prepotente, arbitrária e demagógica, que traz apenas pânico e confusão ao mercado, tem efeito nulo sobre o controle de preços e consequências danosas à democracia, à ordem e aos direitos dos cidadãos.
No caso específico, contudo, o episódio ganha ares kafkianos, uma vez que dois dos empresários em questão eram apenas acionistas minoritários, sem atribuições executivas na direção da empresa acusada. Esta Folha já se manifestou contrária aos aumentos abusivos de preços, mas sempre repudiou firmemente a prisão de indivíduos que não representem uma ameaça física para a sociedade.
O atalho da ilegalidade, do arbítrio e da truculência é o pior caminho possível para a busca da estabilização econômica e social.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-005</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-005</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O titã Atlas, filho de Iapetus e de Climene, é descrito por Homero como "aquele que conhece as profundezas de todo o mar, e ergue os altos pilares que mantêm separados céu e terra". Ainda segundo a tradição, Atlas foi condenado a sustentar a abóbada celeste sobre seus ombros como punição por ter participado da revolta dos titãs.
Sendo aquele que separava o céu da terra, Atlas passou a ser a própria representação do mundo. Já os primeiros cartógrafos usavam sua imagem no frontispício de suas coleções de mapas. Foi assim que atlas passou a designar um conjunto coerente e completo de mapas. Mas, apesar dos esforços dignos de Atlas empreendidos por gerações e gerações de cartógrafos, a maioria dos paulistanos ignora algumas noções básicas de geografia. É o que indica a pesquisa Datafolha publicada no caderno especial "Atlas" que circula hoje nesta Folha.
Entre um disparate e outro, como, por exemplo, classificar o Tietê como o maior rio do planeta (2% dos entrevistados o fizeram), fica patente que os paulistanos, e muito provavelmente também os demais brasileiros, ainda têm muito a aprender em relação ao mundo. Pode parecer incrível, mas 61% não sabem que Porto Alegre é a capital do Rio Grande do Sul, um dos Estados mais importantes da União. Mais curioso ainda, 18% acham que o México faz fronteira com o Brasil; alguns chegaram ao cúmulo de apontar como nossos vizinhos o Japão e a Austrália (2% cada).
Esse triste quadro mostra que é bastante oportuna a iniciativa desta Folha de presentear o leitor com a publicação, a partir do próximo dia 14 de agosto, de uma série de encartes que constituirão o "Atlas Geográfico Mundial", uma edição em português do conceituado atlas de "The Times" também já publicado pelo prestigioso jornal "The New York Times". A obra iclui, além de mapas de todas as partes do globo, as bandeiras e dados de 188 nações, tabelas, gráficos e um índice com 30 mil nomes de lugares para facilitar a localização de quase todos os pontos da Terra.
Possuir um atlas de tão alta qualidade e completamente atualizado é uma excelente oportunidade para conhecer um pouco mais o planeta. E o conhecimento de um mundo cada vez mais dinâmico e competitivo é essencial para todos aqueles que desejam a ele integrar-se.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-006</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-006</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Carlos Heitor Cony
RIO DE JANEIRO – Decide-se hoje a Copa do Mundo, com o Brasil mais uma vez enfrentando a Itália. Fiz laboratório para a grande data. Não sendo jogador nem técnico, não sendo juiz, bandeirinha, bola ou cronista esportivo, a opção que me restou foi a leitura de Tolstoi e Stendhal. São páginas imortais como os membros da nossa Academia, embora em contexto diverso. Tolstoi descreve a manhã da batalha de Moscou, as tropas de Napoleão sem consciência de que marchavam para a armadilha e para a retirada.
A página de Stendhal é das mais citadas. O personagem Fabrício vê uns soldados marchando, ouve tiros, sente o cheiro de pólvora e não sabe que está presenciando a batalha de Waterloo. Fica difícil comparar Napoleão ao Parreira, a não ser encarando o imperador como o último dos grandes "técnicos" da história. Moscou e Waterloo fazem parte da virada de seu assombroso destino. Parreira pode estar lá ou cá: vive a véspera. Esqueço os "técnicos" e penso na seleção –ou no Brasil como um todo. Com exagero ou não, morbidez ou consolo psicológico, a decisão da Copa coloca cada um de nós num momento de verdade que, no fundo, constitui a Grande Mentira.
Se ganharmos, teremos a orgia coletiva que por 48 horas lavará nossas mágoas e afrontas. O corno esquecerá a infiel, o endividado esquecerá o título no banco, o doente achará que valeu a pena resistir pelo menos até aquele momento, o faminto arranjará o que comer e, em caso de desespero, comerá o próprio orgulho –que também tem vitaminas e sais minerais.
Se perdemos, será como o sujeito que reclamou porque foi obrigado a comer terra: deram-lhe estrume para melhorar o gosto.
Viveremos um momento tenso, insuportável, que poderá explodir na festa que o Zé Celso chamaria de "dionisíaca". Poderá acabar no vinagre, na terra estrumada que, de certa forma, já nos habituamos a comer. O jeito é torcer. Etimologicamente, torcer para que o torto fique mais torto, desde que caiba no redentor espaço da vitória.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-007</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-007</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Gilberto Dimenstein
BRASÍLIA – O PT cresceu sustentado em duas pernas -moralidade e defesa dos "excluídos", gerenciadas pela aguda inteligência, intuição e senso de oportunidade de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o próprio Lula está transformando seu partido num saci-pererê, cortando-lhe uma das pernas.
Uma frase de Lula publicada ontem é especialmente reveladora ao comentar os generosos empréstimos obtidos por José Paulo Bisol. Disse que estava satisfeito com as explicações do senador, que, ao defender-se, argumentou: naquela época (início da década de 80), não se via nada de mais nesse tipo de operação.
Primeiro: não é correto. Tanto que um juiz tentou bloquear a mamata, auxiliado pelo advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, do PT. Segundo: nem todos os juízes tomaram o empréstimo favorecido.
Mas o ponto central não está aí. O PT ganhou força e prestígio porque, entre outras coisas, denunciou (e com muita razão) esses negócios que infestaram e empobreceram o país. Por isso, a defesa dos excluídos se casava com a defesa da moralidade. Reconheçamos: o país deve a Lula e ao PT por terem colocado com tanta agressividade e competência o casamento entre exclusão social e corrupção no topo da agenda política. Ao decepar uma perna, eles ficam sem equilíbrio e viram armadilha do padrão de moralidade que ajudaram a estabelecer.
Eles reclamam que o caso Bisol vem sendo explorado nas eleições. É óbvio que é e vai ser explorado. Pergunta: os empréstimos existiram ou não? Então, não foi uma invenção dos inimigos nem da imprensa. Mas do próprio senador, que, segundo disse ontem, vai entrar com mais de cem ações contra jornais e jornalistas.
O PT está trazendo denúncias contra Guilherme Palmeira, envolvendo-o em supostos acertos clandestinos com empreiteiras. Não é exploração política? Claro que é. Tudo bem: caso fique algo provado, depura-se a vida pública.
Para arrematar, Lula admite que Bisol pode deixar a vice, dependendo das pesquisas de opinião. O problema passa a ser de marketing e não de moralidade.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-008</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-008</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Clóvis Rossi
SÃO PAULO – Era uma vez um certo Carlos Alberto Parreira que decretou a morte do sonho e da magia.
Está dando certo e há fortes chances de o decreto ganhar hoje o aval da faixa de tetracampeão. Há, portanto, razões de sobra para se entronizar Carlos Alberto Parreira como o homem-símbolo do Brasil ou, ao menos, daqueles brasileiros que têm algum ou muito poder.
Os parreiras proliferam na pátria amada. Há os parreiras que decretam que o salário-mínimo, embora obscenamente baixo, não pode subir porque arrebentaria a Previdência. Os sonhadores (ou derrotados) tentariam arrumar uma para consertar o outro. Os parreiras preferem ficar repetindo até o final dos tempos a sua litania conformista.
Os parreiras apregoam que plano de estabilização não pode ser confundido com distribuição de renda. Os sonhadores (ou derrotados) tentariam fazer a estabilização, mas tendo sempre no horizonte próximo a correção do abismo social. Os parreiras se conformam com a estabilização e remetem a redistribuição para um futuro o mais remoto possível.
O problema é que nasce um milhão de parreiras para cada Calderón de la Barca, o que dizia que "a vida é sonho". Ou para cada Antonio Machado, o poeta espanhol que ensinava: "Caminante no hay camino; el camino se hace al andar".
Por falta de "camino", os parreiras trilham as estradas já batidas, na mediocridade de seu conformismo, ainda que eventualmente vitoriosos. Ganham mas não gozam, em vez de sonhar em ganhar e também gozar.
Mas os parreiras é que estão certos e os poetas errados. Veja-se Chico Buarque, que também tentou decretar que "quem inventou a tristeza, que trate de desinventar".
Não desinventaram, Chico. Inventaram foi a alegria burocrática. Resultado: a história do Brasil virou uma permanente quarta-feira como a do jogo com a Suécia. Oitenta e um minutos de agonia para um minuto de festa. Enfim, como "os vencedores têm sempre razão", como disse Bora Milutinovic, técnico da seleção norte-americana, "ave, Parreira, morituri te salutant".
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-009</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-009</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Antonio Ermírio de Moraes
Richard Cobden (1804-65) foi um parlamentar inglês que se destacou na luta contra o excesso de regulamentação nas atividades econômicas. Ele tinha uma crença quase infinita na força do trabalho e um profundo desprezo pelos que se apoiavam muito na sorte para atingir seus objetivos. Dele, carrego em meu bolso as seguintes frases:
"A sorte tende a esperar que a boa nova chegue de surpresa, enquanto que o trabalho faz a boa nova acontecer. A sorte aguarda na cama que tudo lhe saia bem, enquanto que o trabalho levanta cedo para transformar o problema em solução. É por isso que os preguiçosos sempre contam com a sorte, enquanto que os trabalhadores crêem em causa e efeito".
Tudo isso me veio à mente por causa do jogo de hoje. Ele será um embate entre a sorte e o trabalho. Pela filosofia de Cobden, a vitória dependerá mais do trabalho do que da sorte. Mas futebol não é matemática. Nem sempre dá a lógica. Vejam o que o baixinho Romário conseguiu fazer no meio de dois gigantes no último jogo.
No futebol, a sorte conta. E conta muito. O Cobden que me desculpe, mas, desde o jogo da Suécia, coloquei seus belos ensinamentos em quarentena. Até amanhã, eles estarão sob efeito suspensivo.
Nossos rapazes têm se esforçado ao máximo. Têm treinado com afinco. Certo ou errado, o criticado Parreira vem dando o melhor de si. A preparação física é das melhores. A organização da comitiva está boa. Tudo isso é trabalho. Muito trabalho.
Os italianos também são trabalhadores. Começaram mal e melhoraram consideravelmente ao longo do certame. Todos eles vêm se esforçando no limite. São adversários de respeito.
Mas, no caso da partida de hoje, definitivamente, Cobden está errado: o resultado do jogo dependerá muito de sorte. Mas penso que o Brasil conta com algo adicional. Uma coisa que vai além da sorte. E que vai nos ajudar. Vai ser decisiva. Explico-me.
Consta que a seleção brasileira pretende dedicar o "tetra" ao nosso querido Ayrton Senna. Não sei se é verdade. Mas, se for, ganhamos aí um grande aliado. Um precioso parceiro. O Ayrton não deixará o Brasil perder. Não pela homenagem prometida –pois ele é um brasileiro desprendido–, mas exatamente porque ele sempre colocou o Brasil na frente de tudo.
O Ayrton conhece muito bem a importância dessa vitória no momento atual. Mais do que ninguém, ele acompanha a ânsia do nosso povo por um momento de alegria. Um povo sofrido e humilhado, que precisa desesperadamente de alguma coisa como o tetracampeonato do mundo para levantar o seu orgulho de ser brasileiro.
Portanto, lutem, garotos. Defendam a nossa bandeira. Ressuscitem o nosso amor. Boa sorte, Brasil. E que Ayrton continue conosco!

Antonio Ermírio de Moraes escreve aos domingos nesta coluna.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-010</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-010</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O êxito do plano, a curto prazo, é que viabilizará as reformas de que o Brasil necessita no longo prazo
RUBENS RICUPERO
Duas semanas já nos permitem uma avaliação do convívio com a nova moeda. Meu balanço é positivo, com base na simples verificação dos fatos objetivos e inegáveis que vêm ocorrendo.
Em primeiro lugar, a participação da população, o seu engajamento maduro e sereno e sua confiança foram notáveis. Mais uma vez o brasileiro demonstrou, com civismo, que é um povo participante e que deseja que o plano dê certo.
As demonstrações de apoio que recebi de populares nos mais diversos locais deixam claro que quem estiver contra o plano, procurando levar vantagem ou boicotando, vai estar contra o sentimento geral da população.
A troca da moeda correu sem qualquer incidente, sem qualquer problema, ao contrário do acontecido em outros países, até recentemente. Percorri agências bancárias, falei com populares, verifiquei que a tranquilidade e a calma foram as palavras de ordem.
O próprio ato de trocar a moeda por uma inteiramente nova, de valor elevado e grande poder de compra, parece ter sido determinante. A divulgação do mecanismo de troca, da taxa de conversão e das qualidades do novo dinheiro, marcadas pelo rigor do seu lastreamento e das suas regras de emissão, teve um alcance acima da expectativa.
Da mesma forma que os demais elementos que compõem o plano, a troca da moeda não trouxe surpresas, choques, impactos. O país estava preparado, ansioso mesmo, para recebê-la.
Houve de fato um problema na distribuição das moedas do real, em função de uma estimativa conservadora sobre a demanda de troco e das dificuldades oriundas do pouco tempo disponível para reforma tão ampla e para o transporte a longas distâncias do peso considerável das moedas. Já solicitei ao Banco Central prioridade ao assunto.
A noção de que o centavo do real vale muito não é um recurso de retórica e por isso deve ter um tratamento correspondente na confecção e distribuição da moeda metálica. Também pedi ao BC que estude com urgência a questão do formato e identificação das moedas, procurando dar formas e cores diferentes a pelo menos duas das quatro moedas de centavos, acrescentando o símbolo R$ a essas moedas e aumentando o tamanho da moeda de um real.
A confiança na nova moeda também se traduziu no acréscimo no nível das aplicações financeiras. Errou quem apostou em uma retirada da poupança e em uma corrida ao consumo. Em vez disso, as aplicações na caderneta de poupança aumentaram 3% em julho.
Também na área do câmbio houve plena normalidade. O mercado cambiário apenas corroborou a confiança na nova moeda e o Banco Central em nenhum momento precisou intervir para controlar as taxas.
As preocupações do setor exportador vão-se refletir na adoção de medidas de estímulo na área fiscal e tributária, que o governo federal deve anunciar em breve, procurando com isso dar o exemplo a ser seguido pelos governos estaduais, responsáveis pelo principal da carga impositiva sobre as exportações.
A nota destoante ficou por conta das remarcações de preços na virada para o real. Por falsa precaução contra um congelamento que sempre dissemos que não ocorreria, ou por simples oportunismo, na eterna tentativa de levar vantagem, muitos comerciantes e industriais quiseram reter estoques e aumentaram abusivamente os preços sem qualquer justificativa de custos. O mesmo aconteceu com as passagens de ônibus em diversas cidades. O pãozinho de 50 gramas foi simbólico dessa insensibilidade que nós estamos neutralizando.
Por causa desses abusos, dessa irresponsabilidade, quase se passa para a população a idéia equivocada de que o real estaria associado a aumentos de preços. Mas a reação da sociedade e do governo foi forte.
Os preços começam a cair, porque o consumidor se retraiu e está valorizando o seu real. E os industriais e comerciantes começam a ver que o lucro agora vai estar mais na quantidade e menos na margem inflada a que se acostumaram na economia inflacionada de antes.
Os juros ainda estão elevados, em grande medida porque refletem a tendência de parte da economia de tentar preços altos e reter estoques. Os juros prudentes praticados nesta etapa inicial obrigarão a desova desses estoques e prevenirão a formação de estoques especulativos.
Com a queda da inflação e a reversão completa nos reajustes abusivos que foram feitos na passagem para o real, a tendência dos juros, que já se observa, é cair. A política de juros segue o mesmo critério de cautela que orienta a entrada nesta terceira fase do Plano Real.
O real chegou assim com apoio e participação popular e cercado de cuidados na área monetária e cambial. Por isso, o real chegou forte em termos políticos e econômicos. Demos um importante primeiro passo, mas este é só o início do começo, o ponto de partida de uma árdua caminhada que devemos empreender com sobriedade, sem triunfalismo.
Não podemos nos desmobilizar, não podemos baixar a guarda só porque o começo foi positivo e as perspectivas são boas. Cento e cinquenta e três milhões de brasileiros aguardam que o plano se consolide e que o real se firme como a moeda forte de um Brasil estável, que volta a crescer e que começa a ter fôlego para enfrentar as reformas estruturais que até agora não pudemos fazer.
Com o real, a estabilidade passa a dominar a agenda política e econômica do país, e o benefício dessa nova realidade não há de tardar, refletindo-se na própria renovação de mentalidade que as eleições de outubro vão proporcionar.
Estou convencido de que, ao contrário do afirmado pela "sabedoria convencional", não são as reformas prévias da Constituição e estruturais que condicionam o êxito do plano mas o inverso: o êxito do real, a curto prazo, é que vai viabilizar, a partir de agora, as reformas de que o país necessita no médio e longo prazo.

RUBENS RICUPERO, 56, é ministro da Fazenda. Foi ministro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal, embaixador do Brasil em Washington (EUA) e representante permanente do Brasil junto ao Gatt (Acordo Geral de Tarifas e Comércio).
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-011</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-011</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O plano colocou um verniz reluzente em mais uma tentativa de ajuste de inspiração neoliberal
ALOIZIO MERCADANTE
As primeiras reações ao lançamento da última etapa do Plano Real atestam que a população brasileira não perdeu a esperança em derrotar a inflação. Sem dúvida nenhuma, o amplo programa de mídia que lançou o real foi pródigo em aguçar as expectativas e a confiança nessa recente tentativa de enfrentar esse velho e resistente problema. Infelizmente, não bastam confiança e boas intenções.
A crise e as repercussões inflacionárias têm martirizado os trabalhadores engolindo seus salários, desorganizado a produção, desajustado as contas públicas, acentuado ineficiências e ainda produziu uma nova forma de segregação social no país: o apartheid monetário. Mais de dois terços da população brasileira não têm acesso aos bancos ou quaisquer formas de moeda indexada, que garantiam alguma proteção contra a corrosão do valor da moeda.
Portanto, é compreensível que a sociedade receba o Plano Real de braços abertos e até esqueça as decepções e frustrações que teve com os planos anteriores. A grande dúvida é se o real não passa de mais um plano passageiro, subordinado ao calendário eleitoral, ou se será capaz de equacionar de forma eficiente e duradoura esses graves problemas econômicos.
Entretanto toda essa fé fica abalada. O Plano Real apenas colocou um verniz reluzente e sofisticado em mais uma tentativa de ajuste convencional de inspiração neoliberal, assentado no corte de gastos sociais, contração dos salários, semicongelamento do câmbio, no congelamento das tarifas públicas e, sobretudo, num forte aperto monetário, com taxas de juros muito elevadas.
De partida o plano não conseguiu sustentar sua principal premissa de fazer um ajuste fiscal e orçamentário que trouxesse um mínimo de equilíbrio às contas públicas. Na primeira fase, a equipe econômica limitou-se em realizar um profundo corte nos gastos sociais, sem resolver nada do ponto de vista orçamentário, uma vez que as previsões de despesas com juros serão ultrapassadas pelas altíssimas taxas de remuneração da dívida pública. Além da inaceitável situação de estarmos entrando no segundo semestre sem que o país sequer tenha um orçamento aprovado.
Na fase dois, a idéia criativa de derrubar a inflação inercial por meio de uma superindexação da economia com a URV, para posterior desindexação, foi desperdiçada pela má administração desse mecanismo e pela subordinação à agenda eleitoral, que acabou produzindo dois choques de preços e uma perda do poder aquisitivo dos salários.
Tomado pela ideologia neoliberal de que as simples forças de mercado conseguem controlar os preços dos oligopólios, o governo segurou os salários e perdeu-se em ameaças vagas contra os vários setores que não tiveram pudores em estimular um amplo processo de remarcações. O governo não atuou para coordenar expectativas, negociar regras de conversão para URV e coibir abusos. O resultado não podia ser outro: inflação em URV. A carestia aumentou com a elevação da cesta básica em cerca de 18% em relação ao salário mínimo no período. Utilizando uma figura de retórica cara a um amigo e importante assessor ministerial, terminamos a segunda fase com preços da Bélgica e salários da Índia, com a maioria do povo brasileiro sem acesso às belas notas de R$ 100,00, que continuarão como uma real ilusão.
Pouco importa se a âncora for cambial ou monetária. A rigor, a estabilidade da moeda depende pouco do regime monetário, mas fundamentalmente da qualidade da política macroeconômica. Com essa defasagem inicial entre preços e salários, somados as diferentes formas de congelamento utilizadas pelo plano (tarifas públicas, câmbio, contratos etc.), o governo até poderá manter temporariamente baixos os patamares inflacionários.
No entanto, deixará para o próximo governo uma inflação reprimida e uma verdadeira bomba de efeito retardado, com pressões sociais por uma reindexação desorganizada da economia, necessidade de realinhamento de preços públicos e câmbio, uma negociação salarial crescentemente conflituosa em função da passagem da indexação diária para os reajustes anuais. Isto tudo em meio a uma forte ameaça de desestruturação produtiva, recessão e desemprego.
Efetivamente, a defasagem cambial e a brutal taxa de juros constituem-se em extraordinária ameaça à estrutura produtiva. O atraso cambial fará desabar o saldo comercial, prejudicando de forma crescente a competitividade do setor exportador e estimulando as importações, impondo uma retração do nível de atividades e aumento do desemprego.
Com o Plano Real, a distribuição de renda entre lucros e salários não estará apenas congelada em uma situação extremadamente perversa, mas sofrerá ainda os efeitos da inflação futura que, embora menor, continuará existindo.
Os problemas que irão emergir após as eleições são tão graves que exigirão da futura equipe um intenso esforço de coordenação entre a apuração e posse.
O governo Lula atacará a inflação de forma abrangente e articulada desde o primeiro momento, sem choques, quebras de contratos e confiscos da poupança, mas enfrentando com determinação a cultura inflacionária de uma parcela da elite, que aprendeu a enriquecer sem produzir. O Brasil precisa superar a belíndia e o apartheid social, que infelizmente este plano reforçará.

ALOIZIO MERCADANTE, 40, economista, é deputado federal pelo PT de São Paulo, vice-presidente nacional do partido e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-012</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-012</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

"Falar bem da Folha é chover no molhado. Mais aí vai mais um parabéns, desta vez pelo excelente trabalho de cobertura da Copa. Com a Folha, fica-se sabendo não só sobre os jogos, mas sobre tudo e todos os fatos que giram em torno do evento. Tenho todos os cadernos e pretendo guardá-los como um arquivo para esta Copa que vai marcar a história do futebol brasileiro. Realmente, não dá pra não ler."
Helio Perazzolo (São Paulo, SP)

"O Brasil vai ser tetra, sim senhor! Mas será o campeão mais feio de todos. Futebol sem sal, retrancado, medroso, sem tesão, futebolzinho covarde. Mais parece canja de hospital, ruim mas tem que engolir. Ô saudade do futebol-arte, do futebol-prazer, do futebol alegre, de categoria e classe."
Jurcy Querido Moreira (Guaratinguetá, SP)

"Não há quem não tenha se irritado com a insensibilidade de Zagalo em perceber o significado do futebol na cultura esportiva do brasileiro. Porém, não dá para negar que quando ele se refere ao '13' como número da sorte, está coberto de razão. Sem dúvida, 94 (9 + 4) é o ano do 13 no Brasil."
Lino Castellani Filho (São Paulo, SP)

"Com garra, rumo ao tetra, chegaremos lá!"
Guilherme Bussing (São Paulo, SP)

Emenda de FHC
"No último dia 13, a assessoria de imprensa do candidato à Presidência da República pela Coligação União, Trabalho e Progresso, Fernando Henrique Cardoso, foi procurada pela sucursal de Brasília para responder a uma denúncia de que o senador teria apresentado, em 1991, uma emenda ao projeto de lei complementar número 85 da Câmara, redigida por lobistas das indústrias automobilística e de informática. A assessoria de imprensa, então, negou que o senador Fernando Henrique tivesse agido por qualquer ação de lobbies e pediu prazo para que a resposta pudesse ser dada após a realização de uma pesquisa nos arquivos do Senado sobre o histórico do referido projeto de lei. A repórter não concedeu o prazo. No dia seguinte, quinta-feira, 14, a Folha publicou uma matéria intitulada 'Vereador acusa FHC e Covas de acatar emendas de lobistas', com algumas afirmações que não condizem com o compromisso da Folha com a verdade. Em primeiro lugar, na retranca 'Outro lado', a repórter afirma 'FHC admitiu que as emendas que assinou eram semelhantes às propostas por Covas'. Essa afirmação jamais poderia ter sido feita, uma vez que a repórter não falou com Fernando Henrique e, sim, com sua assessoria. Em segundo lugar, ela insiste em afirmar que 'FHC disse..." que as seis emendas foram apresentadas a pedido da liderança do PSDB na Câmara. O que a repórter ouviu de um assessor, e não de Fernando Henrique, foi que ele, assessor, lembrava-se de um projeto de lei sobre ZPEs em que Fernando Henrique recebeu um pedido da liderança do PSDB na Câmara para reapresentar ao Senado um texto que havia sido rejeitado pelo plenário da Câmara. Por fim, se a repórter tivesse concordado em conceder o prazo pedido pela assessoria para pesquisar o histórico do projeto de lei número 85, hoje saberia que não há qualquer registro de emenda apresentada pelo senador Fernando Henrique Cardoso."
Augusto Fonseca, coordenador de imprensa da coligação União, Trabalho e Progresso –PSDB/PFL/PTB (Brasília, DF)

Nota da Redação – A apresentação da emenda foi feita em papel timbrado do Congresso Nacional, traz a assinatura de FHC, é idêntica a outra emenda assinada pelo senador Mário Covas e foi em essência acatada na lei 8.387/91.

Solidariedade a Romano
"O colegiado do Centro de Estudos Educação e Sociedade (Cedes) reunido no dia 4/07, deliberou expressar ao seu sócio e membro do Comitê da Revista Educação & Sociedade, professor Roberto Romano, todo seu apoio e solidariedade em razão do processo que lhe está movendo o deputado federal Roberto Cardoso Alves (PTB-SP). O Cedes entende que Romano, como lhe é peculiar, manifestou-se em defesa de uma das instituições fundamentais da nossa sociedade, valendo-se do direito de liberdade de expressão, recentemente recuperado no país após mais de duas décadas de arbítrio, valores estes constitutivos da qualidade da democracia que o Brasil deve construir."
Ivany Rodrigues Pino, presidente do Centro de Estudos Educação e Sociedade (Campinas, SP)

"Solidarizo-me com o filósofo Roberto Romano, professor-titular da Unicamp, frente à continuidade do processo judicial que sofre em decorrência do artigo 'O prostíbulo risonho' (Folha, 6/09/93). Tal processo, que é uma grave ameaça à liberdade e pluralidade de opinião que este jornal sustenta como essenciais à democracia, visa calar uma das mais lúcidas e incômodas vozes que, corajosamente, vem defendendo a ética e o respeito como fundamentos da vida política."
José Vaidergorn, professor do Departamento de Ciências da Educação da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp –Araraquara (Araraquara, SP)

Homossexualismo e tabu
"É com imensa satisfação que nós do Gapa-RS, Grupo de Apoio à Prevenção da Aids do Rio Grande do Sul, cumprimentamos este veículo pela coragem e ousadia de abordar em sua campanha um tema como a homossexualidade com tanta dignidade. Nós que trabalhamos com a questão da Aids sabemos, também, da dificuldade que é tratar de temas que, ainda, são tabus em nossa sociedade."
Alexandre Boer, assessor de imprensa do Grupo de Apoio e Prevenção à Aids do RS (Porto Alegre, RS)

Ciência e clareza
"Parabéns à Folha pela realização do curso rápido de divulgação científica, ministrado pela professora Nair Lemos Gonçalves, e pela oportuna homenagem a José Reis. Ações como essa contribuem para a apresentação de uma ciência mais clara, agradável e próxima da sociedade."
Luís Victorelli, coordenador do Centro de Divulgação Científica da USP (São Paulo, SP)

Contra o aborto
"Os abortistas, como a socióloga Eva Blay, se têm pretensão de propagar sua causa, precisam de argumentos mais consistentes na defesa de seu ponto. Porque não há dúvida que 'a maternidade é um direito das mulheres', já que ninguém quer obrigar alguém a ficar grávida. A partir daí é introduzida uma falácia: o direito da mãe sobre a vida e a morte do feto quando gerado. Como se a proximidade física (inclusão física) autorizasse um direito irrestrito. O que a socióloga não aceitaria é a conclusão lógica do argumento: a inclusão no pátrio-poder do direito de vida e morte sobre a criança, como já existiu no passado, tendo em vista a proximidade física e psíquica após o parto. Os defensores do aborto nunca apresentaram uma boa explicação para matar o feto, enquanto prezam a vida da criança. Outra infantilidade retórica, a despeito das respeitáveis figuras políticas, judiciárias e intelectuais em geral que a usam, é dizer que o aborto deve ser legal porque é praticado em afronta à lei. Usar essa idéia é demonstrar deficiência do pensamento ou má-fé: todos os crimes são praticados apesar da proibição, principalmente numa sociedade industrial decadente. Vá melhor que os legalizemos?"
Jorge João Burunzuzian (São Paulo, SP)

Branco e as crianças
"Evidentemente, Deus anda muito ocupado em 'ajudar' Branco a fazer gols na Copa, visto que às crianças de rua não tem tido tempo de ajudar, apesar do clima inclemente. Será que, mais do que eu e do que o sr., os senhores prefeito e governador não têm um pingo de remorso? Ou será que esta gota também, com o frio, congelou-se?"
Vera Lúcia de Mello Rodrigues (São Paulo, SP)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-013</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-013</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
A turma de 63 da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG tinha entre seus membros o assessor especial de Ricupero, Edmar Bacha, e o diretor de Política Monetária do Banco Central, Alkimar Moura. Ambos integraram também a comissão de formatura, ao lado do empresário Rogério Mascarenhas e do professor de Economia da UnB Flávio Versiani.
O rito de formatura incluía uma visita da comissão aos túmulos dos colegas mortos. A turma não tivera nenhuma baixa, mas, em nome da tradição, foram ao cemitério orar. Na saída, se posicionaram para uma foto histórica.
Com o diploma na mão e cópia da foto no álbum, foram cuidar de seus futuros. Até que, um dia, o estudante que era o primeiro da esquerda para a direita na foto morreu de repente. Meses depois, morreu o seguinte. E todos começaram a olhar para Bacha com melancolia: ele era o terceiro na fila.
O economista contrariou o prognóstico. Só não conseguiu livrar-se da gozação dos colegas de 63. Tem sempre um gaiato que o encontra e admira-se:
– Uai, Edmar! Você ainda está vivo?
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-014</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-014</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Projeção para o segundo turmo mostrou empate entre os candidatos
Da Redação
O Plano Real impulsionou a candidatura de Fernando Henrique Cardoso (PSDB. A distância para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) despencou de 17 pontos percentuais para 9 pontos. Lula tem 34% e FHC, 25%.
Pesquisa nacional Datafolha mostrou que FHC subiu com uma melhor avaliação do plano econômico, três semanas após a sua implantação. Agora, 20% acham que compram menos. No levantamento anterior, com apenas cinco dias de vigência da nova moeda, 43% temiam queda no poder de compra.
A projeção para o segundo turno mostrou empate entre Lula e FHC, cada um com 43%. Os demais candidatos permaneceram com os mesmos índices: Leonel Brizola (PDT) e Orestes Quércia (PMDB), com 7% cada um; Enéas (Prona) e Esperidião Amin (PPR), com 3%. A pesquisa, realizada entre os dias 11 e 13 últimos, entrevistou 14.022 eleitores em 378 municípios de todo o país.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-015</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-015</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
As comemorações pela vitória do Brasil sobre a Suécia, quarta-feira, deixaram pelo menos 13 mortos no Estado de São Paulo. As mortes foram provocadas por acidentes de trânsito, brigas e tiroteio. No Rio, um homem foi linchado após atropelar 30 pessoas.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-016</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-016</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O PFL ainda está por justificar a aliança tão cara (nos dois sentidos) a Fernando Henrique. A pesquisa divulgada anteontem pelo Datafolha indica que as piores posições de Fernando Henrique continuam sendo em dois Estados ditos do PFL, pela posse do governo.
Na Bahia, de onde o pefelista Antônio Carlos Magalhães não deixa de emitir críticas ao comando da campanha do PSDB-PFL-PTB, Lula, com 45%, está mais de 100% acima dos 22% de Fernando Henrique. Em Pernambuco, dos 18% de Fernando Henrique para os 42% de Lula há a diferença de 133%. Nestes dois Estados ditos pefelistas, portanto, Fernando Henrique ainda não chegou sequer à metade do índice de Lula. E no terceiro dos três com governo do PFL, Santa Catarina, com 19% perde para o candidato da terra, Esperidião Amin (29%), e para Lula (25%).
Mas o outro lado da aliança, o próprio PSDB, por ora não faz melhor figura. Além da enorme distância entre os apoios a Mário Covas e Fernando Henrique em São Paulo, no Ceará controlado com mão forte pelo PSDB de Ciro Gomes e Tasso Jereissati o partido não se mostra capaz de diminuir os 66% de que o seu candidato, com 24%, dista dos 40% de Lula. Nem mesmo as manipulações eleitoreiras de verbas públicas, feitas pelo ministro peessedebista e cearense Beni Veras, produziram efeito até agora. Se considerarmos que o candidato ao governo estadual, o mesmo Jereissati, figura na pesquisa com 64%, o desempenho eleitoral do PSDB cearense é o grande vexame desta sucessão presidencial.
Sofre, mas gosta
Uma das características do PT é a de que nele nada pode ser simples. Tudo há de ser complicado e conflituoso, com um traço de masoquismo que pune não se sabe bem o quê.
Está aí o PT todo enrolado por causa das denúncias contra o senador José Paulo Bisol. Não satisfeito com os ferimentos pelas pedras que lhe atiram, usa-as ainda para esfolar o próprio corpo. Não seria necessária, porém, mais do que uma providência simples: estabelecer com o senador o prazo para apresentação de sua defesa e, à luz dos documentos, tomar a decisão sobre sua permanência como candidato a vice. E pronto. O que há mais a fazer sensatamente além disso?
Mas, se as coisas se passassem com a simplicidade possível, não haveria conflito, angústia e mutilações. Convenhamos, não seria o PT.
Não é, mas é
Os economistas oficiais, além de tudo, falam. E aí está o problema.
Na mesma entrevistinha que deu anteontem no Rio, o assessor especial do ministro da Fazenda, Edmar Bacha, advertiu que "não é mais a Fiesp que faz a política monetária" e explicou assim a altitude das taxas de juros: "os empresários têm que mudar sua política de preços para as taxas de juros irem para os níveis internacionais". E ainda esta sobremesa: "depende da Fiesp".
A crer, portanto, na explicação de Bacha para os juros –crença que não se recomenda– é a Fiesp que continua fazendo a política monetária.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-017</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-017</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
JUNIA NOGUEIRA DE SÁ
Qualquer que seja o resultado de Brasil x Itália hoje, há um outro que já pode ser comemorado pelos leitores da Folha: o do caderno Copa 94, que substitui Esporte na cobertura do mundial de futebol há um mês. A Folha, qualquer leitor com um mínimo de interesse pelo assunto há de saber, não tem tradição de cobertura esportiva. Esporte, aqui, foi assunto de segunda categoria até dois anos atrás, quando o bom senso e as pesquisas de perfil do leitor mostraram que era preciso abandonar essa idéia (e, por que não dizer, esse preconceito) contra o noticiário esportivo. O esporte ele mesmo mudou, e nunca influenciou tanto o comportamento, nem criou tantos ídolos, nem lançou tantas modas, nem movimentou tanto dinheiro (o que, em jornal, também significa anúncios) como nos últimos anos.
A partir dessa constatação, a Folha ensaiou fazer uma cobertura de esporte que ultrapassasse os grandes eventos, como campeonatos mundiais e olimpíadas, e pudesse oferecer ao leitor, no dia-a-dia, mais volume e qualidade. O jornal planejou sua estratégia, investiu como nunca antes em sua editoria de Esporte e marcou uma data para a grande virada: a Copa de 94.
A julgar pela reação dos leitores, deu certo. Mesmo com todo o esforço recente da Folha, a ombudsman ainda ouvia uma média de 70 protestos todos os meses, e uma reclamação constante: o caderno de Esportes é "fraco". A estréia do Copa 94, com a cobertura mais extensiva e isenta de toda a imprensa sobre o mundial de futebol, fez os protestos desabarem. No último mês, desde o início da Copa, recebi 25 manifestações sobre o caderno –mais da metade foram elogios. As outras apontavam pequenos erros em legendas, grafia de nomes ou outras informações de pouca relevância. Dois leitores reclamaram da "cientificidade" exagerada do caderno, que se apoiou em levantamentos estatísticos para formular boa parte de suas pautas. Não houve um único leitor que dissesse que o Copa 94 é "fraco".
Os leitores que escreveram ou com quem pude conversar pelo telefone aplaudiram particularmente o volume de informações (pelo que conferi em outros jornais, nada de importante escapou dos repórteres da Folha), os dados estatísticos levantados em conjunto com o Datafolha e dois colunistas exclusivos do jornal, Telê Santana e Johan Cruyff. Houve também muitos elogios para os chamados "produtos especiais" com que a Folha brindou o leitor, desde o caderno sobre os cem anos do futebol no Brasil (no início do ano) até os cinco fascículos com a história das Copas ou o guia de regras do futebol no mundial.
O jornal explorou bem o seu diferencial nessa cobertura, os levantamentos numéricos (muitos deles também inéditos) que ofereceram ao leitor detalhes esmiuçados dos jogos, das equipes e dos jogadores em artes e gráficos. Criou uma diagramação nova para o Copa 94, que permitiu organizar a cobertura mesmo quando ainda havia 24 seleções na disputa. Conseguiu transmitir fotos coloridas dos EUA para a sede do jornal em alguns minutos, coisa inimaginável na Copa do México de 90. Cumpriu sua promessa de fazer um caderno que interessasse mesmo àqueles leitores que não gostam de futebol, e foi o que mais ofereceu as chamadas "side stories" –desde a moda que se usa nas arquibancadas até os cortes de cabelos dos jogadores ou a preocupação da imigração americana em relação aos brasileiros que podem permanecer por lá, ilegais, depois do fim do campeonato.
Mas alguns (velhos) problemas do jornal sobreviveram a todo o esforço, e merecem figurar neste balanço para que continuem sendo parte das preocupações do leitor, da ombudsman e de quem pode fazê-los desaparecer, a Redação. Um deles: o texto. Nem todo o suor gasto nessa cobertura fez com que as reportagens do Copa 94 fossem mais bem escritas que no resto do jornal, e esse é um problema (reconhece a secretária de Redação Eleonora de Lucena) que a Folha ainda precisa vencer. Outro: o "emagrecimento" e o "esfriamento" do restante do jornal. Para que o Copa 94 pudesse ter uma média diária de 16 páginas "quentes", concluídas no fim da noite, outras editorias perderam espaço e tiveram seus horários de fechamento adiantados. Para que o Copa 94 pudesse ter 25 jornalistas mobilizados na sede, mais 19 nos EUA e três repórteres fotográficos exclusivos, outras editorias perderam mão-de-obra. O resultado foi mais sentido na Ilustrada, mas se espalhou por todo o jornal -e provocou, esse sim, protestos de leitores que se sentiram prejudicados.
Há mais: o esforço de ter fotos transmitidas em tempo recorde não se traduziu em ganho de qualidade na informação para o leitor. Na maior parte dos casos, o que a Folha exibiu em suas páginas não foi muito diferente da concorrência: fotos de treinos ou de lances desimportantes das partidas. Em termos de imagens, há ainda muito o que se fazer na cobertura esportiva, mas esta é uma discussão que se realiza na imprensa de todo o mundo, e não chega a ser privilégio da Folha.
Enfim, terminada a Copa resta a pergunta: e o que é que o leitor vai ganhar com tudo isso? Segundo Eleonora de Lucena, a experiência do Copa 94 vai servir de modelo para o caderno de Esporte, que pretende continuar apoiado em bons colunistas, muitos dados estatísticos, em didatismo e num noticiário isento e desapaixonado (um ganho de qualidade na cobertura esportiva que se faz no Brasil). A expectativa tanto da Redação como dos leitores do jornal é de que o caderno de Esporte da Folha nunca mais será o mesmo depois desta Copa. Agora, só falta dar Brasil hoje à tarde em Pasadena.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-018</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-018</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>


Oito leitores, simpatizantes do PT em sua maioria, protestaram contra a diferença de tratamento (que, repito, é mais visível em jornais como "O Estado de S.Paulo" e "O Globo" do que na Folha e no restante da imprensa). Mas na quinta-feira recebi telefonema de um leitor da capital que resume o sentimento de eleitores de outros partidos, PSDB incluído. Dizia ele: "Se o vice do meu candidato fez maracutaias, eu quero saber. Não quero que a imprensa esconda isso de mim, porque quero votar sabendo exatamente o que estou fazendo. Posso até considerar que as irregularidades denunciadas não são relevantes, e achar que Fernando Henrique e seu vice ainda merecem o meu voto. Mas isso, só eu posso decidir. E para decidir, tenho que saber a verdade."

Alguém tira a razão desse (e)leitor?

Nova rodada de pesquisas eleitorais aconteceu na semana passada. A Folha publicou os resultados do Datafolha na sexta-feira: Lula e FHC têm agora apenas 9 pontos de diferença nas intenções de voto, contra 17 na pesquisa divulgada na semana anterior. Também na sexta-feira, comentando resultados semelhantes obtidos em várias pesquisas, o "Estado" chamou o Datafolha de "um instituto". Para ser equilibrado, chamou o Ibope de "outro" instituto. Estava na primeira página do jornal. O "Estado" não dá o braço a torcer: prefere desinformar seu leitor a passar recibo para a Folha.

E por falar em passar recibo: os jornais cariocas, notadamente "O Globo", quiseram criar uma polêmica na cobertura da Copa. Para esses jornais, que usaram vários de seus colunistas como porta-vozes, a "paulistada" torcia contra a seleção, desacreditava o técnico Parreira em seu noticiário e não valorizava adequadamente o craque Romário, transformado em herói nacional pela apaixonada imprensa do Rio. Os jornais de São Paulo não morderam a isca. A equipe do programa "Apito Final", comandado por Luciano do Valle na TV Bandeirantes, caiu na tentação de responder às acusações de antipatriotismo, mas recuou a tempo. Sem que a "paulistada" passasse recibo, a "cariocada" ficou falando sozinha. O leitor de São Paulo não perdeu nada (a maior parte, conferi nos telefonemas que recebo diariamente, nem se deu conta de que um dia existiu a falsa polêmica).

JUNIA NOGUEIRA DE SÁ é a ombudsman da Folha. A ombudsman tem mandato de um ano, renovável por mais um ano. Ela não pode ser demitida durante o exercício do cargo e tem estabilidade por um ano após o exercício da função. Suas atribuições são criticar o jornal sob a perspectiva do leitor –recebendo e checando as reclamações que ele encaminha à Redação– e comentar, aos domingos, o noticiário dos meios de comunicação. Cartas devem ser enviadas para a al. Barão de Limeira, 425, 8º andar, São Paulo (SP), CEP 01202-001, a.c. Junia Nogueira de Sá/Ombudsman. Para contatos telefônicos, ligue (011) 224-3896 entre 14h e 18h, de segunda a sexta-feira.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-019</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-019</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

"O panorama é negro. A lógica desse plano econômico é a recessão. Só resta saber em que velocidade ela vem, mas é inevitável. O plano vai arrebentar tudo. Cerca de 30% ou 40% da indústria textil vai sumir. Boa parte da indústria dos bens de consumo vai virar importadora. Essa idéia de que é preciso encolher o país para poder engatá-lo na ordem internacional é um equívoco. Assim vamos nos distanciar mais da civilização"
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-020</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-020</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

"Vamos ter recessão, desemprego, queda do poder aquisitivo e um mercado descontrolado, com os preços relativos disparatados. Se você perguntar ao Mário (Mário Henrique Simonsen, ex-ministro da fazenda do governo Geisel) e ele for honesto, vai dizer o mesmo. Todos sabem que estamos entrando na paz do cemitério. O Fernando Henrique não é ignorante. Sabe o que está fazendo. É por isso que não posso perdoá-lo".
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-021</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-021</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

"Devemos ter um sucesso relativo do plano. Dá para segurar a inflação baixa até as eleições, com uma fase de turbulência entre agosto e setembro causada pela demanda por reposição salarial. Se o Fernando ganha, precisa levar no primeiro dia de governo uma proposta de revisão constitucional que garanta a consolidação do plano. Ninguém deve pensar que neste governo seja possível resolver de vez o problema da estabilização".
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-022</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-022</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

"Quando se ultrapassa a avaliação técnica do plano para captar-lhe o sentido social, a coisa fica ao mesmo tempo mais ameaçadora e mais esperançosa. Querem de fato congelar os salários enquanto nos bancos se continua a praticar a multiplicação dos pães.
O país perceverá e o plano acabará por ser impopular. As medidas populistas destinadas a açucarar o plano apenas servirão para agravar sua impopularidade".
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-023</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-023</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

"Para o que foi projetado, o plano vai funcionar. Ele foi feito para levar o Fernando Henrique ao segundo turno e isso vai conseguir. Devemos chegar no fim do ano com uma inflação bem baixa, mas com um custo altíssimo. O plano vai prejudicar muito os exportadores. O limite do plano é o próximo governo. Não sabemos se o próximo presidente vai ter condições de fazer as reformas necessárias para garantir a estabilização".
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-024</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-024</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Os mesmos empresários que deram apoio a presidente deposto fornecem agora estrutura para tucano e seu vice
ARI CIPOLA
Da Agência Folha, em Maceió
O candidato a vice-presidente na chapa do PSDB, senador Guilherme Palmeira (PFL-AL), garantiu a Fernando Henrique Cardoso o apoio dos mesmos usineiros alagoanos que ajudaram a financiar a candidatura de Fernando Collor de Mello à Presidência em 89.
Esses usineiros fornecem agora estrutura à campanha de FHC e Palmeira. Destinaram quatro aviões e um helicóptero para transportar políticos e jornalistas na visita de FHC a Delmiro Gouveia (sertão de alagoas), em maio.
Segundo a legislação, esse tipo de doação é irregular se não for trocada por bônus eleitorais.
Os aviões usados são da Lug Táxi Aéreo, de propriedade do usineiro e ex-senador João Lyra (sogro de Pedro Collor de Mello), e da Sotan, empresa que pertence a Carlos Lyra, irmão de João e também usineiro.
Esses empresas emprestavam seus jatinhos para o então governador Collor iniciar sua campanha à Presidência, em 89.
Carlos Lyra foi quem mais se empenhou para receber FHC, que visitou sua fábrica de beneficiamento de algodão, na cidade de Delmiro Gouveia.
FHC discursou para os 760 operarários da fábrica de Lyra, que almoçaram pela primeira vez no local de trabalho.
"Estamos recebendo bem o senador Fernando Henrique atendendo a um pedido do amigo Guilherme Palmeira. Ele mostrou que é um homem capaz de governar bem o país", disse Carlos Lyra.
O usineiro João Tenório, presidente da Cooperativa dos Usineiros de Alagoas, se diz amigo de infância de Palmeira, mas justifica seu apoio a FHC com outro argumento.
"O país está extremamente carente de uma pessoa inteligente. O Fernando Henrique pode promover inteligência ao governo", afirmou.
O pai de Palmeira, senador Rui Palmeira, foi um dos maiores fornecedores de cana para usinas de Alagoas e fundou a Asplana (Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas).
Suspeitas
Os usineiros alagoanos são personagens controvertidas de escandâlos finaceiros. Foram personagens constantes na CPI que culminou com o impeachment do ex-presidente Collor.
Depois de travarem uma batalha política e jurídica com Collor, no início do governo alagoano, em 87, os usineiros fecharam dois acordos com o então governador.
Pelos acordos, o Estado se comprometia a devolver US$ 105 milhões em créditos de ICM (Imposto sobre Circulação de Mercadorias), num período de dez anos.
Esses acordos levaram o Estado a perder cerca de 54% da sua fonte de arrecadação.
O candidato de Guilherme Palmeira ao governo alagoano, senador Divaldo Suruagy (PMDB), já negocia com o setor um terceiro acordo.
Segundo disse Pedro Collor à CPI do Collorgate, foram desses acordos que seu irmão Fernando Collor conseguiu US$ 25 milhões para iniciar sua campanha.
Ainda na CPI, descobriram-se notas fiscais da Cooperativa dos Usineiros de Alagoas e de outras usinas, transferindo cerca de US$ 350 mil para a EPC.
A EPC era a empresa do empresário PC Farias que recebia as supostas propinas de empresários que queriam informações privilegiadas do governo Collor, segundo relatório da CPI do Collorgate.
Com Collor na Presidência, a Cooperativa dos Usineiros de Alagoas teve uma dívida de US$ 86 milhões paga ao Midland Bank, da Inglaterra, pela agência do Banco do Brasil das Ilhas Caimã, um paraíso fiscal caribenho.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-025</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-025</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
2. Fernando Collor assume o governo de Alagoas em março de 87 rompido com os usineiros, que haviam apoiado seu opositor, Guilherme Palmeira. Collor ameaça fazer reforma agrária nas terras dos usineiros devedores ao Estado.
3. Os usineiros reagem à ameaça arguindo na Justiça a ilegalidade do recolhimento do ICM sobre a chamada cana própria (aquela plantada em terra onde há usinas). O STF declara o tributo inconstitucional em setembro de 87, mas não determina a devolução do ICM já recolhido.
4. Os usineiros entram com recurso administrativo junto à Secretaria de Fazenda do Estado e com ação na 8ª Vara da Justiça exigindo a devolução de todo o ICM recolhido de 82 a 87.
5. No início do processo, Collor faz um acordo com 19 usinas, entre elas, as de propriedade de João Tenório e dos irmãos Carlos e João Lyra. Pelo acordo firmado na Justiça, o Estado se comprometia a devolver o dinheiro com juros e correção monetária em dez anos.
6. No último dia de seu governo, Collor faz um segundo acordo com outras dez usinas, nos mesmos termos do anterior, porém fora da Justiça. Collor deixa o governo no dia 14 de maio de 89 para disputar a Presidência.
7. O sucessor de Collor, Moacir Andrade, decide anular o segundo acordo por considerá-lo lesivo ao Estado. Andrade não poder fazer o mesmo com o primeiro acordo porque ele foi firmado na Justiça.
8. Andrade vence na Justiça no dia 2 de fevereiro de 91, data em que o Tribunal de Justiça de Alagoas anula o segundo acordo, mas deixa o governo 40 dias depois sem entrar com uma ação complementar que faria valer a decisão do tribunal.
9. Como os créditos dos usineiros representam cerca de 54% da possibilidade de arrecadação do Estado, o candidato de Palmeira ao governo, senador Divaldo Suruagy, tenta um terceiro acordo com os usineiros. Suruagy quer, e usineiros dizem que aceitam, alongar o prazo de dez anos dos acordos, para que os usineiros abatam menos (ICM) por mês, o que viabilizaria financeiramente o possível governo de Suruagy.
10. O candidato de Collor ao governo de Alagoas, deputado Elionaldo Magalhães (PPR), disse que, se eleito, vai tentar anular os acordos. O argumento de Magalhães para requerer a anulação na Justiça é o de que os usineiros já receberam do extinto IAA o ICM que o Estado está devolvendo.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-026</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-026</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Partido atribui queda de Lula ao real e avalia que denúncias contra o vice vão derrubar ainda mais o petista
FERNANDO DE BARROS E SILVA
Da Reportagem Local
Abalada com a queda de Luiz Inácio Lula da Silva nas duas últimas pesquisas do Datafolha (de 41% para 34%), a cúpula do PT avalia que o "efeito Bisol" ainda não teve seus reflexos eleitorais, hoje tidos como inevitáveis dentro do partido.
No PT, espera-se que as denúncias envolvendo o senador José Paulo Bisol (PSB-RS), vice da chapa de Lula, empurrem ainda mais para baixo a candidatura petista nas próximas pesquisas.
Mesmo sem admitir publicamente, os homens mais próximos a Lula atribuem tanto a queda do petista quanto a ascensão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), hoje com 25%, à entrada do real em circulação, no início do mês.
O imbróglio envolvendo Bisol, na avaliação de todos, não poderia vir em pior momento, atingindo Lula já em curva descendente.
Na última sexta-feira, podia-se ouvir no comitê da Frente Brasil Popular em São Paulo, pela primeira vez na campanha, petistas comentando que Lula pode mais uma vez morrer na praia.
A tensão que tomou conta da cúpula petista e paralisou a campanha de Lula na última semana contrasta com a euforia precipitada e o clima de "já ganhou" que predominavam na militância petista há menos de um mês.
Demostrando preocupação com a queda de Lula nas pesquisas, um dos coordenadores de seu programa de governo chegou a confidenciar que, até 15 dias atrás, era frequente ver pessoas no comitê de campanha loteando os ministérios do futuro governo Lula.
Ao mesmo tempo em que discute como dar uma resposta política ao real, cujos efeitos favoráveis a FHC foram subestimados, o comando da campanha petista prepara uma ofensiva para tentar conter os ecos negativos do caso Bisol.
Na terça-feira, por sugestão do senador Eduardo Suplicy e a aprovação de Lula, Bisol vai ocupar a tribuna do Senado para fazer um de seus discursos acalorados.
O senador deve dizer, mais uma vez, que está sendo vítima de uma campanha orquestrada por interesse poderosos que visam desestabilizar a candidatura de Lula.
A contra-ofensiva para salvar Lula do "efeito Bisol" já foi adotada pelo jornal "Linha Direta", uma publicação semanal do diretório regional do PT em São Paulo, que circulou na sexta-feira com um dossiê encartado cujo título é "Bisol é o alvo".
Antecipando aquela que, por enquanto, será a estratégia petista, o jornal traz a seguinte declaração do deputado estadual Rui Falcão, presidente nacional do PT: "Consideramos o episódio superado. Mas é evidente que vai haver exploração eleitoral".
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-027</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-027</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
ELVIS CESAR BONASSA
Enviado especial a Buritis (MG)
O prefeito de Buritis (MG), Pedro Taborda (PFL), foi acusado de envolvimento em um esquema de pagamento de propinas para liberação de verbas do Orçamento da União. A acusação foi feita por um ex-aliado político.
Pedro Taborda é o mesmo prefeito que pediu ao senador José Paulo Bisol (PSB), candidato a vice-presidente na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que assinasse emendas destinando verbas públicas para Buritis.
A denúncia contra Taborda foi feita anteontem à Folha, em entrevista gravada, pelo vereador José Alberto Ferreira (PDT).
Segundo Ferreira, a liberação de Cr$ 6 milhões (valores da época) para obras em Buritis, no ano passado, contou com a ajuda de uma funcionária do MIR (Ministério da Integração Regional), chamada Afonsa Oliveira.
Afonsa é coordenadora de uma divisão da Secretaria de Articulação com os Estados e Municípios do MIR. Antes, ela era assessora da Secretaria de Administração Geral do ministério.
O vereador que denuncia Taborda foi eleito pelo PRN, dobradinha com o prefeito, mas hoje está na oposição. Ele conta que, em maio do ano passado, Taborda o chamou para uma reunião, junto com outros vereadores.
"O prefeito nos chamou lá no gabinete dele e disse que a verba estava para ser liberada, mas precisava sair uma comissão para uma pessoa lá", relata o vereador.
"Na época ele falou que a pessoa queria uma comissão de 20% da verba que ia sair, mas que ele não estava muito de acordo com isto", diz. O vereador diz que ele próprio se manifestou favoravelmente ao pagamento da propina.
O pedido de verbas para o MIR surgiu durante uma recepção na cidade para o secretário de Transportes de Brasília, Antonio Aureliano.
Afonsa apareceu como convidada e publicamente se comprometeu a conseguir verbas para Buritis.
Esta recepção ocorreu no dia 2 de maio de 93, domingo. Segundo Ferreira, a reunião com os vereadores para tratar da propina foi realizada cerca de 15 dias depois.
Ferreira diz que o prefeito não voltou ao assunto, mas que as verbas foram liberadas, apesar de não estarem previstas no Orçamento.
Outro personagem misterioso surgiu nas relações do prefeito de Buritis com as verbas públicas. Na noite de quarta-feira, durante entrevista à Folha, ele telefonou para um homem que identificou como Osmar Raimundo.
Segundo o prefeito, trata-se de um funcionário do Congresso que o acompanhou até o gabinete do senador Bisol no dia em que este assinou quatro emendas ao Orçamento superfaturadas para obras em Buritis. Durante a ligação, o prefeito repetia: "Claro, estou dizendo isto mesmo. É a verdade."
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-028</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-028</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Diferença entre Lula e FHC caiu 15 pontos; petista só melhorou entre os eleitores mais ricos e mais instruídos
CLÓVIS ROSSI
Da Reportagem Local
De todos os subitens da pesquisa do Datafolha sobre a sucessão presidencial, aquele em que houve a maior mudança foi na região Nordeste. Diminuiu 15 pontos percentuais a diferença entre Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso.
Na pesquisa do dia 5, Lula derrotava FHC por 48% a 16%. Agora, ainda ganha com folga, mas a diferença reduziu-se a 17 pontos percentuais (38% x 21%).
Se a comparação for feita com a última pesquisa antes do real, nota-se uma mudança forte no eleitorado majoritário (o que tem no máximo o 1.o grau): Lula cai de 42% para 33%, ao passo que FHC pula de 16% para 22%. Ou seja, a diferença reduziu-se de 26 para 11 pontos percentuais em um mês.
Os dois únicos subitens em que Lula não caiu foram entre os eleitores que ganham mais de 10 mínimos (subiu dois pontos) e entre os de nível superior de educação (ganhou um ponto), em ambos os casos dentro da margem de erro.

LEIA AMANHÃ
pesquisa de intenção de voto para o Senado em 10 Estados e no DF e pesquisa sobre as "dobradinhas" presidente/governador.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-029</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-029</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Temos um documento provando isso. Uma autorização. Fecha-se um contrato direitinho
Da Sucursal do Rio
A seguir, a íntegra da última conversa entre a reportagem da Folha e Hélio Lopes de Figueiredo Júnior, ex-funcionário da RSF Promoções Ltda, que negociava o apoio de Romário à revelia do jogador. A Folha se apresentou como assessor de um político interessado na negociação.

Folha – Como é que vai? É Sergio Machado. Conversei com você semana passada. Tudo bem?
Hélio Lopes de Figueiredo Júnior – Como vai, tudo bem?
Folha – Eu fiquei de te ligar ontem, mas eu liguei e não te encontrei aí.
Figueiredo Júnior – Ah, eu cheguei muito tarde.
Folha – Me diz um negócio, Hélio. Ficou alguma coisa decidida a respeito daquele apoio do Romário à candidatura?
Figueiredo Júnior – Olha, isso não ficou decidido ainda não. Nós ainda estamos vendo isso. Eu te pediria mais algum tempo.
Folha – Mas, vem cá, eu tinha que dar uma resposta para o candidato. Ele está meio ansioso com esta história, faz questão de ter o Romário apoiando ele. Este apoio se daria de que forma, Hélio? Você podia me elucidar isso, pelo menos eu converso com ele e explico: olha, é necessário um certo tempo, por isso, isso e isso.
Figueiredo Júnior – Se daria por materiais, poderia se usar a imagem dele em panfletos, cartazes, estas coisas. Inclusive em TV.
Folha – E ele subiria em palanque?
Figueiredo Júnior – Não.
Folha – Não?
Figueiredo Júnior – Não.
Folha – Sei...
Figueiredo Júnior – Só se... Isso aí não está descartado, entendeu?
Folha – Sei.
Figueiredo Júnior – Mas aí seria uma coisa mais difícil, né.
Folha – Pelo que eu entendi, e pelo o que a gente conversou na semana passada, está fechado só para presidente. É isso?
Figueiredo Júnior – Por enquanto, sim.
Folha – Mas ele já tem candidato a presidente?
Figueiredo Júnior – Não. Isso está sendo acertado ainda.
Folha – Está sendo acertado?
Figueiredo Júnior – Está.
Folha – Me diz um negócio. E essa definição de apoio a deputado federal sairia quando?
Figueiredo Júnior – Isso aí eu esperava que fosse para a semana passada. Eu até falei contigo, né? Mas não foi possível ainda.
Folha – E você teria um preço? Pelo menos um preço preliminar que eu pudesse apresentar ao meu candidato.
Figueiredo Júnior – Para deputado?
Folha – Para deputado.
Figueiredo Júnior – 100 mil.
Folha – 100 mil dólares? Sei... Mas aí seria um apoio exclusivo?
Figueiredo Júnior – Exclusivo. Para deputado.
Folha – E para presidente o preço seria de quanto?
Figueiredo Júnior – Olha. Aí tem algumas variantes...
Veja bem. Teria o apoio exclusivo ao presidente somente. Ou então o presidente teria à disposição um pacote. Este pacote incluiria o apoio aos candidatos dele em todos os Estados. Então, em cada Estado o presidente poderia indicar o seu deputado federal, o seu deputado estadual, o seu governador e o seu senador.
Folha – E o Romário daria apoio a cada um.
Figueiredo Júnior – Exatamente. Aí seria um outro valor, entendeu?
Folha – É como é que eu faço para inserir talvez o meu candidato nesse pacotão?
Figueiredo Júnior – Aí vai depender... Vai depender do candidato a presidente. Se o candidato a presidente fechar um pacotão desses... Aí vai depender dele. Vai dar este direito a ele. Esta escolha.
Folha – Este pacotão ficaria em quanto?
Figueiredo Júnior – Olha, este pacotão fica em 16 milhões.
Folha – 16 milhões de dólares?
Figueiredo Júnior – Que é uma tabela que nós temos aplicada a todos os Estados com o desconto. Desconto aí de 20%.
Folha – Me diz um negócio. O que está impedindo uma definição logo? É a Copa, é o fim da Copa? Seria valorizar o apoio?
Figueiredo Júnior – Os candidatos a presidente estão esperando até o fim da Copa, né.
Eu imagino que seja isso. Agora, nós estamos com conversas preliminares. Eu acredito que nada se feche antes da Copa.
Folha – Não, né.
Figueiredo Júnior – Não, porque a... como se diz?... a imagem dele fica muito vinculada ao sucesso na Copa.
Folha – É, mas aí é uma faca de dois gumes, concorda?
Figueiredo Júnior – Concordo, mas é uma coisa que não depende mais de mim.
Folha – É claro.
Figueiredo Júnior – Passa a depender dele.
Folha – Além do PL, que outros partidos estão atrás disso?
Figueiredo Júnior – Olha, tem o PSDB e o PMDB.
Folha – Sei... Olha só. Eu fico com um certo receio porque o candidato está bem ansioso.
Figueiredo Júnior – Me dá mais um tempinho.
Folha – É?
Figueiredo Júnior – É. Você quer me deixar seu telefone?
Folha – Olha, eu prefiro não deixar ainda meu telefone.
Figueiredo Júnior – Tá bom. Você me liga.
Folha – Eu te ligo. Mas este tempinho seria de quanto?
Figueiredo Júnior – Me liga semana que vem.
Folha – Certo. Uma coisa importante que eu tinha que te perguntar porque ele queria saber. Quais são as garantias que você me dá que o Romário realmente está interessado nisso?
Figueiredo Júnior – Nós temos um documento provando isso. Uma autorização dele.
Folha – É?
Figueiredo Júnior – Uma autorização dele. E caso isso seja concretizado, fecha-se um contrato, direitinho.
Folha – Você então é de uma firma?
Figueiredo Júnior – Sou o representante da firma dele.
Folha – Da firma do Romário? Qual é a firma dele?
Figueiredo Júnior – RFS Promoções. Romário de Souza Faria Promoções.
(Sergio Torres)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-030</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-030</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da Sucursal do Rio
O pai de Romário, Edevair de Souza Farias, afirmou à Folha que "voto não se vende". Diz que se Romário vendesse seu apoio a um candidato, não poderia "nem voltar ao Brasil".

Folha – De quem é a RSF Promoções, empresa em que o Hélio Lopes Figeuiredo Júnior diz que trabalha?
Edevair de Souza Farias – É uma empresa minha e da minha mulher. O Romário já foi sócio, mas hoje ele dá sempre uma força.
Folha – Quais são os projetos desta empresa?
Farias – Tem (o projeto de) uma empresa de firmas de malha, aqui, nos Estados Unidos, na Holanda, na Espanha, mas ainda é um projeto.
Folha – O Figueiredo Júnior está fazendo parte desta sociedade?
Farias – Não.
Folha – Ele é o que na empresa?
Farias – Ele não é nada. Eu dei autorização para o Figueiredo fazer um negócio aí, mas não senti firmeza e já disse que ele não tem condições de trabalhar para nós.
Folha – Que tipo de negócio?
Farias – Era outra coisa, mas não deu certo. O Figueiredo precipitou alguma coisa e não deu para trabalhar com ele.
Folha – Ele estaria intermediando o apoio do Romário para algum candidato à Presidência? Era esse o negócio?
Farias – Isso é uma parte, mas eu dispensei ele por outra parte. Romário é um cara que não se mete em política. Romário chega lá e vota. Ele não conhece ninguém. O Figueiredo queria forçar uma coisa que o Romário não queria. Romário, em quem ele quiser votar, isso é um problema dele. A hora que ele chegar, vou conversar com ele.
Folha – O Figueiredo Júnior quer o quê? Que o Romário receba dinheiro para apoiar um candidato?
Farias – Mais ou menos parece isso. Voto não se vende.
Folha – O Romário teria dito que votaria no Lula...
Farias – Isso é coisa de jornal. Romário não faz nada sem falar comigo. O Lula passou um fax para o Romário, para o Romário ajudar ele nestas coisas da política.
Folha – Em troca de dinheiro?
Farias – Não, não tem nada a ver com dinheiro. Apoio pessoal. O Romário é um cara que acha que o Lula tem coragem. O Romário está pensando em me convencer a votar no Lula. Se fosse assim (com dinheiro), o meu filho não poderia nem voltar ao Brasil mais. Seria preso antes de chegar ao Brasil.
Folha – O Figueiredo é parente de vocês?
Farias – Não. Nós conhecemos ele há pouco tempo. Conheço ele por intermédio de amigos.
Folha – Ele está oferecendo o apoio do Romário em troca de dinheiro...
Farias – Se eu não assinar, se o Romário não assinar nada para ele, ele vai fazer o quê? É carta fora do nosso baralho. Pode estar no baralho dele, agora no nosso está fora.
(Edna Dantas)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-031</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-031</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da Reportagem Local e da Sucursal de Brasília
O pedido de prisão preventiva dos sócios do Makro é inconstitucional, disse ontem em São Paulo o jurista Ives Gandra Martins.
Ele disse que a própria Lei Antitruste –que, segundo Gandra, também é inconstitucional– foi descumprida. "Teria que ser solicitada a atuação do Ministério Público pela Secretaria de Defesa Econômica, e ainda assim somente depois de aberto inquérito administrativo".
Segundo Gandra, "houve desconhecimento, por parte do juiz que decretou a prisão, da Constituição, que prevê prisão somente depois de tramitado o processo". Gandra disse que cabe ação direta de inconstitucionalidade contra a Lei Antitruste no STF.
Os irmãos André e Jorge La Saigne de Botton, Alfredo Burghi Júnior tiveram pedido de prisão preventiva decretada ontem pelo juiz Héctor Valverde Santana, juiz substituto da 1ª Vara Criminal de Brasília, com base na Lei 8.137/90 (do "colarinho branco") e da lei 8.884/94 (antitruste).
Ainda na noite de sexta-feira, os advogados da Mesbla entraram com pedido de relaxamento de prisão de André de Botton.
Os irmãos Botton, integrantes do Conselho de Administração da Mesbla, são sócios minoritários do Makro.
Foi também decratada a prisão de Léo Cunha de Carvalho, gerente da loja Makro de Brasília.
Ontem a Polícia Civil informou que a Delegacia de Vigilância e Captura designou quatro equipes para cumprir o mandado de prisão assim que recebeu a ordem, no final da tarde de anteontem.
Esse é o primeiro caso de decretação de prisão após o implantação do real, em 1º de julho, devido a prática de supostos aumentos abusivos de preços.
A denúncia de aumento abusivo de preços do Makro foi feita pelo procurador de Justiça do Distrito Federal, Antônio Gomes Filho, cliente da loja.
Ele constatou que os preços de 13 produtos haviam subido entre 62,42% e 144,62% no período de 24 de maio a 28 de junho.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-032</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-032</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
LILIANA LAVORATTI
REGINA ALVAREZ
Da Sucursal de Brasília
A disputa interna no Ministério da Fazenda pelo comando da área de preços já fez pelo menos uma vítima: o secretário de Política Econômica, Winston Fritsch, perdeu poder para os assessores Daniel de Oliveira e Milton Dallari.
O ministro Rubens Ricupero (Fazenda) transferiu para Dallari e Oliveira o controle das principais coordenadorias que integram a Secretaria de Política Econômica. Ricupero informou a mudança a Fritsch por memorando.
A Folha apurou que o memorando, assinado por Ricupero, avisa Fritsch que as coordenadorias de preços –públicos, agrícolas, industriais e análise de conjuntura– "passam a responder diretamente aos meus assessores Milton Dallari e Daniel de Oliveira".
A atuação efetiva de Fritsch se dará na aplicação da Lei Antitruste. O sinal dessa mudança na equipe acontece na próxima semana.
Fritsch vai representar a Fazenda na assinatura do primeiro compromisso de cessação de aumento abusivo de preço com o Laboratório Clímax S/A, junto com o secretário de Direito Econômico Rodrigo Janot.
O compromisso de cessação é o instrumento da Lei Antitruste que permite um acordo entre o empresário e o governo. A empresa retroage os preços e o governo suspende o processo na SDE.
Dallari permanecerá conduzindo as negociações com empresários. Daniel de Oliveira será o coordenador da área, respondendo pela Unidade de Política de Preços.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-033</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-033</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

USIMINAS – A Usiminas Mecânica, empresa do Grupo Usiminas, tem uma capacidade instalada de 60% e acaba de alcançar uma das melhores médias de produção do ranking brasileiro de indústrias de bens de capital. Antes de ser privatizada, a empresa apresentava nível de ociosidade de 89%. Este índice foi reduzido, nos últimos dois anos, para os atuais 40%.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-034</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-034</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
EDWARD J. AMADEO
Agradeço o professor Pastore pela elegante resposta ao meu artigo "O consenso sobre os encargos sociais" (Folha de 04/06/94), onde mais que nada ele reafirma os pontos da sua entrevista à Folha, que deu origem aos meus comentários.
Ao final de meu artigo, deixei claro que a discussão sobre a flexibilização do trabalho no Brasil era importante, mas que não deveria ser confundida com a demanda pura e simples por redução dos chamados encargos sociais. Mais uma vez o professor Pastore confunde as discussões sobre encargos e flexibilização. Prefiro separá-las.
"Quando a empresa contrata um trabalhador por 100 unidades de salário, ela sabe que terá que desembolsar 202", diz o professor Pastore em seu artigo. Discordo marginalmente dos números.
Meu principal argumento é outro: dos 102 extras que a empresa paga, mais ou menos 70 vão para as mãos do empregado. Isto significa que, dos 202, 170 representam a remuneração do empregado.
Logo, a demanda por redução de encargos ou se refere ao que vai para o Estado –30 dos 202–, ou se refere à redução do salário do empregado. É preciso que o professor Pastore deixe claro o que tem em mente.
É claro que podemos pensar em formas para desonerar a folha de salários. Isso se refere tão somente aos 30 que vão para o Estado, que poderiam ter origem num imposto sobre o faturamento e não sobre a folha.
Nesse caso, as grandes empresas, cuja relação faturamento/folha é muito maior que nas pequenas empresas, passarão a pagar mais impostos. As pequenas pagariam menos. Uma boa idéia.
O professor Pastore argumenta que os encargos são responsáveis pela informalidade do mercado de trabalho. Por mais atraente e difundido que seja o argumento, quero dizer que não há evidências empíricas a seu favor.
Suponhamos que a empresa só pode pagar um total de 180 entre salários e encargos. Ela poderia pagar 90 em carteira, mais 63 ao trabalhador (total 153) e recolher 27 ao governo.
É claro que ela pode preferir não recolher nem um tostão ao governo e pagar 180 ao trabalhador. Agindo assim, remunera seus trabalhadores melhor que a empresa que paga 170 e recolhe 30. Sonegar é sempre uma opção, principalmente se não houver fiscalização ou se os fiscais forem corruptos.
Mas será mesmo que as empresas que sonegam pagam salários mais altos, como faz crer o argumento e o exemplo citados? Não. Os trabalhos do professor Ricardo Paes e Barros, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), no Rio, mostram que, quando comparados os salários de trabalhadores com as mesmas características (educação, sexo, idade e região), ganham mais os trabalhadores de empresas que assinam a carteira de trabalho.
Estas empresas pagam os encargos e, além disso, pagam salários em carteira mais altos. Não é verdade, portanto, que as empresas deixam de pagar encargos para pagar salários mais altos. A informalidade não decorre dos encargos.
Como já disse antes, é preciso diferenciar a discussão dos encargos da discussão sobre a flexibilidade do trabalho. O que significa flexibilidade?
Flexibilidade significa tornar o mercado de trabalho e o trabalhador mais adaptáveis a mudanças na tecnologia, no nível de atividades e na composição setorial da demanda. Com mais flexibilidade, os custos sociais dos ajustes a estas mudanças são menores.
Há diferentes maneiras de obter flexibilidade. Uma é dando às empresas o direito de demitir sem custos e sem interferência dos sindicatos e reduzindo o número de leis que regem a relação de trabalho. Este é o sentido convencional de "flexibilidade" e o sentido usado pelo professor Pastore.
Ocorre que este tipo de flexibilidade, em que a empresa pode admitir e demitir livremente e em que a rotatividade do trabalho é alta, gera uma situação em que as empresas não têm incentivos para investir em formação e treinamento e os trabalhadores não têm compromissos com os objetivos da empresa.
Este tipo de relação entre empresas e empregados reduz outras fontes de flexibilidade, associadas à capacidade do trabalhador de adaptar-se a mudanças. Simplesmente porque a adaptabilidade requer trabalhadores educados, treinados e comprometidos com a empresa.
De fato, há dois modelos de flexibilidade. Um "modelo liberal" –do qual o professor Pastore é adepto–, que se baseia na desregulamentação do mercado de trabalho, na descentralização das negociações e na redução do papel dos sindicatos.
Um "modelo social-democrata", que valoriza a negociação em diferentes níveis entre patrões e trabalhadores, como forma de flexibilizar o trabalho e aumentar o grau de cooperação entre empresas e empregados.
O modelo liberal entrou na moda na década de 1980. Hoje, há inúmeros estudos sobre a reforma liberal na Inglaterra e outros países e a conclusão é triste, o que já torna o modelo um tanto "demodé".
Não melhorou a situação macroeconômica e a dispersão salarial cresceu muito na Inglaterra. Os EUA, que sempre tiveram um modelo liberal, apesar de conseguirem gerar mais empregos que qualquer outro país rico, têm péssimo desempenho no que se refere ao crescimento da produtividade do trabalho e enorme dispersão salarial. Por isso, o ministro do Trabalho, Robert Reich, tem insistido em mudanças de natureza social-democrata.
Já tive oportunidade de argumentar em outros trabalhos que existem diferentes modelos de mercado de trabalho. É preciso escolher entre eles. Dada a situação brasileira, em que a criação de empregos em si não é um problema, mas a qualidade dos empregos e da relação capital-trabalho é péssima, tenho me convencido de que a opção social-democrata é a que melhor frutos traria.
Isso não significa que o mercado de trabalho no Brasil não seja demasiadamente regulamentado. É muito regulamentado e a Justiça do Trabalho tem poder normativo, o que reduz muito o espaço de negociação entre patrões e empregados.
É preciso desregulamentar, mas, simultaneamente, aumentar o escopo de negociação.
Sendo assim, reduz-se o papel da lei (da Consolidação das Leis do Trabalho e da política salarial, por exemplo) e em seu lugar introduz-se negociações diretas entre patrões e trabalhadores.
Mas não negociações em nível de empresas apenas, porque a maior parte dos trabalhadores no Brasil não está organizada para negociar e tem seus direitos regidos pela CLT. Para estes, a descentralização das negociações e eliminação da CLT representariam uma enorme perda.
Minha proposta é que a negociação de condições básicas de trabalho e reposição salarial se dê em nível nacional, depois setorial, depois nas empresas.
Este é o modelo social-democrata que permite coordenação na formação de salários e preços e reduz a dispersão salarial.
Ao contrário do que se imagina, o desempenho macroeconômico (medido pela inflação e o desemprego) é melhor e a distribuição dos salários é muito mais igualitária em países em que as negociações são centralizadas, ou, pelo menos, sincronizadas no tempo, como no Japão.
O princípio básico da proposta é que a flexibilização não advém da ausência de regras nem do enfraquecimento de uma das partes negociantes, mas de regras negociadas e que, portanto, tenham legitimidade.
Há outros ingredientes desta proposta que eu gostaria de ver comentados pelo professor Pastore.
Em primeiro lugar, é importante que haja redução do poder normativo da Justiça do Trabalho, que inibe a negociação direta.
Em segundo lugar, é preciso que o imposto sindical seja abolido, uma vez que este imposto está na raiz do peleguismo patronal e trabalhista, que reduz muito a representatividade dos sindicatos.
Em terceiro lugar, é preciso que os trabalhadores passem a ter representação formal dentro das empresas, independentemente da organização sindical.
Por último, é preciso que os recursos do Senai, Sesi e Sebrae tenham administração tripartite, envolvendo trabalhadores, patrões e o governo. Isto porque estes fundos deveriam ser a base de financiamento das políticas de mercado de trabalho no Brasil e, num contexto mais negocial, deveriam contar com a participação dos trabalhadores na sua gestão.
Esta é a agenda para o trabalho que proponho, a fim de flexibilizar o trabalho no Brasil. Flexibilização civilizada, como quer o professor Pastore, mas negociada.

EDWARD J. AMADEO, 38, doutor em Economia pela Universidade de Harvard (EUA), é professor do Departamento de Economia da PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) e autor de "Keynes's Principie of Effective Demand" (1989) e "Keynes's Third Alternative" (1991) –Edvard Elgar Publishing Co (Inglaterra).
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-035</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-035</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
As empresas ou estabelecimentos inscritos no Cadastro Geral de Contribuintes (CGC) a partir de 1º de janeiro de 1994 poderão entregar as Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), referentes aos meses de janeiro a maio de 1994, até 29 de julho de 1994. (Fund.: instrução normativa SRF nº 53, de 08/07/94)

INSS
Os benefícios mantidos pelo INSS serão obrigatoriamente reajustados em maio/95, em percentual correspondente à variação acumulada do IPC-r entre o mês da primeira emissão do real (julho/94, inclusive) e o mês de abril/95, ressalvada a possibilidade de elevação de valor real do salário mínimo, antes dessa data, mediante lei. Observe-se que, a partir de 1996, os benefícios previdenciários deverão ser reajustados pela variação acumulada do IPC-r nos 12 meses imediatamente anteriores, nos meses de maio de cada ano. (Fund.: lei 8.880/94)

Prorrogação de entrega
Através da instrução normativa SRF nº 46, de 22/06/94, publicada no "Diário Oficial da União" de 23/06/94, a entrega da Dipi normal, com as informações do ano de 1993, foi prorrogada para até o último dia útil do mês de agosto de 1994. Já a Dipi Retificadora deverá ser entregue até o último dia útil do mês de outubro/94.

Redução de alíquota
Desde 04/07/94, as pessoas jurídicas que pagarem a outras pessoas jurídicas pelos serviços de que tratam os artigos 52 e 53 da lei nº 7.450/85 deverão reter o Imposto de Renda na fonte à alíquota de 1,5%, sendo que, até a referida data, a retenção era de 3%. (Fund.: medida provisória nº 544, de 1º/07/94)

Acidentes de transportes
Os atrasos do empregado ao serviço, devido a acidentes de transportes, comprovados mediante atestado da empresa concessionária, não acarretarão, para o mesmo, o desconto da remuneração do repouso. (Fund.: artigo 12, parágrafo 3º do regulamento aprovado pelo decreto 27.048/49)

IR - pessoa física
O contribuinte que optou pelo parcelamento do Imposto de Renda apurado na declaração de ajuste de 1993 deverá converter para reais as quotas vencidas, multiplicando o número de Ufir devido por reais (0,5618). Se pagas no vencimento, não haverá nenhum acréscimo. (Fund.: ato declaratório normativo CGST nº 41, de 04/07/94)

FGTS
Na vigência de acordo de parcelamento de débito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), ocorrendo hipótese de movimentação de conta vinculada de trabalhador envolvido no ajuste, o devedor deve antecipar o respectivo depósito, deduzindo-o das parcelas vincendas, sob pena de resilição do acordo. (Fund.: circular CEF nº 28/94)

As notas desta coluna foram fornecidas pela IOB-Informações Objetivas.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-036</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-036</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
ANTONIO KANDIR
Quando este artigo estiver sendo lido, estaremos a algumas horas da final Brasil X Itália. Foi uma árdua caminhada até aqui. Vencemos as partidas decisivas sempre ao apagar das luzes, sem folga no placar e sem sossego para o coração do torcedor: Bebeto definiu aos 30' contra os EUA; Branco desempatou aos 36' contra a Holanda; e Romário livrou-nos da agonia aos 35' contra a Suécia.
A caminhada da seleção lembra a vida do país nos últimos cinco anos. A década de 90 tem sido árdua para todos os brasileiros. Mas, que avançamos e vencemos desafios, quem há de negar?
Vencemos as resistências à abertura comercial, enormes numa economia que se desenvolveu a partir do fechamento à concorrência internacional. Fechamento estratégico para dar impulso à industrialização, mas ruinoso para elevar a qualidade de uma estrutura industrial estabelecida e integrada.
Com a abertura, as empresas daqui tiveram de se haver com um mercado mais competitivo, de consumidores mais exigentes. Resultado: ganhos expressivos de qualidade e produtividade.
Vencemos também as resistências ao programa de privatizações, que se completou no setor siderúrgico e deu passos largos nos setores de fertilizante e petroquímico.
Avançou assim a reestruturação produtiva, através da redefinição do papel do Estado, e ampliaram-se os instrumentos e alternativas para a solução do problema fiscal do setor público.
Começamos ainda a romper com um padrão de representação política que resultou na destruição do crédito do Tesouro, em dificuldades para financiar o déficit público e, como consequência, em inflação elevada.
Um padrão de representação alimentado pela privatização do Estado, pela destruição da coisa pública, pelo conluio entre determinados grupos privados, corporações do setor público, certos burocratas e políticos, como o escândalo do Orçamento mostrou.
Graças a essas mudanças, estamos hoje em condições favoráveis para vencer a luta contra a inflação, consolidar a estabilidade econômica e retomar o desenvolvimento em bases sólidas.
São todos processo inconclusos, é verdade. Mas o que lhes dá substância é o fato de serem, ao mesmo tempo, causa e efeito do surgimento de novas forças sociais: um empresariado industrial e agroindustrial que não depende do Estado e está orientado para a internacionalização; setores de classe média onde é marcante o espírito de empresa e intensa a rejeição ao fisiologismo; um sindicalismo de trabalhadores que aposta na livre-negociação e no pluralismo.
O que falta para emprestar impulso renovado e maior consistência a esse processo de modernização, minorando os custos do ajuste estrutural e fortalecendo a perspectiva estratégica de médio e longo prazos?
O que falta para que a modernização resulte em um novo modelo de desenvolvimento, que combine crescimento e superação da miséria, nos marcos de uma economia internacionalizada?
Falta orientação firme e inequívoca no plano das políticas de governo. Falta reconstruir o Estado.
Por isso, as próximas eleições são cruciais, não só para determinar os rumos do país nos quatro anos seguintes, mas nas próximas décadas. Há eleições em que as alternativas possíveis não afetam os destinos do país, seja porque não há distância maior entre as propostas dos candidatos, seja porque não estão em pauta questões decisivas, de longo alcance.
Mas essas não são eleições quaisquer. Nelas, vamos escolher o Brasil que teremos nas primeiras décadas do século 21, se um país com um projeto nacional moderno ou se um país entorpecido pelo nacionalismo populista. Já demoramos demais para fazer essa escolha em definitivo.
Como nos gramados, saberemos decidir, ainda que ao apagar das luzes deste século, sem prorrogação, sem nos arriscarmos na loteria dos pênaltis. Está chegando a hora. Vamos vencer.

ANTONIO KANDIR, 41, engenheiro, doutor em Economia, foi secretário de Política Econômica do então Ministério da Economia (governo Collor). É autor, entre outros livros, de "Brasil Real: a Construção da Cidadania, da Moeda e do Desenvolvimento" (Klick Editora).
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-037</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-037</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

Semana de 11 a 15 de julho

EM ALTA
ALIMENTOS
O consumo de alimentos teve alta de 11,01% em maio comparado com o mês de abril, segundo o ICA (Índice de Consumo de Alimentos) da FCESP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo). O aumento acumulado no ano é de 2,30%. Em relação a maio de 93, houve queda de 0,89%.
INFLAÇÃO
A inflação de junho em URV (Unidade Real de Valor), medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços), foi de 2,93%, segundo o IBGE. A alta de preços mais significativa foi verificada no Rio de Janeiro (3,63%). A menor variação foi registrada em Belo Horizonte (1,53%).

EM BAIXA
COMÉRCIO
O número de consultas ao SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) caiu 12,3% nos primeiros dez dias de julho. A média diária de consultas baixou para 24.096, o que significa uma queda de 12,5% sobre igual período de junho.
ALUGUEL
O número de ações referentes a aluguel na cidade de São Paulo diminuiu em junho, segundo dados do Secovi (Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis) e do Tribunal de Justiça. Em relação a igual mês do ano passado, a queda foi de 4,9%.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-038</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-038</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
De 1985 a 1989, grupos de técnicos da Petrobrás e do BNDES trabalharam o conceito de "integração competitiva" do Brasil na economia internacional. O grupo assumiu cargos relevantes na administração Collor, levado pela ex-ministra Zélia Cardoso de Mello.
Em 26 de junho de 1990, foi anunciado o programa de abertura da economia, consistindo das seguintes etapas:
1) Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade, como instrumento de política industrial e comércio exterior. Através do programa reconhecia-se a questão micro (de capacitação das empresas) como instrumento fundamental na reestruturação competitiva;
2) Fim da reserva da informática, tornando o computador mais acessível ao conjunto das empresas nacionais;
3) Revisão do Código de Propriedade Industrial (que ainda não saiu do papel);
4) Cronograma de redução de tarifas de 36 mil itens, em 36 meses;
5) Privatização como instrumento de política industrial –idéia que não foi posta em prática por Eduardo Modiano, o responsável pela tarefa.
Gerenciamento
A fim de que o programa não fosse tolhido pela falta de continuidade, todos os documentos tinham capítulo especial dedicado ao seu gerenciamento. Foi nessa definição que surgiu a idéia da constituição das câmaras setoriais.
Além disso, fugiu-se de um outro vício do serviço público, que era a montagem de comissões burocratizadas.
Decidiu-se, de um lado, que o programa não teria orçamento próprio nem estrutura burocrática. De outro, que no médio prazo seriam criados instrumentos permanentes de execução, a salvo de interferências do governo.
A idéia foi imediatamente comprada pelo então presidente Fernando Collor, que, a partir de certo momento, passou a coordenar pessoalmente as reuniões do grupo.
Com a queda de Zélia, o programa ganhou fôlego inesperado. O novo ministro Marcílio Marques Moreira trouxe para a Secretaria Nacional de Economia a ex-ministra Dorothéa Werneck, que, na qualidade de técnica do Ipea, havia sido incumbida pelo grupo de trabalhar as relações capital-trabalho. E conseguira o feito inédito de obter apoio de trabalhadores para o programa, em pleno governo Collor.
Dorothéa elegeu o programa como meta prioritária e trouxe Antonio Maciel para secretário-adjunto. As câmaras setoriais adquiriram um dinamismo especial.
Governo Itamar
Com a queda de Collor, nos primeiros meses de governo Itamar o programa se manteve exclusivamente graças ao novo ministro da Indústria e do Comércio, José Eduardo de Andrade Vieira, já que a concepção do plano estava anos luz à frente da compreensão de Itamar.
De qualquer modo, o que foi plantado foi colhido.
A idéia das câmaras setoriais foi comprada por quatro entre quatro líderes das eleições presidenciais. A vetusta Confederação Nacional da Indústria encontrou finalmente sua vocação –a de coordenadora do PBQP em nível nacional.
O Prêmio Nacional de Qualidade tornou-se fundação privada, financiada por 400 grandes grupos. O Sebrae deixou de ser um valhacouto de políticos, virou fundação com controle e gestão privada e está atuando firmemente na preparação de uma futura geração de empresas.
Hoje em dia, qualquer avaliação sobre o futuro do país vai buscar as razões mais profundas de otimismo nas mudanças econômicas deflagradas pelo programa.
A história há de reconhecer a importância desse grupo de jovens inconformistas, que aprendeu que o verdadeiro homem público deve ser íntegro com seu país e suas convicções, agindo permanentemente como agente de transformações.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-039</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-039</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Campanhas de oportunidade movimentam mais US$ 100 mi se Brasil for tetracampeão, estima especialista
FILOMENA SAYÃO
Da Reportagem Local
Mais um lance da Copa do Mundo: os comerciais e anúncios relacionados ao evento devem ter engordado o mercado publicitário brasileiro em US$ 500 milhões.
Se o Brasil for tetracampeão, mais uma fatia de US$ 100 milhões será investida em anúncios e campanhas de oportunidade.
A estimativa é de Daniel Barbará, 47, diretor comercial da DPZ, a maior agência de publicidade do país segundo a revista especializada"Meio e Mensagem".
Na avaliação de Antônio Carlos de Moura, diretor comercial da Empresa Folha da Manhã, que administra a Folha, "a Copa gerou um incremento no bolo publicitário bastante significativo; há indicativos de que o crescimento do setor, até o final do ano, será bem maior do que o registrado em 93".
Pelos cálculos de Barbará, todo esse investimento começou em fevereiro e deve terminar pouco depois do final da Copa.
Ele diz que as emissoras de tevê devem ficar com US$ 350 milhões do injetado no período.
Em seguida vêm os jornais, com cerca de US$ 100 milhões. Outdoors e revistas deverão ter recolhido perto de US$ 45 milhões.
As rádios ficam em último lugar, com US$ 5 milhões.
O mercado de publicidade em 93 acumulou US$ 3 bilhões. Este ano, o quadro é outro.
O publicitário diz que a estabilização da economia pode gerar um aumento de 20% nos investimentos na área no segundo semestre.
Na ponta do lápis, o faturamento de 1994 pode atingir a cifra de US$ 3,5 bilhões, afirma Barbará.
A chegada do Brasil à final da Copa congestionou o trabalho de produtoras e finalizadoras de comerciais nos últimos dois dias.
Os grandes anunciantes prepararam duas versões de filmes e anúncios para TV, rádio e mídia impressa. Na hipótese da vitória, as mensagens são na linha do "viva o tetra", no caso de derrota, irá prevalecer o "valeu Brasil".
A Casa Blanca Finish, finalizadora de filmes para publicidade, está com as ilhas de edição totalmente ocupadas. "Anunciantes como Antarctica, Brahma e Arisco estão remontando filmes, sempre em duas versões, para veicularem logo após o jogo", disse Bruno Weege, diretor comercial.
Fazer anúncios que podem não ser veiculados é uma decisão difícil. Mas o risco de perda pôde ser amenizado. Foi o que fizeram algumas agências de publicidade.
A W/Brasil, diz Ronaldo Gasparini, diretor de atendimento, avalia que os custos, em caso de perda, são facilmente absorvidos.
"Recorremos aos nossos parceiros", explica. Exemplo: a produtora Jodaf, que filmou o anúncio da Rider, só recebe por seus serviços se a campanha for ao ar.
A DM9 fez acordo similar com a empresa que fez os fotolitos dos anúncios da Parmalat para a revista "Veja". Affonso Serra Jr., sócio, diz que se o Brasil for tetra, paga normalmente. Se perder, paga um custo mínimo de produção.

Colaborou Maristela Mafei, da Reportagem Local
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-040</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-040</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da Reportagem Local
A rotina nas agências de publicidade foi de corre-corre na semana passada. A possibilidade de o Brasil ser tetracampeão na Copa levou anunciantes a prepararem os anúncios de oportunidade.
São comerciais que só são veiculados se o Brasil ganhar da Itália. Se não, vai tudo pro lixo. Apesar de as chances serem de 50%, as empresas resolveram arriscar.
A Parmalat apostou alto. Se o Brasil ganhar, vai ser o anunciante exclusivo de uma edição extra da revista "Veja" que sai amanhã.
É um investimento de US$ 500 mil. Affonso Serra Jr., um dos sócios da DM9, agência que tem a conta da empresa, não quer adiantar como serão os anúncios.
Mas diz que, além da Parmalat, prepararam anúncios para homenagear o tetra a Sharp, a Antarctica e a Mesbla. No total, diz, poderá ser um gasto de US$ 1 milhão.
A Kaiser, que chegou até a criar uma cerveja especial para a Copa, montou um filme para TV de 30 segundos que vai mostrar o "Baixinho da Kaiser" –garoto-propaganda da cervejaria– pilotando a comemoração dos brasileiros.
Se a seleção de Parreira ganhar, o filme deve ficar no ar pelo menos uma semana.
"Ele vai estar fazendo uma traquinagem", diz, sem detalhes, Alexis Pagliarini, diretor de atendimento da conta, que é da DPZ.
Pela W/Brasil, vários clientes apostaram na conquista do tetra. A Rider, um dos patrocinadores da Copa na TV Globo, fez um filme de 30 segundos com a música "Brasil Pandeiro". As imagens mostram torcedores comemorando com o chinelo, é claro.
O chinelo aparece em outdoors com o slogan "O pé quente da torcida brasileira".
A Golden Cross preparou um anúncio para TV de um minuto –o dobro do padrão atual– no qual brinca com a palavra gol (parte do nome da empresa de saúde).
A construtora Rossi, também atendida pela W/Brasil com os apartamentos do "Plano 100", planejou um anúncio para página inteira em três jornais de São Paulo com a frase "100 comentários" e uma foto da camisa da seleção brasileira, diz Ronaldo Gasparini, 41, diretor de atendimento.
A Golden investiu em publicidade com o tema futebol US$ 1,5 milhão e a Rossi, perto de US$ 1 milhão, acrescenta Gasparini.
A Roche preparou um anúncio de jornal para seu analgésico Saridon feito pela Norton Publicidade. Uma foto mostra a embalagem sem os analgésicos. O título é: "Deu muita dor de cabeça, mas o Brasil é tetra".
(FS)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-041</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-041</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da Reportagem Local
Que juros um investidor deve pedir para aplicar seus recursos até o mês das eleições?
O governo tem dito que quer, com a inflação baixa, alongar os prazos das aplicações. Faz sentido. É assim em qualquer país civilizado.
O governo tem dito que vai usar os impostos para estimular esse movimento. Quanto menor o prazo da aplicação, maior o imposto e vice-versa.
Mas já é, em parte, assim. Hoje, quem aplica por menos que quatro dias saca menos do que depositou. Por hipótese, aplica R$ 100,00 e saca R$ 99,80. Por causa dos impostos.
Alongar, então, vai significar aumentar os impostos sobre os saques até, digamos, 30 dias e, inversamente, diminuí-los vencido esse prazo.
Na prática, isso pode significar que, depois de 27 dias, quem aplicou R$ 100,00 saca, por exemplo, R$ 101,00 –se a inflação do período foi de 1%. Mas que investidor abriria mão de seus recursos por um prazo tão grande para obter apenas a atualização monetária?
Sem inflação, argumentam, não se justifica a sanha para que os recursos acompanhem as flutuações diárias dos juros no over, antes do Plano Collor, ou nos fundos, hoje em dia.
Sem dúvida, não parece muito civilizado esse jogo em que os primeiros que perdem são os que não podem participar dele, por falta de fundos.
Estranhamente, porém, enquanto se fala em alongamento dos prazos, mais e mais analistas e operadores têm olhado só para o dia-a-dia e, especialmente, para o que o Banco Central faz do juro diariamente.
A maior discussão do mercado é ainda uma pauta do hoje: a velocidade e o ritmo de queda das taxas de juros.
Estamos na transição. Desculpe-se. Agosto será outro mundo. Mais perto da eleição.
O governo não está errado em formular regras que possibilitem o alongamento. No Brasil, coisa esquisita, já se negociou CDB de seis meses –uma eternidade, hoje em dia.
Mais tem de ser cauteloso. Não se pode forçar o alongamento, se o futuro é só de incertezas. Corre-se o risco de mirar no pato e matar o cachorro –querer o alongamento e empurrar os recursos para o consumo e ativos reais.
De fato, dizendo o óbvio, a sorte do Plano Real –alongar os prazos das aplicações é só uma de suas consequências– e da candidatura de Fernando Henrique Cardoso são cartas de um mesmo baralho. Alongar muito, por enquanto, truco.
(João Carlos de Oliveira)

Hoje, excepcionalmente, deixamos de publicar a coluna de LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-042</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-042</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Os fundos de commodities devem registrar este mês, na média deles, rentabilidade bruta de 5,70%.
A projeção ainda é muito precária porque o mercado não conhece a taxa exata de juros que o Banco Central vai praticar ao longo do mês, até o dia 29.
De qualquer forma, é rentabilidade bruta, que não considera a incidência do Imposto de Renda sobre o rendimento que supera a variação da Ufir.
Saques ainda em julho, mesmo de quotas livres, não são recomendados porque a Ufir continua congelada. Como a Ufir terá, por lei, valor corrigido pelo IPCA Especial no primeiro dia útil de agosto, a taxa líquida será mais atraente para os saques no início de agosto.
Se a Ufir variar 4%, o rendimento líquido de uma taxa bruta de 5,70% seria de 5,27% no fundo de commodities. O IR é de 25% sobre o que supera a variação da unidade fiscal.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-043</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-043</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O governo deveria introduzir reservas compulsórias sobre todos os depósitos e acabar com a moeda indexada
ÁLVARO ANTÔNIO ZINI JR.
Especial para a Folha
Primeira coluna, cabe uma conversa direta com o leitor, para apontar os temas a serem explorados neste espaço. Por estar passando o ano no exterior, vamos dedicar várias colunas a análises do cenário internacional (como a queda do dólar frente ao iene).
Mas não vamos ficar restritos à economia, fazendo também algumas reflexões sobre as instituições úteis das sociedades industrializadas. Queremos manter aqui uma janela aberta para o mundo.
De quando em vez, planejamos sintetizar e explicar as novas teorias que estão inovando o debate das idéias econômicas nas universidades americanas e européias (por exemplo, as implicações das economias de escala ou o papel do conhecimento e educação no desenvolvimento).
Por fim, o enfoque da economia brasileira ficará de contraponto para alguns domingos, pois essa área é bem coberta no jornal. Mas hoje, para começar, vamos enfocar o real.
A introdução do real começou bem. A troca do meio circulante deu-se com uma surpreendente tranquilidade, apesar da complexa taxa de conversão entre a moeda velha e a nova.
Creio que isso reflita bem a forte demanda da população por estabilidade de preços, como, aliás, se deu em todos os países que passaram por hiperinflação.
O Plano Real tem uma contradição de estratégia. Ele é um programa complexo, com possibilidades efetivas de manter baixa a inflação até o próximo ano. Isto porque, ao lado dos fundamentos (ou seja, equilíbrio orçamentário, câmbio, contas externas e salários), superaram-se diversos obstáculos e as bases são boas.
Mas, por outro, porque ter esperado, para quatro meses antes da eleição presidencial, o combate à inflação? Dava para se ter adotado este plano em 1993, mas perdeu-se muito tempo com a idéia do "currency board", que representaria uma camisa-de-força inadequada.
Apesar de ter os fundamentos a favor, a proximidade da eleição presidencial joga contra a estabilização. Para que uma estabilização vingue é necessário que os agentes acreditem que o governo está solvente e que os compromissos de políticas serão mantidos no futuro. Mas, como garantir isso, se o governo vai mudar em seis meses?
Outro ponto ainda não bem-equacionado refere-se ao controle monetário. Após muita hesitação, o governo ouviu o alerta de vários economistas (como o deste articulista), de que sem controle da oferta de moeda nenhum plano pode dar certo.
Vamos saudar a melhor compreensão do problema, demonstrada, por exemplo, na entrevista do diretor do Banco Central, Alkimar Moura, a esta Folha. Mas lembremos que até dois ou três anos atrás falar de "moeda indexada" e discutir seus malefícios eram tabus que geravam as mais diversas intempéries verbais dos seus opositores.
Por controle monetário, o governo entendeu que deveria estabelecer limites quantitativos para a base monetária. Esses limites breve se mostrarão bastante apertados, pois não se sabe de antemão quanto a população deseja reter de moeda com a inflação baixa.
Se as metas forem ultrapassadas, no entanto, isso pouco representará se até lá o governo tiver aperfeiçoado o controle da moeda.
Como isso ainda não está concluído, tem-se a armadilha de ter que manter taxas de juros elevadas para evitar saques das aplicações. Tampouco se criaram alternativas mais saudáveis de financiamento ao governo, deixando de recorrer a títulos de curtíssimo prazo.
Em artigo com Jeffrey Sachs, cujo resumo foi publicado na Folha, em 26 de junho, explicamos que controlar a base monetária não equivale a controlar a oferta de moeda no Brasil, dado o funcionamento das nossas instituições monetárias.
Ainda temos a existência de duas moedas: a moeda corrente e a moeda indexada dos fundos de curto prazo (quantativamente maior), cuja criação segue a taxa de juros.
Sugerimos, naquele artigo, que o governo deveria introduzir reservas compulsórias sobre todos os depósitos (algo como 20%) para reconstituir a base monetária. E defendemos terminar com a instituição da moeda indexada, alterando a sistemática operacional dos fundos de curto prazo.
O governo tem acenado que pretende fazer mudanças aqui, através do aumento da taxação. Mas isso não será suficiente para o objetivo desejado. Assim como não há meia gravidez, de pouco vai adiantar tentar meia desindexação da moeda.
Ainda há tempo para correções. Nesse caso, um pouco mais de equidistância da "Pátria Financeira" (usando a expressão cunhada na Argentina e que me foi recordada pelo prezado Clóvis Rossi) seria saudável tanto para o Brasil quanto para o real.

ÁLVARO ANTÔNIO ZINI JR., 41, é professor livre-docente da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP, PhD em Economia pela Universidade de Cornell (EUA) e autor dos livros "Taxa de Câmbio e Política Cambial no Brasil" (Editora da USP) e "The Market and the State in Economic Development (editora North Holland). Está passando o ano como professor-visitante na Universidade de Harvard (EUA).
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-044</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-044</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Banqueiro recomenda aplicações diversificadas para os próximos dias e caderneta para pequenas quantias
RODNEY VERGILI
Da Redação
A carteira Folha de investimento rendeu 32,72% de 13 de junho a 13 de julho de 1994. A Ufir, que é um parâmetro de inflação, variou 28,03% no mesmo período.
As cadernetas de poupança foram o porto seguro para os recursos, na composição da carteira hipotética montada por Adhemar Cesar Ribeiro, presidente do Banco das Nações S/A.
Ele entende, porém, que nos próximos dias o investidor deve optar por investimentos diversificados, embora continue recomendando a poupança para as pequenas quantias de dinheiro.
Ribeiro lembra que o fundo de commodities geralmente não oferece a mesma garantia de um investimento em renda fixa. Mas, em compensação, permite o saque diário, sem perda do rendimento, passado o período inicial de 30 dias.
Já o CDB prefixado é uma aplicação rentável e que proporciona uma rentabilidade fixa.
Com relação ao mercado acionário, Ribeiro diz que deve ser encarado como um investimento de longo prazo. Segundo ele, as operações de curtíssimo prazo destinam-se apenas a especialistas, que realizam negócios de alto risco.
O presidente do Banco das Nações S/A diz que já obteve bons resultados com ações, em operações de longo prazo.
Ele afirma que durante dez anos aplicou todos os seus recursos na compra de ações do Bamerindus. Ele era diretor do banco e montou um plano de investimento mensal, com reaplicação de dividendos.
A operação deu resultado com o crescimento do Bamerindus e ele utilizou os recursos da aplicação para estabelecer sua própria instituição financeira, com capital inicial de US$ 5 milhões e voltada para empréstimos a médias e grandes empresas, operações estruturadas e atuação na área de fusões e aquisições.
Ribeiro acha que os juros devem cair. Com isso, diz, o volume de financiamentos a longo prazo para o consumidor vai crescer. Ele lembra com saudades do ano de 1973, quando comprou um automóvel em 36 prestações mensais de valor fixo.
Para o executivo, o Plano Real é consistente e está no rumo certo. Ele acredita no sucesso do programa econômico por várias razões: está ancorado em reservas cambiais elevadas; na capacidade ociosa industrial de 25%, o que elimina a necessidade de pesados investimentos; no aumento da produtividade industrial, que cresceu 33% de 1991 a 1993; na capacidade de exportação de nossos produtos; na safra agrícola recorde e nos preços favoráveis das commodities.
Ribeiro lembra ainda que o preço do café disparou, o que deve ajudar na balança comercial.
Avaliando os primeiros dias do Plano Real, o banqueiro diz que houve um comportamento maduro, tanto por parte da população quanto do governo.
Para ele, o país conseguiu o ajuste fiscal através do Fundo de Emergência Social, equacionando as suas contas até o próximo ano.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-045</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-045</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
MARCOS CINTRA
O Plano Real já começa a enfrentar algumas das muitas crises que virão nos próximos meses. A nova moeda foi aceita pela população com entusiasmo, mas algumas tensões já se fazem sentir.
Começam a aflorar os problemas que o fracasso das reformas estruturais empurrou para debaixo do tapete, mas que começam a cheirar mal.
Em primeiro lugar, os salários foram convertidos pelas médias. Mas os aumentos de preços no final de junho, ainda não captados pela inflação, imporão perdas significativas ao poder aquisitivo dos salários.
Ademais, a inflação residual, estimada em cerca de 5% em julho, deve motivar pleitos por correções salariais. Compromete-se assim o congelamento dos salários, dando-se início a pressões pela reindexação.
Os primeiros embates poderão ocorrer na data-base de setembro, quando os bancários reivindicarão as perdas de cerca de 15%, mais a inflação em reais de julho e agosto.
Um segundo foco de tensão se encontra nos juros altos. Trata-se de necessária defesa contra os que apostam contra o plano. Mas pressionam os custos de vários setores, que já buscam repasse dos encargos financeiros aos preços. E também pressionam os orçamentos governamentais, já que o setor público é o grande tomador de recursos na economia.
Nota-se ainda que o congelamento cambial –e a inesperada valorização do real frente à URV– poderá gerar fortes tensões comerciais. Os exportadores perderam cerca de 10% de sua competitividade externa.
Embora o estoque de divisas seja mais do que suficiente para sustentar esta situação artificiosa por muitos meses, o custo social desta política poderá ser substancial. Além de recessiva, poderá implicar perdas significativas do estoque de divisas.
O Plano Real vai bem. Mas poderá fazer água muito mais depressa do que se imagina. Por enquanto, foi apenas uma bem-executada troca de moeda, com o objetivo de extirpar a inércia inflacionária.
Mas, no que se refere às variáveis básicas e fundamentais da economia, como salários, câmbio e juros, nota-se apenas a artificialidade de tudo.

MARCOS CINTRA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE, 48, doutor em Economia pela Universidade de Harvard (EUA), é vereador da cidade de São Paulo pelo PL e professor titular da Fundação Getúlio Vargas (SP). Foi secretário do Planejamento e de Privatização e Parceria do Município de São Paulo (administração Paulo Maluf).
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-046</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-046</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
As Bolsas de Valores devem liderar este mês o ranking do mercado financeiro.
Até a última sexta-feira, o índice Bovespa estava com valorização de 12,61% e o índice Senn, na Bolsa do Rio, com 11,32%.
É uma rentabilidade bem superior à dos segmentos de renda fixa, mesmo considerando a tributação de 25% no caso de resgate. Fundos e poupança devem render, brutos, entre 5% e 6% este mês.
Com o crescimento de FHC nas pesquisas eleitorais, dificilmente a Bolsa terá até o final do mês uma reversão brusca nos preços. Os juros estão positivos em relação à inflação corrente, mas já iniciaram a tendência de queda, consequência natural do plano de estabilização.
Além do desempenho da economia (leia-se Plano Real), continuarão exercendo influência direta sobre os preços as pesquisas eleitorais. Os pregões devem continuar apresentando oscilações, num ambiente especulativo.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-047</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-047</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

BC muda a rota no final da semana, provavelmente embalado por projeções menores do índice de julho
Da "Agência Dinheiro Vivo"
O Banco Central fez dois movimentos contraditórios esta semana. Na terça-feira, interrompeu o processo de queda dos juros iniciado voluntariamente pelas instituições.
Mas, na sexta-feria, inesperadamente, reduziu a taxa-over de 11,37% para 10,30%. De uma penada só, a projeção de rentabilidade do over em julho tombou de 7,93% para 7,55% e a do CDI desmoronou de 7,02% para 6,73%.
De forma radical, o BC assumiu posição firme no centro da polêmica sobre o grau de monetização, a quantidade de reais que perambula, sem destino, pela economia.
Uma parte do mercado estima o crescimento do papel-moeda em poder do público mais os depósitos à vista em R$ 3 bilhões. O BC garante que não passa de R$ 1,5 bilhão, cifra dentro das expectativas.
E o BC não está preocupado. Estaria se uma parte dos R$ 112 bilhões em caderneta, fundos e CDBs subitamente fossem para conta corrente.
O desabamento do over pode ter outra interpretação: o mercado acha provável que o IBGE tenha passado ao BC a informação de que o IPC-r de julho ficará abaixo dos 5% previstos pelo mercado.
Com ou sem novas atuações baixistas do BC, em termos nominais a queda dos juros é virtual. O motivo é técnico. Agosto tem três dias úteis a mais que julho e inflação menor.
O departamento de economia da "Agência Dinheiro Vivo" prevê um IPC/Fipe de 4,85% este mês e de 2% no próximo. O declínio nominal dos juros dos CDBs será intensificado a partir desta segunda quinzena do mês.
Passarão a refletir com exatidão maior a baixa do custo do dinheiro prevista para agosto. Para a composição do rendimento em 30 dias, sai um dia de julho com CDI-over de 0,37% e entra outro de agosto a 0,17%.
Aplicar em CDB significa acreditar que o CDI efetivo ficará mais baixo que as apostas feitas no pregão de DI da BM&F. Quem não quer correr riscos deve optar, diretamente, pelo CDI.
Os fundos de commodities que trocaram o indexador dos títulos cambiais pelo CDI, e anularam as perdas decorrentes do deságio entre o dólar e o real, estão pagando a mesma rentabilidade dos fundos DI, quase o CDI integral.
Mas os commodities levam vantagem sobre o DI por causa da tributação menor (25% contra 30%). Para uma Ufir de 5% no mês, o ganho líquido do fundo de commodities ficaria em 0,35% ao dia, ou 90,79% da variação do CDI. O lucro líquido do DI cairia para 0,34%, ou 88,95% do interbancário.
Enquanto não surgem as mudanças na tributação dos ativos financeiros, destinadas a punir com rentabilidade menor as aplicações mais líquidas e a premiar com ganhos mais compensadores o dinheiro que se dispõe a ficar imobilizado por mais tempo, aproveite para aplicar nos fundos de commodities.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-048</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-048</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da "Agência Dinheiro Vivo"
Comuns no período pré-real, as linhas informais de 30 dias corrigidas pelo câmbio devem voltar a ser oferecidas pelos bancos. Com excesso de dólar nas carteiras, podem desovar estes recursos no mercado de crédito.
Mas o tomador tem de redobrar cautelas, pois podem querer descontar nos juros a defasagem do dólar em relação ao real, ao redor de 7,5%. Taxas acima de 1,7% ao mês mais a variação cambial estão mais caras que o giro pré, que custa ao redor de 6,8% ao mês. O crédito em dólar tem de ser mais barato pelo risco cambial.
O giro pré é a melhor alternativa a uma taxa em câmbio acima daquele patamar. O juro nominal tende a cair conforme o vencimento avança mais em agosto. É o que sinalizam os negócios com o DI futuro na BM&F.
O CDI efetivo deve baixar da faixa de 7,02% este mês para 3,86% em agosto. Assim, o giro pré é melhor também que a conta garantida, que tem como base a variação do CDI. Mesmo que a taxa de juro ceda na semana que vem.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-049</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-049</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Exceção é para mercado financeiro, SFH e leasing; periodicidade de 12 meses pode ser reduzida pelo governo
Da Redação
Os contratos convertidos para o real no último dia 1º voltarão a ter reajuste pelo índice contratual ou pelo IPC-r daqui a um ano.
Contestada, esta é a regra básica da medida provisória nº 542.
Na MP, a exceção é para contratos do mercado financeiro, SFH e leasing (arrendamento mercantil).
O período a ser contado para a periodicidade anual, entretanto, varia de acordo com a situação do contrato (veja quadro ao lado).
No caso de aluguel residencial, os 12 meses serão contados a partir do último reajuste contratual.
Contratos de aluguel com reajuste anual são raros hoje em dia, mas, pela MP, poderá ocorrer novo aumento já no mês que vem. Para isso, basta que o último reajuste tenha sido em agosto de 93.
Nesta situação hipotética, a correção se basearia apenas no índice referente à inflação de julho.
Mas o índice não poderá ser o medido da forma tradicional (preços médios em R$ divididos por 2.750 comparados com preços em CR$). Ele deve ficar ainda relativamente alto, entre 25% e 30%.
O índice deverá seguir o artigo 38 da lei da URV, nº 8.880: preços em R$ devem ser comparados com preços urvizados do período anterior. A taxa de julho ficará bem mais baixa, entre 3% e 7%, dependendo do índice de preços adotado.
Este método deverá ser repetido para a inflação referente a agosto e valerá para qualquer reajuste futuro. Contrato reajustado em janeiro de 95, por exemplo, com base na inflação acumulada a partir do real, precisará usar, para julho e agosto, índices pelo artigo 38.
Outra exceção à regra dos 12 meses contados a partir da conversão para a URV ou para o real refere-se aos salários.
Na primeira data-base anual na fase da nova moeda, os salários serão automaticamente corrigidos pelo IPC-r acumulado a partir de julho de 94, inclusive. Categoria com data-base em agosto, por exemplo, já terá o IPC-r de julho.
O artigo 28 da MP do real, que impõe os reajustes anuais, permite que o governo reduza esta periodicidade. É uma precaução para o caso de a inflação voltar e inviabilizar uma série de contratos.
A lei 8.880, com a redação final do Congresso, diz que a periodicidade menor que a anual fica suspensa. A MP 542, na linha das que deram origem à lei 8.880, diz que cláusula neste sentido é nula.
(Gabriel J. de Carvalho)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-050</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-050</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
A nova medida provisória, de nº 550, que fixa as regras para conversão das mensalidades escolares para real, deve gerar uma redução entre 10% e 20% no valor atual.
Entretanto, representantes das escolas já manifestaram a intenção de não seguir os cálculos estabelecidos pelo governo. A Confenen (Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino) quer alterar as regras da MP no Congresso, antes de sua votação.
O ideal, nesse caso, é tentar um acordo com a escola. Se ele não se concretizar, a saída é ingressar na Justiça. A própria MP tornou esse processo bem mais simples.
Segundo Mauro Bueno, presidente da Associação Intermunicipal de Pais e Alunos, o instrumento para fazer valer as regras da MP é a ação sumaríssima.
Neste tipo de ação, demonstra-se que a escola não está cumprindo as regras da MP e pede-se que o juiz fixe o valor da mensalidade, enquanto o mérito não for julgado. Isto é feito através de uma liminar e vale para todos os alunos do estabelecimento.
Caso a escola se recuse a receber o valor estipulado pelo juiz, deposite o valor em juízo (ação de pagamento em consignação).
Bueno lembra que os pais não correm risco de perder esta ação, porque estão pagando o valor determinado pela própria Justiça.
A questão só ficará resolvida após o julgamento do mérito da ação sumaríssima. Por isso, faça uma poupança com o valor pago a menos, pois a escola pode ganhar o processo.
O ideal é ingressar com ações coletivas, onde os custos são diluídos pelos participantes.
A Associação Intermunicipal de Pais e Alunos está ingressando com ações contra escolas de todo o Estado de São Paulo. Para isso, é preciso juntar pelo menos 10% dos alunos do estabelecimento. O custo é de R$ 3,50 por integrante.
A associação fica em São Paulo, na rua Bartira, 407, em Perdizes, telefone (011) 872-3770.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-051</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-051</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Contratos celebrados ou convertidos em real, indexados a índices de preços gerais (tipo IGP) ou setoriais (como o Sinduscon), passam a ter reajustes anuais. Mas a MP 542 traz regras para o caso de pagamento antecipado.
Devedor de contrato com prazo acima de um ano pode amortizar, total ou parcialmente, o saldo devedor, mas desde que o atualize pelo índice contratual ou pelo IPC-r acumulado até o pagamento.
Isto está previsto no parágrafo 6º do artigo 28 da MP, para evitar que a liquidação antecipada de uma dívida seja feita pelo valor congelado em reais.
O parágrafo 7º diz que, nas obrigações em cruzeiros reais contraídas antes de 15 de março de 94 e que não foram convertidas em URV, o credor poderá exigir, um ano após a conversão para o real ou no vencimento, se anterior, sua atualização pelo índice contratual, abatidos os pagamentos, também atualizados, eventualmente feitos no período.
Os índices de correção computados a partir de 1º de julho precisam se basear no artigo 38 da lei 8.880.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-052</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-052</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Contratos de locação comercial reajustados por índices de preços seguem as mesmas regras da residencial na conversão para o real.
Isto significa que a conversão passa pelo cálculo da média, a não ser que o reajuste fosse mensal. Aí o valor de junho entra direto na fase de atualização pro rata e depois é dividido por 2.750.
Na realidade, não existe na MP 542 um artigo específico para aluguel. As regras são gerais, para contratos que, em 1º de julho, ainda estavam em cruzeiros reais.
A medida é específica quanto ao aluguel residencial quando diz que a nova correção monetária será aplicada 12 meses após o último reajuste contratual. Nos demais casos, a periodicidade anual é contada da conversão em URV, em real (1º de julho) ou da contratação.
Muitos advogados entendem que, se o contrato de aluguel não estava vencido, ou seja, prorrogado por prazo indeterminado, poderá ser reajustado nos meses anteriormente previstos.
A medida provisória não faz distinção entre aluguel nesta ou naquela situação.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-053</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-053</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
As pessoas físicas que têm Imposto de Renda a pagar neste ano deverão multiplicar o número de Ufir de cada parcela por R$ 0,5618. Carnê-leão de junho e a terceira quota relativa à última declaração devem ser pagos até o dia 29 deste mês.
O governo já definiu, através do artigo 34 da MP 542, que até 31/12/94 a Ufir não terá correção para os tributos federais pagos dentro do prazo de vencimento.
Os impostos devidos ao Estado de São Paulo, entretanto, estão sendo corrigidos, mesmo pagos dentro do prazo de vencimento.
É que a Secretaria da Fazenda voltou a reajustar a Ufesp (Unidade Fiscal do Estado) de acordo com o índice do custo de vida da Fipe. O valor para amanhã será de R$ 5,07, contra R$ 5,01 no dia 1º do mês. A correção deve ficar entre 3% e 5% em julho.
A UFM –unidade fiscal que corrige os débitos no município de São Paulo– continua congelada em R$ 26,54 desde o dia 1º.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-054</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-054</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da Reportagem Local
A geração de empregos é o maior desafio deste final de milênio e certamente será o mais sério problema do próximo.
A afirmação é do economista José Pastore, 59, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP, em palestra na Folha da série "A Busca da Qualidade Total". Pastore falou sobre "Flexibilizar para criar empregos e melhorar a competitividade".
Para o economista, a geração de empregos depende de uma série de fatores. O principal deles é o custo para se criar uma nova vaga no mercado de trabalho.
Nos países industrializados, o custo estimado de um emprego é de US$ 100 mil –um apartamento de quatro dormitórios na Vila Mariana (zona Sul). No Brasil, é de US$ 30 mil –um automóvel Santana GLS zero quilômetro.
Além do custo, a geração de empregos depende de ambiente favorável. Pastore diz que a estabilização da economia é fator importante. "Sem um mínimo de previsibilidade o empresário prefere pôr o capital no mercado financeiro, onde a rentabilidade é maior e o risco, menor", diz.
Mas não é só. A flexibilização do mercado de trabalho também é fundamental, segundo Pastore. Aqui, o ponto central envolve os direitos trabalhistas.
Flexibilizar o mercado de trabalho significa simplificar a legislação trabalhista; reduzir os encargos sociais; transformar custos fixos em custos variáveis e descentralizar as negociações (deixando de lado os sindicatos).
É preciso eliminar os intermediários (como a Justiça do Trabalho); atrelar a remuneração à produtividade, lucros e resultados; adotar formas variadas de contratação e melhorar a qualidade da mão-de-obra.
Pastore entende que é complicado fazer tudo isso ao mesmo tempo. Entretanto, medidas simples poderiam ser postas em prática para ampliar o mercado formal de trabalho no país.
Ele dá exemplos. Na Espanha, que tem desemprego altíssimo (cerca de 25%), é possível contratar jovens com menos encargos sociais e até com menores salários.
É neste campo que o Brasil registra as maiores diferenças em relação a seus concorrentes. No Brasil, diz o professor, "é monumental o abismo social que separa os trabalhadores do mercado formal dos do informal".
No Brasil não há meio termo, diz Pastore. "Ou se contrata o trabalhador com todas as garantias legais ou sem nenhuma garantia".
Resultado: o trabalho informal, que era de 44,7% antes da Constituição de 88, hoje é de 54,1%. Em resumo, a falta de flexibilização joga o trabalhador do formal para o informal.
"A flexibilidade selvagem não nos interessa. Mas o 'garantismo legal' pode nos alijar. Temos de encontrar um meio termo. Precisamos de novas formas de contratação para enfrentar a concorrência", diz Pastore.
Como será o trabalho no futuro? Para o professor Pastore, daqui a 20 ou 30 anos o trabalho será realizado em um contexto completamente diferente do atual.
O trabalho concentrado em um só lugar será realizado em lugares diferentes. Dentro e fora das empresas. Muitas vezes, em casa mesmo. Alguns trabalhando para a empresa; outros, por conta própria. Porém, todos trabalhando com menos custos fixos e com produtividade mais alta.
No futuro, diz Pastore, "a flexibilização tenderá a se ampliar e vai pegar entre nós. Afinal, o Brasil tem de competir. É inevitável inovar. Não há como ficar fora da economia global".
"O Brasil não ficará parado porque seus protagonistas principais –trabalhadores e empresários– não aceitarão as consequências de tamanho desatino. O Brasil mudará por força da realidade", conclui Pastore.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-055</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-055</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da Reportagem Local
A série de palestras sobre "A Busca da Qualidade Total" prossegue nesta segunda-feira no auditório da Folha.
O tema de amanhã é "Cultura Administrativa e Produção Enxuta" e o palestrante é José Roberto Ferro, professor da Fundação Getúlio Vargas (São Paulo) e da Universidade Federal de São Carlos e pesquisador-visitante do Massachusetts Institute of Technology, dos Estados Unidos.
Para a próxima segunda-feira, dia 25, está marcada a palestra de Claudio Ruggiero Jr., gerente de manufatura da Delco Remy do Brasil, que abordará o tema "Melhorias Contínuas em Ambiente de Administração Participativa".
As palestras acontecem no auditório da Folha (alameda Barão de Limeira, 425, 9º andar, Campos Elíseos), a partir das 19h30. Os interessados terão livre acesso ao local do evento.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-056</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-056</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

Comparada com o avanço efetivo dos preços dentro dos dois meses da transição, taxa real é moderada
GABRIEL J. DE CARVALHO
Da Redação e
JOÃO CARLOS DE OLIVEIRA
Da Reportagem Local
As taxas nominais de juros das aplicações despencaram do patamar de 50%, em junho, para 8%, no início de julho, mas a polêmica em torno delas não acabou. Pelo contrário, tornou-se até mais ácido o tom das críticas ao tamanho dos juros.
Na opinião de analistas ouvidos pela Folha, a conclusão de que os juros reais (acima da inflação) monitorados pelo Banco Central são escorchantes cai por terra se o foco da discussão for direcionado não apenas para julho, mas também para junho. Para a transição à nova moeda.
Observados os dois meses, a taxa até cedeu, embora, ao que tudo indica, não tenha sido esta a intenção do Banco Central.
Para calibrar os juros, Alkimar Moura, diretor de Política Monetária do BC, prefere olhar para a migração dos ativos financeiros e para o movimento de ativos reais.
O resultado da política do BC nos dois meses de transição, entretanto, será a reposição de perdas registradas em junho, quando o avanço dos preços em cruzeiros reais superou os juros das aplicações financeiras.
Quadro de julho
Se os juros de 6,5% estimados para todo este mês no mercado de DI (negócios por um dia entre bancos) são considerados absurdos, trabalha-se com o conceito de inflação ponta a ponta, ou seja, preços do dia 30 comparados com os do dia 1º.
Juro de 6,5% com inflação zero equivale a uma taxa real recorde de 6,5% ao mês, ou 112,9% ao ano.
Se a base for 5%, que é a taxa média de inflação estimada para o primeiro mês do real, calculada através da comparação de preços em reais com preços urvizados em junho, o juro real bruto seria de 1,43%, ou 18,6% ao ano.
Para a economia brasileira, taxa desse porte não pode ser considerada alta, ainda mais nesta fase delicada de transição.
Quadro de junho
Se o conceito de inflação ponta a ponta vale para a análise dos juros reais em julho, deve ser utilizado também para junho, quando a inflação em cruzeiros reais disparou às vésperas da virada da moeda.
Medida entre os dias 1º e 30 de junho, estimam técnicos da Fipe, a inflação em cruzeiros reais deve ter batido nos 55%.
Como as taxas do CDI fecharam aquele mês em 48,43%, segundo a Andima (Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto), o juro real efetivo teria sido negativo em 4,43%.
A média das taxas de inflação de junho em cruzeiros reais, com base em cinco dos principais índices, resultou em 47,64%. Nesta comparação, o juro teria sido positivo em apenas 0,54%, ou 6,68% ao ano, pouco mais do que é garantido por lei à poupança.
Os dois meses
Uma receita para se decifrar o enigma dos juros é olhar não apenas um mês, mas os dois da transição para o real.
Usando-se as taxas de inflação calculadas fora do critério ponta a ponta, chega-se a um juro real acumulado, nos dois meses, de 1,97%.
Isto equivale a 0,98% ao mês ou 12,42% ao ano, bem abaixo da taxa de juros reais ao ano praticada em leilões do Banco Central, para títulos pós-fixados de longo prazo.
Da mesma forma, se a base de cálculo dos juros reais for a inflação ponta a ponta, com 55% para junho e zero para julho, chega-se a juros de 1,99% para os dois meses.
Este é o resultado da comparação entre juros nominais de 58,08% em junho/julho (48,43% x 6,5%) e uma inflação acumulada de 55% –considerando-se zero para este mês.
Os juros reais nos dois meses de transição equivaleriam a 0,99% ao mês ou 12,52% ao ano –praticamente o limite imposto pelo Constituição, ainda não regulamentado pelo Congresso.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-057</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-057</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

FIDEO MIYA
Da Reportagem Local
Dos R$ 10,09 que o banco cobra em cada R$ 100 que empresta na linha de crédito ao consumidor, R$ 3,84 (38%) vão para o investidor que aplicou em CDB prefixado sob a forma de juro líquido, depois dos impostos.
Outros R$ 1,04 (10%) são o lucro líquido do banco. Mas a maior parcela, R$ 4,21 (42%) vai para os cofres do governo (ver tabela).
Trata-se da chamada "cunha fiscal", que diminui o rendimento líquido do investidor, mas engorda o "juro" final bancado pelo tomador de empréstimos bancários sem aumentar ainda mais o lucro do banco.
Ela é formada por uma parafernália de impostos –IR de 30% que é descontado na fonte da remuneração do investidor, IOF de 1% ao mês nas operações de crédito ao consumidor, PIS de 0,75% sobre a receita bruta dos bancos, cujos lucros são tributados em 30% a título de contribuição social.
Depois disso, o lucro líquido final das instituições financeiras é tributado com 25% de IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) e com um adicional de 15% sobre a parcela que exceder 300 mil Ufir ao ano.
Os cálculos foram feitos pela Folha a partir de informações fornecidas pela Acrefi (Associação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento), que reúne as financeiras que operam com crédito ao consumidor.
Foram consideradas as taxas que estavam sendo praticadas nos poucos negócios realizados na última quarta-feira –90% ao ano para aplicações em CDB e 9% efetivos ao mês nos financiamentos ao consumidor, ambos prefixados.
IPMF
Quanto aos impostos, se for somado o IPMF de 0,25% descontado duas vezes do investidor –a primeira na aplicação e a segunda no resgate do CDB– e do consumidor –quando este fizer o pagamento do empréstimo, a "cunha fiscal" aumenta para R$ 4,99 (49,5% do custo do financiamento).
O IPMF, IOF e PIS são apontados como os principais vilões do encarecimento do custo do crédito pelas instituições financeiras.
Elas consideram necessária a política de juros altos praticada pelo Banco Central na fase inicial do real, como forma de inibir o consumo e obrigar as empresas a baixarem seus preços com a desova dos estoques.
Mas as alíquotas atuais desses três impostos foram definidas num ambiente de inflação acima de 20% ao mês e tornaram-se até um fator de inibição para que a inflação em real permaneça baixa, já que os custos do crédito tendem a ser repassados aos preços, como argumenta o vice-presidente da Acrefi, Rogério Bonfiglioli.
Ele explica que, nos financiamentos de eletrodomésticos, por exemplo –que estão sendo realizados em operações pós-fixadas com prazos mínimos de quatro meses, a taxas entre 3,5% a 5,5% ao mês mais a TR– os custos são maiores do que nos financiamentos de veículos.
Isto porque as lojas vendem eletrodomésticos fora do horário bancário, exigindo que os financiamentos sejam feitos através de uma empresa prestadora de serviços e isso acaba gerando a incidência adicional do ISS, que é de 5% em São Paulo, e do Cofins, contribuiçao federal de 2% sobre o faturamento.
Na tabela abaixo, não foram incluídos os custos relativos ao risco de perdas por conta da inadimplência, que oscilam entre 2% e 3%.

</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-058</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-058</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

Policial que espancou King é despedido                                                             Theodore Briseno, um dos quatro policiais que participaram do espancamento do motorista negro Rodney King em maio de 92, foi despedido. Uma sindicância interna da polícia de Los Angeles concluiu que ele usou mais violência do que era necessário para prender King.

Polícia reprime homenagem a Kim                                                                             A polícia da Coréia do Sul prendeu ontem cerca de trinta estudantes no campus de universidade em Sunchon, no sudoeste do país. Eles se preparavam para homenagear o líder norte-coreano Kim Il-Sung, morto no dia 8. A Coréia do Sul proibiu homenagens ao ditador.

Ataque a Cabul deixa oito mortos                                                                           Oito pessoas morreram e 43 ficaram feridas em um ataque de tropas leais ao ex-primeiro-ministro Gulbuddin Hekmatyar à capital do Afeganistão, Cabul. Cerca de 150 bombas foram lançadas contra a cidade. Hekmatyar se opõe ao governo do presidente Burhanuddin Rabbani.

Egito condena quatro à morte                                                                                    Um tribunal militar do Egito condenou ontem quatro militantes islâmicos à morte. Segundo o governo, eles participaram de um atentado frustrado contra o ministro do Interior, Hassan al Alfi, no ano passado. Outros dez militantes foram condenados à prisão por participação no crime.

Soljenitsin fará discurso na Duma                                                                                O ex-dissidente soviético Alexander Soljenitsin aceitou convite da Câmara dos Deputados russa e fará um discurso em outubro no Parlamento. O escritor , ganhador do prêmio Nobel de Literatura, esteve preso e foi expulso do país em 1974 por criticar o regime soviético. Ele chegou aos EUA há cerca de sete semanas e faz uma viagem pelo interior da Rússia. Sua chegada a Moscou é esperada para os próximos dias.

Atentados matam 17 pessoas na Índia                                                                      Uma série de atentados no Estado de Caxemira, norte da Índia, matou 17 pessoas ontem. As ações foram atribuídas a grupos muçulmanos que querem a anexação da região ao Paquistão.

Diplomatas árabes somem na Argélia                                                                      Dois diplomatas de países árabes, Omã e Iêmen, desapareceram na Argélia. Segundo a agência oficial de notícias do país, o carro que os dois ocupavam foi encontrado queimado. Eles estão desaparecidos desde sexta-feira.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-059</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-059</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA
De Washington
O caso a favor da invasão do Haiti pelos EUA é um dos mais contraditórios da história recente da política externa americana.
Os liberais defendem a intervenção militar para restaurar o presidente deposto Jean-Bertrand Aristide, mas ele se opõe.
Os conservadores são contrários mas acham Aristide um socialista perigoso e ficariam mais tranquilos se ele nunca voltasse ao poder.
A bancada negra no Congresso dos EUA apóia a invasão mas se o governo Clinton optar por ela, sua única motivação real terá sido o desejo de pôr fim ao fluxo de quase 5.000 haitianos negros, miseráveis e ignorantes que a cada semana tentam entrar no país.
O Haiti é o país mais pobre do hemisfério ocidental e conta a maior incidência per capita de Aids no mundo, fora da África.
Os EUA não têm interesses econômicos ou militares estratégicos ali. Nada, exceto o idealismo de defender a democracia ou o pragmatismo de interromper a sangria de imigrantes indesejáveis, justificaria a invasão.
As dificuldades militares são mínimas. Apesar da petulância dos líderes militares haitianos, suas Forças Armadas se reduzem a 7.000 soldados com pobre treinamento e pouca munição.
A Força Aérea do Haiti é composta por dois aviões de treinamento que raramente têm condições técnicas de vôo. A Marinha dispõe de quatro barcos de patrulha. A infantaria pesada são seis carros blindados leves.
Não chega a ser uma oposição assustadora para a única superpotência do mundo. Mas na Somália, um país ainda mais pobre do que o Haiti e que nem governo central tinha quando foi invadido pelos EUA, as tropas americanas sofreram 43 mortes, tiveram 177 feridos e voltaram para casa após dois anos sem ter cumprido sua missão.
A humilhação na Somália influiu decisões militares norte-americanas no Haiti. Como em outubro do ano passado, quando 200 fuzileiros navais que se preparavam para desembarcar em Porto Príncipe retornaram a suas bases porque um bando de arruaceiros civis os esperavam no cais.
Os americanos faziam parte de forças internacionais que iriam dar garantia ao retorno de Aristide ao Haiti nos termos de acordo assinado pelos militares em julho de 1993 nas Nações Unidas.
Esse acordo, como outros, nunca foi cumprido pelos militares haitianos, que têm desafiado a comunidade internacional.
Desde setembro de 1991, quando Aristide foi deposto, o Haiti tem sido o alvo de sucessivos boicotes econômicos determinados pela Organização dos Estados Americanos e pela ONU.
O governo dos EUA tem se empenhado para que essas sanções funcionem. Em outubro de 1993, quando um boicote mundial de combustível foi ordenado pela ONU, a Casa Branca avaliou que o governo do Haiti não aguentaria seis meses. Já se passaram nove e os militares haitianos se mantêm.
A administração Clinton ainda não se decidiu pela invasão. Mas parece estar falando sério quando diz que ela é uma opção possível.
Pelo menos os planos para retirar os 5.000 americanos que vivem no Haiti estão prontos para ser executados a qualquer momento.
Em 1965, fuzileiros navais americanos fizeram operação similar na mesma ilha de Hispaniola, mas no lado oriental, na República Dominicana. Dias depois da saída dos civis, 25 mil soldados dos EUA invadiram o país.
Os líderes militares haitianos preferem acreditar em outra lição da história: a de maio de 1963, quando o governo Kennedy colocou dezenas de navios em frente à costa do Haiti e ameaçou tomar o país para acabar com a ditadura de François Duvalier mas, meses depois, esqueceu o assunto.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-060</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-060</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
De Washington
As atitudes do presidente Bill Clinton em relação ao Haiti são típicas de seu comportamento errático em política externa.
Em 24 de maio de 1992, quando o então presidente George Bush impôs a política de repatriar de maneira sumária todos os refugiados haitianos que tentassem chegar aos Estados Unidos por barco, o candidato Clinton protestou.
Disse que a decisão de Bush era "imoral e ilegal". Repetiu esses ataques durante toda a campanha.
Semanas antes de tomar posse, em janeiro de 1993, Clinton colaborou com o governo Bush para ampliar aquela disposição.
Um verdadeiro muro flutuante foi montado para impedir que levas de imigrantes ilegais chegassem do Haiti animados pelas promessas de campanha de Clinton, que recebeu elogios dos conservadores por sua decisão.
Criticado pelos liberais e pelos líderes negros que o ajudaram a se eleger, o agora presidente disse que sua resolução era provisória.
A decisão definitiva veio 17 meses depois. Em maio último, pressionado por seus aliados, Clinton resolveu, em vez de repatriar sumariamente os refugiados, conceder-lhes o direito de apresentar seus casos a agentes da imigração que decidiriam quais os haitianos que poderiam vir para os EUA.
Este mês, o presidente voltou a mudar de idéia: proibiu de novo a entrada de haitianos mas disse que eles seriam aceitos por países amigos na região do Caribe, a começar pelo Panamá.
Mas o governo panamenho, que só existe graças à invasão dos EUA que depôs Manuel Noriega em 1991, disse não a Clinton.
A hipótese de uma intervenção militar é aventada principalmente para deter a onda de refugiados. A polícia do Haiti sabe disso e tem usado de todos os meios para tentar coibir a partida de novos refugiados do país na tentativa de afastar ou pelo menos adiar uma intervenção americana.
Desde junho de 1993, Clinton tem apoiado as sanções econômicas que as Nações Unidas têm votado contra o Haiti.
Mas a ineficiência do boicote é evidente. Não há um bloqueio naval para o impor e, mesmo se houvesse, os EUA não têm sido capazes de forçar o governo da República Dominicana a cooperar com o boicote: combustíveis e bens continuam entrando no Haiti pela sua única fronteira por terra.
(CELS)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-061</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-061</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
De Arlington
Medicina da Ásia causa um conflito de culturas
LINDA KANAMINE
As lojas asiáticas nos Estados Unidos estão repletas de remédios que afirmam curar todo tipo de males: febre, dor nas juntas, náuseas, até mesmo impotência.
Mas, segundo um relatório recém-lançado, seus ingredientes podem provocar um conflito entre a cultura asiático-americana e as leis norte-americanas e internacionais de proteção a espécies em perigo de extinção.
Segundo o WWF (World Wildlife Fund, ou Fundo Mundial de Fauna e Flora Silvestres), muitos desses remédios são feitos de ossos, chifres e partes de animais e plantas em perigo de extinção.
"Não dá para deixar esse processo continuar", diz Andrea Gaski, da WWF. "Já não restam muitos tigres, rinocerontes e outras espécies, então devemos pôr fim a esse comércio."
O relatório especifica que a indústria "crescente e descontrolada" desses remédios, que movimenta US$ 10 bilhões, está acelerando a extinção de espécies como tigres, rinocerontes, ursos, almiscareiros e ginseng silvestre.
"A maioria não sabe que essas substâncias são ilegais. Isto mostra que os EUA precisam adotar medidas flexíveis", diz Daphne Kwok, diretora da Organização de Americanos de Origem Chinesa.
Ninguém sabe que proporção dos asiático-americanos utiliza esses remédios. Mas a crescente popularidade desses remédios entre os não-asiáticos ajuda o mercado a crescer, atingindo mais de US$ 200 milhões em vendas no país.
Alguns dos produtos utilizados há milhares de anos na Ásia são considerados ilegais porque violam leis americanas que proíbem os medicamentos não-aprovados.
"Temos a obrigação de restringir esses mercados", diz o secretário do Interior, Bruce Babbitt. Por isso, diz, ele pediu que o Serviço de Pesca e Fauna e Flora Silvestre entre em ação.
"Quero ação nas ruas, onde estão os boticários, explicando às pessoas que esses remédios deixaram de ser legais."
Os líderes das comunidades asiáticas também desaconselham a repressão.
"É claro que é deplorável colocar essas espécies em risco e que precisamos fazer alguma coisa", diz Peggy Saika, diretora da Rede Ambiental do Pacífico Asiático, em San Francisco.
"Mas é preciso realizar uma grande campanha educativa junto às pessoas que seguem essas práticas culturais há séculos".
Michael Lin, cientista biomédico e vice-presidente da Organização de Americanos de Origem Chinesa, diz: "Para as gerações mais velhas, de origem socioeconômica inferior, mais acostumadas aos remédios tradicionais, é muito importante que (os remédios) continuem existindo".
Os remédios são usados por populações asiáticas no mundo todo, mas suas raízes estão na China, onde a maioria ainda é produzida.
O relatório, que pesquisou comunidades em Los Angeles, Honolulu, San Francisco e Nova York, revelou que pelo menos 100 fabricantes produzem 600 remédios diferentes, dos quais mais de 430 contêm ingredientes tirados de espécies em perigo de extinção.
Além disso, cerca de 80 animais e plantas em perigo de extinção ou protegidos compõem os remédios asiáticos vendidos nos EUA.
"Muitos desses remédios funcionam", diz Andrea Gaski, do WWF. "Será que um bilhão de chineses estariam enganados?"

Tradução de Clara Allain
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-062</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-062</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
JUAN ARIAS
Do "El País", em Barcelona
Centenas de deputados italianos já passaram por seu divã. Os políticos que hoje estão sendo processados confessaram suas depressões, suas angústias, seu medo terrível de acabarem na cadeia e até mesmo seus desejos suicidas a Piero Rocchini, que durante nove anos (até 92) foi o psicanalista oficial do Parlamento italiano.
Enquanto trabalhou em silêncio, na sombra, foi respeitado, procurado e amado.
Foi só quando decidiu levar a público –evidentemente sem dar nomes aos bois– o drama psicológico dos representantes dos italianos no Parlamento que a ira do poder caiu sobre Rocchini. Foi demitido.
Ele então resolveu escrever suas experiências e analisar a crise política no livro "A Neurose do Poder". A obra foi elaborada com a ajuda do Centro de Estudos Psicossociais de Roma.
"Se eu abandonar a política, o que será de mim? Que mais eu poderia fazer?", lhe dizia um deputado, deitado em seu divã, de olhos fechados e tremendo como uma criança. E acrescentava: "E imagine o senhor, doutor, que bastava eu dizer uma palavra para ter todo mundo a meus pés, tremendo".
"Os deputados que viam o poder escapar de suas mãos vinham a mim como pássaros enlouquecidos que não sabiam nem onde estavam nem quem eram", conta Rocchini.
Ele tentou resolver suas síndromes de narcisismo ferido, de onipotência em queda, procurando devolver a eles a paz perdida e ajudando-os a colocar os pés no chão.
Assediado pelos jornalistas para que revelasse nomes e algum segredo de seus pacientes italianos, o psiquiatra, sempre sorrindo porém impassível, respondeu elegantemente: "De modo algum".
Rocchini disse em entrevista que a doença psíquica dos políticos italianos advém do fato de terem concebido os partidos políticos como uma grande "mamma" toda-poderosa, que pensa em tudo, dá tudo a seus "filhos", desde que estes façam apenas o que ela manda; uma "mamma" que infunde o medo neles, como se dissesse: "O que seria de você sem mim?"
Como prêmio pela fidelidade, disse Rocchini, o partido-mãe permitia ao político-filho fazer o que quisesse, "dando a ele a ilusão de ser onipotente e permitindo-lhe o luxo de olhar para os outros como se fosse superior a eles".
O resultado disso: "Um deputado que passou pela humilhação de ser preso me confessou numa sessão psicanalítica: 'Na cadeia eu abri os olhos e compreendi que havia esquecido como é a vida real das pessoas e que nós também precisamos respeitar suas leis' ".
Essa concepção de partido-mãe seria apenas fruto do clássico "mammismo" italiano? "Eu diria antes que é fruto dessa concepção de mãe mediterrânea (não apenas italiana) sempre choca, que oferece tudo desde que você não negue nada a ela".
Agora que Rocchini foi expulso do Parlamento, um número cada vez maior de políticos e ex-políticos bate em sua porta, para que ele cure seus fantasmas de bonecos quebrados.

Tradução de Clara Allain
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-063</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-063</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

Krasnaya Zvezda
O jornal do Ministério da Defesa russo critica a decisão do senado dos EUA de condicionar o envio de ajuda financeira à Rússia à saída das tropas que o país mantém na Estônia.

Corriere della Sera
O suplemento semanal do diário italiano publica entrevista em que o presidente de Cuba, Fidel Castro, classifica o governo Berlusconi de "simpático" e "interessante laboratório político".

Rádio Pyongyang
A emissora estatal da Coréia do Norte voltou a atacar a Coréia do Sul, afirmando que Seul provavelmente não dará andamento à iniciativa de um encontro de cúpula bilateral. Pyongyang cancelou a reunião, que já estava marcada, após a morte do presidente norte-coreano Kim Il-sung.

Libération
O jornal francês criticou a nomeação do primeiro-ministro de Luxemburgo, Jacques Santer, para a presidência da Comissão Européia. O diário parisiense sugere que ele não terá autoridade para controlar a burocracia da União Européia.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-064</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-064</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
REGINA CARDEAL
Da Redação
A firma Montazhzapchast, de Moscou, abriu uma nova era na economia da Rússia ao declarar-se irremediavelmente falida na semana passada.
O gesto voluntário da empresa tem a força de um símbolo: o de que as reformas russas estão caminhando.
Na forma atual, a falência é uma novidade integrada à legislação russa desde 1993.
Mas só na última quinta-feira, com a Montzhzapchast, os russos começaram a ver na prática o que acontece quando o Estado deixa de resgatar uma companhia quebrada.
A Montazhzapchast foi a primeira da série. No mesmo dia, duas outras indústrias foram declaradas oficialmente insolventes.
Nestes casos, a iniciativa partiu do governo. Foi o começo do teste de mais uma lei do mercado na Rússia.
A previsão é de que, até o final do ano, pelo menos 2.000 empresas entrem para a lista das concordatárias ou falidas.
O resultado esperado é um drástico salto no desemprego. A altura do salto pode determinar se a Rússia entra de vez na economia de mercado ou no caos social.
O desemprego real é desconhecido. A taxa de 6,5% está distorcida para baixo, como tantas outras estatísticas na Rússia.
A impressão que se tem, pelos dados oficiais, é que a toda a economia está à beira da falência.
Nos seis primeiros meses do ano, a produção industrial caiu 26%. Por brutal que pareça, a queda da produção pode ser um sinal positivo de desativação de uma indústria acostumada a produzir bens que os russos só compravam por falta de melhor opção.
Essa é a interpretação que economistas ocidentais, ouvidos pelo jornal norte-americano "The Wall Street Journal", dão ao formidável encolhimento oficial da economia desde o início da transição ao capitalismo.
Pelos parâmetros do governo de Moscou, o PIB (Produto Interno Bruto) caiu 50% do final de 1991 até agora.
O governo ainda monitora a economia centralizada e seus dados são desastrosos.
Nas ruas, contornando pesados impostos e a burocracia, floresce uma economia informal que, calcula um economista para o "Wall Street", se prepara para crescer 41% este ano.
Nas contas do economista, o PIB russo estava em US$ 174 bilhões ao final de 1993 e vai chegar este ano a US$ 246 bilhões.
Isso daria uma ainda sofrível renda per capita de US$ 1.660 –pouco mais alta que a paraguaia.
A economia russa deve se situar em algum ponto entre o catastrofismo oficial –por vezes um bom instrumento para convencer o Ocidente da urgência de ajuda financeira– e a euforia de economistas ocidentais, convencidos da eficácia das reformas.
Se o estado da economia é uma incógnita, a irreversibilidade das transformações parece certa. Como explicou Alexander Livshits, assessor econômico do presidente Boris Ieltsin:
"As reformas na Rússia são como uma bicicleta", disse. "Você pedala sem parar e finalmente chega a algum lugar, mesmo que tenha ido na direção errada. Parar significa cair."
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-065</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-065</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Pós-guerra acentuou domínio dos EUA
Dependência mundial no sistema ouro-dólar superou quadro fixado em Bretton Woods para a reconstrução
Da Redação
O sistema de Bretton Woods era um retrato do mundo ao fim da 2ª Guerra. Europa e Japão estavam devastados. Livres do conflito, temiam a expansão do comunismo e a única potência em condições de empurrar suas economias e barrar a URSS eram os EUA.
Após a conferência, o mundo dependia de ouro e dólares. Cerca de 60% das reservas de ouro estavam nos cofres do Tesouro dos EUA. Para obter dólares, os demais países dependiam ou de exportações ou de empréstimos.
A primeira condição não existia porque esses países estavam com suas economias destruídas.
A segunda condição foi amplamente suprida pelos EUA, mas não nos quadros do que havia sido estipulado em Bretton Woods.
Em julho de 1947, George Marshall, secretário do Tesouro dos EUA, lançou o amplo programa de reconstrução da Europa que levaria seu nome. Para terem a quem vender mercadorias, os países precisavam reerguer-se.
De 1949 a 1953, os EUA transferiram em empréstimos e subvenções US$ 33 bilhões. De 1949 a 1952, as instituições criadas em Bretton Woods enviaram à Europa apenas US$ 3 bilhões.
Um dos problemas do recém-criado sistema monetário internacional –na verdade, seu próprio princípio de funcionamento– começava a se tornar claro.
Em 1950, o balanço de pagamentos norte-americano –resultado de exportações e movimento de capitais, empréstimos e transferências– apresentou déficit.
Saíam dólares mais velozmente dos EUA para a Europa e Japão do que a rapidez de recuperação desses países permitia contabilizar como vendas norte-americanas e investimentos deles nos EUA. Para acelerar essa recuperação, os EUA toleravam também uma série de práticas comerciais restritivas.
A conclusão é que a recuperação do pós-guerra dependia dos déficits norte-americanos –em suma, da capacidade do governo dos EUA de imprimir dólares.
Pelas regras de Bretton Woods, isso tinha um limite –a capacidade das reservas em ouro dos EUA de garantirem aos bancos centrais de outros países a conversão, quando eles precisassem, de seus dólares em metal.
O alarme tocou no início dos anos 60. A reserva de ouro dos EUA era menor que o volume de dólares em circulação fora do país. Europa e Japão viviam booms de crescimento, se fechavam a mercadorias dos EUA e viravam concorrentes do antigo tutor.
Os EUA também arcavam com o grosso das despesas da "segurança do mundo livre". Participaram da guerra da Coréia, mantinham tropas nos principais pontos de conflitos potenciais e estavam prestes a se envolver na longa e desastrosa aventura do Vietnã.
Nas eleições presidenciais de 1960, com a chance de o democrata John Kennedy vencer o republicano Richard Nixon, os investidores internacionais ensaiaram uma corrida ao ouro, vendendo dólares.
Esboçava-se o caminho que levaria Nixon, 11 anos depois, a suspender a conversibilidade do dólar.
(José Roberto Campos)

LEIA MAIS
sobre Bretton Woods na pág. 3-3.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-066</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-066</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da Redação
Richard Nixon surpreendeu o mundo na noite de 15 de agosto de 1971. Pela TV, anunciou pacote de congelamento de preços e salários, restrição a importações e alívio fiscal, ao mesmo tempo em que rompia com os compromissos de Bretton Woods, ao suspender a conversibilidade do dólar em ouro.
Como era seu estilo, combinou apelos ao nacionalismo com suspeitas paranóicas de suposta conspiração contra o dólar. "Essa medida não conquistará amigos entre os traficantes de dinheiro."
Batizou seu pacote de "Nova Política Econômica" e qualificou-o de o mais importante conjunto de medidas econômicas desde 1933.
Era o sistema monetário do pós-Guerra que desmoronava e Paul Samuelson, prêmio Nobel de Economia, punha a questão em perspectiva. Para ele, empresas e investidores aproveitaram as taxas de juros mais altas na Europa do que nos EUA e passaram a "batata quente" –dólares– para os BCs europeus. Pelo acordo de Bretton Woods, eles deveriam comprá-los, mas não estavam mais dispostos.
Após a pancada de Nixon, o sistema monetário viveu de crise em crise. Em dezembro de 1971, um acordo entre os principais países desenvolvidos ampliou a faixa de flutuação cambial para 2,25%. O golpe derradeiro no acordo de Bretton Woods veio com uma nova desvalorização do dólar frente ao ouro em fevereiro de 1973.
A rápida expansão das potências desenvolvidas e seu reagrupamento em grandes e poderosos blocos econômicos tornou-se incompatível com o predomínio americano. A surpreendente e sofisticada expansão dos mercados financeiros, que movimentam grandes quantidades de dinheiro em segundos, reduziu o poder dos governos de intervir para assegurar o valor da moeda.
Com o fim das taxas de câmbio fixas passou a reinar a possibilidade de caos intermitentes nos mercados. Grandes bancos e investidores apostam contra várias moedas. A bola da vez é o dólar contra o iene –a moeda americana bate recordes de baixa. Um financista húngaro, George Soros, conseguiu desafiar os britânicos, investir contra a libra e ganhar.
(JRC)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-067</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-067</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA
De Washington
Menos de um mês depois do Dia D, em junho de 1944, a confiança do Reino Unido e dos EUA em sua vitória na Segunda Guerra Mundial era completa.
Tanto que eles não vacilaram em dar início, no dia 1º de julho, à conferência de Bretton Woods, convocada para ordenar a vida econômica e financeira do mundo após a derrota do eixo Alemanha-Itália-Japão.
O nome formal era Conferência Financeira e Monetária das Nações Unidas. Economistas representando 44 países, inclusive a URSS, se reuniram por 21 dias no até hoje luxuoso Mount Washington Hotel, em New Hampshire, Nova Inglaterra (costa leste dos EUA).
Eles conceberam, sob a liderança do britânico John Maynard Keynes, um sistema cambial atrelado ao dólar, que por sua vez se fixaria no ouro, visando dar estabilidade à economia mundial.
Resolveram também criar duas instituições: o Banco Mundial (sob o nome formal de Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, ou Bird) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Ao Bird, que começou a operar em junho de 1946, caberia financiar projetos para o desenvolvimento dos países-membros. Ao FMI, manter estável o sistema cambial pelo financiamento de dívidas de curto prazo nos pagamentos internacionais.
Apesar do domínio intelectual de Keynes sobre a conferência, ela representou uma completa vitória política dos EUA.
Keynes se opôs à idéia de que as sedes do Bird e do FMI ficassem em Washington. Ele as queria "a uma distância segura da política do Congresso e dos cochichos nacionalistas das embaixadas".
Sugeriu que as instituições se sediassem fora dos EUA ou, pelo menos, em Nova York. Mas as duas ficaram a menos de três quadras da Casa Branca.
Se o "consenso de Bretton Woods" foi uma criação norte-americana, ele acabaria destruído pelos EUA, em 1971, quando o presidente Richard Nixon, pressionado pela inflação decorrente da Guerra do Vietnã, desvinculou o valor do dólar do padrão-ouro.
A partir dali, todas as moedas passaram a flutuar no mercado internacional e, embora os países desenvolvidos por vezes intervenham no mercado em conjunto para resolver situações de crise, a estabilidade imaginada em Bretton Woods terminou para sempre.
O Bird e o FMI mantêm muito poder e prestígio no mundo. Mas suas funções agora são diferentes das estabelecidas há 50 anos.
Depois de ter ajudado a reconstruir a Europa (como o R da sua sigla exigia), o Banco passou a se dedicar quase que com exclusividade a financiar e aconselhar os países do Terceiro Mundo.
Nos últimos anos, depois de ter sofrido muitas acusações de priorizar o progresso material às custas da qualidade ambiental, o Bird tem dedicado atenção cada vez maior ao que se chama de "desenvolvimento sustentado".
Quanto ao FMI, depois de encerrada a fase de estabilidade cambial que ele deveria supervisionar, passou a prestar assistência (criticada por muitos) a países em dificuldades financeiras, primeiro na América Latina e agora na Europa oriental, para que eles possam estabilizar suas economias.
Se as principais concepções de Bretton Woods se desvaneceram com o tempo, um projeto dos seus participantes que na época parecia inalcançável se realizou com o fim da Guerra Fria.
Atualmente, 177 países –praticamente todos, inclusive os que há 50 anos optavam pelo modo de produção socialista– estão filiados ao Bird e ao FMI. O sistema econômico mundial finalmente se tornou mundial.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-068</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-068</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
JOSÉ ROBERTO CAMPOS
Editor de Economia
O sistema monetário mundial que emergiu do encontro de três semanas de mais de 700 delegados de 44 países, no Mount Washington Hotel, em Bretton Woods, no Estado de New Hampshire (EUA), sobreviveu enquanto durou a hegemonia política, militar e econômica absoluta dos Estados Unidos.
De grande vencedor da 2ª Guerra Mundial, capaz de impor seu poder e sua moeda sobre o ouro e torná-la a grande divisa dos negócios internacionais, os EUA, que dominaram a cena em Bretton Woods, foram os primeiros a demolir o acordo 27 anos depois.
No dia 15 de agosto de 1971, o presidente Richard Nixon, após reunir-se com seus assessores na residência de repouso de Camp David, anunciou que suspendera a conversibilidade do dólar em ouro –sobre a qual repousara a época de maior expansão e bem-estar da história do capitalismo.
Rondando as decisões de Camp David estavam inflação em alta, os estragos políticos e econômicos causados pela guerra no Vietnã, greves, a perda violenta de competitividade do parque industrial americano, um crônico déficit público e o primeiro déficit comercial do país desde 1893.
Terminara a era em que os EUA podiam ser "a vaca leiteira de todo o mundo".
Nova ordem
Presidida pelo mais influente economista do século 20, o britânico John Maynard Keynes, a conferência de Bretton Woods pretendia terminar com a "era da mendicância", segundo palavras do próprio Keynes –a sucessão desastrosa de guerras comerciais, protecionismo, desemprego, hiperinflações e miséria nas décadas de 20 e de 30.
Na platéia daquela que foi a maior reunião econômica mundial estavam os futuros ministros dos governos militares brasileiros Roberto Campos e Octavio Gouvêa de Bulhões, o economista Eugenio Gudin e o ministro da Fazenda de Getúlio Vargas, Artur de Souza Costa. O Brasil foi signatário do acordo do qual nasceram, em abril de 1946, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. A União Soviética também assinou o acordo, mas jamais o ratificou.
As estrelas de Bretton Woods foram Keynes, que combinava suas posições inovadoras com os interesses do falido império britânico, e um talentoso assessor do Tesouro americano, Harry Dexter White. Divergiram em pontos fundamentais e, no acordo final, prevaleceu a posição americana.
Do esboço de Keynes saíram várias idéias básicas. Primeiro, sepultar o ouro como garantia necessária do comércio internacional. A "relíquia bárbara", como chamava o padrão-ouro, havia sido parcialmente responsável pelas crises de inflação e desemprego que devastaram o continente europeu no período entreguerras.
O raciocínio era que ao só emitirem suas moedas em função da quantidade de ouro que possuíam em seus bancos centrais, países que se vissem diante de um déficit em sua balança comercial (a diferença entre exportações e importações) apenas poderiam corrigir seus desequilíbrios por meio de um freio nas importações.
Ao perder reservas, os governos encolhiam na mesma proporção a quantidade de moeda em circulação ou, o que foi muito frequente, desvalorizavam unilateralmente suas divisas. O sistema de correção de uma economia sob o padrão-ouro era tão automático quanto seus efeitos: recessão e desemprego.
A arquitetura de Keynes previa uma instituição internacional para regular o fluxo econômico mundial. Seria criado um fundo com moeda própria, composto por divisas dos países membros, para socorrer países que tivessem problemas em seus balanços de pagamentos, evitando as atitudes discricionárias do sistema anterior.
Seriam permitidos saques automáticos nas reservas do fundo (para Keynes) para países que apresentassem "desequilíbrios fundamentais" na sua balança de pagamentos. Mas, ao se submeterem à tutela de um organismo internacional, as nações integrantes do acordo se comprometiam a obter aprovação para mudar o valor de sua moeda. Na prática, a manter suas taxas de câmbio fixas.
Keynes idealizou um fundo com amplos recursos e amplos poderes. O que os americanos acabaram fazendo foi bem diferente. Destruíram a idéia de saques automáticos, concordaram com recursos muito modestos, criaram uma série de exigências para saques e empréstimos e deram ao diretor-executivo de seu próprio país direito de veto.
Em 22 de julho de 1944, as principais nações do mundo saíram de Bretton Woods com um sistema dólar-ouro. O dólar seria livremente aceito com o compromisso de ser trocado por uma paridade fixa com o ouro –US$ 35 por onça (28,349 gramas).
As taxas de troca das moedas nacionais pelo dólar deveriam ser praticamente fixas (a variação permitida foi de 1%, para cima ou para baixo). Os bancos centrais dos países se comprometiam a comprar dólares caso a paridade estabelecida fosse ameaçada. O dólar substituía o ouro e tornava-se a verdadeira moeda mundial.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-069</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-069</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
Da Reportagem Local
Dos mais de 700 delegados de 44 países presentes à conferência de Bretton Woods, apenas 7 estão vivos. Um deles é o brasileiro Roberto Campos, que em outubro será o orador da cerimônia comemorativa dos 50 anos do acordo.
Hoje com 77 anos, ele estará voltando pela primeira vez ao lugar que, em sua memória, é "um lindo cenário de montanhas". Boas recordações? Muitas. Mas, no fundo, uma grande tristeza.
"É triste quando penso nisso. Já morreu quase todo mundo, é melancólico, uma desgraça", queixa-se Campos.
Ele tinha 27 anos e, como funcionário da embaixada brasileira em Washington, era secretário da missão brasileira em Bretton Woods. Mas, como entendia de economia, acompanhava o chefe da delegação brasileira, Eugene Gudin, às principais reuniões.
Esteve assim com o astro da conferência, lorde Keynes –"um sujeito sutil, bom expositor, muito persuasivo", conta Campos. A delegação britânica era a mais forte em termos intelectuais, embora outros participantes tivessem dela uma opinião algo debochada.
Corria uma piada segundo a qual Keynes era inteligente demais para ser consistente; Dennis Robertson, outra estrela, era consistente demais para ser inteligente; e Lionel Robbins, o terceiro nome de prestígio, não era nem inteligente nem consistente.
No que se refere a Robbins a piada era injusta, diz Campos. Lembra que Robbins foi o patrocinador e durante muitos anos diretor da importante London Business School, até hoje um centro de excelência no estudo de economia.
Castidade
Incluindo os delegados e o pessoal de apoio, estavam no Grand Hotel de Bretton Woods pouco mais de 300 homens. Na época não havia mulheres diplomatas ou economistas. E os casados não podiam levar suas mulheres.
O pessoal dizia que essa era a principal estratégia do presidente da conferência, Henry Morgentaun. Campos lembra-se da piada contada nos corredores do hotel: "Esse judeu sabe que 300 homens juntos, depois de 20 dias sem mulher, vão assinar qualquer coisa".
Houve uma única exceção. Lorde Keynes foi autorizado a levar sua mulher, a dançarina Lídia Lokopova, "uma loirinha miudinha e saltitante", lembra-se Campos.
Foi uma curiosa exceção. Como comentavam os participantes da conferência, a exigência de castidade não foi descumprida. Keynes era conhecido homossexual.
Terceiro Mundo
Eugene Gudin era muito respeitado, relata Roberto Campos. O representante brasileiro ganhou o apoio de Keynes para a proposta de criação de uma organização internacional de comércio que cuidasse dos problemas dos países do Terceiro Mundo.
A conferência de Bretton Woods estava programada para criar duas organizações, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. O Fundo estaria encarregado de cuidar do balanço de pagamentos dos países e da taxa de câmbio. E o Banco Mundial cuidaria da reconstrução e do desenvolvimento no pós-Guerra.
Mas os países do Terceiro Mundo, todos então com economia de monocultura, tendo, cada um deles, um único produto importante de exportação, precisariam de uma organização específica. Essa instituição deveria tratar de preços desses produtos, quotas de exportação, garantias, subsídios etc.
Keynes concordou com a idéia. Mas, na reunião com Gudin, disse que seria impossível a façanha de criar três entidades internacionais numa única reunião. Se criar duas já estava difícil...
Assim, a organização de comércio para o Terceiro Mundo ficou para uma outra conferência, realizada em Havana em 1947. Roberto Campos também foi a essa conferência, que lhe traz outra tristeza. "Dessa, só restam dois sobreviventes", conta.
Além disso, aquele encontro só deu o resultado esperado por Gudin em dezembro de 1993, com a criação da Organização Mundial de Comércio. Da conferência de Havana saiu apenas o Gatt (Acordo Geral de Tarifas e Comércio), que interessava mais aos países desenvolvidos.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-070</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-070</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da Reportagem Local
Hoje deputado federal pelo PPR-RJ, Roberto Campos, 77 anos, tem uma longa carreira no serviço público. É um dos economistas mais respeitados do país, embora tenha chegado à economia por puro acaso.
Quando entrou para a carreira diplomática, Campos tinha formação humanista, estudioso de filosofia e teologia. Mas, ele conta: "Sempre me designavam para o setor de secos e molhados", designação depreciativa que se atribuía ao setor econômico.
Campos resolveu começar a estudar economia à noite. "Foi muita sorte", conta, "porque quando apareceu a diplomacia econômica eu era o único funcionário do Itamaraty habilitado".
Diplomata, embaixador, diretor do BNDES, teve seu ápice como ministro do Planejamento do governo Castello Branco (1964-67).
Em dobradinha com Octávio Gouvêa de Bulhões, comandou um programa de estabilização e uma profunda reforma no setor público brasileiro, ambos bem-sucedidos.
Conservador, voz isolada no período em que prevaleceu um pensamento econômico social-democrata, Campos sente-se reconfortado com a supremacia das idéias de redução do Estado, privatização e ortodoxia monetária. Mas não muito feliz. Acha que se perdeu tempo para se chegar lá.
Os críticos dizem que ele estava certo na hora errada.
(CAS)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-071</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-071</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Pesquisa de advogado mostra que homens traem mais que as mulheres
EUNICE NUNES
Especial para a Folha
Nos últimos dez anos aumentou 300% o número de separações e divórcios, segundo dados do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em uma pesquisa realizada em São Paulo desde o começo deste ano, envolvendo 5.000 casos, o advogado Ailton Trevisan constatou que 60% das separações litigiosas têm em sua origem o adultério.
Em 90% dos casos, o adúltero é o marido. "As mulheres cometem mais um adultério vingativo. Uma espécie de revide à atitude do marido", afirma Trevisan.
O baixo índice de adultérios femininos constatado na pesquisa, porém, não espelha fielmente a realidade. É que são poucos os homens que assumem terem sido vítimas da infidelidade da esposa.
"A maior parte dos maridos só admite o adultério da mulher quando está em jogo pensão alimentícia. Normalmente são indivíduos que pleiteiam pensão para eles, pois a mulher tem melhores condições financeiras", diz o advogado.
A Lei do Divórcio estabelece que "o cônjuge responsável pela separação judicial prestará ao outro, se dela necessitar, a pensão que o juiz fixar".
É por isso que nas separações litigiosas é importante fixar a culpa, da qual decorrem as sanções, como o pagamento de pensão e a perda da guarda dos filhos.
Já a partilha dos bens independe da culpa. Será sempre feita de acordo com o regime de bens estipulado no casamento (comunhão universal, parcial ou separação).
A culpa decorre da quebra de um dos quatro deveres matrimoniais estabelecidos no Código Civil: 1) fidelidade recíproca; 2) coabitação; 3) mútua assistência; 4) sustento, guarda e educação dos filhos.
Num processo de separação litigiosa não basta alegar o adultério. É necessário provar que houve relação sexual extraconjugal.
"Não é suficiente provar que houve beijos, abraços ou um namoro acalorado. No processo isso pode ser chamado de injúria grave ou conduta desonrosa, mas não de adultério", explica Álvaro Villaça de Azevedo, advogado especialista em direito de família.
A pesquisa realizada por Trevisan indica que quanto maior a duração do casamento e maior o patrimônio, maior é também o número de separações litigiosas. Basicamente a discussão envolve dois pontos: partilha dos bens e pensão.
Nos casos de adultério em que o marido dá bens para a amante, a lei confere à esposa o direito de reivindicar esses bens. Isso porque eles foram comprados durante o casamento e doados ou transferidos pelo marido à amante.
A mulher perde a pensão se casar de novo, passar a viver com outro ou se tiver relações, mesmo eventuais, com outra pessoa. Também deixa de receber a pensão a mulher que tiver "conduta desonrosa" (vida devassa ou más companhias).
Nos casos de alcoolismo, uso de drogas, prostituição, doença mental ou adultério por parte da mulher, ela perde a guarda dos filhos.
O abandono do lar, normalmente uma consequência do adultério, é também uma das principais alegações usadas nas separações litigiosas. Villaça de Azevedo lembra que o abandono material da família é crime e constituiu injúria econômica na separação judicial.
Em segundo lugar na pesquisa das causas que levam à separação litigiosa, Trevisan constatou, em iguais proporções, a ocorrência de alcoolismo, uso de drogas, homossexualismo e abuso sexual do pai contra o filho.
Em terceiro, estão as agressões físicas e a interferência familiar no casamento.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-072</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-072</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Na mesma base territorial só pode ser criada uma única entidade sindical
EDGARD AMORIM
A entidade sindical de qualquer nível, é pessoa jurídica de direito privado e sua regência legal é hoje idêntica à das associações civis, regidas pelo direito civil.
No Brasil, a constituição de uma entidade sindical está sujeita apenas a um limite constitucional: na mesma base territorial só pode ser criada uma única entidade sindical, representativa da mesma categoria profissional ou econômica, em qualquer grau, como dispõe o art. 8º, II, da Constituição Federal, que, também, no inciso IV, do mesmo artigo, autoriza o desconto de duas contribuições, do empregado, para a entidade sindical: a fixada pela sua assembléia geral, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, e a chamada contribuição sindical, que ainda sobrevive, prevista na CLT, e de natureza parafiscal.
Assim, os recursos da entidade sindical têm três destinações: 1) a contribuição acima referida (art. 8º, II, da Constituição), que se destina ao custeio do sistema confederativo; 2) a contribuição sindical, cujo destino está previsto no art. 592, da CLT e, 3) os demais recursos, provenientes de doações, de mensalidades, de contribuição (cujo desconto em folha pode ser feito quando não há oposição do empregado) geralmente prevista nos acordos coletivos, etc. etc. – esses recursos terão a destinação fixada nos estatutos ou nas assembléias gerais da entidade sindical, que têm, assim, sobre eles, livre disposição.
A sua utilização só fica sujeita ao exame dos associados da entidade sindical (naturalmente dentro da licitude do seu destino). O art. 8º, da Constituição de 1988, consagra assim, embora com a limitação apontada, o princípio da liberdade sindical, internacionalmente reconhecido, e objeto da Convenção nº 87, de 1948, da OIT (Organização Internacional do Trabalho), de que é signatário o Brasil.
Eis a trilogia que dá os contornos da liberdade sindical: 1) a liberdade de organização; 2) a liberdade de direção (compreendendo liberdade de gestão financeira); e 3) liberdade de atuação.
Os recursos de livre disposição das entidades sindicais, acima caracterizados, podem ser utilizados, como os de qualquer pessoa jurídica de direito privado, para doações ou contribuições para gastos eleitorais, obedecidas as regras da Lei nº 8.713, de 30.09.93, especialmente as de seus art. 33 a 45.
É constitucional a vedação do inciso IV, do art. 45, que proíbe o recebimento de dinheiro, ou estimável em dinheiro, de entidade de direito privado que receba, na condição de beneficiária, recursos provenientes de contribuição compulsória em virtude de disposição legal. Aqui se enquadra a chamada contribuição sindical, antes referida.
Inconstitucional é, entretanto, o dispositivo do inciso IV, do mesmo artigo, que contém uma vedação geral ao recebimento, em espécie ou não, de doações de entidade sindical ou de classe, destinadas a gastos com companhas eleitorais.
No que se refere aos recursos de livre disposição das entidades sindicais, tal inciso é inconstitucional, por contrariar o citado princípio da liberdade sindical (art. 8º, CF) e o da isonomia, segundo o qual pessoas iguais (pessoas jurídicas de direito privado) serão tratadas igualmente.
Resquício do estadonovismo, que atrelava os sindicatos ao Estado, e que, vigorou, mesmo no regime constitucional de 46, até a Constituição de 88.

EDGARD AMORIM, 63, advogado, é professor aposentado da Faculdade de Direito UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Foi deputado federal pelo MDB/PMDB de Minas Gerais (1979-83).
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-073</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-073</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Em junho de 1970, o presidente Emílio Garrastazu Médici (foto) aprova a construção da rodovia Transamazônica, com mais de 5.000 quilômetros de extensão, entre as cidade de Estreito, no norte de Goiás, e Humaitá, no sul do Amazonas. Desde o anúncio de sua construção, feito solenemente por Médici em cadeia nacional de televisão, a rodovia transformou-se em símbolo e meta-síntese de seu governo.
                                                                                                                             Morre o ex-presidente da França Charles De Gaulle
Após reinar como monarca presidencial de 58 a 69, o ex-presidente francês Charles                            De Gaulle morre em 9 de novembro de 70.                                                                                                                                                                                                                     Tratado proíbe posse de armas nucleares                                                             Entra em vigor o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares que, entre outros itens, proíbe a posse de armas atômicas pelos países militarmente não-nucleares, mas permite que estes se utilizem da energia nuclear para fins pacíficos. Assinado por 99 países em 1968, o tratado acaba ratificadfo por apenas 43, dentre os quais EUA e União Soviética. O Brasil não assina, declarando razões de soberania nacional.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-074</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-074</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Há mulheres qualificadíssimaspara ocuparem qualquercargo que exija probidadee saber jurídico
WALTER CENEVIVA
Da Equipe de Articulistas
O milagre da tecnologia me sugeriu o tema: faltam mulheres no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça. Assisti, recentemente, via satélite, a palestra que a ministra Sandra Day O'Connor, da Suprema Corte dos Estados Unidos, proferiu na solenidade de posse da nova presidente da Associação dos Advogados do Distrito de Columbia, em Washington.
A ministra O'Connor historiou a longa série de restrições impostas às mulheres, criando dificuldades para seu acesso às profissões legais. Tudo serviu de desculpa para as afastar, desde a invocação de seus deveres de esposa e mães, até o farisaismo da "injustiça" de submeter essas frágeis criaturas às indignidades colhidas na Justiça Criminal ou às mesquinhas disputas por interesses econômicos na Justiça Civil.
Há duas ministras na Suprema Corte dos Estados Unidos. Não há mulheres no Supremo Tribunal do Brasil. Nem no Superior Tribunal de Justiça. No Tribunal de Justiça do Distrito Federal há uma única desembargadora (a professora Fátima Nancy Andrighi) entre dezenas de homens. No Tribunal de Justiça de São Paulo não há uma só desembargadora. Nos tribunais de Alçada há apenas uma juíza, neste Estado, a Dra. Luzia Galvão Lopes da Silva.
Considerando que mais da metade do corpo discente das faculdades de direito é composto por mulheres, considerando que o número de advogadas e procuradoras públicas já se conta aos milhares, está na hora de quebrar essa hegemonia masculina, até para respeitar o princípio da igualdade entre homens e mulheres, previsto na Constituição.
Recentemente falou-se muito no nome da juíza fluminense Denise Frossard, que o presidente Itamar Franco quereria nomear para o Supremo Tribunal Federal. Não conheço a juíza Frossard. Não tenho dúvida em dizer que ela satisfaz um dos requisitos constitucionais (a probidade). Uma sentença criminal, contra veteranos bicheiros, lhe deu fama. Mas como evidente, essa credencial isolada é insuficiente para chegar ao Supremo Tribunal. O presidente da República se arriscaria a ver sua indicação recusada pelo Senado, o que seria um trauma a mais no traumático Brasil de hoje.
Há mulheres qualificadíssimas para ocuparem qualquer cargo que exija probidade e saber jurídico, em característicos assentados e reconhecidos ao longo de carreiras vividas dentro e fora da magistratura.
Posso referir três exemplos de pessoas que conheço. Para uma amostra de amplo espectro colho nomes na Justiça dos Estados e do Distrito Federal, na Justiça Federal e fora da magistratura. No primeiro caso está a professora Fátima Nancy Andrighi, da diretoria da Escola Nacional da Magistratura. No segundo, recordo a professora Lucia Valle Figueiredo Colarille, com longa obra doutrinária em direito administrativo e estudos fundamentais em matéria de licitação, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Fora da magistratura lembro a professora Ada Pellegrini Grinover, procuradora no Estado de São Paulo, titular da Faculdade de Direito da USP, e processualista conhecida.
Outros nomes seriam lembráveis, mas basta esses como ponto de referência. Fátima, Lucia e Ada, ao lado de muitos outros juristas, são credenciadas para ingressar nos tribunais superiores deste país. Está na hora de ver quebrada a dominação masculina. Nesse caso, o exemplo americano pode ser útil.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-075</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-075</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
ALESSANDRA BLANCO
Da Reportagem Local
Quem usa sempre a mesma roupa em dias de jogo para dar sorte à seleção brasileira tem razões de sobra para acreditar na conquista do tetra pelo Brasil hoje à tarde.                            Além de enfrentar o mesmo adversário de 24 anos atrás (a Itália), muitas outras coincidências ligam o Brasil de 94 ao vitorioso no futebol de 70.                                
Paulo Maluf, por exemplo,  era prefeito de São Paulo em 1970 e ocupa o mesmo cargo agora. Ele acredita que as coincidências são um bom sinal.
Em 70, Maluf disse ter sido o "prefeito pé quente" e pretende repetir o feito este ano. Só que desta vez sem fusquinhas –que também voltaram à moda após 24 anos– como prêmio.
Maluf nomeou uma comissão para estudar como homenagear os jogadores em caso de vitória, mas não pensa em presentes. Em 70 ele deu um Fusca para cada jogador tricampeão e foi obrigado pela Justiça a devolver o dinheiro pago pelos carros aos cofres públicos.
Quem vê televisão percebe outras coincidências. Ouve diariamente um boa-noite de Cid Moreira no "Jornal Nacional", como há 24 anos. Também pode ver Hebe Camargo, Silvio Santos e humoristas numa "praça da alegria".                                 Hebe diz que quando assiste aos jogos da Copa hoje parece ver um videoteipe de 1970.                                                                                                                "Naquela época, eu fazia o programa ao vivo em um teatro na rua Augusta (região central de São Paulo) e chamava os torcedores que comemoravam os gols na rua para participar do program. As mães dos jogadores também iam dar seu depoimento", disse.                                                                                                  O diretor teatral José Celso Martinez Correa é outra das coincidências vitoriosas. Ganhou prêmio de melhor diretor em 70 e novamente em 1994 (veja quadro ao lado). Mas ele afirma que não torceu em 1970 e que , neste ano, vai torcer pelo futebol, não pelos brasileiros. "Em 1970, tinha muita gente presa, tortura, não conseguíamos torcer", disse. Agora, Zé Celso diz que torce pelo futebol por sua beleza como algo internacional, olímpico, não por patriotismo. Para Zé Celso, as coincidências, no que diz respeito à cultura, não significam que o país parou.                                    Para o diretor, a repressão, a ditadura e depois a publicidade, calaram os artistas na década de 80,  mas o teatro, a música e o cinema devem deixar de ser apenas lazer para serem novamente politizados.                                                                               Moda , economia e música também aproximam as Copas de 70 e 94.
Minissaias com botas, calças boca de sino, sapatos tipo plataforma e cabelo comprido para homem recuperam a moda de 1970.
Naquele ano, também as empresas sofriam uma "liberdade vigiada" para controle da inflação. O Cruzeiro Novo se transformou em Cruzeiro e novas moedas entraram no mercado. As moedas tinham valor de compra e havia sentido em usar porta-níqueis, como agora após o Plano Real.
Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tim Maia, Jorge Benjor –que assinava Jorge Ben– e Roberto Carlos, sucesso em 70, têm hoje um público que varia dos cinco aos 50 anos.
A Tropicália foi "relançada" com shows e um novo disco. Jorge Benjor chegou a reunir cem mil pessoas em São Paulo e Roberto Carlos está sendo regravado por Maria Bethânia e grupos de rock como o Barão Vermelho.
O historiador José Miguel Wisnick diz que não pensa em termos de não-mudança. "Acho ótimo o Brasil ser campeão com Caetano, Gil e Zé Celso ainda fazendo sucesso. Tudo isso representa as melhores coisas do Brasil", disse.                          
E, como o futebol é uma "caixinha de surpresas", vale acreditar também nas suas coincidências. Nos dois campeonatos (70 e 94), a seleção brasileira saiu desacreditada do país, sob o comando da mesma comissão técnica.                                                     O técnico Carlos Alberto Parreira era preparador físico. Mario Jorge Lobo Zagalo, supervisor técnico em 94, era técnico em 70 e Lídio Toledo continua a ser o médico dos jogadores.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-076</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-076</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Para dar sorte, os Abdallah se reúnem hoje para comer quibe e esfihas, como fizeram naquele domingo de 70
Da Reportagem Local
Torcer e comemorar juntos a vitória do Brasil na Copa do Mundo é ponto de honra e sorte para a família Abdallah.
Pai, mãe, filhos e noras torceram juntos em 1970 e deu certo. A comemoração incluiu um passeio de Kombi com muitas bandeiras pelo bairro do Ipiranga (zona sul).
"Na época, o bairro era mais aberto, não tinha tanta casa, os vizinhos eram mais chegados e todos saíram para a rua comemorar", disse Flávio Abdallah, 52.
Neste domingo, até o cardápio do almoço é o mesmo de 1970: quibe e esfiha. O que muda é a inclusão da lasanha. "Vamos comer os italianos", dissse Marta Abdallah, 22.                         A família mora na mesma casa desde 1965, mas a geladeira é da época da Copa de 1958.                                                                                                                            Joana Abdallah, 77, lembra que em 58, estava na igreja no horário do último jogo da Copa e, durante a pregação o pastor acabou gritando "gol" para o Brasil.                   De 1970, lembra da enorme quantidade de balões no céu e dos estostouros dos fogos.                                                                                                                        Este ano, os irmãos Flávio, Valdir, 53, Alberto Abdallah Junior, 46, e o sobrinho Alberto Abdallah Neto, 27, o "Papi", filho de Valdir, resolveram realizar um plano que vinha sendo discutido desde 1990: ir ver os jogos nos Estados Unidos.
Eles chegaram em São Francisco no dia 18 de junho junto com um grupo de 19 amigos, assistiram os três primeiros jogos da seleção e voltaram ao Brasil.
"Voltamos para comemorar com a família. Torcer junto é o mais importante. Além disso, meu pai tem 79 anos e comemorar com ele é uma alegria", disse Flávio.
Segundo Valdir, os brasileiros "tomaram conta" dos EUA. "Eles tomam cerveja na rua, dançam, fazem carnaval e dominam o campo", disse.
As ofensas ao técnico Parreira também foram unanimidade no empate entre Brasil e Suécia.
"Nós já fomos para lá na certeza de sermos campeões. Não era para o Brasil empatar com a Suécia se tinha time para ganhar", disse Flávio.
A família ainda não sabe como vai comemorar o "tetra". A geração mais nova - Flavia,21, Marta, 22, Regis Abdallah, 19, e Alberto Hiar, 29 - devem "ir para a Paulista".
Hiar disse que nunca pôde comemorar uma Copa. "Em 1970, eu era muito pequeno e ficava feliz porque via que as pessoas estavam felizes, mas não sabia direito o que estava acontecendo. Agora, desta vez vou comemorar."
Já os "veteranos" devem apenas gritar dentro de casa ou, no máximo, junto com os vizinhos.
(Alessandra Blanco)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-077</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-077</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Em junho de 1970, o presidente Emílio Garrastazu Médici (foto) aprova a construção da rodovia Transamazônica, com mais de 5.000 quilômetros de extensão, entre as cidade de Estreito, no norte de Goiás, e Humaitá, no sul do Amazonas. Desde o anúncio de sua construção, feito solenemente por Médici em cadeia nacional de televisão, a rodovia transformou-se em símbolo e meta-síntese de seu governo.

Morre o ex-presidente da França Charles De Gaulle
Após reinar como monarca presidencial de 58 a 69, o ex-presidente francês Charles De Gaulle morre em 9 de novembro de 70.

Tratado proíbe posse de armas nucleares
Entra em vigor o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares que, entre outros itens, proíbe a posse de armas atômicas pelos países militarmente não-nucleares, mas permite que estes se utilizem da energia nuclear para fins pacíficos. Assinado por 99 países em 1968, o tratado acaba ratificado por apenas 43, dentre os quais EUA e União Soviética. O Brasil não assina, declarando razões de soberania nacional.

Sequestradores trocam diplomatas por presos
Diplomatas estrangeiros são sequestrados para posterior negociação da liberdade de presos políticos. Em São Paulo, o sequestro do cônsul japonês Nobuo Okuchi permite a libertação de cinco presos. No Rio, mais de cem pessoas são soltas com os sequestros do embaixador da República Federal da Alemanha, Ehrenfried Von Holleben, e do embaixador da Suíça, Giovanni Bucher.

Cônsul brasileiro sofre sequestro no Uruguai
O cônsul brasileiro no Uruguai, Aluísio Dias Gomide (foto), foi sequestrado em julho de 1970 pelos "Tupamaros" e libertado somente em fevereiro de 1971. Seu companheiro de cativeiro, o americano Dan Mitrione, seria morto pelos sequestradores, sob a acusação de instruir as polícias uruguaia e brasileira na tortura aos presos políticos. O episódio virou tema de "Estado de Sítio", filme de Costa Gravas.

Loteria Esportiva é lançada no Rio de Janeiro
Em 19 de abril de 1970 era lançada a Loteria Esportiva. No início, o jogo foi implantado somente no Rio de Janeiro. No oitavo teste, cerca de um quarto da população carioca apostou na loteria.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-078</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-078</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Vera Fischer (foto) é eleita miss Brasil em 1969. Após o concurso, Vera tornou-se atriz de cinema e posteriormente de televisão.

Rio tem 1ª tentativa de sequestro de avião
Em 2 de julho de 1970 ocorre o primeiro sequestro de avião frustrado do país, no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Quatro sequestradores interceptaram o vôo Rio-São Paulo-Bueno Aires, da Cruzeiro do Sul, tentando seguir para Cuba. O comandante Harro Cyranca decolou e, enganando os sequestradores, voltou para o Rio.

Dom Paulo Evaristo Arns assume arquidiocese
Dom Paulo Evaristo Arns assume a Arquidiocese Metropolitana de São Paulo, em 2 de novembro de 70.

Chile tenta implantação do socialismo
Nas eleições presidenciais do Chile, em 4 de setembro de 70, vence Salvador Allende, candidato da Unidade Popular. Iniciava no país a tentativa de implantação de uma sociedade socialista, com a nacionalização das principais indústrias de base e estatização dos bancos.

Janis Joplin morre por excesso de drogas
Em menos de um mês, morreram as estrelas de rock Jimi Hendrix e Janis Joplin, ambos com 27 anos. Joplin foi vítima de uma overdose de drogas em 4 de outubro de 70.

Emerson Fittipaldi faz sua estréia na Fórmula 1
Emerson Fittipaldi, ex-piloto de Fórmula 1, estreou na modalidade em 1970, pela qual viria a ser bicampeão. Atualmente, o piloto participa dos campeonatos de Fórmula Indy.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-079</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-079</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Um rato de olhos azuis, orelhas grandes e expressão terna, transformou-se em um grande campeão de audiência, com picos que alcançavam 60 pontos. Ao lado de Agildo Ribeiro e Regina Duarte, Topo Gigio encantava crianças, adolescentes e adultos. Reinou até 70. Nos anos 80, tentou voltar politizado. Não deu certo e sumiu.

Beto Rockfeller muda telenovela
Em um dos últimos momentos gloriosos da TV Tupi, no ano de 69, Beto Rockfeller rompe com a linguagem predominante das telenovelas. Em vez de dramalhão estilo mexicano, um ritmo mais ágil e versátil. O "bicão" Beto Rockfeller é interpretado por Luiz Gustavo, ao lado de Lima Duarte e Bete Mendes.

Escritor japonês comete o haraquiri
Em 26 de novembro, o escritor japonês Yukio Mishima, um dos mais destacados de sua geração e militante da extrema-direita japonesa, pratica o haraquiri (ritual japonês de suicídio) diante das tropas militares em Tóquio.

Rita Lee diz que a política está errada
Após romper com os Mutantes e ter trabalhado como manequim da Rhodia, Rita Lee resolve permanecer fiel ao rock. Acusada de ser alienada responde: "O poder está nas mãos de pessoas velhas (...). A política está toda errada".
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-080</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-080</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
MOACYR SCLIAR
Houve um momento –o avião a mais de 8.000 metros de altura, a temperatura abaixo de 40 negativos– em que ele, o corpo congelado e a mente entorpecida, teve uma visão:
Acima de sua cabeça, no estreito compartimento do trem de pouso do Boeing, uma portinhola se abriu. Surpresa: não tinha notado tal portinhola antes. Surpresa ainda maior: uma voz de mulher, uma voz meiga e suave se dirigiu a ele:
– Mas o que é que o senhor está fazendo aí fora? Seu lugar é aqui dentro, você não sabia?
Ele segurou a mão que se estendia em sua direção e, com algum esforço, içou-se para dentro do avião. Várias pessoas ali, senhoras e cavalheiros elegantemente vestidos, todos a olhá-lo, sorrindo.
– Benvindo ao vôo 927, disse a simpática aeromoça.
– O comandante e a tripulação sentem-se honrados em ter o senhor a bordo.
Confuso, mas encantado, ele perguntou se podia sentar: estava muito cansado.
– Pode sim, respondeu a moça.
– Mas não aqui. Temos uma poltrona reservada para o senhor na primeira classe. Acompanhe-me, por favor.
Ele seguiu-a e foi instalado na confortável poltrona, a aeromoça recomendando-lhe que apertasse o cinto, por causa de possíveis turbulências. Outra aeromoça perguntou se aceitava uma taça de champanhe e canapés. Ele não sabia o que era champanhe e nem canapés, mas, como era bem educado, aceitou, e era realmente uma delícia, aquilo. De repente, surgiu-lhe uma dúvida inquietante: e se tivesse de pagar por aquele conforto todo? Tudo que possuía na vida era um radinho, que não pagaria nem um canapé. Resolveu, portanto, perguntar à aeromoça quanto devia. Ela sorriu:
– Nada. O senhor não deve nada. O senhor é nosso hóspede nesta viagem.
O que era ótimo. Mas havia ainda uma outra dúvida: para onde estava indo aquele avião? Onde pousariam? De novo, a aeromoça sorriu:
– Este avião não vai para lugar nenhum. Ele fica voando, voando, enquanto os passageiros tomam champanhe, comem canapé e se divertem. É a viagem sem fim, nunca ouviu falar disto?
Não, ele nunca tinha ouvido falar. Mas lhe servia, claro que lhe servia: uma viagem sem fim, com champanhe, canapés e muito divertimento? Não queria outra coisa. Melhor que aquilo, só o céu. Ao qual ele nunca chegaria: neste momento, o avião já pousava.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-081</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-081</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
FERNANDA LAMEGO
Da Reportagem Local
Os alienados da Copa destestam futebol e fazem tudo para esquecer que o evento existe. Aproveitam o horário das partidas para ir ao cinema, alugar um vídeo, namorar, e até fazer as unhas.
Enquanto uma multidão suava frio em frente ao telão da avenida Paulista durante o jogo Brasil X Suécia, o estudante Carlos Alberto Ishini, 17, andava de skate e nem sabia quem estava jogando: "Odeio futebol".
Toda noite ele anda de skate na Paulista, mas não dá a mínima para futebol. "É idiota ver 22 caras atrás de uma bola. Tô fora."
Ishini não é o único.
Na entrada do cine Paulistano Nancy Jacqueline Octaviane, 22, estava inconsolável quando chegou para ver o desenho animado "O Rei Leão" e encontrou as portas fechadas.
"Eu passei no Belas Artes, no Cinearte, no Top Cine, em todos que eu vi pela frente. Fui barrada por falta de público".
Durante o jogo contra Camarões os estudantes Fábio Aparecido Ferreira, 19, e Patrícia Leite, 18, ficaram conversando num banco do shopping Paulista, longe da multidão que se espremia nas lojas que tinham televisão.
Fábio explicou que não tinha paciência de ficar 90 minutos vendo "um monte de gente correndo atrás de uma bola".
Patrícia, que também é bancária, concorda e explica como escapou do primeiro jogo contra a Rússia: "Tinha TV no banco, mas eu continuei trabalhando".
Não gostar de futebol não é o único motivo dos alienados da Copa. Há quem fique nervoso.
No primeiro tempo da partida contra a Suécia, a aposentada Egle Diniz, 70, tomava um pouco de ar na esquina da alameda Joaquim Eugênio de Lima com avenida Paulista. "Me emociono muito. Durante os jogos eu tenho que dar umas saídas, andar um pouco."
No Cine 1 do shopping Paulista passava "Na Roda da Fortuna" bem na hora do jogo contra Camarões. O cinema tem capacidade para 265 pessoas, mas apenas seis compareceram à sessão de 17h20.
Entre elas, a compositora, regente e oficial de Justiça Mônica Regina Augusto, 30, solteira.
Mônica Regina diz que passa mal nos jogos da Copa do Mundo: "Fico nervosa, tensa, tenho vontade de ir lá e bater no Parreira."
Mas Mônica encontrou uma vantagem na Copa. "Foi uma delícia ir ao cinema na hora do jogo. Só havia duas pessoas. Até o projecionista avisou que ia embora assim que ligasse o filme".
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-082</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-082</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da Reportagem Local
No momento em que o Romário marcava seu primeiro gol contra Camarões, Ezequiel Rodrigues, 37, fazia as unhas no salão de beleza RX3, da galeria Cine Paulistano. "Nunca soube jogar e não gosto de ver. O Real me preocupa mais".
Sua mulher, a cabeleireira Akiko Maura Hayashi, 34, não sabe responder qual país está sediando a Copa-94: "Agora você me pegou. Essa Copa é onde?"
No mesmo salão de beleza o barbeiro Luís Mendes, 35, corta tranquilamente os cabelos do alfaiate Hildo Pereira da Silva, 37.
Hildo acha que todo mundo deveria estar fazendo o seu trabalho."Ele tem que cortar o meu cabelo e eu vou depois fazer minhas roupas", disse o alfaiate, casado e pai de três filhos. "Além disso, não gosto de multidões idolatrando ídolos", completa. 
O barbeiro concorda: "No jogo Brasil X Rússia eu fiquei na porta do salão esperando, mas não chegou nenhum freguês. Mesmo assim eu não vi o jogo."
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-083</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-083</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

PRINCIPAIS CAUSAS DE SEPARAÇÕES LITIGIOSAS
1º Adultério e abandono do lar – 60% dos casamentos chegam ao fim porque uma das partes (90% o marido) comete adultério. O abandono do lar costuma ser uma consequência do adultério e é uma das principais alegações do pedido judicial de pensão alimentícia.

2º Alcoolismo, uso de drogas, homossexualismo e abuso sexual ( do pai contra o filho) – 25% das separações têm em sua raiz um destes problemas.

3º Agressão física e ingerência de familiares no dia-a-dia do casamento – com 15%, estes motivos ocupam o terceiro lugar do"ranking".

Fonte: Ailton Trevisan, advogado especialista em direito de família
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-084</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-084</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Especial para a Folha
Tramita no Senado um projeto de lei que regulamenta o concubinato. A proposta foi elaborada pelo Centro Feminista de Estudos e Assessoria em conjunto com o professor Álvaro Villaça de Azevedo, diretor eleito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (ele toma posse no dia 20). 
A atual Constituição reconhece e confere a proteção do Estado à "união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar". Na anterior, só a família constituída mediante casamento recebia a proteção do Estado.
Mas os direitos dos concubinos continuaram sob os preceitos estabelecidos pela antiga Constituição.
Assim, em caso de separação, só podem ser divididos os bens adquiridos pelo esforço comum –este entendido como a contribuição econômica dos dois, a ser provada no processo de partilha.
Segundo o professor, o Superior Tribunal de Justiça, em duas ocasiões, garantiu o direito à partilha sem necessidade da prova de colaboração econômica.
Este direito é assegurado no artigo 5º projeto de lei nº 1.888/91 que está no Senado.
O projeto estabelece também que os concubinos podem fazer contrato particular definindo os direitos e deveres de cada um.
Também está prevista no projeto a assistência material ao concubino que tiver necessidade.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-085</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-085</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Especial para a Folha
A legislação criminal diz que é crime cometer adultério. A pena é de detenção de 15 dias a seis meses. Mas, na prática, o crime de adultério está em fase de extinção e deverá ser banido na revisão do Código Penal.
Luiz Flávio Gomes é juiz criminal em São Paulo há 12 anos. Nunca lhe passou pelas mãos um processo por adultério.
A comissão do Ministério da Justiça que estuda a reforma do Código Penal tem como certa a extinção do crime de adultério. Com isso, o adultério terá apenas consequências civis, tais como pedido de separação, guarda dos filhos e pensão alimentícia.
A tendência de descriminalizar o adultério é mundial. Nas duas últimas décadas os países europeus aboliram o crime de adultério de seus códigos penais. Agora, o adultério só existe na esfera civil.
"O crime de adultério representa uma proteção à monogamia. O direito penal tem que proteger os valores básicos e relevantes para a convivência em sociedade. Não deve, portanto, proteger a monogamia", afirma o juiz.
Álvaro Villaça de Azevedo lembra que o maior problema do adultério é a prova.
"É difícil provar que houve o adultério, porque ele só se configura quando há relação sexual. É preciso pegar o adúltero em flagrante, o que é quase impossível".
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-086</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-086</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Depois da final de 70, as duas seleções voltam a duelar hoje, nos Estados Unidos, pela hegemonia do futebol mundial
MATINAS SUZUKI JR.
Enviado especial a Pasadena
Mais de 90 mil pessoas no estádio Rose Bowl, Pasadena, Califórnia, e 2 bilhões de telespectadores na terra verão hoje, pela primeira vez na história, uma seleção sagrar-se quatro vezes campeã mundial de futebol.
Há 25 anos, nesta mesma época, quando um homem pisou (outra aventura com os pés) pela primeira vez na lua, ele teve o testemunho de uma comunidade internacional de 490 milhões de telespectadores.
Às 15h15 do Brasil, começa a festa de encerramento da 15ª Copa do Mundo, a maior de todas e a última a ser disputada com 24 seleções. Às 16h30, o húngaro Sandor Puhl apita o início da histórica decisão entre os tricampeões Brasil (58, 62 e 70) e Itália (34, 38 e 82).
Brasil e Itália se enfrentaram quatro vezes em Copas, com duas vitórias para cada lado. As duas já perderam uma decisão (Brasil, 50, Uruguai; Itália, 70, Brasil). O Brasil tem o melhor resultado em 24 anos e, invicto, a melhor campanha da Copa. A Itália, uma derrota, chega à final com vitórias dramáticas.
O mais esperado duelo entre jogadores, Romário (5 gols), e Roberto Baggio (5 gols), talvez não ocorra. Baggio está machucado. Eles são os dois melhores do mundo. Mas haverá o duelo dos técnicos mais polêmicos. Carlos Alberto Parreira e Arrigo Sacchi são admirados e criticados nos respectivos países.
Mais do que uma final de Copa: a disputa da hegemonia no futebol mundial.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-087</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-087</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
MARCOS AUGUSTO GONÇALVES
Editor da Revista da Folha
A chegada do Brasil à final, com a melhor campanha da Copa, aguçou um ocioso Fla-Flu entre opositores e defensores de Parreira. A discussão vai ganhando ares partidários e revestindo-se de uma radicalização cega e bocó.
O bate-boca baseia-se em falsas questões. A mais grosseira é a crença em que, vencedor, o esquema de Parreira e suas opções individuais se comprovariam como o único caminho possível para nos levar ao título mundial. A derrota, ao contrário, atestaria que o Brasil deveria voltar a investir no "futebol alegre" de outros tempos.
Vamos por partes:
1. Copa do Mundo é uma competição que se decide em jogos eliminatórios. Nem sempre vence a regularidade, como num torneio de pontos corridos. Um azar –e o azar existe em futebol– pode tirar um grande time do caminho do título. Se esquema tático por si só ganhasse Copa, a Holanda seria bicampeã. Se o maior número de craques levasse ao triunfo, o Brasil venceria em 50 e 82.
2. O esquema de Parreira é antigo e tem como principal mérito a tentativa de reduzir a margem de intervenção do acaso. Antes de tudo, procura bloquear a ação ofensiva do adversário, para depois pensar no gol. É um 4-4-2 que às vezes trabalha com líbero –como foi o Mauro Silva contra a Suécia. Como o Brasil tem tradição de boa técnica, nosso 4-4-2 pode ser mais eficaz e criativo que o dos outros.
3. Não existe esquema tático sem jogador. Eles podem determinar o êxito e o fracasso dos melhores e piores sistemas de jogo. Romário e Bebeto dão ao 4-4-2 brasileiro um poder ofensivo especial. Jogássemos com uma dupla mediana no ataque e seríamos a Suécia morena.
4. O esquema obviamente seria melhor caso utilizasse um meio-campo mais inventivo. Aqui entram dois fatores. O primeiro é a pouca oferta de craques no setor. Deve-se conceder a Parreira o fato de ter reservado lugar para um meia mais ofensivo –no caso, a ser encarnado por Raí. O segundo é que, sem grandes talentos, o treinador poderia, ainda assim, ter optado por uma combinação mais ágil e veloz, recorrendo a jogadores como Cafu, Leonardo e Mazinho (que acabou entrando no lugar errado).
5. É especialmente na convocação e na escalação dos jogadores que Parreira costuma errar na mosca. Basta dizer que seu time ideal não contava com Romário. E que, com problemas no meio-campo, optou por levar cinco atacantes e, bem... convocou Paulo Sérgio.
6. Parreira sempre preferiu manter seu esquema ao invés de variá-lo a depender do adversário. Talvez a principal fonte de irritação tenha sido esse excesso de rigidez em momentos que era possível soltar o time e oferecer à torcida aquele salário mínimo de cintilância a que todos temos direito.
Mas é evidente que a seleção, com todas as imperfeições, cresceu. Jogou muito bem contra a Holanda e fez um fulgurante primeiro tempo contra a Suécia –quando criou oportunidades de alta qualidade.
Agora, por favor, Parreira. Ganhe essa final!
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-088</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-088</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Chamado de 'retranqueiro' pela revista da CBF, coordenador pode hoje ser o primeiro homem a conquistar um tetra
MÁRIO MAGALHÃES
Enviado especial a Los Angeles
O brasileiro Mário Jorge Lobo Zagalo, 62, espera sair hoje do estádio Rose Bowl como o primeiro homem na história a conquistar quatro títulos mundiais de futebol.
Campeão como jogador nas Copas do Mundo de 58 e 62 e como treinador em 70, agora ele é coordenador técnico –uma espécie de conselheiro do técnico Carlos Alberto Parreira.
Zagalo viveu excitado a última semana, bradando o bordão "eles vão ter que me engolir" –referência aos críticos que o chamam de "retranqueiro" (adepto de futebol acentuadamente defensivo).
Até a recém-lançada edição da revista oficial da Confederação Brasileira de Futebol ("CBF News" número 24) o qualifica como retranqueiro em artigo sobre a seleção da Copa de 74, dirigida por ele, intitulado "1974 - A Retranca não funcionou".
Depois do Mundial, Zagalo quer retomar sua carreira de técnico, talvez na própria seleção. Enquanto não decide seu futuro, continua com sua palavra-de-ordem: "Eles vão ter que me engolir."

Folha - O senhor é muito supersticioso. O que acha da possível conquista do tetra contra a seleção com a qual o Brasil decidiu o tri na Copa do Mundo de 70?
Mário Lobo Zagalo - Eu me antecipei. Sempre falei que a final seria entre tricampeões. Só que previa a Alemanha como adversária. Mas na minha cabeça os finalistas seriam candidatos ao tetra.
Folha - Por que a Alemanha?
Zagalo - Pelo que ela representou nos últimos anos. A Itália chegou aos tropeços. Nunca uma seleção européia venceu uma Copa na América. Que seja assim de novo.
Que os ventos do México, onde fomos tricampeões, iluminem a nossa nova vitória.
Folha - Qual é a maior qualidade brasileira?
Zagalo - É a personalidade. Sinto cheiro de vitória. Quero ganhar de 1 a 0 com gol de mão.
Folha - O senhor já sonhou com a conquista do tetra?
Zagalo - Não sonhei, mas estou convicto. Somos predestinados, está escrito, confio.
Folha - Quem foram os jogadores mais importantes para o Brasil chegar até a final em 94?
Zagalo -  Não gosto de falar de um ou outro, mas os dois pontas-de-lança, Bebeto e Romário, foram fundamentais.
Folha - Como foi a noite que antecedeu a final de 70?
Zagalo -  Eu sou um cara tranquilo, dormi muito tranquilo. Dividia quarto com o Chirol (Admildo, preparador-físico). Antes de eu dormir, ele perguntou se a luz acesa não me incomodaria. Claro que não, disse. Então ele falou que nunca tinha visto um cara tão tranquilo.
Folha - Naquela época o senhor já era chamado de retranqueiro.
Zagalo - Fui burro em 70, sou burro em 94. Mas não reclamo.
Folha - Qual a maior recordação de 70?
Zagalo - A do intervalo do jogo com o Uruguai é inesquecível. Estávamos perdendo e saí do normal. Em vez de falar em respeito ao adversário, disse que os uruguaios tinham um time de merda, que não era de nada. Motivei os jogadores. Ganhamos por 2 a 1.
Folha - O senhor tem um ritual especial para dia de jogo?
Zagalo - Não. Hoje, como sempre, vou acordar às 7h e fazer a barba. Quando desço para o café, estão lá o Mauro Pompeu (médico) e o Claudionor (Delgado, fisioterapeuta). Às vezes o Dunga também. Ele é madrugador.
Folha - O senhor passou a última semana desabafando. Por quê?
Zagalo - Porque sou o primeiro cara no mundo a ficar entre os quatro primeiros colocados em cinco Copas. A chegar a quatro finais. Se ninguém faz, eu faço a minha propaganda. É um recorde, é inédito. Vão ter que me engolir.
Folha - Como o senhor comemorou o tri na Copa de 70?
Zagalo - Chorei muito, os jogadores me carregaram. Agora estou calejado, não sei como será. No fim daquele jogo o Pelé me abraçou no vestiário e disse: "Precisávamos estar juntos para comemorar esse tri."
Então me olhei no espelho e pensei que não era eu. Estava desfigurado, com olho fundo. Lembrei-me do filme "O Retrato de Dorian Gray", em que a personagem envelhecia no espelho.
Mas o fato é que agora estou ganhando um título de novo. E eles vão ter que me engolir.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-089</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-089</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Dos enviados a Los Angeles
Na última segunda-feira, enquanto fazia um treino de reconhecimento no Rose Bowl, Dunga ouviu o barulho de serrotes e martelos em ação na improvisada tribuna de honra. Soube depois que eram os funcionários do estádio preparando o local para a entrega da taça logo mais.
Dunga, 30, concordou que o barulho que vinha da tribuna de honra lembrava aqueles velhos tempos de filmes de cowboy nos quais se preparavam forca e cadafalço para a execução de um fora-da-lei.
Tudo é solene em Copa do Mundo. Da entrada dos times em campo a detalhes como o do treino de terça-feira. Imagine-se a entrega da taça na decisão de Pasadena.
Embora investido nas funções de capitão do time, desde que Raí foi barrado, Dunga ainda não assumiu de todo o seu posto. Quando o chamam de "capitão", por exemplo, ele se distrai e não responde: "Ainda não me acostumei com a promoção. Por enquanto, para todo mundo, ainda sou o sargento Dunga". 
Mas Parreira pensa diferente. Ele é, de fato, o capitão. Líder dentro e fora de campo, capaz de dar broncas colossais em Raí (como aconteceu no amistoso com El Salvador, em Fresno) ou de orientar os companheiros, taticamente, dentro do campo.
Dunga tem, também, outra missão, que não diz se foi determinada por Parreira ou escolhida por ele mesmo: tomar conta de Romário.
Desde que a seleção chegou a Los Gatos, há quase dois meses, Dunga vai onde Romário vai. Como amigo, naturalmente, mas como um companheiro mais velho que vigia paternalmente o colega de ofício sempre pronto a desviar-se do caminho.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-090</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-090</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Em Los Angeles
Foi uma coisa muito estranha o que me aconteceu naquele dia. Na véspera, conversei com Enzo Bearzot, o técnico italiano, que foi sepulcral: "Simplesmente, não dá para vencer o Brasil. Não sabemos atacar, Rossi não faz um gol há um ano, e o Brasil é perfeito, na defesa, no meio-campo e no ataque. Se atacarmos, seremos fulminados, se ficarmos atrás, nos desclassificamos."
Se o próprio treinador adversário tinha essa visão do jogo que se travaria no dia seguinte, que dizer de todos nós brasileiros, maravilhados com aquele time espetacular de 82?
Pois na manhã do dia do jogo, acordei com uma certeza mortificante de que iríamos perder. Podíamos até empatar, mas iríamos perder. E essa certeza me perseguiu o tempo todo, até mesmo quando Sócrates e Falcão empataram a partida por duas vezes. Até hoje não tenho explicação para isso, passado tanto tempo, se é que há explicações para essas coisas.
Hoje, estou convicto de que sairemos com o caneco do estádio Rose Bowl, contra os mesmos italianos fatalistas. Nem de longe esta seleção se equipara àquela sob o comando de Telê. Deste time, só Romário teria lugar naquele. E a Itália, ainda que tenha chegado à final capengando, nem de longe se assemelha àquela que acabou campeã do mundo, mas que, no instante em que cruzou com o Brasil, estava aos pedaços. 
Esta Itália sofreu, é verdade, pra chegar até aqui. Mas tem bons jogadores, apesar dos desfalques.
Seu meio-campo, com Dino Baggio, Albertini e Berti é tão forte na marcação quanto o nosso, enquanto Donadoni lhe confere um toque de classe de que nem Zinho, nem Raí ou Mazinho têm oferecido ao nosso. E, lá na frente, Roberto Baggio, ainda que baleado, é um craque de lampejos que podem ser letais.
Mesmo assim, estou confiante, pois nosso time está com todas as suas energias voltadas para não perder. Apesar de nunca ter cintilado nesta Copa, joga com extrema cautela e, quando tem chance, aproveita, mesmo desperdiçando algumas. Isso, sem contar que possuímos, na média, uma técnica superior à do inimigo. E esse me parece o antídoto eficaz para o veneno italiano. Além do mais, temos Romário, em estado de graça. Essa é a grande e fatal diferença.

Alberto Helena Jr., 52, é colunista da Folha. Sua coluna na Copa é diária.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-091</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-091</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Em Los Angeles
Parreira, se hoje der pênalti deixa que eu chuto! Rarará
E DataSimão informa: eu sou de esquerda mas hoje não vou aderir às massas!
Hoje Oggi Today! Baixinhos X Bracholas. Pátria de Mazzaropi versus Pátria de Pavarotti! E se a Itália ganhar (cala-te boca), a Cicciolina vai dar penne arrabiata! Os jogadores entram com o penne e a Cicciolina com a rabiata. Rarará.
E técnico em gringo é "coach". Mas se pronuncia "côlch". Côlch Carlos Alberto Parêra! Lugar de côlch é na côlcheira! Mas hoje nóis ganha! Nóis sofre mas nóis goza!
Hoje Today News! Maradona diz que abandona o futebol. Mas não o remédio de nariz. Rarará! Itamar descarta vinda aos EUA pra final. Ainda bem! O que ele viria fazer aqui? Soltar a franga? Se ele solta a franga o Frangarel engole.
E sabe qual a diferença entre o Romário e o Itamar? O Romário come e não fica quieto. E o Itamar nem come e nem fica quieto! Rarará. Eu não vim pra explicar. Vim pra esculhambar!
E será que hoje vai ser aquele joguinho de comadre no primeiro tempo? Um espiando o outro. E todos se estranhando. Copa só devia ter segundo tempo. Aliás, eu já fiz as previsões pras próximas Copas:
Copa 98: abole o primeiro tempo. Vai direto pro segundo. Com gol do Romário. Diz que o Romário recebeu o espírito do Garrincha. Por isso é bom!
Copa 2002: abole os dois tempos. Vai direto pros pênaltis! Aí os americanos vão aderir ao soccer, ao péball. Americano gosta de bola na rede. Ou seja, de basquete! Uma amiga me disse que futebol pra ela é bola na rede. Muda pro basquete! Essa é a filosofia do Parreira Go Home: quem gosta de bola na rede que assista basquete!
Copa 2006: abole tudo. Vai ser por computador. Cada um joga na sua casa. Copa da Informática!
E o Baggio é budista! E jogou com o Dunga na Fiorentina. Aí o Paulão, do "Notícias Populares", escreveu "Baggio dá o Buda pro Dunga". Rarará. Que esculhambação! Ué, caderno de esportes tem que ter linguagem de torcida e vestiário, oras!
E depois de 32 colunas sobre futebol, haja sinônimo pra bola. Vou acabar como o Ferreira Gullar: chamando bola de esfera! Rarará! Macaco Simão, ops, Monkey Symon pra Copa Merreca 94! Deixa comigo que eu levo o Caneco! Ao sugo!

José Simão, 50, é colunista da Ilustrada. Sua coluna na Copa é diária.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-092</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-092</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Idade crítica e condição técnica dos 22 de agora limitam as chances da maioria nas próximas convocações
Dos enviados especiais
Mesmo se conquistarem o título mundial, hoje, no Rose Bowl, poucos dos atuais 22 eleitos de Parreira têm algum futuro na seleção brasileira.
E apenas dez podem sonhar com a próxima Copa do Mundo, em 1998, na França.
Desses dez, levando-se em conta a idade, só seis podem, mais do que sonhar, apostar: Cafu, Márcio Santos, Leonardo, Mauro Silva, Paulo Sérgio, Viola e Ronaldo.
Os quatro restantes estarão, em razão das respectivas posições, em idades críticas daqui a quatro anos: Ronaldão (terá 33 anos), Romário (32), Aldair (32) e Mazinho (31).
Ainda em relação à idade, devem-se considerar fora da próxima Copa os três goleiros (o mais moço, Taffarel, terá 32 anos), Ricardo Rocha (37), Branco (34), Bebeto (34), Dunga (34), Raí (33), Jorginho (33), Muller (32), Mazinho (31) e Zinho (31).
Mas a parte técnica é tão ou mais importante quanto a cronológica.
Com Carlos Alberto Parreira deixando o comando da seleção brasileira logo após a Copa, independentemente do resultado de hoje, alguns de seus "favoritos" não devem olhar com muito otimismo sequer para os dois amistosos que a seleção fará ainda este ano.
O futuro técnico pode pensar diferente. E ter seus próprios "favoritos".
Um exemplo é Taffarel. Seus 32 anos não seriam, necessariamente, idade avançada para um goleiro, mas não há dúvida de que a condição de "favorito" de Parreira fez dele um titular tão absoluto, mesmo quando fora de forma.
Os quatro que estarão em idades críticas em 1998 podem, todos, pensar numa convocação este ano, mas terá Romário, o mesmo pique de dez metros daqui a quatro anos? Aldair e Mazinho continuarão os mesmos? Terá Ronaldão sobrevivido à sua experiência japonesa?
O Japão entra na história de forma muito peculiar. Até aqui, os jogadores que foram para lá "erguer" o futebol local, eram craques brasileiros semi-aposentados. Zico, por exemplo. Ou Careca.
Com a ida para o Japão do jovem Leonardo, meses depois do ainda jovem Ronaldão, o futebol japonês deixou claro que a Copa do Mundo de 2002 é mais do que um projeto ambicioso.
A grande festa do futebol certamente será lá –a primeira em solo oriental.
E os craques de seleção brasileira que começam ir talvez insinuem que, daqui para frente, o futuro treinador da seleção brasileira vai ter que buscar mais longe os seus "estrangeiro".
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-093</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-093</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

Na comparação, o Brasil leva vantagem. Chuta mais –17 vezes por jogo em média, contra 14 dos adversários. Troca mais passes –461 certos, contra 337. E marcou mais gols –11, contra 8.
Surpresa: o time de Parreira tem a melhor defesa. Permitiu 38 chutes a gol em seis jogos. A Itália foi mais bombardeada: 60 vezes.
Como em todas as partidas de morte, esta deve ser decidida nos detalhes. Além da disputa óbvia entre as estrelas Romário e Roberto Baggio (se este jogar), há mais o que ver pela TV:
1) Comprove a diferença de vocações no meio-campo.
O equilíbrio da Itália está na versatilidade de seus meias, que sabem defender e atacar –Albertini é o melhor exemplo.
O meio-campo do Brasil, por sua vez, é mais "bitolado". Dunga e Mauro Silva priorizam a destruição. Zinho e Mazinho procuram fazer a ligação com o ataque.
Os meias italianos atiram muito a gol, numa média de nove tentativas por jogo. Os brasileiros arriscam menos –seis vezes.
Os meias brasileiros marcam melhor: executam 64 desarmes, contra 40 dos adversários.
2) Acompanhe a marcação italiana sobre os atacantes brasileiros.
A maioria dos times europeus adota o sistema homem-a-homem (em que o defensor atua como um carrapato do atacante).
Sacchi rema contra a maré e prefere a marcação por zona –com a qual se consagrou no Milan bicampeão mundial em 89 e 90. Funcionará contra Romário?
3) Confira as armas-secretas.
Pelo Brasil, Jorginho é o mais perigoso. O lateral atravessa má fase –é quem mais erra passes na defesa e meio-campo da seleção (20% de erros, contra 14% do time). Mas foi de um cruzamento seu que nasceu o gol de Romário, contra a Suécia, na quarta-feira.
Pela Itália, atenção em Dino Baggio, volante que já marcou dois gols na Copa.
4) Fique de olho no poder de marcação de Branco.
Veterano de três Mundiais, o lateral-esquerdo voltou com personalidade ao time. Marcou o gol decisivo contra a Holanda, nas quartas-de-final. Mas contra os suecos, pelas semifinais, falhou em 50% dos desarmes rasteiros. Perigo.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-094</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-094</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O atacante enfrenta pressões de seu time, a Juventus, para não jogar contra o Brasil e poupar sua perna
SÍLVIO LANCELLOTTI
Enviado especial a Los Angeles
Como nas mais nebulosas fábulas orientais, neste domingo o destino oferece três caminhos ao futebudista Roberto Baggio.
Primeiro, ele pode aceitar as ordens da sua Juventus de Turim e escolher o trivial da segurança - e não atuar diante do Brasil.
Depois, pode escolher o risco calculado e ficar no banco de reservas da "Azzurra", à disposição eventual do mister Sacchi.
Enfim, pode correr o perigo da sua vida, topar uma infiltração de miorelaxantes e de anestésicos na sua coxa direita - e detonar de vez a sua contusão.
Triste o dilema do "Codino", o craque do rabo-de-cavalo que a Copa dos EUA transformou numa coleção de trancinhas, precisamente 17 - aliás, um número de azar na história da seleção da Velha Bota.
Com a camisa 17, por exemplo, o norte-coreano Pak Doo Ik eliminou a "Azzurra" do Mundial da Inglaterra em 66. Com a 17, o meia Alberigo Evani se contundiu na estréia da Itália em 94.
Baggio, ironicamente, brigou muito com Arrigo Sacchi para vestir a 10. Com um problema no tornozelo canhoto, além da contusão na coxa, talvez não consiga desfrutar o seu sonho de menino, disputar uma decisão diante do Brasil, equipe que nunca enfrentou.
Enquanto isso, seu xará de sobrenome, Dino Baggio, ganhou a "maglia" que seria de Roberto, a 13, um desastre na cabala. E Dino estará ativo no Rose Bowl.
O "Codino" com certeza dormiu inquieto a sua última noite antes do final da competição. De que forma resolver o seu enigma? Caberia a ele, exclusivamente, pela manhã, no Marriot Inn de Torrance, informar os médicos da "Azzurra" sobre suas dores.
Fará um teste definitivo às 10 da matina. Às 11h, afinal, o seu mister transmite à Fifa o time titular.
Baggio se aconselhou com os pais, Florindo e Matilde, presentes na Califórnia. Conversou com a mulher, Andreina, uma década de namoro desde a adolescência.
Ganhou um beijo telefônico da filha Valentina, quatro anos. Revisitou o seu passado de atleta, uma história de complicações, mais do que glórias. Patético desfecho, terminar no estaleiro o certame da sua consagração.
Nascido em Caldagno, um lugarejo de lagos e de patos selvagens na província de Vicenza, Baggio despontou nos juvenis de sua terra, transferiu-se para a Fiorentina de Florença e, durante a Copa da Itália, abocanhou cerca de US$ 15 milhões para passar à Juventus.
Nesse percurso, foi sempre um astro à beira do despenhadeiro. Ídolo na Fiorentina, dela saiu apedrejado por um bando de torcedores fanáticos, que não lhe permitiram um treinamento na cidade às vésperas do Mundial de 90.
Designado o salvador da Juve, que não ganha um campeonato desde 86, até agora permanece virgem na batalha pelo "scudetto".
Esteve perto de se tornar o artilheiro da Bota em quatro temporadas. Estacionou, porém, na segunda colocação em 90, na quinta em 91, na segunda em 92 e 93.
No princípio de 94, conquistou todos os prêmios como o astro do planeta. Natural que dele se esperasse uma Copa de antologia.
Baggio, todavia, entrou pessimamente na competição. Sofreu a humilhação de ser substituído, aos 20min, na peleja com a Noruega, depois da expulsão do arqueiro Gianluca Pagliuca.
Brigou publicamente com o mister. Absorveu as pauladas da imprensa de seu país. E, enfim, brilhou na eliminação da Noruega, da Espanha e da Bulgária, a ponto de a mídia até brincar: "Buda é italiano", numa referência à religião que Baggio adotou depois de uma visita ao Japão em 91.
Hoje, de fato, lhe resta rezar. Aos 27 anos, ainda pode participar de mais uma Copa. Sair desta sem o desforço da decisão, porém, maculará o seu currículo.
Baggio quer jogar, mas não deve se prejudicar. Com o desfecho do mistério se medirá o tamanho do seu caráter, da sua coragem, da sua responsabilidade –ou da sua loucura.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-095</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-095</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Do enviado a Los Angeles
Arrigo Sacchi e a sua brancaleônica seleção bem que merecem algum título na Copa de 94. Nenhuma outra equipe do torneio, afinal, atravessou tantas atribulações como a "Squadra Azzurra" de 94.
Astros importantes machucados. Dois jogadores expulsos em momentos cruciais. Tentos anotados no sufoco do fim de combate.
E ainda o bombardeio da imprensa de seu país. Um jornal da Bota chegou a publicar: "A Azzurra apenas se classificou à final porque Arrigo Sacchi tem um rabo do tamanho da órbita da Lua".
Uma situação bem parecida com a do Brasil? Nem tanto. A mídia cabocla começou o campeonato na tocaia da trupe de Parreira & Zagalo mas, às vésperas da decisão, deixou a isenção de lado e desandou a torcer.
Os jornalistas da Bota, no entanto, pouco se animam com a possibilidade da quarta taça. Nem tanto por distanciamento ou por imparcialidade –mas por rancor.
Sem constrangimentos, chamam Antonio Matarrese, o presidente da federação peninsular, de "Homem da Máfia". Destilam por Sacchi uma ira monumental. O treinador é chamado de "burro" a "louco", isso quando não o chamam de "mau caráter".
Mas os jogadores da "Azzurra" saem do Mundial como os heróis de uma equipe sem esquema e sem tática, dizimada pelo calor e pelas cãibras, por um preparo atlético lamentável, apesar dos esforços do competente Vincenzo Pincolini –que pegou todos no bagaço da mais desgastante temporada na Itália dos últimos 50 anos.
Ou seja, desde a fatalidade da Grande Guerra. Mesmo que perca do Brasil, ao menos um troféu a "Azzurra" vai arrebatar: todos os seus atletas jogam mesmo nos gramados de seu país.
(SL)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-096</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-096</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Ao se limitar à função de armação de jogadas, o volante tornou-se um dos principais auxiliares do atacante
UBIRATAN BRASIL
Enviado especial a Los Angeles
A tática do técnico italiano Arrigo Sacchi não privilegia o atacante Roberto Baggio –adepto da fórmula de que os jogadores devem correr tanto como a bola, o treinador prejudicou assim seu centroavante, que prefere esperar pelos lançamentos.
O impasse foi resolvido por um jovem de 22 anos. O volante Demetrio Albertini despontou como o jogador ideal, porque corre tanto como pede o técnico e ainda serve de apoio ao atacante, fazendo-lhe os lançamentos necessários.
"Os centroavantes estavam ocupando um espaço que nos pertencia e com isso se prejudicavam. Agora já servimos de apoio e damos liberdade para que só pensem no ataque", disse Albertini à Folha, convocado pela primeira vez para o time principal pelo próprio Arrigo Sacchi, em 91.

Folha – Como você executa sua função em campo?
Demetrio Albertini – Basicamente eu sirvo de apoio ao ataque. É uma função que, a princípio, não aparece tanto, mas é de importância vital ao time. Creio que, graças à minha função, o time conseguiu se articular melhor no ataque.
Folha – Os críticos apontam sua melhor atuação no jogo contra a Bulgária. Você concorda?
Albertini – Acho que sim. Naquela partida, tive mais chance de aparecer. Isto porque o Dino Baggio descia mais para o ataque, enquanto Roberto Donadoni estava jogando improvisado na lateral esquerda. Com tantas mudanças no meio-campo, alguém tinha que manter a ponte com o ataque. Foi o que eu fiz.
Folha – Qual foi sua principal qualidade?
Albertini – Acho que ter mais paciência. Em outras partidas, eu pensava mais no ataque quando recebia a bola. Já nesse jogo, tive uma preocupação mais voltada ao sistema tático, ou seja, basicamente possibilitar que os atacantes não se preocupassem com o meio-campo. Foi a partir desse pensamento que consegui me conter e fazer o passe para o Baggio marcar nosso segundo gol contra a Bulgária.
Folha – Arrigo Sacchi acredita que o meio-campo italiano é superior ao brasileiro por ter mais habilidade quando ataca. Você concorda?
Albertini – Bem, não posso contrariar o técnico (risos). Mas, eu concordo. Na verdade, isso acontecia mais porque eu também me preocupava em tentar o ataque. Com a minha função mais limitada à defesa e à construção de jogadas, acho que acertamos um ponto que estava mostrando falhas.
Folha – A ascensão de Roberto Baggio no time deve-se muito especificamente à sua função. Caso ele não jogue com o Brasil, você acredita voltar ao esquema anterior?
Albertini – Não acredito. Mesmo porque não quero pensar que ele pode não jogar. Mas, caso isso aconteça, acho que vou manter a mesma função. O Brasil joga muito compactado, com vários jogadores próximos da bola, e isso exige que nosso meio-campo seja muito bem estruturado. Com ou sem o Baggio, nosso time não pode mudar a tática que vem sendo vitoriosa.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-097</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-097</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Brasileiros que acompanharam a final de 70, contra a Itália, guardam lembranças curiosas daquele dia
MÁRIO MOREIRA
Da Reportagem Local
O que você estava fazendo no dia 21 de junho de 1970?
Para os brasileiros que, na época, já tinham cinco anos ou mais, essa pergunta certamente traz doces recordações.
Naquele dia, na Cidade do México, a seleção brasileira de futebol goleou a italiana por 4 a 1 e sagrou-se tricampeã mundial, conquistando definitivamente a Taça Jules Rimet.
O cantor e compositor Tom Zé se recorda com detalhes da vitória de 70. "Fui assistir ao jogo na casa de um amigo com o Jorge Amado (escritor) e o Aldemir Martins (pintor)", narra.
"Me lembro que saí para comemorar com eles e outros amigos na avenida Paulista. Muitas pessoas gritavam coisas pornográficas sobre os italianos", diz Tom Zé.
Para o compositor, aquele ano foi especialmente alegre. "Ganhei o festival da Record e a música 'Jeitinho Dela' virou hit em São Paulo."
O empresário da noite José Vítor Oliva, então com 16 anos, também lembra-se daquela data.
"Vi o jogo com alguns amigos na minha casa, na rua Gabriel Monteiro da Silva, nos Jardins. Depois, pegamos o ônibus 615, que subia a rua Augusta, e saltamos na avenida Paulista para comemorar", conta.
"Ficamos lá até 3h ou 4h da manhã. Como o dinheiro não dava para o uísque, fomos de cerveja, mesmo", relembra Oliva. "Mas em 82, quando perdemos para a Itália, foi o uísque que me ajudou a esquecer."
Outro que festejou o tricampeonato na avenida Paulista foi o artista plástico Fernando Zarif. Mas sua lembrança não é tão viva.
"Tinha apenas dez anos. Só me lembro que assisti ao jogo em casa com a minha família e que depois fui comemorar."
A cantora Beth Carvalho assistiu ao jogo no Rio e caiu no samba para festejar a vitória. "Estava toda vestida de verde e amarelo, para dar sorte", conta ela.
O artista plástico Luiz Paulo Baravelli, porém, confessa que teve uma certa hesitação na hora de comemorar o tri.
"Eu estava com uns amigos que conhecera na Escola Brasil. No final do jogo, ninguém sabia muito o que fazer, pois não estávamos esperando muito da partida", diz Baravelli.
"Mas lembro bem de estar sentado no encosto de um Karman-Ghia vermelho, com um monte de bandeiras, em plena avenida Brasil."
Alguns, como o cineasta e escritor João Silvério Trevisan, guardam recordações curiosas daquele 21 de junho.
"Depois do jogo, saí fantasiado de Oswald de Andrade, com um velho terno de linho e um cocar na cabeça. Coloquei todo o meu esquerdismo no bolso e me diverti na rua. Sabia que a vitória era conveniente para o governo da época, mas comemorei muito", afirma.
À época, ele tinha acabado de rodar o filme "Orgia, ou o Homem que Deu Cria". "Por isso, minha felicidade foi dupla."
Outros assistiram à partida fora do Brasil, como professor de filosofia Paulo Eduardo Arantes, que se encontrava em Paris.
"Estava fazendo minha tese de doutorado lá. Depois de beber um pouco, cometi a imprudência de comemorar em uma pizzaria italiana. Soou provocativo, mas não saiu briga com os garçons."
Para o dramaturgo Dias Gomes, a conquista do tri não chegou a ser tão marcante. Ele assistiu ao jogo em casa, na Lagoa (zona sul do Rio), ao lado da primeira mulher, a autora de novelas Janete Clair, e dos filhos.
"A derrota na Copa de 50 foi muito mais marcante. Junto com alguns amigos, eu tinha comprado um camarote no Maracanã, de onde assisti aos jogos da seleção brasileira", conta.
"Só não fui à final, contra o Uruguai, porque meu primeiro filho tinha acabado de nascer. Como o Brasil perdeu, durante algum tempo me senti culpado pela derrota", conta, bem-humorado.

Colaborou CELSO FIORAVANTE, da Redação.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-098</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-098</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da Redação
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, desistiu de viajar a Los Angeles para assistir à final da Copa. Ele alegou compromissos inadiáveis. Na semana passada, Berlusconi participou da reunião de cúpula européia em Bruxelas.
Berlusconi, que é também presidente do Milan A.C., atual campeão italiano, disse que está "muito próximo" do time e que manterá contato telefônico constante com o técnico italiano Arrigo Sacchi. Sacchi foi treinador do Milan antes de assumir a seleção italiana.
O presidente da Comissão Européia (equivalente ao poder executivo da Comunidade Européia), o francês Jacques Delors, prestigiou a Itália, membro do grupo, e apostou na vitória da "Azzurra". "O time joga melhor partida após partida e é favorito para ganhar a Copa", disse em Bruxelas.
Entre a lealdade aos vizinhos europeus ou aos laços com os brasileiros, o presidente de Portugal, Mário Soares, acabou ficando com a segunda alternativa. Enviou um telegrama ao presidente Itamar Franco cumprimentando pela classificação à final.
"Transmito (...) sinceras felicitações, na espera de que o Brasil nos dê a alegria de conquistar o quarto título mundial no próximo domingo", dizia o telegrama de Soares.
O presidente da Bolívia, Gonzalo Sánchez de Lozada, também aposta no Brasil. "Os brasileiros vão ganhar. A Itália mostrou um futebol que não justifica um título mundial." Ele disse que a difícil vitória brasileira sobre a Suécia, quarta-feira, causou "sofrimento".
Sánchez disse, entretanto, que gostaria que a final fosse entre Romênia e Bulgária.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-099</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-099</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
"Esta é a seleção brasileira mais pobre que eu vi desde 1978".
Brian Glanville, jornalista inglês que cobriu Copas para o "The New York Times" e para o "The Washington Post"'. Atualmente trabalha no "New York Post".
Matinas Suzuki Jr., de Los Angeles

Romário quer fundar um time de futebol no Rio
O pai do atacante Romário, Edevair Faria, disse na sexta que o filho pretende montar um time profissional para disputar o campeonato de futebol do Rio.
A idéia faz parte de um projeto que o jogador e seu pai estão elaborando para a criação de uma Vila Olímpica. O time, segundo Edevair, sairia da escolinha de futebol que formaria jogadores a partir dos 9 anos.
O time de Romário já tem até nome: Roma-Rio, o mesmo do bar que Edevair possui, na Vila da Penha (zona norte do Rio). O nome viria em um logotipo em forma de meia-lua.
O projeto, na avaliação do pai de Romário, está orçado em cerca de US$ 50 milhões. Romário entraria com a maior parte dos recursos. O restante viria, segundo Edevair, da iniciativa privada ou mesmo da participação do Estado.
A proposta de Romário é construir uma Vila Olímpica com dois campos de futebol –um profissional e outro amador–, piscina olímpica, creche, alojamento, clube e ginásio coberto.
Edna Dantas, do Rio de Janeiro

TV quer transmitir futebol para americanos
A rede de TV americana ESPN, especializada em esporte, está estudando a exibição de partidas de futebol para os EUA. A emissora ficou entusiasmada com a audiência da Copa no país. "Estamos negociando para transmitir o campeonato italiano", informou a ESPN, que deve exibir também jogos da futura liga dos EUA.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-100</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-100</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Estudantes argentinos de férias em Bariloche atiraram garrafas e pedras em cerca de 30 turistas brasileiros que comemoravam a classificação do Brasil para a final da Copa. Ninguém se feriu com gravidade. A polícia local prometeu punir os jovens. O turismo brasileiro é uma importante fonte de renda da região.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-101</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-101</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O zagueiro reserva Ronaldão corre o risco de passar incógnito pela Copa. Mas não por falta de imagens. Nessa semana, por exemplo, ele apareceu na capa do caderno de esportes do "Los Angeles Times", abraçando Romário. O problema é que ninguém sabe quem ele é: a legenda da foto o identifica Ricardo Gomes, cortado por contusão.
Mauricio Stycer, de Los Angeles

TV Globo se atrapalha no campo do Rose Bowl
Assim que terminou a partida entre Brasil e Suécia, um repórter da Rede Globo se posicionou para entrevistar o técnico Carlos Alberto Parreira no campo. Mal começou, a entrevista foi interrompida por problemas sonoros. Enquanto o repórter aguardava a solução do problema, Parreira perdeu a paciência e foi embora. A cena foi toda exibida em circuito interno, no centro de mídia de Pasadena.
Mauricio Stycer
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-102</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-102</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O principal goleador da história da seleção italiana, Gigi Riva, aposta no Brasil. "Os brasileiros são favoritos e sabem disso", disse. Riva era ponta-esquerda do time que perdeu a final de 1970 para o Brasil. Em 42 partidas pela "azzurra", marcou 35 gols. Hoje ele é conselheiro de Roberto Baggio.

Atletas de Brasil e Itália fazem doação à caridade
A caridade tomou conta de Brasil e Itália. Os jogadores da seleção brasileira prometerem doações para a campanha contra fome do sociólogo Betinho. Já o craque italiano Roberto Baggio doou um prêmio de US$ 2.500 à Cruz Vermelha italiana, para ser usado na ajuda às crianças de Ruanda, país africano devastado pela guerra civil.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-103</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-103</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Preparação inadequada e inexperiência contribuíram para o fracasso das seleções brasileiras de 74, 78 e 90
ALBERTO HELENA JR.
Enviado especial a Los Angeles
Se antes de ganhar qualquer título o brasileiro já se considerava o melhor do mundo, imagine depois de levantar o caneco por três vezes, em quatro Copas disputadas?
Pois foi com esse espírito que o Brasil desembarcou em 74 na Alemanha. Zagalo, o técnico, se escudava nas suas superstições e no talento dos jogadores remanescentes da conquista do México como Leão, Clodoaldo, Rivelino, Jairzinho e Paulo César, mais os talentos emergentes de Luís Pereira, Marinho Perez, Marinho Chagas, Carpeggiani, Leivinha etc.
Ademir da Guia e Edu, ponta do Santos, eram dois fardos que Zagalo carregava para cima e para baixo impostos pela mídia de São Paulo.
Afinal, Ademir da Guia não era apenas um grande meia-armador. Era, na verdade, o único que cumpria religiosamente tão nobre função no futebol brasileiro da época. Rivelino não tinha equilíbrio para assumir tal papel e, Paulo César Caju, não tinha estofo.
Restava Carpeggiani, que acabou tendo de substituir Clodoaldo, num corte traumatizante, já nas vésperas da Copa.
Zagalo tinha tamanha auto-confiança que jamais se dignara, nos quatro anos que separaram o tri do início do calvário do tetra, a ir observar um time holandês jogar, embora Feyjnoord e Ajax viessem ganhando tudo na Europa e Cruyff encantando o mundo.
Resultado: depois de uma sofrida classificação para as semifinais, na qual tivemos de suar para bater o Haiti por três gols de diferença, coube-nos exatamente a Holanda. Foi o início da longa fila de 24 anos de espera: 2 a 0 para os holandeses.
Quatro anos mais tarde, o homem certo, na hora errada: Cláudio Coutinho, até então, preparador-físico, supervisor da seleção do tri, assumiu a seleção em plenas eliminatórias, numa crise que resultou na demissão de Osvaldo Brandão, o técnico na época.
Coutinho era um homem inteligentíssimo, conhecedor profundo das teorias do futebol, mas que não tinha sido técnico no Brasil. Treinara a seleção do Peru e o Olimpique de Marselha. E só.
Adiante do seu tempo, Coutinho queria um time de polivalentes, mas escalou uma equipe de especialistas. Mesmo assim caiu invicto. Ficamos em terceiro, sonhando com o tetra.
Assim como em 90, quando a CBF optou por um treinador iniciante e com pretensões a renovador: Sebastião Lazzaroni. Uma escapada de Maradona, um toque e Caniggia despachou-nos de volta com o sonho do tetra ainda na bagagem, já amarelecido.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-104</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-104</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Do enviado a Los Angeles
O tetra se iluminou quando Telê assumiu a seleção para a Copa de 82. Escolhido por mérito, votado até em todas as pesquisas de opinião pública, Telê queria um time que fosse, ao mesmo tempo, competitivo e desse espetáculo.
E os jogadores de que dispunha permitiam-lhe sonhar com o tetra de ouro. Lá estava, talvez, o mais seleto grupo reunido numa seleção brasileira, incluindo-se as campeãs: Leandro, Júnior, Cerezo, Falcão, Zico, Sócrates, Eder, todos em plena forma e praticando um futebol encantador e eficiente.
Esse time, pouco antes da Copa, foi à Europa, enfrentou França, Inglaterra, Itália e Alemanha, e, pela primeira vez na história do futebol brasileiro, voltou invicta.
Entrou na Copa e seguiu adiante, goleando a todos e dando show. Os europeus curvavam-se diante daquela máquina maravilhosa e já nos davam o tetra de antemão.
Até que a fatalidade nos colocasse diante de uma Itália humilhada e desesperançada naquela fatídica tarde em Sarriá. O empate nos levaria às semifinais. Perdemos de 3 a 2.
Mas fizemos tão bela figura que, depois de uma série de experiências desastrosas –inclusive com Parreira– nos quatro anos que separaram a Copa do México em 86 que, na reta final, Telê foi novamente aclamado técnico.
Desta vez, porém, nem competição, nem arte. Vacilante entre uma geração que se despedia dos campos –a mesma que encantara o mundo quatro anos antes– e uma nova que surgia com Muller, Valdo, Careca e companhia, Telê optou por uma inadequada combinação das duas. 
Foi apenas mais um passo no calvário do tetra.
(AHJr)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-105</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-105</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
A consolidação da democracia e do capitalismo na América Latina depende da reconstrução do Estado
Williamson, no Consenso, reservou ao Estado papel importante
O objetivo das elites é consolidar a democracia e o capitalismo
LUIZ CARLOS BRESSER PEREIRA
Especial para a Folha
O triunfalismo neoliberal está morto no Leste europeu. Em toda a região, vemos o abandono da utopia neo-conservadora visando o Estado mínimo em favor de uma perspectiva social-democrática e pragmática, segundo a qual o melhor caminho para o capitalismo é o fortalecimento do aparelho do Estado e a revalorização da sua burocracia (1).
A transição para a democracia foi realizada, reformas orientadas para o mercado continuam a se constituir na estratégia econômica fundamental, mas as elites do Leste europeu estão crescentemente convencidas de que a forma de consolidar o capitalismo e a democracia não é desmantelando o Estado, mas reconstruindo-o em novas bases.
Na América Latina, as idéias neoliberais não sofreram derrota tão grande, mas, na verdade, elas nunca tiveram verdadeiro apoio das elites locais, cujo conservadorismo é mais tradicional e realista. Medidas de reajustamento estrutural –isto é, políticas de ajustamento fiscal somadas a reformas estruturais como a privatização, a liberalização comercial e a desregulação– foram tomadas, mas mesmo no Chile, onde o neoliberalismo foi dominante durante um certo período, no regime militar, o governo não adotou uma estratégia plenamente neoliberal. As minas de cobre continuaram propriedade do Estado, o qual conservou muitas das suas funções sociais.
Ora, o neoliberalismo é um liberalismo radical e anti-social. É a concepção de intelectuais conservadores e utópicos, que reagiram às distorções e à crise do Estado de forma exagerada. Enquanto é possível pensar em um liberalismo social, que se aproxima da social-democracia –para isto basta ler Bobbio– o verdadeiro neoliberalismo é contrário a qualquer tipo de intervenção do Estado, inclusive no campo social. Tudo deve ser privatizado, inclusive educação e saúde. E tudo deve ser sacrificado ao "estímulo à iniciativa individual", que seria indevidamente obstaculizada por impostos de renda progressivos e por gastos sociais protegendo os pobres.
A tais exageros não chegou sequer o Consenso de Washington, apesar de sua óbvia inspiração neoliberal. Ao definir, em 1989, esse consenso, John Williamson, traduzindo a visão dominante em Washington naquele momento, que era ainda fortemente conservadora dado o domínio republicano, mesmo assim reservou para o Estado papel importante na educação, na saúde e nos investimentos de infra-estrutura. (2)
No Leste europeu, esse neoliberalismo mitigado entrou em colapso. Políticos e burocratas que participaram do regime comunista transformaram-se em social-democratas e agora estão ganhando eleições e reassumindo o governo. A queda do neoliberalismo foi grande porque o entusiasmo com ele foi muito forte. Grandes alturas em um momento podem significar grandes quedas no outro. Quando o Estado começou a ser desmantelado em nome de uma crença ilimitada no mercado, este revelou-se incapaz de funcionar por si só. Desemprego crescente e taxas de crescimento negativas prevaleceram, demonstrando mais uma vez que os mercados só são eficientes em alocar recursos quando são complementados por um Estado economicamente forte.
A estratégia neoliberal apontava na direção correta quando propunha a adoção de reformas orientadas para o mercado, mas era utópica quando visava o Estado mínimo, e voluntarística quando pressupunha que reformas estruturais poderiam ser implementadas da mesma forma que usualmente se estabilizam altas inflações: através de terapias de choque. O gradualismo é ineficiente senão ineficaz para estabilizar economias em hiperinflação, da mesma forma que a política de choque, de big-bang, é inviável para a realização de formas estruturais, particularmente para privatizar.
A crise do Estado
É preciso salientar que a popularidade inicial das idéias neoliberais tinha sua razão de ser. Elas entraram em desfavor porque eram irrealistas, mas antes elas ganharam força porque elas traziam consigo uma crítica correta das distorções que o Estado havia sofrido depois de mais de 50 anos de enorme crescimento.
Desde os anos 30, o aparelho do Estado cresceu em todo o mundo. Cresceu para promover industrialização forçada, para estabelecer o Estado do bem-estar, para implementar e coordenar políticas macroeconômicas mais efetivamente. Esse crescimento foi inicialmente bem sucedido, estimulando crescimento adicional. Mas sucesso leva também ao afrouxamento dos controles, à prevalência dos grupos de interesse, ao "rent-seeking" (ou seja, à obtenção de rendas que não se devem ao trabalho ou ao capital, mas ao poder de monopólio privado ou à capacidade de obter subsídios e outras vantagens do Estado). Afinal, o sucesso inicial levou mais adiante à crise do Estado, que é causa básica da crise econômica do último quartel deste século (3).
Já nos anos 70 as economias capitalistas centrais, que haviam crescido extraordinariamente no após-guerra, entraram em crise, viram suas taxas de desenvolvimento desacelerarem. Era a crise do Estado e, particularmente, da sua forma de intervenção –o "welfare state"– que se manifestava, ao mesmo tempo que os países desenvolvidos enfrentavam dificuldades fiscais crescentes. Como, em seguida ao primeiro choque do petróleo, em 1973, iniciaram severo processo de ajustamento, a crise fiscal do Estado não é tão clara. Mas não há dúvida de que por trás da desaceleração das taxas de crescimento estava a crise do Estado.
Esta crise, entretanto, só vai se tornar clara para os próprios países centrais nos anos 80, quando a América Latina e o Leste europeu, que nos anos 70 mantinham as taxas de crescimento graças ao endividamento externo, entram em uma crise muito mais profunda: uma crise do Estado –uma crise fiscal e uma crise do modo de intervenção do Estado.
As estratégias originais de industrialização, tanto na América Latina –a substituição de importações– como no Leste Europeu –o estatismo comunista– haviam perdido sua própria razão de ser, não apenas porque haviam sido distorcidas pelos interesses especiais de burocratas e de empresários, mas também porque o ambiente internacional transformara-se, e as coalizões de classe que as sustentavam entraram em colapso (4). Dessa forma, a crise fiscal, definida pela perda do crédito público, por poupanças públicas negativas, por elevados déficits públicos e por endividamento público crescente, tornava-se um fenômeno generalizado e óbvio nas duas regiões.
A reconstrução
O fim do triunfalismo neoliberal não significa que a América Latina e o Leste europeu voltarão aos anos 50. Os tempos do estatismo e do nacional-desenvolvimentismo pertencem ao passado. As propostas de se insular a burocracia das pressões políticas, que vemos hoje no Leste europeu, e o recrudescimento de idéias populistas e corporativistas, que hoje se nota na América Latina, não devem sem sobreestimadas. Elas têm fôlego curto. A intervenção do Estado tem um caráter cíclico, mas a história não se repete.
A tarefa fundamental continua a ser a de reformar o Estado, isto é: 1º) adotar políticas de ajustamento que superem a crise fiscal e reconstituam a poupança pública; e 2º) implementar reformas econômicas orientadas para o mercado, privatizando, desregulamentando e liberalizando o comércio. O resultado deverá ser um Estado menor mas mais forte, no qual uma tecnoburocracia revigorada terá novamente um papel positivo, ao lado das elites econômicas e políticas, cujas limitações são bem conhecidas.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-106</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-106</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

Em ambas as regiões, o ajustamento estrutural –ou seja, a muito necessária reforma do Estado– está sendo realizada. Estas reformas enfrentam obstáculos de todo o tipo. Obstáculos originários de uma esquerda retrógrada, que considera "neoliberal" qualquer reforma, e de uma direita aproveitadora, que preda o Estado em nome do liberalismo, ou dogmática, incapaz de avaliar pragmaticamente cada caso. Mas as reformas são impulsionadas pela pura e simples necessidade.
O ajustamento fiscal e as reformas econômicas orientadas para o mercado são a resposta inapelável às altas inflações, a tesouros vazios, ao crédito público exaurido, à inviabilidade de políticas populistas mesmo no curto prazo, já que os agentes econômico perderam a confiança no Estado e não respondem mais positivamente a estímulos expansionistas. Suas expectativas realistas são de que tais políticas terão logo que ser descontinuadas, dada a falta de espaço fiscal do próprio Estado.
É preciso, entretanto, ser muito cuidadoso, em relação à qualidade ou ao caráter dessas reformas. O pressuposto neoliberal de que elas são sempre boas é falso. Elas podem ser pragmáticas ou então dogmáticas, cegamente subordinadas a ideologias; elas podem ser eficientes (isto é, redutoras de custos) ou ineficientes, senão inefetivas, como foi o caso de tantos programas de estabilização ortodoxos no Brasil; elas podem ser comedidas, levando ao fortalecimento do Estado e da economia local, ou excessivas porque desmantelam o Estado ou agridem de forma generalizada a atividade econômica nacional; podem ser coerentes com o interesse nacional do respectivo país, ou então mais preocupadas em criar confiança a nível internacional através de acordos de dívida que proporcionam descontos ínfimos (México), e através de privatizações que predam o patrimônio público (Argentina); elas podem ter como objetivo a redução das desigualdades sociais, ou o seu aumento, como foi o caso todas as vezes que se adotaram reformas tributárias reduzindo a alíquota marginal do imposto de renda sobre pessoa física.
Firmar a democracia
O objetivo das elites na América Latina e no Leste europeu, inclusive as elites sindicais, é consolidar a democracia e o capitalismo. Em ambas as regiões, a transição para a democracia foi fortemente impulsionada pela crise do nacional-desenvolvimentismo e do estatismo. Na América Latina, e particularmente no Brasil, foi, adicionalmente, o resultado da decisão da burguesia de romper sua aliança com o regime autoritário e estabelecer um novo pacto político com as forças democráticas existentes no país. Nestes termos, a transição democrática, que se expressou no movimento das Diretas-Já, foi um sinal da consolidação do capitalismo, que se sentiu suficientemente forte para se livrar da tutela burocrático-militar.
Entretanto, embora consolidado, o capitalismo latino-americano revela-se capenga, atrasado, produto de uma modernidade incompleta, marcado por desigualdade social selvagem e pelo populismo. É um capitalismo solidamente estabelecido, mas que conserva ainda muitas das suas características mercantis, na medida em que há muitos bolsões atrasados, nos quais a apropriação do excedente econômico não se realiza no mercado, com base na produtividade, mas é derivada de práticas monopolistas e de subsídios do Estado. Já no Leste europeu o capitalismo ainda não se consolidou, porque a transição do estatismo ao capitalismo é um processo mais radical do que a transição do nacional-desenvolvimentismo para uma estratégia de desenvolvimento orientada para o mercado. Em compensação, no Leste europeu a desigualdade e o populismo são menores (6).
A consolidação da democracia ocorre ao mesmo tempo em que são adotadas reformas econômicas orientadas para o mercado e que o próprio capitalismo se consolida. Estas reformas, entretanto, não são sinônimo de plena coordenação pelo mercado. Uma economia pode ser fortemente orientada para o mercado, ou seja, fortemente competitiva interna e internacionalmente, como é o caso do Japão, e no entanto ser coordenada de forma mista, pelo mercado e pelo Estado. Desta forma, a consolidação do capitalismo e da democracia não serão alcançadas através de reformas econômicas radicais, de caráter neo-conservador ou neoliberal, que são pregadas mas não adotadas nos países desenvolvidos.
O capitalismo consolidado existente nos Estados Unidos, na Europa e no Japão é uma mistura de pragmatismo americano e japonês com a social-democracia européia. É um capitalismo misto, onde Estado e mercado se complementam. É um capitalismo onde homens e negócio, burocratas públicos e trabalhadores envolvem-se em pactos políticos informais relativamente estáveis, onde uma classe alta de grandes proprietários e altos burocratas privados, uma grande classe média, e uma classe baixa em contínua diminuição participam do sistema econômico através de um mercado regulado pelo Estado, e do processo político através dos mecanismos liberais clássicos de representação e dos mecanismos corporativos de participação.
É um capitalismo burocrático mas fortemente orientado para o mercado. É um capitalismo tão distante do capitalismo do século 19, que Dickens testemunhou, quanto da utopia do Estado mínimo, que está implícita em algumas reformas que são oferecidas à América Latina e ao Leste europeu. É um capitalismo em que os índices de concentração de renda são a longo prazo decrescentes, apesar do retrocesso ocorrido nos últimos 20 anos nos Estados Unidos. É um capitalismo democrático, que tem na democracia o gérmen fundamental de sua transformação gradual em um sistema econômico e social mais justo e igualitário, o socialismo democrático (7).

LUIZ CARLOS BRESSER PEREIRA é economista, professor da Fundação Getúlio Vargas (SP) e editor da "Revista de Economia Política"; foi ministro da Fazenda do governo Sarney; publicou "A Crise do Estado", entre outros livros

(1) Bruszt, L. and D. Stark (1994), "Restructuring Networks in the Transformation of Postsocialist Economies". Trabalho apresentado à conferência "Economic Liberalization and Democratic Consolidation".
(2) Williamson, John (1990), "What Washington means by Policy Reform" e "The Progress of Policy Reform in Latin America". In Williamson, John, org. (1990) "Latin American Adjustment: How Much Has Happened?". Washington: Institute of International Economics.
(3) Bresser Pereira, Luiz C. (1993), "Uma Interpretação da América Latina: a Crise do Estado". "Novos Estudos Cebrap", nº 35, novembro 1993.
(4) Silva, Eduardo (1993), "Capitalist Coalitions, the State, and Neoliberal Economic Restructuring: Chile, 1973-88". "World Politics", 45 (4) julho de 1993.
(5) Haggard, Stephan (1994) "Institutions, Democratic Consolidation, and Sustainable Growth". Trabalho apresentado à conferência "Economic Liberalization and Democratic Consolidation". Constituirá o Capítulo 10 do livro em co-autoria, "The Political Economy of Democratic Transitions" (Princeton University Press).
(6) Greskovits, Béla (1994), "Is the East Becoming the South? Where Threats to Reforms May Come From?" Trabalho a ser apresentado ao 16º Congresso da Associação Internacional de Ciência Política, Berlim, agosto 21-25, 1994.
(7) Este trabalho foi escrito a propósito da conferência patrocinada pelo Social Scienze Research Council e coordenada por Laurence Whitehead e Eric Hershberg, "Economic Liberalization e Democratic Consolidation", no Rio de Janeiro, entre 24 e 26 de junho deste ano.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-107</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-107</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da Redação
No Mais! do último dia 3 –cujo tema de capa foi "Consenso de Washington x Apartheid Social"–, os cientistas políticos José Luís Fiori e Roberto Mangabeira Unger criticam a candidatura FHC à luz da implantação do Plano Real.
Segundo Fiori, em seu artigo "Os Moedeiros Falsos" (pág. 6-6), ao viabilizar sua candidatura com uma coalização à direita, FHC estaria tentando reconduzir a burguesia nacional à condição de sócia-menor e dependente do capitalismo mundial –conforme o próprio FHC apontara em seus trabalhos sociológicos dos anos 60.
"O Plano Real não foi concebido para eleger FHC", escreve Fiori, referindo-se ao Consenso de Washington. "FHC é que foi concebido para viabilizar no Brasil a coalizão de poder capaz de dar sustentação e permanência ao programa de estabilização do FMI e dar viabilidade política ao que falta ser feito das reformas preconizadas pelo Banco Mundial".
Consenso de Washington ("Washington Consensus") é uma expressão forjada pelo economista inglês radicado nos EUA John Williamson, durante um seminário promovido em 93 pelo governo americano.
Trata-se de uma estratégia de ajustamento e estabilização das economias dos países periféricos, entre eles o Brasil, formulada pelo governo norte-americano, o FMI e o Banco Mundial.
Esta estratégia baseia-se na redução do tamanho do Estado através de privatizações, no fim do déficit nas contas públicas e na abertura dos mercados nacionais, com o objetivo de obter a retomada dos investimentos externos para alavancar o crescimento econômico.
No Mais! de 10/7 (pág. 6-3), Fernando Henrique Cardoso responde às críticas, afirmando que jamais abriu mão da sua obra sociológica e que Fiori comete uma "falácia ecológica" ao dizer que sua candidatura estaria submetida ao Consenso de Washington.
"Chega de artificialismos e de estereótipos conspiratórios deste tipo", escreve FHC. "A política de estabilização proposta –sem monitoramento do FMI e sem passar por recessões– é apenas uma tentativa para assegurar condições de governabilidade e para permitir que o país chegue às eleições. Se os críticos, ao invés de distorcerem o que eu penso e proponho, percebessem que eu desejo reconstruir o Estado para permitir que se dê a guerra ao 'apartheid social', chegariam a outras conclusões."
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-108</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-108</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Editora-adjunta do Mais!
Exatamente 40 anos depois de Marshall McLuhan ter cunhado o termo "aldeia global", esta se materializa de forma inesperada. A comunicação de massas deixa de ter um único modelo, aquele em que poucos controlam o que é consumido por muitos. A Internet, rede mundial conectada a 18 mil redes em 137 países, mostra que há pelo menos uma dimensão em que a anarquia é possível: a quarta...
Netrópolis (net = rede) é o neologismo lançado pela revista inglesa "New Scientist", para definir a comunidade global que começa a se delinear em torno das redes de comunicação via computador.
Trata-se de uma caótica rede em que o único meio de expressão é o texto escrito, e que faz crer que a vanguarda do pensamento hoje se deslocou da arte para as margens ainda em explosão da tecnologia. A "mãe de todas as redes", criação de pesquisadores americanos açulados pela paranóia da Guerra Fria (leia texto à pág. 6-5), subsiste em universidades, e começa a desenvolver ramos comerciais.
Até uma nova língua, anárquica e selvagem, parece brotar neste mundo paralelo. Acrônimos, desenhos e abreviações convergem numa forma de comunicação altamente eficiente, com a imediatez da conversa e a precisão do texto.
A "arma" que retira o computador de isolamento não é novidade: o modem, periférico simples e barato, que o conecta ao telefone. Num futuro próximo, o computador que não se conectar será uma máquina morta. A comunicação por computador vai ser tão útil e invisível quanto o telefone.
Talvez perca parte da aura aventureira que a envolve. Hoje as redes de computador se entrelaçam numa pacífica confusão, onde a informação transbordante é de graça, ou quase. Por causa desta gratuidade mesmo, tem muito lixo na Internet. O bom viajante da rede tem um precioso caderno de endereços, onde ele encontra a obra de Shakespeare, algum interessante ensaio inédito, um bom papo...
Mas, como alegria alternativa dura pouco, a grande brincadeira está em vias de virar grande negócio. O governo americano investe maciçamente nas fundações da "superinfovia" (veja ilustração abaixo). Quem pilota o projeto é Al Gore, apelidado de "presidente virtual".
O vice-presidente americano quer conectar o país inteiro. Uma rede de fibras óticas ligará supercomputadores por todo o país. TV, computador e telefone serão integrados num supereletrodoméstico. A tecnologia-chave, em desenvolvimento, é a "set top-box" (leia texto à pág. 6-5).
Devido à ênfase do governo Clinton na comunicação digital, a Internet virou assunto da mídia como nunca antes. Seus 20 a 40 milhões de usuários, que se sentem à vontade num sistema árido para os não-iniciados, sentem-se ameaçados. É como se uma praia de hippies e alternativos estivesse a ponto de virar uma grande Miami.
Com esta revolução, que provavelmente não se retringirá aos EUA, o ciberespaço, hoje uma fronteira semidesconhecida, pode se transformar num shopping monstro, mais propício ao consumo que à experimentação.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-109</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-109</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
* Acessar bancos de dados à distância
* Utilizar programas de computadores remotos
* Trocar mensagens via computador com usuários do mundo inteiro
* "Conversar" em tempo real via computador, digitando na tela, com praticamente qualquer lugar do mundo
* Transferir programas, textos e até livros inteiros via linha telefônica
* Compra de alguns produtos via computador
* Trabalhar em casa –opção ainda limitada. O trabalho é executado num micro em casa e transmitido à empresa
* Teleconferência –reuniões à distância

O QUE PODE SURGIR
* EUA planejam ligar pontos estratégicos em todo o país com fibras óticas, aumentando a capacidade dos sistemas já existentes
* Novas tecnologias tornarão possível a transmissão de som e imagem por computador
* O desenvolvimento de "assinaturas digitais" permitirá que se feche negócios via computador
* Shopping eletrônico –praticamente toda e qualquer mercadoria será acessível à venda via computador. Estão em fase experimental no EUA uma farmácia e um supermercado em 3D (três dimensões). O usuário se move na tela como num videogame, escolhendo produtos nas "prateleiras"
* Vídeo a domicílio –filmes de vídeo poderão ser pedidos via computador e transmitidos diretamente para a TV
* Videoconferência –reuniões à distância, com imagens dos participantes
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-110</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-110</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Uma rede planetária sem centro e sem fronteiras
Da Redação
A Internet nasceu como solução para um problema de estratégia militar, nos anos 60. A idéia era criar uma rede que não fosse destruída por bombardeios (dos ex-soviéticos, obviamente), e que ligasse pontos estratégicos, como centros de pesquisa e tecnologia. A questão parecia insolúvel. Por melhores que fossem as conexões, se a central fosse destruída, adeus.
Solução: uma rede sem centro. Foi o conceito que surgiu na Rand (centro de pesquisas anti-soviéticas) em 64. Ela funcionaria de forma que todos os pontos (nós) teriam o mesmo status, e qualquer computador desligado poderia ser substituído por outro. A informação viajaria em qualquer sentido coms rotas intercambiáveis.
A idéia ficou pulando de mão em mão durante alguns anos, até que, em dezembro de 69, surgiu uma rede de quatro nós, a ARPAnet (ARPA: Advanced Research Projects Agency, que financiou o projeto). Em 72, já eram 37 nós.
Foi aí que começou a subversão na utilização da sofisticada rede. Os cientistas começaram a trocar notícias e mensagens pessoais.
Pouco tempo depois, era criada a "mailing list" (lista de correspondência), até hoje utilizada. Trata-se de uma forma de transmissão em que o mesmo texto é repassado para uma série de pessoas. A primeira "list" da Arpanet foi "SF-Lovers" (fãs de ficção científica).
A ARPAnet cresceu nos anos 70, controlada pelo governo. Em 83, parte dela se desdobrou na MILnet, exclusiva dos militares.
A passagem da secreta ARPAnet, privilégio de cientistas e pesquisadores, à anárquica Internet, povoada por estudantes, rebeldes e desocupados, foi simples: a base da ARPAnet era um programa chamado TCP/IP (veja glossário), de domínio público (não é preciso pagar direitos para usá-lo).
Mais e mais computadores começaram a utilizar o TCP/IP. A Nasa criou seu próprio nó, assim como praticamente todas as universidades. Fanáticos por computador, estudantes e ex-hippies em geral viraram fregueses da rede, dando o tom alternativo e caótico.
No Brasil a RNP (Rede Nacional de Pesquisas, criada em 90) coordena o acesso à Internet. Ela está presente em 22 Estados, interligando 350 instituições de ensino.
A rede oferece basicamente quatro serviços: correio, grupos de discussão (veja texto ao lado), execução de programas a longa distância e transferência de programas. A execução de programas a longa distância é possível conectando-se um computador de pequeno porte a um mais poderoso, que "empresta" seus recursos àquele.
O acesso a catálogos de bibliotecas e bases de dados é um dos recursos mais práticos da Internet. Basta digitar uma palavra, para obter tudo o que há em uma biblioteca sobre um assunto.
Quem paga? Os centros de supercomputadores transferem os dados. Cada um mantém a sua área, o que torna a Internet muito barata para o usuário final.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-111</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-111</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Você precisa ter um modem conectado ao seu computador, e um programa de comunicação. Estes programas vêm com os modems.
Disque para o número do serviço. As BBS permitem que você "passeie" pelo menu por dez minutos, para ver os serviços disponíveis e fazer a assinatura. As mensalidades variam entre R$ 5 e 15.
Algumas permitem que você se inscreva na hora, com cartão de crédito. Outras pedem depósito em conta corrente. Dê uma olhada nas áreas de mensagens e programas, veja se o interessam. Cada BBS tem sua personalidade.
O único serviço no Brasil que comercializa acesso direto à Internet é a Alternex, no Rio de Janeiro. Se você não mora no Rio, terá de pagar o interurbano. Universidades públicas, como a USP, têm acesso direto à Internet. Mas são linhas às quais somente professores e pesquisadores têm acesso.
Compuserve - A rede americana dá acesso a certas áreas da Internet. O tel. para modem é 00672. É cobrada uma taxa pelo tempo de acesso e a assinatura. Várias BBS em todo o Brasil dão acesso ao correio eletrônico da Internet.

BBSs/Internet (o primeiro tel. é para acesso via modem; o segundo é para informações por telefone):
Em São Paulo (011) - Canal Vip (889-7222, 889-8366); Mandic (tel. 816-3911, 816-3245); Persocom (tel. 822-8055, 829-4731); Sherwood (tel. 889-9677, 889-8145); SP-Online (tel. 253-1688, 288-5615) 
No Rio de Janeiro (021) - Alternex (tel. 266-3088, 286-0348) 
Em Brasília (061) - Sul! (tel. 234-6859, 225-4495)
Em Belo Horizonte (031) - Louca (tel. 295-1315, 295-1071)
Uma lista de todas as BBS do Brasil circula nas próprias BBS
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-112</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-112</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da Redação
O E-mail, ou correio eletrônico, é o recurso mais usado da Internet. O único requisito para se alcançar alguém através dele é que a pessoa tenha um endereço, que é algo assim: jsilva@.cat.com. A primeira parte, antes do "@"  (arroba), é o nome do usuário. A segunda palavra é o "nome" do computador.
A sigla "com" identifica o "domínio" –quando a Internet ficou muito vasta, foi dividida em: gov, mil, edu, com, org e net ("governamental", "militar", "educacional", "comunicação", "organização não-lucrativa" e "rede").
Os nós fora dos EUA são identificados pelo nome do país (br para Brasil, fr para França etc). Complicadinho, não? Só que não precisa saber tudo isso para enviar a mensagem. É só copiar o endereço, em minúsculas.
A Usenet é um desdobramento do correio eletrônico. Reúne "grupos de discussão" sobre qualquer tema, como soc.brasil (sociedade brasileira) e alt.sex.bondage (emprego sexual de algemas e similares). Uma central repassa todas as mensagens aos inscritos.
O "IRCchat" (Internet Relay Chat) tem pouca utilidade, mas é absurdamente divertido. Os usuários criam canais ("futebol", "gay" etc) e "conversem" em tempo real. Ninguém usa seu nome no IRC, só apelidos –os mais alucinados. Dez ou mais chegam a se reunir num canal. Cuidado: o IRC vicia.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-113</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-113</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
* Não mande mensagens com mais de três telas cheias. Não é considerado de "bom-tom", pode atravancar a memória do computador alheio. Se você tiver muito o que dizer, mande várias mensagens.
* Não escreva texto em maiúsculas. Além de ser difícil de ler, supõe-se que você está "gritando".
* Evite fazer perguntas básicas logo de cara. Quase todas as redes têm arquivos que resolvem dúvidas.
* Acrônimos: abreviaturas que economizam tempo quando se está escrevendo on-line. Por exemplo: qquer (qualquer), vc (voce) pq (porque). Em inglês: LOL - Laughing Out Loud (gargalhando alto); IMHO - In My Humble Opinion (na minha humilde opinião); MOTOS - Member Of The Opposite Sex (membro do sexo oposto); MOTSS - Member Of The Same Sex (membro do mesmo sexo);
Emoticon - Emotion + icon (emoção + ícone). Figura criada com símbolos e caracteres de pontuação, e que exprime o registro em que a mensagem foi criada. Ex: :-) (sorriso), ;-( (tristeza), :-* (espanto),  @----- (uma rosa). Incline a cabeça para a esquerda.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-114</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-114</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Sistema vai provocar uma 'renascença' da TV
FERNANDO CANZIAN
De Nova York
A próxima revolução tecnológica está a caminho. Vai custar menos de US$ 400 e será espalhada pelo mundo através do instrumento de massa mais popular do planeta, a televisão.
A nova TV vai alterar a concepção da comunicação, o sistema de consumo, o entretenimento e o comportamento.
A infraestrutura para essa mudança está na "superinfovia" (Data Superhigway ou Infobahn) nos EUA e nos planos de algumas companhias para espalhar centenas de satélites de comunicação pela atmosfera do planeta.
As novas redes terão capacidade para transportar imagens, voz e dados em grande volume e de forma interativa entre o receptor e o gerador das informações.
Isso será possível através da chamada tecnologia da multimídia e dos bits, sinais de computador, que vão trafegar pela "superinfovia" de cabos de fibra óptica que está sendo construída nos EUA e em países que investem nessa tecnologia. Para as regiões do planeta que não investem nessas teias de fibra óptica, a "superestrada" flutuará no espaço.
Três empresas americanas (Motorola, Microsoft e McCaw Cellular) querem colocar ao redor do planeta nos próximos sete anos uma rede com mais de 900 pequenos satélites que terão capacidade igual à das fibras ópticas para transmitir dados. Cada satélite, do tamanho de uma geladeira, poderá fazer mais de 100 mil ligações ou transmissões de bits simultâneas.
Todas as informações da "superestrada" estarão unificadas na linguagem dos bits. Nessa linguagem, não existe nenhuma diferença entre uma imagem, som ou dado de computador durante a transmissão. É o instrumento que recebe os bits do outro lado da linha quem decifra e transforma os sinais em som ou em imagem.
Empresas do ramo de telefonia e comunicação estão fundindo-se com outras de computadores e TVs a cabo em negócios sem precedentes nos EUA para viabilizar essa transformação.
A "Renascença da TV", como está sendo chamada nos EUA, capacitará o produto já existente a tornar-se um instrumento com centenas de opções e interativo, baseado na multimídia.
Os dois maiores fabricantes de chips (processadores) e programas para computadores, a Intel e a Microsoft, estimam que em três anos conseguirão a tecnologia para transformar uma TV em um computador por menos de US$ 400.
A idéia é comercializar um aparelho, chamado set-top box, que será conectado à TV com uma pequena câmera de vídeo digital.
Além da câmera, o set-top box poderá comportar um teclado de computador. Quem plugar esse aparelho à televisão poderá receber e enviar imagens, videoligações telefônicas e qualquer outro tipo de informação.
Um projeto experimental da Time Warner em Orlando, Flórida, já está usando essas caixas acopladas à TV para receber imagens e interagir com uma central de dados. A central manda informações para mais de 1.000 residências, que comandam os pedidos através do controle remoto.
Uma segunda fase do projeto (envolvendo 4.000 casas), vai permitir que os usuários façam compras pelo controle remoto. Bastará apenas digitar os códigos das mercadorias que aparecem na tela e o número do cartão de crédito.
Nos Estados Unidos, o vice-presidente Al Gore é a pessoa responsável pela massificação da comunicação virtual e pela construção da "superestrada" da informação.
A principal iniciativa do governo norte-americano tem sido a desregulamentação do mercado de comunicação e a permissão para associações entre megaempresas que beiram o monopólio.
A iniciativa já permitiu a associação de US$ 33 bilhões entre a Bell Atlantic, de telefonia e comunicação, com a Tele-Communications Inc., uma empresa de TV a cabo. Outra empresa de TV a cabo, a Viacom, fechou negócio de US$ 8,4 bilhões com a Blockbuster, uma das maiores redes americanas de fitas de vídeo.
A Viacom também concluiu recentemente uma operação de US$ 10 bilhões para associar-se à QVC, a maior rede nacional de venda de produtos pela TV.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-115</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-115</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
De Nova York
Assim como acontece em novas comunidades, já começaram a surgir problemas de comportamento e ética entre os participantes da comunidade virtual.
Milhões de usuários da Internet foram surpreendidos no mês passado pelo primeiro anúncio que se tem notícia jogado dentro do espaço cibernético.
A idéia partiu de um advogado do Arizona, Laurence A. Canter, que começou a oferecer os seus préstimos a pessoas interessadas em emigrar para os EUA. Mais de 30 mil pessoas reclamaram, on line, em apenas um dia.
A empresa que administra a Internet no Arizona baniu Canter da comunidade virtual e ameaça processá-lo caso volte a anunciar.
Outro exemplo de problemas de comportamento dentro dessa comunidade foi a prisão, no final de abril, de John Rex, um jovem de 23 anos de Massachusetts.
Usando redes de computadores, Rex formou uma pequena gangue de pedófilos. Oferecia, com mais dois companheiros, amizade, troca de informações e jogos de computador para crianças solitárias que passavam horas no espaço virtual. Rex agora está preso sob a acusação de ter estuprado dois garotos que conheceu através das redes.
William Steen, um especialista em computadores de 44 anos da Califórnia, teve o mesmo destino no começo do ano. Foi preso sob a acusação de ter molestado sexualmente duas meninas de 14 anos que fazem parte da Internet.
No último ano, o grupo Search, baseado em Sacramento, Califórnia, tem ensinado dezenas de policiais do estado a desvendarem os segredos dos sistemas de comunicação de dados para agilizarem os chamados "crimes cibernéticos".
Ken Lanning, agente do FBI na recém-criada Unidade de Ciência do Comportamento da polícia federal americana, afirma que a massificação dos computadores tornou-se um instrumento em potencial para novos tipos de crimes. "Temos que encontrar todos os meios para controlá-los", diz.
(Fernando Canzian)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-116</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-116</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O escritor Bruce Sterling, um dos papas do cyberpunk, fala sobre o futuro da Internet
Se informação fosse poder, bibliotecárias mandariam no mundo
CARLOS NADER
Especial para a Folha
Um dos mais conhecidos especialistas da Internet é o escritor Bruce Sterling. Ele foi um dos primeiros a prever um mundo pós-Guerra Fria onde o cerne da luta pela hegemonia mundial migrava da ameaça de uma Terra coberta pela explosão de cogumelos nucleares para a disputa de um lugar ao sol, ou à sombra, dentro do território virtual.
Além de "Islands in The Net" (Ilhas na Net), traduzido inacreditavelmente no Brasil para "Piratas de Dados" (editora Aleph), Bruce Sterling escreveu mais quatro romances de ficção científica, um deles, "The Difference Engine", em parceria com o outro papa do cyberpunk, William Gibson. O último livro de Sterling, "Hacker Crackdown", é um grande ensaio sobre o futuro da Internet.
Depois da experiência pela não ficção, ele diz, em entrevista à Folha, por telefone, de São Francisco (EUA): "Chega de reportagem. Quero voltar correndo ao meu primeiro amor, a ficção científica".

Folha - O copyright dentro da rede ainda é uma questão não regulamentada. Você colocou na Internet o seu último livro, "Hacker Crackdown", onde as pessoas podem copiá-lo sem custo. Isto gerou alguma polêmica e você afirmou que o seu editor não possuía os direitos eletrônicos do livro...
Bruce Sterling - Eu escrevo livros e sou pago para escrever livros. E o meu editor vende meus livros para as livrarias e as pessoas compram meus livros com dinheiro. Mas se você for a uma biblioteca você pode conseguir meus livros e eu não ganho um tostão com isso. Se você for a um sebo, você compra meus livros pela metade do preço e eu também não ganho nada com isso.
Você vê, só aí já existem três tipos de economia no ramo da edição. Você tem o comércio normal, tem a distribuição socializada de informações e tem este mercado cinzento de livros de segunda mão, ou vendidos de mão em mão. E fora isto, existe este mercado de colecionadores onde um livro meu pode ser vendido por US$ 150 porque é de uma edição rara e eu nunca vejo a cor do dinheiro. E mesmo assim eu não acho que seja o fim do mundo!
Eu não vou declarar guerra aos sebos, nem vou tacar fogo em bibliotecas por que elas são uma ameaça ao meu rendimento. Todos os mercados coexistem com tranquilidade.
Folha - A Internet vive um momento crucial. Há uma guerra entre os que defendem uma rede sem fins comerciais, e outros que preferem vê-la transformada num grande shopping eletrônico. Era a isso que você se referia em "Hacker's Crackdown", quando disse que "era o fim dos amadores"?
Sterling - Quando escrevi isto, eu tinha percebido que pela primeira vez as pessoas iam poder usar a rede profissionalmente. A Internet está se profissionalizando porque há muito mais dinheiro e poder envolvidos. Não é mais um hobby, é algo com o qual você pode ganhar a vida.
Você pode até ficar milionário usando um BBS. Onde houver renda disponível, as pessoas vão deixar de encarar como uma coisa de fim de semana e vão passar a fazer todo dia. Eles vão acordar de manhã e é a primeira coisa que eles vão fazer depois de tomar café (risos). E este é "o fim dos amadores"... Mas as duas tendências, mais e menos comerciais, vão coexistir na Internet como em qualquer outra mídia.
Folha - As tecnologias de telecomunicações estão levando a nossa civilização a um nível de virtualidade único na história das relações humanas, que inevitavelmente abala nosso sentido de realidade. O que você acha que vai acontecer num primeiro momento com o nosso sentido de realidade?
Sterling - Sabe, eu já vi este assunto discutido muitas vezes. Se você pensar na coisa de maneira teórica vai parecer mesmo que há muitos danos possíveis à questão da identidade, mas, na minha experiência pessoal, eu acho que isso quase nunca acontece de fato. Por exemplo, eu acho que eu nunca fui chamado por alguém que não era quem ele estava dizendo que era.
Eu ressaltaria ainda que o simples fato de você estar vendo Bruce Sterling em pessoa também não garante que realmente é Bruce Sterling (risos). Pensa bem, quantas vezes você não teve a seguinte experiência. Você sabe de alguém que é uma figura muito impressionante, um político importante, um acadêmico, ele é alguém que disseram que é importantíssimo e aí então você vai lá, conhece o cara e percebe que não tem nada ali...
Folha - É engraçado reparar que a maior parte deste questionamento teórico vem da Europa, sobretudo da França. As Américas se adaptam mais fácil. E eu penso no Candomblé, por exemplo, onde o mundo das visões, das incorporações são tão reais quanto qualquer outra coisa, e não há o menor problema.
Sterling - Concordo. Aqui nos Estados Unidos nós tivemos um presidente que era um ator de Hollywood. Ele era um total simulacro e ao mesmo tempo um rapaz muito popular (risos)... Nós sobrevivemos à experiência, e os Estados Unidos continuam aqui. A realidade não vai ser destruída. As pessoas acordam de manhã, a chuva cai, o planeta gira em torno do sol, as leis da gravidade de Newton ainda servem... Cadê o problema? Eu sou uma espécie de determinista tecnológico. Acho que a melhor maneira de se adaptar é sair e comprar uma máquina.
Folha - Há a história, sempre repetida, de que a Internet não tem um centro de poder. Mas você não acha que num espaço não físico como o ciberespaço, o centro de poder não é um lugar, mas uma idéia, ou melhor, uma linguagem? E que tanto a língua inglesa quanto as linguagens de programação são coisas primordialmente americanas? Será que todos os supercaminhos da informação vão acabar levando à América virtual?
Sterling - Bom... sim (risos). Eu acho que você tocou numa idéia fundamental quando falou em linguagem. O ciberespaço é uma linguagem. É muito mais uma linguagem do que uma estrada ou uma rede. Tudo bem, concordo, todas os caminhos levam a Roma, se Roma é o centro do Império Romano. Mas quando o assunto é o latim, a coisa é um pouco diferente. A rede é o latim eclesiástico. É a linguagem da intelligentsia e da classe dominante, gerencial, que até um certo ponto é multinacional. A rede é inglês-de-rede (net english).
Folha - Os textos em português na rede quase sempre chegam truncados, porque os interfaces e programas de comunicação não entendem cedilhas, acentos...
Sterling - É muito difícil fazer qualquer coisa na rede que não em inglês. Os espanhóis até reformaram seu alfabeto. Eles retiraram dos teclados as letras "ll' e "ch". Eu concordo que também é um problema com português, acentos e tal, mas não é nada comparado com os problemas que têm os japoneses e outros países asiáticos, onde eles tendem a se especializar em fax. É preciso lembrar que a rede que nós temos é muito jovem, começou na década de 60.
Eu acho que não é preciso se preocupar muito porque a rede não vai ficar mais baseada em texto por muito tempo. Vai virar uma coisa muito mais parecida com a televisão. Ou talvez até mais como um videogame. Acho que ainda vai haver uma função para os textos, mas acho que vai ser parecida com a função que o texto tem na sociedade como um todo. A maioria das pessoas na nossa sociedade não está a fim de sentar em frente a uma tela e ficar olhando para palavras por horas e horas. Não é a mais popular das diversões (risos).
Para que a rede vire realmente popular, vai ter que ter muito mais imagens coloridas do que tem agora. Mas isto não quer dizer que o texto vai sumir. Ao contrário, vai continuar muito necessário para as leis, para a burocracia, para fazer o governo funcionar, para estudos científicos...
Folha - A criação de tecnologia de telecomunicação é uma avalanche. Se no passado informação era poder, agora parece que informação sobre informação vale muito mais. Você não acha que hoje em dia, mais importante que acumular informação, é saber editá-la?
Sterling - Acho que é uma afirmação equivocada dizer que informação é poder. Se fosse, os bibliotecários teriam dominado o mundo. Mas os bibliotecários têm muita informação e pouquíssimo poder. Acho que o que é importante é atenção. Atenção é poder.
Quem quiser sobreviver politicamente vai ter que ter a capacidade de pôr seu assunto na cara do público e convencer as pessoas a tentar entender o que está acontecendo. Os governos não estão fazendo muita coisa secreta hoje em dia. Isso pelo menos no Grupo dos Sete onde é difícil manter qualquer tipo de segredos. Mas eles são bem capazes de fazer coisas quando ninguém está prestando atenção. Atenção.

CARLOS NADER é diretor de vídeo. Acaba de gravar documentário sobre o norte-americano Bill Viola, juntamente com Marcelo Dantas. Seu E-mail é carlos.nader ax.apc.org
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-117</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-117</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
De Nova York
Howard Rheingold é um dos membros mais conhecidos da comunidade cibernética americana. É editor da revista californiana "Whole Earth Review", que faz revisões mensais em assuntos como comportamento, saúde, ecologia e empresas, e autor de dois livros, "Virtual Reality" (Realidade Virtual) e "The Virtual Community" (A Comunidade Virtual).
As duas obras tratam das consequências da tecnologia sobre o comportamento e a sociedade.
Publicado no final do ano passado, "The Virtual Community" (Addison-Wesley, 300 págs., US$ 22,95) desenvolve uma profunda análise dessas mudanças de interesses e exigências que estão surgindo com a massificação da comunicação via computadores.
Rheingold sustenta que a importância da comunidade virtual não está somente "nas frias informações ou no calor humano" que são trocados pelos seus participantes. Segundo ele, essa comunidade oferece o meio ideal para que pessoas de diferentes partes de um país "exerçam a cidadania e pratiquem a democracia".
Leia a seguir a entrevista telefônica que Rheingold concedeu à Folha de sua casa em Sausalito, Califórnia.
(Fernando Canzian)

Folha - O sr. acha que a integração da televisão com os computadores vai mesmo ocorrer? Quais serão as suas consequências?
Rheingold - Isso vai acontecer a médio prazo, mas vai acontecer. A principal conquista nessa área é fazer com que todos os serviços básicos fiquem disponíveis para as pessoas. Democracia não é só o voto, mas é o acesso a todas as informações. A integração da TV com a comunicação virtual deverá permitir acesso a bibliotecas, comunicação entre pessoas, disponibilidade de informações do sistema de saúde e de uma infinidade de outros assuntos. Milhares de informações abertas hoje somente a um público mais sofisticado, como bancos de dados de universidades e até os arquivos da Biblioteca do Congresso dos EUA, poderão ser acessados através da televisão e demais instrumentos de comunicação.
Folha - O que vai mudar nos EUA e no mundo com a "super-estrada da informação" e com a rede espacial de satélites que algumas empresas querem colocar ao redor do planeta?
Rheinghold - As mudanças vão acontecer muito rapidamente. Tudo será diferente nos próximos cinco ou oito anos. Se você voltar dez anos no tempo, vai perceber que os computadores eram tratados no início como brinquedos. Quase ninguém tinha ou sabia usar uma máquina dessas. Hoje em dia milhões de pessoas dependem dos computadores para milhares de tarefas e não poderiam mais viver sem eles. Além disso, custavam uma fortuna, eram inacessíveis para a maioria da população, além de muito difíceis de operar. Com a massificação desse mercado, o preço cai assustadoramente todos os anos e as máquinas tornam-se instrumentos simples, que qualquer criança opera.
As novas mudanças, nessa nova etapa da comunicação, vão acontecer muito mais rapidamente do que nos últimos dez anos e a integração entre seus participantes será maior.
Folha - A comunidade virtual e a facilidade em se comunicar sem sair de casa não vai isolar ainda mais as pessoas?
Rheingold - Nós já temos milhares de pessoas isoladas em seus apartamentos assistindo televisão sem se comunicarem com ninguém. Essas pessoas é que estão solitárias. E acho que a comunicação virtual está tirando muitas delas desse isolamento. É uma chance de se comunicarem e conhecerem outras pessoas.
É claro que também há o outro lado da coisa. A comunicação eletrônica pode aproximar as pessoas, mas a tela do computador também pode ser uma maneira de controlar as relações, de manter determinados indivíduos à distância. Além disso, as comunicações mediadas pelos computadores são muito suscetíveis à decepção. As expressões faciais, linguagem do corpo e tom da voz não existem. Por outro lado, os computadores podem fazer algumas pessoas se comunicarem sem as tradicionais barreiras do preconceito.
Folha - Que tipo de assuntos o sr. trata dentro de seu espaço virtual?
Rheingold - Todos os assuntos. Falamos sobre crianças, economia, organização política, livros, informações gerais e outros assuntos iguais aos tratados numa mesa de bar. Tenho mais de 300 diferentes assuntos sendo tratados com os meus amigos na Well, a minha comunidade virtual.

O E-mail de HOWARD RHEINGOLD é hlr well.sf.ca.us; seus livros podem ser encomendados à Livraria Cultura (av. Paulista, 2073, Conjunto Nacional, tel. 011 285-4033, São Paulo)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-118</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-118</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

BBS - Bulletin Board System. Rede de computador que recebe e envia mensagens; geralmente possui um banco de programas para serem copiados pelos usuários. Alguns BBS trocam mensagens com redes maiores, como a Internet.
Bps - bits por segundo. Significa o número de dígitos binários transmitidos em um segundo.
Chip - Circuito integrado criado num pequeno fragmento de silicone, sobre o qual um grande número de ligações são formados por finas camadas de metal que atuam como cabos. O chip pode ser usdo como memória principal ou como unidade de processamento. Quando memória e capacidades lógicas estão reunidas num mesmo chip, ele é chamado de microprocessador (um computador em um chip). O chip consome muito pouca energia, é compacto, barato e pode processar um milhão ou mais de instruções por segundo.
CMC - "computer-mediated comunication". Qualquer tipo de comunicação via computador.
Ciberespaço - Termo criado pelo escritor William Gibson, no romance "Neuromancer". Originalmente "cyberspace", significava uma dimensão alternativa, em que o cérebro da pessoa entrava em contato com redes de informação do mundo inteiro. Foi adotado para designar o "lugar" em que se passa qualquer contato virtual, de uma ligação telefônica a uma comunicação por computador.
Download e upload - Termos relativos ao processo de transferência de dados de um computador para outro. Há muitos computadores hoje que mantém grandes bibliotecas de software. Estes programas podem ser recebidos (download) por um computador, ou enviados (upload) por este.
E-mail - correio eletrônico. Transmissão de mensagens de computador via linha telefônica. Este sistema de transmissão permite que sejam também transmitidos programas, imagens e sons.
FAQ - "Frequently asked questions". Documentos compilados a partir de perguntas feitas por usuários. Também distribuídos eletronicamente.
Fibra ótica - Tecnologia de transmissão de dados através de linhas de comunicação por fios flexíveis de vidro ou plástico, pelos quais passam pulsos de laser. Os feixes de fios são unidos em cabos e podem carregar muitas vezes mais dados que o tradicional cabo de cobre. A fibra ótica pode transmitir dados a grandes distâncias.
Flames - "guerras" de insultos entre usuários de redes. Insultos pesados via computador.
FTP - "file transfer protocol". Conjunto de instruções que permite que um computador "entenda" a transmissão de dados de outro.
FYI - "for your information". Arquivos comumente encontrados na Internet, que esclarecem dúvidas básicas sobre utilização de serviços e recursos.
Hacker - o dicionário define haker como um termo de gíria que descreve uma pessoa capaz de desempenhar uma tarefa de forma competente. O termo "hacker", aplicado a usuários de computador, surgiu juntamente com os microcomputadores. Um hacker é alguém que gasta muitas horas com o computador, operando-o por tentativa e erro sem auxílio de manual. Hoje, o termo "hacker" adquiriu um sentido negativo, referindo-se a pessoas que usam seu conhecimento técnico para ganhar acesso a sistemas privados.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-119</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-119</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

Modem - modulator/demodulator. Aparelho que converte informação digital de um computador ou terminal em informação análoga que pode ser transmitida através de linhas telefônicas. No destino, os dados são reconvertidos em informação digital.
Mosaic - Programa de hipertexto que organiza visualmente informações de arquivos da Internet, tornando a interface mais amigável para o usuário.
MUD - multi-user dungeon ("porão multi-usuários"). Um tipo de "role-playing game" (RPG) em que os usuários assumem personalidades como magos, dragões etc., movimentam-se através de aposentos, interagem com outros jogadores. Toda a ação do jogo é descrita através de simples texto, não há imagens ou sons.
Sysop - System Operator. É a pessoa responsável pela manutenção de um BBS (Bulletin Board System). Administra as mensagens, organiza os arquivos e pode atuar como moderador de debates.
3D - três dimensões.
NREN - National Research and Educational Network (Rede Nacional de Pesquisa e Educação). Projeto norte-americano em desenvolvimento, que deve interligar mais de um milhão de computadores em 50 Estados.
RNP - Rede Nacional de Pesquisas. Órgão que coordena o acesso à Internet no Brasil. Fundado em 1990. A RNP tem o apoio das fundações de pesquisa de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, e está prsente em 22 Estados do Brasil, interligando 350 instituições de ensino e pesquisa.
Snail mail - "snail" significa "caramujo". Apelido dado por usuários de E-mail ao correio tradicional.
Software - Todos os programas, linguagens, e rotinas que controlam as operações de um computador são chamados de software. O software para um sistema de computador geralmente é carregadi a partir de um discquete ou fita magnética, mas pode também ser escrito num chip ROM (Read Only Memory - memória só para leitura).
TCP/IP - Acrônimo de Transmission Control Protocol/Internet Protocol. Define certas regras da rede estabelecidas pelo Departamento de Defesa dos EUA. O TCP quebra a transmissão de dados em pacotes, rearranja-a no fim da transmissão na ordem correta, e reenvia partes incorretamente transmitidas. O IP é responsável pelo endereçamento e transmissão propriamente ditos dos dados.
Telnet - recurso da Internet em que um computador "disca" para outro, e que permite rodar programas remotamente.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-120</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-120</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
De Nova York
O governo dos Estados Unidos já está preparando o seu superespião para controlar os "crimes cibernéticos" que estão surgindo na nova era da comunicação virtual.
O FBI (Federal Bureau of Investigation, a polícia federal dos EUA) quer introduzir chips (microprocessadores de informacões) especiais em todos os novos telefones e computadores que saírem das fábricas americanas para controlar a origem e o conteúdo das informações.
O "Clipper chip" é considerado pelos membros da comunidade virtual norte-americana como a materialização do "Big Brother", o Grande Irmão idealizado pelo escritor George Orwell em seu livro "1984".
Trata-se de uma proposta altamente impopular do vice-presidente Al Gore para tornar computadores e telefones mais fáceis de serem vigiados.
A idéia é não apenas colocar o "Clipper chip" em telefones e computadores, mas também nos aparelhos que as indústrias pretendem conectar às TVs para torná-las um poderoso equipamento de comunicação –os set-top box.
Os computadores, telefones e set-tops equipados com o chip estariam seguros contra intrusos indesejáveis como os hackers e cyberpunks, que hoje descobrem códigos de acesso e invadem sistemas em todos os lugares.
Com o chip, o FBI e os departamentos de polícia também eliminariam a nova onda nos EUA da comunicação digital entre traficantes de drogas e em outras áreas do crime organizado. 
O único problema é que o governo terá a chave do "Clipper chip". Com ela, poderá ter acesso a todos os registros e conteúdo das informações trocadas pelo telefone, pelas redes de computadores e pelos televisores equipados com instrumentos de comunicação.
As críticas em torno do "Clipper chip" transformaram-se nos EUA em uma espécie de guerra santa para os participantes da comunidade virtual. Os protestos variam de milhares de mensagens enviadas ao sistema de computadores da Casa Branca a manifestações de rua contra o superespião.
O govenro afirma que não pretende recuar e tem o apoio da maioria dos congressistas para levar o projeto para frente.
A atividade de espionagem e invasão de sistemas de computadores já dá cadeia nos Estados Unidos. Muitos desses invasores, conhecidos como hackers, estão na atividade por puro desafio, sem interesses financeiros.
Outros, mais sofisticados, entram em sistemas de grandes companhias como corretoras e indústrias, coletam informações quebrando as barreiras dos sistemas, e vendem o que conseguem para concorrentes.
Muitos argumentam que é louvável acabar com esse tipo de invasão de privacidade, mas não concordam em deixar as chaves dos sistemas nas mãos do governo.
De qualquer forma, a empresa de comunicação AT&T já estaria encarregada da criação e fabricação do "Clipper chip". Os concorrentes reclamam que a empresa, que vende telefones e que tem sistemas de videoconferência digital, terá um mercado cativo.
Outras tentativas de fabricar o "Clipper chip" já foram frustradas em alguns testes, que revelaram algumas portas para a ação dos "hackers" e "cyberpunks" mais experientes.
(Fernando Canzian)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-121</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-121</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
"Revolução" convulsiona o sistema libertário de uma pequena lista de discussão sobre Gilles Deleuze
HERMANO VIANNA
Especial para a Folha
Há algumas semanas, uma "revolução popular" eletrônica transtornou a vida das poucas centenas de pessoas que vivem no encrave deleuziano da Internet. Ninguém foi ferido, pelo menos não fisicamente.
Nenhum "corpo sem órgãos" (termo usado tanto pelas tropas rebeldes quanto pelos reacionários) foi encarcerado. Tudo aconteceu rapidamente, quase que imperceptivelmente. Mas a mudança –trazida pelos novos tempos revolucionários– foi surpreendente, e as lições que foram tiradas dela devem ser lidas como guias rodoviários para quem quiser trafegar pelas "information highways" que controlarão o futuro político-cultural-econômico do planeta.
Para entender o que realmente (ou virtualmente, se o leitor preferir) aconteceu, é necessário antes saber o que é uma mailing list, instrumento poderosíssimo de troca de informações dentro da Grande Rede. Traduzindo o mistério em linguagem semitécnica, pode-se dize que uma mailing list é um programa de computador que, com pequenas variações, nada mais faz do que enviar todas mensagens que recebe para todos os endereços eletrônicos de seus "assinantes".
Existem listas para todos os gostos. Eu, por exemplo, assino semanalmente uma lista dedicada a debater a obra de Brian Eno, outra sobre as relações entre a teoria do caos e a psicologia, e ainda outra sobre a filosofia de Gilles Deleuze. Foi nesta última que teve lugar a "revolução popular" de duas semanas atrás.
A lista deleuze é um subsoftware que funciona, há não mais de cinco meses, no computador que –dentro da Internet– tem o seguinte endereço: world.sdt.com. Nunca fui curioso o suficiente para saber em que cidade ou país ele está localizado. Isso é o que menos importa, pois tudo na Rede independe do espaço geográfico ou do regime político onde ficam os seus "nós". Mas o fato é que uma alma generosa separou vários megabytes de seu hard disk para o funcionamento de um grupo de mailing lists, chamado Thinknet, dedicado principalmente ao estudo das várias linhas filosóficas contemporâneas, com uma preferência especial por vedetes francesas pós-68.
A lista deleuze tem funcionado como um grupo de leitura do livro "Mille Plateaux". Do alto de minha experiência como voyeur de centenas de outras listas, posso dizer que é muito difícil encontrar um debate tão interessante quanto o travado por estes ciberdeleuzianos.
Talvez a qualidade da troca de idéias se deva à maneira pela qual a lista está organizada. A Internet promete muito (ou nós esperamos) e cumpre pouco. O principiante espera encontrar logo uma turma de hackers incríveis, totalmente sintonizados com suas paixões mais "sofisticadas", com os biscoitos finos que –dizem muitos dos apologistas da comunicação por computador– as mídias de massa sempre recusam. É ruim! Saber como ligar um modem na linha telefônica não é nenhuma garantia de "mentalidade mais elevada" do que a de um fã de Gugu Liberato.
O contrário é muitas vezes até mais verdadeiro: o fã do Gugu pode dar um banho de inteligência em muita gente que envia mensagens, todos os dias, para –por exemplo– a lista "alt.cyberpunk" da Usenet (o maior conjunto de mailing lists da Internet).
Mesmo correndo o risco de ser acusado de tecnoconservadorismo, tenho que declarar que as melhores listas são as moderadas. Os moderadores surgiram justamente para tentar conter o desperdício de "largura de banda" que engarrafa –com mensagens idiotas e brigas enfadonhas conhecidas como "flames" –os cabos de fibra ótica da espinha dorsal da Internet. E pior: as "flames" inundam com gigabytes de lixo as caixas postais de usuários bem-intencionados que, traumatizados, nunca mais ligam seus modems ou cancelam suas assinatura de listas para as quais poderiam dar importantes contribuições.
O difícil é estabelecer os limites para a atuação moderadora. Alguns list-owners são ditadores extremistas: só são distribuídas na Rede as mensagens que julgam apropriadas. Outros moderadores, melhores, se contentam com um poder sutil. "Conduzem" a conversa e tentam encontrar maneiras para contornar eventuais problemas. Era isso que acontecia na lista deleuze. Até algumas semanas atrás.
Como definir, dentro da lista, uma situação problemática? Esta definição depende apenas da sensibilidade do moderador ou de uma opinião mais geral, da "comunidade" dos assinantes de cada lista? Através de quais mecanismos políticos a "comunidade" pode tomar uma decisão? Voto? E como se define quem tem o direito de votar? Como se vota? Na Internet, por colocar em contato diário pessoas com sensibilidades, backgrounds culturais e filosofias políticas bem diferentes, essas questões de definição sempre alimentam debates irritantemente minuciosos.
A comunicação via rede de computadores é uma novidade para todo mundo. A estrutura técnica da Internet, totalmente descentralizada e contra qualquer tipo de censura, é uma espécie de experiência civilizatória num território selvagem. Não existem regras gerais de convivência. Essas regras são criadas a cada interação.
A lista "deleuze" tinha um moderador interno, mas também era vinculada a um supermoderador, responsável por todas as listas da Thinknet. Este último resolveu intervir numa determinada discussão, condenando-a por ser "poética" e ter pouca relação com a filosofia de Deleuze. Sua intromissão paralisou a lista. Uma enxurrada de mensagens atacaram a atitude "ditatorial" do supermoderador.
Resultado: o moderador da lista "deleuze" (sem consultar a comunidade) formou uma "frente rebelde" com o moderador da lista "avant-garde" (que ultimamente tem se dedicado a discutir o pensamento do anarquista Hakim Bey, a estrela do anarquismo novaiorquino) e deu um golpe de Estado eletrônico, criando um subprograma para suas listas dentro do computador world.std.com, independente do resto das listas da Thinknet.
O supermoderador, sentido com o golpe (quase todo mundo na Internet tem os nervos à flor da pele), resolveu, em represália, interromper –"temporariamente"– a atividade das outras listas da Thinknet, inclusive as que tratam de sua especialidade teórica: –ironia!– a auto-organização e o caos.
É interessante ver toda esta trama se desenrolar dentro de uma lista deleuziana. A Internet pode ser pensada como um exemplo mais que perfeito dos rizomas tão elogiados pela dupla Deleuze/Guattari. As ironias (ou pseudo-ironias) se amontoam: a maquinação rizomática da Internet foi criada por militares americanos obcecados com o comunismo.
Mas não é sempre assim? A centralização não vai sempre conviver com as tendências descentralizadoras e vice-versa? A produção do corpo sem órgãos não traz sempre consigo o risco de descambar num buraco negro fascista?
É ilusão pensar que a Internet vai resolver todos os problemas políticos e culturais com a construção do paraíso anarquista virtual. O ciberespaço não é melhor nem pior do que nosso mundinho real.
Na Internet, por mais descentralização e desterritorialização que incentive, sempre vai existir gente chata, autoritarismos de todas as espécies. A interatividade não é o fim do problema, mas apenas uma maneira diferente de lidar com ele. Assim como o ciberespaço é apenas um mundo diferente. Mas –certamente– é mais espaço. E quanto mais espaço melhor.

HERMANO VIANNA é antropólogo. Seu E-mail é hermano@ax.apc.org
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-122</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-122</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Especial para a Folha
A Internet é uma caixinha de surpresas. Todo mundo pode encontrar a sua turma, seja ela de amantes de orangotangos da Indonésia ou fãs da banda Higher Intelligence Agency. Não há nada melhor no mundo virtual que navegar a Internet sem destino.
Aqui vão alguns dos meus endereços favoritos. Na Califórnia, vale visitar o Melvyl (melvyl.ucop.edu), no Techno/Rave Gopher (tudo sobre o planeta clubber), e o Santa Fe Institute (bbs.santafe.edu), importante centro de estudos de ciências da complexidade.
Ou visite o MUD Lambda Moo (lambda.pac.xerox.com 8888), na Xerox, onde você pode criar personagens e interagir com outras personagens. Um MUD nordestino: Charisma, na Univ. de Pernambuco (riemann.dmat.ufpe.br 3000). Divirta-se.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-123</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-123</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Foi publicado recentemente pela Pantheon Books "The Politics of Dispossession" (A Política da Despossessão), do ensaísta palestino Edward Said (foto). O livro trata dos conflitos entre árabes e judeus no Oriente Médio. Professor de literatura na Universidade de Columbia (EUA), Said é autor de "Elaborações Musicais" (Imago) e "Orientalismo" (Cia. das Letras).

PARATI
A historiadora Marina de Mello e Souza autografa em Parati (RJ), no próximo dia 22, às 20h, "Parati: a Cidade e as Festas" (Editoras UFRJ e Tempo Brasileiro). O evento ocorrerá no Museu de Arte Sacra (Largo de Santa Rita, s/nº, tel. 0243 71-1266).

FRANKFURT                                                                                                                                    A 46ª Feira do Livro de Frankfurt terá traduções alemãs de quatro romances do antropólogo Darcy Ribeiro (foto): "O Mulo" e "Migo" (pela editora suiça Amman), e "Utopia Selvagem" e "Maíra" (pela alemã Suhrkamp). O autor participará da abertura do evento, em outubro, a convite do Ministério da Cultura do Brasil e da direção da Feira.                                                                                                                                                  
FADAS                                                                                                                                              A editora Peter Lang, de Nova York (EUA), acaba de lançar "The Fairy Tale Revisited" (O Conto de Fadas Revisitado), da jornalista e crítica de arte brasileira Katia Canton. O livro faz uma leitura interdisciplinar do conto de fadas, compreendendo sua forma escrita e suas adaptações para teatro e dança.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-124</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-124</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Em 'Idea' , Panofsky descreve como a estética alterou conceitos do filósofo grego
RICARDO MUSSE
Especial para a Folha
E só no século 18 que a estética –por meio de uma série de estudos que têm na Terceira Crítica de Kant o seu ápice– instaura-se programaticamente como uma esfera separada do mundo ético e teórico. Isto não significa, evidentemente, que antes dessa compreensão afirmativa da autonomia das artes os fenômenos artísticos e a beleza não fossem tema de meditação para artistas e filósofos. São exatamente a riqueza e a profundidade destas reflexões que Erwin Panofsky resgata em }Idea: a Evolução do Conceito de Belo.
Para elaborar um panorama histórico desse período, Panofsky adota como fio narrativo e princípio heurístico um recorte determinado –o acompanhamento da inversão do conceito platônico de Idéia levado a cabo, desde Cícero, por várias filosofias e pelas teorias das artes plásticas que surgem no Renascimento–, privilegiando uma das duas vertentes predominantes na concepção estética ocidental: a teoria das Idéias. Deixa em aberto e de certo modo sugeridas a possibilidade e a necessidade de uma história da outra vertente, a teoria da imitação, o que foi realizado, à sua maneira, no registro da representação literária, por }Mímesis de Erich Auerbach.
Em Platão o valor da criação artística determina-se pelo seu valor enquanto parte de uma investigação teórica que tem como objetivo a contemplação de Idéias puras e eternas. Medidas pela conformidade com as Idéias, as artes plásticas –tomadas como imitação da realidade– representam uma realidade de terceira ordem: cópia de uma natureza que, por sua vez, já era uma versão empobrecida das Idéias. A condenação platônica das artes, uma decorrência lógica do seu conceito metafísico e supraceleste de Idéia, não impediu entretanto que a noção de Idéia fosse retomada, em diferentes momentos e sob formas distintas, como veículo para a expressão de reflexões estéticas e até de apologias da arte.
Segundo Panofsky, esta associação indevida, ou melhor, o giro antiplatônico do conceito de Idéia, inicia-se com Cícero, cujo ecletismo, tomando a Forma platônica num sentido quase aristotélico, não só favorece a queda da Idéia filosófica da condição de essência metafísica para a mera condição de conceito (de um lugar supraceleste para a consciência humana) como também promove a elevação do objeto artístico de imitação de uma realidade exterior e sensível à condição de representação imaginativa, interior e mental (traduzindo em termos filosóficos, uma mudança social na recepção artística e no estatuto do artista).
Se Cícero e Sêneca desvirtuam a Idéia platônica para possibilitar a sua identificação com a representação artística, Plotino e o neoplatonismo vão resgatar a dignidade metafísica da Idéia sem, no entanto, deixar de associá-la com a representação e a criação estética. Longe da rigidez platônica, as Idéias, reveladas ao artista num ato de intuição intelectual, conservam seu estatuto de existência supra-real e supra-individual.
Essa elevação, ao conceder a arte como }heurésis (invenção), por um lado, gera um arsenal teórico que irá reaparecer sempre que a prática artística dominante for acusada de "naturalismo", de tal modo que a evolução histórica do conceito de belo relatada por Panofsky será, em certa medida, também uma história da emergência e da desaparição de um neoplatonismo que se conserva, por largos períodos, subterâneo. Por outro lado, ao conceber a irradiação da Idéia através da matéria como um triunfo da Forma sob o informe, gera um conflito entre forma e matéria, força e inércia, beleza e feiúra, bem e mal, que acaba –como a teoria da mímesis platônica, ainda que por motivos diferentes–, por colocar a arte sob suspeição.
Sabemos, pela história da arte, que o Renascimento volta-se contra a Idade Média, adotando como palavras de ordem o retorno à Antiguidade e uma nova aproximação da realidade. Nesse sentido, a dupla exigência renascentista de fidelidade à natureza e de beleza, que prega o confronto com a realidade seja para imitá-la, seja para corrigí-la, destoa da percepção do neoplatonismo cristão –em que o espírito criador impessoal cede lugar ao Deus pessoal e a filosofia da razão humana converte-se numa espécie de lógica do pensamento divino– que vê em cada manifestação do belo visível apenas o símbolo insuficiente de uma manifestação superior, a beleza invisível, por sua vez, mero reflexo da beleza absoluta.
A novidade destacada por Panofsky é, porém, de outra ordem. Trata-se do surgimento de uma reflexão prática e racional, levada a cabo não mais por filósofos, mas por artistas, que arrancam a obra de arte do mundo interior da representação subjetiva, situando-a num "mundo exterior" solidamente estabelecido. A dualidade espírito/natureza que surge então é superada através de regras (tenham elas validade a priori ou fundamento empírico), de um sistema de leis universais harmônicas e transcendentes.
Herdando o problema da relação espírito/natureza, mas não a solução classicizante –"o feliz compromisso entre sujeito e objeto"–do Renascimento, o Maneirismo se vê forçado à especulação, à legitimação teórica que traz de novo à tona o neoplatonismo (cujo único resquício no Renascimento era a noção, derivada da experiência, de Idéia). Se, por um lado, o artista afasta-se da natureza refugiando-se em Deus, a teoria estética, por sua vez, resgata para a arte em geral e para o belo em particular seu caráter de a priori metafísico.
Têm-se assim estabelecidas as bases que permitiram ao Neoclassicismo metamorfosear a Idéia em Ideal. Com isso completa-se a inversão do conceito platônico. As Idéias não são mais substâncias metafísicas supracelestes, mas sim representações que residem no espírito do próprio homem. Mais ainda, são reveladas preferencialmente na atividade do artista, de tal modo que quando se discute o conceito da Idéia é sobretudo no pintor –e não mais no filósofo– que se pensa.
É possível ver na tentativa de Panofsky de apontar indiçações e possibilidades de aplicação dessas teorias na estética contemporânea o sintoma de um pecado reiteradas vezes invocado contra a sua concepção de história da arte: a crença de que a arte se desenvolve dentro de um quadro delimitado e estável de combinações simbólicas prévias. No entanto, a preeminência da abordagem histórica impede que isto seja mais do que um pequeno senão, incapaz de embotar o brilho de uma obra que a posteridade não hesitou em considerar clássica.

RICARDO MUSSE é professor de filosofia na Unesp (Universidade Estadual Paulista)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-125</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-125</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
BERNARDO AJZENBERG
Secretário de Redação
"Miss Danúbio", de Marçal Aquino, é uma pequena coletânea ficcional de "faits divers". Violência, regras de ferro entre marginais, prostituição, traições, estupro, acertos de contas, morte, gangues e cicatrizes –todos os ingredientes de uma visível decadência urbana estão aí, espalhados por 11 contos curtos, secos e frios como notícia de jornal.
A descrição sucinta dos ambientes –bares, estacionamentos, galpões–, a facilidade que o leitor encontra para identificar os personagens –caminhoneiros, prostitutas, marginais– e o trânsito sem tropeços entre uma cena e outra mostram que Aquino possui pleno domínio sobre os instrumentos da escrita. Poeta, autor também de novelas juvenis e de um premiado livro de contos anterior ("As Fomes de Setembro"), ele tem a técnica visivelmente sob controle.
Nesses termos, seus contos ficam a meio caminho entre a minuciosa narrativa de um João Antônio e a ficção sumária de um Dalton Trevisan, para citar dois contistas que abordam universos temáticos semelhantes ao de "Miss Danúbio".
Em alguns casos, um tom de rude lirismo aparece, de forma sutil e surpreendente, como em "Velhos Amigos, "No bar do Alziro" e "Matadores". E um quê de suspense atrai a atenção do leitor em "Santa Lúcia".
A destreza técnica de Aquino, porém, contrasta com o alto grau de previsibilidade de seus personagens e de seus ambientes enquanto criação peculiar, ao menos em "Miss Danúbio". Sendo mais claro: os personagens e os ambientes deste livro, com algumas exceções, são demasiadamente caricaturais. E isso vale também para a maioria dos seus enredos.
Fica a impressão de que Aquino, sem querer, escreveu principalmente para o seu público juvenil, visando a esclarecê-lo sobre uma série de perigos, sobre a existência do Bem e do Mal, e assim por diante.
Não vem ao caso, aqui, se a literatura juvenil deve ir ou não, se ela vai ou não além da caricatura. O fato é que, neste novo livro de Aquino –que não é apresentado pela editora como tendo sido escrito para colegiais–, sente-se falta de mais peso específico, como em João Antônio, ou de mais simbologia, como em Trevisan, para ficar nos dois autores já mencionados.
Alguns nomes de personagens ilustram essa impessoalidade com um ar de coisa já vista (ou lida): Alfredão, Pedro Macaco, Tonhão, Negão... são apelidos que soam comuns, por exemplo, a dezenas de livros ou filmes nacionais de segunda linha que retratam sexo e violência de forma congelada e repetitiva.
O mesmo se dá com os ambientes, sempre os balcões e as mesas de bar, o motel e os espelhos, o pátio de estacionamento e a caminhonete...
É como se uma espécie de ânsia quase adolescente de revelar "a vida como ela é", copiando a "realidade" apenas em seus traços mais visíveis, acabasse constrangendo o inegável talento do autor. Pode-se dizer, por essa razão, que Marçal Aquino teria todas as condições de nos oferecer muito mais do que "Miss Danúbio", nos oferece.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-126</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-126</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
RODRIGO GARCIA LOPES
Especial para a Folha
Aos 48 anos, o poeta baiano Jorge Salomão lança o livro de poemas "Mosaical". Os 70 textos formam, no dizer do autor, "um mosaico musical", sem pretensão de apresentar um "estilo" único, ou uma idéia de unidade. "Mosaical" é um sintoma da extrema liberdade anárquica que os poetas gozam hoje: a de trabalhar com ampla variedade de ocorrências poéticas. Do poema-grafite à letra de rock, do lírico ao delírico, da prosa experimental a poemas "pós-concretos".
Hoje se pode perceber que a produção da "geração 70" –alvo do desdém dos acadêmicos–, revelou poetas muito mais interessantes do que os chamados "pós-concretos" ou da "geração 90" da linhagem construtiva e metalinguística, como Torquato Neto, Leminski, Cacaso, Tite de Lemos (já mortos), Chacal, Ulisses Tavares, Aristides Klafke, Glauco Mattoso, Alice Ruiz, Waly Salomão, Roberto Piva, Antonio Cícero, Duda Machado.
Com a poesia marginal a poesia brasileira aprendeu a ser um pouco mais "irresponsável", a cantar e dançar. Introduzindo mais "feeling", vitalidade e suíngue na poesia, esses poetas reacenderam a importância da experiência. Mesmo que muitas vezes essa "cruzada das crianças" tenha sido incompetente em termos de forma, não há dúvida de que ao recuperar o humor, explorar a proximidade com a música e a oralidade e captar as nuances da "fala brasileira", os poetas dos anos 70 contribuíram para oxigenar a poesia brasileira.
Todas essas conquistas estão nítidas em "Mosaical": Salomão usa uma dicção mais solta, um certo tom "conficcional". Assume o usual papel do poeta "outsider", "um cigano vagabundo/ um clown pirado" que "come vidro" e vai "soprando fogo por todos os poros/ abrindo caminho no fechado/ trilhando o claro/ escuro dos dias" ("Comendo Vidro").
Com uma visão colagística, fractal, Salomão incorpora em seus poemas gírias, clichês, jeitos e falas tiradas das ruas: "eu numa de santo/ alguém numa de click". "Não é por essa praia." Quando o uso desses materiais provoca surpresa, funciona. Escolhendo o "free verse", o poeta pinta como um fotógrafo do caos: em "Fúria e Folia", um dos pontos altos do livro, o poeta diz? "me chamo o vento/ passeando pela cidade destruída./ Na praça aberta, sou um colar de livres pensamentos/ quem quer comprar o jornal de ontem/ com notícias de anteontem?".
Há também a linguagem elétrica e direta de seus "lyrics" (parcerias com Frejat, Marina e outros). Muitos estão entre os melhores poemas do livro, como "Azul Azulão". "Mosaical", com seus altos e baixos, "caprichos & relaxos", é um sintoma da poesia hoje: plural, aberta, e imprevisível. Salomão prefere "dizer tudo" a se intimidar pela noção do poema como máquina de palavras. Para ele, poesia é registro de um processo vital.
Do Rio, "40 graus –cidade maravilha purgatório da beleza e do caos"–, Jorge Salomão nos manda seus sinais desses tempos "barrocos", pessimistas, sob o signo da vida como dúvida, do escuro do futuro: "na dança dos sonhos/ dentro do vidro dos dias/ em volta dos desertos/ cidade vazia/ não há de ser nada/ dancemos juntos/ esse fim de século/ atravessaremos o lamaçal/ nos deitaremos na relva/ um tempo olhando os céus" ("Na Flauta"). O mérito de "Mosaical", apesar de irregular, desigual e com alguns momentos menos resolvidos, é o de ser um livro de poesia provocante, cheio de vida, humor, vigor e com coisas interessantes sendo ditas, algo raro na poesia do verso "oficial" brasileiro hoje, que anda sério, careta, sistemático e robótico demais. O poeta não se intimida em "soltar a voz, correr os riscos". Também sabe que o ERRO faz parte do jogo: por isso o livro vale também pela coragem em expor não só os acertos, mas também os registros de momentos para os quais poderíamos usar os versos de Dante, no Purgatório: "Eu sou um, que quando/ Amor me inspira, anoto/ E do jeito que lá dentro me dita/ Sigo significando".

RODRIGO GARCIA LOPES é jornalista, poeta e tradutor, autor de "Sylvia Plath: Poemas".
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-127</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-127</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
'Da Violência', de Hannah Arendt, será reeditado pela Relume-Dumará
CELSO LAFER
Especial para a Folha
"Sobre a Violência" é um texto importante na obra de Hannah Arendt (1906-1975). Representa, muito ao seu modo, um parar para pensar a respeito do tema, suscitado pelo contexto da rebelião estudantil de 1968, pela guerra do Vietnã e pela discussão, no âmbito da "Nova Esquerda", do papel dos meios violentos de resistência à opressão, como a guerrilha, particularmente nos processos de descolonização. Constitui, assim, como era usual na sua maneira de elaborar conceitos e tratar de assuntos, uma reflexão teórica a partir de problemas concretos da agenda política contemporânea. Nesta reflexão, certos temas arendtianos recorrentes são retomados, o que também permite dizer que este livro se insere de maneira coerente na sua trajetória intelectual.
O livro desdobra-se em três partes e, na primeira, o tema recorrente é o da "ruptura", ou seja: o da brecha entre o passado e o futuro, trazida pelo esfacelamento da tradição intelectual que não tem categorias suficientemente abrangentes para lidar de maneira apropriada com o ineditismo das experiências políticas do século 20, entre as quais avulta o totalitarismo, tanto na sua vertente nazista quanto na stalinista.
Nesta linha, Hannah Arendt indica como o século 20 encontrou, na violência e na multiplicação de seus meios através da revolução tecnológica (por exemplo, a bomba atômica), o seu denominador comum, apontando que a "Nova Esquerda" tem precisamente, como uma de suas características, o tomar conhecimento da maciça intromissão da violência criminosa em larga escala na política. São exemplos paradigmáticos desta intromissão os campos de concentração, o genocídio, a tortura e os massacres em massa dos civis nos conflitos bélicos que tipificam as modernas operações militares.
Esta tomada de conhecimento pode, em contraposição, instigar o emprego dos meios não violentos de resistência à opressão, como a desobediência civil que ela tratou num importante ensaio. Pode também induzir a um "pathos" e a um "élan" que inspirou, e é disso que ela cuida nesse livro, uma tomada de posição favorável à violência e à aceitação, por exemplo, da argumentação de Sartre, no conhecido prefácio a Fanon, que é através da violência que o Homem se recria. Na sua postura crítica, Hannah Arendt sublinha que não é da tradição intelectual do idealismo hegeliano ou do materialismo de Marx (através da recriação constante do Homem pelo trabalho), que se chega à glorificação da fúria vulcânica da violência.
Se a violência não é para ser glorificada, o que é este fenômeno, que Sorel, um dos seus teóricos e apologistas, viu como permeado de obscuridades? É desta maneira que Hannah Arendt inicia a segunda parte. Nesta, o tema recorrente é a originalidade da análise arendtiana do poder e da criatividade da ação.
Esquerda e direita, Writht Mills e Max Weber, Mao Tse-tung e Bertrand de Jouvenel, todos enxergam na violência, observa Hannah Arendt, a mais flagrante manifestação de poder, entendido como o domínio do homem sobre os homens que exige a efetividade do comando. Não é esta, como se sabe, a visão de Hannah Arendt que, como realçou Habermas, deslocou na sua análise a temática do poder do seu emprego e aplicação, para o de sua criação e manutenção.
Para ela, o poder, que é inerente a qualquer comunidade política, resulta da capacidade humana para agir em conjunto, o que, por sua vez, requer o consenso de muitos quanto a um curso comum de ação. Por isso, poder e violência são termos opostos: a afirmação absoluta de um significa a ausência do outro. É a desintegração do poder que enseja a violência, pois quando os comandos não são mais generalizadamente acatados, por falta do consenso e da opinião favorável, implícita ou explícita, de muitos, os meios violentos não têm utilidade. É esta situação-limite que torna possível, mas não necessária, uma revolução. Em síntese, para Hannah Arendt, a violência destrói o poder, não cria o poder.
Ela fundamenta esta sua afirmação caracterizando a violência como instrumental e diferenciando-a do poder (a capacidade de agir em conjunto), do vigor (que é algo no singular, é o caso do vigor físico de um indivíduo), da força (a energia liberada por movimentos físicos ou sociais) e da autoridade (o reconhecimento inquestionado que não requer nem coerção nem persuasão e que não é destruído pela violência mas sim pelo desprezo).
A violência multiplica, através dos instrumentos que a tecnologia fornece de maneira cada vez mais exponencial, o vigor individual. Por isso a forma extrema de violência é o um contra todos. O que surge do cano de uma arma não é poder mas a sua negação, e deste "poder de negação" não brota o seu oposto. Neste sentido, aponta Hannah Arendt, é equivocada a confiança hegeliano-marxista no "poder de negação dialético", ou seja, a de que os opostos não se destroem, mas desenvolvem-se, transformando-se. A violência não reconstrói dialeticamente o poder. Paralisa-o e o aniquila.
A violência destrutiva do poder está, no entanto, muito presente na vida do século 20. O que a explica? Este é o tema da terceira parte do livro. Para Hannah Arendt, a violência e sua glorificação explicam-se pela severa frustração da faculdade de agir no mundo contemporâneo, que tem suas raízes na burocratização da vida pública, na vulnerabilidade dos grandes sistemas e na monopolização do poder que seca as suas autênticas fontes criativas.
O decréscimo do poder, pela carência da capacidade de agir em conjunto, é um convite à violência, observando Hannah Arendt que aqueles que perdem esta capacidade, sentindo-a escapar de suas mãos, sejam governantes sejam governados, dificilmente resistem à tentação de substituir o poder que está desaparecendo pela violência. Ela aponta, aliás, numa arguta nota, como a ineficiência generalizada da polícia, nos EUA e na Europa, tem-se visto acompanhada pelo acréscimo da brutalidade policial.
Nesta terceira parte, o tema recorrente fundamental é a análise da hipocrisia como provocadora da violência. O que converte os "engagés" (engajados) em "enragés" (enfurecidos), diz Hannah Arendt, retomando sua reflexão sobre o fenômeno revolucionário, sobretudo na França, é a palavra que não revela a imprescindível transparência do espaço público mas a esconde na opacidade. Daí a idéia de arrancar, pela violência, as máscaras da hipocrisia dos governantes. Violência, no entanto, só tem sentido quando é uma re-ação e tem medida, como é o caso da legítima defesa. Perde a sua razão de ser quando se transforma numa estratégia "erga omnes", ou seja, quando se racionaliza e se converte em princípio de ação.
Para esse equívoco contribuiu, no plano teórico, sublinha Hannah Arendt, a revivescência do vitalismo, ou seja, Bergson e Nietzsche na versão soreliana e nos seus desdobramentos, que leva ao uso de modelos orgânicos de concepção da política, nos quais a criatividade da vida do poder justifica a criatividade da violência em função da penalidade biológica da fraqueza e da morte.
Esta postura arendtiana também se compreende à luz de outro ponto chave de sua reflexão, que é a contestação do medo da morte como o princípio da política. Para ela, não é a mortalidade, com a qual se preocupa a metafísica, a categoria central da política. É a natalidade, a esperança do novo, que provém da criatividade do início da ação conjunta que anima a "vita activa".
Esta esperança, que ela afirma em "A Condição Humana", apesar de todos os traumas do século 20, significa uma impugnação ao medo, que do estado de natureza de Hobbes às entranhas do poder de Canetti, representa uma visão do poder e da política oposta a que ela buscou construir. Neste sentido, e porque ela está, diria eu, de acordo com Giucciardini, para quem entre os homens normalmente a esperança pode mais que o temor, que ela fez neste pequeno grande livro uma oportuna e vigorosa crítica da apologia da violência.

CELSO LAFER, 52, é professor titular e chefe do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo; é autor, entre outros livros, de "Hannah Arendt - Pensamento, Persuasão e Poder" (Paz e Terra) e "A Reconstrução dos Direitos Humanos - Um Diálogo com o Pensamento de Hannah Arendt" (Companhia das Letras)

Este texto, publicado com exclusividade, é o prefácio à nova edição do livro "Da Violência", de Hannah Arendt, que será lançada até o final do mês pela Relume-Dumará
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-128</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-128</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
MARIA ISABEL P. LIMONGI
Especial para a Folha
O livro recém-lançado pela Imago, reunindo um série de artigos de Antonio Gomes Penna, tem certamente um título sugestivo: "Freud, as Ciências Humanas e a Filosofia". Ninguém duvida de que estes três discursos se entrecruzam e que a forma deste entrecruzamento merece comentário. Resta ainda o trabalho de pensar e delimitar o lugar ocupado pela psicanálise entre as "humanidades". De um lado, não faltam exemplos do modo como a filosofia e as ciências humanas se apropriaram de Freud a partir de redes teóricas que lhe são incompatíveis; do outro, é o próprio Freud quem se apropria de outros discursos, pretendendo reduzir a metafísica à metapsicologia e fazer da psicanálise a principal chave de compreensão do homem. Nas duas direções, tais pretensões terminaram por causar um verdadeiro curto-circuito na relação entre a psicanálise, as ciências humanas e a filosofia.
O livro de Penna, contudo, não nos ajuda a esclarecer a série de mal(ou bem)-entendidos envolvidos nestas conflituosas relações. Limita-se a constatar o fato de que Freud tem a ver com Rousseau, Marx ou Lévi-Strauss, diferindo aqui e ali de Kant ou Vernant.
Chega mesmo a enfastiar o leitor, como em "Nietzzsche e Freud", em que longas citações de Nietzsche, intercaladas por breves comentários exaustivamente repetidos, desembocando na já esperada e magra conclusão: tem a ver com Freud.
O vazio desta fórmula não constitui, porém, o maior problema do livro. Passeando pelos mais diversos autores, na maior parte das vezes citados de segunda mão (as referências a Marx, por exemplo, no artigo "Psicanálise e Alienação", remetem ao "Dicionário do Pensamento Marxista" de Petrovic), o texto de Penna se constrói como uma colagem de citações e é, ele mesmo, um curto-circuito de discursos dissonantes.
Um exemplo, entre muitos: em "Freud e Kant", Penna nos apresenta, via citação de um comentador, uma crítica à autonomia moral do sujeito kantiano. Esta crítica de tom heideggeriano ("no domínio prático o sujeito parece não ser mais abertura", diz o comentador) lhe serve como exemplo de "dificuldades envolvendo alguns dos conceitos produzidos pelo filósofo de Kõnigsberg" que nos ajudam a compreender "o exato significado" da interpretação freudiana do imperativo categórico.
Segue-se então uma longa citação de "O Ego e o Id", em que o superego é apresentado como o fundamento da moralidade. Em nenhum momento Penna se preocupa em esclarecer no que a dificuldade apontada anteriormente tem a ver com a perspectiva freudiana. Aqui, como em muitas outras citações sobrepostas, caberia simplesmente dizer: não tem a ver.
Apenas em um artigo Penna parece se dar conta da dificuldade do tema que tem em mãos. Trata-se de "Psicologia e Psicanálise" em que propõe, com acerto, que a possibilidade desta distinção depende de que saibamos o que é a psicologia e que psicologia se pretende distinguir da psicanálise.
Isto é, depende de que saibamos a partir de que ponto estabelecemos diferenças e semelhanças entre os discursos. Sua proposta de que a distância entre psicologia e psicanálise talvez não seja tão grande quanto por vezes se pensou pode servir como pista para compreendermos a fraqueza de seu livro. Como reduzir tais diferenças sem dispor de um ponto de vista que permitisse articulá-las?

MARIA ISABEL LIMONGI é professora de filosofia na UFPR (Universidade Federal do Paraná)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-129</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-129</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Três lançamentos mostram influência da sensualidade e do misticismo árabe sobre o Ocidente
MARILENE FELINTO
Da Equipe de Articulistas
O viajante e geógrafo inglês Sir Francis Richard Burton (1821-1890) já dizia que a origem do "amor" está antes na influência da poesia árabe sobre a Europa do que no cristianismo medieval.
Em seu livro "Personal Pilgrimage to Al-Madinah and Meccah" (Peregrinação Pessoal a Medina e Meca), narrativa de uma viagem à Arábia em 1853, Burton, fingindo-se de muçulmano, diz:
"Se não fosse evidente que a espiritualização da sexualidade pelo sentimento, da propensão pela imaginação é universal entre os mais elaborados sistemas sociais da humanidade (...), eu atribuiria a origem do 'amor' antes à influência da poesia e da cavalaria árabe sobre as idéias européias do que ao cristianismo medieval."
Para fundamentar seu argumento, Burton adverte primeiro para o fato de que certos "padres da Igreja" achavam que as mulheres não tinham alma e que os muçulmanos nunca foram tão longe na definição da mulher amada.
Pelo contrário –e é isto que Burton aponta em segundo lugar–, o amante árabe é caracterizado como aquele que enfrenta todas as consequências do amor.
Burton conta então como, na vida nômade do deserto, as tribos árabes se encontravam por determinado tempo, vivendo juntas enquanto durava o pastoreio, para depois se separarem por toda uma geração às vezes.
Sob essas circunstâncias, os jovens se apaixonavam, perdiam o coração para moças com quem, pela lei do clã, eles não podiam se casar, pois jovens de um clã mais elevado não podiam casar com moças de clã inferior e vice-versa.
"Nada pode ser mais impressionável, mais patético", explica Burton, "do que o uso que os antigos poetas árabes fizeram dessas separações e longas ausências". Segundo ele, isso é confirmado em todas as histórias e lendas onde o amor, e não a ambição, é o fundamento da narrativa: "geralmente o amante adoece em consequência da ausência da heroína, e permanece até a hora de sua morte na mais extrema tristeza e ansiedade".
Essa análise de Richard Burton é inteiramente confirmada por dois de três lançamentos de textos antigos da literatura árabe. O personagem Flor de Amor, do livro "O Jardim das Carícias - Conto Beduíno", é o típico amante árabe descrito por Burton.
A ausência de Udaulat, a princesa amada, faz Flor de Amor adoecer: "Dias e semanas se passaram. Todas as alegrias de uma vida despreocupada foram saboreadas, uma a uma, mas a fisionomia de Flor de Amor tornava-se cada dia mais melancólica; o apetite e o sono o abandonavam pouco a pouco, e seu corpo se enfraquecia (...)."
De autoria incerta –atribuída a Rejeb ben Sahli, provável pseudônimo–, também não se sabe quando nem onde o texto foi escrito. "O contexto da narrativa inspira-se visivelmente na tradição árabe-persa (...), mas a grafia dos nomes próprios e o uso de certos termos (...) nos levariam antes ao Magreb", o editor esclarece.
Não é só por conta do anonimato que as histórias das aventuras amorosas do príncipe Flor de Amor seguem a tradição das narrativas de "As Mil e Uma Noites" (séculos 8 a 9). Os temas e os recursos narrativos são idênticos, destacando-se o elemento maravilhoso, a intervenção de magias, encantamentos e fatos sobrenaturais para resolver os enredos.
A poesia nada ingênua do "conto beduíno" –"Mas qualquer felicidade só dura um instante; mal é afagada, e já escapa por muito tempo...", diz o autor– junta-se à curiosa abordagem da sexualidade em "Os Campos Perfumados", de Muhammad al-Nafzawi.
Escrito no século 15, sob encomenda de um sultão da dinastia haféssida de Túnis (Tunísia), é um livro de "erotologia", como diz o orientalista René Khawan, um detalhado tratado meio didático, meio médico sobre o ato sexual, dirigido à instituição dos homens.
Essa espécie de Kama-Sutra árabe revela ainda uma preocupação literária, social e "psicanalítica avant la lettre" que o afasta da pornografia, conforme entende Khawan: "Pois tudo aqui é ditado pela verdade –harmoniosa– dos corpos e das almas. De fato, estamos em oposição direta à pornografia, que pretende ser antes de tudo ruptura, desarmonia".
Para nós, ocidentais desta era, nada mais interessante e curioso que mergulhar na leitura desse universo de haréns, vizires, sultões e emires que há cinco séculos ponderavam sobre "as maneiras de copular" ou "como soltar o órgão viril tolhido".
O terceiro lançamento é um texto para místicos: "Histórias de Nasrudin", anônimo que narra as experiências de um sábio sufi chamado Mullá Nasrudin, personagem criado pelos dervixes, religiosos muçulmanos que fazem voto de pobreza e seguem a doutrina sufista. O livro não tem valor literário, serve talvez de complemento para essa viagem pelos textos do sempre enigmático Oriente.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-130</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-130</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

O Jardim das Carícias, de Rejeb ben Sahli, 206 págs, R$ 15,84 e Os Campos Perfumados, de Muhammad al-Nafzawi, 232 págs. R$ 13,00. Ambos em tradução de Monica Stahel e edição da Martins Fontes (r. Conselheiro Ramalho, 330/340, SP, tel. 011 239-3677).
Histórias de Nasrudin, trad. de Henrique Cukierman e Mônica Cromberg. Ed. Dervish (Praia do Botafogo, 210, cj. 1.008, RJ, tel. 021 551-2096). 176 págs. R$ 7,30
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-131</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-131</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Para os leitores de "Infância de Mentira" (1991), o segundo livro de Louis Begley deve ter vindo como uma surpresa. Muito longe do cenário de perseguição e horror, construído aos olhos de um menino durante a Segunda Guerra Mundial, "The Man Who Was Late" (recém-lançado em português, como "O Homem que se Atrasava") se passa todo na alta sociedade franco-americana, num ambiente que faz lembrar Proust ou Ilenry James.
Sugestões autobiográficas já são um clichê nas resenhas dos livros de Begley, que como o menino Macick escapou por pouco de ser uma vítima do nazismo e como o banqueiro Ben é hoje um dos mais respeitados negociadores internacionais de "joint ventures".
A comparação entre Begley e Louis Auschincloss, também um escritor-advogado, é outro comentário previsível, mas Begley é provavelmente um escritor mais duradouro e com toda certeza um advogado de maior porte.
Nessa mesma linha, a crítica vem aportando os vínculos implícitos entre as duas narrativas, e entre as personagens Ben e Maciek, paralelos mais ou menos legítimos à história de sucesso do imigrante judeu Begley, nascido Ludwik Begleiter, em 1933, na Polônia.
Realismo e literalismo são chagas perpétuas da crítica, mas particularmente injustas no caso de um escritor cujo tema central é a recuperação da memória, ou compreensão retrospectiva das coisas, como chave de si.
Há uma outra ironia, ainda, em apostar todas as cartas na análise das personagens, na medida em que isto acaba exagerando a transformação de estilo e ambiência. É uma transformação aparente: um passo além da trama, os dois livros tratam, afinal, de problemas análogos.
Num e noutro livro, Begley se revela o mais delicado analista das perdas humanas e suas possíveis compensações. Com um ouvido raro para o tom da língua (muito difícil de traduzir), ele é o arquivista dos erros, dos mal-entendimentos próprios que regem a fortuna do afeto e podem fazer de algum ato ou palavra casual o primeiro elo de uma cadeia incontrolável de consequências.
Begley não é nem simplesmente um relator de memórias do holocausto, nem o esteta gentil e um pouco frívolo da alta sociedade. Seu jogo é, de um ponto de vista literário, bem mais alto e mais difícil, na medida em que a narrativa tende a reproduzir, ela mesma, uma impossibilidade de anular, ou reconciliar verdades incompatíveis, que é a própria marca da literatura.
Num e noutro caso, Begley faz do seu estilo –tranquilo, irônico, bem-educado e um pouco fora de moda– o instrumento ideal para se equilibrar entre as vitórias da memória e as devastações que parecem sempre prontas para se desencadear.
Seu gesto típico é um contraste entre o que há de mais material, mais terreno –terrores do sexo, por exemplo– com a superfície virtuosisticamente bem controlada das relações. E só uma leitura muito apressada não vai registrar a enorme carga de sentimento que corre, submersa, na prosa de um romance como "O Homem que se Atrasava".
É um livro, ainda, do mais refinado humor, uma festa da inteligência, generosamente conduzida em pequenos detalhes e comentários. É um daqueles livros impossíveis de se guardar sozinho; como era o caso, na época, com os novos livros de Barthes, é uma oferenda para ser compartilhada, não sem uma ponta de ciúme, porque agora são os outros que estão lendo.
Begley levou 57 anos para escrever sua primeira obra de ficção (descontadas duas pequenas histórias escritas em Illarvard, onde dividiu o primeiro lugar da turma com John Updike) e diz que não sabe por quê resolveu escrever nesse momento.
Mas escreveu o segundo "porque não queria ser o autor de um livro só". E o terceiro, que acaba de sair nos Estados Unidos, porque "também não queria ser o autor só de dois livros". "As Max Saw It" não tem, talvez, a mesma força de imaginação do livro anterior, mas tem tudo para se tornar um sucesso ainda mais retumbante.
Para isto contribui, sem dúvida, o tema da Aids. O poeta Coleridge descrevia a doença, a religião e a poesia como os "extensores da consciência"; na era de Freud, nós hoje teríamos de acrescentar o sexo. Neste romance, centrado sobre a amizade entre um professor de direito e um arquiteto homossexual, mais um grande número de parceiros e coadjuvantes, Louis Begley escreve aquele que é provavelmente o maior romance já escrito sobre uma morte por Aids, ou melhor, sobre as paixões em torno e após esta morte.
"O maior romance sobre o amor heterossexual foi escrito por um homossexual", diz Begley, fazendo referência a Proust, numa entrevista recente à revista "New Yorker", "não vejo porque um heterossexual não possa escrever um romance sobre uma paixão homossexual".
Há paixões de todos os tipos no decorrer do romance, que também faz outras referências explícitas a Proust (a começar pelo nome do arquiteto Charlie Swan). Mas não é, finalmente, sobre o homossexualismo nem sobre a doença que vão convergir nossas atenções. Aqui, como no "Homem que se Atrasava", o que se tem é um romance sobre a amizade, e sobre a educação sentimental de um homem pela convivência com outro.
Como Proust, Begley é um grande artista das transformações retrospectivas, mas ele é um Proust de câmara, não sinfônico, e com um acento americano. A epígrafe do livro vem de um poema de Wallace Stevens. "The Man with the Blue Guitar", que parece servir ao romancista como um verdadeiro tratado de estética, com suas divisões entre as coisas como elas são e como elas nos parecem, e seu contentamento final na existência do corpo e volúpias da percepção.
O humor de Begley, por outro lado, lembra mais a agudeza de Nabokov, sem a crueldade. Mas o contraste entre o estilo cordato de Begley e Ilenry James, com quem também já foi comparado. O próprio Begley indica uma fonte mais próxima dessa tonalidade particular, na apresentação do primeiro livro, com suas referências à "Eneida".
O senso de perda, a turbulenta ininteligibilidade, a melancolia, "as lágrimas das coisas humanas": são todos temas de Virgílio. Nele, também, Begley vai estudar um exemplo de relato calmo, da narração controlada e possível de um horror grande demais para se dissolver em "pathos".
Resta comentar a delicadeza, ou relativa suspensão do julgamento, que está além de acusação ou apologia. O sacrifício de Charlie Swan é precisamente o oposto do de Enéias, que faz da vida uma missão de estado.
Este livro romano de Louis Begley, seu livro, afinal, mais positivo, é ainda um romance da história. Mas é uma história que recusa as monumentalidades, e faz de uma paixão pessoal, recuperada do outro lado da morte, o agente real de transformação humana, e o grande educador.
Quem for ler "As Max Saw It" imediatamente após "O Homem que se Atrasava" talvez sinta alguma frustração pela recorrência de uma idéia de livro muito similar. O que antes surpreendia pelo contraste talvez agora incomode pela semelhança. Mas isto é, afinal, irrelevante para a leitura do livro em si.
Com estes três volumes, Louis Begley já se firmou como um dos maiores autores norte-americanos da literatura do fim-do-século. Modesto, refinado, discreto, ele é a ave rara de uma cultura literária cada vez mais programática, plana e auto-promocional. Sua obra não é, nem tem a ambição de ser uma grande obra, mas é uma das mais benvindas consolações num tempo de excesso e pobreza.

ARTHUR NESTROVSKI é professor na pós-graduação em comunicação da PUC/SP, autor de "Debussy e Poe" (L&PM) e organizador de "riverrun - Ensaios sobre James Joyce" (Imago).
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-132</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-132</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O rebaixamento da realidade como alienante ilusão inibe a capacidade de inventar o futuro
CONTARDO CALLIGARIS
Especial para a Folha
Na introdução de seu notável "American Mythologies" (1), Marshall Blonsky cita um comentário de Roland Barthes sobre o famoso suicídio coletivo dos fiéis do Templo do Povo na Guiana.
Barthes salientava, na época, a "quebra dos códigos" produzida por um tal excesso quantitativo em um ato normalmente singular ou circunscrito a grupos restritos (dois amantes, uma família). Ele lamentava também não saber melhor no que a massa dos coitados suicidados acreditava, "como se –Barthes escrevia– as tentativas de interpretação hoje fossem tão interessadas pelas formas... que nos parece desnecessário considerar os conteúdos".
Blonsky lembra ter anotado na margem do texto de Barthes: "Mas você poderia ter encontrado! Poderia ter subido em um avião e, junto com a imprensa, entrevistado os sobreviventes, assim conciliando suas estratégias interpretativas com uma técnica empírica de recolher notícias."
Este debate por anotações nas margens é tanto mais significativo que Blonsky –um dos pioneiros da semiologia nos EUA– justamente com este seu último livro, deixa as fascinantes verdades formais e sai pelo mundo afora para interrogar os mitos contemporâneos em sua fonte. As viagens, os encontros (de Helmut Newton a Evtushenko, passando por Rosita Missoni, Ted Koppel, Armani, Umberto Eco etc) exploram uma realidade que, por mítica que seja, não é condenada como desprezível aparência.
Por isso, embora o título seja sem dúvida uma homenagem às "Mitologias" de Barthes (1957), os dois livros podem se contrapor paradigmaticamente. As "Mitologias" ofereciam uma série de interpretações rápidas e brilhantes pelo seu poder de desmistificação. Apesar de seu carinho complacente para com o cotidiano, o "mitólogo" –como Barthes mesmo denominava sua função– queria "desfazer a significação do mito" e revelá-lo "como impostura".
O autor das "Mitologias" (preciso chamá-lo assim, pois minhas observações valem para o Barthes de 1957 e imagino que ele teria feito as mesmas nos anos 70) nos deixa a impressão que, mesmo confortavelmente lançado a 150 por hora a bordo de um novo Citroen DS 19, nunca teria baixado a guarda, anotando sem parar sua reflexões mitológicas, de medo de ser inexoravelmente seduzido pelo mito DS.
Blonsky, ao contrário, se permite, por exemplo, achar bonito um pulôver de Missoni, acaba recebendo-o de presente em seu quarto de hotel e se aventura até a usá-lo pelo menos uma vez nas ruas de Manhattan. Como os pulôvers de Missoni, o Citroen DS 19 era fantástico. Posso testemunhar: dirigi um de Milão a Kabul, ida e volta (quando ainda dava para atravessar estas paragens). Será que esta cumplicidade com o objeto mítico compromete o trabalho do mitólogo? Pode ser, mas resta perguntar qual é o efeito e o alcance do trabalho do desmistificador.
Acontece que, relidas hoje, as "Mitologias" de Barthes parecem elas mesmas constituir um mito como aqueles que elas denunciam. Seu autor (mesma ressalva feita antes) é um herdeiro do flâneur de Walter Benjamin que é seduzido pela fantasmagoria moderna das mercadorias, mas não tem direito de comprar. Ele vem para festa, mas não dança, abstenção que o autorizaria a entender o que é verdadeiramente a festa.
Quem dançasse sacrificaria sua inteligência crítica e não teria como passar de colunista social. Este mito do intelectual mitólogo teria para mim como emblema um homem pálido de terninho tergal preto, lendo "Das Kapital" em baixo de um guarda-sol em uma praia italiana nos anos 60. O mito diz que, para pensar, precisa se afastar da massa e de suas paixões. O paradoxo, aliás, é que justamente quem assim se afasta, persegue e realiza a maior paixão de massa dos indivíduos modernos, que é a de se diferenciar.
Mas, sobretudo, o mito do mitólogo é solidário de um corolário básico da modernidade segundo o qual a verdade se articularia melhor no isolamento monástico, pois só poderia ser fruto de uma razão subjetiva não sujeitada à tradição, nem contaminada pelas aparências enganadoras de uma realidade traiçoeira e alienante.
Esta oposição de verdade e realidade contribui singularmente a um panorama cultural onde –como notava Barthes– o formal prevalece sobre os conteúdos; marxistas desprezando qualquer modificação sociológica da estratificação social em nome da estrutura de classe, psicanalistas sobrepondo fórmulas mágicas à complexidade das vidas ou teorizando quadros clínicos jamais encontrados, antropólogos estritamente primitivistas ou mesmo fóbicos de viagem. Cada um reconhecerá os seus.
Se a realidade contamina e obnubila a retitude do pensamento, jogar o jogo é alienante. Mas alienante em relação a quê? Qual incrível peso do ser, qual pretensa natureza humana ou qual tradição simbólica valendo como natureza seriam ocultadas por nossos envolvimentos imaginários?
A idéia de alienação surge curiosamente logo quando a modernidade se constitui. O indivíduo autônomo de nossos tempos não coincide mais com um conjunto preestabelecido de obrigações simbólicas, por isso ele é obrigatoriamente narcísico: sua consistência subjetiva em princípio não é o peso da herança recebida, mas o fruto de suas contínuas tentativas de se manter desejável aos olhos dos outros.
Alienante? Que o sujeito de uma sociedade tradicional possa nos achar alienados, extraviados da reta via das tradições por nosso narcisismo é normal. Devolveríamos a ele, aliás, o cumprimento, pois justamente pretendemos que nossa cultura nos libertou das tradições que alienavam nossa autonomia de indivíduos. O paradoxo é que nós mesmos passemos a nos estimar alienados e a alimentar o mito do desmistificador.
É o mal-estar da modernidade, pelo qual ela não consegue se livrar do espectro nostálgico de um mundo menos movediço, de mais fácil controle social, em suma de um mundo tradicional cuja estabilidade perdida –comparada com o jogo de espelhos da fantasmagoria moderna– faz figura de verdade ou de autenticidade. Preferimos denunciar nosso hedonismo narcísico como falso e alienante do que encará-lo como sendo nossa realidade e verdade cultural.
Para isso, há uma justificação: uma cultura narcísica parece incapaz de assegurar seu próprio controle social e ético.
Desconhecê-la como cultura ou então considerá-la como um simulacro enganador, eis o que permite moralizá-la, mas fazendo apelo a verdades, autenticidades e valores invocados como deuses antigos e assim reduzindo o cuidado ético a uma forma de nostalgia patética e ineficiente. O melhor exemplo permanece sendo o desfile dos congressistas no processo de impeachment, gritando: pela ética na política, voto sim!
O verdadeiro regulador ético, no caso, foi narcísico: a imagem que a televisão transmitia e sua apreciação pelos eleitores. Ora, não é nada certo que uma sociedade sem valores preestabelecidos, regrada por ajustes narcísicos, tenha que ser um deserto ético. De fato, é sobretudo certo que o rebaixamento de nossa realidade cultural como leda e alienante ilusão inibe nossa capacidade de invenção, propondo encontrar balisas na gaveta simbólica das heranças (nas quais de fato não acreditamos mais) e não, como se esperaria, na invenção (imaginária) do presente e do futuro.
Resta entender e encontrar, evidentemente, por quais caminhos e conflitos o jogo narcísico que nos constitui e reúne pode vir a dar alguma forma ética às condutas.
Mas, antes de mais nada –para que nossos anseios de transformação e controle social não sejam simples expressão do mal-estar moderno–, precisa desmistificar a desmistificação. E substituir ao mitólogo uma nova forma de flâneur, menos abstinente e desconfiado, assumidamente moderno. Blonsky, por exemplo.
As fábricas do imaginário contemporâneo que ele explora para nós talvez sejam lanternas mágicas, mas as sombras que elas projetam não nos alienam traiçoeiramente. Elas fabricam o único mundo do qual somos sujeitos, uma realidade que é também nossa verdade.

CONTARDO CALLIGARIS é psicanalista, autor de "Hello Brasil" (Escuta)
(1) Oxford University Press, 1992; edição in paperback no fim de ano por Viking Penguin; pode ser encomendado à Livraria Cultura (av. Paulista, 2073, tel. 011 285-4033, São Paulo

</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-133</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-133</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O Prozac, pílula antidepressiva conhecida como "droga da felicidade", pode ser receitado para cães, sugeriu a veterinária Karen Overall, da Universidade da Pensilvânia (EUA), em um congresso da Associação de Medicina Veterinária Americana. Segundo ela, a droga obteve sucesso reduzindo a frequência dos comportamentos autodestrutivos e anti-sociais dos animais. Para gatos neuróticos, o Prozac é tóxico. Mas há sugestões de que Valium possa funcionar.

RODAPÉ
O Instituto Americano de Física começa a publicar em janeiro uma versão eletrônica da sua revista "Applied Physics Letters" que pretende resolver de vez o problema das referências obscuras em notas de rodapé. Usando ferramentas à disposição do usuário da rede internacional de computadores Internet, será possível exibir instantaneamente artigos anteriores associados a um artigo estudado.

APACHES
O cacique apache Edison Cassadore lançou ao governo da Itália e ao Vaticano um protesto contra a construção de um terceiro telescópio em uma montanha considerada sagrada pelos apaches nos EUA. O governo italiano aprovou financiamento para um projeto conjunto do Observatório Arcetri (em Florença) e da Universidade do Arizona, para construir um telescópio no monte Graham.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-134</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-134</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
JOSÉ REIS
Especial para a Folha
Gás tóxico e incolor cujas moléculas são formadas pela ligação de um átomo de nitrogênio a um de oxigênio, o óxido nítrico tornou-se nos últimos tempos uma das substâncias mais pesquisadas da farmacologia, pelas ações reguladoras que exerce no organismo.
Entre suas funções figuram a de baixar a pressão arterial pelo afrouxamento da parede muscular dos vasos, a de participar das contrações normais do tubo gastrintestinal e da ereção do pênis, a de combater e destruir micróbios e, talvez mais importante de todas, a de servir como neurotransmissor cerebral.
Essa história toda começou na década de 80. A partir de então ficou se conhecendo a ação relaxadora sobre os vasos. Robert Furchgott, da Universidade do Estado de Nova York, demonstrou que essa ação era devida a alguma substância secretada pelas células que formam os vasos por dentro (endoteliais).
A descoberta despertou muito interesse e diversos pesquisadores se empenharam em descobrir a natureza da substância, que passou a ser conhecida como fator relaxante endotelial.
Coube a Salvador Moncada, dos Laboratórios de Pesquisa Wellcome (Reino Unido), identificar o agente, que ninguém conseguira isolar porque sua ação é muito fugaz. A substância nada mais era que o óxido nítrico!
Estimulado pela descoberta de Moncada, o neurobiologista Solomon Snyder e colaboradores, de Johns Hopkins, decidiram estudar o gás no cérebro.
A instabilidade do produto impossibilitaria, entretanto, o trabalho direto com ele. Por isso os pesquisadores utilizaram a sintase do óxido nítrico, enzima que preside a formação do gás nas células nervosas e endoteliais.
Revelaram que, em pequena concentração, o óxido funciona como neurotransmissor, levando impulsos de uma célula a outra. O encontro de um neurotransmissor gasoso despertou grande surpresa entre os especialistas.
Com efeito, a sintase do óxido nítrico ocorre no cérebro exclusivamente em neurônios, onde é criada: quando inibida, sobrevém bloqueio do estímulo nervoso.
Ao contrário de outros neurotransmissores, o óxido nítrico não é feito com antecedência e guardado em vesículas dentro da célula, mas produzido no momento em que vai ser usado.
O óxido também não possui receptores específicos, mas, segundo Snyder, o receptor nesse caso é o ferro ligado a enzimas.
Produzido em alta quantidade, o óxido pode ser tóxico aos neurônios (células nervosas) e suspeita-se de sua participação na morte das células nos derrames e em doenças neurodegenerativas como as de Alzheimer e Huntington.
Importante passo deu a equipe de Snyder com a clonagem do gene que comanda a produção da sintase do óxido nítrico nas células nervosas e endoteliais.
A clonagem desse gene poderá ensejar a obtenção de maiores quantidades do óxido para as experiências biológicas, o que por sua vez poderá facilitar o desenvolvimento de testes diagnósticos e meios terapêuticos para doenças decorrentes de anomalias na síntese do óxido nítrico (hipertensão, doenças neurodegenerativas etc).
No combate aos micróbios e células tumorais, o óxido nítrico é produzido por células de defesa chamadas macrófagos, mas ainda não se conhecem os pormenores do processo.
Acreditam alguns que o óxido se una às enzimas que atuam na respiração do micróbio. No caso de tumores, o óxido seria libertado pelas células de defesa depois de ativadas por um interferon (mensageiro do sistema imune).
A Folha vai promover nos dias 19, 20 e 21 de julho, sempre às 19h30, o }Curso Rápido de Divulgação Científica, que será dado por Nair Lemos Gonçalves, discípula de José Reis e professora da Faculdade de Direito da USP. Inscrições podem ser feitas gratuitamente pelos telefones (011) 224-3698 e 224-3490.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-135</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-135</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Ana Paula Nascimento Cruz, 18, estudante, São Paulo

Miguel Rodrigues, do Instituto de Biociências da USP, responde:
"A zebra é um animal cuja pele pode ser imaginada como uma tela de fundo branco onde foram pintadas listras pretas.
"Esse padrão de cores, conhecido como padrão disruptivo, é uma adaptação evolutiva desenvolvida para confundir os predadores.
"O predador, quando vê a zebra, muitas vezes não consegue distinguir o seu contorno.
"Ele enxerga apenas uma das cores (a preta ou a branca), sem identificar a forma completa do animal."

Correspondência para a seção "Sem Mistério" deve ser encaminhada à Editoria de Ciência (al. Barão de Limeira, 425, 4º andar, CEP 01290-900, São Paulo - SP), com nome, idade, profissão e endereço. Não serão respondidas cartas com pedidos de aconselhamento médico ou psíquico.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-136</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-136</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

A edição de 2 de julho da revista revela seis casos de britânicos que continuaram a liberar espermatozóides após a vasectomia. A falha da cirurgia foi detectada porque as esposas dos seis tiveram filhos mais de nove meses após a cirurgia. Raros, os casos representam uma pequena fração dos 50 mil que fizeram vasectomia no período estudado.
(344, 30)

ENTENDA A REFERÊNCIA
Em citações científicas, convenciona-se que o primeiro número, em negrito, indica o volume. O último fornece a página. "(260, 28)" quer dizer página 28 do volume 260.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-137</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-137</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

A edição de 23 de junho da revista revela que a queda nos rendimentos da IBM refletiu nos investimentos da empresa em pesquisa. Antes a terceira maior investidora do mundo, números do Departamento de Comércio e Indústria do Reino Unido referentes ao ano passado informam que a IBM passou para o sexto lugar com cerca de US$ 4,5 bilhões. Entre as quinze maiores investidoras em 1993 há sete empresas do Japão, quatro dos EUA e duas da Alemanha.
(369, 593)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-138</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-138</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

A edição de 30 de junho traz editorial sobre a incorporação de preferências dos pacientes em decisões médicas. Segundo o editorialista, escolhas terapêuticas não devem ser guiadas exclusivamente por diretrizes formais. A preferência dos pacientes, diz o editorial, é especialmente importante quando eles vêem de modo diferente o tratamento.
(330, 1895)

ONDE ENCONTRAR
Revistas importadas de ciência podem ser encontradas em várias bancas paulistanas, como Cidade Jardim (tel. 212-7121), Jardins (tel. 282-5143) e Villaboim (tel. 67-2107).
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-139</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-139</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

O número de 1º de julho noticia um novo método matemático para pintar os chamados quadrados latinos. Um quadrado latino é um dividido em linhas e colunas com quadrados menores, pintados de forma que numa mesma linha ou coluna todos os quadrados tenham cores diferentes. O método pode ser usado para coordenar comunicações entre computadores ligados em rede de modo mais eficiente. A descoberta resolve um problema considerado difícil por especialistas.
(265, 29)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-140</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-140</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Dois astronautas da Nasa contam como quase fracassou a alunissagem do módulo lunar
Da Redação
O momento mais delicado da missão Apollo 11 foi quando a Eagle ("águia", em inglês) desceu de sua órbita em direção ao solo lunar.
Houve problemas no computador, o combustível estava acabando e os astronautas a bordo, quando olharam pela janela, perceberam que não sobrevoavam o local programado.
Na base de comando em Houston, outros dois astronautas, entre eles o primeiro norte-americano a ir ao espaço, acompanhavam tudo.
A seguir, eles contam como foram os momentos mais tensos de toda a missão.

ALAN SHEPARD
e DEKE SLAYTON
Os dois astronautas desciam rapidamente em direção à paisagem lunar em sua nave de aterrissagem, a Eagle.
No interior da apertada cabine, Neil Armstrong e Buzz Aldrin estavam de pé, calçando botas. Estavam praticamente sem peso, fechados dentro de um traje espacial pressurizado.
A Eagle avançava veloz, puxada pela atração gravitacional da Lua. Armstrong e Aldrin encontravam-se a poucos minutos do momento em que iriam acionar o motor e descer para a superfície lunar.
A 400 mil quilômetros de distância, no centro de controles de Houston (EUA), um colega astronauta chamado Charlie Duke estudava atentamente os painéis de instrumentos. Duke era a única pessoa autorizada a comunicar-se com Armstrong e Aldrin naquele momento. Era hora de enviar a mensagem.
"Eagle, Houston" disse em seu microfone. As palavras atravessaram o espaço a 300 mil quilômetros por segundo, até chegar aos dois. "Se vocês receberem, têm sinal verde para a descida".
Armstrong e Aldrin não estavam sozinhos. Um terceiro membro da tripulação da Apollo 11, Michael Collins, estava 80 quilômetros acima deles, em órbita lunar dentro da nave de comando, a Columbia. Ele ouvira claramente a mensagem do centro de controle.
"Eagle, aqui é Columbia. Eles acabam de dar sinal verde para a descida", disse Collins.
Os dois homens se entreolharam. "Roger", disse Armstrong, indicando que a mensagem fora recebida e entendida. Eles se dirigiam a um mar sem água chamado Mar da Tranquilidade.
Dentro do Centro de Controle de Missão de Houston, um pequeno exército de controladores de vôo, todos tensos, mantinha os olhos fixos sobre seus consoles.
"Oi, turma". Todas as cabeças se viraram. Gene Kranz, diretor de vôo, sorriu. "Hoje vamos pousar na Lua. Não é papo furado." Era o dia 20 de julho de 1969.
Deke Slayton, ao lado do diretor de vôo, estudava os "monitores de situação". Um dos sete astronautas originais do Projeto Mercury, ficou na Terra por razões médicas.
Deke estava lá como observador. Se algo desse errado, queria estar a postos para ajudar Armstrong e Aldrin.
Ele assumiria o lugar de Duke, encarregando-se das comunicações com a cápsula, para dar conselhos e palavras tranquilizadoras.
Também presente na sala estava Alan Shepard, outro dos astronautas do Projeto Mercury, também na condição de observador.
Quando os instrumentos lhes dissessem que se encontravam a 309 quilômetros do local projetado de pouso, Armstrong e Aldrin iriam acionar a desaceleração e se preparar para a alunissagem.
Era o momento da descida. Na Terra, os ouvintes de rádio e espectadores de televisão prendiam a respiração.
A nave descia suave, atravessando o céu negro. O cérebro eletrônico da Eagle monitorava a desaceleração, media a perda de velocidade, avaliava a altura e confirmava o ângulo de descida.
O computador começou a aumentar a potência. Chamas se ergueram abaixo deles. A Eagle balançava de um lado para outro violentamente.
À medida que a Eagle desacelerava, começava a sentir a gravidade muito forte. Dentro da cápsula, Armstrong e Aldrin voltaram a sentir atração gravitacional. Os braços caíram. As pernas se firmaram dentro dos trajes.
Armstrong sorriu, mergulhado na realidade da aventura. Viu Aldrin sorrir como uma criança. Estavam prestes a pousar na Lua.
Mas nem tudo ia bem.
Cada homem no Centro de Controle de Missão sabia que os computadores da Eagle também tinham sistemas de alarme para detectar desequilíbrios, desalinhamentos, desvios do plano de vôo.
Apenas Steve Bales, 26, e Jack Garman, 24, estavam familiarizados com cada um desses alarmes e o que significavam.
De repente os computadores da Eagle emitiram sons estridentes: alarme!
Sinais de emergência se acenderam dentro da Eagle e, um segundo e meio depois, nos consoles em Houston.
A 1.800 metros da Lua, uma luz amarela faiscava diante dos dois astronautas.
A voz de Aldrin reagiu imediatamente: "Alarme no programa. É um 12-0-2".
Um aviso de que o computador principal da nave estava sobrecarregado. Tanta coisa acontecendo, tantos sinais sendo gerados que o computador não conseguia absorvê-los todos. Era um grito de socorro.
Todos sentiram a possibilidade de fracasso, mas não houve pânico no Controle de Missão. Os controladores de vôo fizeram figa, rezaram e cerraram os dentes. Todos os olhares voltados para Bales.
Ele olhava fixamente para o console à sua frente. Os números em código lhe informaram imediatamente o que estava errado.
Na mesma hora, falou com Garman, que havia feito sua própria análise. Garman disse cuidadoso: "É uma sobrecarga executiva. Se não ocorrer de novo, tudo bem."
O sistema estava fazendo exatamente o que estava previsto.
A cada segundo, tinha que navegar, guiar, determinar o impulso do motor, atualizar todos os dados anteriores e mostrar dados multifacetados à tripulação. Também realizava os cálculos necessários para a Eagle abortar o pouso.
Se o computador não conseguisse realizar tudo no tempo predeterminado de um segundo, acionava o alarme de sobrecarga 12-0-2.
Armstrong e Aldrin não tinham um segundo a perder em seu mergulho para baixo.
Bales se endireitou na cadeira. Não havia tempo para avaliar, pesar, considerar.
"Sinal verde!", gritou. Charlie Duke ficou surpreso. Imediatamente falou: "Sinal verde para o alarme, Eagle."
Os astronautas já estavam 1.200 metros acima da poeira lunar. Alarmes de programa ainda apareciam nas telas de monitoramento.
"Sinal verde", disse. Duke falou: "Eagle, sinal verde para o pouso."
A 400 metros da superfície da Lua, a Eagle iniciou a descida final. Armstrong havia pilotado a missão no fio da navalha. Digitou "prosseguir" no teclado.
Os dois olharam pelas janelas para estudar a superfície lunar. Imediatamente perceberam que não estavam onde deveriam estar.
Droga!
A Eagle ultrapassara o local de alunissagem, chamado Home Plate, em seis quilômetros e meio.
A Eagle, com combustível quase esgotado, se dirigia diretamente para lá. Não havia tempo a perder.
No vácuo lunar, não existia a possibilidade de planar para poupar combustível. Tampouco havia chance de entrar em órbita para fazer outra tentativa de alunissagem. A única opção era pousar imediatamente.
Armstrong agarrou o controle manual. Ele teria que pilotar, enquanto a Eagle descia a 6 metros por segundo.
Armstrong moveu o controle levemente, desacelerando para 2,7 metros por segundo.
As pessoas no Controle de Missões escutavam, hipnotizadas, as vozes que se acercavam da Lua.
Não havia lugar para pousar. Por toda parte se espalhavam grandes pedras, rochas enormes e crateras mortíferas. No centro de controles, o silêncio era mortal.
Armstrong acionou o lado direito dos jatos de manobra da Eagle. A nave passou sobre cascalho que estava ali há bilhões de anos. Ainda restavam 90 segundos de combustível para a descida.
Se o motor consumisse a derradeira reserva de combustível antes do pouso, eles iriam bater, caindo sobre a superfície sem potência.
Slayton, Shepard e todos os presentes no centro de controles rangiam os dentes. Angustiados, preocupados, só podiam assistir. O destino da missão estava nas mãos dos dois astronautas.
Equilibrando-se sobre chamas e jatos de posicionamento, Armstrong calmamente mirou o novo local de pouso, restando apenas 60 segundos.
Fechados dentro do Controle de Missão, os controladores de vôo estavam quase enlouquecidos com a incapacidade de fazer qualquer coisa para ajudar os dois.
A 15 metros da superfície lunar, a Eagle descia. Já não havia margem para erros. "Sete metros..."
E depois as palavras mágicas: "Estamos levantando poeira..."
O combustível se esvaiu. E a seguir ouviram-se as palavras de Aldrin: "Luz de contato!"
"OK, motor parado... motor de descida desligado..."
Armstrong havia feito um pouso tão macio que Aldrin não estava disposto a arriscar nada.
Será que haviam pousado? Estudou as luzes no painel de pouso para ter certeza de que era verdade.
Quatro luzes lhes deram as boas-vindas a um lugar onde nenhum ser humano estivera antes. Quatro plataformas redondas de pouso na extremidade das pernas da Eagle estavam sobre a poeira lunar.
A voz de Armstrong soou calma, confiante e clara: "Houston, aqui é a Base da Tranquilidade. A Eagle pousou."
Eram 17h17m42 (hora de Brasília) de domingo, 20 de julho de 1969.
A voz de Charlie Duke ergueu-se sobre vivas e aplausos no Controle de Missão.
"Roger, Tranquilidade. Imitamos vocês no solo. Aqui há um monte de caras que quase morreram sufocados. Já voltamos a respirar. Muito obrigado."
Armstrong e Aldrin se entreolharam. Aldrin sorriu e deu a mão a Armstrong. Depois, emocionados pelo significado do momento, deram tapas nas costas um do outro, enquanto um som explodiu nos fones de ouvido.
Charlie Duke abrira seu microfone, e a comemoração no Centro de Missão se espalhou, vibrante, por 400 mil quilômetros, fazendo sorrir as duas únicas criaturas vivas na superfície da Lua.

ALAN SHEPARD foi o primeiro americano a subir ao espaço em 1961 e foi à Lua em 1971. DONALD "DEKE" SLAYTON, falecido em 1993, foi um dos sete primeiros astronautas dos EUA e participou do acoplamento Apollo-Soyuz em 1975. O texto acima foi extraído do livro }Moon Shot: The Inside Story of America's race to the Moon (Turner Publishing). Copyright International Press Syndicate.

Tradução de Clara Allain
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-141</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-141</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Pouco proveitosa em avanços científicos, a conquista da Lua gerou um grande progresso tecnológico
RICARDO BONALUME NETO
Especial para a Folha
O desembarque americano na Lua tem conotações diversas em seus diferentes aniversários, suas "efemérides".
Quando, em 20 de julho de 1979, foram comemorados os 10 anos da conquista americana, a Guerra Fria que foi a sua causa ainda acontecia.
Mais 10 anos e o feito perdia parte do charme, mas já se podia antever algo que hoje é história: os rivais soviéticos foram derrotados, o comunismo acabou.
Os que quase venceram a corrida para a Lua não estão no páreo para a próxima etapa, pousar em Marte. Nem se fala muito mais nessa missão. Pousar em Marte não tem mais graça.
Relembrar os 25 anos do pouso do primeiro homem na Lua é lembrar uma conquista política em primeiro lugar, tecnológica em segundo e, vá lá, científica em terceiro.
A ciência foi sempre a justificativa, mas também sempre a pior contemplada, das viagens tripuladas que os americanos fizeram até a Lua de 1969 a 1972.
Relembrando: apenas na última missão, da nave Apollo 17, um cientista –um geólogo– pôde pisar no satélite natural da Terra. Antes, a maioria dos privilegiados era militar. Afinal, as missões eram parte da "guerra" dita fria.
Prova das poucas conquistas científicas é o fato de que até hoje não se sabe a origem da Lua. As viagens não ajudaram a responder isso, e os sinais de rádio dos instrumentos deixados lá não são captados desde 1977 por "economia" de alguns milhões de dólares, depois de um projeto de bilhões.
Com o fim da superpotência derrotada, a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, foi possível descobrir detalhes da corrida do lado dos perdedores.
A conclusão não é muito elogiosa ao Ocidente democrático e cristão. Não foram as virtudes da democracia americana, ou os vícios da ditadura soviética, que determinaram os rumos da corrida à Lua. Foi apenas sorte.
A sorte americana começou com o rapto do cientista nazista mais adequado em 1945. O alemão Wernher Von Braun foi o cérebro do programa lunar dos EUA.
Von Braun previu corretamente que, apesar de os soviéticos terem liderado a conquista do espaço com o primeiro satélite (Sputnik 1, em 1957) e com o primeiro homem em órbita (Iuri Gagárin, em 1961), para chegar à Lua as chances eram iguais.
Os soviéticos também empregaram alguns criminosos de guerra alemães, mas a sua contrapartida mais importante a Von Braun era de origem local: Sergei Korolev.
Infelizmente para a URSS, ele morreu em 1966. Pior ainda: Korolev brigou com o maior fabricante de motores de foguete do país, Valentin Glushko. Era uma briga compreensível, já que Glushko tinha ajudado Korolev a conseguir estadia num campo de trabalhos forçados antes da Segunda Guerra.
Essa pode ter sido a causa da vantagem dos EUA. Os americanos souberam administrar democraticamente as brigas inerentes em um projeto de US$ 24 bilhões que envolveu mais de cem universidades e milhares de indústrias.
Os soviéticos se perderam em querelas intestinas. Seu foguete lunar explodiu mais do que devia em uma situação dessas. O programa espacial americano começou com uma epidemia de explosões de foguetes, mas teve forças para persistir. O soviético estacou.
Foi sem dúvida um projeto fascinante, equivalente às arriscadas navegações portuguesas que descobriram o mundo nos séculos 15 e 16. Astronautas americanos e cosmonautas soviéticos morreram na busca do pouso lunar.
Mas se o homem quiser sair da Terra (o seu "berço", como disse o russo Konstantin Tsiolkovsky), missões como a Apollo terão de voltar a acontecer. Resta saber qual será o motivo de ordem política que fará seres humanos desejarem pousar em outros planetas.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-142</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-142</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
A polícia sueca procura os ladrões que entraram no Museu de História Natural de Estocolmo e serraram o chifre de um crânio de rinoceronte de 30 mil anos. A peça havia sido emprestada pela Academia de Ciências da Rússia. Os alarmes estavam desligados.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-143</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-143</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O diretor Rob Reiner ("Questão de Honra") recebe em setembro o American Cinematheque Award. Ele até que merece o prêmio, mas dificilmente saberá explicar o que tem em comum com Bette Midler, Eddie Murphy, Martin Scorsese e outros premiados anteriores.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-144</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-144</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O italiano Franco Maria Ricci comemora este ano 30 anos de edição e investe, através do México, na América espanhola. Na Itália, seus próximos lançamentos são uma história de Nápoles em seis volumes e uma sobre antigos Estados italianos, em 30 volumes.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-145</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-145</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O jovem que está inscrito em um curso profissionalizante que inclui trabalho em empresas privadas não pode ser confundido com menor aprendiz. A definição legal de menor aprendiz se restringe a garotos de 12 a 18 anos que estão matriculados em cursos do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) ou Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial). Uma vez que o curso não seja mantido por esses órgãos e que parte da carga horária de aprendizado se concentre em atividades profissionais dentro da empresa, o jovem deve ser considerado como empregado comum. Portanto, tem direito de exigir da empresa a assinatura de contrato de trabalho, registro em carteira profissional, depósito de FGTS, 13º salário, férias remuneradas e todos os benefícios concedidos aos demais funcionários. Seu salário, no entanto, deve ser proporcional ao número de horas trabalhadas. Se a jornada diária for de quatro horas, deverá receber pelo menos 50% do salário mínimo. Ao contrário do menor aprendiz, ele não poderá ser admitido antes de completar 14 anos.
(Consultoria: Grupo IOB)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-146</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-146</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
A Associação Brasileira de Engenharia Química está organizando uma bolsa de empregos exlcusiva para engenheiros químicos e químicos filiados à entidade. O profissional interessado deve enviar seu currículo para triagem segundo área de especialização. Quando uma empresa apresenta uma vaga, a associação encaminha os currículos mais adequados ao perfil solicitado. Informações: r. Líbero Badaró, 152, 14º andar, CEP 01008-903, tel. (011) 37-8747.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-147</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-147</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Outra entidade que está oferecendo às empresas sua bolsa de empregos é o Sindicato do Comércio Varejista de Material de Construção da Grande São Paulo. Uma psicóloga atende candidatos de segunda a sexta, das 9h às 18h, e encaminha os profissionais pré-selecionados segundo o perfil solicitado pelas empresas. Não há custo para os usuários. Informações: r. São Bento, 59, 5º andar, CEP 01011-900, tel. (011) 36-8013.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-148</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-148</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Melhorar a qualidade de vida dos médicos é o objetivo de uma campanha que a Hoechst lançou em junho, no congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. Embora os médicos –em especial os cardiologistas– condenem o sedentarismo, muitos não seguem suas próprias recomendações. A campanha já obteve junto a academias de ginástica do país descontos para cardiologistas.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-149</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-149</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
A consultoria MCG Qualidade está organizando uma missão técnica de executivos brasileiros à Inglaterra para acompanhar as discussões sobre a elaboração de normas sobre gestão do meio ambiente. Está em estudo naquele país uma série "gêmea" da ISO 9.000 que deverá fazer parte dos processos das indústrias em todo o mundo. A tendência é que, no futuro, seja implantada a certificação. Informações: (021) 240-3698.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-150</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-150</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da Redação
A disposição para enfrentar desafios precisa estar explícita em um currículo. Sobretudo se o profissional pertencer a uma área onde a tecnologia se renova com muita velocidade.
Nesse ponto, o currículo de Olavo Leite de Mello, 33, que se candidata a uma vaga de analista de sistemas pleno, se mostra pouco competitivo.
"Embora tecnicamente perfeito, o currículo de Mello não deixa pistas sobre o seu desejo de se desenvolver", avalia o consultor Antonio Sergio Cangiano, 39, da Origin New Business & Alliance, consultoria e prestadora de serviços de tecnologia de informação.
Para ele, um profissional com dez anos de experiência, como é o caso de Mello, poderia estar almejando novos desafios em projetos ou coordenação, por exemplo.
Alguns dos entraves à compreensão das capacidades de Mello, segundo Cangiano, poderiam ser superados com a elaboração de um currículo menos impessoal.
"Uma redação de próprio punho explicando as funções exercidas, responsabilidades, metodologias, projetos e sistemas que desenvolveu dão uma noção menos burocrática do candidato", afirma o consultor.
Como um apêndice de "Experiência profissional, Mello pode ainda abrir o item "Áreas de interesse", onde ele se direcionaria profissionalmente. Esse cuidado também pode chamar a atenção do selecionador.
"Se o candidato conseguir deixar claro suas aspirações, seu background profissional e sua disposição em enfrentar novos desafios estará concorrendo a um número maior de colocações", diz.

Leitores podem enviar seus currículos, que serão selecionados exclusivamente para análise por consultores e publicação nesta seção, para o Caderno Empregos – Seção "Seu Currículo" – al. Barão de Limeira, 425, 4º andar, CEP 01290-900, São Paulo, SP. A Redação considera que o autor do currículo consente com a publicação parcial ou total das informações nele contidas.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-151</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-151</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

Itens e informações que podem ser alterados
A - OLAVO LEITE DE MELLOAv. xxx. xxxx xx xxxx, xxx - xxxx. xxx xxxxxx-xxx - xxxx xxxxxxx - xxx xxxxx - SP
Analista de Sistemas

B - FORMAÇÃO
Tecnologia em Processamento de Dados
Faculdade de Tecnologia da Universidade Mackenzie - 1981 a 1984

LÍNGUAS
Inglês - Fluente

C - EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
Desenvolvimento de sistemas:
- Recebimento de notas fiscais:
- Contas a Pagar (integrado com recebimento de notas fiscais);
- Faturamento;
- Registro de Caixa;
- Sistema de Controle de Fluxo de Veículos (p/CMTC) (...)
Levantamento e implantação de rotinas operacionais incluindo desenho de formulários.
Implantação de rotinas internas em CPD de pequeno porte.
Treinamento e suporte a usuários tanto em sistemas em implantação como em aplicações de planilha (...)

D - CONHECIMENTOS TÉCNICOS
UNIX, MS-DOS
Rede Local (Netware)
Cobol (Vax-Cobol, Ryan McFarland/RM-85)
DBase III, Clipper (85/86/87 e 5.01) e compatíveis (...)

E - EMPRESAS E CARGOS
LADA do Brasil Imp. e Exp. Ltda., Analista Sistemas, out/91 a fev/94
K.G.S. Engenharia Ltda., Analista de Sistemas, maio/90 a maio/91
Moore Formulários Ltda., Anal. Suporte Pl., jan/89 a fev/90 (...)

DADOS PESSOAIS
33 anos
Brasileiro
Casado, 2 filhos

Observações e sugestões
A -  Segundo o consultor Antonio Sergio Cangiano, da Origin New Business & Alliances, o currículo de Olavo Leite de Mello está tecnicamente perfeito. Contém as informações básicas para assumir um cargo de analista de sistemas nos padrões tradicionais

B - Para que o currículo seja mais competitivo, no entanto, Cangiano aconselha que Mello exponha sua disposição para enfrentar ou assumir desafios. Ele notou, por exemplo, que apesar dos dez anos de experiência do candidato, não há registros na área de metodologia e projetos

C - Embora esteja tecnicamente perfeito, o currículo de Mello apresenta um estilo muito impessoal. O consultor aconselha que o candidato mostre sua capacidade de comunicação e personalidade na descrição das atividades e experiências profissionais com uma redação própria

D - As linguagens, sistemas operacionais ou utilitários expostos no item "Conhecimentos Técnicos" são insuficientes em um mercado que está sempre em expansão. Seria melhor colocar a sua "experiência em programação, em tipos de linguagem, em ambientes windows ou outros, em redes abertas etc.". Dessa forma, segundo Cangiano, o profissional fica mais valorizado

E - No item "Empresas e Cargos", Mello relaciona de forma muito sucinta os cargos ocupados e as empresas nas quais trabalhou. A sugestão é que os tópicos sejam dispostos sem abreviações e com espaçamento maior, para facilitar a leitura
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-152</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-152</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Com inauguração marcada para outubro, o Shopping D já está operando com um diretor de marketing. Mauro Motta, 30, foi incumbido de implantar os princípios que irão reger o funcionamento do novo shopping de lojas de fábrica na marginal Tietê (zona norte de São Paulo). Formado em propaganda e marketing, com pós-graduação em administração de varejo, Motta ocupou nos dois últimos anos o cargo de gerente-geral de compras para as 24 lojas Makro.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-153</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-153</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O sueco Hans Hedlund, 57, é o novo presidente da Scania do Brasil e da América Latina. Ele comandará mais de 3.000 funcionários e administrará a produção anual de cerca de 8.000 veículos. O engenheiro está vindo da Argentina, onde ocupava o cargo de presidente da fábrica naquele país. Antes de ir para a Scania, Hedlund passou pela presidência da divisão de fósforos do grupo sueco Swedish Match. Ake Brannstrom, que ocupava a presidência desde 1991, volta para a Suécia para assumir a vice-presidência de pós-vendas.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-154</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-154</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
De Nova York
Mulheres saem do mercado nos EUA
A porcentagem de mulheres com 20 a 34 anos na força de trabalho dos EUA já atingiu seu máximo em 89 e tende a cair. Segundo a corretora Donaldson Lufkin & Jenrette, muitos casais se desiludiram com seu estressante ritmo de vida e quando têm mais dinheiro preferem trabalhar menos a consumir mais. Em geral, isso significa que a mulher sai do mercado ou passa a trabalhar meio período.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-155</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-155</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
De Nova York
Japoneses querem ser empreendedores
Assuntos como espírito empreendedor e negócio próprio atraem cada vez mais o interesse de recém-formados em escolas superiores do Japão. Essa área foi até pouco tempo alternativa de "perdedores". Profissionais tradicionalmente almejavam posições em grandes organizações ou no governo. Embora os pequenos negócios tendam a começar com pouca tecnologia, são excelentes na identificação de novos nichos de mercado.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-156</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-156</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Para obter vantagem competitiva, empresa deve preparar profissional de alto escalão também na implementação
DENISE CHRISPIM MARIN
Da Reportagem Local
Na batalha contra a concorrência, a empresa que habilitar seus executivos a elaborar o planejamento estratégico terá uma vantagem competitiva que pode ser crucial para seu sucesso no mercado.
Essa é uma das teses defendidas por Kurt Christensen, professor de gestão e estratégia da J.L. Kellogg Graduate School of Management, uma das principais formadoras de executivos norte-americanos.
Popularizado nas décadas de 60 e 70, o conceito de planejamento estratégico sofreu alterações nos últimos anos, motivadas pela concorrência oriental e pelos novos modelos de gestão empresarial.
Pensar a estratégia da empresa deixou de ser atribuição de uma equipe especialmente contratada para isso.
Executivos em cargos de liderança assumem seus cargos com mais uma pesada função: implementar cada passo da estratégia que eles próprios esboçaram.
Em junho, Christensen esteve no Brasil a convite da Fundação Dom Cabral de Belo Horizonte, para acompanhar a segunda etapa do curso STC-Executivo.
O programa, desenvolvido em parceria com a Kellogg, tem a finalidade de aprimorar os conhecimentos e habilidades de 31 futuros líderes de empresas frente à crescente competição mundial.
A próxima etapa do curso, em agosto, será nas instalações da instituição norte-americana em Illinois (Estado do centro-norte dos EUA).
Christensen falou à Folha em um hotel-fazenda em Itu (92 km a noroeste de São Paulo), onde se concentraram durante sete dias os participantes do STC-Executivo.
A seguir, os principais trechos da entrevista:

Folha – Até que ponto o pensamento estratégico é essencial para a sobrevivência da empresa?
Kurt Christensen – Uma empresa tem que formular uma estratégia para se posicionar no ambiente em que atua.
A estratégia considera as oportunidades e ameaças no mercado, os pontos fracos e fortes.
Se a organização elaborar bem seu planejamento e conseguir implementá-lo, terá vantagem competitiva para chegar ao sucesso.
Folha – A tendência de globalização tornou a estratégia mais importante que há 20 anos?
Christensen – Sim, porque a globalização e a queda de barreiras comerciais entre países ampliaram as áreas de atuação das empresas. Há também outros dois aspectos importantes. Antigamente, o consumidor tinha que escolher entre preço e qualidade.
Se quisesse algo com melhor acabamento, teria que pagar mais. Hoje, o produto tem que ter qualidade e também bom preço.
O segundo aspecto é a concorrência com empresas mais eficientes, enxutas e ágeis. O sucesso depende do estabelecimento de metas, de um posicionamento mais claro. Aí entra a estratégia.
A competição global é inevitável. Preparar para esse mundo novo necessariamente envolve educação de executivos.
Folha – Como as empresas podem preparar seus executivos para esboçar e implementar estratégias?
Christensen – Isso envolve um processo de educação dos recursos humanos. O planejamento estratégico é uma realidade nova, que inclusive adota uma terminologia própria.
Por isso é necessário começar com a educação conceitual explicando, por exemplo, o que é uma vantagem competitiva.
Mas não basta a teoria. O executivo deverá também ser exposto à experiência de elaborar uma estratégia. E a empresa pode possibilitar isso fazendo-os participar de forças-tarefa, comitês ou equipes multifuncionais.
Folha – O vocabulário usado nesse conceito soa como linguagem militar. Ao mesmo tempo, temos observado executivos interessados em leituras como "A Arte da Guerra", do general chinês Sun Tzu. Há alguma relação entre experiências militares e o conceito de estratégia?
Christensen – Até certo ponto há uma analogia com o vocabulário militar. Originariamente, o termo estratégia era aplicado a confrontos militares. Pode-se dizer também que qualquer mercado mundial é um campo de batalha, no qual se compete pelos dólares do consumidor. Essa briga é cada vez mais acirrada.
Mas há uma limitação nessa analogia. No mundo dos negócios não há uma separação forte entre tática e estratégia, como entre militares. O preço, por exemplo, é afetado por uma série de fatores que, por menores que sejam, são estratégicos.
Folha – O conhecimento da cultura do país ou da região onde se deseja oferecer um produto pode ser considerado um elemento estratégico que o executivo deve dominar?
Christensen – Mercados diferentes envolvem culturas diferentes. Por isso é importante conhecer as sociedades nas quais se deseja colocar um novo produto. Nos Estados Unidos, por exemplo, é perfeitamente aceitável conversar sobre negócios com um estranho. Já no Japão, isso é inadmissível. Os negociadores terão que se conhecer bem antes de fechar um contrato. Uma gafe pode ser brutal para o andamento de um negócio.
Folha – Qual o perfil ideal de um estrategista?
Christensen – Um bom estrategista tem que ser uma espécie de catalisador de energias, alguém que conhece o potencial de seus colegas e subordinados e que consegue fazer com que todos trabalhem em benefício da estratégia.
Mas esse perfil mudou. O planejamento estratégico se popularizou muito nos EUA nas décadas de 60 e 70 e era arquitetado na matriz por uma equipe especial. Eram planejadores, que não tinham a responsabilidade de implementar nada. Hoje, quem pensa a estratégia tem que provar que ela funciona na prática.
Folha – Isso quer dizer que o antigo estrategista que não aprendeu a aplicar suas táticas perdeu o emprego?
Christensen – Nos últimos dez anos houve uma redução intensa desses planejadores nos quadros das empresas. Alguns se adaptaram –tornaram-se gerentes de linha ou consultores. Outros realmente perderam o emprego.
Folha – O que levou as empresas norte-americanas a criar as equipes de estratégia?
Christensen – Na década de 60 houve mudanças no ambiente das empresas e muitas se tornaram mais complexas, formando conglomerados, com atuação em vários segmentos.
Quanto mais diversificada a empresa, maior a necessidade do planejamento estratégico.
Folha – Até que ponto o desenvolvimento do pensamento estratégico nos Estados Unidos foi motivado pela concorrência de produtos japoneses?
Christensen – A percepção da necessidade da estratégia na verdade antecedeu a concorrência japonesa. Para muitas empresas, os produtos japoneses apenas realçaram essa necessidade.
O choque da concorrência japonesa ajudou as empresas norte-americanas a sair de sua visão isolada de matriz e conhecer mais produtos, clientes, necessidades de mercado. O confronto, portanto, foi saudável.
Folha – As empresas norte-americanas ainda investem nesse conceito?
Christensen – Há um interesse muito grande das empresas norte-americanas nesse raciocínio estratégico, para entender as vantagens competitivas, a agregação de valor aos clientes, os mercados. Eu repito bastante as palavras "pensamento" ou "raciocínio" até para não dar tanta importância ao documento formal, como acontecia antes. As mudanças são tão rápidas no mercado, que o documento pode atrapalhar. O mais importante é o aprimoramento da qualidade do pensamento estratégico.
Folha – No Brasil, grande parte das empresas é de origem familiar e ainda ainda não chegaram a profissionalizar seus quadros superiores. Até que ponto a falta de estratégias claras pode provocar desastres em empresas como essas?
Christensen – Depende do setor. Pode haver setores em que os concorrentes estejam na mesma situação. E aí tanto faz a empresa ter planejamento estratégico ou não para sobreviver. Mas a tendência no Brasil é as organizações enfrentarem dois tipos de fortes concorrentes: as multinacionais e as empresas locais pequenas que se tornam mais poderosas por causa das alianças ou parcerias com uma multinacional.
Às vezes não se fala claramente dentro das empresas sobre planejamento estratégico, mas existe um pensamento até intuitivo nessa direção.
Folha – O pensamento estratégico tem sido aplicado em empresas de outros setores, além da indústria?
Christensen – A chamada vantagem competitiva, a agregação de valor ao produto, são conceitos estratégicos que se aplicam a qualquer tipo de empresa, seja qual for o setor ou o porte. Até fundações sem fins lucrativos e entidades beneficentes estão percebendo a importância da estratégia. Se elas forem mais eficientes, terão acesso a maior quantidade de doações. Folha – Qual a melhor alternativa para a empresa: preparar um trainee ao longo de sua carreira no sentido de amadurecer uma visão estratégica ou treinar um executivo experiente?
Christensen – As duas alternativas são importantes. A empresa tem que envolver seus altos escalões nesse sentido. Se os diretores não compactuarem com essa necessidade não haverá como implementar uma estratégia. Mas a empresa deve trabalhar também os recém-formados que estão entrando em seus quadros. E aí se torna importante expor esses profissionais a diversas áreas da empresa. Para ser um bom estrategista é preciso ter uma visão da empresa como um todo. O profissional não pode ser especialista apenas em finanças, em produção, em recursos humanos.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-157</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-157</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O fabricante de antenas para automóveis Olimpus criou uma nova divisão para a fabricação de alarmes. O primeiro equipamento produzido é o Smart System, alarme acionado por sistema de ultra-som. A empresa pretende atingir uma participação de 25% no mercado de dispositivos de segurança e antifurto de veículos. Informações pelo telefone (011) 272-3066.

Bravox lança nova família de falantes
14...são os modelos da nova linha de alto-falantes da série Premium, produzidos pela Bravox. Segundo a fábrica, os novos modelos cobrem todas as frequências de som e tem qualidade comparável à dos melhores aparelhos domésticos. Informações pelo telefone (011) 203-1411.

Bosch desenvolve alternador compacto
A Bosch, produtora de autopeças, vai desenvolver no Brasil um alternador (gerador de energia) compacto de última geração com potência de até 70 Ampères. Também está prevista pela fábrica alemã a criação de uma nova linha de motores de partida, subdividida em famílias de 1,1 kW e 0,7 kW, esta última especial para carro "popular".
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-158</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-158</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da Redação
O mais comum, no "off road", é a tentativa de conciliar esporte com um passeio agradável.
"Tudo começou como passeio. Depois passaram a organizar raides (travessia, não competitiva, de regiões de difícil acesso)", diz Ademir Arantes, da Jipebrás.
O tanque inox é bom para quem faz trilhas. "Serve para levar gasolina de reserva, para não pegar ninguém desprevenido."
O farol de milha é útil para trilhas noturnas. A bola de engate serve para transporte de carretas e facilita o reboque de outros jipes.
Há ainda outros instrumentos mais sofisticados, como computador de bordo –que determina distância a ser percorrida e velocidade– e luz de navegação –que serve para leitura da planilha em competições noturnas.

ONDE ENCONTRAR
Jipebrás - al. Barão de Limeira, 259, Campos Elíseos (região central de São Paulo), tel. (011) 220-6477; Gibrasil - rua Guaianases, 444, Campos Elíseos (região central de São Paulo), tels. (011) 220-7384 e 221-8451; Fora de Estrada - av. Duque de Caxias, 218, Campos Elíseos (região central de São Paulo), tel. (011) 223-0915.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-159</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-159</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>


Por erro de montagem, a observação "Os números se referem a medições efetuadas com o Uno Mille Eletronic básico. Servem apenas como referência", publicado no pé do quadro com os números do teste comparativo entre os dois veículos, foi publicada indevidamente e não tem qualquer relação com os dados do quadro.ERRAMOS
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-160</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-160</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
(Pedro Koji Murakami - Taboão da Serra, SP)
O consórcio Mesbla informa que o bem, no caso um Fiat Mille, recebeu avanço tecnológico e passou a ter seu crédito corrigido na mesma proporção do bem substituto, um Uno Mille Electronic.

"Possuo um Renault 21 TXE e gostaria de saber onde posso adquirir uma capa de proteção para colocar na frente do carro, de modo a resguardá-lo de pedregulhos nas viagens."
(Luiz Antonio Schemy - Alfenas, MG)
A Benzi Indústria e Comércio fabrica esse tipo de capa sob encomenda. O endereço é rua Xiró, 28-A, Casa Verde, tel. (011) 265-2597, São Paulo.

"No dia 10 de março, o sistema elétrico do meu Uno queimou. Fui atendida pela concessionária Quorum. Constataram que a queima foi provocada pela fábrica, que colocou o chicote (fiação elétrica) de um carro a álcool no meu, que é a gasolina. A concessionária não efetuou o conserto, porque a Fiat ainda não forneceu as peças de reposição. Recorri ao serviço de atendimento ao consumidor e solicitei um carro temporário. Não quiseram fornecer, mas depois de muita insistência deram o telefone do serviço de atendimento do Rio de Janeiro. O serviço daquele Estado alegou que não forneceriam um carro substituto porque essa cortesia só é dada para veículos adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1994 e o meu foi comprado em 17 de dezembro de 1993. Recomendaram que fosse acionada a Porto Seguro Seguradora, pois ela não deveria ter instalado o alarme, que acabou danificando o chicote. Resumindo: continuo sem carro, porque não há peça de reposição e nem forneceram um substituto. A propaganda da montadora não alerta para o fato narrado."
(Natália Riabosapko - São Paulo, SP)
A Fiat informou que o veículo teve o chicote queimado devido à instalação de um alarme feita pela Porto Seguro em 12 de abril de 1994. Esclareceu que a cliente agendou com a seguradora e com a concessionária Quorum uma análise técnica de montagem do alarme, com o acompanhamento de técnicos da regional Fiat São Paulo. A montadora informou que a seguradora fez nova instalação do alarme e que no dia 27 de abril foi feito novo contato com a cliente que se mostrou satisfeita.

"Adquiri em janeiro desse ano um Verona LX a álcool, na concessionária Souza Ramos. O carro tem uma série de problemas. Falhas na aceleração, entra água no porta malas, barulho na transmissão em alta velocidade e no banco traseiro. A ré só entra no tranco. Levei o carro duas vezes na Souza Ramos, mas nada foi resolvido. Este foi o meu primeiro carro da Ford e será o último".
(Hélio Roncoleta - Guarulhos, SP)
A Ford informou que o veículo foi atendido pelo distribuidor Ford, que o entregou com todos os problemas resolvidos no dia 7 de julho.

"Gostaria de parabenizar a Volkswagen pelo lançamento do Pointer. Trata-se de um carro moderno, ágil, bonito e eficiente. O Pointer, junto com o Logus, mostra a superioridade da VW entre os carros médios."
(Luiz Guilherme Von Atzingen - Campo Grande, MS)

"Sou proprietário de um Apollo GL 1.8 ano 1991. Precisei trocar as molas e amortecedores do carro depois de 60 mil km. Após extensiva pesquisa de preço no caderno Autofolha, levei o carro à Pneushopping. O proprietário da loja, ao constatar que não tinha a peça original VW, recomendou a instalação dos amortecedores do Verona 1.8 que, segundo ele, também são os do Escort XR3 1.8 ou do Verona 1.8 no Apollo."
(Leonardo Pires Frollini - São Paulo, SP)
A Volkswagen não recomenda o uso dos amortecedores do Verona 1.8 e do Escort XR3 1.8 no Apollo, já que este é um carro mais esportivo e requer uma suspensão mais dura. A montadora recomenda a procura em uma concessionária VW.

"Gostaria de divulgar a criação de um clube de admiradores de veículos Gurgel para troca de informações, fotos, peças etc. A correspondência pode ser enviadas para Paulo Cerisola, caixa postal 368, CEP 06010-970, Osasco, SP.
(Paulo Cerisola - Osasco, SP)

Em 1991, comprei um carro que parece uma mistura de Del Rey com Passat, Voyage e Alfa Romeo. Possui teto solar, antena e porta malas elétricos, pneus e rodas largas, bancos Recaro e outros acessórios. No documento desse carro consta VW Passat Avel 741 Especial, ano 84. Estou tendo dificuldades em vendê-lo. As pessoas acham que é um carro adaptado. Gostaria de saber sua origem."
(Mauro Aurelio de Athayde - Sud Menucci, SP)
A Volkswagen desconhece essa versão do Passat. É preciso ir pessoalmente ao Detran fornecer o número do chassi e da documentação do carro para que solicitem à Volkswagen uma pesquisa sobre o veículo.

MANUAL DO PROPRIETÁRIO
Os interessados em manuais da Ford devem escrever para Caixa Postal 5.064, CPI 2.043, CEP 09870-900, São Bernardo do Campo, SP, anexando à carta uma cópia do certificado de propriedade do veículo. Fiat, Volkswagen, e GM recomendam a procura em revendedores. Elas não atendem diretamente o consumidor.

PARA ESCREVER
 Enviem sua carta para caderno Veículos, Redação, al. Barão de Limeira, 425 4º andar, CEP 01290-900, Campos Elíseos, São Paulo, SP. As cartas só serão respondidas através desta seção.

</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-161</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-161</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da Redação
A maioria das cartas publicadas pelo caderno Veículos é respondida. Quando se trata de queixa sobre um modelo, a fábrica se empenha em resolver o caso.
De acordo com Hamilton Fornasaro, gerente de atendimento a clientes da Ford, a marca foi a que mais realizou lançamentos de novos produtos no período. "E novos produtos sempre suscitam dúvidas dos consumidores", afirma.
Fornasaro diz que o ruído da caixa de marchas do Escort, razão de grande parte das cartas, foi resolvido pela montadora com a adoção de abafador acústico.
"Apesar de estarmos convictos de que não havia problemas de durabilidade ou segurança", disse.
Para Edilson Pereira, gerente de atendimento ao consumidor da Fiat, "quando o consumidor tem qualquer problema com seu carro, é natural que ele o considere o mais importante e que espere uma solução imediata por parte do concessionário ou da fábrica".
"Entretanto", segue Pereira, "o serviço de atendimento, por mais ágil que seja, nem sempre consegue a solução capaz de atender à expectativa do cliente, especialmente em relação a prazos".
"Trabalhamos no sentido de 'zerar' o número de cartas, aperfeiçoando o atendimento", afirma.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-162</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-162</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
A Tutitron, empresa de autopeças no segmento de eletrônicos, está lançando o módulo de potência TP160 (equipamento que melhora a potência de aparelhos de som automotivos), de 160 Watts e de tamanho menor (foto). Informações pelo tel. (011) 419-6622.

Kia Motors aumenta seu prazo de garantia
A Kia Motors está ampliando os prazos de garantia dos modelos Besta, picape Ceres, caminhão K 3.500 e sedã Sephia para dois anos ou 50 mil km. Também o cartão Kia Best Service, que dá direito aos serviços de manutenção, será válido por dois anos.

Shopping Iguatemi vai sortear um importado
Em comemoração ao dia dos pais o Shopping Iguatemi vai sortear um carro importado em 16 em agosto às 10h30. Para participar, o cliente precisa trocar notas fiscais no valor de R$ 30 pelos cupons de promoção, a partir do próximo dia 25.

BMW terá 5ª revenda em agosto em SP
A Regino Import, importadora oficial da marca BMW, credenciou sua quinta concessionária em São Paulo, localizada em frente ao Shopping Center Norte. A revenda Nett será inaugurada em agosto e contará com show room, oficina e seção de peças. 

São Bernardo terá congresso sobre design
Começa no dia 21 e vai até o dia 24 de julho o 1º Congresso de Design de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, com o tema "Design e Tecnologia". Informações para inscrições podem ser obtidas pelo telefone (011) 869-1906.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-163</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-163</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Paulo Roberto Nascimento, Curitiba, PR

Uma serralharia pode ser um excelente negócio. Sua área de atuação é ampla e diversificada, e o investimento inicial é relativamente baixo.
Antes de entrar no ramo investigue o que os consumidores estão precisando em termos de produtos de uma serralharia.
Isso irá indicar que linha de fabricação você irá desenvolver e quais os materiais a serem utilizados. Elabore um plano de negócios para saber quanto irá custar o empreendimento.
Os equipamentos necessários são máquina policorte completa com motor, máquina de solda, furadeira de bancada elétrica, furadeiras manuais com acessórios, lixadeira de alta rotação, compressor, bancadas, mesas, armários e ferramentas.
Deve-se programar quantos empregados serão contratados e quais os salários que serão pagos; quantidade e custo das matérias-primas necessárias para fazer determinado lote de produtos; e finalmente, por quanto será vendida cada peça.
Se você for produzir, em média, cem peças mensais, entre portas, janelas, basculantes e grades, feitas de ferro, deverá gastar entre US$ 10 mil a US$ 20 mil em equipamentos.
Os custos mensais de uma serralharia são compostos assim: 50% de mão-de-obra (para pagamento de salários e encargos sociais dos serralheiros e ajudantes); 40% de matéria-prima (para aquisição de chapas dobradas, dobradiças, eletrodos, tíner, zarcão, discos de corte, puxador, rolamentos, alavancas, baguetes, parafusos, cantos, arrebites, arruelas etc); 10% de custos de administração (para pagar o aluguel e encargos, honorários do contador, despesas gerais de escritório, taxas de água, luz e telefone).
Nesse tipo de empreendimento o lucro operacional varia de 20% –se a carteira de encomendas equivaler a 15 dias de trabalho por mês– a 50% –se o empreendedor fechar encomendas para 30 dias.
O investimento retorna em 18 meses. A grande dificuldade é a escassez de mão-de-obra especializada.

As cartas ao Balcão Folha-Sebrae devem ser enviadas para Caderno Tudo - al. Barão de Limeira, 425, 4º andar, CEP 01290-900, São Paulo, SP, com nome, profissão, endereço, telefone e ramo de atividade; elas serão respondidas pela equipe técnica do sistema Sebrae.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-164</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-164</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Prefeitura concede isenção de taxas para quem tiver área construída excedente em imóveis de até 150 m2
Free-lance para a Folha
Os proprietários de imóveis com construções fora dos padrões exigidos pela Prefeitura de São Paulo têm até o dia 31 de outubro para regularizá-las.
A lei 11.522, que determina a anistia e regularização de edificações, foi aprovada pela Câmara Municipal em 13 de abril deste ano e passou a vigorar no último dia 4.
Os beneficiados são os donos de imóveis residenciais ou mistos (residenciais e comerciais) de até 150 m2 com área construída acima daquela que consta no carnê do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), que estão sendo anistiados de taxas e multas.
Para os que possuem a área construída lançada corretamente no carnê do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), a regularização é automática. A prefeitura lhes enviará pelos Correios um Certificado de Regularidade.
Documentos
Quem tem a área diferente da que aparece no carnê do IPTU deve apresentar na Administração Regional do bairro em que o imóvel se localiza uma cópia do título de propriedade e do último recibo do IPTU, planta baixa da edificação e requerimento solicitando a regularização.
É cobrada apenas uma taxa de expediente de 0,011 UFM (Unidade Fiscal do Município), por folha de documento apresentado. Em julho, uma UFM vale R$ 26,54.
Os problemas de imóveis residenciais com área construída entre 150 m2 e 750 m2 também são resolvidos em uma das 25 Administrações Regionais (veja endereços ao lado), mediante a apresentação dos mesmos documentos acima citados.
Nesses casos, além da taxa de expediente, o dono tem de pagar uma multa de 0,03 UFM por m2 de área irregular e ISS (Imposto sobre Serviços) de R$ 4,08 também por m2 a ser regularizado.
Uma construção de 200 m2, com 50 m2 irregulares, por exemplo, está sujeita a uma taxa total de R$ 245,24.
Os imóveis com áreas construídas superiores a 750 m2, pagam as taxas já mencionadas e mais uma multa no valor equivalente ao do m2 do terreno para cada m2 irregular.
Também é exigido que apresentem projeto arquitetônico, em duas vias, com identificação do profissional responsável.
Comerciais
O atendimento a imóveis comerciais com áreas acima de 250 m2 e condomínios é feito diretamente na Sehab (Secretaria Municipal de Habitação e Desenvolvimento Urbano). 
Para indústrias, são exigidas ainda duas vias do memorial industrial, no padrão da Sehab.
Segundo o secretário municipal de habitação, Lair Krahenbuhl, existem em São Paulo cerca de 400 mil construções irregulares, a maioria residenciais.
A lei somente não é válida para imóveis localizados em áreas de mananciais, fundos de vale, margens de córregos e rios, terrenos públicos e próximos a linhas de alta tensão.
(Carmen Barcellos)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-165</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-165</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Há hoje em poupança quase US$ 30 bilhões, que deveriam ser usados para financiar habitação
ROBERTO CAPUANO
A caderneta de poupança vinculada pode ser a solução para as preocupações dos agentes financeiros e do próprio governo, que vem gastando fortunas em publicidade para evitar a redução dos depósitos via aumento de consumo.
O sonho da casa própria está presente nos objetivos de cada família brasileira. Com a caderneta, após poupar de 10% a 25% do valor do financiamento pretendido em prazo variável de 12 a 36 meses, o poupador passa a ter o direito líquido e certo a uma carta de crédito que lhe permite escolher livremente o que comprar: casa, apartamento, novo ou usado.
Quando o Creci solicitou à Gallup uma pesquisa a respeito, o nível de aceitação foi total, sendo que 96% se interessavam por pequenos créditos, compatíveis com sua renda, e pretendiam comprar um imóvel usado. Mesmo porque não há imóveis novos disponíveis na faixa de US$ 35 mil, por exemplo, e há uma oferta latente de mais de 100 mil unidades em bairros periféricos às zonas nobres aguardando comprador que não aparece pela absoluta inexistência de financiamento ao comprador há mais de 25 anos.
Quando a Caixa Econômica Federal, com extrema má vontade, colocou à disposição do público a caderneta de poupança habitacional, mesmo sem qualquer publicidade, durante os 30 dias em que esteve aberta, formavam-se filas de madrugada à espera de senha de inscrição.
Assim não há dúvidas que, implantada, será um forte inibidor do consumo de supérfluos, e manterá e aumentará os depósitos existentes.
Para o governo, além de ser uma medida de cunho social de longo alcance, pois permitirá o acesso ao primeiro imóvel a milhares de famílias, haverá a respeitável vantagem de otimizar a indústria imobiliária.
Irrigando a base de mercado, cria-se um mecanismo de operações sequenciais de compra e venda que terminam inevitavelmente em um imóvel novo, da mesma forma que ocorre com o mercado de automóveis.
A geração de empregos diretos e indiretos será maior, na medida em que o crédito ao consumidor permite o ingresso de pequenos construtores que não conseguem ingressar no mercado por não terem acesso ao financiamento à produção, que depois é repassado ao comprador rebatizado de financiamento ao comprador.
Com o financiamento realmente na mão do comprador, com o direito de escolha, ele pode produzir e investir com a certeza que terá consumidores e não precisará financiá-los por conta e risco. É certo que esta competitividade ensejará melhores preços e qualidade de produtos.
Para a indústria imobiliária haverá ainda a vantagem da certeza e quantificação do ingresso de consumidores de mercado, permitindo melhor planejamento.
O número de créditos concedidos e seu valor permitirão inclusive o direcionamento da produção para imóveis mais baratos e a certeza de um fluxo constante de consumidores para as outras faixas de preço.
Dinheiro disponível existe, são quase US$ 30 bilhões depositados nas cadernetas de poupança, que, aliás, deveriam estar financiando habitações, o que na prática não ocorre. A caderneta vinculada está até regulamentada. Basta colocá-la em funcionamento.

ROBERTO CAPUANO, 50, é presidente do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo) e da Roberto Capuano Imóveis.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-166</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-166</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>


(Nadir Fernandez Vieira de Mello, 48, advogada, Santos-SP)

Resposta do arquiteto Rafael Perrone: "O edifício foi concebido para possibilitar futuras alterações do uso e do lay-out do escritório. Para atingir este objetivo, a construção foi projetada com um núcleo de formato semicircular contendo as áreas que necessitam pisos molhados e instalações hidráulicas: os banheiros e uma pequena copa/cozinha. O outro bloco da construção poderá então conter um salão com vão livre onde podem ser abrigadas as atividades do escritório. Nessa área, as divisões internas devem ser executadas com divisórias, que permitem um remanejamento futuro dos ambientes. A construção poderá ser executada em alvenaria de tijolos, com laje pré-moldada e estrutura independente na área do salão, na mesma modulação das divisórias internas."
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-167</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-167</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
"Sou louco para passar um dia na Redação da Folha, para sentir como você trabalha, sentir de perto o pique que você transmite nas colunas. Aproveito para tirar uma dúvida: mulher gosta mesmo de ser maltratada?"
"F", S.P.

–Caro Efe,
Primeiro: puxa-saco e formiga tem em todo lugar. Segundo: homem gosta de ser maltratado? Devolvo a pergunta, por um motivo simples. Se eu quisesse, poderia maltratá-lo causando sua demissão –por vagabundagem– da American Express. Para tanto, bastaria publicar seu nome completo, uma vez que no cabeçalho do fax que você me transmitiu consta a sigla: "Atendimento a Cliente AmEx".
"Sofro de rinite aguda e, agora no inverno, fico fungando o tempo todo. Como evitar que inventem por aí que minha alergia é vício colorido?"
Geraldo Anhaia Mello, S.P.

–Caro "videotaker",
Não entendi a pergunta. O que vem a ser vício colorido? Ser fissurado em roxo? Só vestir preto? Em vez de ficar se preocupando com futricos alheios, porque você não consulta um otorrino? Andar por aí fungando feito um porco, seja qual for o motivo, não é das dez coisas mais graciosas do planeta.
"Quando visito minha prima Telma Kury, no Guarujá, ela costuma me apresentar aos amigos dela ora como seu cozinheiro e babá, ora como seu cabeleireiro, ora como seu decorador. Sou professor de desenho e não entendo o porquê da confusão. O que fazer?"
Antonio A. da Silva Neto, São Vicente, SP.

–Ventiladinho,
Não será a brisa marítima que está te deixando, assim, como direi, um tanto fresco? Se você quer que a marota da Telma te apresente aos amigos dela como lutador de sumô ou lenhador, só há uma coisa a fazer. Da próxima vez que for visitá-la, proteja-se dos ventos da Baixada Santista usando um belo casaco de gorotex.
"Sou natural de São Leopoldo (RS), tenho 27 anos e estou estudando fisioterapia em Todz. Gostaria de saber como conseguir uma bolsa para prosseguir meus estudos aqui na Polônia."
Cleber Quoss, Todz, Polônia.

–Quoss Vadis, meu amor,
Você esqueceu que aqui no Brasil a coisa anda preta? Não está dando nem para comprar uma pochete na Le Postiche, quanto mais descolar bolsa de estudos na Polônia! Em vez de pedir ajuda a esta morta de fome, por que você não envia uma carta contando seu caso a um polonês influente, como, por exemplo, o inquilino mais ilustre do Vaticano? No envelope, você escreve assim: Papa Karol Wojtila, Vaticano, Roma, Itália.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-168</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-168</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

News & Views
Voices
"As roupas disponíveis para gestantes são verdadeiros pesadelos. Com elas, as grávidas ficam parecendo cúpulas de abajur. Eles acham que se você está grávida, precisa se vestir como uma boneca. Quando eu estava grávida de meu filho, vestia uma jaqueta preta de couro para ficar parecida com um Hell's Angel". Frases da ex-modelo e hoje empresária e estilista francesa Inés de la Fressange, que, como as citadas na abertura desta coluna, está mais linda do que nunca.

Sucesso
Foi muito concorrido o desfile da coleção de inverno de John Galliano em Nova York. Apresentada junto com a coleção de diamantes de Van Cleef & Arpels, entusiasmou tanto compradoras quanto modelos. No primeiro grupo estavam Anne Bass, Candy Pratt e Sao Sclumberger (a maior fã de Galliano). No segundo, Naomi Campbell, Yasmin e Shalom.

Buquê
A melhor coisa do número de estréia da revista "In Style" foi um ensaio fotográfico de oito páginas sobre o casamento da top model Amber Valetta e Hervé Le Bihan, em Nova Orleans. Na "Vogue" norte-americana, que também deu espaço para o evento, o melhor ficou para a sequência totally funny em que Linda Evangelista pula, apanha o buquê, cai de bunda e é socorrida pela amiga Christie Turlington. Isso tudo sem largar o buquê nem perder a pose e o sorriso nos lábios. E olha que ela estava com um conjuntinho de três peças Chanel bem curtinho.

Hot Spots
O Retorno
Depois de alguns anos desprezada pelos veranistas e clubbers que fizeram sua fama, Ibiza volta neste verão a ser ponto obrigatório daqueles que querem festa. As noites de quarta-feira só terminam na quinta nas casas noturnas Pacha e Space. E leve seu traje de banho e seus óculos de mergulho se você for a uma das "festas da espuma" que o Amnesia promove regularmente.

Meeting
Gere Se você quiser ver Richard Gere, uma das possibilidades é ficar fazendo plantão no restaurante Cicada, um dos preferidos do ator, em West Hollywood, Los Angeles. Se você quiser sentir os sabores que Gere sente, peça ao chef Adelmo Zarifr que prepare um branzino grelhado e uma salada de rúcula, radicchio e endívia. Peixe e salada são boas pedidas para fãs do politicamente correto Gere.

Et cetera...
Colesterol
Parece que Hollywood não está mais satisfeita apenas com grandes filmes, grandes estrelas, grandes orçamentos, grandes sucessos e grandes fracassos. Agora, os filmes com "grandes" personagens também estão se multiplicando. A produtora Amblin, de Steven Spielberg, já comprou os direitos de "Body Language", cuja heroína é bem sensível e gordinha. A Disney está terminando "Heavyweights", sobre garotos gordos em férias. Ted Turner também está fazendo seu filme sobre um gordinho de 11 anos e Eddie Murphy, em "Dr. Jerry and Mr. Love", sua nova versão de "O Professor Aloprado", vai ser um professor de química com uns 150 kg. Os elevadores de Los Angeles que se preparem.

Prestígio
Estava bem concorrido o lançamento de Sun Moon Stars, perfume que Karl Lagerfeld criou para Elizabeth Arden, em Monte Carlo. Além de Caroline de Mônaco e o príncipe Alberto, estavam lá Helena Christensen, o fotógrafo Helmut Newton, e, é claro, a musa de Karl, Daryl Hannah, que vai protagonizar a campanha publicitária do perfume. Mas é preciso esperar, pois ele só chega às lojas em outubro.

Money
Olivia Mella, terapeuta financeira (não que essa profissão exista) e autora do livro "Money Harmony", já diagnosticou muitos casos de pessoas que têm problemas em relação a dinheiro, como o gastador compulsivo, o ansioso com as dívidas, o poupador obsessivo e outros. Quanto será que ela cobra pela consulta?

Opção
Conformados com o fato de que o futebol requer habilidades demais, os suíços inventaram um novo esporte, que requer apenas sorte. Nas margens do lago de Lucerna, dividem um terreno em quadrados numerados e soltam três vacas. A aposta é adivinhar onde o bovino vai soltar aquele produto que no interior se usa como esterco. Sorry!

The Look
Mistura Explosiva
Amber Valetta tem um dos nomes mais estranhos do mundo da moda, resultado de uma mistura de italianos, portugueses e cherokees (como não podia deixar de ser para uma pessoa que nasceu e cresceu em Tulsa, Oklahoma). Esta estranheza no nome se uniu à estranheza de sua postura nas passarelas para conquistar os maiores fotógrafos de moda do mundo, de Richard Avedon a Nick Knight, passando por Steven Meisel, Patrick Demarchelier, Irving Penn e muitos outros. Se você quiser encontrá-la, mesmo sabendo que desde abril ela está casada com o também modelo Hervé Le Bihan, passe os meses de junho e julho em Grimaud, perto de Saint-Tropez. Ah! Ela adora vestidos para a noite Azedine Allaia e biquinis Calvin Klein.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-169</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-169</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Nada boba, a moça aproveita a onda das peças reduzidas e se tranca com o gato a sete chaves. Encurta a saia, diminui a camiseta, ajusta o cardigã. Com direito a muita TV, namoro e conforto, ela não nega segundas intenções e ensaia um strip.
Por Patricia Carta

ONDE ENCONTRAR. Chopper: shopping Center Plaza Sul, 2º piso, tel. 577-2337. Fio a Fio: Prof. Atílio Inocenti, 29, Itaim, zona oeste, tel. 829-6924. Holt Zutto: av. Faria Lima, 592, Itaim, zona oeste, tel. 852-5104. Huis Clos: r. Mário Ferraz, 538, Itaim, zona oeste, tel. 820-2396. Iódice: shopping Eldorado, 2º piso, tel. 210-0597. Ralph Lauren: r. Oscar Freire, 789, Jardins, tel. 280-9433. Side Walk: shopping Morumbi, piso lazer, tel. 240-4402. Zeppelin: r. Haddock Lobo, 483, Jardins, tel. 852-9479.

ONDE ENCONTRAR. Alexandre Herchcovitch: tel. 65-0966. Fit: shopping Iguatemi, 3º piso , tel. 211-3608. Marisa Ribeiro: r. Princesa Isabel, 290, Brooklin, zona sul, tel. 533-6230. Superonix: Tel. 834-1191.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-170</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-170</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O Santo Colomba é o lugar certo para os pobres caras ricos cansados de assaltos nos lugares new-age chiques decorados pelo Siggy.
Recebeu do tio Dave o prêmio Copo de Uísque de Ouro porque é muito bom. Lá você paga –mas leva. As bebidas são honestas e o serviço é atencioso. A atmosfera é supertradicional, auxiliada pelo glorioso e antigo bar-balcão que pertenceu ao Jockey Club do Rio de Janeiro. Ele foi arrancado de lá para dar lugar ao "milagre brasileiro", lembra? A questão se refere ao "milagre", Joãozinho, e não ao Jockey Club. Você é muito jovem para se lembra do Jockey.
O pessoal que frequenta o Santo Colomba precisa de um motorista para carregar suas carteiras recheadas. Se eles derrubassem todos os seus cartões de crédito, o peso seria tamanho que um buracão seria aberto no chão –tão grande que daria para passar uma limusine dentro.
Os clientes jet-set são daqueles que foram batizados pelo papa e comeram em pratos de ouro cravejados de diamantes durante toda a infância. "Ser rico não é um pesadelo", Onassis me disse uma vez, "mas as únicas pessoas ricas são as que fingem não ser". Quando você começa a viajar muito de avião e exibe suas jóias no Rio, você faz por merecer. Isso explica porque um dos caras mais ricos que eu conheço não frequenta o Santo Colomba. É mais fácil encontrá-lo tomando uma caipirinha no Sujinho.
David Drew Zingg

The Bar Santo Colomba. Al. Lorena, 1.165, Jardins. Tel. 851-3588. Segunda a quinta: 12h/14h30 e 18h/0h. Sexta: 12h/14h30 e 18h/1h. Sábado: 18h/1h. Estac. com manobrista. CC: AE, Credicard e Diners. Dry gibson: R$ 4,6.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-171</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-171</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Ibiza, Londres, Nova York. São Paulo tem também. Ahã, são as festas after hour, que começam naquele momento em que os chamados amadores da noite vão para casa, detonados já. Não nós, claro. Que vamos belíssimos para a segunda (ou terceira) etapa da ferveção de sábado à noite. Né?
Pois o tal after hour do Columbia pegou mesmo. E fica melhor ainda. Ganha sabe quem, o DJ Mau Mau, que é quem tem o perfil mais adequado para segurar a pista das quatro até o meio-dia, se for preciso. Mau Mau consegue criar diferentes climas entre as faixas e agora com os discos novos que trouxe da Europa, ih, nem se fala.
O nome, que era dzarm, também mudou. De Velvet Underground passou para Hell's Club, depois do apodrecimento feito aqui mesmo nesta coluna.
E quem leva o povo para lá é o Pil, que fazia as boas festas Psychoparty, conseguindo um bom mix de pessoas –o ideal, né?
E sabe quem volta também? O Henrique, que ganhou a denominação de "ser" ainda nos tempos da Mary Hee (lembra?). Ele ficava na porta do Krawitz desconcertando todo mundo com seu look, digamos, inusitado. Uma atração à parte.
Tome seu bom guaraná em pó e não esqueça seus óculos escuros. Até lá.
Erika Palomino

Hell's Club. Columbia. R. Estados Unidos, 1.570, Jardins. Tel. 282-8086. Sábado: a partir de 4h. Ingressos: R$ 6.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-172</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-172</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
A origem da palavra é turca. "Khawyar", ao contrário do que se pensa, não é o nome das ovas, e sim da sua preparação. Para merecer esse nome, o caviar tem de ser feito com ovas de esturjão –um peixe que chega a pesar uma tonelada e pode viver até 300 anos.
No ínicio da primavera, as fêmeas do esturjão são cuidadosamente capturadas e mortas. As ovas, que representam cerca de 10% do peso do peixe, são extraídas, lavadas em água gelada e salgadas. Daí resultam três tipos de caviar: o caro beluga, de cor cinza escuro e grãos grandes; o ossetra, de grãos pequenos e amarronzados (considerado por muitos como o melhor); e o sevruga, com grãos pequenos e acinzentados, e preços mais acessíveis.
Charlô Whately
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-173</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-173</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
As sopas não têm muita moral nos restaurantes de São Paulo –poucos são os que as servem em seu cardápio rotineiro, com exceção das cantinas italianas, com seus cappelletti in brodo. Mas quando os dias esfriam, há uma corrida entre os "restaurateurs" para enriquecer seus cardápios com esse item.
Este ano, várias casas oferecem sopas, algumas com arroubos de originalidade. É o caso do Spot, que, ao lado de uma tradicional sopa de cebola, está oferecendo a exótica –e deliciosa– sopa de banana com curry, uma combinação de sabores doces e picantes de extração tailandesa. O Dressing preparou um mosaico de ofertas, com sopas de vários países, como a ucraniana "borscht" (beterraba e legumes) e a mineira sopa de milho verde e cambuquira. O La Bourgogne, de cardápio francês, inova com seu creme de abóbora, mascarpone e ervas frescas. O Camelo serve sopas no almoço, em receitas que incluem uma opção alemã (com lentilhas, cenouras e presunto), outra húngara (com carne e páprica) e sopas de peixe. E o Ritz ataca de creme de aipo. Mas se o que você procura não são novidades, apenas o velho brodo italiano, tente os agnolotti do Il Cacciatore.
Josimar Melo

Spot. Al. Min. Rocha Azevedo, 72, Jardins. Tel. 283-0946. Segunda a sexta: 12h/15h e 20h/0h30. Sábado: 13h/16h30 e 20h/1h. Domingo: 13h/16h30 e 20h/0h. $$. Dressing. R. Amauri, 337, Itaim, zona sul. Tel. 282-5347. Segunda a quinta: 12h/15h e 19h30/0h30. Sexta: 12h/15h e 19h30/2h. Sábado: 12h/17h e 19h30/2h. Domingo: 12h/17h e 19h30/0h30. Estac. com manobrista. CC: AE e Diners. $$. La Bourgogne. Al. Min. Rocha Azevedo, 539, Jardins. Tel. 280-3046. Segunda a sexta: 12h/17h e 19h30/0h. Sábado: 20h/1h. Estac. com manobrista. $$$$. Camelo. R. Pamplona, 1.873, Jardins. Tel. 887-8764. Todos os dias: 12h/15h30 e 18h/1h. $$. Ritz. Al. Franca, 1.088, Jardins. Tel. 280-6808. Segunda a sexta: 12h/15h30 e 18h30/2h. Sábado e domingo: 13h/2h. $. Il Cacciatore. R. Santo Antônio, 855, Bela Vista, região central. Tel. 256-1390. Terça a sexta: 11h30/15h e 18h30/0h30. Sábado: 17h/2h. Domingo: 11h30/17h. CC: AE, Credicard e Visa. $$
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-174</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-174</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
A paulistana Laura Vinci começou com a pintura, passando para o ferro, com o qual construiu hastes como as que expôs no Centro Cultural em 1992. Mais uma vez o ferro fundido é o material utilizado nas peças recentes. As dez obras distribuem-se pelo espaço da galeria, dando origem a uma paisagem curiosa, composta por "blocos planos". As esculturas cinzentas estabelecem um jogo incessante entre entre o cheio e o vazio, o raso e o profundo, a linha e o volume. O equilíbrio também aparece. Lá estão os blocos enraizados no solo. Ao mesmo tempo que são leves, parecem ter sustentação precária. Na superfície ampla, é possível ainda vislumbrar a mão, o gesto marcando o metal. Esse conjunto de rochas rasas encontra-se pontuado por formas verticais, eretas, que obrigam o olho a percorrer, de cima a baixo, toda a sua extensão. O olhar, aliás, é continuamente exercitado pela escultura de Laura. Nas palavras precisas de Lorenzo Mammi, que assina o catálogo, "todos os pontos de vista são nela secundários, mas não forçam o olhar para o outro lado da obra, nem para fora dela e sim para o vazio que parece ter se imprimido nela, como uma pegada".
Fernanda Peixoto

Galeria Camargo Vilaça. R. Fradique Coutinho, 1.500, Vila Madalena, zona oeste. Tel. 210-7390. Segunda a sexta: 10h/20h. Sábado: 10h/14h. Preços: US$ 1.000 a US$ 4.000.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-175</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-175</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Uma das sequências mais esperadas do mundo dos games acaba de chegar ao Brasil. Trata-se do desafiador e viciante Super Metroid. O resultado não poderia ser melhor: com 24 mega, este game traz gráficos perfeitos, controle veloz, som de alta qualidade e seis excitantes mapas para serem explorados. Quer mais? Então ajude Samus Aran a recuperar o último metroid de um centro de pesquisas científicas e escolha entre três finais surpreendentes. Imperdível.
Andrea Gama.

Super Metroid. Super Nes. Playtronic. Tel. 522-2177. Preço médio: R$ 75.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-176</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-176</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
A soprano romena Ileana Cotrubas já decretou: "A ópera está de cuecas". Por não concordar com aquilo que ela chama de "decadência moral do gênero", resolveu fundar há três anos o quarteto I Vocalisti.
Com a mezzosoprano Julia Hamari, o barítono Ionel Pantea e o tenor Alexandre Badea, a soprano ensaia em sua casa na Riviera e, nos dias de folga, aproveita para se apresentar em público.
O repertório é o mais refinado possível: Brahms, Bach, Bruckner, tudo o que agrada o coração e o paladar da diva. O grupo canta na quinta em Campos do Jordão e no domingo em São Paulo.
Como se apresenta pouco, e sempre para um petit comité, será uma surpresa. O palco será pequeno para o quarteto de deuses vocais. Ainda bem que é grátis.
Luís Antônio Giron

I Vocalisti. Em Campos do Jordão: Auditório Cláudio Santoro. Av. Arrobas Martins, 1.880, Alto da Boa Vista. Tels. (0122) 62-2334 e 62-1990. Quinta, 21: 21h. Grátis. Em São Paulo: Teatro Sérgio Cardoso. R. Rui Barbosa, 152, Bela Vista, região central. Tel. 288-0136. Domingo, 24: 21h. Grátis (os ingressos serão trocados por um agasalho).
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-177</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-177</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Para o violoncelista russo Mstislav Rostropovich, 64, vale o chavão. Ele é o papa do violoncelo e ponto final. Ninguém como ele reuniu condições para o título neste século.
Sua luta pelos direitos humanos (abrigou o escritor Alexander Soljenitsin em 1974, quando este foi expulso da ex-URSS), a atuação como solista virtuose, o trabalho à frente de importantes orquestras, tudo colabora para criar a imagem de um mito.
Ele faz em São Paulo dois recitais, acompanhado pelo pianista norte-americano Lambert Orkis. O programa é o resultado de uma escolha preciosista. Começa tocando a "Sonata em Fá Maior Op. 8", de Richard Strauss, obra raramente executada da juventude do compositor alemão. Emenda com as não menos estranhas "Variações de 'Ein aedchen oder Weibchen', de 'A Flauta Mágica' Op. 66", de Beethoven. Como se não fosse suficiente, ainda toca a "Sonata Op. 40", de Shostakovich, e o "Grand Tango para Cello e Piano", de Astor Piazzolla.
Mesmo que executasse o "Bolero" de Ravel já valeria vê-lo. Com tamanho repertório, é bom levar flores.
L.A.G.

Mstislav Rostropovich. Teatro Cultura Artística, sala Esther Mesquita. R. Nestor Pestana, 196, Centro. Tels. 256-0223 e 258-3616. Quarta, 20, e quinta, 21: 21h. Ingressos: R$ 10 a R$ 100.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-178</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-178</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
A Mail Boxes Etc. é a primeira loja de conveniência postal da cidade. Franquia de uma empresa norte-americana, faz locação de caixas postais –ideal para correspondências repletas de letrinhas indiscretas. Ao alugar uma caixa, o cliente passa a ter um endereço fora de sua residência.
A área reservada às caixas fica na entrada da loja e o cliente recebe a chave da porta de acesso e outra da sua caixa particular, que funciona 24 horas. Também é possível receber os avisos de chegada das cartas pelo telefone, ou pedir que elas sejam redirecionadas.
É um serviço ideal para quem mora com a mamãe e o papai. Nenhum convite erótico do clube de sua preferência, nenhuma foto pelada, nenhuma nudez será mais castigada. Se a mamãe vive pondo suas correspondências no vapor da chaleira para bisbilhotar sem-vergonhices, a dona xereta dançou. É só alugar uma Top Secret Mail Box. A loja também faz remessas para qualquer parte do mundo. Você pode enviar uma taça de sorvete de banana para aquele japonezinho lindo que você conheceu na Liberdade domingo e foi de férias para o Japão na segunda –sorvete de papier mâché, nô?
Paula Silva

Mail Boxes etc. R. Oscar Freire, 953, Jardins. Tel. 851-3263. Fax. 280-0794. Segunda a sexta: 9h30/18h30. Sábado: 9h/13h30. Planos de pagamento de seis meses. Caixa pequena: R$ 13,50 mensais. Caixa média: R$ 18,00 mensais. Caixa grande: R$ 27,00 mensais. 
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-179</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-179</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Envolvido por um musculoso esquema mercadológico, "O Último Grande Herói", com o grandalhão Schwarzenegger, gerou muita expectativa mas, ao chegar aos cinemas, arrancou sorrisos amarelos.
A história gira em torno de Danny Madigan (Austin O'Brien), um garoto que é fã incondicional do astro de cinema Jack Slater (Arnold Schwarzenegger). O menino não perde um único filme do herói. Um dia o guri ganha um bilhete mágico para assistir à estréia do mais novo filme de seu ídolo. Numa cena de ação, Danny "entra" dentro do filme e tenta ajudar Slater a acabar com um vilão. Mas a história se inverte e ambos saem da tela e voltam para a "vida real" depois que o bandido escapa do filme.
Com muitos efeitos especiais, explosões e tiros, o filme fica aquém do monstruoso orçamento que consumiu. Tem boas cenas e piadas funcionais. Mas Woody Allen foi mais imaginativo em "A Rosa Púrpura do Cairo" (1985).
Anselmo Cheré

O Último Grande Herói (Last Action Hero). EUA, 1993. Direção: John McTiernan. Duração: 122 minutos. LK-Tel Vídeo. Tel. 825-5766. Preço: R$ 62.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-180</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-180</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
José Renato, o diretor, vai logo avisando que "é o teatrão". Um teatrão que nem existe mais, na verdade. Não é fácil encontrar um espetáculo que se passe na sala de estar, em que o tema seja a volta dos filhos à casa dos pais ou em que os valores sejam tão contrários à juventude. José Renato, o que não deixa de ser engraçado, foi um dos responsáveis pela morte deste mesmo teatrão, nos anos 50, quando dirigiu o teatro de Arena. Mas as coisas mudam e do encenador politizado de três, quatro décadas atrás não ficou muita coisa, nesta "Enfim Sós".
É uma peça família, em muitos sentidos. Do casal protagonista de Paulo Goulart e Nicette Bruno ao filho interpretado por Paulo Goulart Filho; também ao público de pais, mães e filhos, quase todos; também e sobretudo à história de carinho e conflito de uma família.
De um humor também família, sem maiores exageros, é um espetáculo de emoções cotidianas. Um aniversário de casamento, como, aliás, já indica o convite reproduzido no programa da peça.
Nelson de Sá

Enfim Sós. Teatro João Caetano. R. Borges Lagoa, 650, Vila Mariana, zona sul. Tel. 544-3774. Quinta a sábado: 21h. Domingo: 19h. Ingressos: R$ 6. Até dia 31.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-181</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-181</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Mel Gibson tinha apenas um ano de idade quando a telessérie "Maverick" foi ao ar pela primeira vez, em 1957. Suspensa em 1962, retomada em 1981 por curta temporada e na mesma época reciclada em dois telefilmes, lançou um dos mais bem-sucedidos heróis por acaso do Velho Oeste: Bret Maverick, misto de Doc Holiday e Treme-Treme. Doc foi um gênio no pôquer. E Treme-Treme, pândego caubói celebrizado por Bob Hope, o maior poltrão ao norte do rio Grande.
A nostálgica ressurreição cinematográfica de Maverick foi preparada com todos os ingredientes daquilo que os gringos chamam de "smash hit", o sucesso arrasa-quarteirão. Muita grana, belíssimas paisagens (Glen Canyon, no Arizona), um roteiro repleto de surpresas (assinado pelo autor de "Butch Cassidy", William Goldman), um diretor que sabe para que lado sopra o vento (Richard "Máquina Mortífera" Donner) e um trio de atores de imenso prestígio popular.
Deu certo? Na bilheteria, sim. Ninguém quis deixar de ver como Gibson se sairia no papel do maior almofadinha das pradarias, tendo ao lado Jodie Foster (como uma pilantra de saloon, a princípio agendada para Meg Ryan) e o protagonista original da telessérie, James Garner. Se todos saíram satisfeitos do cinema, são outros 500 reais.
A cena de abertura é ótima e outras, do mesmo padrão, surgem aqui e ali, pois Goldman nao é bobo –longe disso. Mas desta vez ele foi longe demais na sua volúpia de ser jocoso a qualquer preço e a todo instante. Apesar de programado para ser um western engraçado, na linha de "Butch Cassidy", "Maverick" acabou resultando num bangue-bangue metido a engraçadinho. Logo, cansativo. E, às vezes, irritante.
Sérgio Augusto

Maverick (idem). EUA, 1994. Direção de Richard Donner. A estréia estava programada para sexta, 15, nos cines Marabá, Liberty e Gazeta, além de salas a confirmar nos shoppings Eldorado, Jardim Sul, West Plaza, Center Norte, Plaza Sul, Aricanduva, Interlagos, Iguatemi eMorumbi. Horários a confirmar.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-182</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-182</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Há uns anos atrás seria difícil imaginar que som, imagem e texto caberiam em um disquinho de plástico e alumínio. Mas o CD-ROM chegou e agora já pode até ser alugado. Na Mega Media você encontra mais de cem títulos em CD-ROM, entre jogos, revistas, filmes, enciclopédias e karaokês –a maioria em inglês. Segundo Vittorio Rullo Jr., dono da empresa, só a revista Neo Interativa e o Almanaque Abril estão disponíveis em português.
A locação é uma boa opção para conhecer bem os recursos de um novo CD-ROM antes de comprá-lo. O único porém dos discos multimídia são os filmes em longa-metragem, que não têm boa definição de imagem –apesar de conterem informações mais detalhadas, como entrevistas e textos.
Claudia Gonçalves

Mega Media. R. Clodomiro Amazonas, 556, Itaim, zona oeste. Tel. 820-3945. Segunda a sexta: 9h30/20h30. Sábado: 9h/18h. Locação: R$ 3 (diária).
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-183</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-183</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

Caio Túlio Costa
A chatice da propaganda eleitoral na televisão começa dia 2 de agosto, daqui a duas semanas. Como, em política, uma semana é muita coisa, tudo pode mudar. Nada impede que Lula caia ainda mais ou que volte a crescer nas pesquisas. Fernando Henrique pode disparar e passar à frente, ou recuar ainda mais e Quércia surgir com mais pontos. Azarões em corridas presidenciais, como Brizola e Enéas, podem despontar e mexer na rotina das bolsas de valores que até aqui sobem no compasso das elevações de Fernando Henrique nas pesquisas.
Tudo isso poderá ocorrer não só por causa da televisão mas também por sua causa –grifei também em homenagem aos fósseis marxistas que consideram-na a palavra mais dialética.
Mas eu ia falando do tédio da propanganda eleitoral, que este ano será pior. Como os candidatos estão impedidos, por lei, de abusar da parafernália eletrônica, das imagens de comícios e dos truques com computadores, vai ser dose aguentá-los por inteiro, aquelas caras eternamente bolachudas falando diretamente com o eleitor, aquele papo pseudo-sério tipo olho no olho. Bem, o brasileiro se acostuma com tudo.
É por isso que me sinto à vontade para fazer um pedido para que cada eleitor começe a trabalhar já o seu voto na busca da única resposta que vale a pena procurar num candidato.
Por incrível que pareça, a pergunta a ser feita é uma só. Antes, uma constatação: nós, brasileiros, fomos lançados numa mudança eleitoral de moeda. Com estoicismo, na mais completa das ordens, sem reclamar nem piar, sem a menor complicação, todos nós trocamos nosso dinheirinho, fizemos e refizemos as infindáveis contas do aluguel, calculamos perdas salariais sem reclamar e sustamos o arredondamento do preço do pãozinho. Agora, vamos em frente, segurando o consumo, acreditando nos números da poupança, evitando o cheque especial, na expectativa, sempre com a mesma última esperança de que agora dê certo, sempre entupindo de dinheiro os governos que cobram impostos escorchantes e nada devolvem em benefício. Êta brasileiro bom, meu Deus!
A pergunta aos candidatos é uma só: o que cada um pretende fazer, de efetivo, com a nova moeda, o Real? Não basta o Fernando Henrique dizer que vai dar sequência ao plano porque ele o criou. De nada adianta o Lula prometer ofensiva contra o Real e, ao mesmo tempo, dizer que manterá o Real como moeda. Não funciona o Brizola vir com as evasivas negativistas de sempre e o Quércia fingir que a coisa não é com ele.
Queremos saber como vai ficar a moeda a partir de janeiro do ano que vem, o que cada um pretende fazer com as tarifas, com o dólar, com as reservas cambiais do país, com o Banco Central, com a mania nacional de emissão exagerada de moeda. Queremos saber de cada um, tintim por tintim, o que pretende com essa moeda caso seja eleito.
Em miúdos: o brasileiro continua esperançoso mas permanece no escuro. Caso não se consiga clarear alguma coisa já, resta o consolo de que, em campanha eleitoral, não existem favas contadas.

Caio Túlio Costa é diretor de Revistas da Folha de S. Paulo
Ilustração: Detalhe de "O Rei de Favas", 1638, de Jacob Jordaens 
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-184</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-184</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Por Maria Ester Martinho
Fotos Rochelle Costi
Com seu dom raro de elevar os índices de visibilidade de qualquer cena de novela, Andréa Beltrão conquista nove entre dez diretores globais, recebe convites incessantes e quebra um recorde de permanência no ar: nos últimos 18 meses, só esteve fora da tela dois. À fase profissional quente, soma uma era de preservação pessoal: prefere passar o fim-de-semana na cama à ansiedade da vida social. "Não sou mais moderna", resume

Parece ironia. A era, na TV, é de caras novas. A cada seis meses, um novo contingente teen marcha para a tela –em quantidade suficiente para rechear o elenco de dez produções globais. No entanto, ainda não se encontrou fórmula de "casting" capaz de dispensar o talento. Aquela coisa que confere a qualquer cena de novela um índice satisfatório de visibilidade –e que alguns, como Andréa Beltrão, têm.
A história recente da atriz é prova disso. No último ano, enquanto a geração novidade se esfalfava em oficinas para atores e vivia a glória rápida de ser parte do fenômeno do momento, Andréa esquecia os períodos que costumava dispor, entre uma novela e outra, para "descansar a imagem". A instituição, sagrada nos contratos entre a Globo e suas estrelas, deu lugar a um "boom" de convites, vindos de todos os núcleos de ficção da rede. Resultado: desde janeiro de 93, há exatos 18 meses, não pára de trabalhar. Mais: dos últimos 18 meses, só esteve fora do ar dois. Um recorde –sobretudo para uma emissora com tantos recursos. "Eram convites irrecusáveis", diz a atriz.
A temporada de atividade encerrou, nos primeiros minutos, uma tentativa de parada. No fim de 92, depois de desincumbir-se de Úrsula –a louca varrida que fez em "Pedra sobre Pedra"–, Andréa se dispunha a usufruir da vida doméstica em São Paulo, para onde se mudou depois de conhecer o atual marido, Rogério Gallo. Descansava sobre os louros de sua principal glória até ali –Zelda Scott, a repórter bígama de "Armação Ilimitada", sumida desde 1988 mas jamais esquecida.
O idílio durou pouco. Em dezembro de 92, aceitou o convite do diretor de "Mulheres de Areia", Wolf Maia, para trabalhar na novela; pouco depois, disse sim ao trio Miguel Paiva, Walter Lacet e Marcos Paulo, que não queriam ouvir falar em outra pessoa para viver a Radical Chic na TV; antes que o programa saísse do ar, foi chamada por Carlos Manga, que dirige o núcleo das minisséries, para "Madona de Cedro" –e voltou à seara de Wolf Maia na novela "A Viagem", no ar desde abril.

Ainda no primeiro semestre, gravou o caso especial "Suburbano Coração", com Guel Arraes, maestro de "Armação" e seu primeiro marido –ficaram juntos de 83 a 89. O programa, em que vivia uma romântica descabelada, teve a primeira exibição cancelada na hora agá –consta, para evitar a "superexposição" da atriz. Não cabe à dona da própria nenhuma parte na decisão. "Superexposição não é uma questão para mim", diz. "Eu gosto. Se não gostasse, não seria atriz, nem faria o que faço com tanto empenho".
Tomada àquela altura, a medida tinha algo de risível. Durante as primeiras semanas de abril, Andréa chegou a aparecer na tela da Globo três vezes ao dia, todo dia: no começo da tarde, na reprise de "Rainha da Sucata", de Silvio de Abreu; às 19h, em "A Viagem"; e às 22h30, em "Madona de Cedro". Se tivesse "que queimar o filme" –na expressão tão cara aos habitantes do Rio de Janeiro, cidade em que voltou a morar quando a maratona profissional apertou–, já o teria queimado antes da quarta aparição diária.
Aconteceu bem o contrário. De todas estas empreitadas, saiu-se bem até na única que teve cara de fracasso –o programa teen diário "O Jogo da Radical Chic". Sua recriação da irônica balzaquiana de Miguel Paiva era sempre ressalva nas críticas impiedosas que o programa recebeu. Com as novelas e a minissérie, provou que seu carisma transcende o âmbito dos personagens compostos em registro de história em quadrinhos –como Zelda e a própria Radical– e se estende aos tipos tridimensionais. Provou mais: que é possível trafegar, sem perda de identidade e/ou popularidade, entre os núcleos da Globo preocupados em experimentar e os perpertuadores do feijão-com-arroz da casa.
O compromisso com estéticas determinadas é, em seu caso, uma questão menor –se comparada à paixão que tem por seus personagens e a vontade de "alcançar" o público. "Gosto deste trânsito. Se fizesse só novela ou só programa ou só minissérie, ficaria infeliz". É certo, também, que trabalharia menos, o que não combina com sua sensação de que há muito a fazer, na TV. "Quero mexer com as pessoas que estão me vendo. É minha pretensão –e é muita pretensão. Muitas vezes não consigo. Quando consigo, é um grande prazer", diz. Sua relação com o público se intensificou no último ano, mas os fãs mantiveram a compostura. "As pessoas me param na rua, me pedem autógrafo, mas é sempre numa boa", diz. "Só me sinto invadida quando estou comendo e me interrompem". Depois de uma pausa, acrescenta: "E às vezes as pessoas ficam decepcionadas por eu ser tão normal".

O momento "quente" na área profissional promete se estender. Tanto que deixou de fazer planos. Quando a fase mudar, pensa em 1. ter um filho; 2. viajar; 3. montar uma peça. Ansiedade é mal de que já sofreu, acha, o suficiente. "Abdiquei de me planejar. Antes, era muito ansiosa com meus planos. Me impunha tarefas e me obrigava a executá-las. Me dizia faça isso, faça aquilo, não vai ficar deprimida, não vai ficar na cama lendo... Era um sargento de mim mesma", conta. "Agora, faço o que dá para fazer. E se estou no carro e vejo que vou me atrasar para o próximo compromisso, não corro mais por isso".
Mais: nos últimos meses, deu à "galera de baixo poder aquisitivo das redondezas" duas caixas cheias de roupas que não usava –peças improváveis, adquiridas nos surtos de consumo compensatório dos tempos da ansiedade– e se desobrigou de "aproveitar" toda e qualquer ocasião social. "Não vou a lugar nenhum à noite, odeio estréia, não vou à estréia de ninguém, só vou à minha porque sou obrigada. Não sou mais moderna".
Não é só o prazer de suas muitas realizações que aplaca a ansiedade e traz a mudança. É também uma avassaladora perda pessoal. Há quatro meses, seu único irmão, de 19 anos, morreu subitamente, de aneurisma cerebral. A depressão, antes sempre adiada, levantou a cabeça. "Percebi que o tamanho da minha tristeza é proporcional ao da minha alegria de viver", diz. O remédio, imagina, é manter o eixo. "Pelo menos na minha vida, a banda vai tocar a minha música". Fins-de-semana de retiro em casa –um belo apartamento na Urca, de frente para o mar e os barquinhos– são uma de suas panacéias. A outra é o trabalho –que proporciona o que diz precisar: "estar em movimento". 
Com a inocência, foram-se alguns males. Quando era criança, sofria porque se achava "diferente de tudo". A estranheza foi incorporada e virou qualidade: "Adoraria ser aquela beleza unânime, ser linda, sempre linda. Mas não sou isso e não sou só isso. Eu tenho cara de atriz. Posso ser lindona, posso enfeiar. Isso é uma coisa maravilhosa". Também a paranóia foi para o devido lugar. "Antes, seu eu me via na TV e me achava ruim, isso era sofrimento para três, quatro dias", diz. "Hoje, quando acotece isso, faço minha autocrítica e assunto encerrado. São cinco minutos. Não me levo mais tão a sério e não dou mais tanto espaço para minha paranóia".
Também não se acha mais maluca quando, de repente, cai em prantos –depois de ver algo indefinível em alguém que, por algum motivo, mexeu com ela. "Descobri que isso é uma coisa minha. Eu tenho essa capacidade de sair do meu campo e pousar no campo do outro –depois voltar e contar o que vi", explica. "Acho que sou atriz por isso".
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-185</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-185</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Nome: Andréa Beltrão
Data e local de nascimento: 18.Set.63, no Rio de Janeiro (RJ)
Altura e peso: 1m72, 54kg
Casamentos: Foi casada por seis anos com Guel Arraes, diretor de TV; hoje vive com Rogério Gallo, idem
Personagem-xodó: Zelda Scott, de "Armação Ilimitada"

NECESSAIRE
Modelo básico: "Não tem, varia. Tem dia que eu saio de casa afrancesada, outro dia completamente carioca, colorida, no outro uma garota de quinze anos, no outro uma senhora de 40. Adoro fazer figurino"
Roupa para dormir: "Camiseta"
Perfume: "Também são vários. Beautiful e White Linen, de Estée Lauder, Vetyver, de Roger Gallet, Chanel, todos"
Acessórios: "Nada. Quando estou gravando novela, tenho preguiça de usar qualquer coisa que eu tenha que antes da gravação ficar tirando e botando dentro de uma caixinha"
Grife: "Não compro pela grife, compro pela roupa. Então se tiver uma coisa legal na C&A eu vou comprar, e se tiver uma coisa feia no Reinaldo não-sei-o-quê ou na G eu não vou comprar"

SINOPSE
Símbolo sexual: "Muitos homens são símbolos sexuais para mim, de padeiro a príncipe. É um leque muito abrangente"
Afrodisíaco: "Beijo"
Maior brochada: "São muitas, mas nada que tenha marcado realmente. Lido com a frustração direitinho"
Especialidade gastronômica: "Molho para macarronada, suflê, rocambole de doce de leite, strogonoff, arroz, batata frita, sopas"
Dotes inusitados: "Sei pregar quadros na parede muito bem, sou boa decoradora de casas, ótima faxineira, passo roupa bem..."
Carro dos sonhos: "Um Landau dourado. Tive um, maravilhoso. Acabei vendendo, chamava muita atenção. Ou uma Rural. Meu carro dos sonhos é um carro velho, fora do tempo"

ACADEMIA
Faz ginástica? "Quando era criança, queria ser atleta, ir para a Olimpíada. Agora faço uma hora de aula todo dia com o André Galvão, na academia Power do Rio. É musculação mesmo, porrada"
Faz dieta? "Minha dieta é assim: ontem, comi uma lata de brigadeiro, não sei quantos biscoitos, um pacote de batata frita, três Coca-Colas, jantei no japonês e comi chocolate de sobremesa. Então hoje periga eu ficar sem comer, só no suco, histérica, olhando se emagreci... Quando emagreço, começa tudo de novo: lata de brigadeiro, etc."
A que horas dorme e acorda? "7h e 1h"
Cuidados com o espírito: "Todos, mas nenhum religioso"

RADICAL
No que gasta dinheiro quando está deprimida? "Já gastei muito com roupa. Há pouco tempo, dei três caixas de roupas e parei com isto. Agora, quando estou deprimida, vou para casa ler um livro"
Coisa mais inútil que já comprou: "Roupa, roupa. Comprei roupas que minha avó não usaria, nem a garota mais moderna. Coisas estranhíssimas, inexplicáveis –uns estampados, uns sapatos indescritíveis"
No que detesta gastar dinheiro? "Em restaurante"
Qual a última vez que andou de ônibus? "Para gravar uma externa, no ônibus da emissora"

ROTEIRO
Palavra predileta: "Maravilhoso"
Filme predileto: "Noites de Cabíria"
Cantora e cantor prediletos: "Todos os pretos e pretas americanos, de Billie Holliday a Stevie Wonder, e mais Edith Piaf, Marisa Monte, Caetano, Chico, Gil"
Cineasta: "Fellini, De Sica, Billy Wilder, Frank Capra, Scorsese"
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-186</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-186</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
A versão multimídia desta edição da Revista da Folha é uma das atrações do segundo número da revista em CD-ROM "Neo-Interativa", que chega às livrarias Saraiva e Siciliano e lojas de informática amanhã. Produzida pela Próxima Mídia Editora, a "Neo-Interativa" é a primeira publicação periódica em CD-ROM da América Latina. Pode ser lida em qualquer computador dotado de drive para CD-ROM.
A capa com Andréa Beltrão, a coluna "Barbara Responde" e o roteirão "200 Restaurantes" ganham novos recursos na versão em CD-ROM. Um simples "clic" do mouse do ícone "video" da capa da Revista (veja foto acima) aciona um vídeo que mostra o "making of" da foto que a ilustra. Quatro vídeos, que mostram Barbara Gancia respondende cartas de leitores, ilustram a coluna "Barbara Responde".
O roteirão de restaurantes, elaborado por Josimar Melo, ganha contorno interativo no CD-ROM. Você seleciona o tipo de comida que quer saborear, a região de sua preferência e a faixa de preço que pretende pagar. Um "software" pesquisa para você, entre os restaurantes do roteiro, aqueles que atendem a sua solicitação específica.
A nova "Neo-Interativa" (foto acima) custa R$ 37,00. Tem tiragem de 6.000 exemplares e patrocínio da Itautec, Snoy Music e Saraiva Data. A revista é trimestral. O primeiro número saiu em abril.
Além do encarte multimídia da Revista da Folha, a nova "Neo-Interativa" traz reportagens sobre TV, ecoturismo, música, sociedade, astronomia e outras. Duas reportagens especiais abordam o choque entre Jupiter e o cometa Shoemaker e a presença de imigrantes em São Paulo na década de 20.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-187</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-187</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Dizem que Deus está nos detalhes. Será que aqueles que armam mesas das mais bacanas, cheias das nove-horas, sem se preocupar em caprichar no modelito da dupla saleiro-pimenteiro, sabem o que estão desprezando? Sabem eles que gastar os tubos com toalhas, guardanapos, talheres, pratos e copos, e alegar dureza justo na hora de comprar recipientes para o sal e a pimenta é um verdadeiro pecado? Hein, hein? Dizem, também, que errar é humano e perdoar é divino, Será?
Suzana Camará

ONDE ENCONTRAR. Antichi Giorni: al. Gabriel Monteiro da Silva, 857, Jardins, tel. 883-1345. By Design: al. Gabriel Monteiro da Silva, 958, Jardins, tel. 64-9600. Cecília Dale: r. Dr. Mello Alves, 513, Jardins, tel. 853-7388. Cleusa Presentes: r. Haddock Lobo, 738, Jardins, tel. 883-4833. Commedia dell'Arte: r. Araguari, 360, Moema, zona sul, tel. 536-9882. Inventariato: r. Galeno Revoredo, 21, Itaim Bibi, zona oeste, tel. 282-0292. Kit Cozinha: Lar Center, loja 137, tel. 298-1414. Le Style: al. Gabriel Monteiro da Silva, 384, Jardins, tel. 853-5438. Mickey Presentes: r. Oscar Freire, 931, Jardins, tel. 280-0577. Spazio Gastronômico: r. Horácio Lafer, 533, Itaim Bibi, zona oeste, tel. 829-0775. Success: shopping Jardim Sul, loja 327, tel. 843-5775.
 
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-188</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-188</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
A peça "Confissões de Adolescente", há mais de dois anos em cartaz, reestréia no Rio dia 28. Das atrizes originais sobraram Carol Machado e Ingrid Guimarães. Patrícia Perrone e Maria Mariana foram substituídas por Bebel Lobo e Gabriela Duarte.

Namorados dividem teatro
Adriana Esteves agora divide teatro com seu namorado. A atriz está na peça "A Falecida", em cartaz no Centro Cultural São Paulo. Na sala logo ao lado, seu amado Marco Ricca pode ser visto em "A Gaivota".

Sorrah e Abreu falseam tombos
Apesar de saberem patinar, Renata Sorrah e Cláudia Abreu tiveram de improvisar alguns tombos nas gravações de "Pátria Minha". Motivo: suas respectivas personagens Natáilia e Alice eram aprendizes no ramo.

Cristiana renova com a Globo
Quando viu que Cristiana Oliveira havia sido procurada pelo SBT, a Globo não perdeu tempo. Correu na frente e já renovou o contrato da atriz por mais um ano.

Ator emagrece para novo papel
Petrônio Gontijo mudou completamente seu visual para interpretar o Murilo de "Pátria Minha": emagreceu seis quilos, cortou os cabelos e fez tratamento de pele.

Oliveira com um pé no SBT
Juca de Oliveira –o professor Praxedes de "Fera Ferida"– já está com um pé no SBT. O ator está sendo cogitado para o principal papel masculino de "As Pupilas do Senhor Reitor", que a emissora deve começar a gravar em 22 de agosto. Quem também andou pela emissora foi Isabela Garcia –que fez exigências inexeqíveis para o SBT. Outros nomes globais também sondados foram Patrícia Perrone e Oberdan Jr. A produção da nova novela já começa a tomar corpo. Na próxima semana, o diretor Nilton Travesso viaja à Portugal para escolher locações, gravar "stock-shots" e fazer pesquisas de cenário, arte e figurino. Junto com ele, vão os diretores de cada área, respectivamente João Nascimento, Beto Leão e Paulo Lois.

Clip do rei estréia na MTV
O Rei Roberto está mudando de tática. A estréia de seu novo clip, "Se Você Pensa", não acontece –como sempre– ná Globo, mas na MTV. A première será no próximo sábado, as 16h –com reprise às 22h. O clip é uma colagem dos filmes "O Diamante Cor-de-Rosa", "Em Ritmo de Aventura" e "A 300 Quilômetros Por Hora", além de imagens de arquivo da Record.

Bandeirantes quer Tostão fixo
Na cola do sucesso de Tostão como comentarista durante a Copa, no "Apito Final", a Bandeirantes não vacilou. Já convidou o ex-jogador para participar das mesas-redondas da emissora no próximo Campeonato Paulista de Futebol. Na útlima semana, o convite foi reiterado no ar –por Luciano do Valle, diretor de esportes da Bandeirantes– durante o "Apito Final".

Letterman se rende ao futebol
Depois de passar duas semanas criticando o futebol em seu talk-show "Late Nite", o apresentador norte-americano David Letterman, da CBS, finalmente se rendeu ao esporte bretão. Em seu programa do último dia 6, recebeu como convidados um narrador italiano e o jogador Lalas, um dos destaques da seleção dos EUA –de quem Letterman cortou uma mecha da barbicha.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-189</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-189</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
MARCOS AMAZONAS
Especial para o TV Folha
Logo após a vitória sobre a Holanda, o departamento de engenharia da Rede Globo começou a trabalhar a todo vapor para aprontar o esquema de transmissão da festa do tetra. O resultado final será uma mistura das coberturas da São Silvestre com a do Carnaval.
Serão dias de trabalho que começam com o jogo de hoje. O telão –um Jumbotronic alugado por US$ 500 mil– deverá ser instalado na av. Paulista, que é o pontapé inicial da comemoração da vitória.
O ponto forte será a cobertura do dia da chegada da seleção, sem dúvida um feriado nacional. Duas motocicletas, equipadas com microlinks, levarão imagens das avenidas a dois helicópteros alugados para retransmissão. Outros três transmitirão flashes aéreos da chegada. As emissoras afiliadas cobrirão a festa que ocorrerá por todo o Brasil.
Os funcionários vivem agora a sensação de, por um lado, torcer com todas as forças pela vitória da seleção e, por outro, pensar na trabalheira que vão ter se o Brasil ganhar.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-190</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-190</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
"Beavis e Butt-head", o desenho mais polêmico dos Estados Unidos, estréia amanhã, às 20h, na MTV
Da Reportagem Local
Os espectadores da MTV brasileira finalmente vão assistir, a partir de amanhã, as barbáries nonsense da dupla "Beavis e Butt-head". A emissora exibirá diariamente, às 20h, este que é um dos desenhos mais polêmicos dos Estados Unidos.
A dupla foi criada pelo cartunista Mike Judge e é uma espécie de Wayne e Garth, do filme "Quanto Mais Idiota Melhor" –só que muito mais estúpida.
Politicamente incorretos, Beavis e Butt-head (que significa bundão, em português) são dois adolescentes que zombam de homossexuais, maltratam animaizinhos indefesos, soltam gases, falam muitos palavrões e tiram meleca do nariz com o dedo. Põem o endiabrado Bart Simpson no chinelo.
Beavis e Butt-head foram mostrados pela primeira vez ao público americano em 1990 em festivais de cartoon, no desenho "Frog Baseball", onde apareciam jogando beisebol. Detalhe: no lugar da bola, usavam rãs.
Dois anos depois, o desenho foi exibido dentro do programa "Liquid Television", da MTV. O mesmo episódio foi ao ar no Brasil, no ano passado.
Até virarem atração diária no horário nobre da MTV americana, em 93, os personagens não causaram maiores danos. Mas depois que o desenho passou a aparecer na TV regularmente, seu criador, Judge, foi acusado de motivar adolescentes a cometerem maldades.
A polêmica foi inaugurada quando um garoto, supostamente inspirado nos atos terroristas da dupla, colocou fogo no trailler onde morava e matou o irmão. Depois de brigas judiciais, a MTV americana passou a exibir o desenho às 23h.
No Brasil, "Beavis e Butt-head" vai ser exibido em horário nobre, mas a direção da emissora no Brasil não acredita que isso vá causar maiores problemas.
O desenho será mostrado em versão original, com legendas. A opção por esta versão vai permitir ao público ouvir a voz de Judge. O criador do cartoon é o responsável pelas falas e pelas gargalhadas sinistras da dupla. 
(Marcelo de Souza)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-191</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-191</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Antes de ser promovida à categoria de mãe, Renata Sorrah interpretou moças casadouras em várias novelas. Em "O Cafona" (71), a atriz era a jovem Malu, uma das pretendentes do novo-rico Gilberto Athayde (Francisco Cuoco). Em "Pátria Minha", que estréia amanhã na Globo, Renata será Natália, mãe da protagonista Alice (Claudia Abreu).
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-192</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-192</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Terminada a história de "Capitão Flamel na terra de Tubiagângster", vem aí mais uma expo-Brasil escrita por Gilberto Braga. Iremos novamente navegar no mar de lama dos poderosos deste país, representado agora pelo personagem de Tarcísio Meira. Que venha Odete Roithman!
Ronaldo Borges OliveiraRiolândia, SP

"Parabéns ao elenco de 'Fera Ferida"'
Aproveitando que a novela "Fera Ferida" chega ao fim, gostaria de parabenizar Cássia Kiss, Suzana Vieira, Juca de Oliveira, Edson Celulari, Lima Duarte, Giulia Gam, Arlete Salles e Cláudio Fontana, que estiveram brilhantes nas suas interpretações.
Aline Renata RodriguesSorocaba, SP

"Murilo Benício é o mais bonito e gostoso"
Só porque a novela "Fera Ferida" está no fim, a Globo não tem o direito de omitir o nome do ator Murilo Benício, o Fabrício, que é o mais bonito, mais gostoso, mais simpático, mais carismático e melhor ator!
Maria Araci de FariaSão Paulo, SP

"Deselegância impera na Rede Manchete"
Não entendo a deselegância que impera entre repórteres e apresentadores da Manchete, a começar por Paulo Stein. Aquela camiseta sem gola embaixo de um paletó apertado é de lascar. Rapazes e moças do "Jornal da Manchete" se vestem como se fossem à feira.
Sueli CiprianoSão Paulo, SP
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-193</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-193</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Emissora carioca apresenta as melhores imagens e a paulista, o melhor narrador
MURILO GABRIELLI
Da Reportagem Local
Deu empate entre Globo e Bandeirantes na cobertura da Copa. Enquanto a emissora carioca atacou com câmeras exclusivas, reportagens criativas e estatísticas, a paulista se defendeu com bons comentaristas, cobertura extensiva e o melhor narrador: Silvio Luiz.
O veterano locutor, com seu humor infame e politicamente incorreto, deu um baile nos derramados Galvão Bueno e Luciano do Valle, que tinham a vantagem inicial de cobrir os jogos mais importantes.
Os outros narradores de Globo e Bandeirantes primaram pela falta de graça. Luiz Alfredo, o chatíssimo titular do SBT, continua a apresentar como única credencial o fato de ser filho de Geraldo José da Almeida.
Entre os comentaristas, vitória fácil de Mário Sérgio e Rivelino, da Bandeirantes –com vantagem para o primeiro, pela melhor capacidade de expressão.
Não dá para entender por que a emissora insiste em escalar o fraco Juarez Soares para suas principais transmissões de futebol.
Telê Santana (SBT) não apresenta um desempenho compatível com sua atuação como técnico, e Pelé (Globo) teve seu momento mais memorável ao ser alvo de reclamações de Galvão Bueno.
A maior surpresa da cobertura foi a participação de Fátima Bernardes (Globo), que por várias vezes deixou o estúdio para realizar divertidas reportagens.
Fátima provou que apresentadoras não precisam ser meramente belas leitoras de notícias –tese que fora reforçada pelo fiasco de Valéria Monteiro durante as Olimpíadas de Barcelona.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-194</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-194</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Brasil disputa tetra com Itália
Torcedores vão grudar na TV para ver o Brasil disputar o tetra com a Itália. Os dois países são tricampeões mundiais.
BRASIL X ITÁLIA - Globo, Bandeirantes e SBT, 16h30.

AMANHÃ
'Batman' volta na Gazeta
A CNT/Gazeta comprou um pacote de 120 filmes da série "Batman", produzida entre 1966 e 1968. As aventuras da dupla Batman (Adam West) e Robin (Burt Ward) foram enorme sucesso nos anos 60. Em preto e branco, a série vai ao ar de segunda a sexta, às 17h45. 

BATMAN - Gazeta, 17h45.

Estréia novo namoro na TV
Estréia na Bandeirantes o gameshow "Encontros Imediatos". Promove encontros românticos entre homens e mulheres.

ENCONTROS IMEDIATOS - Bandeirantes, 16h45.

TERÇA
Bastidores da Copa no 'Casseta'
"Casseta e Planeta" mostra os melhores momentos da Copa. Alguns dos quadros são a "Cozinha da Copa" e "Gente que Rala".
CASSETA E PLANETA - Globo, 21h30.

QUARTA
Mangue Beat na MTV
A MTV preparou um pacote para julho, o "Julhão". O programa "Abril Pro Rock", gravado em Recife em abril, mostra um pouco de tudo: rock, rap, funk, punk rock e mangue beat. O rapper Gabriel O Pensador levou a galera ao delírio com "Lôraburra". O promissor Chico Science (foto) também arrasou no ritmo mangue beat. Entre as novas bandas que estiveram no festival, Paulo Francis Vai Pro Céu, Cavalo do Cão e Devotos do Ódio. Apresentação de Fabio Massari.

ABRIL PRO ROCK - MTV, 15 e 1h.

QUINTA
Bruna conversa com Fábio Jr.
O cantor e ator Fábio Jr. conversa sobre sua carreira, casamento e filhos com Bruna Lombardi, no "Gente de Expressão".

GENTE DE EXPRESSÃO - Manchete, 22h30.

SEXTA
Uma família bem-humorada
Antes exibida na TVA, a série norte-americana "Um Amor de Família" passou para a Bandeirantes. Em episódios de meia hora, aborda a vida de uma família de classe média (um casal e dois filhos adolescentes).

UM AMOR DE FAMÍLIA - Bandeirantes, 20h.

SÁBADO
Thunderbird estréia 'TV Zona'
O "TV Zona", apresentado pelo ex-VJ da MTV Luiz Thunderbird, estréia com os grupos Barão Vermelho e Cidade Negra, além dos novos Maskavos Roots, Sex Beatles e a cantora Felycidade Susy, que canta uma das canções da trilha da nova novela "Pátria Minha".

TV ZONA - Globo, 15h. 

DOMINGO
Prince abre novo "Hollywood"
Além dos shows gravados ao vivo, o novo "Hollywood Rock In Concert" traz agora reportagens com bastidores das gravações, agenda e comportamento dos fãs. Na estréia, o show "The Beautiful Experience", do megastar Prince.

HOLLYWOOD ROCK - Bandeirantes, 21h.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-195</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-195</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
TVZ exibe clips preferidos do público
A TVZ, faixa musical do canal Multishow, comemora um ano no ar com uma programação especial até o próximo dia 29. Vai mostrar uma série de entrevistas e videoclips com artistas nacionais e internacionais. Um dos destaques do programa é Cássia Eller (foto), que fala sobre seu novo disco e mostra o videoclip da música "Malandragem". Outro destaque é o "Top 100", que vai levar ao ar os cem clips preferidos do público.

TVZ - Multishow, 19h.

TERÇA
Crianças em mundo bilíngue
"Nature of Things" aborda o universo das crianças que são obrigadas a aprender duas línguas e mostra particularidades na formação da personalidade de alguém com pai inglês e mãe francesa, por exemplo.

NATURE OF THINGS - The Superstation, 15h.

QUARTA
As mil caras de Hopkins
O Telecine homenageia os 25 anos de carreira do ator sir Anthony Hopkins com uma série de filmes. O primeiro deles é "Hamlet" (1969). O ator ganhou o Oscar por "Silêncio dos Inocentes", em 1992.

ANTHONY HOPKINS, 25 ANOS DE SUCESSO - Telecine, 1h.

Megaprograma lembra conquista da Lua
Com quatro horas de duração, "Moon Shot" é o especial produzido pela TNT sobre a chegada do homem à Lua, no histórico 20 de julho de 1969. O programa mostra a história da conquista do espaço e o empenho do pessoal da elite da Nasa no trabalho. Ao longo do dia, serão exibidos nove filmes ligados ao tema. O especial explora todos os detalhes, desde as dificuldades para colocar o primeiro homem em solo lunar até a chegada da Missão Apollo. Inclui entrevistas com astronautas, como o pioneiro Neil Armstrong e imagens inéditas dos arquivos da Nasa. 

MOON SHOT - TNT, 11h.

SÁBADO
Especial mostra Lennox ao vivo
"In Concert Especial" reúne Whitney Houston, Annie Lennox (foto), Curtis Stigers e The Healy Band, entre outros artistas do selo Arista Records. O programa mostra também os bastidores da gravação da trilha do filme "O Guarda-Costas".

IN CONCERT ESPECIAL - Multishow, 19h.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-196</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-196</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Quando foi lançado em cinemas, "Uma Linda Mulher" fez furor e serviu para lançar a carreira de Julia Roberts. A distância tem suas vantagens. O tempo coloca as coisas no lugar. A figura da bela prostituta por quem um homem se apaixona faz parte do imaginário masculino, com certeza, mas a linda mulher do filme é, essencialmente, uma fraude. Podia ser real, como a Anna Karina de "Viver a Vida". Mas não é. E, com sua falsidade, empetecação e bons modos, com sua quase perfeição (que coloca em relevo, tolamente, a imperfeição do homem), constrói uma situação arbitrária. Não se trata de colar o imaginário ao real, mas de transitar da fantasia à mentira. Um filme a rever, para evitar cair na esparrela outra vez.
(IA)

UMA LINDA MULHER (Pretty Woman). EUA, 1990, 117 min. Direção: Garry Marshall. Com Richard Gere, Julia Roberts. Inédito. Na Globo.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-197</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-197</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Pode não ser um grande filme. Mas ninguém negará a "Esqueceram de Mim" a virtude de captar certos fantasmas do universo infantil, como o abandono pelos pais ou a ameaça de ter o lar invadido por ladrões. As duas coisas acontecem a Macaulin Culkin. É tudo o que ele precisa para demonstrar sua fidelidade à família que o esquece em casa quando sai em viagem de férias. Para combater os ladrões Joe Pesci e Daniel Stern ele sai da defesa ao ataque com imaginação infantil, inocente e perversa. O filme projetou Macaulin Culkin como astro infantil, o que é uma bondade, tais as suas limitações. Mas tem dois vilões de primeira linha. De todo modo, o encontro dos três garante um bom programa nesse tempo de férias escolares.
(Inácio Araujo)

ESQUECERAM DE MIM (Home Alone). EUA, 1990, 90 min. Direção: Chris Columbus. Com Macaulin Culkin, Joe Pesci, Daniel Stern. Na Globo.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-198</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-198</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Da Reportagem Local
"Pátria Minha" começa em ritmo de corrupção. No primeiro capítulo, depois de demitir seu motorista, o vilão Raul (Tarcísio Meira) provoca um atropelamento. Várias pessoas vêem o acidente, entre elas Alice (Cláudia Abreu). Aderbal (D'Artagnan Júnior), segurança de Raul, é quem assume a culpa. No resto da semana, Raul tenta subornar as testemunhas. Só não consegue comprar Alice, que depõe contando a verdade. Em vão: outro delegado assume o cargo e arquiva o processo.

Novos personagens entram em "74.5"
Da Reportagem Local
"74.5 - Uma Onda no Ar" entra amanhã em nova fase, que inclui novos personagens e autor –Chico de Assis. Para fazer um triângulo com Luíza (Letícia Sabatella) e Miguel (Ângelo Antônio), chega a Pedra da Lua o médico Quim, interpretado por Guilherme Leme. Além dele, Antônio Calloni promete um festival de clichês no papel do detetive Mariano, que vai ajudar a desvendar os crimes da novela. André Valle também entra na trama como cúmplice de Franklin (Hélio Ary).
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-199</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-199</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Ganhe a capa dura e aprimeira parte no dia 14
Atlas foi criado pelojornal inglês 'The Times'
Livro saiu nos EUApelo 'New York Times'
Da Reportagem Local
A Folha começa a distribuir no dia 14 de agosto um presente inédito a seus leitores: fascículos de um atlas atualizado, com todas as mudanças provocadas pela implosão do comunismo, colorido e com capa dura.
O "Atlas Geográfico Mundial" que a Folha está lançando foi criado pelo jornal inglês "The Times". Nos Estados Unidos, foi editado pelo "The New York Times".
Há um diferença fundamental entre a versão da Folha e a que saiu na Inglaterra e nos EUA. É o preço. Lá, o atlas é vendido por cerca de US$ 30. Aqui, será gratuito.
O primeiro fascículo e a capa dura serão distribuídos com a edição de 14 de agosto, um domingo. O atlas tem 19 fascículos no formato 31 cm x 22 cm e estará completo, com 184 páginas, em 18 de dezembro. 
A estimativa é de que a tiragem da Folha no dia 14 de agosto passe de 1 milhão de exemplares, recorde absoluto na história da imprensa brasileira.
"O Projeto Atlas é o mais ambicioso esforço jamais feito pela Folha na área de jornalismo de serviço", diz Otavio Frias Filho, 37, diretor de Redação da Folha. "É uma demonstração da confiança de que o crescimento dos jornais pode e deve estar aliado a preocupações educativas e culturais".
"A circulação vai ser um bomba atômica", afirma Flávio Pestana, 31, diretor-executivo de marketing e circulação da Empresa Folha da Manhã S/A, que edita a Folha. "A tiragem de domingo vai subir dos atuais 750 mil exemplares para mais de 1 milhão".
Para se ter uma idéia do que significa 1 milhão de exemplares, os jornais enfileirados na vertical cobririam 540 km ou uma distância similar à que separa Amsterdã, na Holanda, de Berlim, na Alemanha.
O que tem no atlas
Você sabe quantos países surgiram com a derrocada do comunismo no Leste Europeu? Se não sabe, não se preocupe –80% dos paulistanos também dizem não saber, segundo uma pesquisa Datafolha (leia texto nas páginas centrais).
Foram 22 países. Estão todos no atlas do "The Times". Nos atlas didáticos editados no país –com vendagem anual de cerca de 300 mil exemplares ou menos de um terço da tiragem estimada pela Folha– muitas dessas atualizações não aparecem ainda.
É que o atlas do jornal inglês foi revisado duas vezes em 1993. Só na primeira versão, lançada em 1988, o "The Times", consumiu cinco anos de pesquisas.
O novo desenho do mundo não é a única novidade do atlas da Folha. Veja o que você encontrará nas 184 páginas do livro:
Bandeiras coloridas e dados geográficos de 188 nações;
94 páginas com mapas detalhados;
Índice com 30 mil nomes de lugares;
Dicionário geográfico com 367 termos;
Tabelas, mapas e gráficos comparando área e profundidade de oceanos e mares, altitude de montanhas, comprimento de rios e a população de 170 regiões metropolitanas.
Todas essas qualidades começam a aparecer a partir de amanhã em comerciais de TV. São oito filmes para TV e cinema, criados pela agência W/Brasil e dirigidos por Tadeu Jungle, da produtora Max 35.
A campanha publicitária será feita também em jornais, revistas, outdoors, rádios, faixas, cartazes e bandeiras. Segundo Pestana, o custo da campanha publicitária do atlas equivale ao da campanha de lançamento de um carro como o Corsa.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-200</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-200</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Dávamos uma idéia do que era o Brasil, de onde vínhamos e para onde íamos
Da Reportagem Local
Foi debruçada sobre um mapa-múndi que a família Schurmann sonhou, conversou e decidiu largar tudo pela aventura de passar dez anos no mar dando a volta ao mundo em um veleiro.
"Ficávamos verificando rotas e falando de lugares distantes", conta Vilfredo Schurmann, 45, o economista que em 1984 abandonou a rotina segura de Florianópolis (SC), acompanhado da mulher Heloísa, 45, e dos filhos Pierre, 25, David, 20, e Wilheim, 17.
Até o final da viagem, em maio passado, os Schurmann conheceram 42 países, três continentes e navegaram 65 milhas náuticas, o equivalente a três voltas pela linha do Equador em torno da Terra.
De ponto de partida da aventura, os mapas converteram-se em uma espécie de diário. Sobre eles foram traçadas as rotas e as datas das chegadas e partidas.
Em outros momentos, serviram como instrumentos de comunicação nas ilhotas mais distantes do Pacífico Sul, por exemplo.
Shurmann lembra das animadas conversas que o grupo manteve com as crianças de Vanuatu, um conjunto de 82 ilhotas e 110 dialetos da Oceania, próximo da Austrália e da Nova Zelândia.
A família fazia questão de ir às escolas e convidar os alunos das séries mais avançadas a visitar o barco. "Vinham em turmas de 32 crianças, todas calçando sandálias havaianas", relembra Schurmann.
"Foi chocante. Mostrávamos o mapa-múndi, dávamos uma idéia do que era o Brasil, onde eles estavam, de onde vínhamos e para onde íamos. Eles adoravam", afirma.
Emergência
Não faltaram também momentos em que os mapas foram um importante auxílio para superar situações de emergência.
No litoral do Equador, ao retornar das ilhas Galápagos, o motor do veleiro Guapos enguiçou. Sem carta náutica da região, a família localizou no mapa a ilha La Plata, a 30 milhas náuticas da costa (cerca de 54 km), onde um grupo de pescadores ofereceu socorro.
Schurmann, no entanto, faz questão de ressaltar que os mapas geográficos jamais podem ser utilizados como instrumentos de navegação, em substituição às cartas náuticas (mapa com informações para navegação).
(LCD)
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-201</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-201</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Pesquisa Datafolha revela que maioria absoluta da população não conhece novos países depois do colapso do comunismo
LUIZ CARLOS DUARTE
Da Reportagem Local
Se depender de seus conhecimentos geográficos, o paulistano está perdido.
No plano mundial, a maioria absoluta não sabe apontar um país sequer que tenha surgido após o colapso do comunismo.
No âmbito doméstico, a situação também não é diferente. A maioria absoluta não sabe dizer por exemplo qual é a capital do Estado do Rio Grande do Sul.
E mais ainda: uma parcela significativa acha até que o México, na América do Norte, é vizinho do Brasil, na América do Sul.
Os dados foram levantados em pesquisa Datafolha realizada em 30 de junho. Foram entrevistados 630 paulistanos, com idade a partir de 16 anos.
Indagados sobre quais países surgiram ou desapareceram com o fim do comunismo, 80% não souberam dar um exemplo de um novo país e 74% não mencionaram o desaparecimento de qualquer um deles (veja quadro).
O desconhecimento sobre os Estados brasileiros também atingiu altos percentuais. Somente 8% dos entrevistados responderam acertadamente que o Brasil é composto por 26 Estados; 92% não souberam responder.
A cidade de Palmas, de onde veio o novo coração que foi transplantado no humorista Mussum terça-feira passada, foi apontada corretamente por apenas 8% como sendo a capital do Estado de Tocantins; 92% desconheciam.
Mesmo em relação a um dos mais importantes Estados do país, o Rio Grande do Sul, 61% dos paulistanos não souberam dizer o nome de sua capital, Porto Alegre.
Em compensação, entre as principais capitais do mundo, Tóquio obteve uma performance surprendente: 58% a indicaram como capital do Japão. O índice é superior ao de Paris, citada por 52% como capital da França.
Quanto aos países vizinhos do Brasil, na América do Sul, não faltaram disparates. O México, na América do Norte, foi considerado vizinho por 18% dos entrevistados.
Foram mencionados como vizinhos até a Austrália, na Oceânia, e o Japão, na Ásia, ambos com 2%.
E qual o maior rio do planeta? A resposta teve tom "nacionalista": 35% apontaram erradamente o Amazonas enquanto 14% acertaram ao responder que era o Nilo. O rio Tietê foi lembrado por 2%.
Já em relação à maior montanha do mundo, o paulistano foi melhor. Apesar de 65% não saberem qual era, 23% acertaram em apontar o monte Everest.
Avaliação
O paulistano classificou geografia em quarto lugar entre as disciplinas mais preferidas quando cursaram o primeiro grau, com 7%.
A principal eleita foi matemática (37%), seguida de português (23%) e história (12%).
Na auto-avaliação como alunos de geografia, os entrevistados se dividiram: 43% se consideraram ótimo ou bom e 46% se classificaram como regular. Já os professores foram avaliados como ótimos ou bons por 71%.
A maioria absoluta dos paulistanos também revelou não cultivar o hábito de consultar mapas ou guias durante as viagens: 78% disseram que já viajaram para fora da cidade sem fazer consulta a mapas.
A pesquisa revelou também que 20% dos entrevistados já viajaram para o exterior (13% não usaram mapa, 4% usaram muitas vezes e 3% poucas vezes). O restante (80%) nunca saiu do Brasil.

A pesquisa Datafolha é um levantamento estatístico, por amostragem estratificada. A cidade de São Paulo é o universo da pesquisa. O levantamento foi realizado segundo critérios de divisão da cidade em zonas geográficas e classificação sócio-econômica. A margem de erro é de quatro pontos.
A direção do Datafolha é exercida pelos sociólogos Antônio Manuel Teixeira Mendes e Gustavo Venturi, tendo como assistentes Mauro Francisco Paulino, Emília de Franco e a estatística Renata Nunes Cesar. A coordenação e análise da pesquisa foi de Wilson Aghanatios Chammas. A amostra esteve a cargo de Sandra Dorgan.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-202</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-202</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Do antigo Egito aos filmes de aventura, os mapas fascinam pela autoridade didática e pelo charme visual
SÉRGIO AUGUSTO
Da Sucursal do Rio
Mapas. Com eles nos ajustamos a algo maior do que nós: a paisagem que nos cerca e os sítios que os nossos olhos não alcançam.
Com eles nos guiamos, sem eles nos perdemos. Como a pintura, não passam de uma representação do espaço, o mundo miniaturizado. Objetos conceituais com mais informações do que podemos absorver, os mapas conseguem ser concretos e abstratos, sintéticos e detalhistas, úteis e decorativos, científicos e artísticos.
Só o homem primitivo, de um mundo geograficamente limitado, conseguiu sobreviver sem eles. Era tão pouco o que precisava saber -onde morar, onde pescar, onde caçar- que sua memória dava conta de tudo.
Mas à medida que os horizontes se expandiam, os mapas mentais foram sendo substituídos por anotações gráficas esculpidas em pedras, madeiras e pedaços de ossos. Assim fizeram os esquimós, os beduínos e os polinésios.
Se bem que a representação dos acidentes geográficos tenha se aprimorado com os egípcios, babilônicos, chineses, astecas e incas, a cartografia acabou sendo, como a filosofia, uma arte grega.
As razões para isso podem ser encontradas nos relatos de Homero: como os fenícios, os gregos -Ulisses, Jasão e os argonautas- viajavam paca. E no papel colonizador exercido pela cidade de Mileto, cinco séculos antes de Cristo.
Sozinha, Mileto fundou 40 cidades-estados. Principal centro de especulação cosmográfica e estudos geográficos da época, vivia de exportar conhecimento, mercadorias e outras comodidades.
Ali nasceu o mais célebre Tales da Grécia, pai da filosofia natural, cujo discípulo Anaximandro teria sido o primeiro sujeito a confecionar um mapa digno deste nome.
Também Hecateus era de Mileto. Foi de sua lavra o primeiro livro de geografia de que se tem notícia. Nele, a Terra ainda era uma planície oblonga, cercada por um cinturão oceânico.
Ptolomeu, outro grego, só entraria em cena mais tarde, com os oito volumes da "Geographia", compêndio de tudo aquilo que então se sabia a respeito da Europa, Ásia e África.
Mestre sobretudo em astronomia, espalhou suas luzes a partir da Alexandria e teve seu trabalho como geógrafo e cartógrafo facilitado pelas informações recolhidas "in loco" por aventureiros, militares e historiadores do porte de Heródoto e Xenofontes.
O pai do atlas
Devemos tanto aos gregos em matéria de geografia que até fomos buscar inspiração no Olimpo para o que afinal se consolidaria com o nome de atlas.
A idéia partiu de um holandês do século 16, Gerardus Mercator, que gravou no frontispício de uma coleção de mapas a figura do titã condenado a manter os céus suspensos sobre a cabeça. Diversos cartógrafos adotaram o deus grego como mascote e logotipo. E o nome pegou, como gilete e xerox.
Grandes fazedores de mapas produziu a Holanda. Mas não ficavam atrás os demais países europeus empenhados em conquistas além-mar. O que explica a fama de portugueses como Pedro Reinel e Lope Homem, tidos como sucedâneos de Vasco da Gama, Fernando de Magalhães e Cabral no campo da cartografia.
Não tem por onde: os melhores mapas são privilégio das potências que costumam ir mais longe. Nos sete mares e, de uns tempos para cá, no espaço. Americanos, soviéticos e ingleses não passaram a dominar essa área por acaso.
Tintim e 'Casablanca'
Uma ampla história dos mapas e suas influências seria tão grandiosa quanto as histórias da arte e da literatura. Nela entraria um bocado de gente, inclusive de outras esferas do conhecimento e da cultura, pois mapa é coisa que a todos fascina, independentemente do seu lado utilitário.
"O que menos importa num mapa são os acidentes geográficos". Comentários deste tipo são muito comuns entre aqueles que colecionam mapas como quem coleciona quadros. Para estes, a cartografia -a antiga, pelo menos, sujeita a imprecisões que as fotos de satélite reduziram a zero- pertence mais ao ramo das artes plásticas que ao da ciência.
O cineasta e artista plástico inglês Peter Greenaway subscreve esta tese e até já fez um curta e um quadro ("A Walk Through H") para expressar seu enlevo pelos sortilégios da cartografia.
Greenaway por certo teria um lugar na história dos mapas. Como teriam, para ficarmos no âmbito das artes plásticas, Jan Vermeer (que não só gostava de estampar mapas no fundo de suas telas como retratou numa delas um anônimo cartógrafo holandês), o genial cartunista Saul Steinberg (autor de mapas imaginários e outras reinações topográficas mundialmente celebrizados sob a forma de pôster), e até mesmo a pintura miniaturista de Van Eyck e Bruegel.
Em outros capítulos, encontraríamos menções a criadores de mundos fantasiosos (Swift, Coleridge, Jules Verne, Robert Louis Stevenson, H. Rider Haggard, Edgar Rice Burroughs, James Hilton, Borges, Calvino etc) e heróis como Gulliver, Nemo, Tintim, Asterix e Indiana Jones, que sem mapa não seriam ninguém.
Filmes, sobretudo os de aventuras, encheriam algumas páginas, com destaque para aqueles que já nos créditos se rendiam à autoridade didática dos mapas e ao seu charme visual. Se houvesse espaço para apenas uma ilustração, os de "Casablanca" teriam preferência.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-203</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-203</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Em uma economia de mercado, a palavra oportunidade está sempre associada a riscos. Os perigos que envolvem um novo negócio devem ser bem calculados e planejados para que se possa desenvolver estratégias para mininizá-los. A chance de acertar depende de alguns fatores. Entre eles, o poder de competição em relação aos atuais e futuros concorrentes. Neste fascículo estão indicadas as vantagens e desvantagens competitivas do empreendimento escolhido e ainda as forças que atuam contra e a favor na fase inicial da criação de uma empresa. Esta edição traz também uma bateria de testes que vão ajudar na avaliação da capacidade de competir e vencer de uma nova organização.

3º FASCÍCULO
2 - ARTIGO
Edson Vaz Musa, presidente da Rhodia

3 - TESTE
Descubra seu poder de competição

NO PRÓXIMO DOMINGO
Como definir os processos de produção
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-204</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-204</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O sucesso de uma organização nos tempos atuais depende da satisfação dos consumidores
"A tarefa principal é conviver com o cliente na cabeça e nas 'tripas'"
EDSON VAZ MUSA
Especial para a Folha
A realidade do mercado é brutal. Só sobrevivem as empresas que, a despeito do tamanho que possam exibir, estejam verdadeiramente voltada para seus clientes, vivendo visceralmente a sua relação de negócios.
Essa constatação nos tempos atuais é óbvia, mas sua repetição é cada vez mais necessária, em especial no mundo de negócios em que vivemos, no qual, muitas vezes, observamos boas intenções não se concretizarem por descumprimento de regras elementares de business.
A tarefa principal de todos os que trabalham na Rhodia e em sua matriz – o grupo Rhône-Poulenc –, nestes anos em que se acirra a competição global em todos os mercados, tem sido conviver permanentemente com o cliente na cabeça e nas "tripas".
Dos dirigentes ao "shop floor" temos realizado um esforço enorme de engajamento do pessoal, baseado na convicção de que a perenidade da empresa está profundamente ligada ao sucesso dos nossos clientes.
É preciso comprender, porém, que o sucesso de uma empresa na atual conjuntura exige novos componentes de diferenciação. Além dos já habitualmente difundidos e tradicionalmente adotados: como a tecnologia, qualidade de produtos e a inovação.
Tem-se tornado fundamental a implementação de um novo modo de gestão de empresas capaz de tornar realidade a almejada excelência empresarial.
Das reflexões realizadas na organização que dirijo, recolhi algumas que julgo as mais relevantes. Um exemplo é o novo padrão de gestão que estamos aplicando.
Este padrão consiste em trabalhar três domínios: o da razão – no qual estão compreendidos os conceitos –; modo de atuação - que significa as metodologias aplicadas –; e o dos sentimentos – que representa o ambiente.
Nossa experiência tem indicado que a aplicação desse conhecimento deve ser feita de forma conjugada para obter o progresso da organização. Conceitos devem ser comprendidos e retransmitidos com segurança para serem incorporados por todos os níveis hierárquicos da empresa.
As metodologias, por sua vez, devem servir à aplicação dos conceitos e não serem utilizadas como substitutas nem assumirem o papel destinado aos conceitos.
Considero primordial o terceiro campo - o do ambiente –, porque envolve o recurso humano colocado à disposição da empresa. Não adianta ter conceitos fortes e metodologias aplicadas de forma correta. É preciso engajamento sincero e total das pessoas.
O Brasil, comparado a países do Primeiro Mundo, dispõe de um trunfo importante, neste setor.
O brasileiro é um dos que mais tem capacidade de se adaptar às mudanças e tem, ainda, disposição pessoal para se engajar em projetos e trabalhos envolvendo equipes.
Minha experiência, nos dois últimos anos, supervisionando programas de qualidade total dentro do grupo Rhône-Poulenc tem mostrado isso com frequência.
Cabe ao empresário, ao empreendedor, seja pequeno, médio ou grande, criar o ambiente adequado para a valorização de um recurso humano com essas qualificações. Do contrário, todo o esforço feito estará destinado ao fracasso.

EDSON VAZ MUSA, 56, é presidente da Rhodia e diretor-geral adjunto do grupo Rhône-Poulenc.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-205</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-205</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Entenda como agem as forças competitivas e avalie as chances do negócio escolhido
As raízes da competitividade de um negócio, segundo Michel Porter, em seu livro "Estratégia Competitiva" (Editora Campus), estão relacionadas com a sua estrutura econômica. Mais precisamente com a forma como atuam os elementos que competem no empreendimento.
São forças que agem em interação umas com as outras e vão determinar a lucratividade do setor, representada pela taxa de retorno, a longo prazo, sobre o capital investido. Cada setor apresenta um quadro próprio e uma perspectiva de lucro diversa.
Nas páginas 3, 4 e 5 estão relacionadas as cinco principais forças que influenciam na capacidade de competição.
Em seguida à apresentação de cada uma das forças, há um teste parcial de avaliação do negócio escolhido. O teste se completa ao final, na página 5, com a soma de todos os pontos obtidos e avaliação final dos resultados.

TESTE
1. Leia as afirmativas e avalie o que ela significa para seu negócio, com notas de 1 a 5;
Nota 5 - A afirmativa está diretamente relacionada com o negócio, trazendo riscos à competitividade.
Nota 1 - A afirmativa não se aplica ao negócio, não trazendo risco.
Notas 2,3 e 4 - Situações intermediárias.

1. Marque a nota atribuída com X.

3. Com base no texto correspondente ao teste, classifique os itens em termos de oportunidades (OP) ou ameaças (AM), de acordo com os seguintes critérios:
Notas 5, 4 e 3 são consideradas como ameaças
Notas 1 e 2 são consideradas oportunidades

4. Depois, estabeleça um Plano de Ação para aproveitar meçlhor as oportunidades e combater as ameaças. O preenchimento do quadro abaixo deve ser feito de acordo com seus próprios critérios. Repita o procedimento desse item nos testes que se seguem.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-206</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-206</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
Os fornecedores interferem na rentabilidade do empreendimento quando aumentam os preços ou reduzem a qualidade dos produtos ofertados. Se são fornecedores poderosos, que dominam o mercado, estude bem a forma de minimizar essa influência fora de seu controle.

CRESCE O PODER DO FORNECEDOR
. Se o setor é dominado por poucas orgamizações que vendem e muitas empresas (na sua maioria dispersas e desorganizadas) que compram, significa que os fornecedores podem ditar os preços, as condições de venda e, ainda, a qualidade do produto.
. O poder de negociação dos fornecedores é ainda maior quando não há produtos substitutos em concorrência .
. Se o fornecedor ameaça (e tem como fazê-lo) entrar no negócio do cliente.
. Se o que produz é muito importante para a qualidade do produto/serviço do cliente.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-207</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-207</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>

CONSUMIDORES DE MAIOR PESO NO MERCADO
Clientes que compram porcentagem significativa de produtos/serviços em seu futuro mercado.

CONSUMIDORES DE MENOR PORTE
Priorize os consumidores que compram mais, mas não ignore os que compram menos. É onde se pode, com menor investimento, aumentar o volume de vendas.

O QUE O CLIENTE VALORIZA
Orientação segura para o sucesso é descobrir o que ele mais valoriza.

FREQUÊNCIA DE COMPRA
Todo dia, uma vez por semana ou esporadicamente? Podem vir a ser compradores frequentes?

COMUNICAÇÃO QUE MAIS ATINGE
Boca-a-boa, mala direta, rádio ou televisão? Atenção para o custo-benefício.

LOCALIZAÇÃO DOS CLIENTES
Mapear e listar os endereços dos clientes é fonte importante de informação, consulta e decisão.

CLIENTES MAIS LUCRATIVOS
A quem sua futura empresa pode servir com maior retorno?

CLIENTES SENSÍVEIS A PREÇOS
Descobrir diferentes sensibilidades a preços pode revelar nichos.

ESTÃO AUMENTANDO AS COMPRAS
Se, de repente, alguns clientes começarem a comprar mais produtos/serviços, procure saber quem são eles e o motivo.

ESTÃO REDUZINDO AS COMPRAS
Descubra quem são esses clientes e o motivo. Às vezes, pequenas mudanças nos produtos/serviços farão retornar o nível das compras.

QUEM DECIDE A COMPRA
Nem sempre quem faz a compra é quem decide e você precisa conhecê-lo também.

OUTRAS FONTES
Família; pais; crianças; adolescentes; pessoas que moram sozinhas; idosos; famílias com filhos do casamento anterior; pais solteiros; poupadores; classe alta, média e baixa; mulheres que trabalham fora; estudantes; empresários; donas de casa; intelectuais; esotéricos etc.
</TEXT>
</DOC>
<DOC>
<DOCNO>FSP940717-208</DOCNO>
<DOCID>FSP940717-208</DOCID>
<DATE>940717</DATE>
<TEXT>
O bom negócio é um conjunto de parcerias: com fornecedores, empregados e especialmente com os clientes. Ou seja, o bom negócio é bom para todos.
Se você descobriu um nicho de mercado e conhece o perfil do seu futuro cliente, é hora de saber o que ele mais valoriza nos produtos e nos serviços que você pretende oferecer. O que pode ser feito em conversas informais (que são mais difíceis de avaliar) ou com ajuda de um questionário que aborde todos os itens relevantes para a pesquisa.
Um questionário de múltipla escolha é o ideal. Nele, o entrevistado pode atribuir notas aos itens apresentados, conforme o valor que dá a cada questão apresentada. Com esse método é mais fácil apurar os resultados.
Uma amostra inicial de 20 a 30 pessoas é o suficiente.
Considere os seguintes itens em seu questionário:
</TEXT>
</DOC>

