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<colHAREM versao="ColeccaoSegundoHAREM-4.0">

<DOC DOCID="cha-73943">
<P>
Dividir o IRA, eis a estratégia</P>
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Hugo Estenssoro, em Londres</P>
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O IRA esteve esta semana na ofensiva, paralisando o aeroporto de Londres e causando prejuízos à temporada turística britânica, com presença obrigatória nas grandes manchetes. As bombas não explodiram, mas o IRA matou um polícia no Ulster em frente à esposa grávida. Foi uma violência anunciada: o líder do Sinn Fein -- o braço político do IRA -- falara poucos dias antes num «`show' espectacular» como resposta à iniciativa anglo-irlandesa lançada pelos primeiros-ministros da Grã-Bretanha e da República da Irlanda com a sua «declaração» de 15 de Dezembro do ano passado. Mas a campanha terrorista foi só parte da resposta.</P>
<P>
A outra foi uma declaração do Sinn Fein, que rejeitava as propostas da «Declaração de Downing Street» de maneira implícita, embora afirmando que o IRA tem uma atitude «flexível e positiva» na procura da paz. O Governo britânico é que estaria a ser «negativo» e deveria dar o próximo passo: entabular negociações directas com os representantes do IRA. O que constitui, exactamente, o único passo que nenhum governo britânico pode dar sem cometer suicídio político.</P>
<P>
Para alguns analistas, isso tudo significa regressar à estaca zero. Não necessariamente. A estratégia do Governo Major consiste em isolar o sector mais violento do IRA graças à sua nova aliança com o Governo irlandês. Não vai ser fácil nem rápido, mas é a primeira possibilidade realista em muito tempo. Por enquanto, o primeiro-ministro, John Major, que se caracteriza por lançar políticas que depois não faz questão de cumprir, parece estar decidido a não ceder às exigências do IRA e não negociar se o Sinn Fein não prometer primeiro, de maneira formal e solene, renunciar à violência. Isso vai requerer, sem dúvida, uma divisão dos rebeldes e a história do IRA oferece precedentes encorajadores.</P>
<P>
Dividir o IRA pode, contudo, não ter os resultados que Major espera, a julgarmos pela longa série de divisões que o movimento tem sofrido desde a sua criação em 1919, nos tempos heróicos da luta pela independência. O seu fundador, Michael Collins, declarou a luta encerrada em 1923, quando aceitou o Estado livre irlandês. Mas o IRA passou a considerá-lo traidor e continuou a guerra civil sob liderança de De Valera... até ele aceitar a paz. Novamente o IRA voltou à luta terrorista na ilegalidade, com De Valera como inimigo. Quando em 1972, mais uma vez, a liderança «oficial» do movimento anunciou um cessar-fogo, a ala radical criou o IRA «provisional» que continuou a guerra de guerrilha. Tudo indica que se o Sinn Fein e alguns sectores do IRA renunciarem à violência -- cedendo mais à pressão popular do que à do governo britânico -- um núcleo duro continuará a luta. Afinal, para a violência terrorista bastam alguns homens decididos a matar e morrer.</P>
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A história também oferece um exemplo lamentável dos resultados enganosos de uma campanha terrorista implacável, especialmente quando as vítimas não são irlandesas. A reputação do IRA foi estabelecida quando, em 1921, matou o chefe de estado-maior do império britânico na sua própria residência londrina, naquele que foi o primeiro assassínio político realizado em Londres em mais de um século. Desde então o terror urbano indiscriminado longe da Irlanda passou a ser o último refúgio das fracções extremistas do nacionalismo irlandês.</P>
<P>
As campanhas de 1939 (tentando aproveitar-se da fraqueza do Governo de Chamberlain na véspera da II Guerra) e da década de 70 -- que incluiu os atentados atribuídos aos «Quatro de Guilford» -- foram provas, mais uma vez, do impacto desestabilizador que pequenos grupos podem lograr obter em território inglês. O atentado de 12 de Outubro de 1984 em Brighton, quando o IRA esteve quase a matar a então primeira-ministra Thatcher, assim como o morteiro que atingiu Downing Street a 7 de Fevereiro de 1991, enquanto o Governo de Major estava reunido, tiveram um efeito publicitário desproporcionado em relação aos recursos empregues. A tentação de manter vivo o movimento com acções deste tipo -- com o que poderia chamar-se «efeito David `versus' Golias» -- é grande de mais para pequenos grupos perseguidos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-10541">
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Uma cidade à procura de terrenos</P>
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Os responsáveis da Câmara da Amadora continuam sem saber onde realojar a maioria dos moradores das seis mil barracas existentes no concelho, devido à escassez de terrenos. É que este município, apesar de ter apenas 24 quilómetros quadrados, é, a seguir ao da capital, o segundo mais sobrecarregado com barracas da Área Metropolitana de Lisboa.</P>
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Para ultrapassar o problema, a edilidade tem tentado negociar com outras autarquias, nomeadamente com a da capital, que possui terrenos dentro do território da Amadora, na zona da antiga lixeira da Boba. Resultados concretos ainda não há. E o próprio Programa Especial de Realojamentos (PER) para o concelho, que deverá ascender aos 40 milhões de contos, continua por assinar.</P>
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«O PER ainda está a ser negociado com a administração central porque consideramos que a Amadora devia ter uma atenção especial, dado o número de barracas existentes. Os terrenos são poucos e não podemos fazer realojamentos metendo as pessoas em caixotes, porque se não, no futuro, teremos problemas mais graves de integração social», explica João Bernardino, assessor de Orlando de Almeida, presidente da Câmara.</P>
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Além de verbas para equipamentos sociais que ajudem à integração das famílias a realojar, a autarquia pretende que parte das habitações sejam feitas fora do concelho. Isto porque, se os fogos necessários forem todos construídos na Amadora, ficaria praticamente esgotada a capacidade de construção prevista no plano director municipal da cidade. «A nossa intenção não é exportar problemas para outros municípios. Só que a nossa falta de espaço é real», sublinha o mesmo responsável.</P>
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Os únicos realojamentos que se encontram mais ou menos encaminhados são os dos moradores dos bairros 6 de Maio e das Fontainhas, que vão ser afectados pela construção da CRIL. Trata-se de cerca de 600 famílias que serão reinstaladas no âmbito de um acordo celebrado entre a autarquia, a Junta Autónoma das Estradas e o Instituto de Gestão e Alienação do Património do Estado. Este acordo contempla, também, a construção de fogos para mais 350 famílias da Falagueira, que deverão situar-se nas proximidades da escola secundária local. G.P.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-55664">
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As fortes chuvas que atingiram ontem Belo Horizonte destelharam 20 casas e deixaram cerca de cem desabrigados, segundo o Corpo de Bombeiros. As chuvas atingiram os bairros Vila Sport Clube e Vila Maribondo. A Defesa Civil informou que várias famílias estavam em áreas de risco.</P>
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Minas Gerais 2</P>
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O secretário da Fazenda, Roberto Brant, disse que o governo de Minas vai pagar o salário dos servidores do Estado com quatro dias de atraso em janeiro. A escala de pagamento começa no dia 5 e termina no dia 13. Segundo Brant, o atraso se deve ao pagamento do 13.º salário.</P>
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Minas Gerais 3</P>
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A polícia de Minas prendeu os comerciantes José Alves, 29, e Waldir Pereira, 26, acusados de assassinar com um tiro no peito o estudante Cleison Araújo, 10. O assassinato aconteceu no dia 21 de dezembro em Belo Horizonte. Segundo a polícia, eles disseram que o tiro foi acidental.</P>
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Minas Gerais 4</P>
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A polícia de Minas prendeu Gilmar Gomes, 41, acusado de assassinar o estudante Nivaldo Rosa, l8, durante um assalto. O crime ocorreu anteontem, em Contagem. Nivaldo foi preso em flagrante. Segundo a polícia, ele disse que cometeu o crime porque o estudante não tinha dinheiro para lhe dar.</P>
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SP Interior 1</P>
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A Prefeitura de Santo André vai conceder bolsas de estudo para terceiro grau. As inscrições vão de 18 de janeiro a 12 de fevereiro. Os interessados devem levar documentos que comprovem dois anos de residência e título de eleitor de Santo André.</P>
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SP Interior 2</P>
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Termina dia 7 o prazo para matrículas na rede pública estadual de Rio Preto para alunos novos (que estudam em outras escolas, públicas ou particulares) e para alunos desistentes (que abandonaram a escola sem concluir o ano letivo).</P>
</DOC>

<DOC DOCID="H2-gt654"> 
<P> FAZER A FESTA, LANÇAR OS FOGUETES E APANHAR AS CANAS: Ao que parece, Paulo Pinto Mascarenhas tem a convicção firme de que certa personagem que interpretei está a falar com ele. A generalidade dos malucos ouve a voz de Jesus Cristo ; PPM ouve a minha. Enfim, cada um tem a Alexandra Solnado que merece e, mesmo sendo ateu, parece-me mais do que justo que eu tenha pior sorte que o Messias. </P>
 <P> Talvez seja bom explicar o que se passa. O povo português tem tido, até agora, a decência de não delegar em PPM qualquer espécie de poder. Mas a verdade é que o povo português não tem sido tão sensato no que respeita a outras pessoas. Eu sei que esta notícia vai cair como uma bomba no 31 da Armada, mas há gente um pouco mais poderosa do que o PPM. É uma coisa muito ligeira, mas tem, de facto, um bocadinho mais de poder. E essa gente, quando se sente atingida, ou quando sente que os amigos foram atingidos (mesmo que seja por uma rábula humorística), pressiona, corta relações com a estação de televisão em que a rábula foi emitida, manda recados com ameaças, faz saber que ficará à espera de uma oportunidade para nos fazer, digamos, coisas bonitas (sempre que posso, uso expressões de Artur Jorge). É isso que tem acontecido desde que o Diz Que É Uma Espécie de Magazine começou e foi o que aconteceu agora, de forma bastante mais intensa, na sequência do sketch sobre Marcelo Rebelo de Sousa. Em tempos, o Herman disse-me que o pequeno poder (e, às vezes, não tão pequeno como isso) sabe encontrar maneiras de pressionar no sentido de fazer censura sem sujar as mãos, de ameaçar sem poder ser denunciado, de intimidar sem aparecer. Na semana passada percebi isso melhor do que gostaria, e dei-lhe razão. </P>
 <P> Decidimos fazer uma rábula sobre esta espécie dissimulada de censura. Ontem, uma jornalista do DN perguntou-me se tínhamos sido pressionados pela RTP e pelo Provedor do Espectador. Respondi que não, e não menti. Da RTP e do Provedor do Espectador, não veio qualquer espécie de pressão. Quem sobra? No entender do PPM, sobra ele e um post que escreveu no 31 da Armada. Fizemos uma rábula para um milhão e meio de espectadores por causa de um post do PPM no 31 da Armada. Mandei uma mensagem ao Herman a dar-lhe razão por causa de um post do PPM no 31 da Armada. E dei-lhe razão porque, como é óbvio, foi para isso que ele me advertiu. «Põe-te com brincadeiras e vais ver que, um dia destes, o PPM faz um post sobre ti no 31 da Armada », foram as palavras exactas dele. «Tinha razão, Herman », disse-lhe eu agora. </P>
 <P> Há, no meio disto tudo, um pormenor que pode intrigar o leitor. Se eu já interpretei tantas personagens apalermadas e de discurso incoerente, porque é que o PPM só se sentiu retratado agora? Boa pergunta, leitor. Vagamente insultuosa, mas boa. Eu respondo: por duas razões. Primeiro, porque quando eu disse que a RTP e o Provedor não nos tinham pressionado, a jornalista tirou conclusões que não são as minhas. Segundo, porque a crítica do PPM segue, digamos, a mesma matriz ideológica que o pequeno poder (e, às vezes, não tão pequeno como isso) perfilha. Aliás, a crítica do PPM não é nova, nem é só dele. Já tinha sido usada para pedir a nossa imparcialidade em relação a Salazar e Cunhal. Ou em relação a Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira. Ou em relação à Floribella e à Doce Fugitiva. Mas dizem-me que é intelectualmente desonesto falar nisto. </P>
 <P> Parece que o que é intelectualmente honesto é dizer que um programa humorístico de sátira social e política deve ser imparcial (argumento espantoso). Ou dizer que criticar o prof. Marcelo é fazer campanha pelo Sim. O próprio prof. Marcelo diz que foi criticado por muitos defensores do Não o que só pode significar que, pelos vistos, há gente do Não a fazer campanha pelo Sim. </P>
 <P> PPM, referindo-se ao sketch sobre o prof. Marcelo, diz que, «em plena campanha eleitoral» quisemos ´ridicularizar os argumentos de um dos lados em confronto no referendo». Primeiro, o prof. Marcelo não representa o Não. Ele mesmo, aliás, afirma que há vários Nãos. Segundo, a nossa rábula sobre o prof. Marcelo foi transmitida no domingo, dia 28 de Janeiro. A campanha começou na terça-feira, dia 30. Dizer que fizemos o sketch «em plena campanha eleitoral» é, portanto, uma... Bom, parece-me que não há maneira delicada de o dizer: é mentira. </P>
 <P> Não posso deixar de fazer referência às últimas palavras de PPM, que me parecem interessantes: « Ricardo Araújo Pereira pode dizer que não me conhece de lado nenhum, como disse ao 24 Horas. Pode, mas estará a faltar à verdade se o repetir em relação ao Rodrigo Moita de Deus.» Quero agradecer, penhorado, que PPM me autorize a dizer o que eu disse. Já é mais do que costuma fazer, e registo a evolução democrática. Agradeço ainda mais que me ponha de sobreaviso em relação à veracidade do que eu não disse mas, por uma razão que neste momento me escapa, poderei vir a dizer. </P>
 <P> Uma nota final: estou muito habituado às críticas do PPM, que têm, aliás, sempre o mesmo sentido. Normalmente, comento-as aqui mesmo. Na televisão e na imprensa, costumo satirizar gente que a generalidade do público conhece, e que diz coisas ridículas. Enquanto o PPM continuar a preencher apenas um destes requisitos, pela minha parte também continuarei a responder-lhe apenas aqui no blog. Por isso, e para evitar confusões futuras, gostava de sublinhar o seguinte: se, um dia, eu interpretar uma personagem megalómana, moralista e que mente para fazer valer os seus argumentos, o mais provável é que eu não esteja a satirizar o PPM. Há mais Marias na Terra. RAP </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-2433">
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Acidente de Wendlinger reforça importância do debate na Fórmula 1</P>
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Tudo pela segurança</P>
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Do nosso enviado</P>
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Manuel Abreu, no Mónaco</P>
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São os carros ou os circuitos os maiores responsáveis pelas condições de segurança em que correm os pilotos de Fórmula 1? E o que se pode alterar, nuns e noutros, para aumentar essas condições e evitar mais acidentes mortais? O debate foi lançado após as mortes de Ratzenberger e Senna e as últimas duas semanas deixaram claro que não há soluções milagrosas.</P>
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Karl Wendlinger, piloto da Sauber-Mercedes, está internado em estado grave num hospital de Nice, depois do acidente que sofreu no fim do primeiro treino livre para o Grande Prémio do Mónaco em F1. Faltavam poucos minutos para terminar a sessão, na manhã de ontem, quando o carro do piloto austríaco saiu da pista à entrada da chicane que se segue ao túnel, batendo violentamente contra as protecções plásticas colocadas à frente dos «rails».</P>
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Em consequência do choque, o piloto ficou inconsciente, sendo removido do carro e transportado de seguida para o Hospital Princesa Grace, no Mónaco, de onde foi posteriormente transferido para o Hospital Saint Roch, em Nice, ficando aí internado. A exemplo do que aconteceu em acidentes anteriores, a cabeça do piloto foi gravemente afectada pelo choque.</P>
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O diagnóstico feito ontem ao início da tarde dava conta de que Wendlinger sofreu um traumatismo craniano, sem fractura, mas que provocou um edema cerebral. Não foram detectadas fracturas na coluna cervical. O seu estado era então considerado estável, embora o piloto continuasse inconsciente e na unidade de cuidados intensivos mais de cinco horas após o acidente.</P>
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Segundo informações oficiosas, por outro lado, Wendlinger estaria em coma, o que não foi confirmado pela sua equipa nem pelos médicos que o assistiram no Hospital Saint Roch, que emitiram um comunicado reservado: «Traumatismo craniano grave, prognóstico vital em jogo.» Um novo boletim foi anunciado para a manhã de hoje, após mais uma série de exames, enquanto a família do piloto austríaco pedia «a maior discrição» no tratamento do assunto.</P>
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De acordo com a Sauber-Mercedes, a análise dos dados transmitidos pela telemetria não revelou qualquer falha técnica no carro, deixando embora claro que Wendlinger travou 13 metros depois do que tinha feito na sua anterior volta mais rápida. Um erro do piloto? De qualquer forma, a equipa decidiu não participar no treino da tarde, devendo no entanto fazer alinhar o alemão Heinz-Harald Frentzen na sessão de amanhã, que estabelece a grelha de partida para o GP do Mónaco.</P>
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Muros das preocupações</P>
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Este acidente, a que se juntaram os despistes, sem consequências para os pilotos, de Comas (Larrousse-Ford), de Belmondo (Pacific-Ilmor) e de Lehto (Benetton-Ford), serviu para reforçar a urgência de um debate alargado sobre as actuais condições de segurança na F1, envolvendo pilotos, dirigentes, técnicos e responsáveis pelos circuitos. Após o GP de S. Marino, em Ímola, no qual morreram Roland Ratzenberger e Ayrton Senna, quase todos os envolvidos nesta disciplina do desporto automóvel têm divulgado as suas próprias ideias sobre este assunto e procurado defender as suas convicções e interesses.</P>
<P>
Porém, continua a faltar um debate feito com maior consciência e frieza, entre pessoas capazes de apontar soluções exequíveis e com poder para alterar os regulamentos. As principais linhas de actuação a adoptar pela Federação Internacional do Automóvel (FIA), essas poderão ser conhecidas já hoje, numa conferência de imprensa convocada por Max Mosley, presidente deste órgão.</P>
<P>
A participação dos pilotos neste debate continua, no entanto, ainda dependente da sua capacidade de organização, que se mantém bastante precária. A possibilidade de se fazerem representar junto dos dirigentes por antigos pilotos é uma das soluções preferidas, mas ainda não foram definidos os limites da sua actuação nem é seguro que ex-pilotos como Niki Lauda, Alain Prost ou Jackie Stewart venham a aceitar essa responsabilidade. Finalmente, técnicos e responsáveis por circuitos têm-se mostrado pouco receptivos a uma discussão pública e alargada.</P>
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Os primeiros -- de quem dependem realmente as modificações a introduzir nos monolugares -- preferem o silêncio e concentração dos gabinetes, onde precisam ainda de equacionar os interesses e posições relativas de cada equipa; os segundos dizem-se dispostos a aceitar todas as sugestões, mas debatem-se com uma série de limitações, muitas vezes ligadas à própria construção das pistas.</P>
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O choque com os muros que delimitam determinados sectores das pistas tem sido uma das causas principais dos acidentes graves, mas a sua eliminação ou a simples criação de escapatórias mais largas nem sempre é possível. Recorde-se, como exemplo, as declarações feitas há dois dias por Gerhard Berger em relação à ausência de pneus em parte da curva Tamburello, no circuito de Ímola: «Não sei se eles teriam salvo a vida de Ayrton. Mas sei que, no caso do meu acidente em 1989 [na mesma curva], os pneus teriam agravado a situação.» Ou a explicação do mesmo Berger para a proximidade do muro naquele ponto do circuito: «Um dia, perguntei por que é que estava ali. Mostraram-me o rio que corre mesmo por trás...» E uma boa meia dúzia de metros abaixo do nível da pista, acrescente-se.</P>
<P>
A baixa velocidade média, a sinuosidade e as (muitas) curvas lentas faziam com que os pilotos não considerassem o circuito de Monte Carlo uma pista arriscada, ao contrário do que dizem sobre Spa-Francorchamps ou Monza, entre outras. Aqui, as maiores restrições eram levantadas quanto à zona de «boxes», muito estreita e movimentada. Com os reabastecimentos, este seria o ponto crítico do circuito. Afinal, Wendlinger sofreu um grave acidente numa zona que ninguém considerava perigosa. O que só serve para dar ainda mais razão aos que preconizam uma discussão séria e desapaixonada sobre questões de segurança. Ponderação é o que mais se pede, num momento em que são as emoções a falar mais alto no mundo da Fórmula 1.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-45967">
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Conferência de Segurança e Cooperação na Europa em Budapeste</P>
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A cimeira dos russos</P>
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BUDAPESTE RECEBE, amanhã e terça-feira, os líderes dos 52 países membros da Conferência de Segurança e Cooperação na Europa (CSCE), para uma cimeira onde a Rússia vai tentar limitar a influência crescente da NATO no Leste europeu e ao mesmo tempo reforçar o seu papel nas antigas repúblicas soviéticas.</P>
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Os participantes, entre os quais os Presidentes Bill Clinton e Boris Ieltsin, poderão decidir enviar uma força multinacional de paz para o Nagorno-Karabakh, um enclave de maioria cristã arménia, em teoria ainda integrado na antiga república soviética do Azerbaijão, predominantemente muçulmana. Depois de violentos combates, os arménios não só controlam o Nagorno como ocuparam partes do território azeri, na luta pela independência.</P>
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Também a Ucrânia deverá aproveitar os dois dias da cimeira para renunciar formalmente às suas armas nucleares, pondo fim a um longo conflito. Apesar de tudo, deverá ser a guerra na Bósnia, que tanto tem dividido os EUA, os seus aliados europeus e a Rússia, que deverá dominar este encontro, destinado a evitar outros conflitos como o da ex-Jugoslávia. (Ver pág. 12)</P>
<P>
Sabendo que não tem grandes hipóteses de aderir à NATO e receando o isolamento, a Rússia propôs um reforço da CSCE, para que se transforme na principal organização de segurança europeia -- o que permitiria a Moscovo um papel mais determinante em todas as decisões.</P>
<P>
No entanto, os aliados ocidentais, em especial os EUA, embora se mostrem desejosos de tranquilizar a Rússia, hostil à integração dos países da Europa de Leste na Nato, têm bloqueado as propostas de Moscovo, e a cimeira deverá aprovar apenas um modesto reforço da CSCE.</P>
<P>
A Federação Russa quer também que a cimeira lhe dê um mandato para intervir em áreas como a Geórgia e o Tajiquistão, mas não quer que seja debatida a rebelião na sua república da Tchetchénia, por considerar a situação um assunto interno. Outros países insistem, porém, que Moscovo deve aceitar a supervisão internacional.</P>
<P>
Medo dos</P>
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não-russos</P>
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A verdade é que, embora a Rússia defenda o reforço da CSCE, não se mostra à vontade com a perspectiva de ver forças não-russas a manter a paz nas antigas repúblicas soviéticas. No entanto, as vantagens de um envolvimento da CSCE na CEI (Comunidade de Estados Independentes) seriam consideráveis para os russos, porque legitimaria a sua própria missão de manutenção da paz na região (há tropas russas no Tajiquistão, na Abkházia e na região moldova de Dniestr, e foi Moscovo que mediou um cessar-fogo no Nagorno-Karabach).</P>
<P>
Muitos delegados da Conferência admitem que o apoio ao reforço da CSCE deriva, em parte, do desejo de não excluir a Rússia dos processos de decisão política que afectam a segurança europeia. «Ninguém que isolar a Rússia e ninguém acredita seriamente que seja possível uma verdadeira segurança na Europa sem a Rússia», comentou um dos delegados ocidentais, citado pelo diário britânico «The Independent».</P>
<P>
«A CSCE é a única organização de segurança que une a Rússia, as antigas repúblicas soviéticas, os EUA, a Europa Ocidental e de Leste», acrescentou o delegado. «O que realmente se trata aqui é das relações entre a Rússia e o Ocidente no mundo pós-guerra fria.»</P>
<P>
Desde que a cimeira começou a ser preparada em Outubro, tem havido um consenso de que, de certa maneira, a CSCE tem ajudado a minorar potenciais conflitos -- em particular os que envolvem os cidadãos de origem russa na Letónia e na Estónia -- e a promover os direitos humanos e valores democráticos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-28874">
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H5N1: Mais de 32 mil mortos se pandemia atingisse Portugal</P>
<P>
Mais de 32 mil pessoas poderiam morrer se uma pandemia de gripe humana de origem aviária atingisse Portugal, segundo cenários elaborados este ano por peritos do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge.</P>
<P>
Na quinta-feira, a Organização Mundial de Saúde confirmou que um paquistanês vítima da gripe das aves tinha contraído o vírus H5N1 de outro humano, apesar de os peritos afastarem ainda qualquer risco de contaminação generalizado.</P>
<P>
Em Portugal, o Instituto Nacional de Saúde elaborou cenários de uma eventual pandemia de gripe humana de origem em aves, que poderá ou não ser desencadeada pelo H5N1, a estirpe do vírus mais mortal até agora conhecida.</P>
<P>
Os cenários tiveram em conta a utilização do Oseltamivir (o anti-viral tido como o mais eficaz contra uma eventual pandemia com origem da gripe das aves), mas não consideraram outras medidas de saúde pública, apesar de os autores admitirem que estas «terão um efeito principal, embora não exclusivo, na diminuição da incidência da doença e, portanto, nas taxas de ataque».</P>
<P>
Os autores dos cenários basearam o seu cálculo em três taxas de ataque (30, 35 e 40 por cento da população), admitindo que a pandemia evoluiria em duas ondas.</P>
<P>
Os peritos consideram provável que, com uma taxa de ataque de 30 por cento, existiriam 3.106.835 casos de gripe, 3.624.641 numa taxa de ataque de 35 por cento e 4.142.447 perante a mais severa taxa de ataque (40 por cento). </P>
</DOC>

<DOC DOCID="H2-Ren_2003_6465">
<P> Os fragmentos do satélite italiano Bepposax mergulharam na noite de ontem no oceano Pacífico, deixando aliviados os mais de 30 países _inclusive o Brasil _ que estavam sob risco de serem atingidos pelos destroços. </P>
 <P> Segundo informou a ASI (agência espacial italiana) no fim da noite de ontem por telefone, o impacto dos destroços teria ocorrido às 18h06 (
horário de Brasília), numa área remota do oceano. Os italianos não devem conduzir operação para resgatar os detritos. </P>
 <P> Estimativas da agência davam conta de que mais de 40 pedaços, com até 120 kg, poderiam resistir ao atrito com o ar e chegar ao solo. A chance de que um dos pedaços atingisse uma pessoa era mínima, mas autoridades de diversos países, inclusive a Agência Espacial Brasileira, estavam prontas para qualquer contingência. </P>
 <P> O satélite, com massa total de aproximadamente 1,4 tonelada, foi construído pelos italianos, em colaboração com a Holanda, para o estudo dos raios X vindos do espaço cósmico. O equipamento foi lançado ao espaço em 1996, numa órbita baixa (cerca de 600 km de altitude) com uma pequena inclinação, ou seja, quase exatamente sobre a linha do Equador. </P>
 <P> A missão científica da nave foi concluída em 30 de abril de 2002. Depois disso, o satélite deixou de ter sua órbita corrigida. O atrito com as camadas mais altas da atmosfera gradativamente diminuiu a altitude, o que culminou com a reentrada, ontem. Como a volta à Terra não foi realizada de forma controlada (como aconteceu com as 135 toneladas da estação espacial Mir, em 2001), era impossível prever exatamente onde os destroços iriam cair. </P>
 <P>(SN)</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-79348">
<P>
Da Reportagem Local</P>
<P>
O diretor da Divisão de Homicídios da Polícia Civil de São Paulo, delegado Nelson Guimarães, recebeu informações de que pessoas ligadas a José Benedito de Souza, o Zezé, estariam planejando a sua apresentação à Polícia nos próximos dias. Zezé é acusado de ser o autor do assassinato do Oswaldo Cruz Júnior, presidente do Sindicado dos Condutores Rodoviários do ABCD.</P>
<P>
As informações chegaram ao delegado por intermédio de policiais que apuram o caso em Santo André, na Grande São Paulo, onde ocorreu o crime. Pessoas que teriam se identificado como amigas e aliadas de Zezé telefonaram para os policiais comunicando a possibilidade de apresentação.</P>
<P>
Escalado pelo governador Luiz Antonio Fleury Filho (PMDB) para dirigir as investigações, Nelson Guimarães começou ontem a ouvir, como testemunhas no inquérito, familiares e amigos de Oswaldo Cruz Junior. A partir das 11h foram iniciados os depoimentos no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).</P>
<P>
A Polícia tomou os depoimentos de Valéria Cruz (mulher de Oswaldo), Clodovil Aparecido de Carvalho Cruz e Antonio Carlos Cruz (irmãos de Oswaldo) e Miguel Rupp, funcionário da Prefeitura de Santo André, ex-dirigente do Sindicato dos Condutores e um dos principais amigos do sindicalista assassinado.</P>
<P>
Até 14h, os depoimentos não haviam sido encerrados. Valéria e Clodovil têm comportamentos diferentes em relação ao caso. A mulher de Oswaldo declara que não tem nenhuma possibilidade de afirmar que o crime teve conotações políticas, devido às acusações feitas contra o PT pelo seu marido.</P>
<P>
Clodovil, que também é diretor do Sindicato dos Condutores, tem dito o contrário. Ele acredita que o assassinato, ocorrido na quinta-feira, tem ligação direta com as denúncias de Oswaldo Cruz.</P>
<P>
O irmão de Osvaldo Cruz começou a travar desde anteontem uma disputa acirrada pelo controle do Sindicato. Como diretor e irmão do sindicalista assassinado, Clodovil reivindica para ele a posse no cargo deixado por Oswaldo Cruz.</P>
<P>
Outro dirigente sindical, Cícero Bezerra da Silva, que brigava na Justiça pela direção da entidade, não concorda com Clodovil e disse que está disposto a assumir a presidência.</P>
<P>
Bezerra da Silva informou que tentará ocupar o posto, nem que necessite da ajuda da polícia para garantir o mandato e a cerimônia de posse.</P>
<P>
Fleury</P>
<P>
O governador Luiz Antonio Fleury Filho pediu todo o empenho possível ao delegado Nelson Guimarães para tentar desvendar o mais rápido possível o caso. O esforço de Fleury é acompanhado pela bancada do PMDB na Assembléia Legislativa, que vai tentar abrir uma CPI para projeção política ao fato.</P>
<P>
Delegada</P>
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A delegada titutal do 1º DP (Distrito Policial) de Santo André, Eloni Soares de Oliveira, negou que tenha recebido qualquer telefonema de amigos ou parentes de José Benedito de Souza, o Zezé. Essa informação foi negada também pelos policiais de plantão ontem na Delegacia.</P>
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<DOC DOCID="cha-18886">
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Operação especial mobiliza 184 trabalhadores municipais</P>
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Câmara varre o Casal Ventoso</P>
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Vários focos de fumo flutuavam, ontem de manhã, pela encosta do Casal Ventoso, na freguesia de Santo Condestável. Eram pequenas queimadas de lixo, assinalando a operação especial de limpeza lançada pelo pelouro da Higiene Urbana e Resíduos Sólidos da Câmara de Lisboa, que hoje termina, envolvendo 184 trabalhadores, apoiados por 14 viaturas e protegidos por luvas e máscaras, dado o tipo de resíduos ali depositados, nomeadamente seringas e agulhas usadas pelos toxicodependentes que frequentam o local.</P>
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Através daquela operação -- levada a cabo dentro do espírito do plano de reconversão do Casal Ventoso, apoiado em 3,5 milhões de contos pelo programa Urban da União Europeia -- o município pretende remover as lixeiras do bairro e limpar a encosta dos caniços e mato ali existentes. Durante os dois dias da limpeza, ontem e hoje, os trabalhadores camarários vão, igualmente, varrer e lavar as ruas do Casal Ventoso e desentupir as respectivas sarjetas.</P>
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No âmbito da operação -- que contou com a presença, durante a manhã, dos vereadores Rui Godinho e Vasco Franco, respectivamente responsáveis pela Higiene Urbana e pela Habitação Social -- foram enviadas cartas aos moradores, sensibilizando-os para a necessidade de acondicionarem o lixo doméstico nos contentores, deporem o vidro nos vidrões e de encaminharem o papel para os vários centros de recolha da cidade.</P>
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A operação especial de limpeza, iniciada às 7h00 de ontem, constitui um primeiro sinal do andamento da Operação Integrada de Reconversão do Casal Ventoso, que visa reabilitar aquela zona da cidade, através da criação de novos equipamentos sociais, acções de formação profissional, construção de habitação social e reabilitação de fogos degradados, criação de espaços verdes e melhoria da rede viária no interior do bairro. A reconversão do Casal Ventoso, caracterizado pela degradação física e social, deverá custar cerca de 10 milhões de contos, a investir até 1999. G. P.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="HAREM-718-00325">
<P>A.Casa.do.Mp3@trd.sintef.no</P>
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<DOC DOCID="bob-14949"> 
<P> " Pequena Notável " ou a " Brazilian Bombshell " </P>
 <P> Depois de ser exibida no Rio, chega a São Paulo a mostra Carmen Miranda para sempre, que será inaugurada hoje para convidados e amanhã para o público no Memorial da América Latina. Fotos, roupas (algumas são releituras contemporâneas de seu estilo), objetos, são mais de 700 peças reunidas (além de filmes e músicas) para contar a história da " Pequena Notável " ou a " Brazilian Bombshell " - não há no mundo quem não conheça essa genial estrela que conquistou o Brasil, a Broadway e Hollywood. </P>
 <P> A imagem recorrente que vem à cabeça é a da baiana com badulaques na cabeça sempre sorridente - ela se apresentava com nada menos que 20 quilos sobre o corpo, entre roupas e acessórios, e uma plataforma de 15 cm de altura. Carmen Miranda (1909-1955) "nasceu personagem, era uma artista", como diz o jornalista e escritor Ruy Castro, que há pouco lançou uma biografia sobre a estrela. Apesar do enorme sucesso conquistado a partir do fim da década de 1930 nos EUA, para Ruy Castro a fase da artista no Brasil é a que precisa ser "urgentemente conhecida pelo público brasileiro". Ele, que fez consultoria dos textos presentes na mostra, vai realizar uma palestra gratuita na sexta-feira, às 19h30, sobre a vida e a obra da artista na Biblioteca Victor Civita, no Memorial. </P>
 <P> Carmen Miranda para sempre é um projeto que vem sendo realizado há mais de dois anos. Com curadoria de Fabiano Canosa, a mostra feita com peças da própria coleção de Canosa, do Museu Carmen Miranda (inaugurado em 1976) e da família da artista, tem percurso cronológico e está dividida em núcleos. Inicia com o nascimento em Portugal e inclui imagens de sua família. Depois, vem a fase brasileira, "quando ela era a rainha do disco, do rádio, do cineteatro e fez filmes que estão quase todos destruídos, uma tragédia". Um dos únicos que restaram é Alô, Alô Carnaval, de 1936, que Carmen fez ao lado de sua irmã Aurora, morta em dezembro - como conta o curador. Não era ainda a Carmen Miranda dos badulaques. Era uma "mulher art déco dos anos 30 ", como diz Canosa, que usava calças, ternos e vestidos belos - em particular, há uma sala especial com retratos da artista feitos em 1931, em Buenos Aires, pela alemã Annemarie Heinrich. </P>
 <P> E foi durante uma de suas apresentações no Cassino da Urca, no Rio, em 1939, que o produtor americano Lee Shubert viu Carmen e se encantou. Levou-a para a Broadway e o sucesso foi inevitável. Ela, com o Bando da Lua, ficou consagrada já no início com o espetáculo The Streets of Paris. Daí em diante, tornou-se uma das maiores celebridades que o mundo já conheceu. </P>
 <P>Serviço</P>
 <P> Carmen Miranda para sempre. Galeria Marta Traba. Memorial da América Latina. Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, 3823-4741. 9h/18h (fecha 2.ª). Grátis. Até 16/4. Abertura hoje, 19h30, para convidados. Diariamente, às 10h30 e às 15h, exibição do documentário Bananas Is My Business </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-83761">
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Especial para a Folha, de Colônia</P>
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Os mais importantes noticiários da TV alemã alteraram ontem sua programação e destacaram os últimos acontecimentos em Imola.</P>
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Seus comentaristas questionaram o sentido de um esporte como a Fórmula 1.</P>
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Esta foi a tônica de praticamente todas as reportagens veiculadas desde domingo na televisão e desde ontem na imprensa alemã, sempre acompanhadas de comentários.</P>
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"Ayrton Senna morto –chega de loucura" foi a manchete do jornal popular "Express".</P>
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O jornal "Bild", o mais vendido do país, com cinco milhões de exemplares diários, destacou na primeira página: "Delírio na Fórmula 1 –dois pilotos morrem e eles continuam a disparar".</P>
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O jornal "Frankfurter Rundschau" comentou em seu caderno de esportes: "Agora não se trata, mais uma vez, de melhorar as pistas e intensificar as medidas de segurança ou de dar mais poder de decisão aos pilotos em relação aos seus empresários, mas sim de questionar a razão de ser de determinados tipos de esporte".</P>
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O "Rundschau" comparou as mortes de Senna e do austríaco Roland Ratzenberger à da esquiadora austríaca Uli Maier, em uma prova de esqui disputada no início deste ano, em Garmische-Partenkirchen (Alemanha).</P>
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A Alemanha perdeu alguns de seus melhores pilotos na Fórmula 1. Em 1961, Wolfgang Von Trips liderava o Mundial de Pilotos quando morreu em um desastre em Monza (Itália).</P>
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Em 1985, uma revelação do automobilismo alemão, Stefan Bellof, morreu aos 27 anos, durante uma prova da categoria protótipos em Spa-Francorchamps (Bélgica).</P>
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Três semanas antes, outro piloto alemão, Manfred Winkelhock, morrera aos 32 anos em uma prova da mesma categoria em Mosport (Canadá).</P>
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<DOC DOCID="cha-28424">
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Extremo Oriente</P>
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Inundações já fizeram milhar e meio de mortos</P>
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Os campos de arroz transformaram-se em lagos gigantes, devido às chuvas torrenciais que, nos últimos dez dias, caíram sobre a província de Hunan, na China. O último balanço apontava, ontem à tarde, para 400 mortos, 527 pessoas desaparecidas e 18 mil desalojados. Um dos distritos de Hunan, Paikou, ficou quase completamente submerso pelas inundações, com prejuízos na ordem dos 24 milhões de dólares (mais de três milhões e 500 mil contos), oito mil toneladas de arroz destruídas e perto de mil casas arruinadas.</P>
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As inundações, em Paikou, estendem-se até à linha do horizonte. Fica apenas visível o topo das árvores e dos postes telegráficos e as casas, pelo nível do segundo andar, à tona de água. Os habitantes não têm outra opção se não deslocar-se de barco, na tentativa de recuperar os seus bens. A casa térrea de Chen Chunxi, de 58 anos, foi engolida pelas cheias e, embora ainda se encontre de pé, corre o risco de desmoronar quando as águas retrocederem.</P>
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Estas chuvas, sem precedente, e o rebentamento de um dique, estão na origem das inundações que afectaram toda a zona sul e central da China, referiram as autoridades locais de Paikou.</P>
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A destruição causada pelas tempestades atingiu, igualmente, o Bangladesh, provocando mais de mil mortos e ameaçando já a capital do país, Daca, após os rios Buriganga e Turag terem transbordado das suas margens.</P>
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As autoridades dos distritos do norte do país referiram que a situação está a piorar à medida que mais áreas são inundadas, e crêem que o balanço final será mais trágico do que 1988, quando as inundações causaram um total de três mil mortos. O gabinete governamental de emergência referiu, na sexta-feira, que mais de seis milhões de pessoas foram atingidas pelas cheias, que destruíram 68 mil casas e mais de dois mil quilómetros de estradas.</P>
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A situação é similar na Turquia, depois das tempestades que assolaram o país há três dias. Pelo menos 40 pessoas morreram e outras 40 ficaram gravemente feridas, em Senirkent, devido ao desabamento de terras. A cidade, com 15 mil habitantes, está coberta de água e lama, e as equipas de salvamento recomeçaram, ontem, os trabalhos de busca, à custa de escavadoras e do apoio militar. O Presidente turco, Suleyman Demirel, deslocou-se à cidade ontem de manhã, onde fez a promessa de apoiar a reconstrução da cidade.</P>
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Na Formosa, a morte chegou com uma onda de volume anormal que «engoliu» sete jovens, ontem, à beira-mar de uma praia de Kaohsiung, dos quais três morreram e outros três estão dados como desaparecidos. O único sobrevivente da tragédia, Tsai Hou-yang, esteve cerca de meia hora à deriva no mar, «tentando manter a calma», até as equipas de salvamento o trazerem para terra.</P>
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Nos Estados Unidos, é uma vaga de calor que se abateu sobre o país na última semana, chegando aos 40 graus centígrados na parte oriental, a provocar vítimas mortais: 31 mortos, de acordo com a última contagem, divulgada ontem pelas autoridades norte-americanas. As temperaturas e os altos níveis de humidade, aliados à poluição, criaram uma atmosfera mortal, a que algumas das pessoas sucumbiram sufocadas nas suas próprias casas, sem ar condicionada.</P>
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AFP e Reuter</P>
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<DOC DOCID="cha-43756">
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O empresário nem conseguia acreditar. Há vinte anos que não o via. Aproximou-se do seu ex-colega da faculdade e chamou-o. K virou-se. Cumprimentaram-se. Efusivo, o empresário, enquanto K foi contido e formal. Só quando o empresário revelou que ganhava a vida no mundo dos negócios e que tinha empresas com sede em diversos «offshore» mundiais, K acedeu a tomar um café.</P>
<P>
-- Então o que é isso dos «offshore»?, perguntou K após um breve silêncio.</P>
<P>
-- Bom, há quem também lhes chame paraísos fiscais ou zonas de baixa tributação. São zonas especiais, em que a actividade das empresas, instituições financeiras e mesmo de particulares pode ser concretizada, por vezes, com total isenção de impostos sobre os rendimentos. Há zonas «offshore» em que os rendimentos provenientes de actividades realizadas no exterior também não são tributados e outras em que há tributação, mas consideravelmente mais reduzida. A escolha de um «offshore» tem que ver com a actividade que se quer realizar, porque há alguma especialização nestas zonas. Mas, de qualquer forma, estás já a perceber porque é que realizo os meus negócios com empresas com sede nestes paraísos...</P>
<P>
-- Estou, estou... Mas o Estado farta-se de perder receitas fiscais.</P>
<P>
-- É verdade. Mas os «offshore» foram constituídos com o objectivo de atraírem investimento e, portanto, criarem postos de trabalho, em zonas específicas. Muitas vezes até em regiões desfavorecidas de países desenvolvidos. Pelo menos teoricamente, a chegada de empresas e investidores a essas zonas são factores de dinamização económica.</P>
<P>
-- Deve haver custos para quem se queira instalar num «offshore».</P>
<P>
-- Claro. Uma empresa, para poder gozar dos benefícios fiscais de um determinado «offshore», tem de ser formalmente constituída junto do registo privado desse «paraíso fiscal», utilizando o notário privativo da zona. E, para isso, tem que pagar direitos e ter aí a sua sede. Para manterem a licença, as empresas pagam uma taxa anual, geralmente fixa. Só é compensador estar num «offshore» se as taxas a pagar forem inferiores ao valor dos impostos que seriam cobrados pelo fisco se a empresa estivesse sujeita ao regime fiscal geral. Para um particular, há que obter o estatuto de residente para poder gozar dos benefícios fiscais do «offshore».</P>
<P>
-- Parece-me que isso tem um lado perverso. Muitas empresas devem ser constituídas nessas zonas apenas por questões de evasão fiscal. E as actividades ilegais também devem encontrar aí um bom refúgio.</P>
<P>
-- Por isso é que as administrações fiscais andam cada vez mais atentas às actividades nos «offshore». Há a preocupação de reprimir os abusos na utilização dos «offshore», através, precisamente, de medidas antiabuso. Como a legislação não é perfeita, particulares, bancos e empresas podem concretizar operações que, face à letra da lei, são regulares mas que na sua substância são concretizadas apenas com o objectivo de fugir ao pagamento de impostos. E há zonas que ganharam fama de serem utilizadas para branqueamento de dinheiro proveniente do narcotráfico. Fala-se muito nos «offshore» das Caraíbas. É que as actividades nos paraísos fiscais estão geralmente protegidas pelo sigilo comercial e bancário.</P>
<P>
-- E onde é que existem esses «offshore»?</P>
<P>
-- Há dezenas em todo o Mundo. Por exemplo: Gibraltar, Andorra, Chipre, Ilhas do Canal (Jersey e Guernsey), Liechtenstein e Madeira, na Europa. Bahamas, Ilhas Caimã, Panamá e Antilhas Holandesas, nas Caraíbas. As ilhas Seychelles e a Libéria, no Médio Oriente e África. E Hong Kong e Singapura, na Ásia.</P>
<P>
-- Já tinha ouvido falar no «offshore» da Madeira.</P>
<P>
-- É um dos existem na Europa, onde os mais desenvolvidos são os do Luxemburgo e Dublin. Na Madeira é dado um tratamento fiscal favorável à actividade financeira. Estão lá registadas sucursais de praticamente todos os bancos portugueses que aceitam depósitos, sobretudo de emigrantes, gerem contas em moeda estrangeira e carteiras de investimento de clientes. No ano passado, o crédito a empresas não financeiras e particulares concedido por essas instituições foi de cerca de dois milhões de contos, os depósitos a prazo totalizavam 3,9 milhões e os depósitos de emigrantes eram superiores a 352 milhões de contos, cerca de 13,2 por cento do total verificado em bancos nacionais.</P>
<P>
Na Madeira há também uma zona franca, destinada à instalação de indústrias. Estas gozam, por exemplo, da isenção de imposto sobre os lucros até ao ano 2011, assim como estão isentas de Sisa e imposto sobre sucessões e doações na compra de terrenos para se instalarem na zona.</P>
<P>
Mas os incentivos, que estão previstos no artigo 41 do Estatuto dos Benefícios Fiscais, abrangem igualmente o registo de navios e as empresas prestadoras de serviços. Esta zona de baixa tributação foi concessionada pelo Governo Regional da Madeira à SDM (Sociedade de Desenvolvimento da Madeira). Há um pequeno pormenor que, no entanto, é decisivo: os benefícios fiscais abrangem apenas as operações realizadas com não residentes. Santa Maria, nos Açores, também tem uma zona franca industrial.</P>
<P>
-- Essa ideia das zonas «offshore» é recente?</P>
<P>
-- Certas regiões da Grécia antiga davam um tratamento fiscal favorável às importações. E na Idade Média muitas das cidades da Liga Hanseática prosperaram por causa da reduzida tributação das transacções comerciais. Mas os modernos paraísos fiscais desenvolveram-se sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, à medida que a carga fiscal ia aumentando na generalidade dos países industrializados, com o objectivo de financiar a reparação dos danos causados pelo conflito e de proceder a uma redistribuição mais equitativa dos rendimentos.</P>
<P>
-- Interessante, disse K.</P>
<P>
-- Pois é. Mas estamos fartos de falar de mim. Afinal, o que é tu fazes na vida?</P>
<P>
K bebeu um gole de água antes de responder, com um brilho malicioso no olhar:</P>
<P>
-- Ah, nada de especial. Sou director-geral das Contribuições e Impostos...</P>
<P>
João Cândido da Silva</P>
</DOC>

<DOC DOCID="HAREM-649-00204">
<P> - Não faço mistério disso; mora com seu pai em uma pequena chácara no bairro de  Santo Antônio  , onde vivem modestamente, evitando relações, e aparecendo mui raras vezes em público.</P>
<P> Nessa chácara, escondida entre moitas de coqueiros e arvoredos, vive ela como a violeta entre a folhagem, ou como fada misteriosa em uma gruta encantada.</P>
<P> - É célebre! - retorquiu o doutor - mas como chegaste a descobrir essa ninfa encantada, e a ter entrada em sua gruta misteriosa?- Eu vos conto em duas palavras.</P>
<P> Passando eu um dia a cavalo por sua chácara, avistei-a sentada em um banco do pequeno jardim da frente.</P>
<P> Surpreendeu-me sua maravilhosa beleza.</P>
<P> Como viu que eu a contemplava com demasiada curiosidade, esgueirou-se como uma borboleta entre os arbustos floridos e desapareceu.</P>
<P> Formei o firme propósito de vê-la e de falar-lhe, custasse o que custasse.</P>
<P> Por mais, porém, que indagasse por toda a vizinhança, não encontrei uma só pessoa que se relacionasse com ela e que pudesse apresentar-me.</P>
<P> Indaguei por fim quem era o proprietário da chácara, e fui ter com ele.</P>
<P> Nem esse podia dar-me informações, nem servir-me em coisa alguma.</P>
<P> O seu inquilino vinha todos os meses pontualmente adiantar o aluguel da chácara; eis tudo quanto a respeito dele sabia.</P>
<P> Todavia continuei a passar todas as tardes por defronte do jardim, mas a pé para melhor poder surpreendêla e admirá-la; quase sempre, porém, sem resultado.</P>
<P> Quando acontecia estar no jardim, esquivava-se sempre às minhas vistas como da primeira vez.</P>
<P> Um dia, porém, quando eu passava, caiu-lhe o lenço ao levantar-se do banco; a grade estava aberta; tomei a liberdade de penetrar no jardim, apanhei o lenço, e corri a entregar-lho, quando já ela punha o pé na soleira de sua casa.</P>
<P> Agradeceu-me com um sorriso tão encantador, que estive em termos de cair de joelhos a seus pés; mas não mandou-me entrar, nem fez-me oferecimento algum.</P>
<P> - A peripécia?.., oh! essa ainda não chegou, e nem eu mesmo sei qual será.</P>
<P> Esgotei enfim os estratagemas possíveis para ter entrada no santuário daquela deusa; mas foi tudo baldado.</P>
<P> O acaso enfim veio em meu socorro, e serviu-me melhor do que toda a minha habilidade e diligência.</P>
<P> Passeando eu uma tarde de carro no bairro de Santo Antônio, pelas margens do Beberibe, passeio que se tornara para mim uma devoção, avistei um homem e uma mulher navegando a todo pano em um pequeno bote.</P>
<P> Instantes depois o bote achou-se encalhado em um banco de areia.</P>
<P> Novo modelo de apólice cobrirá safra agrícola Data: 25/02/2000 Fonte: Jornal do Commercio Autor: Matéria: O Governo quer disponibilizar o novo modelo do seguro agrícola para os agricultores brasileiros já na próxima safra de grãos e frutas, que começa a ser cultivada em julho.</P>
<P> A informação é do ministro da Agricultura , Marcus Vinícius Pratini de Moraes , que já esteve reunido duas vezes com os seguradores para discutir o novo formato desse produto, o qual vem sendo desenhado com base na troca de informações entre Federação Nacional das Seguradoras (  Fenaseg  ),  Superintendência de Seguros Privados  (  Susepe o  Ministério da Agricultura  .</P>
<P> Os seguradores também têm pressa na aprovação do produto.</P>
<P> A expectativa é de que o modelo em discussão possa ser posto em votação no Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) já no próximo mês.</P>
<P> "Esse seguro é a plataforma para desenvolvimento da agricultura", assinalou Pratini de Moraes, no último encontro com seguradoras, há quinze dias.</P>
<P> A adoção de um novo modelo de seguro agrícola no Brasil , com o apoio governamental, provocou um aumento do interesse de grupos estrangeiros na compra da Companhia de Seguros do Estado de São Paulo ( Cosesp ).</P>
<P> Embora tenha acumulado resultados negativos nesse ramo de seguro, a Cosesp tem uma extensa carteira de negócios, que inclui produtores rurais.</P>
<P> Um prato cheio para conglomerados do exterior, voltados para o ramo agrícola, que fazem planos para explorar o quase virgem mercado brasileiro em de coberturas para o agrobusiness.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-83020"> 
<P> Actualmente é de 570,6 euros </P>
 <P> Espanha aumenta salário mínimo para 600 euros </P>
 <P> O Governo socialista espanhol aprovou hoje o aumento do salário mínimo em Espanha, fazendo-o passar dos actuais 570,6 euros para 600 euros no próximo ano. </P>
 <P> «Aprovámos o decreto que estabelece o salário mínimo interprofissional nos 600 euros por mês, com efeito a partir de 1 de Janeiro », anunciou o
chefe do Governo, José Luís Rodriguez Zapatero, numa conferência de imprensa do último Conselho de Ministros deste ano. </P>
 <P> Este aumento foi conseguido graças ao acordo com os sindicatos e o patronato acrescentou Zapatero, que afirmou que esse valor correspondia às suas promessas eleitorais, precisando que o salário mínimo estava nos 460 euros em 2004, aquando da sua ascensão ao poder. </P>
 <P> O chefe do governo vai disputar um segundo mandato de quatro anos nas eleições legislativas de 9 de Março, e salienta frequentemente o seu balanço económico positivo. </P>
 <P> Em Outubro, Zapatero prometeu igualmente aumentar o salário mínimo até aos 800 euros por mês em caso de reeleição. </P>
 <P> À excepção dos antigos países do bloco de leste, a Espanha é um dos países que tem o salário mínimo mais baixo da União Europeia, juntamente com Portugal, Grécia e Malta. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-91193">
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Aristides Teixeira</P>
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Eu «show» candidato</P>
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Se não ganhar a eleição presidencial, Aristides Teixeira, de 36 anos, pensa continuar a exercer a profissão actual: produção no audiovisual. É um homem de várias imagens, e até já foi actor num programa de Nicolau Breyner, onde era o pirata de perna-de-pau.</P>
<P>
Por enquanto, ele próprio e a Comissão de Candidatura, que ainda não tem sede, andam preocupados com o processo legal que obriga a apresentar 7500 assinaturas num prazo de 50 dias. Esta exigência da lei reforça a convicção que já tinha antes: vivemos numa «democracia de frontispício».</P>
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Casado e com dois filhos, Aristides nasceu em Lisboa e morou na capital até se mudar, em 1982, para a Margem Sul. Esta mudança foi determinante na sua vida, como adiante se verá.</P>
<P>
Aos 16 anos, publicou o primeiro livro, edição de autor, esgotada, reedição, esgotada também. Era um livro em que «denunciava as atrocidades do antigo regime». Outros livros se seguiram e também a liderança do Movimento de Escritores Novos, nos anos 80. «Sou membro da Associação Portuguesa de Escritores e da Sociedade Portuguesa de Autores.»</P>
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Em, televisão, o pré-candidato foi apresentador de programas juvenis e trabalhou na produção de outros programas, desde As Botas das Sete Léguas à Rua Sésamo e ao Euronico.</P>
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«No plano político», afirma, «apoiei a candidatura de Francisco Salgado Zenha e fiz parte de uma coisa que se chamou Associação dos Utentes dos Transportes Colectivos da Cidade de Lisboa», por ocasião da greve prolongada dos trabalhadores da Carris. A associação não cumpriu os objectivos pensados por Aristides: desfez-se quando a greve terminou, em vez de prolongar uma intervenção na defesa dos direitos dos passageiros.</P>
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De resto, os portugueses e em particular os habitantes da capital não se mostram muito sensibilizados para movimentos de carácter cívico. Veja-se o caso do protesto contra o aumento das portagens da Ponte 25 de Abril, no ano passado: que sequência deram os lisboetas à indignação? Daí que Aristides tenha dinamizado primeiro a Associação de Utentes, de que depois saiu para formar a Associação Democrática de Utentes, hoje com duas dezenas no núcleo mais activo, cinco dezenas de inscritos em geral. E esta última associação está agora a dinamizar núcleos em Lisboa, como o que já existe na Junta de Freguesia de Benfica e outros dois de que Aristides ainda não pode falar.</P>
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A própria ideia da candidatura à Presidência da República partiu da Associação -- «não foi ideia minha e consideraram que eu era a pessoa indicada», garante. Só em Outubro haverá programa de acção, depois das eleições legislativas. Mas já têm cinco mil impressos para recolher assinaturas. E, de qualquer modo, o objectivo da candidatura é claro: continuar o debate de ideias, em particular, acerca do pagamento da portagem na Ponte. É uma candidatura aberta a novas adesões, «por exemplo de movimentos ecologistas ou de estudantes», embora nenhuma se tenha concretizado ainda. Também os financiamentos estão por vir, por agora é tudo pago pelos activistas, mas «já há empresários interessados em contribuir».</P>
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Aristides não tem medo de que pensem que a candidatura é uma forma de se pôr em evidência: «Estou exposto a que me chamem de tudo, eu explico as razões e as pessoas têm todo o direito de fazer a leitura que quiserem.»</P>
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Carlos Ferreira</P>
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O Zé Povinho existe</P>
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Anuncia-se a ele próprio como «representante do Zé Povinho» e diz que a verdadeira meta é o ano de 2001, porque as próximas eleições presidenciais são apenas uma espécie de treino, apenas umas «primárias» como nos Estados Unidos.</P>
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Carlos Alberto Ferreira, empregado de mesa num hotel de Lisboa, nasceu há 47 anos no Hospital da Mealhada e foi de imediato separado da mãe, internada num hospital psiquiátrico. Casado e pai de um rapaz de 17 anos, mora em Tercena e diz que não tem mais família.</P>
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Cresceu no Portugal dos Pequenitos, em Coimbra. Depois, ficou algum tempo com uns tios, mas fugiu. E, finalmente, foi na Obra da Criança Abandonada que estudou até fazer dois anos no seminário de Soutelo, perto de Braga. Voltou para casa dos tios e de novo fugiu, desta vez para Lisboa, aos 16 anos, e começou a trabalhar na hotelaria.</P>
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O interesse pelo desporto surgiu nessa mesma época, quando conheceu «vedetas» como José Luís, da luta livre americana, e acabou por inscrever-se no Ateneu Comercial de Lisboa, onde praticou luta livre, luta greco-romana e natação. Tarzan Taborda foi «colega» de treinos. Hoje, Carlos Ferreira dedica-se ao atletismo e participa em todas as provas do calendário das provas amadoras. Diz que figura no Guinness Book desde que percorreu a pé, de bandeja na mão, os 1110 quilómetros entre Melgaço e Lagos.</P>
<P>
O outro grande interesse da vida de Carlitos, como é chamado pelos colegas do hotel, é a política. Uma verdadeira paixão. Simpatizante da UDP, foi candidato por este partido a duas eleições autárquicas no concelho de Sintra. Foi também activo apoiante das candidaturas presidenciais de Otelo e Maria de Lurdes Pintasilgo. De resto, afirma que é visita habitual de Otelo e que têm em comum um outro amigo, o jornalista Gunther Walraff.</P>
<P>
O facto de a UDP apresentar um candidato próprio às presidenciais não o incomoda. Carlos Ferreira anunciou a sua candidatura no Congresso deste partido, no hotel Altis, e ninguém tentou impedi-lo de avançar. «Só prova que a UDP é um partido democrático.»</P>
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A questão das assinaturas necessárias à candidatura não o preocupa nada, é fácil. Aliás, na hotelaria as pessoas andam «radiantes» com o facto de terem um candidato do sector.</P>
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Como tem família em Espanha, Carlos Ferreira tenciona ir a Madrid falar à TVE, ao «El País» e ao «El Mundo», através de um cunhado que é taxista e que lhe costuma explicar muitas coisas. Depois, dará uma conferência de imprensa no Porto, na Associação dos Empregados de Mesa, e aí revelará se vai ou não avançar com a candidatura.</P>
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Para já, o que lhe interessa é aparecer na imprensa e ir ganhando experiência para as presidenciais de 2001, «se entretanto não houver uma ditadura em Portugal». Por agora, faz questão de dizer mal de Jorge Sampaio, sempre que tem oportunidade, e acha que «ele está a perder credibilidade, devia era estar calado».</P>
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Se for eleito, entrega o Palácio de Belém aos pobres, porque aquilo tem lá muito jardim e muitos quintais, «dá para uma boa horta de batatas», entrega 60 ou 70 por cento do ordenado a «uma associação de gente que precise» e instala a presidência entre Coimbra e a Mealhada, a igual distância do Minho e do Algarve. Quanto à Europa, é peremptório: «Sou contra.» E adianta: «Aquilo é um ninho de chulos.»</P>
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A paixão pela intervenção política resulta, diz, do muito que sofreu. «O problema é que as pessoas não sonham. Eu sonho. Não quero morrer sem deixar um rasto bem aceso.»</P>
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Jacinto Duarte</P>
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Belém, não. Vila Viçosa!</P>
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É com um abnegado espírito de sacrifício que Jacinto Duarte, advogado, notário recém-aposentado, vai candidatar-se à eleição presidencial. Aos 61 anos, natural de Amor, no concelho de Leiria, o pré-candidato considera que já deu o que era preciso aos oito filhos e que chegou o momento de dar um pouco de si aos portugueses.</P>
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Jacinto Duarte tem sede de candidatura em Loulé, onde reside, e afirma que não terá dificuldades em obter as 7500 assinaturas necessárias ao processo eleitoral. Simples. Porque já tem três mil e distribuiu impressos a cem colegas, na última assembleia de notários. «Como as pessoas têm de fazer reconhecimento de assinaturas, têm de lá ir. Há alguém que não confie num notário? Se ele disser que é para a candidatura de uma pessoa séria que quer tirar os partidos e dar o poder ao povo, certamente assinam e depois o reconhecimento é gratuito. Sou uma pessoa muito conhecida no mundo notarial e registarial. Já mandei faxes a dizer que podem começar a recolher assinaturas.»</P>
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Se for eleito presidente, Jacinto Duarte levará a Presidência e o Governo para o Alentejo: «Para Vila Viçosa ou Évora, talvez aproveitando o paço ducal. É uma coisa a pensar.» E promoverá a alteração radical do regime.</P>
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Desde logo, acaba com o poder dos partidos, com a partidocracia. O sistema eleitoral passaria a ser assim: o país dividido em 120 círculos de 50 mil eleitores, e cada círculo só elegeria um deputado. E como a eleição directa era difícil de executar, cada freguesia escolhia três a cinco representantes que, com os escolhidos das outras freguesias do círculo, elaborariam uma lista de três candidatos a deputados. As associações da sociedade civil, designadamente os industriais, os comerciantes, os agricultores, pescadores, profissões liberais e trabalhadores escolheriam, cada uma, um representante. Estes nomes seriam depois votados pelos tais 50 mil eleitores e um deles seria escolhido. Portanto, seriam 120 deputados, um por círculo.</P>
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O advogado foi à televisão expor estas ideias, ao programa de Manuel Luís Goucha: «E ele até me disse que ia recomendar à Direcção de Informação que me levassem a um debate com o Jorge Sampaio.» Mas preferia um debate com Cavaco Silva: «Tenho uma quantidade de trunfos que só revelo nessa altura. Desde que se deixou influenciar pelos conselheiros de imagem tornou-se um político vulgar. Sei de coisas que ele fez e que dão cabo dele. É um economicista que não dá valor nenhum às famílias, às pessoas. As minhas ideias alternativas tornam Portugal muito mais próspero e feliz.»</P>
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Para o problema da droga, um dos maiores do nosso tempo, Jacinto Duarte tem uma solução garantida. Ele próprio irá, caso seja eleito, apresentar o plano à ONU, ou então mandará o embaixador. Em síntese: «Bastará que as Nações Unidas mobilizem recursos, em homens e dinheiro, semelhantes aos que se mobilizaram na guerra contra o Iraque.» Depois, «os soldados com avionetas e helicópteros destroem em todo o mundo as culturas da droga e, com o dinheiro das Nações Unidas, indemnizam-se os lavradores que produziam droga e dão-se-lhes cursos de formação para que se dediquem à produção de produtos alimentares úteis.» E com convicção: «Se cortarmos com a droga na fonte, nunca mais aparece em lado nenhum. Não acredito que, se apresentar esta proposta, alguém tenha a coragem de não a aprovar.»</P>
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Se o voto não for favorável a Jacinto Duarte, nada está perdido: «Se não ganhar, vou para a minha herdade em Almodôvar. Vou lá plantar pinheiro manso com um subsídio europeu.»</P>
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Menezes Alves</P>
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Agora eu queria ser deputado</P>
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É uma espécie de candidato profissional. Se lhe perguntarem hoje o que faz, responde que é candidato e é mesmo isso que diz o cartão de visita. José Manuel Pauliac de Menezes Alves, 49 anos, não está, no entanto, muito virado para as presidenciais. Do que gostava agora era de ser deputado.</P>
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«Até pode dizer que estou com escritos», diz logo de início, e o tom da conversa é sempre assim, displicente e excessivo. Deputado por que partido, pergunta-se? «A única maneira, e o meu percurso um pouco heterodoxo leva a isso, é ser convidado pelo Partido Socialista como candidato independente. Não vou pedir, não entro em `lobbies'. Não faço questão disso. Falei, ou querem ou não querem. Nem vou perder cinco minutos com isso.»</P>
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Casado e com três filhos, desde sempre entusiasta e proprietário de automóveis caros, Menezes Alves está -- ou não está? -- na corrida das presidenciais pela terceira vez. Já desistiu por Eanes, já desistiu por Soares. A ideia é fazer trabalho de desgaste, explica. Dizer as coisas que os candidatos «sérios» não querem dizer: «Em 1979, fiz um `gentleman's agreement' com o embaixador Fernando Reino para dizer tudo aquilo que o general Ramalho Eanes não pudesse dizer contra o general Soares Carneiro, na medida em que eu vinha de um meio que não era nem comunista nem socialista, portanto, provocava uma certa confusão na Aliança Democrática. Em 84, fiz um `gentleman's agreement' com o Manuel Homem de Melo, uma coisa muito gira. Eu era presidente de um clube de reflexão política com ele, a gente reunia-se no Clube dos Empresários, para almoços e jantares.»</P>
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Fala dos políticos ou das famílias «Olá», tratando-os sempre pelo nome próprio. Quando diz «o Diogo», fala de Freitas do Amaral, com quem andou no Colégio Avé-Maria; os irmãos Herédia, que frequentaram o mesmo colégio na Suíça, são «o Manão e o Pumba, filhos da Mocas Herédia, não têm nada a ver com essa Isabelinha (toda a gente sabe quem é)»; quando diz Zezinha, refere-se a Maria José Nogueira Pinto e a Gracinha é Graça Viterbo, ambas dos tempos do Liceu Francês. No Colégio Militar ficou com amigos e com a sensação horrível de ser o mariquinhas, o menino da mamã: «O `chauffeur' ia lá às quartas e quintas-feiras levar-me bolinhos», explica.</P>
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O tom é mais ou menos o mesmo quando se refere à guerra colonial. Conta, torrencialmente, o que viu em Angola quando fez parte da chamada Organização Provincial de Voluntários: «Foi muito interessante ver um homem como o Deslandes, que queria uma independência branca suavizada, tipo Ian Smith `avant la lettre'. E tentou. Foi lá o Adriano Moreira tentar convencê-lo, foi lá um general Gomes de Araújo, que era ministro da Defesa Nacional e esteve envolvido depois no escândalo dos `ballet rose', uma coisa de meninas. Assisti a essa coisa toda, aos generais com enfartes de miocárdio, porque havia lá uma série de bailarinas de um `ballet' Verde Gaio que era tudo uns bacanais na ilha do Mussulo. Ver o poder assim em cuecas desmistifica.»</P>
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Sem perder tempo, conta como Marcello Caetano, de quem foi aluno em Direito, o convidou para ser presidente da ANP a nível juvenil, mas esteve lá uma semana e bastou. Aproveitou para conviver com o decorador Lucien Donnat, com «atelier» no mesmo edifício, porque, de resto, queriam que ele organizasse um torneio de vela e ele preferia jogos de futebol e piqueniques e tinha de falar com uns «tios» -- «aquilo era tudo tios» -- e então escreveu uma carta a recusar e, no dia seguinte, foi chamado para a tropa. Diz que ainda tentou convencer Marcello Caetano a aconselhar-se com militares de patente mais baixa do que os generais de que se rodeava, tudo gente do reumático, mas ele não lhe deu ouvidos e depois foi o que se viu: deu-se o 25 de Abril, claro está.</P>
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Não tem problemas quando pensa no processo eleitoral, porque já está habituado e até já entregou uns papéis para assinar na bomba de gasolina onde se abastece, em Sintra, perto da quinta onde vive e que é a sede da candidatura. Quando não está entretido a ser candidato, o advogado tem como actividade profissional ser consultor jurídico da mulher, que «é muito rica». «Vou-me ocupando a fazer negócios com os terrenos dela.»</P>
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Orlando Cruz</P>
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Electrodomésticos em vez de cartazes</P>
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Orlando Manuel Leite Cruz, 43 anos, começou por ter a ideia de se candidatar porque é preciso dar voz aos independentes. Mas, agora, entrou para o PSN e vai ser cabeça de lista por Vila Real nas legislativas. Vila Real e o país inteiro vão ver a maior campanha de sempre: em vez de queimar dinheiro em cartazes, vai oferecer electrodomésticos.</P>
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Divorciado e pai de quatro filhos, ficou inicialmente conhecido como o candidato-taxista. Agora, é administrador de uma agência de construção e tem um «stand» de automóveis.</P>
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Vive em Leça do Balio, mas foi em Lisboa, à frente da Assembleia da República, que fez uma greve de fome em defesa de dois cabo-verdianos detidos injustamente. Teve uma das vitórias da sua vida quando foram libertados. Outra vitória foi de uma vez que disse, num programa que Teresa Guilherme tinha à tarde, que ia haver 60 por cento de abstenções. «Considero que eu representava esses 60 por cento e tento agora captar esta abstenção para o PSN. Penso que vamos colocar cinco deputados, eu próprio vou ser eleito deputado.»</P>
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Enquanto não chegam as eleições presidenciais, Orlando Cruz é desde já presidente da Associação Nacional e Internacional de Ajuda ao Povo Africano de Língua Oficial Portuguesa e Anti-Racismo. Era, até há pouco tempo, uma associação de âmbito nacional, mas querem alargar os seus horizontes: «Estamos a mudar os estatutos, vamos trabalhar no estilo Greenpeace em todo o mundo.» Na direcção, tem também «quatro médicos, um advogado e um professor doutorado». Orlando Cruz é e será presidente: «Porque fui eu que criei a associação.» «Vai ser a maior associação da Europa. Temos cerca de 300 sócios. Não estamos a recolher muitos mais. Só depois de ter o estatuto regularizado.»</P>
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O ex-taxista de Leça do Balio insiste na importância dos independentes -- «para deixarmos este monopólio de serem os partidos a dizer quem nos vai governar» --, mas foi em tempos militante do PPD. Só enquanto o doutor Sá Carneiro foi vivo: «[Depois, O PSD] deixou de ser um partido dentro dos meus parâmetros. Até me dá a impressão de que alguns ministros foram a Itália tirar um curso de mafia.»</P>
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Declara-se contrário à ideia das superesquadras, que são «uma aberração», e lança um desafio: «É preciso que os partidos digam, antes das eleições, se faz parte do programa deles acabar com as superesquadras.»</P>
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Ao povo de Vila Real, promete «uma campanha eleitoral como nunca tiveram cá em Portugal, uma campanha de estilo americano». «Vou saber do que precisam as pessoas, perguntar que electrodomésticos precisam. O dinheiro que se gasta em cartazes vou dar aos mais desfavorecidos, vou dar televisões e frigoríficos, um aquecedor, uma máquina de lavar.»</P>
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«Fico escandalizado de ver que os partidos gastam milhões em cartazes e sacos, quando esse dinheiro daria para pôr as famílias felizes. Dentro das possibilidades, que o PSN também não é um partido rico.»</P>
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A ideia da candidatura às presidenciais surgiu-lhe há dois anos. «Gosto de exprimir a minha opinião, a minha filosofia e era o momento certo. Se for eleito deputado proponho que o Presidente da República tenha mais poderes, senão não se justifica um presidente. Realmente, só tem poderes para passear.»</P>
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Alfredo Frade</P>
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O desassossego</P>
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Alfredo Frade, 43 anos, médico psiquiatra, é o candidato que o PSR decidiu levar às presidenciais. A candidatura surge «por causa do vazio à esquerda e da necessidade de debate de ideias».</P>
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A ideia principal é, portanto, «desassossegar as consciências, multiplicar a participação», lutar contra o alheamento da vida política de que os eleitores só emergem momentaneamente quando votam.</P>
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Preocupado com a eclosão de casos visíveis de racismo na sociedade portuguesa, Alfredo Frade sublinha que o PSR sempre disse «que Portugal é um país racista, mas esse traço tem estado encoberto». «Há grupos organizados de extrema-direita, pessoas de vários pontos do País que se juntam em acções concretas, como aconteceu com o caso do assassínio de Alcindo Monteiro, em que o grupo atacou organizadamente, mantendo fechadas as saídas do Bairro Alto.» Por isso estabelece uma comparação com o assassínio de José Carvalho, militante do PSR, numa acção organizada. «Há uma confluência de ideologias nazis, tal como faz em França a Frente Nacional -- utilizam os `skinheads' como tropa de choque.»</P>
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Na opinião de Alfredo Frade, o problema mais importante da sociedade portuguesa, actualmente, é «a crise do sistema político, a falta de participação das pessoas, o alheamento.»</P>
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Assistente hospitalar no Centro de Apoio a Toxicodependentes do Restelo, em Lisboa, o psiquiatra cumpriu serviço médico à periferia em Mourão e especializou-se no hospital Júlio de Matos. A par do consultório, onde pratica psiquiatria geral, mantém um contacto permanente com a realidade da toxicodependência e sofre assim o mal que afecta todos os profissionais envolvidos nesta área: a frustração da baixa percentagem de êxitos -- «10 a 15 por cento de êxito em tratamento ambulatório, 50 por cento entre os internados».</P>
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«Claro que tudo isto passa pelas condições de trabalho que o Estado oferece: falha na prevenção, falha na reabilitação e falha no tratamento. Não há comunidades terapêuticas e, aqui, temos apenas 20 camas. O facto é que estamos a falar de um problema que, só em Lisboa, atinge 50 mil pessoas.»</P>
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Frustrante é também o ritmo a que surgem novos casos de toxicodependência: «Aparecem cada vez mais novos e também aparece cada vez mais gente mais velha, alguns a começar os consumos aos 30 ou 40 anos.» Ressalva, no entanto, que está apenas a falar de heroinómanos, que constituem 90 por cento dos frequentadores do CAT do Restelo. «Os casos de cocaína não aparecem aqui, são gente com dinheiro que vai a consultórios particulares.» Os números do consumo e os problemas em torno do fenómeno, como a prostituição, são uma espécie de «caixa de Pandora, que causará grande espanto quando for aberta».</P>
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Alfredo Frade anuncia desde já que, na campanha eleitoral, vai abordar temas tabu, como a questão das uniões civis de pessoas do mesmo sexo, e vai defender a legalização imediata das drogas leves. Defenderá igualmente que não seja permitidos dois mandatos sucessivos de Presidente da República, para que o primeiro não se torne uma espécie de preparação da campanha para o segundo mandato.</P>
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António Raposo</P>
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Presidente de todos os poderes</P>
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António José da Costa Raposo, nascido em Ponta Delgada há 47 anos, declara que, se ganhar as eleições presidenciais, dissolve de imediato a Assembleia da República e altera a Constituição, criando um regime totalmente presidencialista.</P>
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Todos os poderes na mão do Presidente não significa, porém, um perigo de ditadura para António Raposo, que se apresenta como o arcebispo primaz e patriarca de Lisboa da Igreja Católica Apostólica Nacional, implantada em Portugal desde 1988. «Há países que têm regimes presidencialistas e não são ditaduras», observa.</P>
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O dia-a-dia do pré-candidato, que afirma ter quase terminada a recolha das assinaturas necessárias ao processo eleitoral, divide-se entre a sede da sua Igreja, na aldeia da Murgeira, perto de Mafra, onde fica o «santuário catedral do Senhor Santo Cristo», e um conjunto de casas na Rinchoa. Aqui, está já instalado um lar de terceira idade e António Raposo anuncia para breve um seminário e um lar para crianças. Considera que a sua Igreja não pode ser confundida com uma seita e aponta raízes na dissidência dos Velho Católicos aquando do I Concílio do Vaticano.</P>
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Além da modificação radical do regime político português, preconiza também a saída de Portugal da União Europeia. Tudo em nome da urgência em resolver a crise, o descalabro em que o país vive. «Como cidadão que sou, é meu dever reconstruir o país, tirá-lo do estado em que está. Todos sabemos que há um grande desemprego, a criminalidade e a droga aumentam, há uma grande insegurança social. O povo vive numa angústia constante. O nosso objectivo é travar esta ruína, criar melhores condições de vida para todos os portugueses, através de um bom sistema de educação, porque não é reprimindo que se resolvem os problemas, mas criando novas escolas.»</P>
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António Raposo iniciou o curso de Teologia na Universidade Católica Portuguesa, onde, diz, foi secretário particular do actual reitor, o bispo José Policarpo. Foi então que, segundo afirma, se desvinculou da Igreja Católica Apostólica Romana e rumou ao Brasil, onde esteve dois anos e se ligou à Igreja Católica Apostólica Brasileira. Seguiu depois para os Estados Unidos e aí concluiu o curso de Teologia. Voltou para Portugal, fundou a Igreja. «Fui eleito arcebispo primaz e patriarca de Lisboa no último sínodo da nossa Igreja.»</P>
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Na opinião do pré-candidato, «pode haver surpresas na votação». «Há várias igrejas que me estão a apoiar. Até da Igreja Católica Apostólica Romana, há padres que me apoiam neste projecto.» Tem alguma expectativa de ganhar? «Veremos nas eleições.»</P>
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Alberto Matos</P>
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A candidatura da UDP</P>
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Alberto Manuel Belo da Cunha Matos, 42 anos, é um homem da UDP e será candidato às presidenciais em nome deste partido. Ganhou notoriedade como activista da Associação de Utentes da Ponte 25 de Abril, mas diz que na geração dele do Instituto Superior Técnico era muito conhecido, foi até vice-presidente da Associação de Estudantes.</P>
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O gabinete da candidatura anuncia Alberto Matos com um currículo muito pormenorizado, em que surge com destaque a referência aos sete anos que passou no Colégio Militar: «Cedo se confronta e rebela contra a disciplina militarista.» Datam dessa época «as primeiras perseguições políticas», em consequência da «recusa em participar numa visita de estudo à Guiné».</P>
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Passa umas férias em Inglaterra, cumprido o liceu, e ali sofre «ameaças de expulsão» por participar «em sessões pelos direitos cívicos na Irlanda». É já no Técnico que adere à «UEC (m-l), a organização estudantil do CMLP [Comité Marxista-Leninista Português]». Diz que, depois do assassínio de Ribeiro Santos, «é alvo dum mandato de captura da PIDE a que consegue escapar», pelo que anda a monte durante três meses e acaba por ser expulso do ensino superior.</P>
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«Poucos meses antes do 25 de Abril, passei à clandestinidade, até perto do 11 de Março de 1975.» Na clandestinidade depois do 25 de Abril? «Era um tempo de golpes em que podia haver matanças», explica.</P>
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Saiu do «mundo fechado do movimento estudantil» e instalou-se em Beja. «[Aí] também não fui um cidadão anónimo», afirma. Durante os 14 de anos de Beja, Alberto Matos dedicou-se ao ensino, em escolas secundárias do distrito, mas manteve «actividade sindical e partidária» -- já na UDP. Sentiu-se bem no Sul, considera-se mesmo um filho «adoptivo e adoptado do Alentejo» e, um dia, quando se reformar --»se ainda houver reforma» --, voltará para lá.</P>
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Pai de dois filhos do primeiro casamento, Alberto Matos vive há dez anos com a sua companheira. Em 1989, mudaram-se para Almada e daí o envolvimento activo na questão do aumento das portagens da Ponte.</P>
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Quem quiser encontrá-lo procure-o na Assembleia da República, no espaço reservado à UDP, onde deu «apoio a Mário Tomé». É deputado municipal em Almada e dirigente distrital da UDP em Setúbal. Foi em plena Assembleia Municipal que deu a conhecer a intenção de candidatar-se à Presidência da República, iniciativa que foi (citando a Circular Informativa nº1 da Candidatura) «recebida com respeito e saudada pessoalmente por deputados de diversas bancadas».</P>
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Nos tempos livres, que lamenta serem poucos por causa das múltiplas intervenções políticas, que o levam a todos os pontos do País, em especial aos locais onde se desenvolvem lutas laborais ou cívicas, aproveita para «ler, sempre,» e dedica-se especialmente ao teatro.</P>
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Alberto Matos tenciona completar todo o processo de candidatura, «ir até onde os eleitores quiserem». Se ganhasse, «espantaria muita gente, porque isso significaria que muita coisa tinha mudado no País».</P>
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O que mais o preocupa em Portugal é o facto de vivermos «numa democracia bloqueada». «Temos um grande partido único pró-Maastricht, somando o PS e o PSD, com alternâncias de posição que representam a quase totalidade do espectro político português, o que lhes dá plenos poderes nas alterações às leis eleitorais e na formação de maiorias. No quadro actual, não há grandes saídas deste bloco único. O que se arrisca a mudar são as moscas.»</P>
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<DOC DOCID="hub-16632"> 
<P>A MINHOCA E A MAÇÃ</P>
 <P> Durante a discussão sobre a natureza do salazarismo, e depois de assinalar, com o fastio do costume, a ignorância grotesca do adversário, Vasco Pulido Valente recomendou-lhe esta reflexão: « Vítor Dias que puxe pela cabeça: existe em Portugal alguém ou alguma coisa a que o PCP já não chamou 'fascista??» Bom argumento. De facto, a repetição exaustiva da mesma acusação desacredita o acusador. Proponho, por isso, outra reflexão. Vasco Pulido Valente que puxe pela cabeça: existe em Portugal alguém ou alguma coisa a que Vasco Pulido Valente já não tenha chamado "ignorante"? </P>
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<DOC DOCID="cha-47488">
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Vila Franca de Xira</P>
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Câmara aceita 995 fogos do IGAPHE</P>
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A Câmara de Vila Franca de Xira aprovou o texto de um protocolo que fixará as condições de transferência para a sua propriedade de 995 fogos, que o Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE) possui na área do concelho. No âmbito do programa especial de realojamento, o protocolo visa garantir uma maior eficácia de gestão do parque habitacional, que se distribui por 184 edifícios de dez bairros distintos.</P>
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Dada a complexidade desta transferência, foram definidos períodos de preparação e separados os momentos em que o município assumirá a gestão de nove dos bairros e a do restante (Bairro do Olival de Fora, também conhecido por parque residencial da ICESA, em Vialonga, que soma 408 fogos e revela sérios problemas sociais e de degradação dos edifícios). Assim, em Novembro deste ano, a Câmara vila-franquense deverá receber 587 dos fogos do IGAPHE. Relativamente ao Bairro do Olival de Fora, será definido um período de preparação da transferência que poderá ir até dois anos.</P>
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Até lá, estará em vigor um convénio entre a Câmara e o IGAPHE, no âmbito do qual será criado um gabinete técnico que analisará e descreverá a habitação existente, elaborará propostas de regularização da situação dos moradores, identificará e caracterizará os agregados familiares, com acompanhamento de técnicos de serviço social.</P>
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O gabinete deverá, ainda, elaborar propostas de realojamento das famílias, de obras de recuperação dos edifícios, de construção de equipamentos sociais e colectivos e de arranjo exterior das urbanizações em causa.</P>
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Segundo Carlos Silva, vereador do PS -- do pelouro da Habitação --, a transferência da propriedade do Bairro do Olival de Fora exigirá «a execução de obras estimadas em algumas centenas de milhares de contos, que terão que ser feitas, num prazo de dois anos, em edifícios que estão muitos degradados».</P>
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O Bairro do Olival de Fora é o que apresenta maiores problemas sociais e de gestão do património, acrescenta o vereador. «Há situações de ocupação ilegal, vandalismo, insegurança. Um conjunto de aspectos negativos que, aliados ao estado de degradação dos edifícios e à falta de arranjos exteriores, justificam um plano de reabilitação urbana deste bairro».</P>
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Carlos Silva reconheceu que, «ao aceitar este património, a Câmara está, também, a aceitar um monte de problemas que são, de facto, imensos. Mas as questões sociais, urbanas e de integração das famílias, sobrepõem-se a estas dificuldades».</P>
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O vereador vila-franquense frisou, ainda, que foram dois os objectivos fundamentais que levaram a autarquia a aceitar esta transferência: a ideia de que, estando mais próxima da realidade, poderá assegurar uma melhor qualidade urbana e uma maior reintegração social das famílias e a intenção de garantir uma melhor absorção destes bairros pela malha urbana envolvente.</P>
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Daniel Branco, presidente da Câmara de Vila Franca, observou, por seu turno, que «estamos a iniciar um nova fase relativamente às questões de habitação. Ficaremos com mais responsabilidades e não vai ser nada fácil. Mas, se não formos nós a avançar, dificilmente estas populações encontrarão, a breve prazo, uma melhoria das suas condições de vida».</P>
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Jorge Talixa.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-16456">
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Chissano na África do Sul</P>
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Boers querem cultivar terras em Moçambique</P>
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José Pinto de Sá, em Maputo</P>
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A concessão de terras a agricultores afrikaners, pedida recentemente em Maputo pelo general Viljoen, deverá constar das conversações que o Presidente Chissano vai ter durante a visita que hoje inicia à República da África do Sul.</P>
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A questão dos «farmeiros» (fazendeiros) interessados em desenvolver projectos em Moçambique, incluindo nas áreas da pecuária, irrigação e turismo, deverá ser abordada durante a visita que o Presidente Joaquim Chissano hoje inicia, disse a rádio oficial da África do Sul (SABC).</P>
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Há cerca de duas semanas, o general Constand Viljoen, líder da Frente da Liberdade, que no Parlamento representa a direita boer, esteve em Maputo com uma importante delegação dos agricultores sul-africanos e abordou o problema com o Presidente Chissano.</P>
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«A presença deste grupo representa uma mudança positiva, não só para a África do Sul mas também para Moçambique», comentou na altura o chefe da Frelimo.</P>
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Ao comentar a sua visita a Maputo no Parlamento sul-africano, na Cidade do Cabo, Viljoen disse na semana passada que a Frente da Liberdade tenciona continuar a criar condições para a exploração agrícola e a formação agrária em Moçambique, por «farmeiros» das regiões do Transvaal e do Orange. Em troca da concessão de terras por 40 anos, os boers comprometem-se a criar postos de trabalhos e a minorar a crise alimentar no sul do país, ao longo da fronteira, onde tencionam implantar-se.</P>
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O anúncio dos contactos de Viljoen em Maputo está a despertar uma vaga de entusiasmo entre os grandes agricultores sul-africanos, que receiam vir a perder as suas terras quando o Governo de Unidade Nacional implementar a reforma agrária que o ANC prometeu durante a campanha eleitoral do ano passado.</P>
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Face ao número de pretendentes, o presidente da União de Agricultores da África do Sul já aconselhou os seus confrades a não tomarem decisões precipitadas e a aguardarem mais pormenores, noticiou o jornal «Business Day».</P>
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Aval dado por Mandela</P>
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O general Viljoen anunciou que a ideia partiu da Frente da Liberdade, que tem apenas nove deputados, e recebeu o aval tanto do Presidente Nelson Mandela como do primeiro vice-presidente, Thabo Mbeki, antes de ser transmitida ao Presidente Chissano. Fontes de Maputo indicam que, apesar do bom acolhimento com o chefe do Estado concedeu ao projecto, subsistem ainda muitas arestas por limar. Os «farmeiros» terão insistido que a cooperação agrícola deveria fazer-se pelos canais das organizações empresariais dos dois países, enquanto Chissano desejaria que ela se processasse a nível governamental.</P>
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A delegação dos agricultores estudou o estabelecimento em Moçambique de explorações agro-pecuárias de alta tecnologia e elevado rendimento. Thomas Langley, um criador de gado do Transval Setentrional agora designado embaixador em Lisboa, disse aos jornalistas em Maputo que outros países africanos, como Angola, Zâmbia e Zaire, também estão interessados na tecnologia agro-pecuária da África do Sul.</P>
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Entretanto, o ministro moçambicano da Agricultura e Pescas anunciou sexta-feira que a Lei de Terras vai ser analisada e revista, «de modo a adequá-la à actual conjuntura político-social». Carlos Agostinho do Rosário considerou imperioso rever a legislação sobre a posse da terra elaborada pelo anterior Parlamento, e que considera todo o solo nacional propriedade do Estado.</P>
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Chissano, que discursa amanhã no Parlamento sul-africano, vai discutir com Mandela a dinamização do Acordo Geral de Cooperação assinado pelos dois no dia 20 de Julho do ano passado, em Maputo. Na ocasião, foram criados grupos bilaterais de trabalho para diversas áreas, incluindo a agricultura.</P>
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Ao falar há dias no Parlamento, o Presidente sul-africano anunciou que o seu executivo irá prestar particular atenção às relações com os países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), nomeadamente Moçambique.</P>
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«Estamos todos inspirados pela realidade dos desenvolvimentos progressistas na nossa região», disse Mandela, congratulando-se pelo êxito das eleições em Moçambique, no Malawi, na Namíbia e no Botswana, pelo restabelecimento da paz no Lesotho e pela assinatura do Protocolo de Lusaca, para a paz em Angola.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-94570">
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Lobotomia</P>
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História</P>
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Foi desenvolvida em 1935 pelo médico neurologista português António Egas Moniz (1874-1955), em equipe com o cirurgião Almeida Lima, na Universidade de Lisboa. Egas Moniz veio a receber com este trabalho o prêmio Nobel da Medicina e Fisiologia em 1949.</P>
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A Leucotomia foi a primeira técnica de Psicocirurgia ou seja, a utilização de manipulações orgânicas do cérebro para curar ou melhorar sintomas de uma patologia psiquiátrica (em contrapartida à neurocirurgia que se ocupa de doentes com patologia orgânica directa ou neurológica).</P>
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Inicialmente foi usada para tratar depressão severa. Egas Moniz sempre defendeu o seu uso apenas em casos graves em que houvesse risco de violência ou suicídio. No entanto apesar de cerca de 6% dos pacientes não sobreviverem à operação, e de vários outros ficarem com alterações da personalidade muito severos, foi praticada com entusiasmo excessivo em muitos paises, nomeadamente o Japão e os Estados Unidos. Neste último país foi popularizada pelo cirurgião Walter Freeman, que divulgou a técnica por todo o seu país, percorrendo o no seu Lobotomobile, e criando inclusivamente uma variante em que espetava um picador de gelo directamente no crânio do doente, desde um ponto logo acima do canal lacrimal com a ajuda de um martelo, rodando-se depois o mesmo para destruir as vias aí localizadas. Supostamente a atractividade deste procedimento seria o seu baixo custo e o desejo social de silenciar doentes psiquiátricos incómodos. A leucotomia ganhou tal popularidade que foi inclusivamente praticada em crianças com mau comportamento. Cerca de 50.000 doentes foram tratados só nos Estados Unidos. Com a ajuda destes abusos, a leucotomia foi abandonada quando surgiram os primeiros fármacos antipsicóticos. Durante muito tempo foi considerada algo injustamente como um episódio barbárico na história da Psiquiatria, sendo comum a comparação à técnica da flebotomia (ou sangria) na história da medicina interna. </P>
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<DOC DOCID="cha-70524">
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Correspondência do escritor é chata; a de Flaubert mostra o início do romance moderno</P>
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MARCELO COELHO</P>
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Da Equipe de Articulistas</P>
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Proust considerava medíocres as cartas de Flaubert. Um acaso editorial permite ao leitor brasileiro reparar duplamente a injustiça. Foi publicada pela Imago uma excelente seleção, as "Cartas Exemplares" de Flaubert (1821-1880); seguiu-se, pela Edusp/Ars Poética, um volume até certo ponto inexplicável, de correspondência entre Proust (1871-1922) e seu editor Gaston Gallimard.</P>
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Digo inexplicável, porque mesmo na França o interesse deste último livro estaria restrito a um pequeno círculo de especialistas proustianos. Só quem estiver preparando um doutorado na Sorbonne (a respeito, digamos, da indústria tipográfica francesa nos anos 20) há de ter esta "Correspondência Proust-Gallimard" como livro de cabeceira.</P>
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Ao longo de 600 páginas, o que mais se lê são: 1) queixas contra os revisores e tipógrafos, assinadas por Proust; 2) promessas de rapidez e eficiência no trabalho editorial, assinadas por Gallimard e seus colaboradores; 3) queixas quanto à distribuição e propaganda dos livros de Proust, assinadas pelo próprio; 4) respostas do editor; 5) problemas com direitos autorais, recibos, quitações, cálculos; 6) questões de saúde.</P>
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É uma pena; Proust é um desses autores que, uma vez lidos, nunca nos abandonam. Tomamo-nos de interesse pelas minúcias de sua vida pessoal, já que minuciosa e personalíssima é sua obra. Há um culto a Proust, há um culto a Stendhal, como não há um culto a Flaubert ou a Gide: os dois primeiros "fetichizem" mais o leitor; é como se não quiséssemos que eles tivessem morrido, e qualquer nova manifestação de vida que tenhamos deles (cartas, bilhetes, autógrafos, relíquias) torna-se valiosa por si mesma.</P>
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"Em Busca do Tempo Perdido" é um livro que dá pena acabar. Melhor relê-lo, entretanto, do que a essas cartas. De todo modo, o admirador de Proust poderá devorar a "Correspondência", vencendo o próprio tédio.</P>
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É que essas cartas formam um verdadeiro labirinto. Problemas com a tipografia se entrecruzam com pequenos pedidos de favores pessoais, suscetibilidades se remificam em arrependimentos, há mal-entendidos em cada parágrafo.</P>
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Proust devia ser infernal de tão chato –e seu editor infernal de tantos atrasos e burradas. Não sabemos quem tinha razão na maior parte dos casos, intrincadíssimos, envolvendo direitos autorais. Mas há coisas engraçadas.</P>
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Tudo leva a crer que Gallimard fugia dos telefonemas de Proust. Mandava a secretária dizer que ele não estava. Proust manda então cartas insinuando que Gallimard evitava seus telefonemas. Gallimard jura que não.</P>
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Em outros momentos, sente-se que Gallimard se encheu para valer e entrega a outro funcionário o encargo de responder a Proust. A coisa piora ainda mais.</P>
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Proust vê que está sendo excessivamente chato e tenta, por vias sinuosas, desculpar-se. Depois de cobrar uma dívida de direitos autorais, recebe alguns milhares de francos. Mas, para mostrar-se sensível às alegações de dificuldade financeira levantadas por Gallimard, propõe emprestar-lhe parte do que acabara de ganhar.</P>
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Durante uma viagem de Gallimard, Proust atazana sua assistente, a sra. Berthe Lemarié. As coisas azedam-se bastante, em meio a protestos de admiração mútua e fórmulas de polidez. Proust acaba sentindo-se culpado e, num dos raros momentos de graça literária de todo o livro, arrisca gentilezas. Diz que a sra. Berthe Lemarié (então por volta dos 40 anos) parecera-lhe tão jovem que ele se penitenciava de ocupá-la com assuntos profissionais, quando a imaginava brincando de amarelinha ou coisa parecida. Mas é um pequeno sorriso dentro de uma correspondência desgastante, cansativa.</P>
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Como se sabe, havia um problema prévio em toda relação entre Proust e Gallimard. A editora deste, a NRF (Nouvelle Revue Française) havia recusado o primeiro volume de "Em Busca do Tempo Perdido". A culpa foi de André Gide, que se arrenpenderia o resto da vida. Proust acabou publicando o primeiro volume na editora Bernard Grasset. Depois, foi acolhido pela Gallimard, mais "Moderna". Mas a toda hora lembra para Gallimard essa recusa inicial.</P>
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Mais detalhes na "Correspondência". Nada tão injusto quanto chamar Proust de "chato". Sua obra é um abismo de surpresas, de reviravoltas, de perturbações. Mas, se esse livro de cartas é chatíssimo, cabe também dizer que é muito "proustiano". Pois encerra um emaranhado de desentendimentos, de recuos e avanços, de ataques indiretos, de punhos de renda e luvas de pelica. Em todo caso, é o pior Proust que se pode imaginar. Só seria bom se o autor dessa correspondência fosse um personagem de Proust, e não o Proust real.</P>
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Nas cartas de Flaubert, entretanto, estamos às voltas como Flaubert real. Às vezes, até real demais, como muitos leitores de sua correspondência já notaram –o autor de "Madame Bovary" bufa, reclama, se estrafega, sufoca e sua a cada página que escreve; sofre o tempo todo com suas próprias exigências de estilista.</P>
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Mas, se a correspondência de Proust nos remete para o que há de pior no mundo proustiano, as caras de Flaubert nos apontam para um universo muito além do que é puramente "flaubertiano" –para os impasses, para as ambições, para o desafio de toda a literatura moderna.</P>
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É nas cartas de Flaubert que se registra, quiçá pela primeira vez, o propósito de se escrever um livro "sobre nada" –onde só o estilo e näo o assunto, contasse. Surge o projeto de romper com todo o emocionalismo romântico, em prol de uma literatura apenas "literária" –desumana, no sentido de Ortega y Gasset. Ao lado de tanta busca de "impessoalidade" e pureza material do estilo, há um comprometimento quase físico, corpóreo, do autor em sua obra: Flaubert dizia ter vomitado quando escreveu a cena do envenenamento de Madame Bovary.</P>
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As razões do corpo, as razões da escrita puramente literária, o problema do "assunto" (há temas intrinsecamente mais adequados à literatura do que outros?), tudo o que até hoje, ou pelo menos até ontem (nouveau roman, Beckett, estruturalismo etc.) perturbou um escritor aparece nestas cartas abordado com ímpeto quase inconsciente. E ao mesmo tempo, com uma enorme lucidez de propósitos e projetos.</P>
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Flaubert escreve cartas pra Victor Hugo, Baudelaire, Turguêniev, Maupassant, George Sand. São documentos capitais. A longa correspondência que ele manteve com sua amante Louise Colet e com seus amigos Maxime du Camp e Louis Bouilhet é apresentada, neste livro, em trechos decisivos. Não é algo que interesse apenas ao flaubertianos de plantão: em meio a solavancos, dores e exultações, assistimos ao nascimento da literatura moderna.</P>
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E é uma pena ver uma de suas consequências mais intemporais, menos submissas às tentações da moda e da conjuntura, como a obra de Proust, entregue à circunstancialidade menor e neurótica que nos revela sua correspondência com Gallimard. Mas os proustianos –considero-me um de carteirinha– têm o dever de perdoar essa publicação.</P>
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AS OBRAS</P>
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Correspondência Proust-Gallimard,  de Marcel Proust e Gaston Gallimard. Edusp (av. Prof. Luciano Gualberto, tr. J, 374/6.º, Cidade Universitária, SP, tel. 011 813-8837), e Ars Poetica (Caixa Postal 57052). CR$ 9.800.</P>
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Cartas Exemplares,  de Gustave Flaubert. Org., prefácio e tradução de Duda Machado. Imago (r. Santos Rodrigues, 201-A, RJ, tel. 021- 293-1092). 267 págs. CR$ 8.320.</P>
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<DOC DOCID="cha-49276">
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Dom Paulo Evaristo Arns (foto), cardeal arcebispo de SP, rezou ontem na Catedral da Sé o que pode ter sido sua última missa de Natal para 800 fiéis. D. Paulo encaminhou ao Vaticano carta de renúncia e deve receber resposta até o fim de 96.</P>
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O NÚMERO</P>
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8 ...milhões e meio de reais deve ser o valor do prêmio acumulado do concurso 38 da supersena, cujas dezenas serão sorteadas hoje, às 9h, em Brasília. Por causa do feriado de Natal, os sorteios da sena e da quina também serão realizados hoje. O prêmio da quina é de cerca de R$ 370 mil, e o da sena, de aproximadamente R$ 800 mil.</P>
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Caminhoneiro foge após ficar 25 h em cativeiro</P>
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O caminhoneiro Quintino Weis Sanches conseguiu fugir anteontem do cativeiro em Bragança Paulista (80 km de SP), onde foi mantido refém por 25 horas. Sanches levava uma carga 25 t de sal grosso de Cabo Frio (RJ) para Atibaia (SP), quando teve o caminhão roubado em uma estrada vicinal. A polícia suspeita da ação de uma quadrilha especializada em roubo de carga.</P>
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Câmara deve decidir se libera jet ski em praias</P>
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A Câmara de Ubatuba (litoral norte de SP) envia hoje para a prefeitura projeto de lei para revogar a proibição do uso de jet ski nas praias da Enseada, Lázaro e Maranduba. O prefeito Paulo Ramos (PMDB) terá 15 dias para sancionar ou vetar o projeto. Ramos afirmou à Folha que não irá se manifestar. "Vou colocar a decisão para a Câmara." A lei que proíbe o uso de jet ski entrou em vigor há dez dias.</P>
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Intensificado combate à prostituição em estrada</P>
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A Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) e a Polícia Rodoviária intensificam até o fim do feriado de Ano Novo o combate à prostituição nas estradas de São Paulo, principalmente na Anhanguera e Bandeirantes. O Código Penal prevê prisão de seis meses a um ano de travesti ou prostituta que convidar motoristas para programas.</P>
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<DOC DOCID="cha-92285">
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Birmânia</P>
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Aung San Suu Kyi continua presa</P>
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Fernando Sousa</P>
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A líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, foi presa há cinco anos -- completam-se hoje. Face à lei birmanesa, a Prémio Nobel da Paz de 1991 devia ser restituída à liberdade. Mas os militares que ocupam há seis anos o poder em Rangun alegam que a lei que a prende só foi assinada há quatro anos, neste mesmo dia.</P>
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A menos que a junta militar de Rangun dê hoje um inesperado sinal de respeito pela legalidade que ela mesma instaurou, pela força, em 1988, a líder oposicionista Aung San Suu Kyi vai continuar detida contra a vontade da maioria dos birmaneses e do mundo.</P>
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Aung San Suu Kyi foi colocada em residência vigiada em 20 de Julho de 1989, no âmbito da sanha dos generais birmaneses contra o movimento nacional a favor da democracia. Mas nem a vitória do seu movimento, a Liga Nacional para a Democracia, nas eleições gerais de Maio 1990 (80 por cento dos votos) nem o Prémio Nobel da Paz que recebeu no ano seguinte demoveram o Conselho de Estado para a Restauração da Lei e da Ordem (SLORC, a junta que governa o país)</P>
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Acusada de cumplicidade com os rebeldes anti-governamentais (karen) por ter criticado o antigo ditador Ne Win, um dos ideólogos do falhado «socialismo birmanês», a filha de Aung San -- o general que deu, em 1948, a independência ao país (entretanto rebaptizado de Myanmar) -- foi detida em 20 de Julho de 1989 e não em 20 de Julho de 1990. Esta foi a data em que foi assinada a lei que legitima a sua prisão. Completam-se por isso, hoje, cinco anos efectivos de prisão domiciliária, e não quatro como quer Rangun.</P>
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O que os generais birmaneses -- que assaltaram o poder em Setembro de 1988 e nele se mantêm com a ajuda de armas chinesas, polacas, portuguesas e singapurianas -- desejariam hoje era libertá-la sem ter de pagar elevados custos internos ou perder a face perante a comunidade internacional que se tem desdobrado em campanhas pela sua libertação imediata e incondicional.</P>
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Foram várias as vezes que a junta tentou Aung com a liberdade em troca do exílio. O negócio teria inegáveis vantagens: derrogaria as esperanças do movimento democrático, neutralizaria a oposição, calaria as bocas do mundo. A prisioneira nem disse que não: respondeu que o faria desde que a deixassem ir a pé da Avenida da Universidade, onde tem a sua casa-prisão, até ao aeroporto, sabendo que os seus compatriotas não a deixariam sair. Os generais, claro, recearam que o passeio os arrastasse com ele, e recusaram.</P>
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Prova acabada de que está num beco sem saída, a junta autorizou o primeiro secretário do SLORC a dar, no dia 12, uma entrevista ao «New York Times», onde os militares mostram um conveniente rosto de humanidade: «Aung San Suu Kyi não é nossa inimiga», disse o general Khin Nyunt, também o «número dois» da hierarquia birmanesa. «Desejamos trabalhar ombro a ombro com os nossos opositores do passado», acrescentou.</P>
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Mas foi quando estabeleceu uma irritante familiaridade com a sua prisioneira que o porta-voz da junta mostrou, no fundo, todo o cinismo do poder birmanês: «De facto, ela é filha de um dos nossos generais. É mais nova do que eu e eu vejo-a como a uma irmã mais nova», disse.</P>
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O que o chefe dos serviços de informação -- o cargo que Nyunt efectivamente desempenha, e que faz dele o «homem forte» do naipe castrense -- pretendeu foi estabelecer uma ponte sentimental dirigida ao influente auditório do «Times». O regime militar deseja ardentemente restabelecer as boas relações com os Estados Unidos, que, pressionados eles próprios pela opinião pública internacional, condicionaram qualquer ajuda ao Myanmar ao respeito pelos direitos humanos. O Myanmar é o paradigma asiático de toda a espécie de atropelos aos direitos humanos.</P>
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A questão da eventual libertação, este mês, de Aung, foi suscitada, recorde-se, em Janeiro passado, quando faltavam seis meses para terminar o prazo de cinco anos de prisão efectiva, quando um jornal japonês, o «Yomiuri», entrevistou Khin Nyunt. Este disse então que a questão seria «tratada conforme a lei», o que levou as agências a embandeirarem em arco e a admitirem que os militares iriam considerar o tempo de prisão de um ano anterior à assinatura da lei. Mas não foi assim.</P>
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Em Fevereiro, contra o que foi sempre a regra, pois só recebia as visitas do marido, o britânico Michael Aris, e das duas filhas, Aung foi autorizada a encontrar-se com uma delegação de congressistas americanos chefiada por Bill Richardson, democrata do Novo México, a quem admitiu a hipótese de se encontrar com os militares, tendo o visitante mostrado a sua disponibilidade para mediar as negociações.</P>
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Cinco meses depois do encontro, parece ser esse o acontecimento que se aproxima: o diálogo em lugar da libertação. Mas nem a entrevista está marcada. Khin Nyunt anunciou-a para «o momento apropriado». Quanto muito será esse, hoje, o anúncio de Rangun, onde os generais entendem que falta um ano para terminar o prazo estipulado na lei que fizeram em 1990 à medida da sua incómoda prisioneira. Até lá, um dos mais famosos presos de consciência do mundo, Aung San Suu Kyi, cujas teses contra a violência a fazem discípula de Ghandi, só receberá a família e alguns livros fornecidos por uma sociedade americana, os poucos contactos que lhe permite este regime militar que traja à civil.</P>
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<DOC DOCID="cha-55494">
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Acontecimentos anteriores às eleições ainda agitam a África do Sul</P>
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Mandela a contas com a polícia</P>
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Jorge Heitor</P>
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E de repente a lua de mel chegou ao fim. Nelson Mandela já não é só, e apenas, o Presidente bem amado de quase todos os sul-africanos; mas também aquele que muitos se apressam a criticar, por haver confessado ter sido duro em vésperas das eleições do ano passado. Entretanto, a violência volta a crescer.</P>
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O chefe da polícia sul-africana, George Fivaz, anunciou ontem que pretende ouvir o Presidente Mandela, sobre o papel que este afirmou quinta-feira haver tido nos incidentes de 28 de Março do ano passado, durante os quais manifestantes do Inkatha foram mortos à porta da sede do ANC.</P>
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A tensão está a crescer na África do Sul, com dezenas de mortos durante o último fim de semana, e o jornal britânico «Guardian» atribuiu mesmo a um dirigente do Inkatha a afirmação de que o seu partido começará a matar milhares de pessoas se Nelson Mandela não for detido durante os próximos dias.</P>
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Os analistas políticos citados pela agência Reuter disseram que a confissão feita por Mandela, de que afirmara aos seguranças do ANC que poderiam disparar a matar se o edifício estivesse em vias de ser invadido pelos militantes da força adversária, prejudicou fortemente a sua imagem.</P>
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O Comissário Fivaz declarou pretender que o inquérito aos incidentes de Shell House, sede do ANC, termine em breve, mas que entretanto os políticos devem manter a calma, para que atitudes mais precipitadas não coloquem em perigo a segurança geral.</P>
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Há 15 meses</P>
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Há 15 meses ainda o Inkatha, de Mangosuthu Buthelezi, não queria ir às eleições gerais marcadas para Abril, alegando que não fora devidamente escutado durante o processo negocial preparatório da ida às urnas. Por isso, organizou uma grande manifestação no dia 28 de Março; e quando chegou junto às instalações do movimento dirigido por Nelson Mandela os acontecimentos precipitaram-se.</P>
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O homem que é hoje Presidente da República disse quinta-feira passada no Senado que os manifestantes já tinham causado mortos noutras zonas, pelo que pretendeu a todo o custo que eles entrassem no edifício do ANC, tendo dado ordens aos respectivos guardas para disparar, se necessário.</P>
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Como esses disparos vitimaram oito sequazes de Buthelezi, o chefe do Estado perdeu por agora a imagem de pacifista e de conciliador que desde há muito o rodeava, tendo surgido de diversas forças políticas pedidos para que se explicasse melhor; ou até mesmo para que encarasse a hipótese da renúncia.</P>
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No entanto, os analistas políticos da situação sul-africana não crêem que haja verdadeiramente uma profunda crise governamental nem que a posição do Presidente se encontre ameaçada, até porque não há de imediato uma alternativa credível, mesmo sem ele ser a pessoa imaculada que alguns desejariam.</P>
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Durante o último fim de semana 21 pessoas morreram em actos de violência na província do Kwazulu/Natal e 42 na região de Joanesburgo, podendo a situação tornar-se muito pior se este caso não for ultrapassado com rapidez e Mandela sobreviver pouco chamuscado, uma vez que só ele é considerado -- apesar de tudo -- capaz de manter a África do Sul relativamente unida e tranquila.</P>
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O Presidente que em Maio do ano passado sucedeu a Frederik de Klerk tem procurado dar um particular ênfase à reconciliação de todos aqueles que no passado se combatiam, mormente os que haviam defendido o apartheid e os que contra ele lutaram. E por isso a sua acção costuma ser considerada brilhante, muito em especial quando comparada com as de outros políticos africanos. Mas as luas de mel não duram sempre...</P>
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Sessão de emergência</P>
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Mandela convocou o Parlamento para uma sessão de emergência, amanhã, a fim de debater os trágicos episódios do 28 de Março de 1994, quando o Inkatha decidiu insistir uma vez mais na importância da monarquia zulu, cujo papel deseja ver inequivocamente reconhecido na nova África do Sul.</P>
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Se o debate parlamentar não for devidamente esclarecedor e se o inquérito policial não estiver pronto o mais depressa possível, lá se esmorecerão bastante as esperanças de um milagre sul-africano, que desse alento aos demais povos do continente, muitos deles a braços com problemas de pobreza e de má administração.</P>
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Por enquanto, o país não é muito diferente daquilo que Nelson Mandela encontrou em Maio do ano passado, quando tomou posse, à frente de um Governo de Unidade Nacional, de que surpreendentemente até faz parte o Inkatha, inimigo figadal do maioritário ANC. Mas existem planos para criar novos postos de trabalho e novas residências, com mais condições; planos esses que é claro só se poderão concretizar se houver tranquilidade.</P>
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A África do Sul está a viver numa espécie de limbo, entre as tristes memórias do passado e as esperanças nem sempre muito consistentes num futuro melhor. Ontem mesmo, quando regressavam de um desfile de protesto contra a violência tantas vezes patente na província do Kwazulu/Natal, governada pelo Inkatha, simpatizantes do ANC atiraram-se para o chão ao ouvirem disparos de uma arma automática [conforme se vê na foto acima]. É a incerteza que persiste, num povo traumatizado e ainda carente de uma mais completa reconciliação entre todas as suas componentes.</P>
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Legenda: Simpatizantes do ANC deitam-se por terra ao ouvirem tiros, ontem, em Umlazi, arredores de Durban</P>
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<DOC DOCID="cha-46329">
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Novo comandante na Zona Marítima dos Açores</P>
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O contra-almirante Gonçalves Cardoso substitui, desde ontem, Nobre Carvalho, um oficial do mesmo posto, no cargo de comandante da Zona Marítima dos Açores, passando a desempenhar também funções de chefe do Departamento Marítimo daquela região autónoma.</P>
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A Zona Marítima dos Açores, com sede em Ponta Delgada e serviços dispersos por várias ilhas, tem como principais missões no arquipélago a vigilância da Zona Económica Exclusiva (ZEE) e a salvaguarda da vida no mar. Com corvetas de lanchas de desembarque ao seu serviço, colabora, também, em acções de transporte entre as ilhas.</P>
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Na cerimónia de troca de comandos, realizada a bordo da corveta General Pereira D'Eça, atracada em Ponta Delgada, esteve presente o vice-almirante naval, Vieira Matias.</P>
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<DOC DOCID="cha-80116">
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Holanda em dique-suspense</P>
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Luís Pedro Nunes</P>
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Meio milhão de pessoas evacuadas, prejuízos de milhões, culturas perdidas... Nada disso é verdadeiramente importante. É que o pior, bem pior, pode estar a acontecer. Neste preciso momento. Há diques em risco de ceder. Há diques que estão a ceder. A Holanda é um país roubado ao mar. E a água parece estar a reclamar a terra de volta.</P>
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Parte da Europa do Norte respirava ontem de alívio. Estava a terminar a fase crítica das «cheias do século» que submergiram inúmeras cidades da França, Bélgica e Alemanha. Só que, na Holanda, a situação era de grande expectativa e pânico: o pior poderia estar ainda para acontecer. Hora a hora, aumentavam os receios de que pudessem ceder alguns dos diques. Os diques que protegem a Holanda resgatada às águas.</P>
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Os rios continuavam a subir e repetiam-se os apelos das autoridades holandesas para que milhares e milhares de pessoas se pusessem em fuga imediata. Há já um quarto de milhão de desalojados. Muitos ainda conservam a esperança de regressar às suas casas. Se os diques aguentarem.</P>
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Mais de dois terços da população holandesa vivem em zonas situadas abaixo do nível da água do mar, em áreas «roubadas» ao oceano e protegidas pela vasta rede de diques ao longo da costa e dos rios. As tremendas enxurradas que estão a chegar da Alemanha vizinha e que vêm desaguar na Holanda estão a provocar uma perigosa erosão nessas barreiras, pondo em perigo centenas de milhares de pessoas.</P>
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«Um dique é como um castelo de areia na praia... Vai-se desmoronando por baixo», explicou um especialista holandês. As fortes tempestades, combinadas com os degelos, explicam parte da catástrofe que tem atingido a Holanda esta semana. A ministra dos Transportes, Annemarie Jouristma, reconhece que os imponderáveis da natureza não explicam tudo. E aponta para a Alemanha e para todas as construções que diminuíram drasticamente a permeabilidade das margens do poderoso Reno. «Parte do problema é que o curso do Reno foi alterado pelos alemães», acusou.</P>
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Desde 1830 que o Reno tem vindo a ser «endireitado» e hoje tem menos 50 quilómetros de comprimento. As águas do degelo dos Alpes que correm de Basileia na Suíça, levam agora apenas 30 horas a chegar a Karlsruhe, no Sudoeste da Alemanha, metade do tempo que levava há um século.</P>
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Portanto, na Holanda, teme-se o pior. Os diques podem não aguentar. Ontem, mais duas cidades a leste de Roterdão foram mandadas evacuar com urgência máxima. «Os 6500 habitantes de Gorinchen-Este têm de abandonar a localidade até às seis horas da tarde ou a polícia tomará as acções devidas», ouvia-se na rádio. Outras 3500 de Boven-Hardinxfeld receberam as mesma instruções.</P>
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«Tudo tem que ver com a estabilidade dos diques. Se eles cederem, a água levará poucas horas a atingir um nível de quatro metros... Qualquer pequeno problema com um dique poderá ser um grande problema», disse o porta-voz da Província Sul da Holanda.</P>
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Há um caso tremendamente crítico. Um dos diques que protege Ochten (Centro) foi primeiramente dado como perdido, segundo algumas testemunhas citadas pela France-Presse. Mas centenas de militares ali colocados juntamente com as populações conseguiram controlar todas as fissuras descobertas nas fundações. Foi uma situação de grande desespero. E ainda é. A água está apenas a um metro de galgar o dique. Hora a hora, vai subindo e aumentando a pressão sobre a barreira. «A situação ainda é muito, muito crítica», disse o presidente da câmara, Henk Zomerdijk.</P>
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Um helicóptero munido de sofisticado equipamento de infra-vermelhos continuava a sobrevoar regularmente o dique de 200 metros de comprimento. Os mais de 4500 habitantes de Ochten foram obrigados a abandonar a povoação. Se o dique não resistir, outras 40 mil pessoas do pólder serão afectadas.</P>
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«Não temos alternativa... A decisão de mandar evacuar os locais só é tomada após os peritos declararem que não nos podem dar garantias de que os diques vão aguentar, o que é que podemos fazer?», dizem as autoridades holandesas. Roterdão, o maior porto do mundo e enorme centro financeiro, além de base de armazenamento de petróleo, não está, para já, em risco.</P>
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É enorme o êxodo no país. É necessário improvisar instalações para parte substancial dos 250 mil evacuados que não têm família nas zonas «secas» do país. Num desses centros de acolhimento, um ginásio, visitado pelo enviado a AFP, estão mais de 500 pessoas, muitas delas crianças, que trouxeram consigo uma verdadeira Arca de Noé.</P>
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O centro recebe pessoas de Nijmegen (Este da Holanda, onde 140 mil pessoas estão a ser obrigadas a abandonar os seus lares). Os organizadores começaram por recusar-se a receber animais domésticos, mas acabaram por ceder. Por todo o lado há cães, gatos, hamsteres e canários, animais muitas vezes com incompatibilidades naturais entre si. Jornais locais oferecem leitura para passar o tempo. Foram instalados vídeos, há animação circense e rígidos horários para duche dos homens e das mulheres e para refeições.</P>
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Mas o ambiente não é muito festivo. A maior parte das pessoas estão extremamente ansiosas, cansadas, assustadas ou irritadas com o facto (ou eventualidade) de terem perdido todo o recheio das suas casas. Na zona de Nijmegen, a situação é caótica, nomeadamente as estradas, que estão completamente bloqueadas com o êxodo. Depois, é necessário evacuar hospitais, lares de idosos e prisões. A cidade tinha que estar deserta até à meia-noite de ontem, por ordem oficial. A polícia cerca a área. «Estamos constantemente a mandar pessoas de volta... Umas esqueceram-se de desligar o gás, outras esqueceram-se do gato...»</P>
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Um repórter da Reuter foi apanhado no meio do gigantesco engarrafamento perto de Tiel, uma cidade medieval com 35 mil habitantes que está a ser evacuada. A única matéria jornalística que pode enviar é a descrição das bichas de trânsito com dezenas de quilómetros. «As pessoas estão calmas, mas as filas são de perder de vista... Os carros estão parados ou movem-se muito devagar... É incrível, porque há todo o tipo de veículos, caravanas, bicicletas, carroças cheias de plantas, tractores, camiões, autocarros...»</P>
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Junto ao dique principal de Tiel ainda se encontra muita gente, multidões armadas com as inevitáveis câmaras de vídeo, a gravar o desastre para a posteridade. «Água branca é `okay'! Mas se ela começa a vir castanha, lamacenta, isso é muito mau... Quer dizer que o dique se está a dissolver», dizia um dos «observadores». Actualmente, na Holanda, cada holandês é um perito em diques, ironizava outro jornalista da Reuter.</P>
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Há histórias perfeitamente absurdas. Perto da fronteira alemã foi detectado um bando de jovens munidos de picaretas que estava a tentar rebentar os diques. Foram presos, mas os tribunais estão inoperacionais. O telex escusou-se a dar qualquer explicação para o acto dos adolescentes.</P>
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Em Tiel (cem quilómetros a leste da Haia), a água domina. Dentro dos botes de borracha, vêem-se as copas das árvores, o cimo dos candeeiros de rua, os telhados. Os únicos estabelecimentos que funcionam são as farmácias, que estão a aviar receitas, nomeadamente a idosos, para pelo menos uma semana. Muitos habitantes de Tiel protestavam contra o facto de os bancos não terem criado serviços de urgência, deixando muitos de bolsos vazios. Ontem, ao cair da noite, o jornalista da France-Presse falava em «cidade fantasma».</P>
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Em Lobith, o local onde o Reno entra na Holanda vindo da Alemanha, a água desceu dos 16,66 metros para 16,61. O rio Maas iria continuar a subir até pelo menos hoje à tarde, aumentado o esforço dos diques.</P>
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Na Holanda morreu ontem a primeira vítima das cheias, uma mulher que caiu numa corrente de um rio. O mau tempo fez, em menos de uma semana, 26 mortos na Europa do Norte. As autoridades holandesas estimam que os custos das cheias deverão situar-se entre 1,2 mil milhões e 1,7 mil milhões de dólares (entre 186 e 263 milhões de contos). Isto se os diques aguentarem.</P>
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Em risco estão também as famosas tulipas holandesas. Alguns dos maiores produtores foram obrigados a abandonar as suas quintas. Há aliás neste momento mais de 20 milhões de frágeis túlipas que não têm quem cuide delas. «As túlipas não são como o gado, que se pode levar para outro local... Se os diques cederem, o preço da túlipa vai disparar», disse um produtor.</P>
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Na França -- onde a situação parece estar a normalizar-se -- também se fazem contas aos estragos. As companhias de seguros calculam que só a sua factura irá rondar os 570 milhões de dólares. O Executivo alemão disponibilizou o equivalente a 20 milhões de dólares para empréstimos a baixos juros aos afectados pelas cheias. O Governo belga já libertou 57 milhões de dólares para um fundo de emergência.</P>
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Quase todos os rios da Holanda e da Alemanha vão ficar encerrados ao tráfego fluvial pelo menos uma semana. Esta proibição «aprisionou» 85 por cento da frota petrolífera e de cargueiros de toda a Europa. Para já, não há motivo para alarme.</P>
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Em França, nomeadamente na zona da Bretanha, os níveis dos rios estavam a baixar, embora mais de 250 mil pessoas continuassem sem electricidade. Na Bélgica, as estradas começavam a ser reabertas. As previsões meteorológicas alertavam para o perigo do optimismo excessivo. Na cidade alemã de Colónia -- uma das mais afectadas de toda a Europa --, as águas do Reno estavam a descer hora a hora, regressando ao seu leito.</P>
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Noutros pontos da Europa, a crise parece estar agora a começar. A Autoridade Nacional dos Rios da Inglaterra decretou o alerta máximo para 17 rios do país. Dezenas de famílias foram forçadas a abandonar as suas casas. Há já inundações preocupantes no Norte do país e o exército foi chamado a intervir em algumas das zonas afectadas.</P>
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Na Irlanda, as chuvas torrenciais não param e milhares de hectares de terras estão completamente inundados. As culturas perderam-se. Subsídios são reclamados pelos agricultores.</P>
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Uma forte tempestade de neve atingiu a Dinamarca e a Suécia, paralisando o tráfego aéreo doméstico. Ao largo de Gotemburgo, um petroleiro está em situação difícil, tendo sido detectada uma «pequena fuga de `crude'». Nada de especial, pelos vistos, no meio do dilúvio.</P>
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<DOC DOCID="cha-13143">
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COSMÉTICA NA BIRMÂNIA -- A junta militar birmanesa retirou a guarda militar postada em frente da casa, em Rangun, de Aung Sann Suu Kyi, dirigente da oposição e Prémio Nobel da Paz de 1991, colocada em residência vigiada desde Julho de 1989, disseram fontes diplomáticas em Bangkok, capital da vizinha Tailândia. É a primeira vez, segundo observadores citados pela AFP, que o Conselho de Estado para o Restabelecimento da Lei e da Ordem, o nome oficial da junta birmanesa, toma uma tal medida, desde que Aung Sann Suu Kyi, 49 anos, passou a ser guardada à vista. Só o seu marido, o professor universitário britânico Michael Aris, e os seus dois filhos, a puderam visitar nos últimos cinco anos, ainda assim raras vezes. Nenhuma explicação oficial tinha sido adiantada até ontem pelas autoridades militares sobre a retirada da guarda armada, admitindo que se trate de um expediente cosmético para não ferir a susceptibilidade dos turistas que visitam o país, em número cada vez maior, e que em Rangun se aventuram a fotografar a casa onde a dirigente se encontra detida.</P>
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<DOC DOCID="cha-82306">
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Antigo presidente zambiano Kenneth Kaunda em entrevista ao PÚBLICO</P>
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Angola precisa de um governo de unidade nacional</P>
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Do nosso enviado</P>
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Jorge Heitor, em Joanesburgo</P>
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Um dos líderes históricos das primeiras décadas da África independente, o zambiano Kenneth Kaunda, que esteve no poder de 1964 a 1991, disse ontem ao PÚBLICO, em Joanesburgo, que o presidente Mandela vai decerto dar um importante contributo para que se consiga a paz em Angola. Tal como também anteviu um mercado económico de 300 milhões de habitantes, da Somália ao Cabo, tendo a África do Sul como motor.</P>
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O antigo presidente Kaunda crê que a tomada de posse de Nelson Mandela como chefe de Estado da África do Sul, à frente de um governo de unidade nacional, vai ajudar não só a resolver os problemas de Angola e de Moçambique, como também a criar um enorme espaço económico desde o Corno de África ao cabo da Boa Esperança, com os sul-africanos no comando.</P>
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PÚBLICO -- Como vai o «velho leão» da África Austral?</P>
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KENNETH KAUNDA -- Vai bem, apesar dos seus 70 anos. Deixei a política. Dirijo a Fundação Kaunda, de que um dos ramos é o Instituto Kenneth Kaunda para a Paz e a Democracia.</P>
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P. -- Como está agora a Zâmbia, três anos depois de haver sido derrotado nas urnas por Frank Chiluba?</P>
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R. -- Gostaria de dizer que está bem, mas não está. Os países doadores disseram ao Presidente que tem de se livrar dos bares da droga e dos ministros corruptos.</P>
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P. -- Teria havido, para alguns zambianos, uma certa desilusão, após o triunfo do multipartidarismo?</P>
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R. -- Creio que sim. Milhares de pessoas perderam o emprego, os agricultores não recebem a tempo o pagamento dos seus produtos, a má nutrição das crianças mais do que duplicou, o índice de criminalidade subiu imenso.</P>
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P. -- O seu partido, o velho UNIP (Partido Unificado da Independência Nacional), terá alguma hipótese de voltar ao poder nas eleições de 1996?</P>
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R. -- Depende da maneira como se conseguir organizar. Tem uma hipótese, mas há que trabalhar no duro.</P>
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O milagre sul-africano</P>
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P. -- Falando agora da África do Sul, como vê os resultados das eleições?</P>
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R. -- É um milagre. Nada menos do que um milagre. Depois de tanto sangue, depois de se andarem a matar uns aos outros, conseguiu-se efectuar eleições relativamente livres e justas. Peço a Deus que a paz e a estabilidade tenham vindo para ficar, pois isso será muito importante para a África oriental, central e austral. Temos a Zona de Comércio Preferencial (PTA) e a Conferência para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), dois blocos que no seu conjunto vêem desde a Somália e da Etiópia até ao Zaire e a Moçambique.</P>
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P. -- Está desde já a admitir um grande bloco económico desde o Corno de África até ao cabo da Boa Esperança?</P>
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R. -- A África do Sul é a âncora para o desenvolvimento de todo o território que começa na Somália e vem por aí abaixo. Quando a PTA e a SADC se juntarem, teremos um mercado de 300 milhões de pessoas, em que será possível desenvolver alguma da electricidade mais barata do Mundo. Com a África do Sul livre e estável, teremos uma base para o desenvolvimento de vastas regiões.</P>
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P. -- Acha que a nova situação na África do Sul também irá influenciar os desenvolvimentos políticos em Angola e Moçambique?</P>
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R. -- Sem qualquer dúvida. Creio que o Governo de unidade nacional será ouvido pelas duas partes do conflito angolano. O exemplo sul-africano não poderá deixar de ser seguido em Angola. E em Moçambique já está a ser.</P>
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P. -- Quem lhe parece mais razoável, o Governo angolano ou Savimbi?</P>
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R. -- Pedimos ao nosso colega e irmão dr. Savimbi que ajude a formar um governo de unidade nacional. É muito importante que isto aconteça, que trabalhem juntos. Não odiamos nenhum deles. Angola é potencialmente um dos países mais ricos nesta parte do Mundo. E creio que o presidente Mandela vai dar uma ajuda nesta questão.</P>
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P. -- Como comenta tantos problemas que tem havido na África independente?</P>
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R. -- Nenhum continente sofreu semelhantes condições de esclavagismo. E, depois disso, veio a Conferência de Berlim, de 1884 a 1985, que destruiu as infra-estruturas africanas. Dividiu os lundas por Angola, Zaire e Zâmbia, deixando eles de funcionar em conjunto como nação; os angonis pela Tanzânia, Malawi, Zâmbia e Moçambique; e assim por diante. Os britânicos não nos ensinaram democracia na Zâmbia, tal como os portugueses não ensinaram democracia em Angola, nem os belgas no Zaire, no Ruanda e no Burundi. Até mesmo os negros norte-americanos, que se tornaram independentes na Libéria, se comportaram, infelizmente, como colonialistas. Depois veio o conflito entre o Leste e o Ocidente. Quando eu ia a Moscovo, o Ocidente dizia que estava feito com os comunistas; quando ia a Washington, o Leste considerava-me ao serviço do capitalismo. Necessitamos de ajuda, sim, mas também de uma melhor ordem económica. A Bíblia e o Corão dizem que não se deve cobrar juros.</P>
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Nós, os corruptos</P>
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P. -- Diz então que há muita coisa junta contra a África.</P>
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R. -- Sim, há o proteccionismo do mundo ocidental e tudo o mais. Mas muitos de nós também somos muito corruptos.</P>
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P. -- Costuma-se dar como exemplo mais acabado o marechal Mobutu.</P>
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R. -- Não sei! (risos)</P>
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P. -- Julga que se poderá voltar atrás e recriar os reinos africanos de outrora, anteriores à Conferência de Berlim?</P>
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R. -- Seria um jogo muito perigoso, seria talvez pior a emenda do que o soneto. O que é preciso é unir a África e conseguir o desenvolvimento económico, mas, depois disso, as fronteiras poderão vir a ser redesenhados e novos Estados criados, por meio de negociações -- nunca pela força.</P>
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<DOC DOCID="cha-83980">
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Habitação na AML</P>
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Autarcas dizem que PER não basta</P>
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O Plano Especial de Realojamento (PER) é insuficiente para solucionar os problemas habitacionais da Área Metropolitana de Lisboa. A conclusão, subscrita por autarcas como o comunista Daniel Branco e o social-democrata Isaltino Morais, é um dos resultados do primeiro encontro sobre habitação promovido sábado em Oeiras por aquela entidade.</P>
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Daniel Branco, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira e da Junta Metropolitana, pensa que o PER é insuficiente e que é urgente promover uma solução para integrar as famílias de fracos recursos. O autarca, citado pela agência Lusa, disse que «não adianta tirar as famílias de barracas e pô-las em edifícios altos» sem uma política de integração, uma vez que, dessa forma, os conflitos sociais apenas serão deslocados.</P>
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Isaltino Morais, autarca anfitrião do encontro, disse que o PER, sendo um programa de erradicação de barracas «integrado», é melhor do que os programas anteriores, mas «não é suficiente» para suprir as carências habitacionais das áreas metropolitanas existentes: Lisboa e Porto.</P>
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A preocupação de que o PER crie «ghettos» foi acentuada pelo presidente da direcção da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica, Guilherme Vilaverde. Em seu entender, a habitação social que aquele programa prevê exclui socialmente os seus residentes.</P>
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Com o objectivo de pensar as melhores formas de aplicação do PER na Área Metropolitana de Lisboa, coordenando «opções políticas e soluções técnicas», Daniel Branco defendeu a realização regular de encontros deste tipo. Desta vez estiveram em discussão quatro temas: instrumentos para a promoção integrada de habitação, implicações práticas do PER, aspectos sociais da promoção de habitação e o enquadramento urbanístico dos programas habitacionais.</P>
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No encontro participaram centena e meia de técnicos das 18 autarquias da área metropolitana, diversos presidentes de câmaras municipais e representantes do IGAPHE (Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado). Daniel Branco lamentou a ausência do ministro das Obras Públicas, Ferreira do Amaral, cuja participação no encontro chegou a estar prevista.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cver"> 
<P>Uma nação de pedintes</P>
 <P> O PRESIDENTE Sarkozy abriu a Conferência de Dadores realizada em Paris com uma frase grandiloquente sobre a necessidade urgente de criar um Estado palestiniano no fim de 2008. O Presidente ou é mentiroso ou finge-se ignorante, ou as duas coisas. Depois do falhanço esperado da cimeira de Annapolis, um modo de Condoleezza Rice salvar a face e de a Administração americana e a Europa continuarem a fingir que estão interessadas em resolver o conflito israelo-palestiniano e de lavarem as mãos de tudo o resto, Sarkozy não pode ignorar que o momento para pronunciamentos débeis é o menos adequado. Tony Blair, depois de ter minado todo o processo de paz do Médio Oriente ao ordenar a invasão do Iraque de braço dado com Bush, continua a emitir piedades deste género, e diz que está na altura de resolver o problema e que ele pode ser resolvido. Blair não sabe o que diz. </P>
 <P> A verdade é que não pode ser resolvido, já não pode, e não pode justamente nesta fase, quando os palestinianos têm não um mas dois governos e dois territórios, um ocupado pelos israelitas, a Cisjordânia, outro abandonado pelos israelitas e bombardeado pelos israelitas, Gaza. Anos e anos de destruição compulsiva de interlocutores, alguns moderados, e de opressão, fizeram do povo palestiniano uma nação de pedintes. Gaza subvive das esmolas iranianas, sauditas e dos Emiratos, e a Cisjordânia subvive de doações da Europa, da América, de Estados árabes e das Nações Unidas. Nenhuma nação palestiniana pode aspirar a ser um Estado palestiniano, e um país viável, sem unidade do território e do povo, e sem soberania sobre esse povo e esse território. No terreno, temos a pior situação de sempre. O Hamas a mandar em Gaza, e a OLP a fingir que manda na Cisjordânia. Sarkozy, e Blair, e os europeus, sendo a Europa o maior dador de dinheiro para os palestinianos e já vamos ver porquê, não podem desconhecer que nem Mahmoud Abbas é um chefe com apoio popular na Cisjordânia nem a OLP, dominada pela Fatah, tem apoio popular em Gaza. Se realizassem eleições na Cisjordânia, Abbas e um grupo de agentes corruptos disfarçados de "moderados" não as ganhariam, e não as ganhariam nas cidades onde o Hamas ganhou. Abbas pode fingir mandar em Ramallah e na clientela privilegiada de uma organização que não soube constituir-se como fonte legítima do poder palestiniano, não pode fingir que é considerado em Jenin e Hebron, em Nablus e Tulkarem, em Jericó e Jerusalém Oriental. Abbas, arrastando-se aos pés dos chefes europeus a mendigar uns milhares de milhões de dólares enquanto insulta o Hamas e aceita que os palestinianos de Gaza sejam colectivamente punidos pelo embargo israelita e pela recusa americana e europeia de incluir o Hamas no processo de paz é visto como uma marioneta do Ocidente e um traidor. Os israelitas sabem isto melhor do que ninguém porque são os que melhor conhecem a quimera do road map. Israel, sabendo que não pode devolver a Cisjordânia, desmantelar os colonatos, prescindir da Ocupação sem comprometer a sua segurança, dividir Jerusalém ou ceder a pretensões sobre o regresso de milhões de refugiados (que nunca poderão regressar), está interessado em manter as ficções americanas e europeias e administrar a Ocupação e a relação de forças, como a sua supremacia militar assegura. O Hamas está interessado, simetricamente, em administrar a resistência. Israel só seria obrigado a ceder se os Estados Unidos deixassem de apoiar e de vender milhares de milhões de dólares de armas aos israelitas, e Israel sabe que isso nunca acontecerá, por razões da política interna americana e da força do lobby judeu. Nenhum candidato democrata, nem mesmo o utópico Obama, ousariam modificar este estado de coisas. </P>
 <P> A posição da Europa, dando milhares de milhões que a dispensem de contribuir para uma resolução política, é a mais contraproducente. A Europa prefere pagar para não ser incomodada, e prefere transformar, como transformou, os palestinianos numa nação de pedintes. A velha e cínica Europa, origem de todo este problema, a assassina Europa como lhe chama o escritor israelita Amos Oz, sabe que não pode contrariar os Estados Unidos e não quer contrariar os israelitas por má consciência. Sabe também que os palestinianos são um povo espoliado, banido, revoltado e oprimido, e que parte da responsabilidade histórica dessa opressão lhe pertence. Como contribui para o problema sem contribuir para a solução, a Europa adoptou um discurso de duplicidades e subentendidos, de fraquezas e recuos, de que o senhor Javier Solanas é o exemplo acabado. A rematar o discurso, a Europa passa cheques. Os palestinianos habituaram-se a explorar esta fraqueza a seu favor e transformaram a sua reivindicação numa vitimização que lhes dá direito, de tanto em tanto tempo, a uma compensação monetária. Muitos milhões acabam, como no tempo de Arafat, em contas secretas e nos bolsos de uma oligarquia. Tanto dinheiro não chega para comprar os palestinianos que não estão à venda. Os palestinianos vêem o Muro entrar-lhes pelas vidas dentro, vêem a sua destituição transformada em humilhação, e votam Hamas ou Jihad Islâmica. Em Gaza, as crianças querem ser mártires. E sem Gaza, não haverá Palestina. </P>
 <P> Clara Ferreira Alves </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-37008">
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Mandela reconheceu ter sido mal aconselhado quanto a Winnie</P>
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Perigosos sinais do futuro</P>
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Jorge Heitor</P>
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O rocambolesco episódio da recondução de Winnie no lugar de que fora afastada já não é o primeiro passo em falso do Presidente Nelson Mandela, que tem 76 anos e passou mais de um terço da sua vida isolado da prática política quotidiana. Perigosos sinais para um fim de século que muitos sul-africanos gostariam que fossem de maior tranquilidade.</P>
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Nelson Mandela voltou ontem a casa, depois de uma viagem aos países do Golfo Pérsico-Arábico, e teve a dolorosa tarefa de explicar aos seus concidadãos que a credibilidade do Governo de Unidade Nacional de que a África do Sul foi dotada há quase um ano em nada teria sido afectada pelo complexo episódio do despedimento e readmissão da vice-ministra das Artes e da Cultura, Winnie.</P>
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Essa não é porém a análise feita pelo Partido Nacional, do segundo vice-presidente, Frederik de Klerk, nem por alguns analistas políticos, segundo os quais não fica muito bem visto um Governo que decide afastar um dos seus membros e que depois o readmite, por não haver actuado dentro de toda a legalidade constitucional.</P>
<P>
Resta agora ver se o Presidente da República volta ou não a demitir Winnie Mandela, depois de cumpridos todos os requisitos legais; mas, entretanto, esta história veio lembrar que o Chefe de Estado não é um homem perfeito, apesar de toda a auréola conseguida ao longo dos anos.</P>
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«Atravessaremos essa ponte quando lá chegarmos», disse ontem Mandela durante uma escala em Nairobi, no Quénia, quando lhe colocaram o problema de vir ou não a afastar de novo do Governo a mulher que já antes tivera de afastar de sua casa, devido a comportamentos algo controversos.</P>
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O desaire presidencial</P>
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«Penso que tenho muito bons conselheiros, excepto neste caso», acrescentou o idoso político, que segundo a agência Reuter sofreu um humilhante desaire quando esta semana foi obrigado a reconhecer que nem tudo tinha sido feito da forma mais adequada na altura em que, o mês passado, se revelou aconselhável substituir a vice-ministra das Artes, da Cultura, da Ciência e da Tecnologia.</P>
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Fonte governamental citada pela mesma agência dizia que Nelson Mandela poderia voltar a afastar Winnie ainda ontem à noite ou hoje, depois de conferenciar com os vice-presidentes Thabo Mbeki e De Klerk e com o ministro do Interior, Mangosuthu Buthelezi. Foi a não consulta a este, aliás, que invalidou a decisão do dia 27 de Março, tomada em relação a uma vice-ministra que andava a criticar publicamente algumas das medidas do Governo de que era parte.</P>
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Antes deste caso, porém, o chefe de Estado da África do Sul já dera outros passos em falso, como o de aceder prontamente à proposta do líder da Frente da Liberdade, general Constant Viljoen, para designar o seu amigo Tom Langley embaixador em Lisboa, o que aparentemente foi muito mal recebido pelo Governo português.</P>
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Como não teve o cuidado prévio de auscultar a receptividade que esse pedido de agrément poderia encontrar, Mandela está ainda hoje -- passados já dois meses e meio -- à espera de uma resposta formal do Palácio das Necessidades, que diplomaticamente prefere manter silêncio a comunicar de forma clara a Pretória que deverá avançar com um nome de alternativa.</P>
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Ao transigir com a sugestão do general boer Viljoen, antigo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, o Presidente mais não fez do que ser fiel ao seu desejo de reconciliação entre todos os sul-africanos, mantendo grande parte dos fazendeiros afrikaners ao abrigo de quaisquer tentações aventureiristas. Mas esqueceu-se de que dentro da própria carreira já haveria possivelmente algum diplomata a pensar em Portugal e que neste país poderia não cair bem o facto de ser «contemplado» com alguém que ainda há pouco mais de um ano se posicionava à direita do Partido Nacional, sendo um dos que não queriam as eleições em pleno pé de igualdade entre brancos e negros.</P>
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Não basta ser bom</P>
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O líder do ANC terá de aprender à sua própria custa que não lhe basta ser uma boa pessoa e agradar a toda a gente, pois que a condução de uma potência é bem mais do que isso e obriga a um quase impossível equilíbrio entre os interesses mais contraditórios, sem nunca deixar de respeitar as promessas nem os preceitos institucionais.</P>
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Outra das botas que tem agora de descalçar é a de, há um ano, para convencer o partido Inkatha, de Buthelezi, a ir às urnas, lhe haver prometido que se poderia recorrer a mediação internacional -- designadamente do norte-americano Henry Kissinger e do britânico Lord Carrington -- para definir o grau de autonomia das diferentes províncias da África do Sul e o estatuto constitucional do rei dos zulus.</P>
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Bem podem agora o ANC e o Partido Nacional, que entre si totalizam mais de 84 por cento dos votos expressos nas primeiras eleições livres, alegar que há a hipótese de o assunto ser resolvido entre os sul-africanos, no âmbito da Assembleia Constituinte. Por mais que lhe digam, o nobre Buthelezi, tio do rei Goodwill Zwelithini, insiste sempre na promessa de mediação internacional, como se essa fosse a chave mágica para a província do Kwazulu/Natal, a única onde o Inkatha é maioritário, vir a ser dotada da mais vasta autonomia.</P>
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Dossiers como os de Winnie Mandela, de Tom Langley e da eventual mediação externa quanto ao futuro articulado da Constituição sul-africana são alguns dos sinais dos grandes perigos que se desenham no horizonte, após este primeiro ano de relativa lua de mel entre o Governo de Unidade Nacional e a maioria esmagadora da população.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-77767">
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979 fogos para Câmara de Vila Franca</P>
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IGAPHE já entregou 20 milhões às autarquias</P>
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O Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE) já transferiu para as câmaras municipais das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto cerca de dez mil fogos -- 70 por cento do total --, avaliados em perto de 20 milhões de contos, segundo revelou, quarta-feira à tarde, em Vila Franca de Xira, o presidente daquele organismo.</P>
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Carlos Botelho, que assinava o protocolo de promessa de transferência para a câmara de Vila Franca dos 979 fogos que o IGAPHE possui no concelho, observou que dos 361 bairros do Instituto espalhados pelo país apenas dois são considerados «muito maus»: o de Olival de Fora, na freguesia de Vialonga, e um outro em Peso da Régua.</P>
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«Não tem sido hábito investirmos na recuperação de bairros antes de os transferirmos para as respectivas câmaras municipais, mas pareceu-nos que, atendendo à especificidade de Olival de Fora, que é uma situação muito difícil, não deveríamos pedir à câmara para aceitar este bairro sem que durante algum tempo trabalhássemos em conjunto e realizássemos obras», explicou o presidente do IGAPHE.</P>
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Assim, está prevista para Novembro a escritura formal da transferência para a edilidade de 571 fogos. Os restantes 408, incluídos no Bairro de Olival de Fora, beneficiarão de um período transitório, que poderá ir até dois anos, destinados à sua reabilitação socioeconómica. «Já começámos a trabalhar nesse sentido», disse Botelho. «Resolvemos a questão dos pagamentos à EDP, estamos em vias de resolver o problema dos elevadores e vamos investir na conservação do bairro».</P>
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O presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Daniel Branco, anunciou, por seu lado, que os fogos recebidos do IGAPHE que estejam ou venham a ficar vagos, no âmbito de acções judiciais contra ocupantes ilegais, serão usados no realojamento de famílias abrangidas pelo programa de erradicação de barracas.</P>
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Relativamente ao Olival de Fora, também conhecido por Bairro da Icesa, para além da intervenção do Estado, a Câmara vai candidatar-se a um programa comunitário de reabilitação urbana de áreas degradadas. O município espera assim apoiar a construção de infra-estruturas físicas e ambientais e de equipamentos sociais e iniciativas de formação profissional.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-11954">
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Da Agência Folha, em Natal</P>
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As turistas italianas devem alterar os costumes de Natal (RN) neste verão. Em pequenos grupos, elas já estão dando uma mostra do que poderá vir a ser esta temporada de verão em termos de topless. Nas praias da Via Costeira, onde estão os hotéis mais luxuosos de Natal, as turistas italianas tiram a parte de cima do biquini para aproveitar ainda mais o sol.</P>
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A Emproturn (Empresa de Promoção e Desenvolvimento do Turismo do Rio Grande do Sul) prevê que neste verão (dezembro a março) cerca de 250 mil turistas visitarão Natal, 40% estrangeiros, principalmente argentinos e italianos. O presidente da Emproturn e também secretário da Indústria, Comércio e Turismo, Mário Barreto, 42, calcula que esse contingente de turistas vai deixar no Estado cerca de US$ 30 milhões.</P>
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No período de segunda-feira a domingo, 17 vôos extras chegam a Natal. São vôos de São Paulo, Buenos Aires e Milão. A Varig, esta semana, além de seu vôo normal de quinta-feira, teve um vôo extra, um DC-10, para Natal na última quarta-feira. Dois transatlânticos também passaram por Natal nesta semana.</P>
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Na terça-feira, um grupo de 350 turistas alemães desembarcou do navio Odessa, de bandeira ucraniana. Na sexta-feira, o navio Funchal trouxe 420 turistas, entre brasileiros e estrangeiros. Este navio deve voltar outras três vezes a Natal durante o verão. Além das empresas aéreas tradicionais, a TAM, a Rio-Sul e Air Vias estão operando vôos charters.</P>
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A rede hoteleira, que oferece 15 mil leitos, incluindo as pousadas, já está com a maioria das vagas ocupadas até fevereiro. Segundo pesquisa da Emproturn realizada em janeiro de 93, 43% dos turistas que visitam a cidade se hospedam em casas de parentes e amigos ou em imóveis alugados para temporada. Um apartamento ou casa de seis quartos custa em média US$ 1,3 mil por mês.</P>
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O presidente da Emproturn disse que o governo estadual investiu no ano passado mais de US$ 1 milhão no setor de turismo. (Paulo Francisco)</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-80612">
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Força de paz para o Nagorno-Karabakh</P>
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Os 53 estados membros da CSCE (Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa) adoptaram ontem na cimeira de Budapeste um documento prevendo o envio de uma força internacional de manutenção de paz para o Nagorno-Karabakh.</P>
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A Rússia, depois de uma oposição de meses ao envio de tropas sob a égide da CSCE para a região que considera fazer parte do seu «estrangeiro próximo», votou favoravelmente. Mas, nos termos do acordo, a Rússia e a Suécia têm agora o estatuto de co-presidentes do grupo de Minsk da CSCE, criado em 1992 para ficar encarregado do estabelecimento da paz neste enclave do Azerbaijão de maioria arménia. Os arménios controlam quase todo o território depois de sete anos de guerra que fizeram 20 mil mortos e milhares de refugiados.</P>
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O acordo foi apresentado como um teste à capacidade da CSCE para controlar conflitos regionais. O documento apela a que se iniciem «rapidamente negociações com vista à conclusão de um acordo político» entre as duas partes em conflito, e exige à presidência da CSCE que defina a curto prazo o plano com a composição da força e as operações de manutenção da paz.</P>
<P>
A Rússia vinha a pressionar para ter o maior contingente na força de paz, de forma a assumir o controlo da operação. Mas um diplomata disse que ficou acordado que nenhum país estará representado em mais de 30 por cento do total dos militares que irão para o Nagorno-Karabakh. A força será compopsta por 3.000 homens e custará 40 milhões de dólares no primeiro semestre.</P>
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Uma das suas principais missões será garantir o cumprimento do cessar-fogo em vigor, e que o Presidente da Arménia -- país que rejeitou sempre um envolvimento directo nesta guerra -- Levon Ter-Petrossian disse ter sido violado recentemente pelos azeris.</P>
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Declarações que foram recebidas com «grande surpresa» pelo chefe de Estado do Azerbaijão, Gueidar Aliev. «Aviso o Presidente da Arménia para não tentar fazer ruir este processo de paz sob a égide da CSCE», disse Aliev referindo-se às contradições do discurso de Ter-Petrossian em Budapeste. Pouco antes, este tinha dito que estavam finalmente reunidas as condições para pôr em marcha um processo de paz.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-78733"> 
<P>Cavalo-marinho Boi PIntado, o dia de Reis e a Lei Rouanet, Recife, PE · 05/1</P>
 <P> Rosa Campello · Recife (PE) · 31/12/2007 11:18 · 137 votos </P>
 <P> Celebração ao Dia de Reis, evento que acontece sempre dia 06 de janeiro, estaremos antecipando-o um pouco, para o dia 05 de janeiro de 2008, e com motivos de sobra para comemorá-lo: Mestre Grimário acaba de receber incentivo para finalizar seu CD CAVALO-MARINHO BOI PINTADO, o qual tem a participação especial das crianças do Ponto de Cultura do MOVIMENTO PRÓ-CRIANÇA através da Lei Rouanet !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! </P>
 <P> A Empresa socialmente responsável, é a STN - SISTEMA DE TRANSMISSÃO DO NORDESTE. </P>
 <P> " CAVALO-MARINHO, Uma Dança Dramática Brasileira: </P>
 <P> Cavalo-marinho, uma tradição folclórica do ciclo de Natal, é a versão pernambucana do Bumba-meu-Boi. Encontrado em toda parte do Brasil, o Bumba-meu-boi é uma dança dramática que tem como elemento principal a morte e ressurreição do boi mágico. </P>
 <P> Uma apresentação de cavalo-marinho abrange música vocal, dança, cenas dramáticas, ação, poesia improvisada, música instrumental, máscaras e fantasias. No interior, para o norte do Recife, apresenta-se durante a safra da cana-de-açúcar(agosto a janeiro). </P>
 <P> O enredo do Cavalo-marinho concentra-se em torno do Capitão, um proprietário rural que tinha deixado suas terras sob o controle de Mateus e Sebastião, dois vaqueiros. O Capitão deseja celebrar a volta dele às suas terras, mas, os vaqueiros não deixam. O Capitão manda um Soldado tirar a licença à força, e ele consegue, após muita confusão cômica e pancadas altas, mas, sem dor, das bexigas de boi que o Mateus e o Sebastião usam como armas e instrumentos musicais. Agora é a vez do Mestre Ambrósio, que imita todas as personagens do folguedo, que continua com uma longa seqüência de danças pelo Capitão e seus Galantes, uma guarda de honra. Entre elas, são danças em homenagem aos Reis Magos, que compartilha temas musicais com as devoções de Reis no Portugal, e uma para São Gonçalo de Amarante. </P>
 <P> Entram, em seguida, dezenas de personagens, cada uma das quais faz parte do mundo do engenho-de-açúcar. Entre elas, há personagens realísticas, como o Valentão, o Cangaceiro e o Vaqueiro - que fala na poesia do Sertão, e imaginárias- como o Caboclo de Urubá. A apresentação termina com a entrada, dança, morte e ressurreição do Boi. O acompanhamento musical fica por conta do banco, um grupo de músicos que tocam Rabeca, Pandeiro, Bage (Reco-reco) e Mineiro (Ganzá). Os Percussionistas e, às vezes, o Rabequeiro também cantam. Entre seqüências, se ouve toadas do vasto repertório, versos improvisados e música instrumental para dança. </P>
 <P> Durante os anos 90, o interesse no Cavalo-marinho por parte do público da região metropolitana do Recife tem crescido muito, como parte de um ressurgimento de interesse na cultura popular em geral. Jovens visitam o interior para assistir a apresentações e para entrar no Mergulhão - a dança de abertura do Cavalo-marinho, e existem diversos projetos de pesquisa e documentação". </P>
 <P> Texto: John Murphy, Ph.D., Etnomusicólogo e professor de música na Western Illinois University (até 2001) e a University of North Texas (à partir de Agosto de 2001). </P>
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<DOC DOCID="cha-54533">
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PALOP -- o difícil caminho para a democracia</P>
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Nuno Teotónio Pereira</P>
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O hediondo assassinato do jornalista Ricardo Melo, ocorrido recentemente em Luanda, veio demonstrar como é difícil a consolidação da democracia em alguns dos países africanos de expressão portuguesa. Esse clima tem paralelo no assassinato do dr. David Bernardino, acontecido no Huambo logo a seguir às eleições, quando a UNITA ainda não tinha tomado pela força o controlo completo da cidade, mas os seus grupos armados espalhavam a insegurança e a instabilidade.</P>
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Atribui-se a morte de Ricardo Melo às suas actividades como jornalista independente, ousando denunciar alguns casos da corrupção existente em Angola, e ela insere-se, o que é comprometedor para os governantes, numa série de ameaças e agressões contra jornalistas independentes que trabalham em Luanda.</P>
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Do mesmo modo, o assassinato do dr. David Bernardino, prestigiado médico, figura conhecida e admirada no Huambo pela sua dedicação às populações e também ele director de um jornal independente -- «O Jango» --, inseriu-se em acusações contra aqueles que teriam porventura influenciado a votação contra a UNITA e foi acompanhado por outros crimes de morte.</P>
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Depois de períodos de grande instabilidade e mesmo de guerras civis em Angola e Moçambique, provocadas sobretudo por causas externas, eleições pluripartidárias, consideradas livres e justas pela comunidade internacional, vieram inaugurar regimes democráticos naqueles dois países e na Guiné-Bissau. E é interessante verificar que nestes três Estados, aqueles onde se desenrolaram prolongadas lutas armadas contra o colonialismo, foram exactamente os movimentos de libertação os vencedores dessas eleições, por vezes contra algumas expectativas. É que as populações, que acorreram às urnas de forma exemplar, provavelmente não terão esquecido quem fez a guerra, arruinando os países e provocando incontáveis sofrimentos.</P>
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Apesar da corrupção, do nepotismo e da inépcia instalados no MPLA e na Frelimo, eram os respectivos governos o sustentáculo da normalidade da vida. Foram a UNITA e a Renamo que minaram os campos e as estradas, causando milhares e milhares de estropiados, destruíram as pontes, cortando as vias de comunicação e impossibilitando os abastecimentos, assaltaram os viajantes e aldeias, provocando o êxodo maciço das populações.</P>
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São conhecidos o que foram os horrores destas guerras em Angola e em Moçambique e o facto incontroverso de a UNITA não ter aceite o resultado das eleições de que saiu vencida, tomando pela força cidades e vilas e recomeçando assim, com maior grau de destruição, uma guerra que parecia terminada.</P>
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O facto é que as populações deram a sua confiança aos partidos que tinham governado até às eleições, no prolongamento das lutas de libertação nacional de que haviam sido os principais agentes. Mas desta permanência no poder advêm importantes riscos e ela exige a reconversão desses partidos, habituados durante 20 anos a governar em regimes de partido único.</P>
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É esta nova atitude que os acontecimentos de Luanda relacionados com jornalistas independentes vêm pôr à prova. Ou os partidos vencedores das eleições são capazes de operar uma profunda transformação nas mentalidades e nas práticas, ou então as eleições não serviram para nada. E essa transformação exige o afastamento dos sectores antidemocráticos e o combate à corrupção.</P>
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Para isto há que dar lugar à emergência de uma sociedade civil, ainda muito incipiente e que é indispensável como sustentáculo da democracia. E, para a consolidação dessa sociedade civil, a livre informação é uma condição essencial. O fortalecimento de correntes de opinião diferentes, a existência e a possibilidade de intervenção de organizações não-governamentais para a educação e o desenvolvimento, sindicais, profissionais e empresariais, a existência de meios de informação e de comunicações independentes são condições para que essa sociedade civil possa afirmar-se.</P>
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Os novos governos da Guiné, de Angola e de Moçambique devem estar conscientes de que está à prova a sua sinceridade de viver em democracia. É que os partidos que ganharam as eleições têm uma nova missão histórica a cumprir, não menos importante do que foi a conquista da independência nacional: a instauração de uma sociedade mais livre, mais justa e mais desenvolvida.</P>
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Aqueles que acompanharam solidariamente as lutas de libertação nacional estarão atentos a estas novas exigências e não deixarão de emitir os seus juízos no futuro. E, em primeiro lugar, os próprios povos interessados, agora chamados a pronunciar-se periodicamente para eleger os seus governantes.</P>
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É neste quadro que o assassinato de Ricardo Melo e as ameaças a jornalistas ganham uma dimensão dramática; para além da perda de uma vida, é todo o destino de um país que está em causa. Bem fez a Assembleia da República em repudiar o acontecimento com um voto de pesar e de protesto. E bem triste foi a posição do PCP em abster-se nesse voto. Também este partido -- como tem acontecido tantas vezes -- joga com dois pesos e duas medidas quando se trata de atitudes de protesto ou de indignação.</P>
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Destaque:</P>
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Ou os partidos vencedores das eleições [nos PALOP] são capazes de operar uma profunda transformação nas mentalidades e nas práticas, ou então as eleições não serviram para nada. E essa transformação exige o afastamento dos sectores antidemocráticos e o combate à corrupção.</P>
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<DOC DOCID="cha-76935">
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MARCELO DAMATO</P>
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Enviado especial a Pelotas</P>
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A seleção da Rússia inicia amanhã uma série de dois amistosos caça-níqueis pelo Rio Grande do Sul. Depois de golear a seleção do México por 4 a 1, quarta-feira à noite em Oakland, na Califórnia, os russos vão enfrentar o Pelotas amanhã e o Guarani de Bagé na sexta-feira.</P>
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O termo caça-níqueis se aplica exatamente aos dois jogos. Segundo o presidente do Pelotas, Álvaro Azocar, os jogadores russos comandados pelo técnico Pavel Sadyrin vão jogar pela quantia de US$ 45 mil, livres de despesas. O clube bicampeão mundial, o São Paulo, cobra entre três e quatro vezes mais por cada amistoso no exterior.</P>
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Azocar disse que a partida com a Rússia foi acertada quase por acaso. Um conselheiro do clube visitava a filha no Rio de janeiro quando soube por um jornalista que a seleção da Rússia procurava amistosos no Brasil. Segundo Azocar, o empresário argentino que agenciou os jogos lhe informou que os russos procuravam adversários "que não fossem muito fortes".</P>
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A expressão de Azocar é um eufemismo. O Pelotas, o mais forte adversário dos russos no Brasil, foi o quarto colocado no Campeonato Gaúcho de 93 e terceiro no campeonato de 92. O clube praticamete não tem projeção nacional –ao contrário do Brasil, da mesma cidade, que foi terceiro colocado no Brasileiro de 85.</P>
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O Guarani de Bagé, cidade de 180 mil habitantes perto da fronteira com a Argentina, não está nem sequer na primeira divisão do Campeonato Gaúcho. Chegar ao ascenso é, aliás, sua meta neste ano. </P>
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Os amistosos vão custar cerca de US$ 80 mil a cada um dos times gaúchos, entre cota para os russos e demais despesas.</P>
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Os russos vêm a Pelotas e Bagé com a mesma equipe que empatou com os Estados Unidos (1 a 1) e goleou o México em partidas realizadas nos EUA. Estão fora da equipe 22 jogadores selecionáveis que rejeitaram a convocação. Quatroze deles, incluindo Igor Shalimov, da Inter de Milão, já disseram que só voltam se o técnico Sadyrin for afastasdo. A Federação Russa só deve resolver a questão definitivamente em maio.</P>
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Mesmo com tantos desfalques, os russos serão vistos em Pelotas pelo técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, e pelo seu coordenador técnico, Zagalo. Parreira só decidiu viajar para o Rio Grande do Sul após os resultados obtidos por essa "seleção B" da Rússia nos EUA.</P>
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<DOC DOCID="cha-58414">
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Negócios obscuros nos transportes marítimos do arquipélago da Madeira</P>
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Há lodo no cais...</P>
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José António Cerejo</P>
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O Governo Regional da Madeira acaba de entregar as ligações marítimas Funchal-Porto Santo a um grupo privado que já detinha o controlo das operações portuárias da ilha. O processo decorreu em circunstâncias pouco claras e não falta quem ponha em causa a sua legalidade. Pouca gente dá a cara, mas há quem não hesite em falar em «polvo» e em «tentáculos».</P>
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Madeirenses ligados ao sector dos transportes marítimos estão boquiabertos. E não é por não estarem habituados a situações que fazem arregalar os olhos. O caso é que, de um dia para o outro, os barcos do Governo Regional que faziam a ligação entre o Funchal e o Porto Santo foram retirados da circulação e o serviço foi entregue a um «ferry-boat» privado.</P>
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Os bilhetes, porém, continuam a ostentar o nome e a fotografia dos navios da Região Autónoma -- com os significativos nomes de «Pátria» e «Independência» -- e a venda das passagens continua a ser assegurada por funcionários públicos. Mais do que isso: as autoridades regionais ordenaram aos seus funcionários que passassem a trabalhar na empresa privada e cederam a essa sociedade o «Pátria» por uma quantia irrisória.</P>
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Tudo em nome da melhoria da qualidade do serviço e da redução dos encargos do Governo Regional, que teria perdido, em 1994, 175 mil contos naquela linha. O pior é que os beneficiários destas medidas, com o apoio dos sindicatos de estivadores, já dominavam a actividade portuária da ilha e são acusados de ter asfixiado toda a concorrência. Pormenor a ter em conta: pertencem a uma das famílias mais poderosas da Madeira e são primos direitos de Miguel Sousa, o homem que foi durante anos o número dois de Alberto João Jardim e ocupa actualmente uma das vice-presidências da Assembleia Regional. O Governo e os empresários negam a existência de quaisquer favores. «Falar em tal coisa é uma pulhice», diz Ricardo Sousa, o vice-presidente da sociedade concessionária.</P>
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No dia 21 de Julho passado, o Governo Regional da Madeira e a Porto Santo Line, Lda (PSL) celebram um protocolo que concede a esta empresa dos irmãos Ricardo e Luis Miguel, por três meses, a exploração do serviço público de transporte de mercadorias e passageiros entre o Funchal e o Porto Santo. Terminado este prazo, se tudo correr bem, o Governo compromete-se a conceder aquele serviço, por dez anos e em exclusivo, a uma empresa mista em que a PSL terá 75 por cento do capital e o Estado 25.</P>
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Ordem pública, barco privado...</P>
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Na véspera da assinatura do protocolo, o Conselho do Governo aprovara a minuta do acordo e autorizara a Direcção Regional de Portos (DRP) a suspender, por 90 dias, o funcionamento dos seus navios «Pátria», «Independência» e «Pirata Azul». Até aí, eram eles que faziam o transporte de passageiros daquela linha. Para acorrer a eventuais necessidades, o acordo cedia o Pátria à PSL, mediante um pagamento diário de 33 contos e com a obrigação de a empresa pagar apenas o combustível do barco. Isto quando o «catamaran» chega a facturar -- e já facturou depois de ter sido entregue à PSL -- 2500 contos por dia.</P>
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Entretanto, no próprio dia em que o protocolo foi firmado, João Jardim e comitiva visitam o «ferry» «Lady of Mann», acabado de chegar ao Funchal, e realiza-se a primeira viagem -- ao abrigo desse protocolo -- para Porto Santo. Com uma enorme confusão, aliás, porque os passageiros tinham comprado bilhetes para o «Pátria» e o «Independência»e os funcionários da DRP só nesse dia é que tinham recebido a controversa ordem que os obrigava a prestar serviço num barco privado...</P>
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Muito antes, porém, já a PSL estava em negociações com os armadores do «ferry» -- a Isle of Man Steam Packet Company -- e já os peritos contratados pelo Governo o tinham inspeccionado em Inglaterra, a expensas da DRP. «Pelo menos puseram o carro à frente dos bois», comenta-se nos meios marítimos do Funchal, a propósito da contratação do «Lady of Mann» -- que os portossantenses já rebaptizaram com o nome «A mulher do gajo» -- antes da assinatura do protocolo. Mas este foi apenas um acto intercalar de uma peça particularmente obscura que há vários anos tem por cenário o porto do Funchal e as ligações marítimas com Porto Santo. O espanto maior viria depois, quando o protocolo foi tornado público e foi possível compará-lo com o caderno de encargos do concurso para a «concessão do serviço público de transporte marítimo regular de passageiros e mercadorias entre a Madeira e Porto Santo».</P>
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Lançado em Março de 1994 pelo Governo da Madeira, o concurso não se mostrava particularmente atraente para os potencias interessados. Mesmo assim, ainda chamou dois concorrentes potenciais: a PSL e a Portline. Ambas levantaram o caderno de encargos e ambas prepararam as suas propostas. A segunda, porém, acabou por desistir a poucas horas do prazo limite para a entrega dos processos.</P>
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Na manhã desse dia, garantiram ao PÚBLICO diversas fontes, os responsáveis da PSL haviam-se encontrado com os homens da Portline. Esta empresa, sublinhe-se, é uma das quatro que operam no transporte de mercadorias entre o continente e a Madeira e, por isso, é cliente do Porto do Funchal, uma infra-estrutura controlada pela OPM, também dos irmãos Sousa.</P>
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Meses depois, o Governo entendeu que as propostas da PSL, a única concorrente, «não foram inteiramente satisfatórias para a realização do interesse público», pelo que decide encetar negociações directas com aquele concorrente, «com vista à adequação da sua proposta ao interesse público». Para legitimar a evolução do concurso para uma negociação directa -- considerada muito pouco ortodoxa por alguns juristas ouvidos pelo PÚBLICO, mas aceitável, sob certas reservas, por outros -- o Governo invocou uma cláusula do programa do concurso que contemplava, formalmente, essa possibilidade. O programa de concurso e o caderno de encargos foram encomendados pelo executivo madeirense a uma equipa da empresa Berin Lda, coordenada pelo anterior ministro dos Transportes, Oliveira Martins.</P>
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O que sucedeu depois é que surpreende muita gente e faz falar em «violação das regras da concorrência», ou em «modificação ilegal das condições do concurso». Considerando a «impossibilidade de dar integral satisfação a todas as cláusulas do Caderno de Encargos da Concessão», o Governo Regional acaba por assinar um protocolo com a PSL que reduz significativamente as suas exigências e que, por isso mesmo -- como disse ao PÚBLICO um jurista de um gabinete ministerial de Lisboa -- poderá estar ferido de ilegalidade.</P>
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Contrato</P>
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leonino</P>
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Nesse documento, assinado a 21 de Julho, o Governo aceita alterar um conjunto de disposições do caderno de encargos e compromete-se a criar um regime de concessão, com base numa empresa mista a formar com a PSL, que nem sequer estava contemplado nas condições iniciais do concurso. Em resultado deste protocolo, que acaba por funcionar como um contrato temporário, mas que não foi submetido a visto do Tribunal de Contas, o executivo regional obriga a PSL a fretar um único dos seus navios, o «Pátria», e não o «Pátria» e o «Independência», como estipulava o caderno de encargos. Nova e favorável à empresa concessionária é a obrigação assumida pelo concedente de a isentar das taxas portuárias. Finalmente, o Governo Regional concorda em comparticipar em 60 por cento dos encargos financeiros relativos à aquisição do «Lady of Mann», um compromisso que, de acordo a Secretaria Regional da Economia, deverá implicar um dispêndio de 55 mil contos no primeiro ano, montante que irá decrescendo até cerca de 4 mil contos no décimo ano.</P>
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Esta última cláusula também não constava do caderno de encargos, uma vez que ele não previa qualquer participação estatal na aquisição de novos meios de transporte. O que o caderno de encargos admitia era o pagamento de indemnizações compensatórias de que a PSL prescindiu perante as restantes facilidades negociadas.</P>
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Como renda de concessão, a PSL e a futura empresa mista limitam-se a pagar os 12 mil contos anuais correspondentes ao frete do «Pátria», cedendo adicionalmente, ao Governo Regional, um crédito anual em passagens no valor de dez mil contos.</P>
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Falta dizer que o protocolo foi assinado quase em segredo, que o Governo Regional começou por tentar ocultá-lo dos jornalistas e que o documento está cheio de contradições, ambiguidades e erros grosseiros. Desde trocas graves na enumeração das resoluções do Governo Regional relativas ao assunto, até à declaração de isenções de taxas que ninguém sabe quais são, há de tudo no acordo subscrito pela PSL e pela Secretaria Regional da Economia.</P>
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Em meios marítimos do Funchal o acordo é visto como um «contrato leonino» para a PSL. Só nos três meses experimentais, garantem fontes bem colocadas na DRP, a empresa arrecadará um lucro da ordem dos 80 mil contos -- enquanto que a administração portuária deixará de facturar 178 mil contos com a imobilização dos seus navios, recebendo apenas três mil contos pelo afretamento do «Pátria». Até os 12 mil contos mensais que a PSL deveria pagar à DRP pela utilização dos trabalhadores dos seus serviços marítimos acabarão por ficar quase totalmente em casa. Isto porque, à excepção de dois contratados a prazo, nenhum dos 21 tripulantes dos barcos do Governo Regional acatou a ordem de se transferir para o «Lady of Mann».</P>
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Na PSL, Ricardo Sousa rejeita todos estes números e todas as acusações de favoritismo. Segundo afirma, o envolvimento da PSL no projecto constitui um investimento de tamanho risco que esteve para desistir à última da hora. «Tanto podemos perder como ganhar quatro ou cinco mil contos nestes três meses. Quanto ao resto, prevemos que a empresa só sairá do vermelho no quarto ano de actividade.»</P>
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Resta saber, dizem os críticos do processo, se este tipo de raciocínio não se destina apenas a preparar o terreno para que, mais tarde, o Governo venha em socorro do concessionário e reintroduza o princípio das indemnizações compensatórias.</P>
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<DOC DOCID="cha-87801">
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Às 19h30 congestionamentos atingem 118,2 km; rio Tietê transborda, bloqueia pista e provoca 35 km de filas </P>
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Da Reportagem Local </P>
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A chuva deixou 118,2 km de vias engarrafadas em São Paulo ontem às 19h30. Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), o triplo da média para a mesma hora em fevereiro.</P>
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No horário de pico da manhã de ontem foi registrado um congestionamento de 81,3 km. A média em janeiro foi de 38,2 km.</P>
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A marginal Tietê teve à tarde engarrafamento de 35 km. A marginal Pinheiros registrou 9 km. </P>
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As pistas da marginal Tietê nas regiões das pontes Aricanduva (zona leste) e Casa Verde (zona norte) ficaram alagadas e bloqueadas até a noite. A situação voltou ao normal nas marginais às 23h.</P>
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A CET deixou aberto o elevado Costa e Silva, que normalmente fecha às 21h30, como opção para o motorista fugir das marginais.</P>
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Nos Jardins (zona oeste), o trânsito ficou confuso das 14h30 até as 15h30. Faltou luz e os sinais de trânsito ficaram apagados nas principais ruas do bairro.</P>
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O córrego Pirajussara, que faz a divisa de São Paulo com Taboão da Serra, transbordou, bloqueando o trecho da rua José Felix com avenida Francisco Morato (zona oeste) durante a tarde.</P>
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Na zona sul, a avenida Guarapiranga ficou alagada em vários pontos. Postes e árvores caíram na estrada M'Boi Mirim, congestionando o trânsito da região.</P>
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As avenidas Zacki Narchi, na zona norte, e Aricanduva, na zona leste, também ficaram alagadas.</P>
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Fim de férias </P>
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Milhares de pessoas ficaram presas por mais de quatro horas nos dois sentidos da marginal Tietê. Motoristas abandonaram seus caminhões e se juntaram em grupos para conversar.</P>
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Famílias inteiras, voltando de férias, procuravam sanduíches e banheiros para as crianças. A estudante Fabrícia Oliveira, 17, disse que ficou com medo da cidade.</P>
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Ela e oito familiares voltavam de férias de Cabo Frio (RJ) em direção a Cuiabá (MT), onde moram. "Eu insisti com meu pai para que pegasse a rodovia D. Pedro e não passasse por São Paulo", lamentava Fabrícia.</P>
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Ela e dois irmãos menores andavam entre as filas de caminhões, junto à ponte das Bandeiras, à procura de um banheiro.</P>
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O engarrafamento atrapalhou a excursão de 27 turistas que saíram do Rio e seguiam para as serras gaúchas. "Tínhamos jantar e hotel reservados em Curitiba", disse o motorista Jorge Trindade, 45. "Vamos comer sanduíche pelo caminho e dormir na estrada."</P>
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A estudante Raquel Simas, 13, preferia ficar fora do ônibus observando. "Vou ficar com a imagem de que São Paulo é uma grande fila de caminhões."</P>
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O comerciante carioca Paulo Roberto Araújo, 38, vinha do Rio com a família e seguia para a Barra Funda (zona oeste). Ficou preso na marginal a menos de um quilômetro de seu destino. "Tô levando na esportiva", dizia.</P>
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Entre os caminhões, carros e ônibus parados, uma dezena de vendedores oferecia cerveja, água e salgadinhos. "Essa é a melhor clientela", brincava Fernando da Silva, 17, um dos garotos que vendiam cerveja.</P>
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(Augusto Gazir e Aureliano Biancarelli)</P>
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<DOC DOCID="cha-34534">
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Seminário junta investigadores e responsáveis autárquicos</P>
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Receitas para o realojamento</P>
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Não construir mais do que 50 a 60 fogos em conjunto e dispersar os «bairros sociais», nunca permitir a ocupação de um bairro sem que ele esteja mesmo pronto, integrar as novas construções no que já existe, construir com qualidade e integrar oficinas, comércio e equipamentos colectivos nas novas urbanizações.</P>
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Estas foram recomendações ontem feitas por académicos do Centro de Estudos Territoriais do ISCTE, Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, aos representantes de várias câmaras da zona norte da Área Metropolitana de Lisboa que participaram num seminário destinado a «Pensar o realojamento». Algumas ideias são de difícil aplicação prática, como reconhecem os seus autores.</P>
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As propostas foram feitas aos eleitos e técnicos das câmaras da Amadora, Azambuja, Cascais, Lisboa, Loures, Oeiras, Sintra e Vila Franca de Xira, que durante a maior parte do seminário discutiram as experiências de uns e outros em matéria de relojamento e os desafios que os esperam: o Programa Especial de Realojamento lançado em 1993 pelo Governo prevê a construção de 34 mil fogos na região até ao ano 2000 e há ainda acções específicas de algumas autarquias.</P>
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A dispersão de bairros por localidades é justificada pela necessidade de impedir a concentração de populações homogéneas e de «miscenizar a cidade». Pode ser vista também nesta linha a defesa de que a construção seja feita «de forma urbanisticamente integrada» no conjunto existente. Mas os investigadores estão conscientes que para levar avante esta medida é necessário disponibilizar terrenos através de compra, troca ou de outras formas.</P>
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Na «reflexão conjunta» de ontem, como lhe chamou Eduardo Vilaça, do Centro de Estudos Territoriais, foi também acentuado o esforço necessário para evitar que se ocupe um bairro sem que ele esteja concluído . Só dessa forma se evitará «a não apropriação positiva e higiénica logo desde o início». Dito de outra forma: só assim não haverá pretextos para o desleixo.</P>
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A construção em qualidade é também considera muito importante para «evitar a degradação precoce de edifícios e dos seus equipamentos». E tem outra vantagem: «tornar menos custosa a manutenção e conservação do bairro». Nestes casos, para facilitar as coisas, é recomendado, «sempre que possível, fazer edifícios de não mais de três pisos, sem elevador de preferência».</P>
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A sugestão de «pensar em simultâneo no projecto do bairro, incluindo pequenas oficinas, comércio e equipamentos de desporto e convívio» é explicada pelo facto de a população dos bairros sociais se apoiar «frequentemente em pequenas actividades que têm como sede as barracas e os seus anexos». A ideia é evitar, desta forma, a «perda do emprego».</P>
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Também defendida é a multiplicação de formas de acesso ao arrendamento e propriedade das novas habitações. A intenção é implicar mais activamente as populações na procura da «melhor solução para o seu problema habitacional» e evitar, «sempre que possível, as mediações burocráticas e paternalistas».J.M.R.</P>
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<DOC DOCID="hub-30518">
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História do RFID</P>
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A tecnologia de RFID tem suas raízes nos sistemas de radares utilizados na Segunda Guerra Mundial. Os alemães, japoneses, americanos e ingleses utilizavam radares -- que foram descobertos em 1937 por Sir Robert Alexander Watson-Watt, um físico escocês -- para avisá-los com antecedência de aviões enquanto eles ainda estavam bem distantes. O problema era identificar dentre esses aviões qual era inimigo e qual era aliado. Os alemães então descobriram que se os seus pilotos girassem seus aviões quando estivessem retornando à base iriam modificar o sinal de rádio que seria refletido de volta ao radar. Esse método simples alertava os técnicos responsáveis pelo radar que se tratava de aviões alemães (esse foi, essencialmente, considerado o primeiro sistema passivo de RFID).</P>
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Sob o comando de Watson-Watt, que liderou um projeto secreto, os ingleses desenvolveram o primeiro identificador activo de amigo ou inimigo (IFF -- Identify Friend or Foe). Foi colocado um transmissor em cada avião britânico. Quando esses transmissores recebiam sinais das estações de radar no solo, começavam a transmitir um sinal de resposta, que identificava o aeroplano como Friendly (amigo). Os RFID funcionam no mesmo princípio básico. Um sinal é enviado a um transponder, o qual é ativado e reflete de volta o sinal (sistema passivo) ou transmite seu próprio sinal (sistemas ativos).</P>
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Avanços na área de radares e de comunicação RF (Radio Frequency) continuaram através das décadas de 50 e 60. Cientistas e acadêmicos dos Estados Unidos, Europa e Japão realizaram pesquisas e apresentaram estudos explicando como a energia RF poderia ser utilizada para identificar objetos remotamente...</P>
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Companhias começaram a comercializar sistemas antifurto que utilizavam ondas de rádio para determinar se um item havia sido roubado ou pago normalmente. Era o advento das tags (etiquetas) denominadas de "etiquetas de vigilância eletrônica" as quais ainda são utilizadas até hoje. Cada etiqueta utiliza um bit. Se a pessoa paga pela mercadoria, o bit é posto em off ou 0. E os sensores não dispararão o alarme. Caso o contrário, o bit continua em on ou 1, e caso a mercadoria saia através dos sensores, um alarme será disparado. </P>
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<DOC DOCID="cha-73845">
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Da Reportagem Local</P>
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Elisabeth, Luciana, Diego e Luís Frederico tiveram verdadeiras aulas de ecologia fora da escola. Nas caminhadas em trilhas das "cordilheiras" (locais que não inundam nem na época das cheias) em Caiman, os ouvidos e olhos ficavam atentos. Silêncio total para descobrirmos em que árvore está o pica-pau ou o macaco bugiu.</P>
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O Pantanal está com as águas baixas por causa da seca. Os jacarés se concentram em pequenos lagos. Apesar do aumento da vigilância contra a caça dos jacarés, eles continuam em extinção no Pantanal. As araras-azuis são capturadas ainda quando filhotes e custam no exerior até US$ 35 mil o casal.</P>
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Vimos vários jacarés e casais de araras-azuis. Caiman é um lugar onde eles e outros animais em extinção –como onça, cervo do Pantanal, lobo guará e macaco-prego– vivem soltos e são vistos com alguma sorte.</P>
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<DOC DOCID="cha-21705">
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1994 não foi muito bizarro</P>
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O ano de 1994 não foi tão estranho como 1993, mas contou com mais relatos de milagres e com uma maior tendência para a prática de cultos religiosos. O balanço é da «Fortean Times», uma revista dedicada a fenómenos bizarros que vai ao ponto de assegurar que «1994 foi oficialmente dois por cento menos estranho que 1993» -- uma classificação que mereceria, por si, ser considerada como um dos fenómenos bizarros de 1995.</P>
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O índice que a revista atribui é definido tendo por base os fenómenos estranhos ocorridos a nível mundial e relatados na imprensa mundial. Estes fenómenos incluem-se em 34 categorias, das experiências paranormais às aparições, passando pelos círculos desenhados em campos de cereais aos homicídios colectivos e aos monstros marinhos.</P>
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«O que tentamos avaliar é se foram relatados mais ou menos casos em cada um dos temas e qual o interesse do público», diz Bob Rickard, de 50 anos de idade, fundador da revista com sede em Londres e um apaixonado das coisas bizarras. «Aquilo que consideramos estranho vai desde as descobertas científicas provadas mas inesperadas até relatos subjectivos», acrescenta Bob Rickard, um ex-artista gráfico.</P>
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Entre os acontecimentos mais estranhos de 1994 recenseados pela «Fortean Times» inclui-se o nascimento, em Agosto, de um búfalo branco em Wisconsin (Estados Unidos), saudado pelos nativos daquele país como um grande acontecimento religioso; e a descoberta, em Fevereiro, de milhares de pequenos peixes em parques de estacionamento e estradas do interior da Austrália, após uma tempestade. No campo da astronomia, as descobertas do telescópio espacial Hubble também são recenseadas.</P>
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O favoritismo de Bob Rickard vai porém para os relatos sobre um monstro semelhante ao do lago Ness, que teria sido visto num lago remoto da Argentina, e para a descoberta de duas novas espécies de animais no Vietname -- o veado gigante Muntjac e o boi Vu Quang. «É surpreendente, porque a maioria dos zoólogos já não tem esperança de encontrar espécies grandes. Pensa-se que conhecemos todos os animais do mundo, mas ainda temos surpresas».</P>
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Rickard está particularmente interessado na chamada «combustão humana espontânea» -- um fenómeno que consistiria na auto-combustão de uma pessoa sem qualquer razão aparente e do qual apenas existem alegações de testemunhas não muito credíveis e nenhuma prova. No entanto, no ano passado não foram relatados quaisquer casos do fenómeno, para sua grande pena.</P>
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Patricia Reaney (Reuter), em Londres</P>
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<DOC DOCID="cha-82225">
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Nível de água na periferia ainda é superior a 1 metro</P>
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Da Reportagem Local e da Agência Folha, em Santos</P>
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Três dias depois do forte temporal que deixou pelo menos 900 desabrigados em Peruíbe (Litoral Sul), sete bairros da cidade continuam inundados. Moradores de Caraguava –o bairro pobre mais populoso de Peruíbe– tiveram que abandonar suas casas ou conviver com a água sob as camas. O abastecimento de água foi interrompido em 40% das residências.</P>
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O intenso calor de ontem não foi suficiente para evaporar a enchente, ainda em nível superior a 1 metro nos bairros periféricos próximos ao rio Preto. As ruas próximas às praias, onde estão concentradas as casas de veraneio, já não apresentam sinais do temporal, mas muitas residências estão sem água.</P>
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"A cheia não alcançou a parte de cima do meu beliche, mas tive que colocar o fogão e bujões de gás sobre cavaletes", disse o pintor Joaquim Deosdeti Barbosa, 37, que abrigou em sua casa alagada, em Caraguava, um casal de vizinhos e o irmão. Após o temporal de domingo, mulher e dois filhos do pintor foram para a casa de amigos. Morreram na enchente duas galinhas de Barbosa –o cão foi posto no telhado.</P>
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"Na noite de terça, saí da cama para tomar um copo d'água e a água do rio ainda atingia a minha cintura", disse Deosdeti. Com água acima dos joelhos, o bombeiro aposentado Joaquim Eustáquio Santiago, 43, carregava o filho Diego, 5, nas costas.</P>
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Vizinho de Deosdeti, o bombeiro perdeu móveis, mas retornou ontem à rua onde mora para se assegurar de que não roubaram o que lhe restou. Santiago está em uma creche desde que o rio transbordou.</P>
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Em Santos, diversas famílias continuam a sair dos morros da cidade, em situação de risco. "Nos 13 morros de Santos identificamos mais de 15 pontos de risco iminente de deslizamento", disse a geóloga Cassandra Maroni, 38, chefe da Administração Regional dos Morros.</P>
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Em Cubatão, prossegue a limpeza da refinaria Presidente Bernardes, da Petrobrás, parada há três dias. Os prejuízos ultrapassam US$ 20 milhões.</P>
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Em São José dos Campos, as 31 famílias desabrigadas que foram transferidas da favela Santa Cruz 3 vão permanecer por tempo indeterminado em barracas do Exército ou containers. A medida faz parte do plano de emergência adotado pela prefeitura devidos aos estragos provocados pelas chuvas no início da semana. A prefeitura destinou CR$ 345,4 milhões para atender as famílias atingidas.</P>
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<DOC DOCID="cha-87746">
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Piloto austríaco da equipe Sauber morreu ainda na pista de Imola; Justiça poderia ter suspendido o GP</P>
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Do enviado especial</P>
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Os dirigentes da Fórmula 1 omitiram deliberadamente a informação sobre o momento e local da morte do piloto austríaco Roland Ratzenberger, 31, ocorrida sábado nos treinos para o GP de San Marino, em Imola.</P>
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O resultado da autópsia realizada ontem no corpo do piloto não deixa dúvidas. Ratzenberger morreu com o impacto de seu carro no muro de concreto da curva Villeneuve, a mais de 300 km/h.</P>
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Segundo os médicos, em nenhum momento depois do choque Roland recobrou seus sinais vitais. As massagens cardíacas realizadas ainda na pista não tiveram efeito. Ratzenberger morreu no autódromo –clínica e legalmente, pela legislação italiana.</P>
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A FIA e a Foca omitiram essa informação. O corpo do piloto foi embarcado num helicóptero e transferido para o hospital Maggiore, de Bolonha.</P>
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O teatro incluiu massagens cardíacas no lado direito do peito de Roland. Oficialmente, ele morreu oito minutos depois de ser hospitalizado. Esse curto espaço de tempo, de certa forma, exime o hospital de uma suposta participação na farsa montada pelos dirigentes.</P>
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Oito minutos foi o tempo necessário para remover seu corpo do helicóptero, colocá-lo numa ambulância, levá-lo até a ala de traumatologia e subir de elevador até a unidade de reanimação.</P>
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Se fosse declarada sua morte no circuito, a Justiça Italiana interditaria imediatamente o autódromo para a abertura de inquérito.</P>
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A morte de Ratzenberger foi "transferida" para o hospital, livrando o GP da ameaça de suspensão. Se não tivesse sido enganada pela FIA e pela Foca, a Justiça da Itália poderia ter impedido a realização da prova que matou Ayrton Senna, 34, e feriu mais dez pessoas. Uma delas, um torcedor atingido por um pneu do carro de Pedro Lamy, está em coma.</P>
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(FG)</P>
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<DOC DOCID="cha-40584">
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Encosta de morro soterra casa no Paraná; passarela das cataratas do Iguaçu foi interditada </P>
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MÔNICA SANTANNA </P>
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Da Agência Folha, em Curitiba </P>
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JOSÉ MASCHIO </P>
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Da Agência Folha, em Londrina </P>
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Duas pessoas morreram soterradas e quatro ficaram feridas devido a um deslizamento de terra ocorrido anteontem à noite em Itaperuçu (20 km de Curitiba-PR).</P>
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As chuvas provocaram situação de calamidade em diversas cidades do país. Em todo o Paraná, o número de desabrigados chega a 20 mil. O Ibama interditou a passarela das cataratas do Iguaçu. A vazão de água do rio é de 7.000 metros cúbicos por segundo, cinco vezes acima do normal.</P>
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Em Santa Catarina, 11 cidades decretaram estado de emergência, uma estado de calamidade e outra estado de alerta. Eldorado, no Vale do Ribeira (SP), continua em estado de calamidade pública. A cheia do rio Cuiabá deixou 6.000 desabrigados em sete municípios no Mato Grosso. Dois deles estão em estado de emergência.</P>
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No Mato Grosso do Sul, as chuvas deixaram 695 desabrigados em quatro municípios.</P>
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Em Itaperuçu (PR), segundo a polícia, parte da encosta do morro do Caçador desabou às 22h na casa de madeira da família Matoso.</P>
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A polícia informou que a família saiu de casa ao ouvir um barulho. Elvilia Matoso, uma das vítimas, voltou para casa ao notar que seu filho João não estava junto.</P>
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João Diveti Betim, secretário da prefeitura, disse que o deslizamento ocorreu em seguida, soterrando os dois. Os dois corpos foram resgatados ontem pela manhã.</P>
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Curitiba e a região metropolitana concentram o maior número de pessoas atingidas pela enchente.</P>
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No final da tarde de ontem, algumas famílias começaram a retornar às suas casas.</P>
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Técnicos da secretaria municipal de Saúde visitaram as áreas atingidas para prevenir os desabrigados sobre possíveis doenças.</P>
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Eles orientaram as famílias a ferver a água ou tratá-la com hipoclorito de sódio.</P>
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Mais três municípios da região metropolitana foram atingidos pela enchente. Piraquara, Campina Grande do Sul e Almirante Tamandaré têm 850 desabrigados.</P>
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Em União da Vitória (236 km a sudoeste de Curitiba), o nível do rio Iguaçu continua subindo e já atingiu 5,40 m.</P>
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O coordenador municipal da Defesa Civil, Rubens Konnel Filho, disse que 150 pessoas já foram retiradas de suas casas e levadas para os abrigos.</P>
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As chuvas no Paraná provocaram estragos no km 480 da BR-277, principal ligação entre Curitiba e o oeste do Paraná.</P>
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A passagem de veículos só é possível em meia pista na ponte sobre o rio das Cobras, em Nova Laranjeiras (oeste do Estado).</P>
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No km 305 da BR-376, que liga o norte do Paraná com Curitiba, o DER precisou fazer um desvio para permitir o trânsito de veículos.</P>
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Cataratas </P>
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O Ibama interditou anteontem a passarela das cataratas do Iguaçu, no Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR).</P>
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A interdição foi decidida após a vazão do rio Iguaçu chegar a 7.000 metros cúbicos por segundo –cinco vezes maior que a normal.</P>
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Os policiais do Pelotão da Polícia Florestal retiraram as telas de proteção da passarela para evitar que elas fossem levadas pelas águas. Um policial foi designado para impedir que turistas se aproximem do local. Da passarela, os turistas têm uma visão privilegiada das quedas de água do rio.</P>
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O aumento do volume do rio Iguaçu, provocado pelas enchentes que atingem o sul e sudoeste do Estado, aumentou em 30% o número de turistas que visitam as cataratas.</P>
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<DOC DOCID="cha-29559">
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Dirigentes da F-1 esconderam a notícia para que prova de Imola pudesse ser reiniciada</P>
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FLAVIO GOMES</P>
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Enviado especial a Bolonha</P>
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Ayrton Senna teve morte cerebral instantânea no acidente de domingo em Imola, na sétima volta do GP de San Marino de F-1.</P>
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Essa foi a conclusão dos legistas que ontem fizeram a autópsia no corpo do brasileiro, piloto da equipe Williams. Os dirigentes da F-1 souberam que ele havia morrido antes de reiniciar a corrida, meia hora depois do acidente.</P>
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Quando o piloto foi retirado do carro, já não tinha mais pulsação e a circulação sanguínea estava praticamente interrompida.</P>
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A batida no muro, às 14h12 locais, provocou fraturas múltiplas na base do crânio, grave insuficiência respiratória, afundamento frontal, ruptura da artéria temporal e hemorragia nas vias aéreas.</P>
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Segundo o médico Giovanni Gordini, da unidade de reanimação do hospital Maggiore, de Bolonha, Senna chegou do circuito às 14h44 com o coração batendo com o auxílio de equipamentos.</P>
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Legalmente, o piloto não deixou a pista morto, porque não era possível avaliar no circuito se havia morte cerebral.</P>
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Na Itália, uma pessoa só é considerada legalmente morta quando há morte cerebral –indicada por um eletroencefalograma (espécie de exame) plano.</P>
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Sua "morte legal" só ocorreu às 18h42. Mas desde o impacto já não havia a menor chance de sobreviver.</P>
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O médico-chefe da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Sid Watkins, avisou pelo rádio que Senna estava morto ao presidente da Foca (Associação dos Construtores de F-1), Bernie Ecclestone.</P>
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Leonardo Senna, irmão do piloto, Celso Lemos, diretor das empresas de Senna no Brasil, e Beatris Assumpção, sua assessora de imprensa, foram até a torre de controle. Bernie os levou para o motorhome (caminhão) da Foca.</P>
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Entrou com Leonardo, que fala mal inglês, e Beatris. Disse ao irmão de Senna para "esperar o pior". "Ele está morto. Mas nós só vamos anunciar isso quando ele chegar ao hospital." Leonardo começou a chorar na hora.</P>
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Martin Whitaker, assessor de imprensa da FIA, tentou consertar o estrago. Bernie disse, em inglês: "He is dead". Whitaker se apressou em reformular a sentença dizendo que a palavra era "head" (cabeça) e não "dead".</P>
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Daí o primeiro comunicado oficial, afirmando que o piloto tinha sofrido "contusões na cabeça".</P>
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Beatris relatou o diálogo em um longo telefonema para o escritório de Senna em São Paulo.</P>
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A atitude de Ecclestone tem uma explicação financeiro-jurídica. Se os dirigentes admitissem que ele estava morto no autódromo, a corrida não poderia ser reiniciada.</P>
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Era prejuízo na certa, diante dos patrocinadores e das emissoras de TV que transmitiam o GP. As leis italianas obrigam a imediata interdição dos locais onde acontecem mortes em acidentes.</P>
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No sábado, acontecera o mesmo com Roland Ratzenberger, piloto austríaco da Simtek. A autópsia feita ontem concluiu que ele morreu instantaneamente na batida no muro da curva Villeneuve.</P>
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Em nenhum momento, segundo os legistas, foi trazido de volta à vida com massagens cardíacas ou aparelhos, como Senna. Saiu do circuito morto e foi dado como tal oito minutos depois de chegar no hospital. Se fosse informada disso, a Justiça Italiana poderia impedir a realização da corrida.</P>
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LEIA MAIS</P>
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Sobre a morte de Senna nas págs. 3 a 8</P>
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<DOC DOCID="cha-8522">
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Ver a cidade com outros `óculos'</P>
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Os espaços urbanos, a que por comodidade poderemos continuar a chamar cidades, tornaram-se o quadro ideal para o estudo das questões e dos condicionalismos da pós-modernidade ou, se preferirmos, da `modernidade tardia'. Subsidiado por Lisboa 94-Capital Europeia da Cultura e pela JNICT, o nº 4 da revista «Mediterrâneo», procura precisamente um enquadramento multidisciplinar sobre as problemáticas sociológicas em torno dos modelos e tipologias urbanas, onde a convivência territorial com o `diferente' se processa, cada vez mais, segundo uma lógica de centros e periferias, sociais, funcionais e simbólicas, em convivência ou em contraponto com as tradicionais hierarquias sociais verticais.</P>
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Neste panorama, o indivíduo paga o anonimato e a liberdade com a necessidade de redefinir constantemente a sua posição e identidades. O crescendo dos modelos de sociabilidade, em que a aplicação da noção de coexistência/ negociação e o estudo dos processos de integração versus exclusão social se tornaram centrais, resultou no questionar dos modelos analíticos assentes tão-só nas dicotomias cidade/campo, ou rico/pobre. Os sociólogos da «escola de Chicago», como nos relembra Filomena Silvano (no artigo sobre «Exclusão Territorial»), foram os primeiros, nos anos 20, a observar o modo como os fenómenos urbanos evoluem segundo um «movimento que vai da coexistência funcional à interacção funcional, social e simbólica». Numa constante renegociação de identidades territoriais.</P>
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O relevo dado neste volume ao `complexo histórico-geográfico' mediterrânico conduziu necessariamente à revisão dos quadros de análise. Nesse sentido, o estudo comparativo sobre a construção de uma identidade territorial nas `periferias' de Lisboa e da Catalunha levou J. J. Pujadas a entretecer o seu estudo com dados históricos e etnográficos. Contudo, a maioria dos artigos coloca a tónica no facto de integração e segregação sociais serem duas faces da mesma moeda. É o caso da «segregação socio-espacial» visível no Casal Ventoso; da comunidade cigana, um exemplo de «coexistência segregada»; de Vizela, que permite o cruzar das topologias territoriais com as hierarquias funcionais e simbólicas centro/periferia e rural/industrial; dos homossexuais de Valência, cuja ocupação de um `território' na vida nocturna da cidade se transformou num mecanismo constituinte de uma identidade, renegociando o próprio estatuto de marginalidade; ou mesmo o apelo à antropologia «crosscultural» no estudo da instrumentalização das comunidades migrantes pela mafia siciliana, em «Palermo Creola».</P>
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Como refere F. Indovina, estamos perante experiências de «auto-organização» que `reagem' à marginalização social, obrigando-nos a procurar outros «óculos com que ver a cidade».</P>
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Octávio Gameiro</P>
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Título: Mediterrâneo, nº 4 -- Coexistência e Exclusão Urbanas</P>
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Autor: vários</P>
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Editor: Instituto Mediterrânico -- Dep. de Sociologia da F.C.S.H. --U.N.L.</P>
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329 pgs.</P>
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<DOC DOCID="cha-87348">
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Albie Sachs, constitucionalista do ANC, fala dos portugueses e do «25 de Abril sul-africano»</P>
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O fim do «deixa andar»</P>
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Do nosso enviado,</P>
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Rui Cardoso Martins, na Cidade do Cabo</P>
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Agora é votar ou não. Participar na construção da democracia sul-africana ou fazer de conta que um português deve ainda deixar-se de políticas e fazer apenas a sua vida. Depois de um período de completa baralhação, quando muitos passaram do silêncio sobre o apartheid para as tentações de extrema-direita racista, o grosso dos que ficaram acabou por se convencer: o tempo não volta para trás. Num núcleo de imigrantes com raízes tão conservadoras, a adaptação foi mesmo assim rápida e, talvez, feita a tempo.</P>
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De quem -- lembrando-se da revolução portuguesa de há duas décadas -- considera o dia de hoje como «o nosso 25 de Abril, o 25 de Abril sul-africano», de quem é dos mais importantes quadros do partido que vai tomar o poder nas primeiras eleições livres do país, vale a pena saber o que pensa da comunidade portuguesa da África do Sul.</P>
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Albie Sachs, da Comissão Nacional do Congresso Nacional Africano (ANC), um dos autores da Constituição interina para os próximos cinco anos e possível presidente do novo Tribunal Constitucional, responde: «Acho que muitos portugueses vão votar, mas que também muitos vão resistir».</P>
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Sachs vê os portugueses em vários grupos bem distintos e com diferentes capacidades de adaptação à grande mudança que hoje começa. Mas a primeira coisa de que se lembra tem pouco a ver com o que o 25 de Abril representa em Portugal: o lado de profundo conservadorismo que colou os portugueses às podres raízes do apartheid entre brancos e negros. «Houve um certo apoio aos sectores mais `reaccionários', à extrema-direita do AWB, à Renamo em Moçambique e ao tráfico de armas».</P>
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Há depois outro grupo de portugueses, reflecte, que não estará «tão directamente envolvido nestas actividades». São «todos os que sofreram as desgraças da África Austral, que vieram de Angola e Moçambique». Têm «um sentimento forte, não direi de raiva, mas de terem sido `violados', desterrados e têm medo da repetição dessa experiência». Por último, «há correntes muito positivas, principalmente nas gerações mais novas».</P>
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A viver na Cidade do Cabo numa moradia entre o mar e a grande «Montanha da Mesa» tocada pelas nuvens -- que foi o gigante Adamastor para os navegadores portugueses de há cinco séculos -- o advogado Albie Sachs conhece o passado recente de Portugal. No dia 26 de Abril de 1974, quando viu os prisioneiros políticos serem libertados de Caxias, chorou. «Lembrei-me do Nelson Mandela, que estava preso».</P>
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Como um dos principais activistas brancos anti-apartheid, sofreu o exílio de 22 anos em Moçambique e Londres, com passagens por prisões e torturas. Como a do sono: «Foi uma das coisas que a PIDE e o antigo regime português nos ensinaram», diz ironicamente, como se agradecesse. Em 1988, no Maputo, uma bomba colocada no seu carro pela polícia secreta sul-africana arrancou-lhe o braço direito e deixou-lhe as pálpebras e o peito crivados de cicatrizes azuis.</P>
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E foi porque passou tanto para ver o dia de hoje -- «o melhor dia da minha vida» --, que Albie Sachs, 59 anos, dá exemplos um pouco duros da reacção da comunidade portuguesa ao processo que levou ao fim anunciado do apartheid. Mas também da admiração pela estranha capacidade que os portugueses têm de se adaptar às circunstâncias e de mostrarem um coração inesperado.</P>
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Fez-lhe grande confusão ter assistido, há três anos, a uma manifestação em Joanesburgo, em que falou o então secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Foi no dia 10 de Junho, a data mais cara: «Ele disse que, se isto aqui desse em desastre total, Portugal os ia receber. Ninguém falou da possibilidade de colaborarem, de trabalharem no novo país. Ninguém falou do ser sul-africano e português ao mesmo tempo!»</P>
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Albie Sachs percebeu toda a conversa porque em Moçambique aprendeu português fluente. De tal modo que, há tempos, quando quis mostrar o domínio da língua num encontro com estudantes de origem portuguesa na Universidade de Joanesburgo, um ninho das novas «correntes positivas», foi-lhe cortada a palavra: «`Sorry', professor Albie, mas importa-se de falar inglês, que percebemos mal o português?».</P>
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Mas aquele dia 10 de Junho com o secretário de Estado também lhe reservava uma surpresa: «Depois falei com eles e o que muito me impressionou foi que, quanto a mim, o grupo sul-africano branco que tem mais capacidades trabalhadoras e anti-racistas é precisamente o português». Isto é, nem a superioridade agressiva e rácica dos boers, descendentes de holandeses e calvinistas franceses, nem a «arrogância mundial anglo-saxónica». Os portugueses, diz Albie Sachs, «têm uma cultura com muita emoção» e, mais do que isso -- quando se pensa nas condições miseráveis da grande maioria dos sul-africanos -- «os portugueses conhecem a pobreza».</P>
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«Ainda é um paraíso...»</P>
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Não haja qualquer dúvida que a grande fatia dos que emigraram há 30 ou 40 anos para a África do Sul o fizeram para fugir à pobreza. E, se possível, mesmo que trabalhando como loucos na construção civil especializada ou no pequeno comércio de frutas e comidas, fazer fortuna apresentável; e, caso a isso seja possível chegar, ver pregada no peito uma comenda por bons serviços prestados à República, a milhares de quilómetros de distância.</P>
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Entre os 300 mil a um milhão de portugueses que estão na África do Sul --Êà falta de qualquer estatística fiável, há os que defendem um número e acham o outro ridiculamente alto ou baixo (os censos de 1991 dão apenas conta de 350 mil pessoas falarem a língua em casa) -- é frase comum: «Isto aqui pode estar muito mau, mas isto aqui ainda é um paraíso...» Ao que se acrescenta que, mesmo se há bastante desemprego -- e tantos por isso saíram do país, acompanhando os que simplesmente tiveram medo das eleições -- onde é que em Portugal um canalizador pode ter vivenda com piscina e Mercedes à porta?</P>
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Mas como em quase tudo, há de tudo, como subpeças do chamado «mosaico sul-africano». Há os madeirenses, que são pelo menos metade, e há os continentais e os fugidos das descolonizações moçambicana e angolana. Há os ricos e há os remediados. Há os que -- a vasta maioria -- se adaptaram humildemente às vantagens económicas do apartheid e nunca meteram uma unha na politica, nem sequer em anteriores votações reservadas a brancos. E que assim deram um apoio tácito às décadas de governo do Partido Nacional, antes dele ter enveredado por um novo rumo guiado por F. W. De Klerk. Há os que nasceram em Portugal e os filhos destes, as segundas e terceiras gerações que sabem muito mais inglês do que português. Há os que dizem «os pretos» com nítida carga negativa e os que ficam admirados quando sabem que dizer isso soa a racismo em Portugal, porque simplesmente nunca ouviram dizê-lo de outro modo.</P>
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De Joanesburgo ao Cabo</P>
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Joanesburgo, Durban e Cidade do Cabo, os três núcleos importantes dos imigrantes na África do Sul, apresentam entre si bastantes diferenças quanto ao «espírito» central da comunidade. Compará-las torna bem nítida a distância entre o ganhar muito bem e o ter qualidade de vida.</P>
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Joanesburgo, destino principal, vive desde há mais de dois anos, a paranóia do aumento da violência e da criminalidade. E os portugueses, que aí cometeram a proeza de fundar mais de duas dezenas e meia de associações, descobriram as fraquezas da desunião quando chegam as crises. Há, por exemplo, clubes a funcionar neste momento com direcções de recurso, há falta de candidatos a presidente onde os habitantes têm o quase pânico de saírem à rua, à noite. E onde agora despertaram, de vez, os receios de uma verdadeira campanha bombista dos radicais de extrema-direita.</P>
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Em Durban, a diferença faz-se a partir do momento em que existe uma só, mas grande, associação para os cerca de 20 mil imigrantes e de a violência se confinar aos arredores das cidades negras. Mas há mais, segundo Orlando Carrazedo, filho de transmontanos e novo presidente da Associação Portuguesa do Natal: «Aqui a qualidade de vida é muito melhor.» Quanto a racismo, «em Joanesburgo, há uma concentração de portugueses da primeira geração e, normalmente, à maioria desses portugueses o apartheid deu muito boas condições. Esse é o primeiro grupo de pessoas a ser afectado por uma situação normal de igualdade de oportunidades».</P>
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Na Cidade do Cabo, que viu muitos portugueses desenvolverem excelentes negócios de pesca do atum e lagosta, João Santos ainda se recorda de quando resolveu convidar Nelson Mandela para um jantar na Associação Portuguesa do Cabo da Boa Esperança. Até ameaças de destruição da sede recebeu este director e foi apenas há dois anos. Na semana passada, uma grande sala da associação ficou praticamente cheia para ouvir dois altos dirigentes do ANC em sessão de esclarecimento eleitoral. À qual se seguiram, dias depois, sessões do Partido Nacional e do Inkhata. «Eles estavam altamente despolitizados e só conheciam o `National Party'», diz João Santos. «Ao princípio começaram a pensar... a ter uma simpatia pela extrema-direita. Filiados, não, o português praticamente nunca foi filiado em nada. E agora começou a mudar um pouco».</P>
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A mudança decisiva, essa deverá começar hoje mesmo. Se há receios fundados sobre tentativas de boicote violento às eleições «livres e justas», que fazem barreira ao contagiante vento de optimismo que sopra no Sul de África, é possível que muitos milhares de portugueses acorram hoje às urnas. Coisa que nem lhes passava pela cabeça ainda há pouco tempo. E para os que não entrarem num «movimento» de votação em massa nos partidos Nacional e Democrático -- as tendências mais prováveis para um grupo que receia a hegemonia do ANC -- também há a alternativa do LUSAP, o Partido Luso-Sul-Africano, do jovem empresário Manuel Moutinho. Que muitos acusam de «oportunismo», mas que, em nome da importância dos portugueses no país, deu uma cara portuguesa aos milhões de boletins de voto das primeiras eleições multirraciais.</P>
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A vitória mais que provável do ANC também não deverá alterar muito as suas vidas, promete o constitucionalista Albie Sachs. «A maior parte da população portuguesa trabalha no pequeno sector privado, que não deve ser muito afectado. E sem querer romantizar, nem querer esquecer o passado, há aspectos da história da cultura portuguesa que são muito favoráveis à sua inserção. Mas é preciso criar novas pontes com o resto da sociedade.»</P>
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<DOC DOCID="cha-44009">
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Estudante foi mordido de manhã na praia de Boa Viagem, a mais frequentada da cidade</P>
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Da Agência Folha, em Recife</P>
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O estudante de medicina Albano Gomes Dias Filho, 25, afirmou ter sido atacado por um tubarão quando surfava ontem na praia de Boa Viagem, a mais frequentada de Recife (PE). Ele sofreu fratura no perônio direito e "lesões extensas" na mesma perna, com perda de musculatura da panturrilha (batata da perna).</P>
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Segundo a médica Maria José Freitas, que operou o rapaz, os ferimentos são característicos de um ataque de tubarão e indicam que a vítima foi mordida mais de uma vez. Dias Filho se encontra em observação no hospital da Restauração, onde chegou em estado de semi-inconsciência.</P>
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O estudante disse aos médicos ter sido atacado por volta das 7h da manhã, a cerca de 50 metros da praia. Afirmou que estava sentado na prancha e viu o tubarão se aproximar e mordê-lo. O animal foi descrito como tendo cerca de dois metros de comprimento.</P>
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Com a ajuda da prancha, Dias Filho conseguiu chegar até a areia, onde foi socorrido por banhistas. Levado ao hospital, foi submetido a uma transfusão de sangue e operado. Segundo a médica, o surfista passará por novas operações para enxertos na perna.</P>
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A mãe do estudante, Fátima Carvalho, foi avisada do ataque às 8h através de uma sobrinha. "Na hora, pensei que ele tivesse perdido a perna ou coisa pior", disse no hospital. Fátima diz não ter dúvidas de que o filho foi vítima de um tubarão. "Ele surfa desde os nove anos. Conhece o mar e sabe muito bem o que é um tubarão", disse.</P>
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Este é o segundo ataque atribuído a tubarões este ano em Pernambuco. O primeiro caso ocorreu no final de janeiro, na praia de Piedade, a 5 km do local onde o estudante de medicina foi atacado ontem. A vítima foi Sérgio Agrião Gomes da Silva, 15, que também praticava surfe.</P>
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Ataques de tubarões na praia "são raros", segundo o professor do Departamento de Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Teodoro Vaske, 33.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-31496">
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Chemwoyo ganha em San Fernando</P>
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O corredor queniano Simon Chemwoyo venceu ontem a corrida de San Fernando, no Uruguai. Ele completou a prova de 8,5 km em 20min48. Chemwoyo, que há uma semana conquistou a São Silvestre, disputará no domingo a Maratona de Manaus.</P>
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O NÚMERO</P>
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19</P>
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...são os times ibero-americanos entre os cem melhores do ano passado, segundo a classificação anual que publica a Federação de História e Estatística do Futebol, com sede na Alemanha. O São Paulo, 4.º colocado na classificação geral, é o melhor deles. Na 1.ª colocação está o Milan.</P>
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FÓRMULA 1</P>
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Larrousse anuncia seus pilotos e motor</P>
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Erik Comas e Olivier Beretta, ambos franceses, serão os pilotos da Larrousse no Campeonato Mundial de F-1 de 1994. A Ford fornecerá os motores da equipe, que, no ano passado, usou os motores da Lamborghini.</P>
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FUTEBOL</P>
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Milan é líder isolado no futebol italiano</P>
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A equipe de Milão empatou ontem com a Udinese em 0 a 0 e chegou aos 26 pontos. O Milan está agora a três pontos do segundo colocado na competição, a Juventus de Turim, com 23 pontos.</P>
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PARIS-DACAR</P>
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Rali tem um de seus dias mais difíceis</P>
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O regulamento proíbe, na etapa de hoje da competição, qualquer tipo de manutenção dos veículos nos acampamentos. Os pilotos brasileiros André Azevedo e Kléver Kolberg, atuais segundo e terceiro colocados na categoria Maratona, não poderão contar com o auxílio de seu carro de apoio em todo o percurso de 580km.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="H2-bbb"> 
<P> HEIDEGGER e o 4-4-2: Foi, ontem, apresentado o livro « Liderança - As Lições de José Mourinho » de Luís Lourenço, baseado na sua tese de mestrado. Segundo o autor, José Mourinho "é diferente por partir de um novo paradigma de pensamento, preconizado por Heidegger ou Morin, por exemplo, e o operacionalizar. Trata-se de um novo olhar para o Todo, que põe de parte a divisão e análise das partes e o pensamento cartesiano de há quatro séculos ". Cada vez que leio isto (e faço-o várias vezes ao dia, na esperança de o vir a compreender), gosto de imaginar a seguinte conversa entre dois adeptos, à saída de Stanford Bridge: </P>
 <P> - Eh pá, o Chelsea não merecia ter empatado este jogo. </P>
 <P> - Pois não. Mas a primeira parte foi tão má que parecia que o Mourinho não tinha lido « O Ser e o Tempo ». </P>
 <P> - Quantas vezes é que o Heidegger avisou que o 4-4-2 só resulta se o trinco compensar a subida dos laterais? </P>
 <P>- Exacto. Meu amigo, se é para ver a nossa equipa voltar ao pensamento cartesiano, não contes mais comigo para vir ao estádio.</P>
 <P> - Calma. Também tens que perceber que estava nevoeiro. Se calhar, por isso é que, durante a primeira parte, o Mourinho não conseguiu ver o Todo. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-8032">
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Os moradores da Vila Nilo que tiveram suas casas inundadas na madrugada de ontem com o transbordamento do rio Piqueri fizeram uma manifestação na manhã de ontem reclamando da prefeitura providências no sentido de desobstruir a passagem da água sob a rodovia Fernão Dias, zona norte. A av. Alfredo Ávila, que margeia o rio e suas transversais foram as mais castigadas com a chuva da noite de anteontem. O que mais surpreendeu os moradores foi a rapidez com que as águas chegaram a 1,5 m, não permitindo que eles salvassem eletrodomésticos, mantimentos, roupas e móveis. Parte do material perdido foi juntado numa fogueira, ateada pelos moradores em protesto pela inundação, ontem de manhã.</P>
<P>
À tarde a prefeitura desobstruia as galerias enquanto os moradores continuavam a lavar as casas e colocavam objetos para secar. Maria Domingues Castilho, 42, moradora no nº 123 da av. Alfredo Ávila disse que já ocorreram chuvas mais fortes sem contudo ocasionar enchente semelhante. Na lembrança dos moradores outra enchente igual só há de três anos atrás. Alguns moradores e a Administração Regional de Santana (AR-Santana) culpam o excesso de lixo jogado às margens do rio como o responsável pela enchente. Ao passar sob a rodovia Fernão Dias o rio atravessa umas manilhas que vão sendo obstruídas pelo lixo. Os moradores querem a construção de um pontilhão que dê passagem ao fluxo normal do rio.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-16371">
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Da FT </P>
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O depoimento de uma nova testemunha pode mudar o rumo das investigações do assassinato do advogado José Francisco da Silva, 68, na Aclimação (zona sul de SP). Até agora, o maior suspeito era o filho do advogado, A.F.T.S., 16, que havia confessado o crime.</P>
<P>
A testemunha, cujo nome a polícia não quis revelar, associou a morte do advogado ao assassinato do então prefeito de Arujá (Grande SP), Geraldo Barbosa, em 1990.</P>
<P>
Ela afirmou que conhece a pessoa que mandou matar Barbosa e que possivelmente tenha mandado matar o advogado.</P>
<P>
Segundo a testemunha, Barbosa foi morto por ir contra o interesse de um famoso corretor de imóveis de Arujá.</P>
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Três pessoas foram presas pelo assassinato do prefeito. Elas confessaram o crime, mas dizem que fizeram isso sob tortura. O mandante seria o então vice-prefeito, João Pedro dos Santos, que nega.</P>
<P>
Para a nova testemunha, essa versão está errada.</P>
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O advogado Silva ia, segundo o novo depoimento, apresentar a testemunha que depôs hoje à Justiça, para esclarecer a morte do prefeito. Três dias antes de fazer isso, morreu em seu apartamento.</P>
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"Os indícios de que o filho do advogado é realmente o autor do crime são fortes, mas não podemos descartar as afirmações da testemunha", disse o delegado Osmar Ribeiro Santos, 36.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-78164">
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Taxista agredido</P>
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Um taxista de Lisboa foi esfaqueado e roubado por um «pseudo-cliente» que levou ao Pragal, em Almada, informou ontem a PSP desta cidade. O assaltante atingiu o motorista com dois golpes e fugiu no táxi que acabou por se atolar num lameiro pouco depois. O motorista foi internado no Hospital Garcia da Horta, em Almada.</P>
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Droga na Amadora</P>
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A PSP da Amadora deteve ontem quatro pessoas a quem apreendeu um total de 77 gramas de heroína e cocaína (parte desta em estado puro) e diversos valores.</P>
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Na Damaia, foi capturado um homem de 28 anos na posse de 68,9 gramas de ambas as drogas, objectos de ouro e prata no valor de 150 contos, duas balanças, um moinho e uma máquina fotográfica. No Alto da Cova da Moura foram detidos dois irmãos, de 27 e 24 anos, e um rapaz de 21 com 7,9 gramas de heroína, 92 contos em dinheiro e uma pistola ilegal.</P>
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Rinchoa e Mercês hoje sem água</P>
<P>
As obras de beneficiação de um conduta adutora à zona das Mercês, no concelho de Sintra, obrigaram hoje à suspensão do fornecimento de água, entre as 9h30 e as 17h00.</P>
<P>
Segundo os serviços municipalizados de Sintra, o corte no abastecimento afectará as zonas da Rinchoa (toda a zona alta, incluindo as urbanizações Urbanil e Fitares) e as Mercês (em particular a urbanização da Tapada das Mercês).</P>
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Loures assinou contrato do PER</P>
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Trinta e um milhões de contos é o valor do contrato de adesão ao Programa Especial de Realojamento (PER) assinado ontem pela Câmara Municipal de Loures, com o objectivo de nos próximos 10 anos acabar com as barracas existentes no concelho e solucionar o problema habitacional de 3.904 famílias.</P>
<P>
Na cerimónia, em que o presidente da câmara, Demétrio Alves, lembrou que é neste concelho que existem 10 por cento das barracas do país, ou seja quatro mil, esteve também presente o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Ferreira do Amaral, segundo o qual, no ano de 2.004, Loures já não terá nenhuma barraca. O acordo para a concretização do PER, que permitirá realojar cerca de 15 mil pessoas no concelho, foi assinado entre a Câmara de Loures e os seus parceiros neste programa: o Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE) e o Instituto Nacional de habitação, INH.</P>
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Fogo na Columbano</P>
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Bordalo Pinheiro</P>
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Um incêndio deflagrou ontem de manhã num primeiro andar do número 95 da Av. Columbano Bordalo Pinheiro, em Lisboa, tendo danificado apenas aquele piso, que era habitado, mas sem provocar danos pessoais.</P>
<P>
No combate ao incêndio, extinto em cerca de meia hora, participaram 20 homens do Regimento de Sapadores Bombeiros, que deslocaram para o local cinco viaturas.</P>
<P>
A origem do fogo era ontem ainda desconhecida pelos bombeiros, segundo os quais foram poupados às chamas os restantes andares do edifício, apenas atingidos pelo fumo que se libertou enquanto durou o sinistro.</P>
<P>
Trânsito condicionado em Odivelas</P>
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O tráfego automóvel entre a Rua Feliciano de Castilho, em Odivelas e a Rua Rui de Pina, nas Patameiras, estará condicionado a partir de hoje e durante uma semana, devido a obras em curso num colector.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-68694"> 
<P>Multibanco</P>
 <P> Multibanco é uma marca registada propriedade da empresa SIBS. O termo é utilizado comumente para designar as caixas automáticas (as máquinas que permitem a realização de operações bancárias em regime de auto-serviço), sendo mesmo utilizados em relação a caixas automáticas de sistema outros que o controlado pela SIBS. Neste contexto, também se utiliza o termo ATM, do inglês Automatic Teller Machine. </P>
 <P> Enquanto Portugal foi um dos últimos países da Europa ocidental a instalá-las, o equipamento usado representou o que havia de mais avançado, baseado nas experiências de outros países, muitos dos quais gastam agora imenso dinheiro para substituir e actualizar máquinas obsoletas. </P>
 <P> O número de caixas Multibanco mais do que triplicou em Portugal na última década, revela um estudo da Marktest. Desde 1995, triplicou também o valor mensal médio de levantamentos per capita, revelam os dados fornecidos pela SIBS e incluídos na pesquisa « Os Concelhos Portugueses -- 1995/2005 ». </P>
 <P> Em Portugal, os multibancos têm tido muito sucesso, o que levou ao aparecimento de novos serviços não bancários, como a venda de bilhetes ou o pagamento de serviços. </P>
 <P> Neste momento a Rede Multibanco é uma das mais sofisticadas redes interbancárias do mundo. </P>
 <P>Também é o nome de um cartão de débito.</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-84029">
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Da Agência Folha, em Belém</P>
<P>
A Comissão de Defesa Civil de Marabá (420 km ao sul de Belém/PA) pediu ontem ao governo do Estado mais 60 barracas de lona para abrigar famílias que estão dormindo nos estábulos do Parque de Exposição Agropecuária do município. Cerca de 4.000 pessoas estão desabrigadas por causa das enchentes dos rios Itacaiúnas e Tocantins, que margeiam a cidade.</P>
<P>
As chuvas intensas desde o início do mês no sul do Pará fizeram transbordar também o rio Parauapebas, inundando a cidade de mesmo nome (600 km ao sul de Belém). Cerca de cem pessoas estão desabrigadas.</P>
<P>
Em Marabá, os moradores que resistem em suas casas, invadidas pelas águas, estão usando canoas para transportar aparelhos domésticos, camas e roupas.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="aa77651"> 
<P> Ministério da Defesa Nacional </P>
 <P> Ministro da Defesa Nacional visita
Forças Nacionais Destacadas no Afeganistão </P>
 <P> O Ministro da Defesa Nacional, Nuno Severiano Teixeira, desloca-se ao Afeganistão, no dia 29 de Dezembro, para efectuar uma visita às
Forças Nacionais Destacadas em Cabul. </P>
 <P> Nuno Severiano Teixeira visitará o contingente português estacionado em Campo Warehouse, composto pela
22.ª Companhia de Atiradores Pára-Quedistas da Brigada de Reacção Rápida e uma equipa de
Controladores Aéreos Avançados da Força Aérea. </P>
 <P> O Ministro da Defesa deverá assistir ao briefing do destacamento e visitar o aquartelamento do Campo Warehouse. Com um total de 161 militares, o contingente português integrado na Força Internacional de Assistência e Segurança (ISAF) constitui a
Força de Reacção Rápida do Comandante da força da NATO no Afeganistão. Nuno Severiano Teixeira reúne-se ainda com o comandante da força da NATO (ISAF) no Afeganistão, General Dan McNeill. A participação militar Portuguesa no Afeganistão começou a 10 de Agosto de 2005. </P>
 <P> Nuno Severiano Teixeira aproveita a deslocação a Cabul para manter encontros com as autoridades afegãs. O Ministro da Defesa deverá reunir-se com o Ministro da Defesa afegão, Raheem Wardag, e com o
Presidente da República Islâmica do Afeganistão, Hamid Karzai. </P>
 <P> O Ministro da Defesa Nacional estará de regresso a Lisboa no dia 30 de Dezembro. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-34681">
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S-Breves/Inter.</P>
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Marika 7: só vestígios</P>
<P>
São escassas as probabilidades de se encontrarem sobreviventes dos 36 membros da tripulação do navio«Marika 7», que naufragou sábado no Atlântico norte, a 900 km. dos Açores. O temporal tem perturbado as pesquisas e o cargueiro norueguês «Thorsaga», que mais se aproximou do local encontrou vazia uma lancha salva-vidas do «Marika 7». O barco saiu sábado do porto quebequiano Sete-Ilhas, onde fez escala, em direcção à Holanda. Transportava uma carga de minério de ferro. As equipas de salvamento, das quais faz parte um avião «C-130» da Força Aérea Portuguesa, prosseguiram ontem as buscas de sobreviventes.</P>
<P>
Avaria na queda do Tupolev</P>
<P>
O «Tupolev-154» que caiu segunda-feira num campo gelado próximo de Irkutsk (Sibéria), provocando 120 mortos, sofreu uma avaria no sistema hidráulico e poderia ter excesso de carga. A informação é do gabinete de imprensa estatal, que indicou ter sido já examinada uma das caixas negras do aparelho. O ministro russo dos Transportes, Vitali Efimov deslocou-se ao local para examinar as condições em que ocorreu o desastre. O sistema hidráulico do aparelho não funcionou, diz a versão oficial, e um motor incendiou-se, o que levou o piloto a tentar regressar ao aeroporto, de onde descolara há minutos.</P>
<P>
Mais prisões em Itália</P>
<P>
A polícia italiana esperou pelo final do ano para lançar uma operação anti-corrupção em Asti, capital distrital de uma região noroeste da Itália, a 50 km. de Turim. Deteve 26 suspeitos, entre empreiteiros e autarcas, incluindo o presidente do município e o governador-civil. A polícia obedeceu a um mandato do magistrado que investiga um caso de irregularidades numa obra de tratamento de águas residuais. O presidente da Câmara foi eleito pelo PS (de Craxi), enquanto o governador-civil pertencia à DC (de Andreotti). O magistrado interrogou os suspeitos segunda e terça-feira, tendo mantido nove na cadeia e ficando os outros em prisão domiciliária.</P>
<P>
A canção perdida de «Gary, Indiana»</P>
<P>
Gary é uma cidadezinha do estado norte-americano de Indiana que um autor musical decidiu incluir num «show» da Broadway, com o título «The Music Man» (O Músico). A canção celebrava uma certa ideia da classe média norte-americana e dos valores por que se regia a sua vida comunitária. Correu mundo, foi representada em Pequim e manteve-se anos a fio no teatro londrino do West End. Este «era uma vez...» foi há mais de 30 anos. Hoje, Gary é novamente notícia: conseguiu alcançar o título de cidade mais violenta dos EUA. Feitas as contas, dá 91 mortos/ano por 100 mil habitantes.</P>
<P>
Taipé condena pirata do ar</P>
<P>
O governo chinês da Formosa mantém-se fiel ao compromisso de reenviar para o governo da China continental os eventuais casos de pirataria aérea e confirmou-o ontem quando anunciou que repatriaria Zhang Wenlung, logo que cumprisse os 9 anos de cadeia a que acabara de ser condenado por um tribunal de Taipé. O crime de Zhang foi desviar um avião da companhia Xiamen, que seguia para Cantão, em Junho de 1993. O avião era um «Boeing 737» e levava 72 pessoas a bordo. Zhang apresentou-se como um ex-soldado do Exército Popular, mas isso não convenceu o tribunal.</P>
<P>
TGV «tropeçou» nas trincheiras</P>
<P>
O TGV (Comboio de Alta Velocidade) descarrilou no passado mês de Dezembro, em período de chuvas diluviais no norte de França, devido à...I Guerra Mundial. O descarrilamento ocorreu no passado dia 21 de Dezembro, quando o TGV seguia a 300 km. horários e estava 133 km ao norte de Paris. A causa imediata do acidente, que não provocou vítimas, foram as chuvas que se abateram sobre a região. Mas o aluimento foi provocado por tocas de raposa, que acharam o local particularmente apropriado para se instalar, pois aproveitaram as trincheiras deixadas pela I Guerra Mundial.</P>
<P>
Mais pés na água</P>
<P>
Chuvas torrenciais caíram nos últimos dias no sul da Inglaterra e no Ulster (Irlanda do Norte). Neste último território há três desaparecidos, cuja esperança de encontrar com vida foram ontem abandonadas. Eram quatro caçadores e tinham ido dar um passeio de canoa pelo rio de Coleraine (norte do Ulster), quando foram apanhados pela enxurrada. A embarcação voltou-se e só um dos tripulantes conseguiu atingir a margem. No sul da Inglaterra há estradas cortadas e no País de Gales um helicóptero que fora ajudar viajantes presos numa tempestade de neve, teve que fazer uma aterragem de emergência.</P>
<P>
Explosão em quartel da Nato</P>
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Uma explosão na sala dos geradores do comando naval da Nato, em Atenas (Grécia), provocou pelo menos 27 feridos. Um curto-circuito num cabo de alta voltagem deve ter causado a explosão, disse um porta-voz do Ministério da Defesa grego. «Três dos feridos estão em estado crítico e uns poucos mais estão em observação», afirmou Nikos Nikolopoulos, director do Hospital Naval de Atenas, que acrescentou haver pelo menos três civis entre os feridos.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-3899">
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Chefe da oposição birmanesa em encontro com a imprensa</P>
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«Sei que a democracia chegará»</P>
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Cansada mas enérgica, Aung San Suu Kyi afirmou ontem estar segura de que «a democracia chegará» à Birmânia, no seu primeiro encontro com jornalistas em seis anos, um dia depois de ter terminado a reclusão, na sua casa de Rangum, a que a Junta militar que governa o país a obrigou desde 20 de Julho de 1989.</P>
<P>
E a democracia chegará -- explicou a Nobel da Paz de 1991 -- «porque é algo que o povo quer».</P>
<P>
«Estou feliz por poder dizer que, apesar de tudo pelo que passámos, as forças da democracia na Birmânia continuam fortes e dedicadas» -- disse Suu Kyi, 50 anos feitos o mês passado.</P>
<P>
As palavras da chefe da oposição birmanesa eram aguardadas para se avaliar por um lado se os militares teriam colocado condições à sua libertação e, por outro, qual a sua determinação em prosseguir a luta pela democratização de um dos países mais pobres do mundo.</P>
<P>
Aung San Suu Kyi foi presa por «colocar o Estado em perigo», mas nunca foi formalmente acusada ou julgada. Ontem assegurou que não houve condições para ser libertada, que um emissário dos generais no poder lhe disse que eles gostariam que «ela ajudasse na procura da paz e da estabilidade».</P>
<P>
Mas ela própria sublinhou que não há lugar para optimismos exagerados. «É um sinal positivo, um sinal de esperança. Mas penso que é preciso olhá-lo com cautela, com um optimismo cauteloso».</P>
<P>
A chefe da Liga Nacional para a Democracia, que ganhou as eleições de 1990 num resultado nunca reconhecido pela Junta, indicou ainda que adoptará uma postura cautelosa. «Temos de escolher entre o diálogo e a devastação completa» -- declarou, ao mesmo tempo que falava na necessidade de um «espírito de reconciliação».</P>
<P>
Nem a notícia da libertação nem a conferência de imprensa tinham até ontem sido noticiadas pela controlada imprensa birmanesa, facto explicado por alguns analistas com o receio de que pudesse desencadear movimentos de protesto contra o regime.</P>
<P>
Mas os birmaneses já sabem da notícia, transmitida na sua língua por emissoras estrangeiras. E no exterior da vivenda onde Suu Kyi viveu nos últimos seis anos concentraram-se pequenas multidões. Na segunda-feira à noite, a líder democrática mostrou-se aos que a esperavam e falhou-lhes, assegurando que não fizera qualquer acordo secreto com os militares.</P>
<P>
Os motivos destes para a libertarem continuam a ser alvo de especulações, mas a ideia geral é a de que se trata de obter alguma legitimidade para um regime pária e internacionalmente pressionado. Isso permitiria um maior fluxo de investimento estrangeiro, vital para uma economia paupérrima. Ontem mesmo, ao reagir com satisfação à notícia da libertação, o ministro japonês dos Negócios Estrangeiros, Yohei Kono, afirmou que o seu país estava a pensar recomeçar a ajuda económica em grande escala à Birmânia, que foi substancialmente reduzida.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="aa33715"> 
<P> O Pai Natal, Artur Jorge e o BCP </P>
 <P> O Governo russo proibiu uma campanha de uma cadeia de distribuição, que tinha por lema " O Pai Natal não existe ". O argumento é que tal ideia era nefasta para as criancinhas russas. Conclusão: o Governo russo acredita no Pai Natal e quer que as criancinhas também acreditem. </P>
 <P> Artur Jorge foi, entretanto, escolhido para seleccionador do Irão, equipa que se encontrava há seis meses sem treinador. Tendo em atenção o que se tem passado nos últimos anos na carreira do ex-treinador do FC Porto, que nunca termina os contratos e acaba sempre despedido com uma choruda indemnização, bem se pode dizer que a Federação Iraniana de Futebol acredita no Pai Natal. E Artur Jorge também, claro. </P>
 <P> Por outro lado, a escolha do presidente da Caixa Geral de Depósitos para presidir ao BCP só pode igualmente ser obra do Pai Natal. Carlos Santos Ferreira é visto como o homem que vai trazer a concórdia para um banco que não vive em paz há muito - mesmo que o vá fazer à custa do banco do Estado. </P>
 <P> Por isso, o ministro das Finanças, que autorizou esta mudança sem pestanejar, também deve acreditar no Pai Natal. Não lhe passa pela cabeça que Santos Ferreira, com o que sabe da Caixa, fique em excelente posição para ganhar quota de mercado ao banco público, que vai este ano dar mais de 800 milhões de lucros, dos quais 400 milhões vão direitinhos para os cofres do Estado a título de IRC. Se Santos Ferreira tiver sucesso no BCP, quem vai sofrer é a Caixa - e, por tabela, todos nós, contribuintes. Porque quanto menos o Estado receber de dividendos das empresas públicas, mais o Estado será tentado a vir buscar-nos dinheiro aos bolsos. </P>
 <P> Por outras palavras, os únicos que não têm razões para acreditar no Pai Natal são os contribuintes portugueses. </P>
 <P> Nicolau Santos </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-34133">
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Nélson Guimarães pediu prisão preventiva do acusado; líder de Fleury na Assembléia quer CPI para o caso</P>
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Da Reportagem Local</P>
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O diretor da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, delegado Nélson Guimarães, que assumiu ontem as investigações sobre o assassinato de Oswaldo Cruz Júnior, presidente do Sindicato dos Condutores Rodoviários do ABCD, não descarta que "motivações políticas" estejam por trás do crime.</P>
<P>
O delegado destaca, entre as razões a serem investigadas, "a briga interna do sindicato, as denúncias de Oswaldo sobre dinheiro que estaria sendo desviado para campanhas políticas e as ameaças de morte que a vítima vinha sofrendo". "Não esqueceremos nenhuma hipótese", disse Guimarães, que pediu a prisão preventiva de José Benedito de Souza, o Zezé, acusado do crime.</P>
<P>
Guimarães, que estava em férias, foi designado para o caso pelo secretário de Segurança Pública, Odyr Porto. A escolha, segundo Odyr, "partiu do governador Fleury, devido à gravidade e grande repercussão do caso". "Vamos esclarecer as razões do crime, já que seu autor foi o Zezé", disse o delegado.</P>
<P>
Ontem, na Secretaria de Segurança Pública, Odyr e Guimarãs receberam o sindicalista Luiz Antônio de Medeiros, presidente da Força Sindical. Medeiros se colocou à disposição de Guimarães para prestar depoimento.</P>
<P>
A carreira de Nélson Guimarães é marcada por dois casos com grande repercussão política: o sequestro do empresário Abílio Diniz, em dezembro de 1989, e o assassinato do governador do Acre, Edmundo Pinto, em maio de 1992.</P>
<P>
No caso Diniz, Guimarães foi acusado por membros do PT de ter tentado vincular os sequestradores ao partido. Ele teria, segundo o PT, obrigado os sequestradores a vestir camisetas de apoio a Lula e colocado adesivos do PT no ônibus que os transportou. O fato ocorreu no dia da votação do segundo turno da eleição presidencial entre Lula e Collor. O secretário de Segurança Pública, à época, era o hoje governador Luiz Antonio Fleury Filho.</P>
<P>
Enquanto aguarda o laudo do IML (Instituto Médico Legal), a polícia pretende ouvir novas testemunhas, começando pela família da vítima. Guimarães disse que vai usar uma fita de vídeo, gravada por um cinegrafista do sindicato segundos após os tiros, para identificar novas testemunhas. A fita registra, em poucos segundos, o corpo de Oswaldo sendo carregado num corredor do sindicato e mostra o chão da sala em que foi baleado cheio de sangue.</P>
<P>
O deputado estadual Uebe Rezeck, líder do PMDB e do governo Fleury na Assembléia Legislativa de São Paulo, pediu ontem a abertura de uma CPI para investigar os detalhes do assassinato de Oswaldo Cruz Júnior.</P>
<P>
Rezeck se reuniu ontem com o presidente da Assembléia, Vitor Sapienza (PMDB), para discutir o assunto. O líder de Fleury se disse "chocado" com a morte. O empenho da bancada governista, na opinião dos parlamentares do PMDB, deve ser o maior possível para conseguir a abertura da comissão de inquérito.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="hub-60382">
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Mundial: Rui Cordeiro e Lobos arrepiam franceses</P>
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NÃO FOI SÓ EM PORTUGAL QUE O HINO PUXOU PELAS EMOÇÕES FORTES</P>
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Os homens também choram, e isso ficou provado quando os jogadores da Selecção cantaram o hino antes do Escócia-Portugal. As imagens emocionaram o País mas não só. No bloco informativo dedicado à prova, a TF1 -- uma das principais cadeias de televisão francesas -- anunciou «o momento mais incrível do Mundial até agora» e, de seguida, exibiu «A Portuguesa» na íntegra, com os Lobos a chorarem.</P>
<P>
Não é todos os dias que se vê um «gigante» de 1,84 metros e 140 kg a chorar como uma criança. Mas Rui Cordeiro foi um dos Lobos que mais impressionou a cantar hino. Logo ele, que «é difícil ir às lágrimas». «Senti tanta coisa. O hino sempre foi um momento importante nos nossos jogos e nós não o cantamos, gritamos! Depois entre o aquecimento e o regresso, as bancadas, que ainda estavam quase vazias, compuseram-se. Deu-me muitas ganas», explicou Cordeiro, prosseguindo: «Assim como a Nova Zelândia se motiva com o 'haka', nós fazemo-lo com 'A Portuguesa'.»</P>
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Esforço</P>
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Durante o apuramento, Cordeiro foi dos que mais sofreu. Sempre que havia convocatória, o veterinário e inspector sanitário «saía do trabalho "pelas 17 horas, viajava para Lisboa, treinava e regressava, chegando perto da uma da madrugada». «Aconteceu ter de me levantar às 4 horas para ir trabalhar», conta.</P>
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Adeus à Selecção</P>
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O último jogo de Rui Cordeiro no Mundial vai ser também o derradeiro da carreira internacional. «É complicado conciliar a Selecção Nacional com a carreira profissional», justifica o pilar da Académica, que este ano regressa à Divisão de Honra.</P>
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«Há muitas dificuldades. Mesmo com o Mundial, só iniciei a preparação em Julho, enquanto os colegas começaram em Maio, e isso notou-se», explicou com alguma mágoa.</P>
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Assim, o jogo com a Roménia promete trazer-nos um Cordeiro mais «chorão». «Vai haver choradeira no início, no fim, o tempo todo», promete, bem-disposto, o pilar, que vai «continuar na Académica enquanto der gozo».</P>
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<DOC DOCID="cha-89938">
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Ayrton Senna e a morte na F1</P>
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Após 12 anos, a morte voltou em 1994 às pistas de Fórmula 1. Levou dois pilotos -- o tricampeão mundial Ayrton Senna e o estreante Roland Ratzenberger -- e ameaçou outros de muito perto. Jean Alesi, JJ Lehto, Rubens Barrichello, Karl Wendlinger e Pedro Lamy sobreviveram a acidentes graves e voltaram às pistas, mas a onda de choque desencadeada pela morte de Senna, um ídolo do desporto mundial, provocou uma séria discussão sobre a segurança na F1.</P>
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O GP de S. Marino, disputado a 1 de Maio, marcou um trágico ponto de viragem na disciplina maior do desporto automóvel. Desde 1982, quando morreram Gilles Villeneuve (treinos para o GP da Bélgica) e Riccardo Paletti (partida para o GP do Canadá), que nenhum piloto perdia a vida durante um Grande Prémio. Doze anos depois, os acidentes mortais regressaram às pistas da F1, atingindo uma vez mais um dos maiores pilotos de sempre.</P>
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Na pista de Imola (Itália), durante a segunda sessão de treinos cronometrados, o austríaco Roland Ratzenberger perdeu o controlo do seu Simtek-Ford (onde se partiu uma parte da asa dianteira), batendo violentamente contra um muro de protecção. Ratzenberger morreu imediatamente, causando consternação entre os pilotos. Mas o pior estava ainda para vir. No dia seguinte, na sétima volta da corrida, a segunda depois de o «safety car» abandonar a pista, o Williams-Renault nº 2 passou a fundo na recta da meta, à frente de todos os concorrentes, mas não completou a curva Tamburello, despistando-se a cerca de 250 km/h. Do violento choque quase frontal resultou a morte do piloto Ayrton Senna da Silva, 34 anos, brasileiro, tricampeão mundial de Fórmula 1, a 22ª vítima mortal desde o início desta disciplina, em 1952.</P>
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O Brasil perdeu uma das suas bandeiras e saiu à rua para se despedir do melhor piloto da última geração, um dos maiores de todos os tempos. Cerca de 250 mil pessoas esperavam em São Paulo o avião que transportou o corpo do piloto; mais de 200 mil acompanharam o velório; todos os momentos foram seguidos em directo por vários canais de televisão. Os brasileiros reviam-se no homem tímido e com cara de menino que não dava tréguas na pista, sempre em busca de mais uma vitória, de menos um centésimo de segundo. O deus dos circuitos, para quem não havia justificação «seja em que circunstância for, para um segundo ou terceiro lugares». «Vencer é como uma droga», admitia este piloto profundamente religioso. Especialista em andar nos limites, as suas 65 «pole-positions» ficarão por vários anos como um dos recordes a bater -- a última conseguiu-a no GP mais negro da última década.</P>
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Ayrton Senna entrou para a Fórmula 1 em 1984, depois de uma carreira vertiginosa e vitoriosa nos karts e nas fórmulas de promoção, sobretudo em Inglaterra. Nesse ano, teve a sua pior classificação no «Mundial», um nono lugar com a equipa Toleman. Depois, na Lotus e na McLaren, nunca deixou de estar entre os quatro primeiros. Ganhou três títulos mundiais e 41 Grandes Prémios, teve 24 acidentes em corrida -- o último foi fatal. Senna morreu na terceira corrida ao volante de um Williams-Renault, a equipa que sonhava representar há anos e que parecia a mais preparada para lhe proporcionar mais vitórias e títulos.</P>
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A morte do tricampeão brasileiro provocou várias mudanças na estrutura da F1. Senna tinha-se reunido com outros pilotos na manhã da corrida em Imola, sugerindo a associação dos pilotos, de forma a garantirem melhores condições de segurança. Essa associação (GPDA) só havia de se concretizar durante o GP do Mónaco, já após o acidente que deixou Karl Wendlinger em coma por mais de duas semanas, e viria a concentrar-se na eliminação dos pontos mais perigosos encontrados nas pistas.</P>
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Na mesma ocasião, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) impôs às equipas uma série de modificações nos monolugares, procurando aumentar as condições de segurança. A diminuição de velocidade em curva foi um dos objectivos imediatos dos dirigentes, que decretaram (colocando em causa anteriores acordos com os construtores) várias alterações na aerodinâmica. As mudanças eram grandes e o tempo para as testar muito curto -- os acidentes obrigaram as equipas a concordar com as alterações e com os prazos, enquanto a FIA e a FOCA (associação dos construtores) descartavam a possibilidade de alterar o calendário ou de cancelar qualquer prova.</P>
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O português Pedro Lamy foi a primeira e mais grave vítima dessa política. Depois de se ter estreado na F1 nos últimos Grandes Prémios de 1993, prosseguiu a sua carreira na Lotus, onde esperava fazer todo o campeonato deste ano. No dia 24 de Maio, quando participava numa sessão de testes no circuito britânico de Silverstone, para ensaiar as alterações introduzidas nos regulamentos, a asa traseira do seu Lotus partiu-se, provocando um violento e aparatoso despiste a cerca de 240 km/h. O acidente, que reduziu o monolugar ao «cockpit» imobilizado já fora da pista, provocou ao jovem piloto português (22 anos) a fractura das duas pernas e de um braço e o deslocamento dos dois joelhos. Para Lamy, estava terminada a época de F1. O seu regresso às pistas só aconteceu após cinco meses, e o piloto português não conseguiu ainda assegurar um lugar no pelotão que vai disputar a próxima época, apesar do contrato assinado com a Mercedes.</P>
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À parte desta sucessão de acidentes conseguiu manter-se Michael Schumacher, o alemão da Benetton-Ford que no início do ano afirmava que a sua ambição era terminar o campeonato na segunda posição, atrás de Senna. Schumacher provou nas pistas o seu enorme talento, conseguindo na primeira parte da época uma vantagem que posteriormente se revelou fundamental.</P>
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Para o jovem alemão, o «Mundial» teve apenas 12 provas, pois foi desclassificado em duas e suspenso em outras duas. Foi o período mais conturbado no confronto entre pilotos, construtores e dirigentes. Mesmo assim, Schumacher conseguiu oito vitórias e abandonou apenas duas vezes -- uma com o motor partido, outra na última corrida do campeonato, quando se envolveu num acidente com Damon Hill (Williams-Renault) --, assegurando a conquista do título mundial. Uma vitória merecida, frente a um adversário subitamente elevado à posição de protagonista.</P>
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Schumacher ganhou o «Mundial» numa época marcada pela grande rotatividade de pilotos (mais de quatro dezenas participaram em Grandes Prémios), pelo regresso à disciplina do campeão Nigel Mansell, pelas alterações técnicas aos monolugares, pelas modificações introduzidas em quase todas as pistas a partir de Imola. O nome do piloto alemão já entrou para a história, mas, para a maior parte dos adeptos, 1994 foi o ano da morte de Ayrton Senna.</P>
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Manuel Abreu</P>
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<DOC DOCID="cha-11280">
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Famílias recusam-se a sair de barracas na Pontinha</P>
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«P'ra pior já basta assim»</P>
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Duas famílias do bairro de barracas de Santa Maria da Urmeira, na Pontinha, recusam-se a ser transferidas para habitações sociais do Governo Civil de Lisboa, nos bairros de Santo António e Mário Madeira (também na freguesia da Pontinha), alegando que possuem condições ainda piores do que as casas onde moram actualmente. O vice-governador civil, Machado Lourenço, que gere ambos os bairros, já intimou as famílias de Luís Gonçalves Lopes e de Albertino Augusto Miranda a aceitarem a troca, caso contrário haverá lugar a «despejo coercivo». O prazo dado para a aceitação da transferência (cinco dias) está a expirar, mas ninguém quer ceder.</P>
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Jacinta Maria, que habita o número 19 das casas desmontáveis da Urmeira com o marido, Luís Lopes, e dois filhos, queixa-se de que a casa que lhe foi atribuída «só tem dois quartos e uma retrete que nem lavatório tem». «Aqui [e aponta para uma barraca de madeira e telhado de lusalite em estado de ruína], sempre temos três quartos e, lá em baixo, onde me querem pôr, estou ao lado de uma ribeira cheia de lixo», justifica-se Jacinta Maria.</P>
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«Tenho medo de lá morar, porque está ao pé da ribeira e ainda me lembro das cheias, tinha eu quatro anos», acrescenta. «Prefiro ficar na rua a ir para ali», diz, referindo-se ao número 615 do bairro de Santo António, uma casa velha de telhado periclitante, mas em alvenaria, situada a poucas centenas de metros.</P>
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Posição idêntica tem Albertino Miranda, nascido há 42 anos na Urmeira, onde ainda vive, no número 510 das casas de São Pedro, ao lado da ribeira que, em 1967, transbordou durante as cheias que obrigaram ao realojamento de mais de 130 famílias, dando lugar ao bairro de pré-fabricados da Urmeira. Uma situação que dita «provisória», já lá vão 28 anos.</P>
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A família Miranda é constituída por quatro pessoas e o chefe do agregado recusa-se a aceitar a casa «de apenas dois quartos» que o Governo Civil lhe atribuiu no bairro Mário Madeira. Ao contrário de Jacinta Maria, ele não tem receio das cheias e não está muito preocupado com a ameaça de despejo: «É só para nos assustar», diz, acrescentando que só sai «para melhor».</P>
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Despejos não estão previstos para já, garante, por sua vez, o vice-governador civil. Machado Lourenço considera «incompreensível que as pessoas se dêem ao luxo de dizer que não querem ser realojadas». O responsável pela gestão dos vários bairros do Governo Civil na Pontinha diz que os velhos pré-fabricados são para demolir por não terem condições de habitabilidade, sendo as famílias transferidas para casas dos bairros de alvenaria. «Se não demolimos as barracas, somos criticados; se o queremos fazer, criticam-nos na mesma», queixa-se.</P>
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Quanto ao desfecho de mais uma situação de conflito com moradores, Machado Lourenço diz que as cartas se destinam apenas a «intimidar» os recalcitrantes e a levá-los a reconsiderar a sua posição. Mas adverte que «há-de haver uma altura em que terão de mudar e, se não for a bem, terá de ser a mal».</P>
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Segundo o vice-governador civil, das 130 casas iniciais de madeira, só restam 42 por demolir e efectuar os respectivos realojamentos. Mas os moradores acusam aquele responsável de não deitar as barracas abaixo e de voltar a colocar nelas outras famílias, num sistema de transferências em cadeia entre os vários bairros. Seria esse o caso, segundo afirma Jacinta Maria, da sua vizinha da barraca número 19, que foi para ali há dois meses, vinda da casa para onde a querem transferir a ela.</P>
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Vítor Faustino</P>
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<DOC DOCID="wpt-10034934164544455">
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Autor Mensagem</P>
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joseep</P>
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Site Admin </P>
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Registo: 12 Apr 2005</P>
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Mensagens: 4</P>
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Local/Origem: Lisboa (Portugal)</P>
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Colocada: Quarta-feira Maio 04, 2005 23:36 Assunto: Como efectuar um Registo (tem vantagens)</P>
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Gostaria muito, que os Acólitos, se registassem no forum, de modo a ser algo organizado, principalmente os da AAPSE e é muito simples, querem ver.</P>
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1º-Vão ao cabeçalho, onde estão várias teclas, uma delas REGISTAR-SE, e seleccionam.</P>
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2º- Aceitam o contrato,</P>
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3º Preenchem o que acharem necessário e SUBMETEM (NAO ESQUECER USERNAME, PASS e vosso e-mail).</P>
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4º Vão ao vosso e-mail, que colocaram no registo, e vão ver que receberam um novo mail, abrem e carregam no link para concluir o registo (PASSO MUITO IMPORTANTE, dúvidas contactem-me)</P>
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5º - Quando acederem ao forum da próxima vez vão a ENTRAR (em cima) e digitam o vosso USERNAME e PASS.</P>
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Qualquer dúvida contactem!</P>
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_________________</P>
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Um abraço,</P>
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José Eduardo Pires</P>
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Ass. de Acólitos da Paróquia de Santo Eugénio</P>
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<DOC DOCID="cha-71095">
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Igrejas como a catedral da Sé e a Nossa Senhora do Brasil prepararam programação especial </P>
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Da Reportagem Local e da FT </P>
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Algumas igrejas de São Paulo, além da realização normal das missas, programaram comemorações especiais para a Páscoa.</P>
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A procissão da Sexta-Feira Santa organizada pela Arquidiocese de São Paulo, que acontece hoje às 19h na ruas do centro, mostra pela primeira vez uma união do calvário de Cristo com o sofrimento atual da população.</P>
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A mudança foi inspirada na Via-Sacra Latino Americana, criada pelo argentino Adolfo Perez Esquivel, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 80.</P>
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Segundo o padre Assis Donizete de Carvalho, a modificação é inédita porque troca as imagens tradicionais por sete panôs (gravuras) utilizados durante as setes paradas. "Em cada panô, Cristo retrata o sofrimento e morte do povo". Entre os temas tratados estão os direitos humanos, as favelas e as grandes cidades. De acordo com ele, a mudança também está relacionada com a Campanha da Fraternidade deste ano que tem como tema os excluídos.</P>
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Às 11h, cerca de 500 pessoas carentes celebram a Paixão do Povo de Rua. A via-sacra também será pelas ruas do centro. No final será servido um lanche.</P>
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Na paróquia São Judas Tadeu, no Jabaquara (zona sul) haverá a procissão da ressurreição. A saída está marcada para as 5h, em frente à igreja. A procissão deve durar uma hora, voltando à igreja, onde será celebrada missa às 6h.</P>
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Durante o dia, as missas acontecem no horário habitual: 7h, 8h30, 10h, 11h30, 16h30, 18h e 19h30.</P>
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Na igreja de São Januário, na Mooca (zona leste), _conhecida como San Genaro_ a missa das 10h terá apresentação especial do grupo de jovens, encenando a ressurreição de Cristo. Também haverá missa às 7h30 e às 18h.</P>
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A catedral da Sé (centro) terá seis missas celebradas na Páscoa. Os horários são 8h, 9h, 10h, 12h, 16h30 e 18h.</P>
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A Nossa Senhora do Brasil, no Jardim América (zona oeste), terá vários corais acompanhando as missas do domingo.</P>
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Apenas a primeira missa, às 7h, não terá o canto. Na programação estão o coral Apocalipse, na missa das 17h30, e Dom Bosco às 18h30. As outras missas no dia ocorrem às 10h, 11h, 12h30 e 19h30.</P>
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Cidade vazia </P>
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Para quem quiser sair do roteiro "sacro", a grande pedida para quem fica em São Paulo é aproveitar as atrações normais da cidade no sábado e no domingo com a vantagem de que, na maioria dos casos, haverá muito menos gente e as tradicionais filas não devem se formar nos cinemas e parques.</P>
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Comércio Nos shoppings, apenas as áreas de lazer, as praças de alimentação e os cinemas vão funcionar hoje e domingo. No sábado, as lojas abrem normalmente.</P>
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Os supermercados abrem amanhã e só voltam a funcionar na segunda-feira.</P>
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Para quem quer viajar </P>
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As passagens aéreas para grande parte das capitais do país já estão esgotadas. Ainda restam pouquíssimos lugares para os vôos para manaus, Belém, São Luís, Porto Alegre, Florianópolis, Belo Horizonte, Vitória, Brasília, Campo Grande e Goiânia.</P>
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Para quem quiser pegar ônibus, ainda restam alguns lugares para a maior parte dos destinos mais procurados como o litoral de SP, capitais do Norte/Nordeste, Rio de Janeiro e capitais dos Estados da região Sul.</P>
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ENDEREÇOS DAS IGREJAS:</P>
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São Judas Tadeu - av. Jabaquara, 2628</P>
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São Januário - r. da Mooca, 950</P>
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Catedral da Sé - pça. da Sé, s/n</P>
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Nossa Senhora do Brasil - pça. Nossa Senhora do Brasil, 1 </P>
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<DOC DOCID="cha-99785">
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PKK declara a Turquia «zona de guerra»</P>
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Separatistas «embaraçam» Ancara</P>
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Alexandra Prado Coelho</P>
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Acusada pela Amnistia de graves violações dos Direitos Humanos e confrontada com um agravamento do conflito com os separatistas curdos, a Turquia arrisca-se a perder pontos no «exame» para a entrada na Europa dos Doze. Bombas explodiram esta semana em locais turísticos e os separatistas curdos prometem mais um «Verão quente».</P>
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Foi uma semana de más notícias para a Turquia. Primeiro a Amnistia Internacional tornou público um relatório extremamente crítico sobre a situação dos Direitos Humanos no país; depois, no sábado, demitiu-se o ministro encarregado dos Direitos Humanos, Mehmet Kahraman, pela pouca atenção que o governo da senhora Tansu Ciller dava às questões que era suposto tutelar; entretanto, duas bombas explodiam em locais turísticos fazendo recear mais um Verão «quente», com uma nova ofensiva dos separatistas curdos contra os interesses económicos turcos.</P>
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O Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) não esconde que é precisamente essa a sua intenção e na passada terça-feira anunciou, numa conferência de imprensa em Madrid, que a Turquia deverá ser considerada «zona de guerra» e, como tal, um país a evitar pelos estrangeiros. O objectivo é afectar o turismo, uma das principais fontes de rendimento para o Governo. Mas a «campanha de Verão» não é novidade, já no ano passado os rebeldes curdos tinham prometido «levar a guerra para as zonas turísticas», conseguindo de facto reduzir de forma significativa o número de visitantes do país.</P>
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Os atentados à bomba desta semana provocaram 21 feridos e, onze dos quais eram turistas, nas estâncias balneares de Fethiye e Marmaris, precisamente na zona onde se encontram as praias preferidas pelos estrangeiros e os melhores hotéis. Ontem, em Istambul, cinco novas explosões mataram um polícia e feriram outro. Na imprensa começaram já a surgir as fotografias das praias praticamente desertas depois dos atentados e o Ministério do Turismo, em conjunto com as agências de viagens, lançou uma campanha de promoção para tentar «salvar» o ano.</P>
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«Prática sistemática da tortura»</P>
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Mas, mesmo que convença os turistas, Ancara começa a ter alguma dificuldade, depois das denúncias da Amnistia, em convencer a opinião pública internacional de que a situação no país está calma e os direitos humanos são respeitados. «A situação agrava-se de hora a hora», afirma a Amnistia, que pediu já à Conferência para a Segurança e Cooperação na Europa (CSCE) que envie uma missão de peritos à Turquia para investigar «os limites impostos à liberdade de expressão e a prática sistemática da tortura».</P>
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O Governo turco desmentiu imediatamente as acusações. «A imagem da Turquia que a Amnistia pretende criar é contrária à verdade», afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Parte das acusações feitas a Ancara prendem-se com a questão curda e com a situação que se vive no Sudeste do país, onde as forças governamentais combatem os guerrilheiros do PKK. Só na última semana pelo menos 70 rebeldes e 13 soldados turcos morreram em combates nesta região, e, segundo Ancara, mil guerrilheiros terão sido mortos nos primeiros cinco meses deste ano.</P>
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Mas uma das críticas que começa a ser feita com uma frequência cada vez maior ao actual Governo turco, dirigido pela primeira-ministra Tansu Ciller, relaciona-se com as medidas tomadas contra jornalistas, escritores e sindicalistas, presos este ano sob acusações de propaganda pró-curda.</P>
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O caso mais falado tem sido o da prisão dos deputados do partido pró-curdo DEP, dissolvido em Janeiro por «actividades separatistas». Na quarta-feira foi apresentado à Comissão Europeia dos Direitos do Homem do Conselho da Europa um recurso contra a Turquia, acusada de, com a detenção dos deputados desde o início de Março, estar a violar quatro artigos da Convenção europeia dos Direitos do Homem. Nada disto é positivo para a imagem de Ancara, que sabe que a questão dos Direitos Humanos tem sido um dos principais obstáculos à sua entrada na União Europeia.</P>
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O correspondente em Istambul do jornal «The Guardian» afirma que se está a assistir a uma deslocação das operações dos separatistas para Ocidente, num movimento que acompanha a fuga de centenas de milhar de curdos que nos últimos anos têm vindo a abandonar o Sudeste e a concentrar-se na zona de Istambul. Segundo a Amnistia, a fuga das populações surge na sequência das operações do Exército, incluindo bombardeamentos aéreos contra as localidades curdas. Muitos dos refugiados (oito mil fugiram, desde Março, para o Norte do Iraque) afirmam que foram expulsos das suas casas pelos soldados.</P>
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O relatório refere ainda o número crescente de «desaparecimentos» de curdos ou personalidades com conhecidas simpatias pelo movimento curdo e as mortes sob custódia policial. «A menos que seja tomada uma acção decisiva, a prática de `desaparecimentos', tal como as execuções extra-judiciais e a tortura será estabelecida na Turquia como um instrumento rotineiro de intimação e eliminação», afirma a Amnistia.</P>
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A situação no Curdistão turco tem vindo a agravar-se desde o ano passado. O PKK lançou violentos ataques contra civis, matando professores e incendiando escolas onde são ensinados os programas impostos pelo Estado turco (a língua e a cultura curdas não podem ser ensinadas nas escolas) e impondo a sua lei em grande parte do Sudeste.</P>
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Algumas fontes indicam que o número de guerrilheiros atinge os 15 mil, mas Ancara não reconhece esta dimensão ao movimento, e insiste numa política de repressão e de recusa de qualquer negociação, tendo enviado para a região entre 150 a 250 mil soldados. Hugh Pope, correspondente do jornal «The Independent» cita observadores que admitem que a situação possa evoluir para uma «guerra civil do tipo da jugoslava».</P>
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Mas Pope nota também uma mudança de posição por parte de determinadas elites com uma certa influência. Embora a maior parte da opinião pública se mantenha apavorada com os títulos dos jornais, algumas destas vozes influentes começam a falar em formas «alternativas» para pôr termo à guerra. E o analista do «The Independent» pensa que, se não fossem as acções terroristas do PKK, poderiam facilmente surgir mais vozes favoráveis à causa curda.</P>
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Entre dois fogos</P>
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É preciso não esquecer, no entanto, que a primeira-ministra é alvo de enormes pressões por parte da poderosa instituição militar, contrária à hipótese de uma solução negociada ou de cedências. Esta semana, Tansu Ciller anunciou que não aceita a ajuda militar norte-americana enquanto esta estiver condicionada. O Senado americano prometeu a ajuda se Ancara se comprometesse a não a usar para combater os rebeldes curdos. «A República Turca não vai submeter-se a um pedido destes. Uma condição destas significa `eu apoio o terrorismo, vou ficar a olhar enquanto a Turquia se desfaz'», declarou Ciller.</P>
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Tanto a guerra curda como a progressiva expansão eleitoral do islamismo minam a regime democrático de Ancara. Se a primeira ameaça a economia, a segunda põe em causa o laicismo histórico do Estado. Conjugadas, podem vir a traduzir-se num regresso dos militares à cena política e pôr em causa o longamente desejado «destino europeu» da Turquia. O que inquieta os meios económicos. Talvez por isso, o presidente da associação dos industriais turcos tenha dito recentemente ao enviado do «Monde Diplomatique»: «Uma economia forte só pode prosperar num terreno democrático».</P>
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<DOC DOCID="cha-48768">
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teste do consumidor</P>
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Quem não gosta de um chopinho bem gelado no verão? A Revista da Folha decidiu testar a nova versão de chopeira portátil da Marfinite, recém-lançada, com capacidade para três litros (ou quatro cervejas) e serpentina de três metros de comprimento. A chopeira, que "transforma" cerveja em chope, foi testada por Sérgio de Nardi, 37, comerciante, e por Lucas Bambozzi, 28, coordenador de vídeo do Museu da Imagem e do Som (MIS). Eles avaliaram gosto, colarinho e a temperatura da bebida. O produto foi aprovado apenas no item temperatura. Segundo os dois consumidores, após "bons" primeiros copos, houve perda de gás, falta de pressão e o colarinho ficou ralo. Pela avaliação, a chopeira parece mais útil para gelar com rapidez chá, sucos ou refrigerantes. Abaixo, as suas opiniões. – G.A.</P>
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ONDE ENCONTRAR: Lojas Marfinite em São Paulo (r. Costa Aguiar, 590, Ipiranga; shopping Lar Center, piso 3, loja 357; e "show room" na av. dos Bandeirantes, 5.364, Vila Olímpia). e nos revendedores espalhados pelo Brasil. Preço: CR$ 9.200.</P>
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BAIXA PRESSÃO</P>
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O comerciante Sergio de Nardi não gostou da chopeira porque, "após cinco ou seis primeiros copos, o chope fica intragável". Há perda de gás, segundo Nardi. "A bomba de pressão parece defeituosa". O consumidor afirma também que é difícil saber se a quantidade de bombadas é suficiente ou excessiva para "transformar" a cerveja em chope. Os pontos positivos: 1) as instruções impressas na chopeira são boas, embora não informem o número necessário de bombadas; 2) a serpentina funciona bem e gela a bebida rápido; 3) se usada corretamente, a chopeira parece ser resistente e durável.</P>
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COLARINHO RALO</P>
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Lucas Bambozzi, funcionário do MIS, reprovou a chopeira porque há perda de gás, após o quinto copo. "Só os primeiros copos saem bem". A pressão é insuficiente ("talvez ela fosse maior, se a serpentina fosse mais fina") e a espuma fica rala e sem densidade ("a torneira não permite o controle do colarinho"). Resultado: gosto ruim. "Vira cerveja sem gás, esfriada. Pode ser útil quando há muita gente e a cerveja não fica muito tempo parada no reservatório". Pontos positivos: 1) as instruções são claras, mas não trazem o número certo de bombadas; 2) com pouco gelo, esfria rápido.</P>
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<DOC DOCID="cha-8177">
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Há muito mais "Brasis" sob a face do sol do que a teoria ou a imaginação são capazes de abranger</P>
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MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES</P>
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Especial para a Folha</P>
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O conflito distributivo brasileiro é permanente e abrange todos os níveis da sociedade e do Estado. A dispersão de rendimentos do trabalho, a variedade de formas de acumulação espúria de capital e a proliferação dos "podres poderes" exprimem um tamanho grau de iniquidade que é verdadeiramente difícil de imaginar sua superação a curto prazo.</P>
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Hoje está claramente aceita até pelos poderes da República a expressão "ciranda financeira". Mas falta uma, cunhada também nos tempos da ditadura, por alguns intelectuais e pela própria imprensa, que é a expressão "capitalismo selvagem".</P>
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A péssima distribuição de rendas no Brasil e a superinflação, que são a manifestação mais gritante desta iniquidade, não podem ser atribuídas, porém, apenas à ação dos oligopólios ou monopólios, que sempre existiram, nem à heterogeneidade da estrutura produtiva que também vem de longe. O atual grau de selvageria de nosso capitalismo deve-se à profunda crise que atravessa a nossa sociedade, expressa na desorganização e na fragmentação de interesses dos vários poderes econômicos e políticos, que passaram a ter um comportamento predatório.</P>
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A desintegração social brasileira atual não pode ser apreendida pela imagem dos dois "Brasis", a famosa "Belíndia". Há muito mais "Brasis" sob a face do sol do que a teoria ou a imaginação são capazes de abranger. Nem mesmo o "olhar atravessado" de um Nelson Rodrigues, mais dado à crítica dos costumes do que à crítica social, daria conta, hoje, da profundidade de nossa patologia social e dos conflitos potenciais latentes. A diversidade de situações sociais de poder, de prestígio, de condições de trabalho e de vida –expressa na maior desigualdade de distribuição de renda e de riqueza do mundo capitalista– é de tal natureza que não há qualquer ordem ou modelo de engenharia social conservadores capaz de resolvê-la. Vale dizer, são necessárias reformas profundas no Estado e na sociedade para tornarmo-nos viáveis como nação. O problema é que nunca houve acordo mínimo entre as elites e a sociedade sobre a natureza das reformas.</P>
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Enquanto isso, a biodiversidade da nossa "selva social" vem requerendo periodicamente, para não transformar-se num estado permanente de luta aberta e de desespero, um imaginário coletivo que envolva a tolerância e a negociação. O problema é que hoje não basta o famoso pacto das elites. Quando a situação se torna dramática demais e nenhuma negociação global parece possível, é necessário buscar algum ponto de encontro, identificável no território do simbólico ou do sagrado, que vá da redenção ao sentimento de transcendência, como vem ocorrendo agora com a campanmha do Betinho. As lutas recentes passaram por fundos movimentos de massas que tiveram a animá-los um sentimento de "alegria, felicidade e solidariedade" de que foram exemplos a campanha das "Diretas Já" ou a campanha de Lula de 1989.</P>
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Sobre a precariedade e o desejo persistente da alegria e da felicidade, a nossa música popular está cheia de versos poéticos que penetram no coração de todos. A memória poética e a esperança na capacidade de transformação da realidade é o que permanece, por cima das diferenças sociais e ideológicas da maioria da população que teima em acreditar que o Brasil é um país viável. "Brasileiro, profissão esperança" e "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima" foram duas das mais belas imagens criadas pela produção cultural deste nosso país.</P>
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Dadas as raízes opressoras e autoritárias das elites dominantes brasileiras, que não fizeram senão sofisticar-se, e a violência social dos "mercados" formais e informais, o imaginário do "homem cordial" está hoje desacreditado. Mas ainda está profundamente enraizado na cultura tanto do povo como das classes dominantes o desejo ou a crença em soluções "mágicas" ou simplesmente "moralizadoras" para nossos graves problemas.</P>
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Independentemente das conjunturas esta foi uma das maiores dificuldades políticas que tiveram de enfrentar quase todos os presidentes eleitos legitimamente na história do após guerra. As aspirações populares de justiça social mínima, juntam-se sempre demandas contraditórias das elites, acompanhadas de resistências surdas ou explícitas à mudança social. Estas características estruturais têm conduzido sistematicamente a impasses (Vargas, Jango, Jânio e Collor).</P>
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Não se trata, como se tem sugerido, de obter alianças majoritárias no Congresso para poder governar ou da capacidade de decisão e coragem dos presidentes. A maioria deles se elegeu com alianças majoritárias dominadas pelas forças conservadoras e no entanto cada vez que tentaram empreender qualquer reforma que ameaçasse o "status quo" ou se viram na impossibilidade de arbitrar os interesses mais pesados, econômicos ou regionais, foram sistematicamente acusados de populismo e levados a um impasse, mesmo quando sua aliança originária tivesse poderosas forças conservadoras e algumas das elites chamadas "morais" e "bem pensantes".</P>
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O regime autoritário, apesar de seu aparente poder "inconstratável" também não foi capaz de enfentar as desigualdades, a questão agrária e a educação de base. Apenas conseguiu fazer as reformas conservadoras e operacionais capazes de pôr de acordo, por um período limitado, as frações mais importantes das classes dominantes. Este acordo terminou antes mesmo da crise da dívida externa. Em compensação, a sua gestão "macroeconômica" contraditória, a criação da "ciranda financeira" e o endividamento externo excessivo criaram alguns vícios estruturais no Estado e no mercado pelos quais pagamos até hoje.</P>
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O regime autoritário não criou os monopólios (privados ou públicos), os oligopólios, as construtoras, os banqueiros, os especuladores, apenas permitiu que o Estado fosse usado por eles de forma predatória, numa extensão até então desconhecida. Não criou as condições originárias do "capitalismo selvagem", apenas as exarcerbou com a convivência perversa de seus representantes mais poderosos, em decisões secretas nos principais gabinetes e desvãos dos sucessivos governos, sem controle social de qualquer espécie.</P>
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A crise do modelo de desenvolvimento e da ideologia do Estado autoritário começou no final da década de 70 e contribuiria em muito para a sua derrocada. Infelizmente a ideologia neoliberal não contribuiu em nada para reformar o Estado e regenerar o setor público na direção dos interesses das grandes massas. No que se refere ao mercado, a idéia da "liberdade" irrestrita da concorrência ilimitada como mecanismo de eficiência, a privatização desordenada, o desmantelamento de empresas estratégicas e dos sistemas de infra-estrutura que abrangem todo o território nacional, estão minando nossas possibilidades de competitividade internacional futura e agravando o desemprego e a injustiça social.</P>
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Estamos jogando fora as poucas vantagens sistêmicas que o regime autoritário anterior conseguiu com tanto sacrifício do povo. Estamos liquidando o sistema de planejamento e a burocracia de Estado sem colocar nada no lugar; estamos contribuindo assim para um novo tipo de "capitalismo selvagem" que ultrapassa o herdado de nossas condições históricas. E, o que é pior, pretendem legitimá-lo sob a forma de uma doutrina neoliberal em que foram adotadas radicalmente as teses do livre mercado e confundidas, de boa ou má fé, com o conceito de democracia.</P>
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Assim, na crise atual, partidos, organizações patronais, sindicais e burocráticas, empresas e bancos, travam entre si uma luta desordenada, sem qualquer possibilidade de construir um novo pacto hegemônico conservador e muito menos construir um novo projeto nacional. Lutam nos seus "territórios menores" sem quartel, sem ética, sem projeto, numa verdadeira "ciranda política" em que as alianças duram apenas o tempo de uma conjuntura particular. É a guerra de todos contra todos, entrecruzada por alianças parciais e temporárias que não conduzem a nada.</P>
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A única novidade política é a persistência de um candidato de extração popular nas intenções de voto de uma parte substancial da população. Contra ele estão começando a articular-se um conjunto de forças poderosas. Como proclamou esta semana, em manchete e com certa ironia, a "Gazeta Mercantil" (11/01/94): "Procura-se um adversário para Lula".</P>
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MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES, 63, é economista, professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professora associada da Unicamp.</P>
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<DOC DOCID="cha-70560">
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E depois da escalada da montanha?</P>
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Acácio Barreiros *</P>
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Worcester. Secção de voto A0277, Town Hall High Street, dia 26 de Abril. Faltavam dois minutos para as sete horas da manhã. Cá fora acumulavam-se algumas centenas de pessoas brancas, negras, mestiças e indianas à espera da sua vez de votar. No interior, o responsável pela delegação do Comité Eleitoral Independente que acabara de verificar, uma vez mais, se tudo estava em ordem para dar inicio à votação, pede silêncio e, com voz embargada pela emoção, diz: «Senhoras e senhores, vamos começar a escrever a mais linda página da História de África do Sul. Peço a todos um momento de recolhimento.»</P>
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Finalmente, às sete em ponto, abrem-se as portas e no meio de um silêncio nervoso entra o primeiro cidadão eleitor. Tratava-se de um homem negro, com um fato castanho domingueiro, as lágrimas correndo pelo rosto e as mãos tremendo, que lá ia cumprindo lentamente as formalidades necessárias para votar. Mas quando lhe entregam o voto, não aguenta mais e desata num choro compulsivo que contagia os membros da mesa, os representantes dos partidos e os observadores. Mais tarde dir-me-ia: «Já sou um homem velho. Passei toda a vida à espera deste momento. Agora já posso morrer em paz!»</P>
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Tinha razão o responsável da mesa de voto A0277 naquela pequena cidade a 150 km do Cabo. Começava a ser escrita ali, como por toda a África do Sul, a mais linda página da História daquele imenso país. E, seguramente, uma das mais lindas da História da Humanidade, acrescento eu.</P>
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Muitos receavam que os ódios e as infinitas humilhações provocados pelo hediondo sistema do «apartheid» conduzissem irremediavelmente a um banho de sangue. Mas, para contentamento de todos os que acreditam na Liberdade e na Democracia, eis que o regime racista caiu pela força do voto de milhões de cidadãos finalmente livres.</P>
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Para este feito notável contribuiu de forma decisiva a acção inteligente e corajosa dessa grande figura da História Universal que é Nélson Mandela. Depois de 27 anos de violenta prisão política, saiu da cadeia sem um gesto de rancor, combateu com determinação todos os extremismos, incluindo dentro do seu próprio partido, e defendeu sem hesitações uma saída democrática que permitisse a reconciliação nacional, fosse capaz de evitar a guerra civil e afirmar a África do Sul no mundo democrático.</P>
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Quem conheça, ainda que superficialmente, a África do Sul sabe como é estreita e difícil a via democrática que Mandela defende. A cada passo são visíveis os traços terríveis com que o regime racista foi marcando aquele país. Em cada cidade, por mais pequena que seja, encontram-se os bairros negros que são autênticos campos de concentração de miséria, humilhação e revolta. Anos e anos de ódios acumulados não se apagam de um dia para o outro.</P>
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Tudo isto é agravado por uma economia em crise e um desemprego crescente que atinge, sobretudo, a população negra. Mas as imensas dificuldades ainda dão mais grandeza à aposta democrática do povo sul-africano.</P>
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No seu memorável discurso na hora da derrota eleitoral, o Presidente De Klerk disse: «Mandela levou muitos anos a escalar esta montanha. Mas chegado ao alto, não vê a planicie, mas sim novas montanhas tão difíceis de escalar como a primeira.» Esta é a dura realidade. Com a tomada de posse do primeiro Presidente eleito na África do Sul, no próximo dia 10, começam as novas escaladas.</P>
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Mas para todos aqueles que na África do Sul e em todo o mundo se batem pelos Direitos Humanos fica o exemplo desta grande caminhada de coragem, determinação e amor feita por este homem e por este povo. Nélson Mandela disse várias vezes: «O importante é sermos homens livres, para podermos de facto decidir o nosso próprio destino.»</P>
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As curtas palavras que aqui escrevo ainda no calor da emoção da experiência que pude viver como observador internacional das eleições na África do Sul não ficariam completas se não manifestasse também a minha profunda admiração pela acção do Presidente De Klerk. Colocado à frente do odioso regime racista, teve a inteligência e a coragem política de conjugar esforços com Mandela para acabar com esse regime. Sem a sua acção, não teria sido possível a solução democrática e pacífica encontrada. E o povo sul-africano reconheceu isso mesmo ao dar ao seu Partido Nacional uma votação honrosa que lhe permitirá continuar a ter um papel muito influente no futuro da África do Sul.</P>
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Os notáveis discursos de respeito e admiração mútuos feitos por Mandela e De Klerk quando foram conhecidos os resultados eleitorais são mais um sólido motivo de redobrada esperança no sucesso do Governo de Transição que agora toma posse. E é nessa esperança que assenta muito do futuro próximo da África do Sul e da luta pelos Direitos Humanos em todo o mundo.</P>
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* Deputado do PS, observador às eleições da África do Sul</P>
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Destaque: Quem conheça, ainda que superficialmente, a África do Sul sabe como é estreita e difícil a via democrática que Mandela defende. A cada passo são visíveis os traços terríveis com que o regime racista foi marcando aquele país.</P>
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<DOC DOCID="cha-77090">
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A incógnita da África do Sul</P>
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José Gonçalves*</P>
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O primeiro elemento em jogo na África do Sul é a própria natureza da sua transição, uma transição negociada internamente e que não termina nas eleições, antes começa com elas.</P>
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De modo geral, as transições africanas esqueceram o facto de os Estados do continente serem multiculturais, multicomunitários e, às vezes, até multinacionais. Nas sociedades com este tipo de divisão -- sobretudo quando se trata de casos que cada vez mais a ciência política designa por «sociedades profundamente divididas» --, o factor ideológico é suplantado ou pelo menos igualado pelas solidariedades e medo de grupo.</P>
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As garantias para as comunidades minoritárias, a descentralização administrativa e o princípio de que o voto proporcional deve repercutir-se tanto no legislativo como no executivo são métodos que permitem, no caso africano, evitar a exacerbação dos antagonismos e fazer do período transitório uma fase de restabelecimento da confiança e de emergência de partidos políticos ou de sociedades civis onde as clivagens étnicas sejam desdramatizadas.</P>
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A partir daí, terá impacto a noção de programa político-ideológico. O método usado para negociar uma transição nestes termos implica, antes de mais, boa vontade dos grandes actores políticos. Se um destes grandes actores estiver disposto a adoptar uma estratégia de confronto, os demais terão de possuir uma grande capacidade de envolvimento ou força armada dissuasiva. As mediações, em situações destas, serão reféns da conjuntura que se criar no terreno.</P>
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Até aqui, na África do Sul, não houve intervenções de mediadores, e tem a sua importância constatar que a direita defende agora a mediação externa contra a opinião do Governo. Para De Klerk, esta mediação é «manobra dilatória» e, de facto, ao avançar com a proposta, a direita pede a «adaptação do calendário eleitoral» para dar tempo à mediação.</P>
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Para o ANC, que em princípio concordou, pode tratar-se de uma concessão destinada a testar a boa fé destas forças, sublinhando que a data das eleições não é negociável.</P>
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A ausência da direita nas eleições tem algumas vantagens para o Partido Nacional, que pode mobilizar eleitores dessa faixa em nome da «barreira contra a aliança ANC-PC». No entanto, o risco de violência cometida por sectores brancos levanta uma interrogação. Como se comportará o exército?</P>
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As forças armadas sul-africanas têm uma capacidade operativa bem conhecida e, em condições normais, são o tal factor dissuasivo. Mas, para isso, é fundamental que a cadeia de comando não se rompa e que a base se mantenha leal. Um problema que De Gaulle enfrentou (com sucesso) durante a transição para a independência da Argélia.</P>
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Os analistas locais de temas militares sublinham -- inclusive no ANC -- que as SADF não têm tradição golpista e que a chegada de De Klerk ao poder com o programa que tem vindo a aplicar era conhecida previamente dos militares. Desde há vários anos que a teoria reinante nas SADF é que o problema do país «é 80 por cento político e 20 por cento militar».</P>
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O desenvolvimento da máquina de guerra sul-africana obrigou ao recrutamento de pessoal altamente especializado. Como em todos os exércitos que atingem este nível, a preocupação é adoptar uma postura profissional que não se confunda com a atitude pretoriana. Assim, o corpo permanente do exército sul-africano exigiu que a capacidade operativa, os requisitos de promoção e o regulamento de disciplina fossem mantidos no futuro exército inteiramente voluntário. O próprio ANC concordou, até porque um exército forte ser-lhe-á muito útil na futura política austral.</P>
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Os soldados colocados no lugar dos polícias em zonas sensíveis do East Rand têm-se conduzido de forma elogiada por todos os grandes partidos e a reacção popular é favorável. O problema é saber se os casos de ligação aos antigos comandos e antigos métodos serão suficientemente numerosos para provocar rupturas na intensidade dissuasiva de uma força que vai ser espalhada por todo o país no período eleitoral, como garantia contra sabotagens e intimidades.</P>
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Dois temas ocupam, portanto, o topo do cenário actual; de que forma serão cumpridos os acordos negociados pelos signatários que devem coabitar nas futuras instituições e como se comportará o regulador da violência perante a sua persistência ou mesmo o seu recrudescimento.</P>
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* jornalista angolano residente na África do Sul</P>
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<DOC DOCID="cha-83021">
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Aliança Atlântica discute em Istambul papel da Rússia</P>
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O dilema da NATO</P>
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Os ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO estão reunidos em Istambul, onde vão tentar definir que papel pode a Rússia ter no seio da Aliança Atlântica. É um dilema: se, por um lado, não podem permitir que a Rússia interfira nas suas decisões, por outro, não podem ignorar esta superpotência.</P>
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Rodeados de apertadas medidas de segurança, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 16 países da NATO estão, desde ontem, reunidos em Istambul, na Turquia, para começar a definir as grandes opções políticas da NATO em relação à Rússia.</P>
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O perigo de a reunião ser alvo de atentados islamistas levou a que fossem destacados para a segurança dos ministros e delegados da NATO dois mil polícias. Além disso, navios de guerra tomaram posição nas águas do Bósforo, que banham a capital turca, onde muitas ruas foram fechadas para permitir a circulação dos participantes em segurança.</P>
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Ontem e hoje, a agenda dos ministros centrou-se na análise da situação da Bósnia e nos acordos de redução de armas nucleares. Mas o dia mais difícil deste encontro será amanhã, quando chegar a Istambul o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Andrei Kozirev. Kozirev vai repetir ao Conselho de Cooperação do Atlântico Norte (Cocona, a instância encarregada das relações da NATO com os seus antigos adversários na guerra fria) o que Moscovo já disse tantas vezes -- vai contestar as decisões da Aliança tomadas sem o conhecimento de Moscovo, como os raides aéreos sobre as posições sérvias na Bósnia.</P>
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Os ministros da Aliança querem que o seu homólogo russo dê uma resposta final sobre a data da adesão da Rússia à Parceria para a Paz, o programa de cooperação lançado em Janeiro pela Aliança e que visa aproximar o antigo bloco de Leste através de manobras e operações comuns de planificação militar. O programa já foi assinado por 20 países, muitos deles antigas repúblicas da URSS.</P>
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Após uma brevíssima posição contra a Parceria, a Rússia acabou por aceitar a assinatura do documento, mas tem vindo a adiar a concretização desse passo. Ontem, fontes da NATO adiantaram que há uma possibilidade de Moscovo aderir à Parceria em Agosto.</P>
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Inicialmente, Moscovo tentou fazer o jogo das concessões: só assinaria a Parceria se lhe fosse reconhecido um estatuto especial dentro da NATO -- a Rússia é uma grande potência mundial, possui armas nucleares e as suas forças convencionais são superiores às de todos os outros países da Europa.</P>
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Proposta inaceitável</P>
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No mês passado, o ministro russo da Defesa, Pavel Gratchev, esteve em Bruxelas para apresentar os termos da proposta russa para uma cooperação com a NATO. Foi rejeitada, mas previa que, além da Parceria, fosse igualmente assinado um protocolo de cooperação que incluía a criação de um mecanismo de consulta prévia sobre questões relacionadas com a segurança na Europa e no mundo.</P>
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O problema é que a proposta russa vai muito mais além de um acordo de cooperação especial. O que Moscovo propõe é uma reestruturação dos mecanismos de segurança na Europa e a criação de uma nova hierarquia que retira autonomia à NATO. A Aliança teria um peso idêntico ao da União Europeia e ao da Comunidade de Estados Independentes (CEI), as suas decisões militares e políticas seriam subordinadas ao Cocona, que, por sua vez, dependeria hierarquicamente da Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa (CSCE). Isso significaria que a Rússia adquiria direito de veto sobre as decisões da NATO, sem necessitar de ser membro da Aliança.</P>
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Para os analistas, está muito claro para Moscovo que a proposta é inaceitável para os aliados ocidentais. E tudo não passa de um jogo de forças numa altura em que a NATO enfrenta um dilema: não pode subalternizar-se e permitir que seja outra organização a ratificar as suas decisões, ou submetê-las à aprovação de Moscovo; mas é urgente o estabelecimento de uma relação estável com a Rússia.</P>
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Mas, como diz o especialista em assuntos de segurança Frederick Bonnart -- no artigo «Que espaço para a Rússia» publicado no «Herald Tribune» --, o dilema para o Ocidente é também perceber se a Rússia se transformou de facto num país democrático e que, como tal, está pronto a aceitar as estruturas legais internacionais. A Rússia quer sentir que reúne as condições para fazer parte da comunidade internacional e ter um verdadeiro papel de cooperação. Mas, se Bonnart considera que a NATO deve dar um passo unilateral e reconhecer as aspirações de Moscovo em ter um papel activo na segurança da Europa, entre a Aliança permanecem as dúvidas quanto a deixar que Moscovo se aproxime demasiado.</P>
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Instabilidade na Rússia</P>
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Para suprir os seus problemas económicos, a Rússia continua a vender indiscriminadamente material de guerra. Ainda na terça-feira foram anunciados contratos de venda de mísseis e aviões de combate MiG ao Brasil e à Malásia. As Forças Armadas são cada vez mais um potencial foco de problemas. O ministro da Defesa queixou-se recentemente ao jornal conservador «Trud» que o dinheiro não chega e que as Forças Armadas estão a ser alimentadas com «rações de fome». O ministro reagiu violentamente ao facto de o Parlamento ter aprovado o novo orçamento militar, muito aquém das expectativas dos militares, que ameaçam adoptar formas de luta pelo que consideram seus direitos.</P>
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A situação política interna da Rússia é também instável. A oposição conservadora está a ganhar terreno e a situação económica continua a deteriorar-se, dizem os últimos relatórios dos organismos económicos internacionais. Para completar este quadro de insegurança, esta semana a Rússia começou a pressionar as antigas repúblicas soviéticas no sentido de renegociarem um acordo sobre o limite de armas nas fronteiras, disse à Reuter uma fonte da NATO, sob anonimato.</P>
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Após o colapso da URSS, as ex-repúblicas soviéticas assinaram entre si um acordo de controlo de armamento marginal ao Tratado de Forças Convencionais na Europa (CFE). É precisamente nesse acordo que Moscovo quer introduzir alterações, com o objectivo de aumentar o arsenal bélico estacionado junto às suas fronteiras no Cáucaso, justificado essa medida com o facto de os conflitos na região ameaçarem a estabilidade interna.</P>
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O Azerbaijão -- em guerra com a Arménia pela posse de Nagorno-Karabakh -- já rejeitou a pretensão russa; quanto à Arménia a sua resposta foi vaga. Mas a Geórgia poderá ver-se obrigada a aceitar as alterações no Tratado, uma vez que Tbilissi depende inteiramente de Moscovo para controlar o conflito com os separatistas da Abkházia.</P>
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Fontes da NATO dizem que a intenção da Rússia é renegociar o CFE (o que poderá ser proposto por Kozirev), argumentando que este acordo -- que prevê a limitação de armamento desde o Atlântico aos Urales -- já não reflecte a situação em termos de segurança que se vive na Europa. E acusa a NATO de ser uma organização que se desligou das novas realidades.</P>
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O assunto deverá ser levantado de novo por Kozirev. Mas tudo indica que os ministros da Aliança Atlântica vão rejeitar mexer no CFE. A verdade é que as pressões russas junto dos países vizinhos relançaram o debate à volta de outra velha questão: quais são as intenções da Rússia na sua periferia? Ao mesmo tempo que tentam negociar um reforço de armamento nas regiões fronteiriças do Cáucaso, os russos continuam a negociar a passos lentos a retirada das suas tropas dos países bálticos -- Gratchev disse mesmo que a retirada não se fará tão cedo, porque não há dinheiro para a operação e para realojar os militares.</P>
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Por tudo isto, é pouco provável que os 16 países-membros da NATO cheguem a uma decisão sobre a Rússia na reunião de Istambul. As negociações vão continuar nas próximas semanas. Para já, a NATO parece ter para oferecer à Rússia um diálogo informal. Resta saber se isso é suficiente para Moscovo, ou se os russos vão continuar a rejeitar a Parceria como forma de pressão para obter um acordo mais favorável.</P>
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<DOC DOCID="hub-57257"> 
<P> « Call girl » estreia hoje em 40 salas de cinema </P>
 <P> O filme « Call girl », de António-Pedro Vasconcelos, estreia hoje em quarenta salas de cinema, mostrando uma intriga policial que envolve uma mulher fatal e um autarca escrupuloso que se deixa corromper. </P>
 <P> Soraia Chaves veste a pele de mulher fatal e no papel do autarca corrompido está Nicolau Breyner, aos quais se juntam dois inspectores de polícia, os actores Ivo Canelas e José Raposo, e aquele que alicia à corrupção, interpretado por Joaquim de Almeida. </P>
 <P> « Call girl » podia ser uma variação moderna de Anjo Azul, de Josef von Sternberg, disse o realizador à agência Lusa, acompanhando «o percurso da decadência, da perdição», do autarca alentejano até ao momento em que aceita dinheiro em troca de um favor. </P>
 <P> «Neste caso a personagem é corrompida, no outro [ Anjo azul ] perde toda a dignidade e reputação», compara António-Pedro Vasconcelos, até porque é um tema «recorrente na literatura e na ficção ocidental». </P>
 <P> « Call girl », cujo argumento o realizador escreveu ao longo de dois anos em parceria com Tiago Santos, é uma história sobre o poder do dinheiro e da sedução, sobre a corrupção no meio político e a prostituição de luxo. </P>
 <P> A fotografia é de José António Loureiro, a produção de Tino Navarro e do elenco fazem ainda parte Virgílio Castelo, Custódia Gallego, Sofia Grilo ou José Eduardo. </P>
 <P> « Call Girl » é uma co-produção luso-brasileira da MGN Filmes e da Lagoa Cultural, e conta ainda com a participação financeira dos institutos do cinema de Portugal e do Brasil e da estação de televisão TVI. </P>
 <P> « Call Girl » é o sétimo filme de António-Pedro Vasconcelos, 68 anos, e o último de produção nacional a estrear este ano nas salas de cinema. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="relkj7666">
<P>ARQUITETURA E HISTÓRIA</P>
 <P> A partir do Forte de Santiago, na Ponta do Calabouço, a evolução do conjunto arquitetônico do Museu acompanhou a trajetória urbana da cidade do Rio de Janeiro. À fortificação inicial veio se juntar a Casa do Trem, destinada à guarda do "trem de artilharia", conjunto de apetrechos bélicos usados na defesa da cidade, e, mais tarde, o Arsenal de Guerra. </P>
 <P> No início do século XX o Arsenal é transferido para a Ponta do Caju, abrindo o caminho para a adaptação do conjunto para suas novas funções: Pavilhão das Grandes Indústrias da " Exposição Internacional de 1922 ". </P>
 <P> Por determinação do Presidente Epitácio Pessoa, o Pavilhão abrigou, em duas de suas salas, o núcleo inicial do Museu Histórico Nacional. Com o encerramento da Exposição, o Museu veio ocupando progressivamente toda a área. </P>
 <P> PATROCINADORES </P>
 <P> Ministério da Cultura </P>
 <P> Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional </P>
 <P> Associação dos Amigos do Museu Histórico Nacional </P>
 <P> Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social </P>
 <P> Caixa Econômica Federal </P>
 <P> Holcim (Brasil) S. A. </P>
 <P> Vitae -- </P>
 <P> Recuperar a arquitetura original, ampliar espaços destinados ao público, aprimorar os serviços oferecidos aos visitantes, democratizar o acesso dos mais diversos segmentos da sociedade e viabilizar uma circulação e um percurso adequados ao discurso museográfico: essas foram as diretrizes que nortearam o " Projeto de Restauração e Modernização do Museu Histórico Nacional 2003 - 2006 ", concluído em 19 de maio de 2006. </P>
 <P> A primeira fase das obras, totalmente financiada pelo Ministério da Cultura num total de R$ 1.980.000,00, foi inaugurada dia 9 de setembro de 2004, com a presença do
Primeiro Ministro de Portugal, Pedro Santana Lopes, da
Ministra da Cultura de Portugal, Maria João Bustorff Silva, e do Ministro de Estado da Cultura, Gilberto Passos Gil Moreira, já que nesta data foi aberta a exposição internacional « Artes Tradicionais de Portugal », promovida pela Fundação Gulbenkian. </P>
 <P> Iniciada em dezembro de 2003, a primeira fase das obras incluiu a recuperação de uma área de 1.500 metros quadrados que estavam completamente sem uso há mais de trinta anos e apresentavam um avançado processo de deteriorização. Nesse local, foram instalados os novos acessos ao circuito de exposições (escadas rolantes e elevador para portadores de necessidades especiais) e os espaços para atendimento ao público - guarda volumes, cafeteria, sanitários públicos e bilheteria - além de áreas para serviços internos. </P>
 <P> A partir da assinatura de contrato entre o Museu Histórico Nacional, a Associação dos Amigos do Museu Histórico Nacional e a Caixa Econômica Federal realizada no dia 26 de novembro de 2004, foram liberados recursos no valor de R$ 1.900.000,00 para o início da segunda fase das obras ainda em dezembro de 2005. </P>
 <P> Nesse etapa foi desmontada a laje construída em 1940, quando parte do conjunto arquitetônico era utilizada pelo Ministério da Agricultura, para abrigar um canteiro de experiências agrícolas e que gerava no pavimento térreo uma área de insalubridade que comprometia a integridade física do acervo sob a guarda do Museu. </P>
 <P> Essa obra foi fundamental para resgatar a arquitetura original de 1922, devolvendo ao público um belíssimo pátio interno interligado aos Pátios da Minerva e dos Canhões e um espaço nobre para exposições, além de permitir que parte da Reserva Técnica seja vista, sem prejudicar a segurança do acervo. Com uma área de 2.000 metros, o novo pátio recebeu o nome de Gustavo Barroso, numa homenagem ao fundador e primeiro diretor do Museu Histórico Nacional. </P>
 <P> Com o patrocínio da HOLCIM (Brasil) S. A. foram recuperados 1.000 metros quadrados de galerias voltadas para o Pátio Gustavo Barroso para a implantação da exposição permanente " Do Móvel Ao Automóvel: Transitando pela História ", reunindo a preciosa coleção de meios de transportes terrestres do Museu Histórico Nacional em sua totalidade, a partir de restauração viabilizada graças a Vitae - Apoio à Cultura, Educação e Promoção Social. </P>
 <P> Com recursos do Ministério da Cultura foram concluidas as obras da terceira fase do « Projeto de Restauração e Modernização do Museu Histórico Nacional 2003 - 2006 " com o objetivo de ampliar o auditório, visando dobrar a capacidade de atendimento de cem para duzentos lugares e, possibilitando a um maior número de interessados o acesso aos cursos e seminários promovidos pelo Museu. Ainda com recursos do Ministério da Cultura, o Pátio dos Canhões foi reformado, contando com o apoio do Arsenal de Guerra do Rio e do Instituto Benjamin Constant para a confecção das novas legendas das peças expostas, inclusive em braille. </P>
 <P> Com o patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, essa etapa incluiu, ainda, a recuperação de três amplas galerias de exposição permanente situadas no segundo andar, além da realização de obras estruturais no terceiro andar, onde funciona a Administração. </P>
 <P> As galerias revitalizadas com os recursos do BNDES abrigam o multivídeo panorâmico " A Trajetória de um museu ", que apresenta o Museu Histórico Nacional ao visitante, e a exposição " Oreretama ", que abre pela primeira vez no Museu Histórico Nacional um espaço permanente dedicado ao índio brasileiro. " Oreretama » apresenta também uma ambientação representando uma gruta do sítio arqueológico da Serra da Capivara e os sambaquis do litoral, incluindo objetos retirados de sítios do Estado do Rio de Janeiro. </P>
 <P> Com o " Projeto de Restauração e Modernização do Museu Histórico Nacional 2003 - 2006 ", o Museu Histórico Nacional segue a tendência mundial dos grandes museus nacionais de se adequarem às necessidades impostas pelo aumento do fluxo de visitantes e à valorização das instituições culturais nesse novo milênio. </P>
 <P> A solenidade do término das obras do " Projeto de Restauração e Modernização do Museu Histórico Nacional 2003 - 2006 " foi realizada no dia 19 de maio de 2006, no âmbito das comemorações do Dia Internacional de Museus, com a presença do Ministro de Estado da Cultura, Gilberto Passos Gil Moreira. </P>
 <P>ARQUIVO HISTÓRICO</P>
 <P> O Museu Histórico Nacional oferece ao público Arquivo Histórico, com 50.000 documentos iconográficos e manuscritos sobre a história do Brasil, e Biblioteca com 57.000 obras versando sobre história, história da arte, museologia, heraldica, numismática, genealogia e moda. </P>
 <P> Oferece, ainda, o Centro de Referência Luso-Brasileiro, ligado ao Arquivo Histórico e criado em 1998, no âmbito das comemorações dos 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil. </P>
 <P> O Arquivo pode ser consultado de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h30m, mediante agendamento prévio através do telefone (0xx21) 2550-9268. </P>
 <P> O Museu mantém, ainda, Arquivo Institucional sobre a trajetória do próprio Museu Histórico Nacional, com documentos, fotografias, impressos, recortes de jornal, etc. As fotos utilizadas para ilustrar o item " ARQUITETURA E HISTÓRIA " integram este acervo. O Arquivo Institucional é aberto a consultas, mediante agendamento prévio através do telefone 21-25509265. </P>
 <P> Retrato do Imperador D. Pedro II </P>
 <P> Fotografia Francisco Pesce, 1888 O Arquivo Histórico reúne importantes documentos manuscritos e iconográficos referentes à nossa história e divididos em coleções, como a " Coleção Família Imperial ", compreendendo 1.445 documentos de diversas procedências, relacionados aos Imperadores D. Pedro I e D. Pedro II e respectivos familiares. São gravuras e álbuns de fotografias com retratos da realeza e nobreza da época, vistas de cidades brasileiras e estrangeiras e documentos pessoais, como os exercícios de caligrafia de D. Pedro II ; de correspondência entre membros da família imperial e outros, além de homenagens como poesias, sonetos, hinos ou músicas dedicados a membros da família. </P>
 <P> Ântonio Carlos Gomes </P>
 <P> Il Guarany </P>
 <P> Folha de rosto da Partitura </P>
 <P> O Arquivo Histórico preserva, ainda, importante coleção referente ao compositor brasileiro Ântonio Carlos Gomes, que inclui o primeiro volume da partitura original de um de seus primeiros trabalhos, a ópera " Joana de Flandres ". Formada a partir de diversas doações, a coleção reúne 216 documentos, entre desenhos de cenários, cartas, fotografias, partituras originais e libretos de algumas obras como " Condor ", " Morena " e " Colombo ", preciosos para uma melhor compreensão do trabalho de Carlos Gomes, cuja obra de maior sucesso, " O Guarani ", estreou no
Teatro Scala de Milão em 1870, sendo encenada em diversos países. </P>
 <P> A Coleção Eusébio de Queirós engloba 350 documentos, sobretudo correspondências trocadas entre políticos e seus familiares, versando, principalmente, sobre a repressão ao tráfico negreiro e temas políticos e judiciais. Magistrado e político brasileiro, nascido em Angola em 1812, Eusébio de Queirós Coutinho Matoso da Câmara exerceu o cargo de Ministro da Justiça de 1848 a 1852, destacando-se como autor de duas importantes leis do Império: a lei 556, que criava o Código Comercial, e o decreto 708, que estabelecia medidas para a repressão ao tráfico de africanos. </P>
 <P> Missão Salesiana em Mato Grosso, 1908 </P>
 <P>Meninas bororos freqüentam a escola</P>
 <P> Documentação pessoal, álbuns de fotografias e documentos cartográficos compõem a " Coleção Miguel Calmon Du Pin e Almeida ", engenheiro e político brasileiro, que ocupou o cargo de Ministro de Viação e Obras Públicas no Governo Afonso Pena, entre 1906 e 1909 e de Ministro da Agricultura no mandato de Artur Bernardes, de 1922 a 1926. </P>
 <P> As fotografias documentam as principais obras que significaram a incorporação dos ideais de progresso e modernização pelo Brasil no começo do século XX, assim como as diversas áreas indígenas encontradas ao longo deste trabalho. </P>
 <P> Aquarelas de Sophia Jobim para Ilustrar suas aulas de indumentária </P>
 <P> A moda também faz parte do Arquivo Histórico. Quem pesquisa a indumentária civil e militar não pode deixar de consultar as coleções " Sophia Jobim Magno de Carvalho " e " Uniformes Militares ". </P>
 <P> Museóloga e desenhista, Sophia Jobim lecionava na Escola Nacional de Belas Artes a disciplina de Indumentária Histórica. </P>
 <P> Através de suas constantes viagens pelo mundo, colecionou um vasto acervo de trajes típicos, fundando, em 1960, o primeiro
Museu de Indumentária Histórica e Antigüidades da América Latina em sua residência no bairro carioca de Santa Teresa. </P>
 <P> Toda a coleção Sophia Jobim é doada ao Museu após a sua morte. Os trajes típicos são preservados na Reserva Técnica, os livros na Biblioteca e os 1.124 documentos textuais e iconográficos, inclusive livros de receitas de pratos regionais e álbuns de fotografia de eventos relacionados à trajetória da titular da coleção, estão à disposição do pesquisador no Arquivo Histórico. </P>
 <P> Já a coleção de uniformes militares é composta por 836 documentos iconográficos, dos quais destacam-se 228 aquarelas de autoria de José Wasth Rodrigues ; álbuns de aquarelas, do século XVIII, de uniformes militares do período colonial e de desenhos copiados de modelos de uniformes existentes no
Arquivo Histórico e Colonial de Lisboa. O valor documental destas obras reside na constituição dos traços da indumentária militar brasileira, do período colonial ao republicano, tornando-se fonte de consulta obrigatória com relação a este tema. </P>
 <P> Juan Gutierrez </P>
 <P> Documentou a Revolta da Armada (1893/94) </P>
 <P> Cerca de 10.200 fotografias, entre as quais os primeiros processos fotográficos, como daguerreótipos e ambrotipos, integram o acervo do Arquivo Histórico. São fotografias de Marc Ferrez e Augusto Malta, além de cartões postais de diversas épocas. Destaque para a " Coleção Juan Gutierrez ". Fotógrafo espanhol, Gutierrez atuou no Rio de Janeiro entre 1880 e 1890. Documentou a Revolta da Armada (1893/94), retratando as fortificações, os soldados e o armamento utilizado sem, contudo, apresentar cenas do embate. Suas lentes captaram, ainda, vistas de vários bairros da antiga cidade do Rio de Janeiro, reproduzindo sua arquitetura e seu cotidiano. Conheça toda a coleção de fotografias de Gutierrez em nossa Galeria Virtual. Desenhos, gravuras e aquarelas de importantes artistas como Rugendas, Debret, Norfini e Reis Carvalho, retratam cidades e paisagens brasileiras ao longo dos séculos XIX e XX, estando também preservados no Arquivo Histórico. </P>
 <P> Nair de Teffé </P>
 <P> Dita Rian (1886-1981) </P>
 <P>Caricatura</P>
 <P> Outra curiosa coleção pertencente ao acervo do Museu é formada por 26 caricaturas de Rian, entre as quais as dos Presidentes Juscelino Kubitsckek, Eurico Gaspar Dutra, João Café Filho e Humberto de Alencar Castelo Branco. Os traços irônicos de Rian fixaram, sobretudo, personalidades políticas e figuras da alta sociedade. Rian, na realidade Nair de Teffé, já era conhecida caricaturista ao casar-se, em 1913, com o então Presidente da República, Hermes da Fonseca. Com trabalhos publicados em revistas nacionais e estrangeiras, como o Semanário Fon-Fon, Le Rire e a Gazeta de Notícias, escandalizou muitas vezes o Palácio do Catete com suas atitudes excêntricas. </P>
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<DOC DOCID="cha-81393">
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Torneio</P>
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Invicta</P>
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Guimarães-Celta de Vigo (19h00, no Estádio da Maia) e FC Porto-Selecção da Argélia (22h00, nas Antas) são os dois jogos de hoje do Torneio Internacional Invicta, uma prova organizada pelos portistas em colaboração com a autarquia maiata. Para além do regresso de Madjer às Antas, actual treinador dos argelinos, a prova servirá de apresentação da equipa portista e de algumas das contratações efectuadas esta época. São os casos de N' Tsunda, Latapy, Rui Barros, Emerson e do peruano Baroni, cuja contratação ainda se encontra em fase de negociações. Para o jogo de hoje à noite não foram convocados o sul-africano Mandla Zwane e os argentinos Walter Paz e Roberto Mogrovejo, que poderão ser chamados para o encontro de amanhã, apesar de ser muito provável que Mandla e, principalmente, Mogrovejo venham a ser emprestados para rodarem um ano noutro clube. Bobby Robson convocou ainda os seguintes jogadores: Vítor Baía, Cândido, João Pinto, Bandeirinha, Rui Jorge, Jorge Costa, José Carlos, Aloíso, Secretário, Rui Filipe, Paulinho Santos, Folha, Drulovic e Domingos.</P>
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Senna</P>
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O acidente que vitimou o piloto brasileiro de fórmula 1, Ayrton Senna, no Grande Prémio de São Marino, em 1 de Maio, poderá ter sido causado pela quebra da coluna de direcção do Williams-Renault, escreveu ontem o diário desportivo françês «L'Équipe». O jornal cita um relatório oficioso de uma peritagem ordenada pela justiça italiana ao acidente, ocorrido no circuito de Imola. Segundo o «L'Équipe», os investigadores orientaram-se para a coluna de direcção depois de terem analisado os pneus e a caixa negra do Williams-Renault e de terem considerado igualmente outras hipóteses, entre as quais o erro humano. Uma análise microscópica da fractura de coluna de direcção teria permitido determinar que a ruptura não tinha sido originada pelo choque contra o muro de betão da curva Tamburello, onde a viatura de Senna saíu da pista, mas sim por um defeito de qualidade e, eventualmente, por falta de espessura do metal. Entretanto, o juiz italiano encarregado do processo, Maurizio Passarini, declarou ontem que as conclusões do inquérito só serão conhecidas em meados de Outubro, mesmo em termos oficiosos.</P>
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<DOC DOCID="cha-30287">
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Presidente da Câmara de Oeiras entrega chaves de casas a 86 famílias</P>
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Barracas atrás de barracas deixam Isaltino embaraçado</P>
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A ausência do ministro Ferreira do Amaral numa cerimónia de entrega de habitações sociais em Oeiras acabou por poupar Isaltino de Morais do embaraço de ser publicamente criticado, na presença de um membro do Governo. É que enquanto a uns entregou casas, a outros mandou destruir as que tinham, para os colocar num sítio imundo.</P>
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À cerimónia de entrega das chaves dos 86 novos fogos de habitação social recentemente concluídos na urbanização da Outurela/Portela, no concelho de Oeiras, onde esteve ontem o presidente da Câmara, Isaltino Morais, não faltou quase nada -- apenas o reconhecimento de que, em Oeiras, todos os munícipes merecem ser tratados com um mínimo de dignidade.</P>
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Pela manhã, na urbanização da Outurela/Portela -- onde foram realojadas as 86 famílias ontem bafejadas pela sorte de ter finalmente uma casa -- houve pompa e folclore.</P>
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À porta de um dos blocos dos apartamentos a inaugurar, Isaltino Morais descerrou uma placa gravada, onde, se falava de «Sonhar Portugal, para construir o futuro», ainda que ele não chegue para todos os que esperam ser realojados, para logo a seguir se afadigar no simbolismo da plantação de uma árvore -- um freixo, que as crianças daquela urbanização «hão-de ver crescer», como sublinhou.</P>
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Para o acto, estava anunciada a presença do ministro Ferreira do Amaral, «para a assinatura do contrato da primeira empreitada do Plano Especial de Realojamento (PER) da Câmara de Oeiras», mas, como a autorização do Tribunal de Contas não chegou a tempo, essa cerimónia ficou adiada e o ministro -- que ficou assim com mais tempo para acompanhar os acontecimentos na ponte -- há-de voltar ao município mais tarde, explicou Isaltino Morais.</P>
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Mas nem por isso os foguetes deixaram de estalar, na Encosta da Portela, onde dezenas de balões, inevitavelmente laranja, foram lançados ao céu e outros tantos oferecidos às crianças, que corriam encantadas atrás deles. Já os pais aguardavam ansiosos a vez de chegar junto do palanque e receber, por fim, das mãos de Isaltino Morais, a chave da casa pela qual esperaram anos.</P>
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Antes tiveram, porém, que ouvir as palavras do presidente da Câmara, a propósito do «enorme esforço que a autarquia está a fazer para dar a cada um dos munícipes uma casa condigna», que não pode chegar para todas as pessoas no mesmo dia. «E quantas vezes as pessoas não tratam mal os funcionários da Câmara, o que não deviam fazer», disse-lhes ainda o autarca, num reparo aos protestos que por vezes surgem.</P>
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É que, como sublinhou, ninguém imagina o que é o esforço até se conseguir alcançar esse objectivo: «É preciso encontrar terrenos, prepará-los para a construção» e, antes que as casas apareçam feitas e prontas a entregar, ainda é muitas vezes preciso «preparar também as famílias» que as hão-de habitar. Porque nem todos estão habituados. Têm que passar por «um período de transição». Daí que, enquanto não houver casa para todos, segundo Isaltino Morais, alguns -- como acontece com moradores do Alto de Santa Catarina -- estejam a ser reinstalados «temporariamente, em casas abarracadas» que vão vagando, noutras zonas de construção clandestina do concelho.</P>
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«Porque não se pode pegar nos 300 ou 400 moradores do Alto de Santa Catarina e transferi-los por inteiro para um novo bairro». Isso seria, para Isaltino Morais, «criar um novo ghetto», o que se traduz numa política de habitação social que a Câmara de Oeiras não quer seguir.</P>
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Imundo, isolado e sem acessos</P>
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Mas a política que a autarquia segue torna-se difícil de compreender, sobretudo para os que, além de não terem ainda sido contemplados com uma casa, se vêem confrontados com uma alternativa bem pior, que lhes é imposta pela câmara: a de irem morar para Salregos -- onde o PÚBLICO esteve ontem -- um local imundo, isolado e sem acessos, e, ainda por cima, em barracas, em piores condições das que usufruíam no Alto de Santa Catarina. E caso não aceitem, perdem o direito à casa de habitação social para a qual estavam inscritos, como já os ameaçaram.</P>
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Afinal, quais são os critérios da Câmara na operação de realojamento? Esta foi a questão que alguns deles, presentes na cerimónia, colocaram a Isaltino Morais, estragando a festa laranja e embaraçando o autarca, que até mudou de cor. «Ele ficou tão vermelho», comentava depois uma das jovens presentes. Mas às perguntas, Isaltino disse nada: «Esses problemas tratam-se é na Câmara, não em público», retorquiu.</P>
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E enquanto uns receberam as chaves de casas acabadas de construir, outros, como Pedro Silva, um operário da construção civil, casado e com uma filha de ano e meio, ficaram na rua, desde que na semana passada a polícia municipal lhes destruiu as barracas. Agora, só se forem para Salregos, viver ao lado de um riacho, transformado em lixeira, numa velha casa abarracada, empestada a cheiro a esgoto.</P>
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«Aqui, só o cheiro mata a gente», dizia, em Salregos, um outro morador do Alto de Santa Catarina, a quem a Câmara já avisou da obrigatória transferência. A mãe, Maria dos Santos, recusa-se à mudança. «Não vou aceitar ficar em Salregos, numa barraca pior que a minha. Mas a senhora da Câmara já me disse que se não eu não for para lá perco o direito a uma nova casa».</P>
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<DOC DOCID="cha-73181">
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O milagre da África do Sul</P>
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Até ao momento, o processo eleitoral na África do Sul tem decorrido de forma exemplar, surpreendendo pela positiva todos os que temiam que a violência latente fizesse implodir o edifício laboriosamente erguido por Nelson Mandela e Frederick de Klerk.</P>
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O quase milagre destas eleições históricas foi possível devido à forma extremamente inteligente como os seus dois principais protagonistas conduziram o processo político da transição. Mesmo sabendo que na verdade é a partir deste momento que os problemas mais delicados vão surgir, é partir do momento em que uma parte do poder for entregue ao ANC que as cartadas decisivas se irão jogar, há já em todo este processo ensinamentos suficientes para ajudar à boa concretização de outros processos de paz, nomeadamente os que decorrem nos estados vizinhos de Angola e Moçambique.</P>
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A grande inteligência de Mandela e de De Klerk foi terem a coragem de aceitar um regime de transição cujo desenho foi realizado antes de conhecer o veredicto das urnas. Mandela e De Klerk não estiveram à espera da contagem dos votos para determinar quem tinha mais força para impor as suas condições no futuro Governo da África do Sul, tendo conseguido acordar de antemão um período relativamente longo de partilha do poder.</P>
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Formalmente, este «negócio» corresponde a uma entorse nas regras mais puras da democracia, já que, no fundo, não se esperou pelo veredicto das urnas. Mas, em contrapartida, permite desdramatizar o período pós-eleitoral e criar um verdadeiro regime de transição e de poder partilhado. Esta questão é central, uma vez que este procedimento não tem sido seguido nos outros processos de transição africanos.</P>
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A raiz do problema é que tínhamos, de um lado, uma minoria senhora do poder e, do outro, uma maioria completamente desapossada. A tentação é, vencida a resistência da minoria, entregar o poder à maioria. E o nosso reflexo ocidental é, de imediato, o de sugerir eleições e de exigir o respeito pelos seus resultados, exportando de forma linear os modelos existentes em sociedades homogéneas e estáveis. Inevitavelmente, essas eleições, apoiadas pela ONU, são parlamentares e/ou presidenciais, depreendendo-se que quem ganha, governa. É o princípio, tão anglo-saxónico, de «the winner takes all» (o vencedor fica com tudo). Simples, mas terrivelmente redutor. Tão redutor que tem conduzido a sucessivos desastres, o mais recente dos quais terá sido o angolano.</P>
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O erro deste raciocínio é que reduz a noção de democracia a uma só das suas manifestações, quando a democracia é um regime complexo de partilha do poder entre as diferentes forças políticas e sociais. Mesmo no Ocidente, com sociedades culturalmente homogéneas e em regimes assentes na maioria parlamentar de um só partido, os restantes actores políticos e sociais dispõem de múltiplas formas de intervenção e de poder, nomeadamente a nível regional e local ou noutros órgãos de soberania do Estado.</P>
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Ora, em África, a aplicação do princípio sagrado «um homem, um voto» deve levar em linha de conta que existem tradições e solidariedades étnicas que não se satisfazem pelo simples exercício de depositar um voto numa urna e esperar pelo próximo escrutínio. A política de «the winner takes all», quando seguida nestes países divididos e sem tradição democrática, tende a criar entre os derrotados o desespero da impotência -- mesmo da total impotência.</P>
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Mandela e De Klerk souberam evitar esta tentação simplista, quer acordando previamente a forma de governo durante um período pré-estabelecido de transição quer, também previamente, acordando regimes de autonomia a sectores da sociedade e/ou a regiões, por forma a estes continuarem a sentir que têm uma palavra a dizer sobre o seu futuro. Esta questão é tanto mais importante quanto se conhece a artificialidade com que foram desenhadas as fronteiras africanas e se teme, com razão, a explosão das pulsões tribais mais primitivas.</P>
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Se se deseja manter o princípio da inviolabilidade das fronteiras -- um princípio tabu que, abandonado, pode provocar um efeito de dominó absolutamente incontrolável, sobretudo em África --, então é necessário que se aprenda a partilhar o poder, mesmo quando se dispõe, como o ANC, de quase dois terços dos votos.</P>
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Por isso não podemos deixar de pensar em Angola. Sintomaticamente, parece estar a ser este o cominho que os negociadores do processo de paz estão agora a seguir. Acordar em dar às regiões onde a UNITA é maioritária uma autonomia importante, ao mesmo tempo que se forma um governo de unidade nacional que integre os principais quadros do movimento de Jonas Savimbi, parece ser a única forma de ultrapassar o actual impasse.</P>
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Para isso, tal como sucedeu na África do Sul, ambos os movimentos têm de perceber que não podem ambicionar o poder absoluto, que têm de dividir as desejadas mordomias por uma classe política mais vasta e mais plural.</P>
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Até ao momento, repetimos, com uma habilidade e inteligência ímpares, Mandela e De Klerk têm sabido caminhar por um terreno mais minado do que qualquer outro, evitando o que podia ser o maior dos erros: deixar que estas eleições se transformassem num gigantesco ajuste de contas, atrasadas por muitos anos de «apartheid». E em todo este processo eles só tiveram um outro trunfo: a enorme solidez e fidelidade de instituições como o exército e as forças de segurança sul-africanos.</P>
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Mas é bom não esquecer que o mais difícil começa hoje.</P>
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<DOC DOCID="cha-46556">
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Funcionário público continua foragido                                                                                                  O funcionário público Ricardo de Britto Rocha, que atirou em dois alunos da UnB (Universidade de Brasília) na última quarta, continuava foragido até as 19h de ontem. O estudante Milton dos Santos Pereira Jr. ,19, está em coma no Hospital de Base. João Rochael Meira Alcântara, 36, foi operado para retirar balas no abdômen e está na UTI.                                                                                                                                               </P>
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AM registra aumento nos casos de rubéola                                                                                          O Amazonas registrou aumento de 4.322% nos casos de rubéola no primeiro semestre deste ano, em comparação com 93 o Estado registrou 27 casos e nos primeiros seis meses deste ano 1.117.                             </P>
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Mussum continua na UTI em estado grave                                                                 O humorista Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, ainda está na UTI do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, em estado grave. Não há rejeição do transplante de coração realizado no dia 8, mas a infecção hospitalar no pulmão não melhorou.</P>
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Prefeitura de Recife decide sinalizar praia                                                                 Os trechos da praia de Boa Viagem com maior incidência de ataques de tubarões serão sinalizadas pela Prefeitura de Recife (PE). A sinalização vai evitar, porém, a palavra "tubarão". Bombeiros em embarcações vão percorrer essas áreas e haverá incentivo para pesquisas sobre a presença dos tubarões no litoral.</P>
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QUINA</P>
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CONCURSO 036</P>
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Dezenas sorteadas</P>
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42 - 56 - 62 - 65 - 79</P>
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Prêmio da quina</P>
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R$ 138.426,04</P>
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<DOC DOCID="cha-93076">
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Pilotos evitam comentários sobre o primeiro aniversário do acidente que tirou a vida do tricampeão mundial </P>
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JOSÉ HENRIQUE MARIANTI</P>
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Do enviado a Imola </P>
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Em 1º de maio do ano passado, o piloto brasileiro Ayrton Senna morreu em consequência de um acidente sofrido durante o Grande Prêmio de San Marino de F-1.</P>
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E, a um dia do primeiro aniversário da morte do tricampeão mundial, a sua categoria parece tentar esquecê-lo.</P>
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Os fãs prestaram suas homenagens.</P>
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Inundaram de lembranças a curva Tamburello, o local onde Senna se chocou contra um muro de proteção.</P>
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São flores, fotos, camisetas, bandeiras do Brasil, faixas, cartas, recados.</P>
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O mesmo não foi feito pelos responsáveis pela organização do evento.</P>
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Quase nada lembra Senna. Nem o programa oficial da corrida, que leva um inusitado carimbo de "provisório", lista qualquer cerimônia relacionada ao piloto.</P>
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O fato do lançamento da pedra fundamental de um museu sobre Senna, na última semana, que será construído nas cercanias do autódromo Enzo e Dino Ferrari, tampouco mereceu atenção.</P>
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Muito menos as comemorações marcadas para amanhã, em Imola, quando fãs-clubes, torcedores e autoridades da cidade de Bolonha, para onde Senna foi transportado de helicóptero ao hospital local, estarão fazendo suas celebrações pela memória do piloto.</P>
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Seus companheiros de pista, os pilotos, foram reservados.</P>
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Alguns, por relutarem; outros, por não estarem dando a mínima.</P>
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Exceção deve ser feita ao brasileiro Rubens Barrichello, da equipe Jordan.</P>
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O piloto foi bastante solicitado pelos jornalistas durante todo o fim-de-semana.</P>
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Na Williams, a última equipe de Senna, a norma adotada foi o silêncio.</P>
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Nem mesmo o fato de o resultado do inquérito do acidente ter tido sua divulgação adiada por mais seis meses mereceu uma declaração por parte da equipe.</P>
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Oficialmente, os membros da Williams estão impedidos de falar porque parte do time está arrolada no processo.</P>
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Frank Williams, chefe e proprietário da escuderia inglesa, quebrou a regra para a TV francesa.</P>
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"Foi uma fatalidade. Não podemos fazer mais nada. O circuito está mais seguro, e isso já é positivo", disse, de forma lacônica.</P>
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O alemão Michael Schumacher, da Benetton, utilizou o discurso padrão para a ocasião.</P>
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"Poucos sabem, mas ele era meu ídolo", disse o campeão mundial.</P>
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Já o austríaco Gerhard Berger, que era amigo de Senna, pediu para não falar.</P>
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"É muito difícil para mim", disse o piloto que, este ano, às vésperas do Grande Prêmio do Brasil, foi sozinho ao cemitério do Morumbi (zona sul de São Paulo) visitar o túmulo onde o corpo de Senna está enterrado.</P>
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Questionado se Senna estaria "assistindo" à prova de hoje, Berger foi simpático.</P>
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"Provavelmente, ele deve ter arrumado alguma corrida por lá e não dará a mínima para nós", afirmou o piloto da Ferrari.</P>
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(José Henrique Mariante)</P>
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<DOC DOCID="cha-23475">
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REGIS MALLMANN</P>
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Da Agência Folha, em Florianópolis</P>
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As fortes chuvas de ontem em Joinville, na região norte de Santa Catarina, alagaram grande parte da área urbana, derrubaram três pontes e provocaram o cancelamento das festividades pelo 143º aniversário da cidade. As chuvas, que caem há três dias, fizeram o rio Cachoeira transbordar e alagar o centro. Várias ruas nos bairros foram atingidas. Pelo menos 50% da cidade não tem água potável.</P>
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Segundo Maria Andreis Cadorin, presidente da Comissão de Defesa Civil de Joinville, pelo menos cem pessoas foram retiradas de suas casas pela Defesa Civil. A maioria morava em Jativoca (periferia da cidade) e está abrigada em uma igreja do bairro. Maria Cadorin afirma que esse número pode aumentar, pois a previsão é de mais chuvas. Ainda não existe estimativa dos prejuízos.</P>
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Duas pontes de concreto -uma no centro e outra na zona rural- ruíram. Uma ponte pênsil, localizada na periferia da cidade, também caiu. Foram registrados deslizamentos de morros -uma casa na rua Cerro Verde, na periferia, foi soterrada- e três outras ruíram, até as 16h. Ninguém ficou ferido.</P>
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No bairro Jativoca, a água dentro das casas chegava a 1,5 metro de altura. No centro, a água subiu até 60 centímetros. O comércio não funcionou. Vivem no município 500 mil habitantes.</P>
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Em São Francisco do Sul, o prefeito decretou estado de emergência. Muitas famílias foram retiradas de suas casas e levadas para abrigos improvisados em ginásios de esportes. Em Blumenau, no vale do Itajaí, o rio Itajaí Açu subiu quatro metros e meio acima do seu leito normal, alagando comunidades ribeirinhas.</P>
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Segundo o coordenador em exercício da Defesa Civil do Estado, major Paulo Della Giustina, o trabalho de resgate dos flagelados está sendo feito pelas Comissões Municipais de Defesa Civil. Até o final da tarde, não havia um levantamento do número de desabrigados, mas eles podem chegar a mais de mil em todo o Estado.</P>
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A BR-101 foi parcialmente interditada para o tráfego por mais de três horas durante a tarde, o que provocou filas de até cinco quilômetros em ambos os sentidos.</P>
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<DOC DOCID="cha-49273">
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Adversário foi responsável pelos dois tiros que mataram Oswaldo Cruz Junior, autor de denúncias contra o PT</P>
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RODRIGO VERGARA</P>
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CRISPIM ALVES</P>
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Da Folha ABCD</P>
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O presidente do Sindicato dos Condutores Rodoviários do ABCD, Oswaldo Cruz Júnior, 40, foi assassinado ontem à tarde em sua sala na sede da entidade, em Santo André. Um dos diretores do sindicato, José Benedito de Souza, o "Zezé", foi acusado de ser o autor dos dois disparos fatais. Cruz teria sido atingido no tórax e no rosto.</P>
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Cruz foi o autor de denúncias de que o sindicato teria colaborado com campanhas políticas do PT. Ontem, cerca de mil motoristas de ônibus entraram em greve das 13h às 16h em protesto contra uma decisão do presidente do sindicato de fechar a subsede do sindicato em São Caetano. Zezé é casado com uma sobrinha de Cícero Bezerra da Silva, secretário-geral do sindicato e um dos principais opositores de Cruz na entidade.</P>
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O clima ontem à tarde no sindicato era de revolta. O irmão do sindicalista morto, Antonio de Carvalho Cruz, invadiu a sede e quebrou a porta de entrada de vidro e acusou opositores de seu irmão de serem os assassinos.</P>
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Outro irmão de Cruz, Clodovil Aparecido de Carvalho, afirmou que o assassinato está ligado às denúncias relacionadas à CUT e ao PT. "Acredito que tenha sido isso também".</P>
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Carvalho afirmou ainda que levará adiante todas as denúncias feitas por seu irmão. "Toda a documentação comprovando o que ele falou será entregue em momento oportuno."</P>
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Antes do crime, Cruz estava reunido em sua sala com dois integrantes do sindicato. As 13h, chegaram Zezé e José Carlos de Souza, o Carlinhos, seus opositores na entidade. Cruz teria pedido para ficar a sós com Carlinhos e Zezé.</P>
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Segundo Luiz Carlos, ex-diretor do sindicato que não quis dizer o sobrenome, e que estava na sala vizinha à do crime, minutos depois da saída dos outros membros do sindicato Zezé teria ameaçado aos gritos dar um tiro em Cruz. Em seguida, foram ouvidos quatro disparos. Dois deles atingiram Cruz. Zezé deixou a sala com uma arma na mão, ameaçando os presentes.</P>
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Robson Bezerra, filiado ao sindicato que também estava na sala ao lado no momento do crime, confirma a versão. Segundo Bezerra, os três discutiam sobre uma divisória da sala do presidente que havia sido arrombada durante a manhã de ontem. Bezerra e outros diretores do sindicato disseram acreditar que a depredação foi causada por opositores de Cruz.</P>
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Zezé e Carlinhos estavam foragidos ontem, segundo o delegado seccional de Santo André, Fernão de Oliveira Santos.</P>
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Logo após os disparos, Cruz foi encaminhado ao Hospital Municipal de Santo André, onde já chegou morto. O corpo foi levado ontem à noite para o IML (Instituto Médico Legal) de Santo André. Até as 20h30 não havia sido liberado. O corpo será velado na sede do sindicato.</P>
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Para o delegado Santos, o crime está resolvido. "O autor do crime foi José Benedito. Falta agora saber as razões que o levaram a isso", disse. Santos disse não acreditar em queima de arquivo. "O assassino se sentiu ofendido. Foi uma atitude pessoal. Não vejo uma ação arquitetada."</P>
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Valéria Cristina Costa, mulher do sindicalista assassinado, também acredita que seu marido tenha sido morto por causa das denúncias que fazia. "Sem dúvida alguma foi por causa disso", disse. Ela declarou também que ele estava sofrendo muitas ameaças por causa das denúncias que vinha fazendo.</P>
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Eloni Soares de Oliveira, delegada titular do 1.º DP de Santo André, onde foi registrado o crime, disse que convocará Cícero Bezerra da Silva, tio da mulher do suposto assassino, para depor.</P>
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<DOC DOCID="cha-44773">
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Estado de emergência no Kwazulu-Natal</P>
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Situação grave, mas não dramática</P>
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Jorge Heitor*</P>
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A proclamação do estado de emergência na província de Kwazulu-Natal revela que a situação na África do Sul é de facto grave, mas convém não exagerar e compreender que ainda não assumiu aspectos catastróficos. Os incidentes ir-se-ão decerto repetindo, com largas centenas de vítimas até às eleições. Mas daí até uma situação de guerra civil vai um largo passo.</P>
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O presidente Frederik de Klerk, o homem que em quatro anos deu um enorme safanão no marasmo que estava a ser a vida sul-africana sob o controlo da minoria branca, anunciou ontem a proclamação do estado de emergência na província do Kwazulu/Natal, a que está a dar mais dores de cabeça às autoridades.</P>
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Ao fazê-lo, o chefe do Partido Nacional procurou que as Forças Armadas controlem a espiral de violência que ali se adivinha e garantam a efectivação das eleições gerais marcadas para 26 a 28 deste mês, apesar de todas as reservas manifestadas pelo partido Inkatha e pelos seus aliados da extrema-direita boer.</P>
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O facto de o Inkatha e de o rei dos zulus, Goodwill Zwelithini, persistirem no pedido de adiamento do acto eleitoral está a causar uma série de incidentes, com centenas de mortes durante o mês de Março. Mas De Klerk e o ANC querem evitar que se chegue a um clima de guerra civil, no qual seria impossível o funcionamento das assembleias de voto e a instauração de uma sociedade democrática.</P>
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O Presidente, que desde o início de 1990 tem vindo a reformular profundamente o país que herdou do seu antecessor, Pieter Botha, pediu «muita, muita calma» aos seus compatriotas, para que se consiga evitar o pior e que os rios de sangue que têm corrido na África do Sul não se transformem em autênticos oceanos.</P>
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Não há pânico</P>
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«Controlamos a situação. Não há necessidade de pânico», sublinhou o corajoso estadista, que, no próximo mês, deverá muito provavelmente passar à situação de vice-presidente, ficando a chefia do Estado a cargo do líder do ANC, Nelson Mandela.</P>
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Quanto ao controverso Mangosuthu Buthelezi, primeiro-ministro do bantustão Kwazulu, que no novo ordenamento administrativo se dissolve na província do Natal, a cujo nome acrescenta o seu, considerou humilhante a proclamação do estado de emergência, que fora sugerida pelo ANC.</P>
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Semelhante situação permite detenções sem julgamento, controlo de comícios, recolher obrigatório e proibição de porte de armas. Não se crê, apesar disso, que a comunidade internacional se vá opor grandemente a tal estado de coisas, dado que a alternativa era uma sangria desenfreada e o fantasma de milhares de mortos durante o mês de Abril.</P>
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Homens armados abateram ontem quatro polícias, incluindo uma mulher, numa emboscada perto de Vereeniging, 30 quilómetros a sul de Joanesburgo, enquanto outros assassinavam a tiro sete pessoas que seguiam numa carrinha-táxi, em Katlehong, igualmente nos arredores da grande metrópole.</P>
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Receia-se que, ao longo das próximas semanas, continue a haver 20 ou 30 mortos por dia na África do Sul, mas em termos relativos isso não é considerado extremamente dramático nem comparável ao que tem sido a situação em Angola nos últimos 18 meses.</P>
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Alguns desses mortos serão decerto na província de Kwazulu-Natal, que tem perto de oito milhões de habitantes e comunica com o exterior pelo porto de Durban, numa zona em que Vasco da Gama fez escala no dia 25 de Dezembro de 1497, quando ia a caminho da Índia. Mas muitos mais seriam se não houvesse o estado de emergência, que deverá limitar bastante os confrontos entre partidários e adversários das eleições.</P>
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No entender de alguns observadores, relativamente optimistas, o Rei dos zulus e o Inkatha não têm homens nem armas suficientes para fazer face ao grande poderio das Forças Armadas sul-africanas, pelo que não consideram credível que eles tentassem levar à prática os seus intentos separatistas. Qualquer tentativa de pseudo-independência seria esmagada em alguns dias, nunca podendo ocorrer ali nada que se comparasse com um Katanga ou um Biafra.</P>
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Até porque, nunca é demais sublinhá-lo, e ao contrário do que por vezes crêem os mais distraídos, o grosso dos oito milhões e meio de zulus não está contra as eleições nem a favor do Inkatha, antes preferindo ir às urnas e viver numa África do Sul administrada em coligação pelo ANC e pelo Partido Nacional.</P>
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Os zulus que admitem o boicote eleitoral e a proclamação de uma monarquia autónoma na província do Natal, seguindo assim a linha de Buthelezi, não deverão representar sequer 35 por cento daquele grupo étnico. Ou seja, no máximo, uns três milhões de sul-africanos, numa população total de quase 40 milhões.</P>
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Mesmo que aos separatistas zulus se associassem, numa acção aventureirista, aos extremistas boers de Ferdi Hartzenberg e Eugene Terre-Blanche, a força conjunta dos que rejeitam as eleições nunca representaria nesta altura muito mais de 12 por cento da sociedade, o que é manifestamente insuficiente para impedir uma razoável democratização da África do Sul.</P>
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* com Steven Lang, em Joanesburgo</P>
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<DOC DOCID="cha-85455">
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EUA abrem fronteiras a países de «baixo risco»</P>
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Milhões de passageiros chegados de países considerados de «baixo risco» poderão, brevemente, franquear os aeroportos dos Estados Unidos sem passar nenhum controlo, indicou um porta-voz das fronteiras norte-americanas, Steven Duchesne.</P>
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Precisou que há um projecto nesse sentido em fase de estudo, que se justifica dado que as fronteiras norte-americanas caminham para uma supervisão do nome dos passageiros, por computador, de modo a serem confrontados com elaboradas listas de traficantes de droga, terroristas e criminosos de todas as espécies. Só os passageiros que «não passem» no computador serão barrados e controlados.</P>
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O porta-voz não especificou o que é um pais de «baixo risco» nem tão pouco quantos serão esse países. Cita-se por exemplo a Grã-Bretanha cujos cidadãos poderão entrar pelas portas de voos domésticos, sem ter que preencher os extensos formulários sobre quanto tempo vão ficar ou que produtos trazem consigo.</P>
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Um estudo realizado no início do ano no aeroporto internacional de Miami, Florida, revelou que apenas um por cento dos 15 mil passageiros chegados a esse aeroporto tentaram passar droga ou quaisquer outros produtos interditos.</P>
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«Estes estudos demonstraram-nos que, para cumprirmos a nossa missão, não há necessidade de falar com todas as pessoas que chegam. Devemos sim é ser mais eficazes na identificação do tal um por cento de traficantes».</P>
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Mas este projecto já suscitou críticas de uma senadora democrata da Califórnia, Dianne Feinstein, que se mostrou preocupada com o «impacto potencialmente devastador» das medidas na luta contra o terrorismo e tráfico de droga.</P>
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<DOC DOCID="cha-17328">
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Contagem decrescente para Ímola</P>
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Os últimos dias da vida de Ayrton Senna</P>
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Lionel Froissart*</P>
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O piloto brasileiro sentia-se inquieto. Desde o início da época que o seu automóvel se mostrava caprichoso. Mas Senna obstinava-se. Entre uma pausa em Paris e um salto a Inglaterra para gerir os seus negócios, recobrava forças no campo em Portugal, seguindo atentamente a evolução do seu Williams. Últimas páginas da agenda de um campeão.</P>
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Estamos a 27 de Março de 1994. O primeiro Grande Prémio da época ainda não terminou. Ayrton Senna interroga-se. Será que este Williams-Renault, que tanto desejara possuir, não passa de um «falhanço»? Um monolugar falhado porque os engenheiros e os técnicos de aerodinâmica foram, também eles, longe de mais nos seus sonhos. Afogueado pelo esforço e pelo «stress», Senna acaba de abandonar a corrida, perante o seu público, nas primeiras voltas do circuito de Interlagos, nos arredores de São Paulo. Um local tão cheio de boas recordações! Fora aqui que, 21 anos antes, ele ganhara a sua primeira corrida de kart.</P>
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No calor húmido brasileiro, este momento apresenta-se menos risonho. Uma falha ínfima, um lapso de concentração de um milésimo de segundo deram origem a um pião. Desde o início da corrida que Senna luta com este monolugar que considera difícil de conduzir. Isto não passa de um eufemismo na boca de um piloto de corridas. O Williams-Renault, desprovido dos seus apoios electrónicos, tais como a suspensão activa, o sistema de antipatinagem e antibloqueio na travagem, transformou-se num monstro de nervosismo.</P>
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Um automóvel, cujo desenvolvimento está ainda no início, é, por vezes, caprichoso. Com dez anos de Fórmula 1 atrás de si, Senna não está demasiadamente preocupado. Pensa que será uma questão de tempo e de trabalho e que recuperará o seu lugar -- lógico -- de favorito do campeonato. Com um desprendimento aparente, encaixa este primeiro revés. Os observadores atribuem esta descontracção de fachada à serenidade que três títulos de campeão do mundo, dezenas de vitórias e um recorde intocável de «pole positions» lhe conferem.</P>
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17 de Abril. Três semanas mais tarde, na noite do Grande Prémio do Pacífico, no Japão, a situação torna-se um pouco mais embaraçosa. Senna não passa da primeira curva. O seu principal adversário neste campeonato, o alemão Michael Schumacher, soma já vinte pontos. Ayrton gosta de desafios, mas este campeonato de 1994 está a passar das marcas.</P>
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No dia a seguir a este novo revés, o brasileiro embarca em primeira classe num Boeing 747 da British Airways, que efectua a ligação entre Osaka, no Japão, e Londres. Viaja acompanhado de, entre outros, Christian Contzen, o director geral da Renault-Sport. Senna informa o seu patrão francês que tenciona deslocar-se a Paris dois dias mais tarde para assistir ao desafio de futebol que opõe uma equipa constituída pelo PSG e pelo Bordéus à selecção brasileira. Esta viagem estava desde há muito programada. Com bastante tacto, Senna não aborda os problemas que o inquietam relativamente ao comportamento do seu automóvel. Não tem grande coisa a censurar ao V10 Renault, embora este apresente a particularidade de se ter tornado bastante violento desde que deixara de ser comandado por um acelerador electrónico.</P>
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É Christian Contzen que toma a iniciativa e convida o «seu» piloto a fazer uma pequena visita aos técnicos da Renault na fábrica de Viry-Châtillon para um almoço informal. Senna aceita. Até lá, o seu tempo vai estar bastante preenchido. A Inglaterra, onde se encontra a maioria das equipas de Fórmula 1, entre as quais aquela que Frank Williams dirige com pulso de ferro, é também o país onde Ayrton Senna gere alguns dos seus negócios. Neste campo, o campeão sul-americano revela-se igualmente brilhante. Na maior parte dos contratos directamente ligados à sua profissão de piloto, conta com a colaboração de Julian Jakobi, antigo quadro da empresa de agentes desportivos McCormack, que estava encarregado do «dossier» Alain Prost quando este ainda corria na McLaren. Posteriormente, Jakobi fundou a sua própria empresa e passou a ocupar-se exclusivamente de Ayrton Senna. Megaestrela da Fórmula 1, Senna aufere milhões de dólares em contratos publicitários. Jakobi, tão impiedoso quanto o seu ilustre cliente quando se trata de negociar um contrato, constitui um elemento precioso para Ayrton.</P>
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De regresso à Europa, Ayrton Senna recupera o seu jacto privado, um British Aerospace 125/800, que adquirira por 9,5 milhões de dólares após ter negociado uma redução de 500.000 dólares. Por este valor, a empresa fica autorizada utilizar o nome e a imagem do piloto nas suas brochuras publicitárias. Embora provindo de uma rica família brasileira, quando se trata de dinheiro Ayrton Senna não deixa passar nada. Com este jacto, considerado como o Rolls dos aviões privados, Senna desloca-se como muito bem entende por toda a Europa.</P>
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Tal como previsto, na manhã de quarta-feira, 20 de Abril, Ayrton aterra no aeroporto de Le Bourget. Aí é esperado por representantes da Renault-Sport e, juntos, seguem para os arredores na direcção oposta da capital. Em Viry-Châtillon encontra-se com Bernard Dudot, geralmente considerado como o pai do V10 francês. Os dois homens já se conhecem bem por terem trabalhado em conjunto em meados dos anos 80, quando Senna pilotava o Lotus-Renault que lhe garantiu as suas primeiras vitórias. Dudot tem em alta consideração um campeão deste calibre. No seu espírito, não separa Alain Prost e Ayrton Senna e considera que eles se movimentam num planeta à parte do universo da Fórmula 1. Nessa tarde, Senna concede uma entrevista à TF1 em que faz o ponto da sua situação no campeonato. Mostra-se optimista e declara que, em sua opinião, a época vai verdadeiramente começar em Ímola.</P>
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Mais de uma hora antes do pontapé de saída do jogo de futebol no Parque dos Príncipes, Ayrton Senna aguarda pacientemente no camarote VIP. Está acompanhado por alguns amigos, entre os quais o fiel Galva Bueno, comentador dos Grandes Prémios para a cadeia brasileira TV Globo, presente em todas as corrida mas, sobretudo, amigo íntimo do piloto. Era ele que, no domingo, fazia o relato da corrida de Ímola. Nesta quarta-feira de festa no Parque só se fala de futebol. Ayrton avança com um resultado: 2-0, vencendo o Brasil, como é óbvio.</P>
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Porém, neste doce entardecer parisiense, o espectáculo não está à altura. Senna abandona o Parque dos Príncipes e dirige-se a Montparnasse, onde se senta à mesa na Coupole. Além de Galva Bueno, está acompanhado de António Carlos de Almeida Braga, um antigo dirigente do Bradesco, um banco brasileiro. Este homem idoso e elegante preferiu passar a sua reforma em Sintra, nos arredores de Lisboa. Em todos os Grandes Prémios de Portugal acolhe Ayrton na calma da sua sumptuosa moradia.</P>
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No dia seguinte a esta escala parisiense, é precisamente para Portugal que Ayrton Senna e o seu grupo voam. Apesar de ter conservado um pequeno apartamento no Mónaco, Senna prefere a tranquilidade e o clima do Algarve sempre que se desloca à Europa. É aí que decide oferecer-se alguns dias de repouso antes do Grande Prémio de San Marino, em Ímola. Deseja descansar para recobrar forças e reforçar a sua motivação, não deixando de estar em contacto com os engenheiros da equipa da Williams.</P>
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Estão marcados ensaios, para segunda-feira, 25, e terça-feira, 26, no pequeno circuito de Nogaro, com o objectivo de se afinarem algumas alterações no campo da aerodinâmica. Senna não tinha previsto deslocar-se ao Gers mas, em todo o caso, solicita uma autorização de voo entre Portugal e o aeroporto de Pau-Uzein. Tratou-se de uma precaução inútil, pois Ayrton deixa-se ficar com a sua companheira do momento, Adriana Galisteu.</P>
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Última quarta-feira. A caminho de Itália, Ayrton faz um desvio pela Alemanha para cumprir certos compromissos com um patrocinador privado. Na manhã de quinta-feira, o avião branco e cinzento metalizado de Senna aterra suavemente na pista do aeroporto de Bolonha-Marconi. A região de Emilia-Romagna, banhada pelo sol, está linda. As suas longínquas origens italianas -- pelo lado materno -- fazem com que Ayrton se sinta em Itália como em sua casa, tanto mais que domina a língua italiana na perfeição. Nessa tarde apresenta em Pádua uma linha de bicicletas de corrida e todo-o-terreno com a chancela de Senna «Driven to perfection». Um dos inúmeros negócios sob licença de Senna.</P>
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Um pouco mais tarde, o piloto mergulha no universo das corridas e na sua rotina: responder aos jornalistas, conferenciar com os mecânicos, e ainda um curto «briefing» sobre o programa do fim-de-semana. Denis Chevrier, o seu técnico-chefe, propõe-lhe uma troca de impressões de ordem técnica. Ele recusa: «Não, hoje o meu espírito está fechado. Vemos isso amanhã.» Confuso, Chevrier regressa aos seus computadores. A dura realidade da corrida é precisamente já no dia seguinte.</P>
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Rubens Barichello, compatriota de Senna e, também ele, nativo de São Paulo, é vítima de uma violenta saída de pista, não recobrando os sentidos senão no hospital do circuito. Senna, o irmão mais velho, encontra-se ao seu lado. Ansioso, inquieto, chocado. No sábado acontece o drama: morre o principiante Roland Ratzenberger. Senna é o primeiro a chegar ao local do acidente. Esta iniciativa fará com que seja repreendido pela FIA e pela direcção da corrida.</P>
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Nessa mesma noite, Ayrton contacta com Adriana, que ficara em Portugal. Confia-lhe o seu sentimento de lassidão e confessa as suas preocupações. No dia seguinte, poucos minutos antes da partida, Senna profere as mesmas palavras face às câmaras de todo o mundo: «O meu automóvel é difícil de conduzir, é nervoso. O circuito é escorregadio, perigoso. Faltam as escapatórias...» São palavras de um piloto que tem consciência dos perigos da sua profissão e que os aceita. Um minuto depois, já Ayrton Senna se encontra, de capacete e com cinto, no «cockpit» do Williams nº 2.</P>
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Às 14h18, Senna embate a alta velocidade contra o muro da curva de Tamburello. Quando o automóvel, destroçado, pára, a sua cabeça estremece imperceptivelmente e imobiliza-se.Tradução de Maria João Reis</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-26115">
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Como «privatizar» funcionários públicos</P>
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Os dias 20 e 21 de Julho de 1995 vão ficar na memória dos trabalhadores da Direcção Regional de Portos (DRP) da Madeira. No espaço de algumas horas, o Governo Regional aprovou o protocolo que os condena à inactividade e atribui à Porto Santo Line (PSL) o exclusivo, ainda que por um período experimental de três meses, das ligações marítimas com Porto Santo. O protocolo em questão foi celebrado quase em segredo; os barcos do Estado foram encostados ao cais para facilitar o negócio da PSL; a primeira viagem comercial do ferry boat contratado pela empresa foi efectuada e o director Regional de Portos ordenou-lhes que se passassem de armas e bagagem para o navio privado, o «Lady of Mann».</P>
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O primeiro sinal de que alguma coisa de anormal se passava no Serviço de Transportes Marítimos -- um departamento da DRP responsável pelo transporte de passageiros para Porto Santo --, surgiu quando o seu chefe e comandante do navio «Pátria», Cruz dos Santos, foi informado de que iria comandar o «Lady of Mann» e integraria a tripulação encarregada de o ir buscar a Liverpool.</P>
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A comunicação ocorreu a 14 ou 15 de Julho e o ferry boat deveria deixar o porto inglês três dias depois. Quem deu a ordem a Cruz dos Santos foi João Carlos Caldeira, o comandante da marinha mercante que, até há pouco meses, o antecedera na chefia do Serviço de Transporte Marítimos. Entretanto, João Caldeira conseguira uma reforma antecipada, constituira uma empresa de consultadoria e passara a trabalhar para a PSL. Foi ele e os seus colaboradores, aliás, quem se deslocou à Grécia e a Inglaterra, por conta do Governo Regional, para escolher o ferry que a PSL acabou por fretar.</P>
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Cruz dos Santos declinou de imediato o convite/ordem e acabou por ser o próprio João Caldeira quem viria a assegurar, até hoje, o comando do «Lady of Mann».</P>
<P>
Pouco depois, no mesmo dia 21 de Julho, a DRP, executando directivas da Secretaria Regional da Economia, voltou à carga e procurou mobilizar todo o pessoal para o esquema negociado com Ricardo e Luis Miguel Sousa, os administradores da PSL. «No período compreendido entre 21 de Julho e 21 de Outubro de 1995, os trabalhadores desta direcção regional, que exercem actualmente funções no Serviço de Transportes Marítimos (terra e mar) passam a exercer funções na Porto Santo Line Ldª», determinava o director regional na ordem de serviço 7/95.</P>
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Assim mesmo, através de uma simples ordem de serviço, as autoridades regionais decretavam a «privatização» de cerca de 30 funcionários públicos, sem olhar a leis e sem qualquer contacto ou informação prévia dos interessados.</P>
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O que ninguém esperava era que os funcionários se recusassem a acatar essa ordem, tal como o seu chefe já tinha recusado. Nos primeiros dias, ainda houve alguns que cederam perante a ameaça de processo disciplinar que lhes foi feita numa reunião com o director regional -- mas ele próprio acabou por reconhecer que não podia obrigar ninguém a ir para a PSL e que o estatuto de funcionário público era incompatível com os horários e o regime de trabalho do «Lady of Mann». Ao fim de dez dias, foi a vez de a própria PSL desistir de recorrer aos tripulantes do «Pátria», do «Independência» e do «Pirata Azul» para trabalhar no ferry boat.</P>
<P>
O mesmo já não aconteceu com os nove funcionários de terra, encarregues do controlo de entradas e da venda de bilhetes nos escritórios da DRP. De um dia para o outro, viram-se obrigados a ficar sob as ordens dos homens de Ricardo e Luis Miguel Sousa nas instalações do Estado e até os talões de depósito do Banco Totta &amp; Acores passaram a preencher, ao fim de cada dia, para depositar a receita da venda dos bilhetes, na conta da PSL. Resta dizer que os bilhetes para o «Lady of Mann» continuam a ostentar os nomes e as fotos do «Independência» e do «Pátria».</P>
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Banal? O secretário Regional da Economia acha que sim. «Tivémos que agir muito pressionados pelo tempo. Mais do que o `modus faciendi', o que interessa é saber se o Governo Regional toma as medidas adequadas ao desenvolvimento da região», justifica Pereira Gouveia.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-54730">
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Da Folha Norte</P>
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A chuva forte que caiu ininterruptamente por duas horas no sábado à noite em São José do Rio Preto derrubou árvores, inundou e abriu buracos nas ruas e alagou os terminais de ônibus da estação rodoviária. O Hospital Austa, localizado na avenida Murchid Homsi, também foi inundado.</P>
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O Corpo de Bombeiros informou que recebeu várias chamadas para atender quedas de árvores, mas não registrou acidentes ou desabamentos de casas em função da chuva. Na avenida Bady Bassitt, onde tradicionalmente há alagamentos quando chove muito, as águas abriram um buraco na rua.</P>
<P>
Na estação rodoviária, a chuva alagou os terminais e atrasou alguns ônibus que fazem linhas na região de Rio Preto. Depois que as águas baixaram, restaram as marcas da chuva na parede. E muita lama.</P>
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<DOC DOCID="ric-58766"> 
<P>Fim de ano com uísque barato no Rio</P>
 <P>Caro leitor:</P>
 <P>Por favor, não entenda, por uísque barato, uísque vagabundo. É uísque bom, sem batismo, só que de preço baixo mesmo. Venho notando isso nos últimos meses. Deve ser por conta da queda do dólar: os donos de bares, finalmente, estão entendendo que uísque escocês não tem, necessariamente, que sair caro no balcão.</P>
 <P>Aquele "ouro" líquido, que o balconista costumava servir a conta-gotas e com um chorinho miserável e sem vela, está deixando de existir. Com a garrafa de um bom scotch sendo vendida a menos de R$ 60 em qualquer supermercado, já é possível encontrar, com facilidade, bares e botequins que assumiram o serviço regado do puro scotch.</P>
 <P>O Belmonte da Rua do Lavradio, por exemplo, é um desses. Por R$ 8,50, toma-se uma dose boca larga de Johnny Walker Red Label. E a régua é só de vinte doses, contra as absurdas 24 doses de alguns bares por aí. Nada mal, não?</P>
 <P>Para você, leitor que não toma uísque, ter uma idéia do que isso significa, basta dizer que a menos de 150 metros dali, no Carlitos da Rua Mem de Sá, uma dose do mesmo Red Label, servido em dedal de moça, custa R$ 12,50. Uma diferença exorbitante de preço e quantidade.</P>
 <P>E por que isso?, você há de perguntar. Puro preconceito, amigo. Os donos do Carlitos ainda acham que uísque é coisa de rico, coitados. Mas, para nossa sorte, essa ignorância aos poucos vai sendo riscada do mapa. Até quando o dólar deixar, claro...</P>
 <P>Outros exemplos de bom uísque barato e regado na cidade do Rio:</P>
 <P>- Aboim, na Rua Souza Lima, em Copacabana: o Pé-Sujo mais especializado em uísque da cidade serve mais de dez marcas diferentes de scotch. As mais baratas (White Horse e Grants 8 anos) saem a R$ 7,00, sempre na tala larga.</P>
 <P>- Azeitona &amp; Cia, na Rua Dias Ferreira, no Leblon: O melhor custo-benefício do scotch na Zona Sul do Rio. Uma dose caprichadíssima de Red Label no copo longo sai por meros R$ 7. E ainda vem com a boa conversa do Azeitona, o dono.</P>
 <P>- Bar do Adão da Rua Dona Mariana, em Botafogo: Não é muito boteco, mas ali o Ballantines 12 anos sai por R$ 9 a dose. Espetáculo que melhora ainda mais às terças-feiras, quando a casa especializada em pastel serve tudo dobrado. E o mesmo uísque sai, então, pela bagatela de R$ 4,50.</P>
 <P>- Bar Barata Ribeiro, na esquina das Ruas Barata Ribeiro e Barão de Ipanema, em Copacabana: Botequinho escondido no meio do caos copacabanense, mas que tem um coração de ouro e uma blea prateleira de uísques.</P>
 <P>- Bar Vieira Souto, na Praça da Cruz Vermelha, Centro da cidade: Um restaurante popular dos bons, que serve um filé com fritas espetacular e uísque de excelente procedência a R$ 8, no capricho.</P>
 <P>- BotecoTaco, no Humaitá: As madrugadas varam e o uísque não pára de sair no templo carioca dos notívagos. Doses cavalares de uísque oito anos, a menos de R$ 10.</P>
 <P>Conhece outros? Indique aqui, caro leitor.</P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-87544">
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Vila Franca de Xira</P>
<P>
Assaltos à mão armada chegam ao tribunal</P>
<P>
O colectivo do tribunal de Vila Franca de Xira inicia, no próximo dia 3, o julgamento de 13 indivíduos acusados de envolvimento numa quadrilha responsabilizada pela prática de 30 assaltos à mão armada de instituições bancárias situadas em diversos pontos de país.</P>
<P>
Efectuados no período compreendido entre 15 de Março de 1991 e 12 de Novembro do ano seguinte, os assaltos terão rendido mais de 53 mil contos, que, de acordo com a acusação deduzida pelo Ministério Público, foram gastos em proveito pessoal dos arguidos, «designadamente em jogo clandestino e aquisição de drogas e bens de consumo».</P>
<P>
Tudo terá começado em Outubro de 1990, quando o arguido Agostinho, que se encontrava a cumprir pena no estabelecimento prisional de Pinheiro da Cruz, deixou de se apresentar após uma saída precária que lhe havia sido concedida.</P>
<P>
A acusação refere que Agostinho terá contactado um indivíduo de apelido Perestrelo -- que na altura se dedicaria a assaltos a bancos --, proprietário de um apartamento da Rua da Machadinha, em Lisboa, e fixou aí residência, juntamente com outro dos arguidos neste processo, de apelido Oliveirinha.</P>
<P>
Posteriormente, conheceram o arguido Azinheira e, nos termos de acusação, «passaram a constituir um grupo que se reunia diariamente, decidindo passar a ter como objectivo a efectivação de assaltos à mão armada a instituições bancárias».</P>
<P>
Para tal terão conseguido duas espingardas caçadeiras -- umas das quais com canos cerrados -- e uma pistola calibre 7,65 mm, e, para se disfarçarem, muniram-se de gorros, camisolas de gola alta, óculos escuros, cabeleiras postiças e luvas, que utilizaram na execução dos assaltos.</P>
<P>
Ainda de acordo com a acusação, iniciaram então a sua actividade, com a realização de assaltos um pouco por todo o país e com posições diferenciadas e evolutivas do próprio grupo. Acabariam por ser detidos em Novembro de 1992, como presumíveis autores dos assaltos às caixas do Crédito Agrícola Mútuo de Vialonga (ocorrido a 3 de Novembro, com a retirada de 1634 contos) e da Tocha (ocorrido a 12 de Novembro, que rendeu 1174 contos). No momento da detenção foram apreendidas embalagens com aproximadamente 36 gramas de heroína.</P>
<P>
O Ministério Público, que arrolou 133 testemunhas para este julgamento, responsabiliza os 13 arguidos pela prática de crimes de associação criminosa, roubo, falsificação de matrículas, furto de veículos, uso e detenção de armas proibidas, rapto e tráfico de estupefacientes.</P>
<P>
Jorge Talixa</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-33887">
<P>
«Sociedade e Território» celebra dez anos</P>
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«As pessoas não são coisas que se ponham em gavetas» -- é o aliciante tema do dossier com que a revista «Sociedade e Território» preenche o essencial da sua vigésima edição, exactamente aquela com que esta publicação das edições Afrontamento assinala o seu décimo aniversário. Especializada em assuntos urbanos e regionais, a revista tem na sua redacção alguns dos responsáveis pelo planeamento estratégico da Câmara de Lisboa, o que não deixa de lhe conferir um interesse adicional.</P>
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Neste número de aniversário, que agora começou a ser distribuído, Fonseca Ferreira equaciona os principais problemas suscitados pelos realojamentos maciços e aponta alguns dos erros que é preciso evitar para que o Programa Especial de Realojamento não conduza ao mesmo insucesso que caracteriza a generalidade dos bairros sociais, em Portugal e no estrangeiro.</P>
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Curiosamente, num texto da autoria de Isabel Guerra, uma das coordenadoras do dossier, confessa-se que «aqueles que falavam de participação nos anos 60 e 70 e estão hoje no poder (...) não conseguem criar redes de comunicação com aqueles que estão na periferia do sistema» -- o que, de acordo com a autora, é «uma enorme frustração».</P>
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<DOC DOCID="cha-40076">
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Rádio francesa suspensa</P>
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A autoridade francesa que controla as emissoras independentes ordenou a suspensão, durante 24 horas, da «Skyrock», uma estação de rádio juvenil que emitiu um comentário que qualificava de «boas notícias» o facto de um polícia ter sido alvejado. «Um polícia morreu em Nice, e isso é uma notícia bastante boa», foi a frase que provocou a indignação das autoridades que afirmaram ter recebido diversas queixas. A «Skyrock» disse que o comentário era «uma piada» e pediu desculpa.</P>
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Sida sobe nos heterossexuais</P>
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O peso da sida é pequeno na população heterossexual mas o número de heterossexuais atingidos pela sida poderá vir a ser, no futuro, superior ao dos toxicodependentes, homossexuais e bissexuais atingidos pela doença, segundo um relatório oficial francês tornado público ontem. O documento «a evolução da epidemia do HIV em França na população heterossexual», realizado pela Rede Nacional de Saúde Pública, afirma que das 110 mil pessoas infectadas em França, um quarto deverão ser heterossexuais, segundo uma estimativa de finais de 1991.</P>
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Selo Marilyn</P>
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Foi lançado nos EUA, na quarta-feira, o primeiro selo postal de uma série dedicada às lendas de Hollywood. A imagem de Marilyn Monroe foi a escolhida pelos correios norte-americanos para inaugurar as novas emissões de selos. O lançamento do selo, que custa 32 cêntimos (cerca de 50 escudos) foi feito no restaurante Planet Hollywood, de Nova Iorque, por Anna Strasberg, directora do Instituto Teatral Lee Strasberg, e pelo responsável dos correios norte-americanos, Marvin Runyon.</P>
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Não se olha a idades</P>
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Um homem de 81 anos atingiu a tiro um intruso que, segundo disse, tentava entrar no quarto da sua mãe, de 101 anos, em Bisbee, estado norte-americano do Arizona. Ontem a polícia declarou que tinham interrogado Ben Duree, o filho, que afirmou que «era ele ou a minha mãe, de forma que não tive qualquer problema em alvejá-lo». O alegado assaltante, que se encontra hospitalizado em estado crítico depois de ter sido atingido na cabeça, foi encontrado pela polícia perto da casa de Duree. Este foi alertado para a presença do intruso através do sistema de escuta instalado no quarto da sua mãe, que há já algum tempo não sai da cama.</P>
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Chave e mapa em Wight</P>
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Um mapa da prisão de alta-segurança em Pankhurst, na ilha de Wight, de onde fugiram na noite de terça para quarta-feira três detidos, foi encontrado numa estação ferroviária perto de Southampton, noticiou ontem o diário britânico «The Sun». A polícia já tinha informado, na quinta-feira, que uma cópia artesanal da chave mestra da prisão utilizada na fuga, foi descoberta perto de uma cabine telefónica situada a uma centenas de metros da porta principal. Apesar da descoberta do mapa no continente, a polícia suspeita que os três evadidos, que são considerados «extremamente perigosos», ainda devem encontra-se na ilha de Wight.</P>
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Leilão de pisa-papéis de Schindler</P>
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Um pisa-papéis que os nazis ofereceram a Oscar Schindler, o alemão que salvou mais 1.200 judeus polacos e cuja acção é descrita no filme «A lista de Schindler», vai ser leiloado até final de Janeiro, nos EUA. O pisa-papéis, que esteve desaparecido durante muitos anos, contêm na base uma placa de bronze onde o nome de Schindler se encontra gravado ao lado da figura de um trabalhador segurando uma máscara de protecção e onde se pode ler a frase «todos pela Alemanha».</P>
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Tubarões em praias do Brasil</P>
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O aparecimento, nos últimos tempos, de tubarões nas costas do nordeste do Brasil levou as autoridades do Estado de Pernanbuco a proibir a prática de surf em algumas praias da região. Em 1994 foram registados 11 ataques de tubarões naquela área e num deles, ocorrido a 2 de Dezembro, um surfista morreu devido a perda de sangue. Na ultima segunda-feira, um jovem de 17 anos foi mordido no pé esquerdo quando se encontrava a cerca de 30 metros da praia.</P>
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<DOC DOCID="hub-67792">
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Amadeo de Souza-Cardoso</P>
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Vida</P>
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A sua familia era rica e influenciou-o a ingressar no curso de Direito na Universidade de Coimbra. Depressa desistiu do curso e mudou-se para o curso de Arquitectura na Academia de Belas Artes de Lisboa em 1905. O curso nao satisfaz o seu genio criativo, por isso parte para Paris em 1906 instalando-se em Montparnasse com a intençao de continuar a estudar. As suas primeiras experiências artisticas conhecidas foram desenhos e caricaturas, depois dedicou-se à pintura. Poder-se-á dizer que foi um pintor impressionista, expressionista, cubista, futurista mas sempre recusou qualquer rotulo. Apesar das multiplas influencias procurava a originalidade e a criatividade na sua obra. Em 1908 instala-se no número catorze da Cité de Falguière. Frequentou ateliers preparatórios para Academia de Beaux-Arts e a Academia Viti do pintor catalão Anglada Camarasa mas, apesar disso, nao chega a ser admitido. Em 1910 esteve alguns meses em Bruxelas e em 1911 expôs trabalhos no Salon des Indépendants, em Paris, aproximando-se progressivamente das vanguardas e de artistas como Amedeo Modigliani, Constantin Brancusi, Alexander Archipenko, Juan Gris e Robert Delaunay. Em 1912 publicou um álbum com vinte desenhos e, em seguida, copiou o conto de Gustave Flaubert, "La Légende de Saint Julien l'Hospitalier", trabalhos ignorados pelos apreciadores de arte.</P>
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Depois de participar em 1913 numa exposição com oito trabalhos nos Estados Unidos da América, no Armory Show, voltou a Portugal, onde teve a ousadia de realizar duas exposições, respectivamente em Porto e em Lisboa. Nesse ano participou ainda no Herbstsalon da Galeria Der Sturm, em Berlim. Em 1914 encontrou-se em Barcelona com Antoni Gaudí, e parte para Madrid onde é surpreendido pelo início da I Guerra Mundial. Regressou então a Portugal, onde iniciou meteórica carreira na experimentação de novas formas de expressão, tendo pintado com grande constância ao ponto de, em 1916, expor no Porto 114 obras com o título "Abstraccionismo", que serão também expostas em Lisboa, num e noutro caso com novidade e algum escândalo.</P>
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O cubismo em expansão por toda a Europa foram influências marcantes no seu cubismo analítico.</P>
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Amadeo de Souza-Cardoso explora o expressionismo e nos seus últimos trabalhos experimenta novas formas e técnicas, como as colagens e outras formas de expressão plástica.</P>
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Em 25 de Outubro de 1918, aos 31 anos de idade, morre prematuramente em Espinho, vítima da "pneumónica" que grassava em Portugal. </P>
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<DOC DOCID="cha-99622">
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Moradores do bairro do Freixo bloquearam passagem dos «bulldozers»</P>
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VCI polémica em Campanhã</P>
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O avanço da construção da Via de Cintura Interna (VCI) do Porto na freguesia de Campanhã está a processar-se a grande velocidade, mas também de modo polémico. Em causa estão os trabalhos de execução de uma conduta que desviará os esgotos e águas pluviais para o rio Tinto, que colocam em perigo algumas das habitações do bairro de pré-fabricados do Freixo, e a edificação de um túnel na Rua do Binjóia, que implicará o derrube de um aqueduto setecentista aí existente.</P>
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Ontem, os moradores do bairro do Freixo impediram o avanço das máquinas que ali chegaram por volta das 13h30 para fazer uma vala junto às habitações. Os moradores, avisados da intenção dos construtores, organizaram-se em turnos e, quando os «bulldozers» chegaram, sentaram-se na via, obrigando as máquinas a retroceder, cerca das 16h30.</P>
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«Dentro do bairro não vêm», garantiam os moradores, que, sem garantias da interrupção da obra, prometem continuar de vigia e impedir o avanço das máquinas enquanto for preciso. Temem que as habitações cedam aos trabalhos, uma vez que as casas -- pré-fabricados de cimento que, em 1981, ali foram levantados para acolher os desalojados das cheias do Douro -- começaram já «a dar de si». Por outro lado, aquela zona tem vindo a ser palco de sucessivas cheias durante o inverno, motivadas pelo aumento do caudal do rio Tinto, temendo-se que as obras degradem ainda mais a situação. «O ribeiro não aguenta mais água», protestam. Entretanto, uma vala está já aberta nas traseiras de uma das habitações, encontrando-se o bairro sitiado por blocos de cimento e outros materiais de construção, pelo pó e pelo ruído das obras. «Quando põem uma máquina a trabalhar, a minha casa treme toda», garantia uma das moradoras.</P>
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O vereador da habitação da Câmara Municipal do Porto, Armando Pimentel, esteve ontem de manhã no local, constatou as péssimas condições ali existentes e deu razão aos protestos dos moradores, estando a equacionar o realojamento das 46 famílias que ali vivem. Contactado pelo PÚBLICO, o vereador afirmou ser impossível proceder imediatamente à transferência devido à falta de habitações disponíveis -- está actualmente em curso o processo de realojamento dos moradores do bairro da Mitra, também motivado pela passagem da VCI --, tendo pedido aos moradores que aguardem até ao final o ano. Apanhado de surpresa pela situação --já que, segundo garantiu, «a Junta Autónoma das Estradas (JAE) nunca fez saber da necessidade de realojar aquela gente» --, Pimentel adiantou que o realojamento terá que ser apenas antecipado, já que o Plano Director Municipal do Porto prevê uma área verde para aquela zona, pelo que, mais tarde ou mais cedo, as habitações em causa teriam de ser derrubadas.</P>
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Aqueduto em perigo</P>
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Na Rua do Bonjóia, a questão é patrimonial e quem se opõe ao derrube do antigo aqueduto e da Fonte da Senhora (uma das mais antigas da freguesia) é a Junta de Freguesia de Campanhã, até porque parte da infraestrutura setecentista está incluída na Quinta do Bonjóia, património classificado já há alguns anos. O projecto da VCI prevê a construção naquele local de um túnel de 40 metros, implicando a demolição dos dois monumentos históricos e ainda de um lavadouro aí existente. A autarquia não tinha conhecimento destes promenores do projecto, mas ainda na segunda-feira os SMAS estiveram no local para cortar a água que abastece o lavadouro, o que foi impedido.</P>
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O presidente da Junta de Freguesia, Rodrigo Oliveira, reuniu com técnicos dos serviços de património da Câmara do Porto, estando em discussão com a JAE o futuro a dar áquela área, que a Junta pretende ver preservada. Para já, o empreiteiro suspendeu a demolição e, segundo Rodrigo Oliveira, a solução para o problema poderá passar pela construção de um viaduto.</P>
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Jorge Marmelo</P>
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<DOC DOCID="wpt-1000772700099419796">
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Team Suzuki Cepsa - Notícias</P>
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27 Março de 2005</P>
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Luís Correia domina concorrência em Casais S.Quintino</P>
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Luís Correia em Suzuki RMZ 250 voltou a demonstrar o seu excelente momento de forma ao dominar por completo a classe 125cc na 2ª jornada do Campeonato Nacional de Motocross, que se realizou este domingo em Casais de S.Quintino.</P>
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Numa pista em bom estado, apesar da ameaça de chuva que pairou na região durante o domingo de Páscoa, foram muitos os espectadores que resolveram ver o espectáculo do Motocross.</P>
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E o piloto a dar mais espectáculo foi Luís Correia que deu um recital de condução aos seus mais directos adversários, averbando uma vitória que não deixa margens para dúvidas. Para o piloto do Team Suzuki Cepsa, o dia até começou muito bem com a conquista do 1º lugar na grelha de partida. Na partida não conseguiu chegar à primeira curva na liderança mas após algumas voltas, cedo instalou-se no comando do numeroso pelotão, distanciando-se a partir desse momento dos seus perseguidores. Com esta vitória cimentou a liderança na classificação actual do Campeonato Nacional de Motocross, classe 125.</P>
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Os seus companheiros de equipa tiveram prestações diferentes, tendo Ricardo Pereira alcançado o 6º lugar e Hugo Basaula o 15º lugar. Para o mais jovem membro do Team Suzuki Cepsa, Hugo Basaula, esta manga começou muito bem, pois o piloto fez uma partida fenomenal e assumiu a 3ª posição no pelotão. Mas uma queda que sofreu num salto, fez com que tivesse que recuperar da última posição e já com muito tempo de atraso para os seus adversários. Após uma recuperação endiabrada conseguiu então a 15º posição final.</P>
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Ricardo Pereira esteve mais uma vez muito regular e rápido terminando no 6º lugar com a Suzuki RMZ 250.</P>
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Na classe maior, Ricardo Pazos, partiu determinado a melhorar a sua prestação relativamente à Águeda, e com uma condução mais adaptada à Suzuki RMZ 450, alcançou o 3º lugar, muito perto de Paulo Gonçalves que secundou Hugo Santos no Podium.</P>
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No final da tarde realizou-se a manga do Absoluto, e mais uma vez Luís Correia demonstrou porque é o piloto mais rápido a correr em Portugal com máquinas da classe 125. Alcançou o 3º lugar em termos de Absoluto e foi o melhor piloto da classe 125. Para Ricardo Pazos esta manga ficou marcada por uma queda espectacular que sofreu logo na volta inicial e quando tentava assumir a liderança, numa descida em que os pilotos alcançam velocidades muito elevadas. Apesar do grande aparato da queda, Ricardo Pazos pode prosseguir em prova, pois os seus equipamentos protegeram-no de lesões graves, nomeadamente o capacete CMS, botas Oxtar e equipamento Shift.</P>
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Apesar de ter quase uma volta de atraso para os seus adversários, não baixou os braços e realizou uma grande recuperação, alcançando o 12º lugar.</P>
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Para o publico presente a luta travada entre Hugo Basaula e Ricardo Pereira foi empolgante, pois os pilotos trocavam de posições em todo o percurso da pista. No final seria Ricardo Pereira a levar a melhor sobre o colega de equipa, alcançando o 11º lugar e Hugo Basaula o 17º lugar. Esta prova também contava para o Troféu Suzuki Cepsa Cetelem Motojornal, e o lugar mais alto do Podium voltou a ser ocupado por Ricardo Pereira, que assim permanece invicto deste o início desta iniciativa em 2004.</P>
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<DOC DOCID="cha-53227">
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Os flatulentos porcos voadores</P>
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Se andar de avião provoca grande mal-estar em muitas pessoas, o que é que se pode esperar de um porco? A companhia aérea sul-africana (SAA) acaba de preencher mais uma lacuna científica: em condições particulares, um porco faz aquilo que se espera dele. No voo de quinta-feira de Londres para Joanesburgo -- um Boeing 747 com com 300 pessoas a bordo -- teve que regressar e aterrar de emergência no aeroporto londrino de Heathrow, quando disparou o alarme de incêndios no porão, onde seguiam 72 animais. O alarme disparou hora e meia depois da descolagem, libertando um gás destinado a reduzir a presença de oxigénio no porão. Registaram-se 15 baixas mortais entre os porcos, por asfixia. Segundo a companhia, foi uma «combinação de urina, de calor e de gás metano libertado pelos porcos que provocou o alerta.» As vítimas, destinadas à reprodução na África do Sul, tinham sido examinadas por um veterinário antes da partida, que autorizou a operação. A companhia explicou que, geralmente, é menos traumatizante e doloroso para os animais utilizar uma ligação aérea regular que um avião fretado, que costuma fazer várias escalas.</P>
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Centro de Atenas só para peões</P>
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As ruas centrais do comércio de Atenas vão estar completamente proibidas a carros particulares, táxis e motas durante três meses, numa nova tentativa de lutar contra a poluição atmosférica e o caos no trânsito da capital da Grécia. A medida provisória pretende inaugurar o reordenamento da cidade, para «salvar» o centro e «devolver-lhe a vida e o prestígio», disse o ministro do Ambiente, Costas Laliotis. Se resultar, ficará definitiva e será estendida aos dois bairros limítrofes de Kolonaki e Exarchia. Concentrando quatro milhões de pessoas, mais de um terço da população grega, desfigurada por décadas de especulação imobiliária, Atenas é hoje a capital mais poluída da Europa. Fugindo do «nefos», a malcheirosa nuvem de poluição visível a olho nu, os habitantes desertaram do centro e os turistas estão sempre a queixar-se. A proibição, por agora, só funciona numa pequena parte do «triângulo comercial», uma zona de 40 hectares delimitado, abaixo da Acrópole, pelas três grandes praças da Constituição, de Omonia e de Monastiraki. O bairro, datado de finais do século passado, acolhe diariamente cerca de 60 mil comerciantes e empregados, dezenas de milhares de clientes e apenas 300 habitantes.</P>
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A «Coroa dos Andes» vai viajar</P>
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A «Coroa dos Andes», a mítica jóia religiosa colombiana feita com 1,8 quilos de ouro e 450 esmeraldas, avaliada entre três a cinco milhões de dólares (centre 435 mil e 725 mil contos), vai dar uma volta ao mundo (Estados Unidos, Europa, América Central e Ásia) antes de ser leiloada, em Nova Iorque, pela Christie's. A maior das esmeraldas, lapidada em quadrado, baptizada com nome do último rei-soldado inca, Atahualpa, mede 15,80 mm por 15,15 mm. A coroa tem 34,5 cm de altura e 52 cm de circunferência. Segundo a lenda, a coroa foi feita como reconhecimento dos habitantes da Popayan à Virgem, que os teria salvo de uma epidemia em 1590. Durante seis anos, trabalharam nela 24 dos melhores joalheiros e ourives espanhóis. Escapou a guerras, ladrões e revoluções, mas em 1909, arruinada, a cidade vendeu-a, com autorização do Papa Pio X. Como é costume, acabou em 1936 nas mãos de empresários norte-americanos.</P>
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<DOC DOCID="cha-70472">
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Acusado diz que conhecia filha de Agenor Silva Borges e já havia visitado casa da família no ABCD </P>
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Da Folha ABCD </P>
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O empresário Agenor Silva Borges, 45, foi morto com seis tiros em São Bernardo (ABCD) por três assaltantes. Um acusado disse ser amigo de K.B., filha de Borges.</P>
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Ontem, a polícia pediu à Justiça a prisão preventiva da mulher do empresário, Matilde Borges. Até as 19h30, a prisão não havia sido decretada. A polícia suspeita que Matilde e a filha tenham participado do crime.</P>
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O advogado Paulo Luis de Souza, que representa Matilde e K.B., afirmou que acusação é uma leviandade (leia texto ao lado).</P>
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O crime aconteceu por volta das 9h de anteontem, quando Borges saía de sua casa, no bairro Santa Terezinha, para ir ao trabalho.</P>
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Borges era sócio da Fábrica de Móveis Irmãos Borges e de uma loja de móveis em São Bernardo. O corpo foi encontrado às 19h30 de anteontem. A arma usada no crime não foi localizada.</P>
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O empresário teria sido abordado na porta de sua casa por Alexandro Silva, 20, Claudemir Silva, 20, e S.B.G., 16. Segundo a polícia, eles confessaram o crime.</P>
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Alexandro teria afirmado que fez os disparos e que conhecia a filha da vítima. Em depoimento, disse ter decidido assassinar Borges por temer ser reconhecido.</P>
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Depois, segundo a polícia, Alexandro disse que Matilde e K.B. teriam oferecido a ele o Escort de Borges em troca do assassinato.</P>
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Alexandro afirmou ser amigo de K.B., 17, e que havia frequentado a casa de Borges pelo menos duas vezes. Ele disse que a garota teria sugerido o crime há cinco meses.</P>
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K.B. confirmou que conhecia o acusado e que teria feito o comentário sobre o assassinato do pai por brincadeira. Ela negou que tivesse mandado matar o pai. Matilde não quis dar declarações à Folha.</P>
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Antes de matar o empresário e roubar seu Escort, os acusados teriam roubado R$ 75 que Borges levava e o teriam obrigado a sacar R$ 500 em um caixa eletrônico em Ribeirão Pires (ABCD).</P>
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Claudemir Silva foi preso anteontem em sua casa no Jardim Silvina, em São Bernardo.</P>
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Alexandro e S.B.G foram presos anteontem à noite por policiais militares quando ocupavam o Escort com outros cinco rapazes.</P>
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No carro, estavam ainda Carlos Salvador Jardim, 19, Manuel da Silva Bento, 24, P.R.G., 17, R.U.M., 17, e R.B.S., 15, que negaram participação no crime.</P>
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As investigações levaram à prisão de mais três suspeitos: o desempregado Paulo José Vendrusculo, 20, que teria emprestado a arma do crime, o comerciante Arnaldo Viana de Lacerda, 24, e o vigilante José Isídio da Silva, 37.</P>
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O delegado Hildo Estraioto Júnior, que acompanha o caso, disse que os envolvidos foram indiciados por latrocínio, receptação, formação de quadrilha, corrupção de menores e favorecimento. Só a pena de latrocínio (roubo seguido de morte) varia de 15 a 30 anos de reclusão.</P>
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<DOC DOCID="cha-26556">
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O presidente francês, François Mitterrand, tem razão ao definir o desemprego, somado à exclusão social, como "os problemas mais graves deste fim de século". Desnecessário alongar-se sobre os terríveis efeitos sociais e mesmo psíquicos que o desemprego ocasiona às suas vítimas. Já foram exaustivamente analisados.</P>
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O importante, agora, é constatar que não se encontraram por ora remédios eficazes para o mal e sequer o diagnóstico é coincidente entre os especialistas. Os desencontros de opinião ficaram muito claros no Fórum Econômico Mundial, encontro anual que se realiza em Davos, na Suíça, e reúne este ano cerca de 1.200 personalidades, entre autoridades oficiais de 60 países, acadêmicos e empresários de muitas grandes corporações internacionais.</P>
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Nem essa constelação de peritos (ao menos em tese) conseguiu produzir, até agora, alguma proposta objetiva para reduzir o desemprego, que, só nos 24 países mais ricos, afeta 35 milhões de pessoas –o equivalente à população do Estado de São Paulo.</P>
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Na Europa, a receita que se está generalizando para aumentar o emprego é a chamada flexibilização das leis trabalhistas. Trata-se de derrubar normas construídas ao longo do tempo que, ao lado de outros mecanismos relativos à educação e saúde, constituem o pilar do "welfare state", outrora um orgulho dos europeus.</P>
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Mas um especialista dos EUA, Lawrence Summers, subsecretário do Tesouro, diz que a flexibilização é apenas "meia-verdade" e fracassará se não for acompanhada de aumento da demanda. Faltou dizer como induzir um aumento da demanda sem provocar inflação e/ou elevar o déficit público –que, aliás, é um dos fatores da estagnação na Europa, por sua vez responsável em parte pelo aumento do desemprego.</P>
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Seja qual for o diagnóstico que se faça sobre a crise do emprego, as profundas mudanças estruturais ocorridas na economia internacional nos anos recentes sugerem que o desemprego é um fenômeno terrível com o qual o mundo terá que conviver ainda por um longo tempo.</P>
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<DOC DOCID="cha-12307">
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INÁCIO MUZZI</P>
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Do Painel, em Brasília</P>
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A CPI do Orçamento começou a analisar ontem um documento atribuído à empreiteira Servaz, que relaciona 49 políticos com percentuais do valor de obras executadas pela empresa.</P>
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O documento cita, além de vários parlamentares implicados no escândalo do Orçamento, o senador José Sarney (PMDB-AP), o ex-governador Orestes Quércia (PMDB-SP), os governadores Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), Moisés Avelino (PMDB-TO), Freitas Neto (PFL-PI), e o irmão do governador Luiz Antonio Fleury Filho (PMDB-SP), Frederico Coelho Neto, o Lilico.</P>
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Um técnico da Subcomissão de Bancos da CPI investiga a relação entre os valores contidos no documento e a movimentação bancária daqueles citados que já tiveram o sigilo bancário quebrado.</P>
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O documento foi remetido por um ex-diretor da Servaz ao coordenador da Subcomissão de Emendas, deputado Sigmaringa Seixas (PSDB-DF). Como o material não é assinado e não está em papel timbrado da empreiteira, o deputado preferiu manter sigilo sobre seu conteúdo, à espera da comprovação da veracidade das informações.</P>
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A Folha apurou que o documento, além dos percentuais, detalha, em cruzeiros, a suposta retirada mensal da maioria dos citados. Em alguns casos, há uma referência aos serviços prestados pela empreiteira a políticos, como reformas em propriedades do ex-presidente Sarney.</P>
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O nome de Quércia aparece associado ao do tesoureiro de suas campanhas, José Lopes, o Zé Português, seguido da observação "% variável". Lilico surge associado ao nome Onofre, que suspeita-se seja  Onofre Vaz, proprietário da empreiteira.</P>
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Conjuntamente à relação, a CPI recebeu três folhas contendo os nomes de todas as obras de interesse da Servaz, com valores respectivos. Até o final da semana, a CPI vai ter elementos para decidir sobre a veracidade do documento. Se o texto for considerado legítimo, a comissão pode iniciar novas investigações, que exigirão novo depoimento de Onofre Vaz.</P>
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<DOC DOCID="cha-37741">
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Negociações angolanas em Lusaca</P>
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Redigido mais um documento</P>
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As delegações do Governo angolano e da UNITA concluíram quinta-feira à noite o pacote de princípios e modalidades que regerão a segunda volta das eleições presidenciais em Angola, a tempo das movimentações políticas da próxima semana em Pretória.</P>
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Era fundamental concluir as modalidades do processo eleitoral a tempo da saída do medianeiro, Alioune Blondin Beye, para a tomada de posse do Presidente sul-africano, disse à Lusa fonte das conversações. Beye reunir-se-á com o secretário-geral das Nações Unidas na África do Sul.</P>
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As modalidades são seis e completam o quadro dos anteriores 12 princípios gerais e específicos que regerão a segunda volta das presidenciais, pendente desde o Outono de 1992. São expressas em termos gerais, apontando embora para a calendarização de operações que deverão ser realizadas no país, e uma fonte das conversações criticou a «vacuidade» da sua formulação.</P>
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A negociação não foi fácil, tendo a UNITA pedido a manhã de quinta-feira para estudar melhor as propostas da mediação e acabando as delegações por se reunirem somente quinta-feira à tarde. Ao fim do dia foi necessária a intervenção dos observadores para conciliar alguns aspectos da formulação, que ficou pronta depois das 20h00, segundo fontes das conversações.</P>
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Em termos gerais, pendente do mandato que será ainda estabelecido para a missão da ONU em Angola (UNAVEM), ficou estabelecido que «os meios humanos e materiais das Nações Unidas deverão ser adaptados à sua missão de apoio, verificação e fiscalização» do processo eleitoral.</P>
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Outro ponto diz que a ONU «constatará por declaração formal, depois de ouvido o órgão sucedâneo da Comissão Conjunta Político Militar, a existência de todos os requisitos indispensáveis e de todas as condições requeridas» para as eleições, especialmente as relativas «à satisfação de todas as obrigações do protocolo de Lusaca».</P>
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O terceiro ponto determina que «todas as instituições implicadas» na organização das eleições, como o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), «deverão efectuar os preparativos indispensáveis nos prazos requeridos».</P>
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«A concepção, fabricação, recepção e armazenamento do material eleitoral far-se-ão nos prazos adequados», refere o quarto ponto, remetendo para a lei, CNE e o «apoio, verificação e fiscalização» pela ONU.</P>
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Num dos pontos mais relevantes do processo, o registo do eleitorado, ficou estabelecido que «a elaboração dos cadernos do registo eleitoral através da inscrição dos cidadãos eleitores, bem como a publicação por afixação edital das listas dos registos deles extraídos», deverão cumprir os prazos e ser sujeitos às normas gerais da lei e actuação pelas Nações Unidas.</P>
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Este ponto interliga-se com o terceiro princípio específico do pacote, que determina as «condições requeridas» para as eleições, da livre circulação de pessoas e bens à reposição da Administração central no país.</P>
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O sexto ponto das modalidades diz que «deverá ser levada a cabo dentro dos prazos requeridos e através dos meios adequados uma campanha de educação cívica dos eleitores àcerca dos objectivos» da segunda volta das presidenciais «e do modo como o eleitor deve votar».</P>
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A delegação governamental angolana deverá partir hoje para Luanda, regressando somente terça-feira, na véspera da retomada provável das conversações, dada a ausência do medianeiro.</P>
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Fonte das negociações disse à Lusa que o aspecto a debater a seguir será o mandato das Nações Unidas em Angola, questão que se relaciona com os vários acordos já estabelecidos parcelarmente. As questões iniciais do mandato militar -- para distribuição do pessoal das Nações Unidas pelo país e depósitos para recolha de armas dos guerrilheiros da UNITA -- está esta semana em análise em Luanda, no âmbito da UNAVEM. [...]</P>
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Luisa Ribeiro, em Lusaca/Lusa</P>
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<DOC DOCID="cha-53761">
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Schumacher continua a ganhar</P>
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Michael Schumacher não guardará boas recordações do circuito de Ímola, tal como todos os intervenientes e fãs do «grande circo», mas os dez pontos da sua vitória no GP de San Marino catapultaram-no para a conquista do título mundial.</P>
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Após os acidentes de Lamy e de Senna, a corrida do GP de S. Marino acabou mesmo por ser interrompida, desta vez com formação de nova grelha. Com um lugar vazio à sua frente, e partindo do melhor lado da pista, Gerhard Berger (Ferrari) assumiu o comando, com Schumacher (Benetton-Ford) logo atrás de si. No entanto, estas posições davam o comando da corrida ao piloto alemão, graças à vantagem ganha nas primeiras voltas, antes da interrupção.</P>
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Com 13 voltas decorridas, uma passagem de caixa falhada por Berger permitiu que Schumacher o ultrapassasse. O piloto austríaco abandonou poucas voltas depois (17ª), após uma primeira passagem pela boxe, com problemas na roda esquerda traseira. Mika Hakkinen assumiu então o primeiro lugar (a primeira vez que isso foi conseguido pelo motor Peugeot), mas só até voltar a entrar nas boxes para reabastecimento e troca de pneus. Schumacher voltou então ao primeiro lugar, que não mais abandonou até final, mesmo com mais uma paragem nas boxes.</P>
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Com as posições praticamente definidas, houve ainda lugar a mais um acidente nesta corrida azarada. Michele Alboreto, que saíra das boxes nas duas partidas efectuadas, voltou ali na volta 48 para reabastecimento e troca de pneus. Quando saía da zona de boxes, atropelou três mecânicos da Ferrari, quando a roda traseira direita, mal apertada, se soltou e acabou por se soltar, atingindo um dos mecânicos da equipa Lotus-Honda. Os quatro mecânicos foram hospitalizados com traumatismos vários, encontrado-se todos livres de perigo.</P>
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Nicola Larini (Ferrari), que aqui substituiu Jean Alesi, tinha entretanto chegado ao segundo lugar, que defendeu até à bandeirada xadrez. O piloto italiano era sem dúvida o mais feliz no pódio -- e deu uma grande alegria aos muitos milhares de «tifosi» presentes em Ímola, que invadiram a pista imediatamente após os primeiros cortarem a meta, ainda com muitos carros em andamento. O terceiro lugar coube a Hakkinen, que assim marcou os primeiros pontos do ano para a McLaren-Peugeot.</P>
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<DOC DOCID="cha-13500">
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FOTOS PEDRO CUNHA da semana passada.</P>
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Câmara de Loures já demoliu 420 barracas</P>
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Família são-tomense em risco de despejo</P>
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José António Cerejo</P>
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A Câmara de Loures está preocupada com a construção de novas barracas. Não pode deixar fazê-las porque a isso a obriga a lei, mas fica com uma drama nos braços cada vez que a cumpre. Ao todo já demoliu 420 desde o lançamento do PER. Desta vez é uma família da Portela de Sacavém que está na calha.</P>
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Uma família são-tomense, constituída por uma anciã de 93 anos, um filho de 63, uma neta de 33 e duas bisnetas de 8 e 9 anos, corre o risco de ser despejada da barraca onde reside, na Quinta do Carmo, na Portela de Sacavém. As moradoras garantem que vivem no local há três anos e meio e a Câmara de Loures -- que já emitiu uma ordem de despejo e demolição -- argumenta que a casa foi construída depois de Abril do ano passado, altura em que foi concluído o recenseamento dos residentes, no âmbito dos trabalhos preparatórios do Plano Especial de Realojamento (PER). Apesar disso, a autarquia decidiu suspender a execução do despejo, estando a aguardar elementos adicionais para tomar uma decisão definitiva.</P>
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Sendo um caso igual a tantos outros, o drama da família de Ivo Sosthenes da Vera Cruz Jordão ilustra bem as contradições e as insuficiências do chamado PER, lançado pelo Governo há dois anos e destinado a acabar com as barracas nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. Na perspectiva da Câmara de Loures, o problema radica na persistência das causas sociais que conduzem ao aparecimento de barracas e na impossibilidade prática de lhes pôr termo por decreto.</P>
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Isto porque o PER assegura o realojamento dos habitantes de barracas recenseados até um determinado momento -- Abril de 1994, no caso do concelho de Loures -- e obriga as câmaras a demolir todas as que forem construídas depois. Mas a realidade, dizem os responsáveis camarários, é que as carências de mão-de-obra e a situação social do país continuam a fazer afluir à região de Lisboa milhares de pessoas que não têm alternativas e fazem tudo o que podem para construir habitações clandestinas.</P>
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Natural de São Tomé, Ivo Jordão foi funcionário do ministério português da Educação durante muitos anos. Hoje em dia, aufere uma pensão de 29 contos, tem nacionalidade portuguesa e trabalha numa empresa de fabrico de refeições. Quando se instalou em Portugal, em meados da década de 70, a mãe e a filha, ambas com o nome de Maria Assunção, foram viver para Luanda. Na capital angolana nasceram-lhe duas bisnetas e foi a guerra, há pouco mais de três anos, que empurrou as quatro para Lisboa.</P>
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Chegadas a Portugal, foi a casa de Ivo Jordão, na Quinta do Carmo, que foram procurar abrigo. Segundo conta a filha e confirmam algumas vizinhas, a minúscula barraca que o pai havia construído e partilhava com uns parentes foi-lhes então cedida, retirando-se estes para casas de outros familiares. «Depois disso consegui o meu cartão de residente, arranjei emprego honestamente, trabalho há mais de dois anos no aeroporto, trato sozinha das minhas filhas e da minha avó e moro nesta casa desde que cheguei», conta Maria da Assunção.</P>
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A barraca não foi recenseada</P>
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Quando, aqui há um ano e meio, começou a ser feito o recenseamento das famílias e das barracas existentes no bairro, Maria da Assunção não deu por nada e não encontra explicações para o facto de o seu nome e a sua casa não constarem dos levantamentos camarários. O que ela sabe é que havia uma chapa com um número na barraca e o amigo do pai, que a fez com ele, garantia que «estava tudo bem e tudo legal».</P>
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Ivo Jordão, porém, apercebeu-se de que havia problemas e contactou a Câmara, no fim do ano passado, para esclarecer a situação. O pior é que, nessa altura, do ponto de vista legal e na opinião dos serviços municipais, já não havia nada a fazer. Nem a sua família nem a casa constavam do censo e o levantamento daqueles que serão realojadas pelo PER, e poderão manter as suas barracas até lá, estava concluído fazia muito tempo. Além disso, a lei mandava demolir todas barracas não recenseadas. Por isso mesmo, o edital com a ordem de despejo e demolição, no prazo de 30 dias, foi afixado em 11 de Maio. A história parecia, assim, chegada ao seu termo.</P>
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Para a Câmara esta seria apenas mais uma, já que, desde Janeiro do ano passado até 31 de Março deste ano, em todo o concelho, já foram ordenadas e efectuadas 420 demolições de barracas começadas a construir após o termo do recenseamento. Só que Ivo Jordão decidiu não cruzar os braços e fez tudo o que estava ao seu alcance para evitar, ou pelo menos adiar, o despejo da família. Escreveu ao presidente da Câmara de Loures, ao provedor de Justiça e aos jornais.</P>
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Na carta que endereçou ao primeiro, Demétrio Alves, logo após ter recebido a ordem de despejo, pede que lhe deixem ficar a barraca até que todo o bairro seja demolido e diz que ela não foi incluída no recenseamento por «má-fé dos funcionários». Ivo Jordão invoca a sua condição de negro português e diz que aprendeu «pelos manuais portugueses que ser português não teria como lema nascer em Portugal, ter pais portugueses ou ainda ser filho de Castro, `o Forte', Camões, Garrett, Albuquerque, `o Terrível' e tantos outros que traçaram a gesta e engrandeceram a pátria lusa».</P>
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Perante as reclamações apresentadas, a Câmara decidiu suspender a demolição, que deveria ter lugar a partir do dia 11 deste mês, aguardando agora os pareceres da Junta de Freguesia da Portela e da Associação Sócio-Cultural da Quinta da Serra, quanto aos argumentos de Ivo Jordão.</P>
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Maria da Assunção, por seu turno, enquanto espera pelas decisões da autarquia, interroga-se sobre o que lhe poderá acontecer. «Se me deitarem a casa abaixo, o que é que eu vou fazer com duas crianças, uma avó de 93 anos e 69 contos de ordenado?»</P>
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Para a vereadora Zélia Amorim, que já explicou ao provedor de Justiça a posição da Câmara, com base no cumprimento das obrigações impostas pelo Governo às autarquias no âmbito do PER, a solução do problema só poderá estar nos serviços da segurança social.</P>
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A avó Assunção, alheia às complexas razões do Governo e da autarquia, recorda o tempo calmo em que «partia o caroço do dem-dem e escolhia cacau lá em São Tomé» e só sabe que está velha. «Agora, vem um pouco de vento e começa logo a abanar.»</P>
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<DOC DOCID="cha-7831">
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Taj Mahal a salvo</P>
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Monções na Índia continuam a matar</P>
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O templo indiano Taj Mahal, tido como uma das «sete maravilhas do mundo», foi ontem considerado a salvo depois de violentas enxurradas terem tocado o muro norte do grande mausoléu de mármore em Agra, quando cerca de 100 mil pessoas foram afectadas pelas monções que têm assolado o Norte da Índia.</P>
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As autoridades declararam o estado de crise em 46 distritos do Estado de Uttar Pradesh, anunciando 29 novas mortes por afogamento, desabamentos de terra e destruição de casas. No total, segundo a agência indiana Press Trust, tinham ontem morrido 177 pessoas naquele Estado. No Estado de Haryana, foram ontem confirmadas novas 30 vítimas mortais, num total de 112.</P>
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Em Nova Deli, mais de 30 mil pessoas foram evacuadas sábado em consequência das piores inundações sofridas pela capital indiana nos últimos 17 anos, que levaram ao corte das linhas de caminho-de-ferro. Cinquenta mil pessoas, no total, foram evacuadas desde quinta-feira para serem transferidas para locais mais elevados. O nível do rio Yamuna, que atravessa Nova Deli, apesar de ter baixado um pouco no fim-de-semana, ultrapassava ainda a cota de alerta de dois metros na maior parte da cidade. Num dos bairros atingiu mesmo os oito metros.</P>
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Desde que as primeiras monções irromperam em Junho, com uma força pouco habitual, pelo menos 700 pessoas morreram em todo o país. Segundo as informações das autoridades, no entanto, esperava-se que rapidamente começassem a descer os grandes rios, como o Yamuna, que corre junto ao Taj Mahal, em Agra, e também em Nova Deli, a cerca de 160 quilómetros de Agra. Também se esperava que suavizasse a força das águas do enorme Ganges, o rio sagrado dos hindus.</P>
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O Taj Mahal, um mausoléu construído no século XVII pelo rei Shah Jehan para a sua esposa, Mumtaz-i-Mahal, foi considerado a salvo pela Sociedade Indiana de Arqueologia, depois de receios iniciais de que podia ser invadido pelas águas. O nível do rio, que normalmente fica vários metros abaixo do muro norte, que bordeja o rio, quase galgou para dentro do templo.</P>
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<DOC DOCID="ric-81275">
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Quadrinhos e pop art - É neste processo de renovação da sociedade norte-americana que a pop art ganha um impulso e, de certa forma, contribui para que os quadrinhos voltem de novo a ser tratados como coisa séria. Os artistas procuravam demolir a rigidez e a seriedade das artes plásticas através de ícones da sociedade ocidental. Garrafas de Coca Cola, latas de sopa, símbolos gráficos usados em estações de metrô eram usados em associações livres que permitiam o estabelecimento de relações simbólicas e afetivas com as obras em questão. Era uma arte que se valia da repetição de signos conhecidos no intuito de buscar uma identificação com o público a que ela se destinava. A idéia era eliminar as barreiras entre as culturas erudita e popular. </P>
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Sendo assim, é compreensível que os grandes nomes da pop art utilizassem também as histórias em quadrinhos como um elemento a mais dentro de seus trabalhos. Afinal, a linguagem das HQs, um balão de texto ligado a uma imagem, possibilita a compreensão imediata da mensagem. Além do que, graficamente, eles dispunham de inúmeras referências que serviriam de parâmetro para os pintores pop. Isso pode ser visto na obra de Roy Lichtenstein e seus painéis diretamente copiados de tiras de jornal e, em menor escala, no trabalho de Andy Warhol. Neste caso, mais em decorrência da forma como ele dispunha suas obras - utilizando a narrativa seqüencial em cores primárias nos célebres retratos de Marilyn Monroe, Mao Tsé Tung e James Dean - do que propriamente por se comportar como um quadrinhista tradicional. </P>
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Ao levar para as galerias a estética das HQs, a pop arte fez com que os quadrinhos ganhassem de volta o respeito que haviam perdido na década de 50. Claro que isso não seria possível sem a renovação promovida pelos Comix. Com a pop art os quadrinhos passaram a ser aceitos por uma camada mais intelectualizada da sociedade. Jules Feiffer tem suas tiras publicadas nas páginas da elitista New Yorker. Na Europa, François Truffaut, Alain Resnais, Federico Fellini e Umberto Eco, teorizam sobre as HQs e declaram seu amor aos quadrinistas norte-americanos. Com a benção da pop art, finalmente as histórias em quadrinhos viraram coisa de gente grande. </P>
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A quebra de valores promovida pela pop art, pela contracultura, pelos comix e pela beat generation influenciou ainda o jornalismo e a literatura. Hunter S. Thompson e Tom Wolfe criam o "new journalism" e inventam uma nova forma de narrativa, misturando a notícia a impressões pessoais e estados alterados de consciência. Se, por um lado, Thompson experimentou todos os tipos de substâncias legais e ilegais para escrever Fear &amp; Loathing in Las Vegas, um relato de suas maluquices na capital mundial do jogo, Wolfe desenvolveu uma linguagem acelerada e dinâmica parecida com as narrativas das HQs. Inclusive com a utilização de onomatopéias: </P>
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"mesmo que alguém quebrasse a corrente e em que todos fluíam e fosse bater de encontro ao asfalto da Grande Estrada a noventa quilômetros por hora - eles possuiam isso gravado na fita - e podiam tocar muitas vezes em retardos variáveis, skakkkkkkkkkkk-akkkkkkkk-akkkkk-akkkkkeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee</P>
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eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee - Nua em Pêlo cada vez mais esquisita enrolada na manta preta, tremendo e depois se levantando feito uma alma penada...</P>
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...É loucura, delírio, piração, fora da realidade, com metade do mesencéfalo repetindo</P>
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VOCÊ ESTÁ MUITO DOIDO</P>
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e a outra metade repetindo</P>
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VOCÊ É DEUS...</P>
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Homem home on the range, cuspindo e buzinando fonfonrofonfon aquela maldita ladainha ao microfone - Home...home...on the ra-a-a-a-a-ange..." </P>
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Tom Wolfe - O Teste do Ácido do Refresco Elétrico </P>
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Essa foi a estética vigente dos primeiros textos da literatura underground norte-americana. Em livros como V, O Leilão do Lote 49 e Arco Íris da Gravidade, todos publicados no período que vai de 61 a 73, o escritor Thomas Pynchon freqüentemente adota um modelo de narrativa semelhante ao das histórias em quadrinhos e nos diverte com aviões sendo abatidos por uma rajada de tortas de creme, sátiras ao quadrinho de herói (o personagem Homem Foguete é claramente inspirado no Capitão América), monstros imensos que surgem do nada, ratos falantes, uma rolha assassina que persegue um casal em pleno ato sexual e personagens como nomes improváveis e absurdos (Benny Profane, Oedipa e Mucho Maas, Pierce Inverarity, Fausto Magistral, Tyrone Slothrop, General Pudding, Pig Bodine...). Quem também se utiliza do humor quase infantil das HQs é Kurt Vonnegut em seu manifesto anti-militarista Matadouro 5 e no experimental Timequake. Foi essa reciclagem da cultura de massa norte-americana e a sua junção com os valores emergentes da contracultura que permitiu o surgimento de uma narrativa genuinamente pós-moderna, um gênero que, além de bastante divertido, deixou fortes marcas na literatura norte-americana. Dos anos 60 até os dias de hoje.</P>
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Fonte: Kung Fu Lounge (http://kfl.blogspot.com/).</P>
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<DOC DOCID="HAREM-425-00322">
<P>Qual é o seu nome? Ventura Pires da Cruz .</P>
<P> Local de nascimento? Pisões .</P>
<P> Quando é que nasceu? Dia 7 de Maio de 1939.. </P>
<P>Qual é o nome do seu pai? José Pires da Cruz .</P>
<P> Qual é o nome da sua mãe? Aurintina Afonso .</P>
<P> Diga o nome dos seus avós? Não me lembro.</P>
<P> Sabe a origem do nome da sua família? Nos Pisões e em Brandim .</P>
<P> De onde vieram os seus avós? O pai do meu pai era de Viade e a minha avó da Venda Nova .</P>
<P> De onde vieram os seu pais? O meu pai de Pisões e a minha mãe de Brandim .</P>
<P> Quantos irmãos tem ? Irmãos éramos sete e agora somos dois e uma irmã.</P>
<P> Descreva a casa onde morou durante a sua infância.</P>
<P> Era de 2 andares e feita de pau.</P>
<P> Quem morava na casa? O meu pai, a minha mãe e os meus irmãos.</P>
<P> Como eram divididas as tarefas? Um ia com as ovelhas, outras com as cabras e outros lavravam as terras.</P>
<P> Quais eram os momentos mais marcantes na sua família? A primeira vez que calcei umas botas tinha 18 anos .</P>
<P> Em que local ficava a sua casa? Ficava onde é a central.</P>
<P> Gostava da sua casa? Gostava.</P>
<P> Qual era a actividade dos seus pais? Trabalhavam na agricultura.</P>
<P> Quem tinha mais autoridade na família? Era o pai.</P>
<P> Como descreveria o seu pai? O meu pai era médio.</P>
<P> Como descreveria a sua mãe? Era gorda.</P>
<P> Você relacionava-se melhor com algum deles? Porquê? Mais com a mãe porque era mais boa.</P>
<P> Como descreveria os seus irmãos? Eram bons.</P>
<P> Como era a relação entre vocês? Dávamo-nos bem.</P>
<P> Convivia com que membros da família? Com todos e com um bando de cabras e vacas.</P>
<P> Quais as actividades incentivadas pela sua família? Gosto de lavrar com arados de paus.</P>
<P> Quando é que entrou na escola? Entrei com 7 anos .</P>
<P> Qual foi a sua primeira escola? Foi no Antigo de Viade .</P>
<P> Qual é a sua lembrança mais forte da escola? De ir a pé e voltar a pé.</P>
<P> Levava um saco com broa e carne forda.</P>
<P> Como é que descreveria a educação que recebeu? Foi boa além de não haver comida.</P>
<P> Quais as principais características dessa educação? Era dada pela mãe e do pai.</P>
<P> O que é que essa educação influenciou a sua personalidade? Acho que havia mais educação.</P>
<P> Até que idade estudou? Estudei pouco, entrei com 7 anos saí com 11 anos .</P>
<P> Como ia para a escola? Ia a pé 7 km .</P>
<P> Como é que se descreveria como criança? Era como vós hoje.</P>
<P> Como era a sua relação com os amigos? Era malhar o corpo aos outros.</P>
<P> Como era a relação com a família? Éramos amigos.</P>
<P> O que queria ser quando crescesse? Motorista.</P>
<P> Quais eram as suas brincadeiras preferidas? À choca e jogar à bola feita de trapos.</P>
<P> Quando é que saiu da casa dos seus pais? Porquê? Conte-nos como foi essa mudança de casa.</P>
<P> Saí quando tinha 18 anos porque queria ser independente.</P>
<P> A mudança de casa foi triste.</P>
<P> É casado? Conte-nos como foi o seu casamento e o namoro.</P>
<P> Sou.</P>
<P> Escrevíamos por cartas.</P>
<P> Tem filhos? Tenho.</P>
<P> Tem netos? Tenho 6 netos.</P>
<P> Quando é que chegou a Pisões ? Eu morei sempre aqui.</P>
<P> Morei sempre na moagem no meio do monte.</P>
<P> Qual foi a sua primeira impressão da aldeia? Foi sempre bonita.</P>
<P> Qual é a lembrança desta aldeia? Eram os moinhos.</P>
<P> Como escolheu o queria fazer? Porquê? Queria saber ler e escrever.</P>
<P> O que fez depois disso? Fui tirar a carta de condução.</P>
<P> Gostaria de ter continuado a estudar? Gostava.</P>
<P> Qual foi o seu primeiro trabalho? Era ir com as cabras e lavrar nos campos do meu pai.</P>
<P> Foi escolha própria ou por pressão familiar? Porque a família precisava.</P>
<P> Gosta do que faz profissionalmente? Gostava do que fazia.</P>
<P> Se nascesse novamente escolheria a mesma profissão? Não.</P>
<P> Com quem mora actualmente? Com a mulher e com os filhos.</P>
<P> Actualmente, qual é a actividade mais importante da sua vida? É ser motorista.</P>
<P> Quais são as suas principais preocupações? É fazer tudo bem feito.</P>
<P> O que é que faz nas suas horas de lazer? Vou ver os campos.</P>
<P> Qual é o seu maior desejo? É comprar um bom carro.</P>
<P> O que espera da vida? Que melhore.</P>
<P> Teve alguma decepção? Sim.</P>
<P> Quais são os seus sonhos? É que a vida corra melhor do que tem corrido.</P>
<P> Qual é a sua melhor qualidade? É o descanso onde tenho pouco tempo para descansar.</P>
<P> Tem facilidade nos relacionamentos? Não.</P>
<P>Como descreveria a sua vida hoje?Que a vida hoje é mais fácilO que achou da entrevista? Muito boa.</P>
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<DOC DOCID="cha-19409">
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Do enviado a Imola </P>
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Uma missa será realizada hoje, no circuito de Imola, Itália, em memória a Ayrton Senna, que morreu há um ano nesta pista, durante o GP de San Marino de 94.</P>
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A celebração será feita no local em que o tricampeão mundial sofreu o acidente fatal, a curva Tamburello.</P>
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O trecho se tornou uma espécie de santuário graças aos fãs do piloto brasileiro, que elegeram o ponto onde Senna bateu contra o muro de proteção para deixar recordações e homenagens.</P>
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De uma camisa da seleção brasileira de futebol, até cartas seladas, passando por grafites estilizados nas formas e nas cores do capacete de Senna, há de tudo.</P>
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Mensagens em japonês, inglês, italiano, português, entre outros idiomas, foram deixadas em papéis e na própria superfície do muro onde Senna bateu.</P>
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Mas a forma preferida de homenagem parece mesmo as flores, que são presas à cerca e podem ser percebidas por quem passa pelo lado de dentro da pista.</P>
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Durante este último fim-de-semana, quando aconteceu o GP de San Marino, o local foi bastante visitado pelo público que se encontrava em Imola para a corrida.</P>
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Nenhuma cerimônia oficial foi promovida pelos organizadores da prova. Mas, antes da largada, alguns pilotos se reuniram na pista para um minuto de silêncio por Senna e pelo austríaco Roland Ratzenberger, que também morreu em Imola no ano passado.</P>
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Michael Schumacher foi um dos que participaram do grupo. A sua frente, pendurada numa cerca da arquibancada localizada em frente aos boxes, uma faixa em inglês chamava a atenção.</P>
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``Michael, tenha cuidado. Ayrton está de olho em você."</P>
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Outras quatro missas serão realizadas em cidades italianas.</P>
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(JHM)</P>
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<DOC DOCID="cha-3904">
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Janeiro</P>
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1 (a 25) -- O levantamento indígena do Exército Zapatista de Libertação Nacional, no muito pobre estado de Chiapas, no Sul do México, faz entre 100 e 400 mortos. Os rebeldes exigiam a demissão do Presidente Salinas de Gortari, eleições livres e meios de combater a miséria. Em Fevereiro, principiaram um diálogo com o poder, mas interromperam-no em Junho.</P>
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9 (a 16) -- Primeira digressão europeia do Presidente Bill Clinton, a pretexto da cimeira da NATO, em Bruxelas, que aprova o projecto emanado de Washington e baptizado como Parceria para a Paz, propondo uma cooperação com os países da Europa central e de leste. Em Moscovo, Clinton assina um acordo tripartido com a Rússia e a Ucrânia sobre a desnuclearização deste último país.</P>
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11 -- A NATO reafirma a determinação de lançar ataques aéreos para impedir o «estrangulamento de Sarajevo» e de outras zonas de segurança.</P>
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30 -- O general Liamine Zéroual torna-se Presidente da Argélia, no dia em que cessa o mandato do Alto Comité de Estado, uma presidência colegial.</P>
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Fevereiro</P>
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3 -- Os EUA levantam o embargo comercial ao Vietname, imposto após a queda de Saigão, em 1975.</P>
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5 -- Um obus cai num mercado em Sarajevo, mata 68 pessoas e fere 200, no mais sangrento dos massacres na capital da Bósnia desde o início do cerco, em Abril de 1992. A 9, a NATO dá aos sérvios um ultimato para que, até dia 21, retirem as suas armas pesadas para lá de 20 quilómetros do centro da cidade ou as coloquem sob o controlo da ONU, sob a ameaça de ataques aéreos. Sob pressão russa, os sérvios cedem. A 29, a NATO lança o seu primeiro raide aéreo no quadro da operação Deny Flight, que, desde Abril de 1993, procura fazer respeitar uma zona de interdição aérea nos céus da Bósnia.</P>
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21 -- Um responsável da CIA, Aldrich Ames, e a mulher são presos por espionagem a favor de Moscovo desde 1985. Em 28 de Abril, Ames é condenado a prisão perpétua.</P>
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23 -- Os deputados da Duma votam a amnistia política dos responsáveis do levantamento de Outubro de 1993 contra Boris Ieltsin e dos autores do golpe falhado de Agosto de 1991 contra Mikhail Gorbatchov.</P>
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25 -- Um colono judeu mata 29 palestinianos na mesquita do Túmulo dos Patriarcas, em Hebron, massacre que provoca a suspensão das conversações de paz.</P>
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Março</P>
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7 -- O aeroporto militar de Tuzla, no Nordeste da Bósnia, passa para o controlo dos capacetes azuis, após a retirada do Exército bósnio, de maioria muçulmana. Fechado ao tráfego desde Maio de 1992 e sob o fogo dos sérvios, é reaberto a 22. A 18, em Washington, muçulmanos e croatas assinam um acordo sobre a criação de uma federação, acabando com os combates que os opõem há cerca de um ano; os sérvios rejeitam qualquer participação nesta federação.</P>
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25 -- Quinze meses após a sua chegada, termina a intervenção norte-americana na Somália. Perto de 100 capacetes azuis foram mortos nos combates. Permanecem neste país do Corno de África cerca de 19 mil homens, na maioria de países asiáticos, que devem partir em Março de 1995.</P>
<P>
27-28 -- Uma coligação de direita, liderada pelo magnate Silvio Berlusconi, ganha as legislativas em Itália. A 10 de Maio, cinco ministros neofascistas entram pela primeira vez num governo de um país da União Europeia. A Força Itália, o movimento de Berlusconi, novo primeiro-ministro, conseguiu em dois meses tornar-se a maior força política italiana.</P>
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Abril</P>
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6 -- Após a morte do Presidente do Ruanda, Juvenal Habyarimana, cujo avião, atingido por «rockets», se despenhou perto da capital, o país mergulha na guerra civil. Entre 500 mil e um milhão de pessoas são mortas em três meses, numa sucessão de massacres entre forças governamentais da maioria hutu e a Frente Patriótica da minoria tutsi. Mas de dois milhões de ruandeses refugiam-se nos países vizinhos. No atentado contra Habyarimana morreu também Cyprien Ntaryamira, Presidente do vizinho Burundi (igualmente «dividido» entre hutus e tutsis).</P>
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10 -- A NATO bombardeia posições sérvias perto de Gorazde, no Leste da Bósnia, após uma ofensiva sérvia contra o enclave muçulmano, zona de segurança desde 1993. A 27, Gorazde torna-se «zona de exclusão» de armas pesadas.</P>
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20 -- Primeiras eleições gerais livres em El Salvador desde o fim da guerra civil, há dois anos. Armando Calderon Sol sucede na presidência a outro conservador, Alfredo Cristiani.</P>
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26-29 -- O Congresso Nacional Africano, de Nelson Mandela, ganha as eleições multirraciais sul-africanas, em que a maioria negra vota pela primeira vez. A 10 de Maio, após 342 anos de domínio branco, Mandela torna-se Presidente, e um dos seus vices é Frederik de Klerk, que ocupava a chefia do Estado desde 1989.</P>
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Maio</P>
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4 -- O chefe da OLP, Yasser Arafat, e o primeiro-ministro israelita, Yitzhak Rabin, assinam o acordo que fixa as modalidades da autonomia palestiniana, que principia em Gaza e Jericó. O acordo dá aos palestinianos a possibilidade de, pela primeira vez, gerirem os seus próprios assuntos. A 13, a região de Jericó passa para as mãos da polícia palestiniana e torna-se a primeira localidade da Cisjordânia a beneficiar de um regime de autonomia. A 17, os poderes civis são transferidos para a Autoridade Palestiniana na Faixa de Gaza.</P>
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8 -- Primeiras eleições gerais no Panamá desde a intervenção norte-americana de 1989, que derrubou o regime do general Noriega. Vitória do candidato da oposição Ernesto Perez Balladares, que, em 1 de Setembro, sucede ao Presidente Guillermo Endara.</P>
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27 -- Após 20 anos de exílio, o escritor Aleksandr Soljenitsin regressa à Rússia.</P>
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30 -- Termina um conflito fronteiriço africano com 21 anos, quando a Líbia restitui ao Chade a faixa de Aouzou, ocupada por Trípoli.</P>
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Junho</P>
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9 a 12 -- 266 milhões de eleitores elegem os 567 deputados do Parlamento Europeu. O grupo socialista conquista a maior fatia: 198 assentos.</P>
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22 -- A Rússia adere à Parceria para a Paz. Em Outubro, após a adesão da Arménia, ascendem a 23 os países a assinar o programa de cooperação proposto pela NATO.</P>
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23 -- A França lança no Ruanda a Operação Turquesa, que vai mobilizar durante dois meses 2500 soldados, até à chegada de uma nova missão de capacetes azuis. Nos campos de refugiados no Zaire uma epidemia de cólera faz 50 mil mortos.</P>
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24-25 -- Na cimeira dos Doze em Corfu, Grécia, Boris Ieltsin assina um acordo de parceria com a UE, mas o acontecimento da reunião é o veto britânico à escolha de Jean-Luc Dehaene, primeiro-ministro belga, como novo presidente da Comissão Europeia. A 15 de Julho, em Bruxelas, o luxemburguês Jacques Santer é escolhido para suceder a Jacques Delors em Janeiro de 1995.</P>
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29 -- Pela primeira vez desde o fim da Guerra, um socialista japonês torna-se primeiro-ministro. Tomiichi Murayama forma uma coligação com os conservadores. Após 38 anos de domínio absoluto do Partido Liberal Democrata, o Japão vive desde Agosto de 1993 um regime de coligações frágeis e em menos de um ano conhece quatro primeiros-ministros.</P>
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Julho</P>
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1-5 -- Após 27 anos de exílio, Yasser Arafat regressa à Palestina. Tem um acolhimento triunfal na Faixa de Gaza e segue depois para Jericó para presidir ao seu primeiro «conselho de ministros». A 12, instala-se em Gaza, deixando Tunes, sede da OLP desde 1982.</P>
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5 -- O Grupo de Contacto para a Bósnia (EUA, Rússia, Alemanha, Grã-Bretanha e França) aprova um plano de paz prevendo a concessão de 51 por cento do território à federação croato-muçulmana e 49 por cento aos sérvios.</P>
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7 -- A culminar dois meses de guerra civil no Iémen, entre tropas do Norte e separatistas do Sul, as forças do Presidente Ali Abdallah Saleh (nortista) tomam Aden, a principal cidade do Sul. Em 21 de Maio, os dirigentes sulistas tinham proclamado a «República Democrática do Iémen», para acabarem com a unificação do país, proclamada em 1990.</P>
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8 -- Morre o Presidente Kim Il Sung, que durante 46 anos dirigiu a Coreia do Norte. Em Dezembro, o seu filho e sucessor designado, Kim Jong Il, ainda não o tinha oficialmente substituído.</P>
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10 -- Leonid Kutchma, partidário de uma aproximação com a Rússia, derrota nas presidenciais ucranianas o chefe de Estado cessante, Leonid Kravtchuk.</P>
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18 -- Um atentado antijudeu em Buenos Aires faz perto de 100 mortos e 250 feridos.</P>
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Agosto</P>
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4 -- As autoridades de Belgrado anunciam a sua ruptura com a República sérvia da Bósnia, após a recusa dos dirigentes de Pale de aceitar o plano internacional de paz. A 23, a ONU decide endurecer as sanções contra os sérvios bósnios.</P>
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5 -- Incidentes violentos em Havana ilustram a degradação da situação económica em Cuba. Os confrontos seguem-se a desvios de navios por candidatos ao exílio. Cerca de 35 mil refugiados abandonarão o país.</P>
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14 -- Carlos, um dos nomes míticos do terrorismo nos anos 70-80, procurado há duas décadas, é preso no Sudão e entregue às autoridades francesas.</P>
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21 -- Ernesto Zedillo, candidato do Partido Revolucionário Institucional, no poder, ganha as eleições presidenciais no México. Era a segunda escolha do PRI. A primeira, Luis Colosio, foi vítima de um assassínio que chocou o país.</P>
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31 -- Após meio século de presença, os últimos soldados russos abandonam a Alemanha. No mesmo dia retiram-se das repúblicas bálticas da Estónia e da Letónia (tinham saído da Lituânia um ano antes).</P>
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31 -- O Exército Republicano Irlandês anuncia o fim de 25 anos de luta armada contra a presença de tropas britânicas na Irlanda do Norte, um conflito que causou perto de três mil mortos. A 13 de Outubro, as milícias protestantes também anunciam a cessação de «todas as operações militares».</P>
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Setembro</P>
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8 -- Os soldados americanos, britânicos e franceses, presentes em Berlim desde Julho de 1945, despedem-se da cidade que simbolizou a divisão da Europa durante a guerra fria.</P>
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12 -- O Partido Quebequense ganha as eleições provinciais, batendo os liberais do primeiro-ministro Daniel Johnson. O partido, que prevê organizar um referendo sobre a independência em 1995, recupera assim o poder na província francófona ao fim de nove anos. Jacques Parizeau torna-se o chefe do Governo.</P>
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26 -- Cherif Gousmi, líder do Grupo Islâmico Armado (GIA), o mais radical dos movimentos islamistas armados da Argélia, é morto pelas forças de segurança. O GIA reivindicou a maior parte dos assassínios de estrangeiro (70 até ao princípio de Dezembro).</P>
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Outubro</P>
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3 -- Fernando Henrique Cardoso é eleito Presidente do Brasil, para suceder, em Janeiro, a Itamar Franco.</P>
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7 -- Movimentos de tropas iraquianas junto da fronteira com o Kuwait desencadeiam nova crise no Golfo e levam ao envio para a região de cerca de 30 mil soldados norte-americanos. A 20, Bagdad retira as últimas unidades.</P>
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14 --ÊNobel da Paz para Yasser Arafat, Yitzhak Rabin e o ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, Shimon Peres.</P>
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15 -- Regresso do exílio do Presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide, derrubado num golpe de Estado militar três anos antes.</P>
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16 -- Helmut Kohl, chanceler alemão há 12 anos, triunfa uma vez mais nas legislativas, mas sai enfraquecido. A 15 de Novembro, no Parlamento, é reeleito por uma margem mínima.</P>
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19 -- Um islamista palestiniano faz explodir um autocarro em Telavive. O atentado suicida causa 23 mortos e é reivindicado pelo movimento fundamentalista Hamas.</P>
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21 -- Estados Unidos e Coreia do Norte assinam em Genebra um acordo destinado a garantir a utilização pacífica da energia nuclear por Pyongyang.</P>
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26 -- Israel e Jordânia assinam um tratado de paz que garante a Israel a segurança da sua fronteira e lança as bases de uma cooperação económica.</P>
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27-29 -- Joaquim Chissano, o Presidente cessante, e o seu partido, a Frelimo, ganham as primeiras eleições multipartidárias em Moçambique depois da independência. A 9 de Dezembro, Chissano toma posse.</P>
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Novembro</P>
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8 -- O Partido Republicano inflige uma tremenda derrota aos democratas de Bill Clinton e, pela primeira vez em 40 anos, assume o controlo das duas câmaras do Congresso dos EUA.</P>
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9 -- Chandrika Kamaratunga, primeira-ministra do Sri Lanka desde Agosto, ganha as presidenciais, torna-se a primeira mulher a ascender à chefia de Estado e nomeia a mãe, Sirima Bandaranaike, para liderar o Governo.</P>
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10 -- Bagdad reconhece as fronteiras e a soberania do Kuwait. A ONU mantém o embargo contra o Iraque, em vigor há quatro anos.</P>
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12 -- Os EUA decidem deixar de participar nas operações de controlo do embargo de armas com destino à Bósnia. A 21, a NATO efectua o seu primeiro raide aéreo na Krajina, região da Croácia controlada pelos sérvios croatas, que se juntaram aos sérvios bósnios na ofensiva contra o enclave de Bihac, no Noroeste da Bósnia.</P>
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20 -- É assinado em Lusaca um acordo de paz para Angola, sem a presença do líder da UNITA, Jonas Savimbi. A 22, é proclamado um cessar-fogo que deve acabar com 19 anos de guerra civil.</P>
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28 -- A Noruega rejeita em referendo a adesão à União Europeia, depois de Áustria, Finlândia e Suécia se terem pronunciado, em consultas realizadas desde o Verão, pela entrada na União, a partir de 1 de Janeiro de 1995.</P>
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Dezembro</P>
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2 -- O Grupo de Contacto propõe aos sérvios da Bósnia uma confederação com a Sérvia se aceitarem o plano de partilha territorial.</P>
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5 -- A Ucrânia assina o Tratado de Não Proliferação Nuclear, o que permite a entrada em vigor do tratado Start 1, entre Estados Unidos e Rússia.</P>
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6 -- A cimeira da Conferência de Segurança e Cooperação na Europa, em Budapeste, Hungria, acaba marcada pelo desacordo americano-russo quanto ao alargamento da NATO aos países da Europa central e de leste.</P>
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11 -- Jacques Delors põe fim a meses de «suspense» e anuncia que não será candidato à Presidência da França em 1995.</P>
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11 -- A Rússia desencadeia uma operação militar para acabar com a aventura separatista da pequena república da Tchetchénia, no Cáucaso do Norte.</P>
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15 -- Uma deliberação judicial retira ao milionário francês Bernard Tapie os seus mandatos de deputado europeu, de deputado de Marselha e o direito de elegibilidade durante cinco anos.</P>
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18 -- O Partido Socialista búlgaro, ex-comunista, ganha as legislativas com maioria absoluta.</P>
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22 -- Demite-se o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.</P>
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<DOC DOCID="cha-21645">
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Papas de sarrabulho feitas pela D. Maria do Carmo</P>
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António Matos</P>
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Jornalista</P>
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No campo na praia e na cidade, quais são, na sua opinião, os melhores restaurantes portugueses? E porquê?</P>
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Para não ter de optar entre o Senhor Nobre de Lisboa, os meus amigos Júlio de Gouveia e Vila da Mexilhoeira Grande e alguns outros magníficos restaurantes, vou à procura de uma síntese do campo, da praia e da cidade. E encontro a Quinta do Martelo, em São Carlos, junto a Angra do Heroísmo e a escassa meia hora da Praia da Vitória, na ilha Terceira. Tem-se mantido como um espaço exemplar de reposição das tradições e, ainda por cima, comem-se lá muito boas alcatras de carne, peixe e feijão, sopa e cozido do Espírito Santo. E não têm a mania de impingir o vinho de cheiro.</P>
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Qual é o seu prato favorito?</P>
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Os pratos que mais vezes me apetece comer, talvez mesmo por esta ordem, são: ervilhas com ovos escalfados, pezinhos de coentrada, rojões com farinhotos e qualquer uma das açordas de peixe alentejanas. O que gosto mais são as papas de sarrabulho feitas pela D. Maria do Carmo.</P>
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Sugira-nos uma viagem de férias ao estrangeiro. Não esquecendo as referências gastronómicas locais...</P>
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Insisto nos Açores, que não sendo estrangeiro tem de se ir de avião. E então, assentando arraiais em São Miguel, pode-se descobrir alguns dos segredos da ilha em meia dúzia de dias. Siga-se depois para a Terceira, onde já não está o magnífico areal da Praia da Vitória porque «o desenvolvimento harmonioso das ilhas» o engoliu com um monstruoso e inútil porto. Passado o desabafo, siga-se de barco para São Jorge, Pico e Faial, onde nos espera a parte que interessa desta proposta: reler o «Mau Tempo no Canal» no ambiente da narrativa de Vitorino Nemésio. É pena que nos restaurantes açorianos seja muito difícil comer os pratos regionais. Mas nalgumas tascas dos lugares portuários, encontra-se de tudo o que o mar dá.</P>
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Qual é, para si, a bebida alcoólica que melhor combate o calor?</P>
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«Whisky» com água de castelo e muitíssimo gelo. Um belíssimo champanhe também resulta, mas, com esse, despertam-se outras sedes.</P>
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Imagine que era proprietário de um restaurante ou de um bar. Que nome lhe daria? E que especialidades teria para propor aos seus clientes?</P>
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«Última Ilha». Seria o restaurante para os que, volta e meia, querem «aquele» prato que, assim, passariam a saber onde o encontrar. Para além das iguarias açorianas já referidas, pediria ao Carlos Ferreira que, de vez em quando, presidisse às fornalhas, para dar largas à sua imaginação de micaelense. Também lá haveria espaço para uma ou outra coisa boa do Continente. Mas cavacos e outros mariscos, só mesmo das Nove Ilhas.</P>
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Quem são, habitualmente, os seus companheiros de mesa?</P>
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Não tenho companheiros de mesa muito fixos. Só não consigo é estar sozinho à mesa ou comer num balcão.</P>
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O que é que é capaz de lhe estragar uma refeição?</P>
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Ter o tempo contado.</P>
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<DOC DOCID="cha-16047">
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São Tomé e Príncipe</P>
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Confusão pós-eleitoral</P>
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A DIVULGAÇÃO, ontem, dos resultados oficiais provisórios das legislativas de domingo em São Tomé, em vez de ter contribuído para a clarificação do cenário pós-eleitoral introduziu elementos que prenunciam momentos de instabilidade e de confusão.</P>
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De acordo com a Comissão Eleitoral Nacional, o MLSTP/PSD obteve 27 dos 55 assentos no futuro parlamento, contra 28 repartidos igualmente pelo PCD (Partido da Convergência Democrática) e pelo ADI (Partido da Acção Democrática Independente). E isto confere uma posição maioritária à forças da oposição e reduz a margem de manobra do partido vencedor.</P>
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O secretário-geral do MLSTP, Carlos Graça, iniciou contactos com as outras duas forças para viabilizar um governo de unidade nacional, tal como havia prometido durante a campanha eleitoral. Mas as perspectivas de o MLSTP vir a liderar um executivo de consenso pareciam ontem seriamente ameaçadas.</P>
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A Comissão Política do PCD confirmou segunda-feira o que este partido sempre sustentara: a passagem à oposição, em caso de derrota. Mantendo o PCD inalterável a sua posição de princípio, restaria ao MLSTP a hipótese de coligação com o ADI. Só que, após ter sustentado que o futuro do país passava pela formação de um governo de unidade nacional, e de ter defendido que todos os partidos que obtivessem mais de 10 por cento nas eleições deveriam integrar tal executivo, o ADI surgiu ontem à tarde, em conferência de imprensa, muito reticente em relação a isso, remetendo para a direcção do partido uma decisão definitiva sobre a questão.</P>
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Num recuo nítido quanto ao que defendeu durante a campanha, o secretário-geral do partido, Carlos Agostinho das Neves, esquivou-se a dizer claramente se o ADI irá ou não integrar um governo de maioria social-democrata, limitando-se a afirmar que a sua formação «manterá sempre uma posição construtiva». Mas lá acusou indirectamente o MLSTP de ter movido uma campanha menos limpa contra os seus dirigentes, sugerindo implicitamente que isto poderá conduzir à revisão da posição inicial do seu partido.</P>
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Assim, caso o MLSTP venha a ter dificuldades na formação de um executivo de unidade nacional, São Tomé poderá conhecer nos próximos tempos um período de instabilidade. A menos que os resultados definitivos das eleições venham a alterar o quadro actual. Tal hipótese parece no entanto afastada. Sem maioria no parlamento, o partido de Carlos Graça, estaria completamente à mercê da oposição.</P>
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Um alto dirigente do MLSTP disse ao PÚBLICO que vão prosseguir os contactos com outras forças políticas e que, na impossibilidade de formar uma coligação, o partido indicará um primeiro-ministro e submeterá ao parlamento, dentro do prazo previsto, o seu programa de governo. «O resto -- disse -- dependerá da oposição». Sabe-se que, à partida, o PCD não está disposto a inviabilizar o governo social-democrata, mas o desenvolvimento deste cenário irá depender dos contactos de bastidores que irão certamente ocorrer nos próximos dias.</P>
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Conceição Lima, em São Tomé e Príncipe</P>
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<DOC DOCID="cha-65566">
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Comunismo derrotado, capitalismo partilhado</P>
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Vietname na ASEAN</P>
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O COMUNISTA Vietname deverá tornar-se hoje no sétimo membro da Associação dos Países do Sueste Asiático (ASEAN), uma organização fundada com preocupações e princípios anti-comunistas.</P>
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A bandeira vietnamita deverá ser hasteada numa cerimónia em Bandar Seri Begawan, capital do emirado do Brunei, onde está a decorrer uma reunião da ASEAN. Além do Brunei, são membros fundadores da ASEAN a Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura e Tailândia.</P>
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Dificuldades de última hora foram ultrapassadas para que Hanói pudesse aderir a todas as modalidades da ASEAN, incluindo a entrada na AFTA (Zona de Livre Comércio da ASEAN), que prevê uma redução de tarifas para um máximo de cinco por cento durante os próximos oito anos. Na AFTA a partir de 1 de Janeiro de 1996, o Vietname obteve um alargamento de três anos para redução de tarifas, até 2006.</P>
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«Estamos prontos para entrar a todos os níveis», disse aos jornalistas o vice-ministro vietnamita dos Negócios Estrangeiros, Vu Khoan. «Temos que nos adaptar às actividades da ASEAN, ao seu treino e estilo. Não é fácil... mas vamos tentar», prometeu.</P>
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A admissão do Vietname é também um grande ajustamento para a ASEAN, fundada há 28 anos, no meio de receios e tensões da guerra fria e no auge da guerra na Indochina. Era então conhecida como a NATO do Oriente.</P>
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Há apenas seis anos, por exemplo, tropas tailandesas combatiam o exército invasor vietnamita no Camboja, bombardeando-o a partir da fronteira. Nessa altura, o grande objectivo comum da ASEAN era fazer sair o Vietname de lá e acabar com a guerra civil cambojana. A organização esteve aliás na primeira linha para a obtenção do acordo de paz de Paris, em 1991.</P>
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O Vietname era observador da ASEAN desde 1993. O Camboja deverá ter a partir de hoje esse estatuto.</P>
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Entrando para a organização, o Vietname continua na senda da reforma económica que iniciou a partir dos anos 90, mas procura também aliados no conflito que mantém com a China sobre a posse das ilhas Spratly, que entram nas plataformas continentais de todos os membros da ASEAN.</P>
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A China reclama todo o Mar da China do Sul, incluindo o arquipélago, um conjunto de pequenas ilhas, atóis e rochedos, potencialmente ricos em petróleo. Além de Hanói e Pequim, a zona é reivindicada pelas Filipinas, Taiwan, Brunei e Malásia.</P>
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A entrada do Vietname traz peso novo à equação geopolítica da ASEAN. Os seus 72 milhões de habitantes são o mercado mais vasto da região, depois da Indonésia, e o seu Exército de um milhão de efectivos é o maior no sueste asiático.</P>
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E a seguir, a Birmânia</P>
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Outro país comunista, a Birmânia, que continua ainda hoje isolado do resto do mundo, governado por uma junta militar, dava ontem o primeiro passo no processo de integração plena na ASEAN, uma das regiões do mundo mais dinâmicas do ponto de vista económico.</P>
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O ministro birmanês dos Negócios Estrangeiros, Ohn Gyaw, entregou formalmente o pedido de «acesso». «Cumpriremos todos os requisitos», assegurou. O próximo passo será o estatuto de observador, talvez já para para o ano.</P>
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A decisão do regime birmanês ocorre duas semanas depois de ter libertado a dirigente da oposição e prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, depois de seis anos de prisão domiciliária.</P>
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A política de comprometer a Birmânia a melhorias na frente política e dos direitos humanos, em vez de confrontar o regime militar, sempre seguido pela ASEAN, parece ter agora eco em Rangoon, a braços com graves problemas económicos e com os seus 42 milhões de habitantes num nível de vida dos mais baixos da região.</P>
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A Birmânia entrou em reclusão na sequência de um golpe militar, em 1962, fechando-se virtualmente ao mundo exterior, por detrás daquilo que ficou conhecido como «cortina de laca».</P>
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Rica em recursos naturais, a Birmânia, que faz fronteira como a China e a Índia, recusou convites para se juntar à ASEAN, depois da associação ter sido criada em 1967.</P>
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Mas as tentativas de autarquia comunista ao estilo birmanês falharam e o país, visto nos anos 50 como uma das estrelas económicas ascendentes da Ásia, desceu à mais completa ruína.</P>
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Em 1987, a ONU declarou a Birmânia como um dos países menos desenvolvidos do mundo. No ano seguinte, registou-se um levantamento popular contra a junta, motivado pelas duras condições de vida. A repressão seguiu-se, com milhares de dissidentes presos. Nos últimos anos, o regime de Rangoon aproximou-se do vizinho meridional, a China.</P>
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<DOC DOCID="cha-83933">
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Moradores da Amadora não querem receber realojados</P>
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A possibilidade dos moradores do casal Ventoso serem realojados nos terrenos situados junto ao Casal de São Brás, na Amadora, está a originar protestos dos habitantes que afixaram já um comunicado de alerta nas redondezas.</P>
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O comunicado, assinado por "um grupo de residentes no Casal de São Brás" alerta para a implementação nessa zona de bairros sociais onde seriam realojados habitantes do Casal Ventoso e da Musgueira, no âmbito de um acordo entre as autarquias da Amadora e da capital.</P>
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Os autores do comunicado afirmam: "Não queremos um Casal Ventoso de tijolo". E alertam os outros habitantes para "os perigos de degradação social, insegurança e transferência dos piores problemas da sociedade" para aquela zona, para além da "desvalorização do território" que isso iria implicar.</P>
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Os habitantes do Casal de São Brás ficaram mais "agitados" desde que se registam movimentações de máquinas nos terrenos da Serra da Mina.</P>
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O vereador da Habitação da Câmara da Amadora (CMA), Fernando Pereira, afirmou que a "transferência dos moradores do Casal Ventoso para essa zona é praticamente impossível", visto essa área ter um projecto de reabilitação próprio, com fundos comunitários.</P>
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Fernando Pereira afirma que está em negociação um protocolo entre os municípios da Amadora e de Lisboa e a Empresa Pública de Urbanizações de Lisboa com vista à construção de habitações sociais em terrenos da CML situados na zona contínua ao Casal de São Brás.</P>
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Está prevista para essa zona a construção de 580 fogos, que realojarão cerca de 300 famílias, provenientes metade da Amadora e a outra metade de bairros degradados da capital.</P>
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O vereador garante que "ainda não estão definidas as origens da população a habitar esses bairros", embora afirme que "não está prevista a vinda de habitantes do Casal Ventoso».</P>
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Fernando Pereira garante que os realojamentos, que não acontecerão antes de 1996, serão acompanhados pelos serviços técnicos e sociais da Câmara, estando ainda prevista a construção de equipamentos e estabelecimentos para dar resposta às necessidades dos novos habitantes, de modo a que não surjam guetos.</P>
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Segundo Fernando Pereira, "a Câmara da Amadora garante que os novos habitantes não serão pessoas que provoquem problemas à vizinhança".</P>
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No concelho da Amadora, o programa Especial de Realojamento (PER) prevê a eliminação de 4.835 barracas no concelho e a construção de 5.419 fogos, para o realojamento de 20 mil pessoas, até 2009, através de um financiamento de 42 milhões de contos, dos quais 9,5 milhões serão de auto-financiamento municipal.</P>
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Lusa</P>
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<DOC DOCID="cha-17233">
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Um acidente com um avião matou 47 pessoas ontem na Rússia. O avião de carga caiu ao tentar fazer uma aterrissagem em um aeroporto da Sibéria, perto da fronteira com a China. Todos os passageiros e tripulantes morreram. Há suspeita de que a asa do avião tenha se chocado contra um morro por causa de problemas de visibilidade. Desde o início do ano, 270 pessoas morreram em acidentes aéreos na Rússia.</P>
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Abiola recusa termos para a sua libertação</P>
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O empresário nigeriano Moshood Abiola rejeitou os termos da fiança impostos para sua libertação. Em uma reunião de emergência em Abuja, uma corte federal determinou a soltura de Abiola sob fiança. Ele recusou os termos que implicavam renunciar de sua reivindicação à Presidência. Para observadores internacionais, Abiola venceu a eleição de 93, anulada pelos militares.</P>
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Explosão mata mais de 74 mineiros na China</P>
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A explosão de uma mina de carvão no sul da China matou pelo menos 74 pessoas. Segundo o jornal "Guangxi Daily", há 99 feridos na explosão da mina de Shangchao, ocorrida na terça-feira. Em 1993, pelo menos 5.000 mineiros morreram em acidentes.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-29713">
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Malquerido na Noruega, o velho bacalhoeiro pode «morrer» em Lisboa</P>
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O «Mira» espera um milagre no Tejo</P>
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Christoph Seitz*</P>
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O último dos bacalhoeiros que navega apenas à custa de vento veio da Noruega ao Tejo, para matar saudades de uma viagem que, entre 1892 e 1939, fez centenas de vezes. O Mira -- assim se chama ele -- é um grande sobrevivente. Nem tempestades, nem colisões, nem encalhes puderam levá-lo, como levaram os seus gémeos.</P>
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O Tejo numa tarde de domingo fria e chuvosa. A Ponte 25 de Abril e o Cristo-Rei quase desaparecem no nevoeiro. Os ruídos da cidade são engolidos pela densa atmosfera. Para além dos cacilheiros que continuam a cruzar as águas entre Lisboa e Almada, não há muito tráfego no rio. Apenas alguns marinheiros de fim-de-semana decidiram passar o seu tempo livre neste cenário tão soturno e apaziguador ao mesmo tempo. De repente, a beleza ilumina esta atmosfera irreal. Sob a forma de um velho veleiro que sai do cais de Alcântara.</P>
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É o Mira, um cargueiro à vela norueguês com 102 anos, 30 metros de comprimento, sete de largura e dois mastros, o mais alto dos quais se eleva 25 metros no ar. Este barco, construído em pinho norueguês, não é apenas belo. Está também repleto de história, de histórias e de valor cultural. Porque se trata, provavelmente, do último bacalhoeiro no mundo a navegar as quatro mil milhas marítimas da Noruega ao Algarve sem motor.</P>
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De 1892 a 1939, o Mira fez centenas de vezes esta viagem de quatro semanas, ao serviço de uma companhia norueguesa. Navegava do bravio Atlântico Norte, onde era carregado com bacalhau seco nas ilhas Lofoten, até à costa meridional portuguesa. Aí carregava quase cem toneladas de sal e regressava à Noruega. Ao longo de todos esses anos, sobreviveu a muitas tempestades, a muitas colisões e encalhes iminentes. Com o deflagrar da guerra, o Mira quedou-se pela Noruega, navegando nas águas escandinavas como cargueiro durante os 40 anos seguintes. Já nessa altura, a rota do bacalhau tinha há muito sido conquistada pelos cargueiros a motor, que começaram a operar no início do século.</P>
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Mas a história do Mira estava ainda muito longe do seu fim. Meio século depois de ter deixado Portugal pela última vez, iria regressar ao país aonde tantas vezes acostara. Foi em 1992, quando um capitão norueguês chamado Trygve Petersen conduziu o Mira de novo a Portugal. Mas a sua carga, desta vez, não era bacalhau. Petersen não trazia carga alguma. Em vez dela, trazia consigo muita amargura, ira e desilusão. Dois anos depois, estes sentimentos continuam patentes no rosto magro de Petersen. Aparenta mais que os 40 anos que tem; a pele, bronzeada pelo sol, já tem rugas, os olhos azuis são tristes, o cabelo louro está um pouco desalinhado. Parece exausto. Mas o seu discurso é claro e preciso, é um homem perspicaz, informado e bastante culto. E, quando fala do seu país e dos últimos seis anos da sua vida, é com revolta. Que aconteceu?</P>
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O «apocalipse», como ele lhe chama, começou em 1988. Petersen, pintor de retratos, professor de arte e instrutor de esqui na neve em tempo parcial, acabava de vender o seu apartamento em Oslo para viver no Mira, que comprara dez anos antes. Este homem apaixonado pelo mar, filho de um vencedor de muitos campeonatos nacionais de vela, queria reconstruir e restaurar o seu muito amado veleiro no porto de uma pequena cidade do Sul da Noruega. Como o dinheiro era escasso, contratou trabalhadores especializados com problemas de alcoolismo e toxicodependência, a quem não precisava de pagar. «Eles só queriam alguma coisa para comer e um lugar para dormir», diz Petersen. «Era a sua última oportunidade, pois não arranjavam emprego em lugar nenhum.» Mas a sorte ser-lhe-ia madrasta e o que aconteceu a seguir parece mau demais para ser verdade.</P>
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Má reputação</P>
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Não tardou muito que os 10 mil habitantes da pequena cidade se virassem contra Petersen e os seus ajudantes. Chamavam ao Mira o «barco da droga», embora o capitão tivesse terminantemente proibido o consumo de qualquer tipo de drogas a bordo. Os políticos e os jornais locais iniciaram uma campanha contra o marinheiro para o expulsar da cidade. «Não compreenderam que aqueles homens eram pacíficos, bons trabalhadores, não viram o excelente trabalho que eles fizeram no barco», recorda Petersen. Passado pouco tempo, até a mulher de Petersen se virou contra ele, pediu o divórcio e não o deixou mais ver o filho. «A situação atingiu o auge quando a polícia me entrou pela casa dentro e destruiu os meus quadros, a maior parte dos quais versavam temas políticos e mostravam a brutalidade existente na sociedade norueguesa e exercida pela polícia.»</P>
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A imprensa norueguesa pegou no assunto, que viria a transformar-se numa questão política. O melhor advogado do país, Tor Erling Staff, aceitou gratuitamente o caso e provou que Petersen não era um criminoso e que as acções da polícia e dos políticos fora ilegal. Mas a repressão sobre o homem prosseguiu por mais quatro anos. Indivíduos que nunca chegaram a ser identificados destruíram-lhe o carro e tentaram incendiar o Mira. Por fim, Petersen não conseguia suportar mais este estado de coisas e decidiu deixar a Noruega.</P>
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Nove voluntários</P>
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No princípio de 1992, o Mira deixou a Escandinávia com uma tripulação de nove voluntários, angariados por Petersen em bares. O plano era dar a volta ao mundo. Depois de ter feito escala na Holanda, na Inglaterra, em França e em Espanha, o veleiro acostou a Portugal, de onde não voltaria a partir. Precisava de demasiadas reparações para poder percorrer grandes distâncias. Petersen, que vive agora da previdência norueguesa, não pode custeá-las. E gostou imediatamente de Portugal. «Não é apenas o clima que o torna atraente, mas também o baixo custo de vida.» Vive a bordo com dois voluntários, que o ajudam a manter o barco a troco de um lugar para dormir.</P>
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Desde o dia em que virou costas à Noruega, só lá voltou uma vez, para procurar o filho. Mas quando chegou, no Verão passado, por terra, à cidadezinha de onde partira, a perseguição recomeçou. Alguém deve ter informado a polícia da chegada de Petersen, que foi preso por «navegar em águas norueguesas sem autorização» -- um pretexto ridículo, considerando que o Mira ficara no porto de Lisboa. Apesar disso, as autoridades conseguiram mantê-lo atrás das grades durante três meses. «Até a organização de defesa dos direitos humanos, a Amnistia Internacional, se interessou pelo meu caso», diz Petersen. Quando, em Setembro, foi finalmente libertado, continuaram a não o deixar ver o filho. «Odeio aquele país», afirma hoje. «Parece um cantinho muito bonito, pacífico e próspero, mas, para mim, não passa de um Estado `fascista' que esconde todos os seus problemas sociais. Precisa de entrar na União Europeia, para ter de cumprir as normas e leis internacionais.»</P>
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Apesar de toda a sua ira, Petersen não desistiu dos seus planos de velejar à volta do mundo. «A partida está prevista para antes da Páscoa de 1995. A nossa primeira etapa durará seis meses e levar-nos-á à Venezuela, com escalas em Cabo Verde, Madeira e Açores.» Para financiar a viagem à volta do mundo, Petersen quer angariar dez passageiros, cada um dos quais terá de contribuir com cerca de 180 contos por mês de viagem. «Se alguém ficar mais de um mês, posso reduzir o preço», diz o capitão, que procura também empresas dispostas a patrocinar a viagem. «Afinal de contas, este barco faz parte da história portuguesa.»</P>
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Passeios ou venda</P>
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Para custear as reparações -- o veleiro precisa de uma retranca, um gerador e um cabrestante novos --, Petersen gostaria de organizar passeios à vela pelo Tejo, com passageiros pagantes. Para obter a necessária autorização, contudo, teria de despender muito dinheiro, preencher inúmeros papéis e esperar muito tempo. «E não tenho nem dinheiro nem tempo. Se não conseguir rentabilizar o Mira, ver-me-ei obrigado, um destes dias, a vendê-lo.» Já teve ofertas vindas de toda a Europa, de pessoas interessadas em barcos de madeira antigos. O preço de venda ronda os 80 mil contos. Mas Petersen não está interessado em vender o Mira. Depois de estar em Portugal há quase três anos, pergunta-se muitas vezes porque é que os portugueses não se interessam pelo seu veleiro e não o ajudam. «Parece que se esqueceram da sua longa história de marinheiros e descobertas.»</P>
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A vida de Trygve Petersen não é fácil; não o foi na Noruega, não o é em Portugal agora e poderá não o ser no futuro, seja ele onde for. Mas há momentos em que está em paz com o mundo, em que se sente descontraído e sem amargura. Esses momentos são aqueles que passa a velejar no Mira. Tal como nesta fria e chuvosa tarde de um domingo de Inverno. Quando só ouve o ranger das madeiras, o marulhar das ondas e o sussurro do vento. E quando é apreciado pelos seus pares, como os raros marinheiros de fim-de-semana que passam esta tarde no Tejo. Todos eles se aproximam do Mira por alguns instantes, para admirarem de perto esta beleza majestosa que voga silenciosamente.</P>
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*Tradução de Maria Eugénia Guerreiro</P>
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<DOC DOCID="cha-54898">
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Problemas do ambiente urbano</P>
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Centros desertos, tristes periferias</P>
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António Moura</P>
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A desertificação dos centros urbanos constitui um dos sintomas mais preocupantes dos baixos níveis de qualidade de vida nas nossas cidades. O terciário apoderou-se das zonas nobres e expulsou os cidadãos para a periferia, impondo-lhes penosos movimentos pendulares casa-trabalho. É apenas uma das facetas da temática do ambiente urbano, a reclamar uma abordagem integrada e não sectorizada, como no passado.</P>
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O lançamento de esgotos no Douro, em especial nas frentes ribeirinhas de Gaia e do Porto, constitui talvez o problema ambiental número um da região. É pelo menos aquele que, devido à sua destacada visibilidade, mais chama a atenção. Resulta, por um lado, da ausência de tratamento dos esgotos produzidos em Gaia e no Porto e, por outro, de a rede de saneamento das duas cidades desaguar impunemente no Douro, transformando-o no grande cano de esgoto da Área Metropolitana do Porto.</P>
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Todavia, o debate ambiental coloca-se a um nível bastante mais alargado e reclama uma abordagem global. Nos primeiros anos, a questão centrava-se nos sectores convencionais: poluição atmosférica, poluição hídrica, gestão de resíduos, poluição industrial.</P>
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«Apenas nos anos mais recentes, as autoridades e as instituições responsáveis pelo ambiente, a nível nacional e internacional, têm vindo a procurar abordagens integradas mais eficazes para a protecção do ambiente no quadro de um processo de desenvolvimento, atribuindo um destaque especial às estratégias de gestão do ambiente dedicadas às áreas urbanas», pode ler-se no Relatório do Estado do Ambiente e Ordenamento do Território, de 1993, da responsabilidade dos ministérios do Planeamento e da Administração do Território e do Ambiente e Recursos Naturais.</P>
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A Comunidade Europeia produziu em 1990 um Livro Verde consagrado a esta temática em que começava por destacar que os «problemas das cidades são um primeiro sinal de alerta de uma crise mais profunda que nos obrigará a reconsiderar os actuais modelos de organização e desenvolvimento urbano». É que a resolução dos problemas urbanos, mesmo tendo em conta que eles não são iguais em todo o lado, representaria uma grande contribuição para a resolução das questões ambientais globais mais urgentes, pois é nas cidades que encontramos as maiores concentrações de população e de actividade económica.</P>
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A região do Porto, como a de Lisboa, exibe situações comuns a outras urbes europeias, como, por exemplo, uma periferia desqualificada, com tendência para alastrar. São zonas monótonas e tristes que cresceram em volta das partes mais estruturadas, mas isoladas destas, como se fossem guetos. Muitas vezes alojam a pobreza, o crime e a droga. A revitalização deste espaços é, seguramente, uma das tarefas mais prementes das autoridades portuguesas, ao mesmo tempo que se perfilam como uma das novas áreas que se inscrevem na temática do ambiente urbano.</P>
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Directamente ligado a esta questão aparece o problema da habitação, que, por sua vez, não constitui um exclusivo da cintura periférica das cidades do Porto e de Lisboa. O plano apresentado pela Câmara Municipal do Porto, no âmbito do programa governamental de erradicação das barracas nas áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa, prevê a eliminação de 4600 ilhas degradadas de propriedade privada. Ilhas, barracas, bairros depauperados e habitações em ruína figuram entre os principais problemas dos municípios mais populosos, e não admira, por isso, que absorvam quase sempre a maior fatia dos respectivos orçamentos.</P>
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A questão, neste caso, como em todos os outros que fazem parte do «menu» do ambiente urbano, tem que ver com a qualidade de vida das populações. A requalificação do espaço urbano surge, assim, como uma das grandes tarefas nacionais. No Porto, está em curso um projecto que, visando recuperar o centro histórico, inclui, entre os seus principais objectivos, a recuperação do parque residencial.</P>
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Trata-se de reintegrar zonas da cidade votadas ao esquecimento, cujos habitantes são excluídos do convívio social e acabam por se refugiar nas margens da sociedade. As freguesias portuenses da Sé ou de Miragaia, em pleno coração histórico do Porto, defrontam-se com esse tipo de problemas e não foi por acaso que acolheram projectos de luta contra a pobreza. É que a pobreza está associada a zonas degradadas e isoladas.</P>
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Malefícios da terciarização</P>
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Importante é, também, neutralizar os malefícios da terciarização selvagem da Baixa portuense, que aos poucos expulsou os cidadãos de zonas tradicionalmente residenciais. Essa terciarização, com os seus horários fixos, conduziu à desertificação da cidade, abriu as portas ao desenvolvimento de diversas formas de delinquência e está a descaracterizar a paisagem dominante, construída a partir do século passado.</P>
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Nos últimos anos, os portuenses foram seduzidos para um conceito denominado «terciário superior», mas a história das últimas décadas leva-nos a perguntar se isso não será o caminho para «transformar o Porto numa Avenida da Liberdade em grande escala», como destacou o presidente do Conselho Directivo Regional do Norte da Associação dos Arquitectos Portugueses e membro da Comissão de Defesa do Património da Câmara do Porto, João Rapagão.</P>
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Este responsável mostra-se favorável a um modelo de cidade baseado na diversidade e riqueza de funções, «com preponderância para a função residencial». No Porto, essa primazia está a ser tomada de assalto pelos serviços -- e mesmo pelo comércio -- e ainda por construções que estão em desacordo com a escala dominante na cidade (o chamado «shopping» do Bom Sucesso e o Oporto Center são exemplos dessa realidade).</P>
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A especulação correu com as pessoas para a periferia. Rapagão acha que essa tendência pode ser invertida, com a ajuda de planos, «embora estes transportem muitas vezes um problema: levam anos a ser feitos e, quando ficam prontos, a cidade mudou e eles desactualizaram-se». Em todo o caso, os planos são instrumentos capazes de disciplinar a distribuição das grandes funções urbanas, equilibrando-as a favor das pessoas.</P>
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Esta visão mais ampla do tema «ambiente urbano» não ignora a existência de velhos problemas, como o ruído, a poluição atmosférica, a recolha do lixo, a promiscuidade entre áreas residenciais e industriais ou a ausência de zonas verdes. Os habitantes na Área Metropolitana do Porto convivem intimamente com estes cancros. O trânsito intenso, algumas unidades industriais e a falta de educação são responsáveis por uma série de agressões ambientais que tornam mais dura a vida na cidade.</P>
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As autarquias afirmam que fazem o que podem -- o que, normalmente, quer dizer muito pouco -- e queixam-se do Governo, imputando-lhe maior parcela das responsabilidades. Mas a questão tem ainda muito a ver com a insensibilidade das autoridades em geral para as questões ambientais. O ambiente, urbano ou outro, continua a servir interesses imediatos e está longe de ser encarado de uma forma integrada e concertada.</P>
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<DOC DOCID="cha-59844">
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Corveta procura náufragos de cargueiro cubano</P>
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A corveta António Enes, da Marinha de Guerra portuguesa, chega esta manhã ao local onde, supostamente, naufragou, a 10 de Março, ao largo dos Açores, o cargueiro cubano Guatanamo.</P>
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Além da corveta António Enes, estão envolvidos na operação, a cerca de 420 milhas a sul da ilha de S. Miguel, um avião da Força Aérea portuguesa e dois navios mercantes que navegam na zona.</P>
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A Armada só tomou conhecimento do afundamento do navio no domingo, quando o navio mercante Dolly Africa recolheu, numa jangada salva-vidas, um dos 26 tripulantes do Guatanamo.</P>
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Através deste náufrago, que durante 16 dias permaneceu no mar e afirma não ter visto mais nenhum sobrevivente, foi possível saber que o acidente teve lugar no dia 10 de Março, cerca das 22h, devido a um deslocamento de carga provocado pelo mar alteroso.</P>
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O cargueiro, que transportava limalha de aço, viajava de Havana para o porto espanhol de Santander, e o seu desaparecimento já tinha sido comunicado, pelo armador e pelo cônsul de Cuba, à Marinha portuguesa. No entanto, as buscas estavam a ser efectuadas num local a cerca de 800 milhas do sítio do sinistro, de acordo com as coordenadas fornecidas, o que tornava impossível a sua localização.</P>
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O caso apresenta algumas contradições e os contornos são ainda pouco claros. Segundo informação da Marinha, o armador afirmou ter entrado em contacto com o navio no dia 14, o que seria impossível se já tivesse tido lugar o afundamento, como indicou o tripulante cubano recolhido no domingo, um técnico de electricidade do navio e que já se encontra em trânsito para Cuba.</P>
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Entretanto, o avião da Força Aérea que sobrevoa o local informou ontem ter visto, na zona onde se supõe ter ocorrido o afundamento do "Guatanamo", uma balsa virada e vários coletes salva-vidas vazios.</P>
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<DOC DOCID="cha-14473">
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O Corpo de Bombeiros usou barcos a remo para resgatar pessoas ilhadas no centro da cidade</P>
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Da Reportagem Local</P>
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As fortes chuvas que atingiram diferentes pontos da cidade –especialmente as regiões central e oeste– no final da tarde de ontem provocaram 140 quilômetros de congestionamentos entre as 16h e as 22h –a média no horário não costuma ultrapassar 70 quilômetros, segundo a CET.</P>
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A marginal Tietê estava parada às 18h, com pontos de alagamento em toda sua extensão, o principal deles sob a ponte Anhanguera. Na zona sul, o córrego Pirajuçara ficou 1,50 m acima do nível normal e inundou trechos da avenida Francisco Morato.</P>
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Os bombeiros atenderam, a partir das 16h, vários chamados de pessoas "ilhadas" em seus carros, em ruas próximas à avenida São João e à rua Amaral Gurgel. </P>
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Na região central da cidade, barcos a remo foram usados na operação de resgate, já que a água quase chegava às janelas dos carros. Em Cangaíba (zona leste), uma mulher ficou ferida no desabamento do barraco em que morava.</P>
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Às 21h, ainda era difícil o trânsito próximo à Cidade Universitária, devido ao transbordamento do córrego Pirajuçara. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) registrava 7 quilômetros de congestionamentos na região naquele horário e interditou os acessos à ponte. Segundo a meteorologia, a chuva de verão foi provocada pela intensa evaporação –típica dessa época– associada a uma frente fria e úmida em lento deslocamento pelo litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro.</P>
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<DOC DOCID="cha-89492">
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Vila do Bispo contra empresa de camionagem</P>
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As populações de Monte Salema, Mesquita, Covões e Granja, nas imediações de Vila do Bispo, manifestaram-se, recentemente, contra as alterações introduzidas no percurso das carreiras de autocarros que ligam Sagres a Lagos. Em carta dirigida ao presidente da Câmara de Vila do Bispo, os moradores queixam-se do facto de os autocarros terem deixado de utilizar a antiga EN-268, obrigando-os assim a fazer maiores deslocações a pé e a furar as vedações da novo estrada, a fim de chegarem à paragem. Na opinião dos residentes, trata-se de uma situação «inadmissível dado existirem ali muitos idosos, alguns com necessidade de se deslocarem a centros médicos, e crianças em idade escolar, algumas das quais a estudar em Lagos». Em resposta às diligências da autarquia, relativamente ao abandono do percurso que passava pelas aldeias, a Junta Autónoma das Estradas afirma que a concessionária das carreiras lhe garantiu que «os autocarros iriam passar a circular no antigo traçado da EN-268, onde se localizam efectivamente as gares de paragem». De acordo com os habitantes da zona, essa é, porém, uma promessa com seis meses que nunca foi cumprida pela concessionária.</P>
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Albufeira vai ter provedor municipal</P>
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A Câmara de Albufeira, no Algarve, aprovou, na sua última reunião, o regulamento da provedoria municipal, uma entidade que tem por objectivo «facilitar a transparência dos actos municipais» e estabelecer uma maior confiança entre os munícipes, os autarcas e os funcionários camarários. O regulamento deverá agora ser ratificado pela Assembleia Municipal, que procederá, depois, à eleição do provedor, o qual receberá um mandato de de quatro anos «com total independência perante os órgãos municipais». Logo que o provedor assuma as suas funções, os munícipes poderão apresentar-lhes as suas queixas por acções ou omissões da administração municipal que considerem incorrectas, ilegais ou imorais.</P>
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Navio panamiano arrestado no Funchal</P>
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O Tribunal Judicial do Funchal ordenou ontem o arrestamento do navio panamiano «Báltica», com base nas dívidas acumuladas junto da agência de navegação Blandy. A empresa lesada tinha solicitado ao juiz o arresto da embarcação, que ali chegou no dia 21, com 230 passageiros, e deveria partir ontem para Las Palmas, nas Canárias. O «Báltica» é propriedade da companhia «Baltic Line» e realiza viagens semanais entre as Canárias, Marrocos e a Madeira. O armador do navio está registado na Libéria, o barco tem bandeira do Panamá e a gestão do navio pertence a uma empresa grega.</P>
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<DOC DOCID="cha-54943">
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Diques de papel, ecologistas afogados</P>
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Durante séculos, os holandeses não se pouparam a esforços para manterem os pés secos. Criou-se o ditado «Deus criou o mundo, os holandeses a Holanda». Mas, à medida que dezenas de milhares de pessoas abandonam as suas casas, fugindo às inundações que assolam o país -- e toda a Europa do Norte --, cresce na população a raiva contra os atrasos burocráticos que têm impedido o reforço dos diques. Os diques que, afinal, impedem o país de voltar a ser submerso pela água do mar.</P>
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As culpas, contudo, são irmãmente repartidas: de um lado, a densa burocracia, do outro, ecologistas ultrazelosos. «Alguma coisa tem que ser feita contra a montanha de papel que está a atrasar o reforço dos diques», lia-se ontem no jornal diário de grande circulação «De Telegraaf».</P>
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A situação exige medidas urgentes. Pelo segundo ano consecutivo, as zonas sul e leste da Holanda encontram-se debaixo de água. Os comentadores interrogam-se sobre se terá que se assistir a uma repetição das cheias de 1953, que mataram mais de 1800 pessoas, para que sejam tomadas medidas sérias.</P>
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Nesse ano, uma tempestade revolveu as ondas do mar do Norte e empurrou-as contra as defesas, destruindo-as. O Governo respondeu com o original Projecto Delta, uma poderosa barreira construída pelo Homem para proteger a Holanda do mar.</P>
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Na década de 90, a ameaça passou a vir dos rios. Reno, Mosa e Waal começaram sazonalmente a sair dos leitos, destruindo campos e habitações. Ouviram-se as primeiras vozes exigindo medidas similares e radicais para impedir as águas doces e lamacentas de avançarem pela terra. «Na nossa batalha contra a água, temos andado unicamente a olhar para o mar, esquecendo a que vem do interior, dos rios», lia-se ontem no jornal «Trouw».</P>
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Mais de dois terços dos holandeses vivem abaixo do nível da água do mar, em pólderes (línguas de terra «roubadas» ao mar, protegidas por diques e continuamente dessecadas para aproveitamento agrícola). Se isto constitui motivo de orgulho nacional, não deixa de ser causa de grandes receios, dada a necessidade de constante reforço dos diques.</P>
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Nada de novo para os holandeses, afinal. A construção de diques na Holanda remonta ao século VI a.C., com os «terpen», barreiras de terra com seis a oito metros de altura. Os primeiros diques foram construídos no alinhamento destes «terpen», de modo a criar um enorme paredão.</P>
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Durante séculos, não passaram de barreiras íngremes, reforçadas com estacas de madeira que exigiam constante reconstrução. Hoje são estruturas defensivas, de construção matematicamente exacta, para evitar a erosão das marés.</P>
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Algumas áreas, nomeadamente entre o Reno e o Mosa -- conhecidas por Banheira --, estão mais de seis metros abaixo do nível do mar.</P>
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«Se os diques cedem -- e isso pode acontecer --, a água arrastará tudo à sua frente», dizia ontem um porta voz ministerial. «Nós aconselhamos as pessoas a não se instalarem nessas zonas, mas muitas não acatam o conselho.»</P>
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A desflorestação, a construção de estradas e a urbanização têm sido apontadas como responsáveis pelo decréscimo da capacidade de absorção das terras. Dado que na Holanda desaguam alguns dos maiores rios da Europa, as cheias tornam-se inevitáveis nestas circunstâncias.</P>
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«Isto não é um problema que só respeite à Holanda, é um problema ambiental da Europa», declarou a ministra do Ambiente, Margaretha de Boer. «A perda de capacidade de absorção começa noutros países e a água chega-nos em maior volume e com mais rapidez.»</P>
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Mas, para os habitantes da zona, a culpa é dos ecologistas, que têm atrasado a construção de mais e melhores diques nos rios. «Esses tipos bem-educados da cidade deviam, depois de cada cheia, ser afogados aqui», disse a uma rádio um habitante de Dreumel.</P>
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<DOC DOCID="cha-3933">
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Barata, simples e eficaz, a droga evita ataques cardíacos e derrames, impedindo a formação de coágulos</P>
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Das agências internacionais</P>
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A aspirina pode evitar mais de 100 mil mortes prematuras por ano, causadas por infartos e derrames cerebrais em todo o mundo. Estudo internacional publicado hoje no "British Medical Journal" informa que a aspirina evita a formação de coágulos no sangue não só de homens –o que se sabia há mais de uma década–, mas também de mulheres.</P>
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"A aspirina é barata, simples e eficaz. Evita que o sangue coagule", disse Rory Rollins, pesquisador da Enfermaria Radcliffe em Oxford (Reino Unido). Ele apresentou os resultados de testes em 140 mil pacientes de 25 países.</P>
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Segundo os pesquisadores, apenas meia aspirina por dia poderia ajudar milhões de pessoas que já sofreram ataques do coração e derrames. Para eles, um tratamento prolongado com aspirina deve ser considerado para quase todas as pessoas que sofrem de angina, têm histórico de doenças cardíacas ou receberam uma ponte arterial.</P>
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O estudo mostrou que a aspirina impede a formação de coágulos não apenas em artérias, mas também em veias. "Os médicos não tinham idéia de quantos pacientes podem tirar proveito da aspirina, porque as evidências estavam espalhadas pelo mundo", disse Richard Peto, um dos pesquisadores.</P>
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A colaboração internacional, que envolveu 300 testes clínicos, foi coordenada no Reino Unido pelo Fundo Imperial de Pesquisa sobre o Câncer, pelo Conselho Médico de Pesquisa e pela Fundação Britânica do Coração.</P>
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"A aspirina é tão comum que muitos médicos e pacientes ainda não reconhecem plenamente sua importância. Se ela fosse cem vezes mais cara, ela talvez fosse mais usada", disse Peto, que atribuiu à droga o poder de salvar até 20.000 vidas nos Estados Unidos, 7.000 no Japão e 30.000 na União Européia.</P>
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Mas os pesquisadores enfatizaram que a aspirina não é uma panacéia geral. Ela não deve ser usada por pessoas com baixo risco de sofrer ataques do coração ou derrames, porque poderia haver sangramento nos intestinos ou no cérebro.</P>
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O "British Medical Journal" publica na mesma edição mais dois trabalhos dedicados à capacidade da aspirina prevenir doenças do sistema circulatório.</P>
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<DOC DOCID="cha-68800">
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Da Folha ABCD</P>
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A violência é uma das marcas do sindicalismo na região do ABCD. De 1987 a 1992 foram assassinados três líderes sindicais nos municípios de Santo André e São Caetano. A truculência também é uma das características na disputa entre centrais sindicais na região.</P>
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As greves da categoria dos motoristas também são marcadas pela ocorrência de atos violentos, com quebra-quebra de veículos. O acusado pelo assassinato sempre andava armado e já tinha passagem pela polícia.</P>
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Em abril de 1987, Antonio Ubirajara Mota Faria, diretor do Conselho Fiscal do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano foi morto por dois desconhecidos com quatro tiros. O crime ocorreu na rua Amadeu Massaroto (na zona zul de São Paulo), quando Ubirajara deixava sua casa. Na sede da entidade, na época, nenhum sindicalista comentou o assassinato.</P>
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CUT</P>
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Um ano depois, o dirigente sindical Luiz Rodrigues dos Santos, ligado à CUT (Central Unica dos Trabalhadores), foi baleado na perna quando distribuía panfletos em frente aos portões da Rhodia, em Santo André. Foi o primeiro incidente grave envolvendo chapas da CGT (Central Geral dos Trabalhadores) e da CUT na disputa pelo controle do Sindicato dos Químicos do ABCD.</P>
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Em 1987, dois diretores do Sindicato dos Condutores do ABCD foram assassinados em Santo André durante campanhas salariais da categoria.</P>
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Já entre os metalúrgicos de São Bernardo, de onde saíram Luiz Inácio Lula da Silva e Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, nunca foram registradas ocorrências envolvendo sindicalistas com atos violentos.</P>
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<DOC DOCID="cha-13938">
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Williams pode ter dificuldade domingo que vem no Japão</P>
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Da Reportagem Local</P>
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O circuito onde domingo que vem acontece a segunda etapa do Mundial de Fórmula 1 é uma dádiva dos céus para a Benetton. A equipe que ganhou a corrida de abertura da temporada, em Interlagos, tem a chance de repetir a façanha em Aida, Japão, daqui a uma semana.</P>
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A pista japonesa, sede do estreante GP do Pacífico, está deixando Ayrton Senna e a Williams de cabelos em pé.</P>
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O time começou o ano como favorito e viu despencarem todos os prognósticos dos especialistas com a vitória de Michael Schumacher no Brasil.</P>
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As primeiras análises de Aida são unânimes: o circuito não é o mais apropriado para a Williams, cujo carro certamente vai se sair bem em pistas velozes –como Imola, Monza e Hockenheim–, mas deve sofrer nas lentas.</P>
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Aida tem um traçado de baixa velocidade. A média de uma volta, para um carro de F-1, deve ficar em torno de 180 km/h. Para se ter uma idéia, em Interlagos é de 200 km/h. Em Monza, 230 km/h e, em Hockenheim, 250 km/h.</P>
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Pistas rápidas favorecem carros com motores mais potentes –caso dos V10 da Renault que equipam a Williams. Circuitos lentos anulam essa vantagem. Os propulsores da Benetton são Ford V8, em tese menos fortes que os rivais franceses.</P>
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Para piorar as coisas para Senna e sua trupe, a pista japonesa é estreita e travada, com muitas curvas fechadas, retas curtas e poucos pontos de ultrapassagem. Não há onde aproveitar a potência superior de seus motores.</P>
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A luta pela pole-position será decisiva. Quem largar na frente tem grandes chances de manter a posição se o trabalho dos boxes, nas paradas para reabastecimento e troca de pneus, for eficiente.</P>
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A preocupação da Williams com o GP do Pacífico ficou clara na semana passada. O time deslocou um séquito de 47 pessoas para três dias de testes em Jerez de La Frontera, Espanha.</P>
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O circuito tem as mesmas características de Aida. Senna treinou na terça e quarta-feiras, tentando regular seu FW16 –o modelo da Williams– para um traçado como o japonês.</P>
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A esperança do time e do piloto brasileiro é de que pelo menos o asfalto não seja ondulado como em Interlagos. Esse tipo de piso tornou o carro de Senna, segundo ele mesmo, "inguiável".</P>
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O FW16 salta muito nas ondulações. Isso não acontecia no ano passado, quando o regulamento da F-1 permitia o uso das suspensões ativas.</P>
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Tais equipamentos, controlados por computador, mantinham os carros a uma altura constante do solo, independente das características do piso. A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) proibiu os dispositivos nesta temporada.</P>
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O GP do Pacífico, que começa à 0h30 do dia 17 (horário de Brasília), terá 83 voltas –mais do que qualquer outra prova do calendário.</P>
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Como a F-1 nunca correu em Aida, haverá um treino extra-oficial na quinta-feira. Faz frio na região, que fica no sul do Japão. Há duas semanas, o autódromo estava coberto de neve.(FG)</P>
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<DOC DOCID="cha-33838">
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Filipe Mário Lopes*</P>
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«Reabilitar Lisboa -- é mesmo possível»</P>
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No passado dia 9, publicou este jornal um artigo intitulado «Reabilitar Lisboa -- será mesmo possível?», no qual se pretendia demonstrar a inviabilidade do processo de reabilitação em curso. Acontece, porém, não serem exactos os números em que o articulista se baseou, pelo que entendemos dar uma explicação aos leitores do PÚBLICO.</P>
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A Câmara Municipal de Lisboa, através da sua Direcção Municipal de Reabilitação Urbana, reabilitou, até agora, 3500 fogos e não 3000. Nos bairros em que intervém, falta-lhe reabilitar 70 por cento e não 86 por cento -- o autor desconhece que existem neles construções que não necessitam de intervenção. Foram gastos 11 milhões de contos, sendo necessário, só para habitação, mais 60 milhões e não 78.</P>
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Consciente do ritmo que os meios até agora disponíveis permitiram -- a reabilitação só se completaria nos próximos 25 anos --, a Câmara propôs ao Governo um programa, o PERU, do tipo do que foi criado para a eliminação das barracas, o PER. A criação desse programa permitirá reduzir para cerca de sete anos o tempo necessário à reabilitação dos bairros intervencionados. Os dois milhões de contos votados no Orçamento Geral de Estado para bonificação dos juros das operações de reabilitação dos centros históricos é já uma primeira medida que vai nesse sentido e disponibilizará cerca de 28 milhões de contos para o PERU.</P>
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Para Lisboa, os fundos públicos necessários estão orçamentados em 40 milhões -- 20 financiados pelo Recria e 20 pelo programa proposto. Como se vê, a despesa será coberta pelo orçamento votado.</P>
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Isto quanto a números. Quando à «alternativa» proposta pelo autor do artigo citado, ela poderá constituir uma contribuição benévola de um leigo, mas nunca de um técnico conhecedor destas matérias. Fazer pagar a resolução do grave problema de degradação do parque construído destes bairros por uma densificação do seu tecido urbano revela um profundo desconhecimento das regras elementares e consensualmente aceites pelos profissionais do urbanismo ligados a este sector. É evidente que se podem aceitar intervenções nesse sentido -- e já o temos feito -- apenas pontualmente e em casos que o permitam. Como regra geral, como pretende o autor, é impensável e subverte todas as regras do equilíbrio, pois, para além de ir saturar indevidamente o tecido urbano, destruiria o seu valor patrimonial pela alteração das morfologias.</P>
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Além de tudo isto, não há densificação do centro, contrariamente ao que é afirmado. Bem pelo contrário. Basta observar as estatísticas, para concluir pela perda de população nas freguesias centrais, o que corresponde, aliás, a um fenómeno comum às cidades ocidentais, como também o sabem todos os profissionais do sector.</P>
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Finalmente, temos a esclarecer que o colóquio referido se realizou para se fazerem propostas realistas e exequíveis, o que, felizmente, aconteceu. Nele se provou, com números, que reabilitar um fogo custa apenas metade do preço da construção de um fogo social e a respectiva despesa em fundos públicos é de um terço do investimento necessário.</P>
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As vantagens não se esgotam, no entanto, nos cifrões. A reabilitação realiza alguns dos desideratos mais caros aos criadores e estudiosos da cidade --mantém e respeita o tecido social existente, procura que ele encontre motores endógenos de desenvolvimento e de participação social, contraria os movimentos centrífugos das populações de fracos recursos atiradas para os bairros sociais ou para os dormitórios das periferias, mantém a mistura dos estratos sociais e etários, preserva a identidade cultural dos homens e das pedras, enquanto realidade dinâmica.</P>
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Não é tudo perfeito, e críticas, fundamentadas, serão sempre bem-vindas. O colóquio aqui referido fez-se também para responder ao interesse internacional que a experiência de Lisboa tem suscitado. Vieram técnicos e políticos de outros países. Apreciaram as realizações, deram as suas achegas, ofereceram as suas críticas. Perante o seu entusiasmo, ficámos, sobretudo, uma vez mais, com a grata certeza de que vai valer a pena continuar. Com mais força. Porque, afinal, reabilitar Lisboa tornou-se numa possibilidade muito séria, com a participação do Governo, da Câmara e da iniciativa privada.</P>
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* Arquitecto, director municipal da reabilitação urbana da CML</P>
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<DOC DOCID="hub-4171">
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Pacto de sangue</P>
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PASSAPORTE BIOLÓGICO EM 2008	</P>
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O ano de 2008 promete ser aquele em que tudo se fará para combater o flagelo do doping. Pelo menos é esta a intenção de vários agentes da modalidade que criaram, para tal, o passaporte biológico, a designação de um documento electrónico e individual na qual constarão todos os resultados dos controlos antidoping à urina e ao sangue efectuados aos ciclistas, assim como o respectivo perfil hematológico. O cruzamento destas informações permitirá avaliar as variações das análises e, consequentemente, detectar se houve manipulação de sangue.</P>
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O passaporte biológico é o resultado de uma reunião verificada há alguns meses, em Paris, organizada pelo ministro francês da Saúde, o ministro francês da Saúde, a UCI e a Agência Mundial Antidopagem (AMA). O objectivo é chegar ao Tour com o passaporte biológico de todos os possíveis participantes em total funcionamento, de modo a evitarem-se os casos de doping que ocorreram este ano.</P>
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Contra-relógio</P>
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O passaporte biológico abrange todos os ciclistas do ProTour, onde só há um português, podendo as equipas Continentais Profissionais, na qual faz parte o Benfica, serem também abrangidas. Ao todo, o grupo de trabalho prevê fazer 4.200 análises ao sangue -- seis por cada ciclista do ProTour --, mais 3.700 do que em 2007.</P>
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Em suma, a UCI quer controlar em 2008 cada ciclista por 12 vezes -- às análises de sangue juntam-se às da urina --, na sua maioria inopinadas, devendo gastar, com todo o programa do passaporte biológico, qualquer coisa como 6 milhões de euros, contra 1 milhão gasto este ano. </P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-95481">
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FERNANDO RODRIGUES</P>
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Da Reportagem Local</P>
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O Departamento de Estado norte-americano terminou uma investigação sobre documentos encontrados na Nicarágua este ano e concluiu que havia "um organização muito bem estabelecida sequestrando em toda a América Latina" até o final dos anos 80, segundo a Folha apurou. A informação veio de dentro do Departamento de Estado –o Ministério das Relações Exteriores dos Estados Unidos.</P>
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Os documentos de Manágua estavam escondidos dentro de um bunker que explodiu acidentalmente em 23 de maio do ano passado, na capital nicaraguense. Além de um farto arsenal –mísseis terra-ar e metralhadoras AK–, o local continha listas com nomes de empresários latino-americanos e descrição da rotina de alguns deles. Junto a esse material estavam os documentos dos canadenses David Spencer e Christine Lamont, que haviam participado do sequestro de Abílio Diniz em dezembro de 89, em São Paulo.</P>
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A investigação do Departamento de Estado norte-americano é sigilosa. O trabalho é dividido em duas partes. A primeira, já concluída, se refere aos documentos encontrados e à atividade da rede internacional de sequestros até o final da década de 80. Agora, os norte-americanos estão procurando pistas sobre o que aconteceu com os integrantes dessa rede. Querem ter certeza que as operações já terminaram.</P>
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Segundo a investigação norte-americana, os documentos sobre sequestros foram atualizados até 1989 e início de 1990. Não há uma data precisa. Há, entretanto, documentos da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional (FMLN), de El Salvador, datados de abril deste ano. A FMLN assumiu publicamente a propriedade das armas, mas não dos documentos sobre sequestros.</P>
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Também já é considerado certo pelo Departamento de Estado que os sequestros tinham finalidade política. Isso passa a ser de fundamental importância para os dez condenados pelo sequestro de Abílio Diniz, em 89. A Justiça brasileira considerou o fato apenas um crime comum. Até hoje os sequestradores estão pleiteando a transferência do caso para a Justiça Federal, com o argumento de que sequestraram o empresário para fins políticos. A decisão está para ser tomada em fevereiro ou março.</P>
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Sobre a operação da rede de sequestros, o Departamento de Estado não sabe precisar até que ponto havia contato entre os seus membros. Mas tem certeza que as ações eram coordenadas entre si.</P>
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Também não foi possível precisar, ainda, até que ponto esse grupo de pessoas –egressas de movimentos de esquerda nas décadas de 70 e 80– continuou a manter algum contato na década atual. Para o Departamento de Estado, embora seja uma avaliação preliminar, o mais provável é que com o esfacelamento do comunismo a rede tenha sido desativada.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-75683">
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HUMBERTO SACCOMANDI</P>
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De Londres</P>
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Enquanto a Austrália sofre com o calor e o fogo, a Europa é assolada por frio, tempestades e enchentes. Boa parte do sul do Reino Unido está debaixo d'água. Vários regiões da França também estão inundadas. Pelo menos duas pessoas morreram ontem nesses países devido ao mau tempo.</P>
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Apesar de acostumados à chuva, há anos os britânicos não viam tanta água como nestes últimos dois meses. Nos cinco primeiros dias de janeiro choveu metade do que normalmente costuma nesse mês. O resultado é que quatro grandes rios transbordaram no interior do país, inclusive o Tâmisa.</P>
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Para complicar ainda mais, nevou nos últimos dois dias em quase todo o país. Uma pessoa morreu em Londres, ao perder o controle de seu carro e cair num canal. Algumas cidades estão alagadas há uma semana. Dezenas de famílias foram evacuadas.</P>
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Na França, uma criança de 12 anos provavelmente morreu afogada ontem quando a corrente de água numa estrada levou o carro onde estava. A mãe da criança havia saído do carro para pedir ajuda. Pelo menos sete pessoas morreram desde o início do ano no país devido ao mau tempo.</P>
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Fortes ventos provocaram ondas de até cinco metros em Portugal, bloqueando vários portos. Alguns navios estavam em dificuldades ontem no mar do Norte e no Mediterrâneo. Um navio italiano teve de ser abandonado e seus 17 tripulantes foram resgatados.</P>
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Vários regiões de Portugal, Espanha e nos Alpes estavam isoladas ontem devido à neve. Parte do rio Reno, na Alemanha, estava fechada à navegação devido ao perigo de transbordamento. E a meteorologia prevê que o mau tempo e as chuvas devem continuar em quase todo o continente.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-69401">
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Deputados municipais põem a questão</P>
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Onde se vão alojar os operários da Expo ?</P>
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O problema que se irá colocar a Lisboa quando começarem a afluir à capital os cerca de 20 mil trabalhadores que a autarquia estima que participarão na regeneração da zona oriental, devido à Expo 98, foi ontem levantado na Assembleia Municipal. A questão surgiu no âmbito da discussão da protocolo de adesão de Lisboa ao PER, programa governamental de apoio à erradicação de barracas.</P>
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Os deputados municipais -- quer da maioria, quer da oposição -- foram unânimes quanto à necessidade de se encarar desde já a questão, agora que Câmara e Governo se unem para acabar com as cerca de 10 mil barracas existentes na capital.</P>
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César de Oliveira, do PS, que previu o aparecimento do primeiro pilar da nova ponte até Setembro de 1995, «emergindo qual cogumelo do Tejo», disse esperar que o ministro das Obras Públicas, Ferreira do Amaral, pense no alojamento dos trabalhadores que vão afluir a Lisboa para preparar a Expo, criando desde já as condições para que o problema possa ser ultrapassado.</P>
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Victor Gonçalves, do PSD, sublinhou a necessidade de «comunhão» entre Governo e autarquia, sem a qual não se poderá resolver a questão habitacional, enquanto o representante do PCP afirmou que a resolução do problema cabe ao Governo. F.R.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="ric-18999"> 
<P> Amazonas - Índios querem sobrenomes característicos da etnia </P>
 <P> HOME PAGE RONDONIA AO VIVO, 24.12.2007 </P>
 <P> Índios do Amazonas reivindicam o direito de registrar os filhos de forma organizada, respeitosa e com os sobrenomes que caracterizam suas etnias. Os pontos foram apontados pelos indígenas na reunião de encerramento da primeira fase do Projeto Registro Civil dos Povos Indígenas do Amazonas, que aconteceu na última semana em Manaus. </P>
 <P> De acordo com o projeto, iniciado em setembro de 2007, 17 líderes indígenas estiveram em 44 comunidades no Alto Rio Negro, Alto e Médio Solimões, Vale do Javari, Purus, Juruá e Manaus para aplicar os questionários de avaliação sobre a atual situação dos registros civis da população e coletar dados para a elaboração de um relatório. </P>
 <P> O documento, será apresentado em março de 2008 e incluirá o resultado geral das avaliações e as sugestões dos povos indígenas. Ao todo, foram mais de 1,4 mil questionários aplicados em 325 comunidades, o equivalente a 43 etnias visitadas. </P>
 <P> Fonte: Clipping da
6ªCCR do MPF. </P>
 </DOC>

<DOC DOCID="cha-86294">
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Preparação da «Shi Fu Hui» avança «a todo o vapor»</P>
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A Grande Muralha Feminina</P>
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António Caeiro, em Pequim*</P>
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Dezenas de milhares de representantes da «metade do céu», a metáfora com que o antigo Presidente Mao Tsé Tung descrevia as mulheres, começarão a chegar já na próxima semana a Pequim, para a IV Conferência Mundial sobre a Mulher. É a maior reunião do género patrocinada pela ONU, e o Governo anfitrião, que nunca viu tantas estrangeiras ao mesmo tempo na sua capital, está a preparar-se com todo o cuidado.</P>
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A «Shi Fu Hui» (Conferência Mundial sobre a Mulher) só começa dia 4 de Setembro, mas as massagistas estabelecidas junto ao Hotel Kunlun, noroeste de Pequim, já devem estar ansiosas que a reunião acabe e a cidade volte à normalidade. Embora o nome de «massagistas» iludisse a verdadeira natureza da profissão, a polícia parecia tolerar a sua actividade, como acontecia com as prostitutas que frequentavam o Kunlun, um hotel de cinco estrelas propriedade do Ministério da Segurança Pública. Vendedores de CD's piratas e mendigos desapareceram também da zona, e à entrada do hotel foi afixada uma faixa de pano vermelho com as três palavras de ordem da Conferência: «Igualdade, Desenvolvimento, Paz».</P>
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Mais de 200 casas de massagem, salões de beleza, discotecas, bares e outros estabelecimentos suspeitos de servirem como bordéis foram encerrados nas últimas semanas pelas autoridades de Pequim. A «limpeza» precedeu a chegada das cerca de 40 mil delegadas de mais de 150 países inscritas na IV Conferência Mundial sobre a Mulher, patrocinada pela ONU, e no Fórum das Organizações Não-Governamentais, que decorrerá paralelamente à conferência oficial, a partir de 30 de Agosto. A Conferência -- de 4 a 15 de Setembro -- é a mais concorrida e cosmopolita reunião jamais realizada na China e a maior aposta internacional do Governo chinês desde a frustrada candidatura de Pequim à organização do Jogos Olímpicos, em 1993.</P>
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«Ao organizar esta Conferência, a China pode alargar a sua influência política e melhorar a imagem internacional», disse Chen Muhua, presidente da Federação das Mulheres Chinesas e vice-presidente da Assembleia Nacional Popular. Chen Muhua, 74 anos, filiada no Partido Comunista desde 1938, é a mulher que ocupa o lugar mais elevado na hierarquia chinesa.</P>
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Foi em 1990 -- um ano após a sangrenta repressão do movimento pró-democracia da Praça Tiananmen -- que a China propos à ONU organizar a IV Conferência Mundial sobre a Mulher. Na altura, estavam muito vivas as imagens do que a opinião pública ocidental viu como um «massacre» e que o Governo chinês continua a considerar um simples «incidente».</P>
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Festa intelectual</P>
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A Conferência encerra, contudo, alguns riscos. Além de constituir um quebra-cabeças logístico, a Conferência mobiliza uma multidão politicamente incontrolável. «Os contactos entre as mulheres chinesas e as estrangeiras serão muito úteis para a evolução da nossa consciência democrática», comentou um intelectual chinês à Agência France Press. Para a socióloga Chen Yiyun, animadora de uma ONG chinesa dedicada à violência doméstica, a Conferência representa sobretudo «uma grande oportunidade de comunicação»: «Noventa e cinco por cento das mulheres chinesas não tem possibilidade de viajar fora do país e agora poderão comunicar directamente com as suas irmãs estrangeiras».</P>
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O Governo chinês poderá recusar vistos às partidárias da independência do Tibete ou de outras causas «subversivas», mas não conseguirá evitar a entrada de grupos de lésbicas, feministas radicais e muitas outras activistas susceptíveis de «perturbar a ordem» do último grande bastião do comunismo. «Os casos de vistos recusados são muito poucos», disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. «Quaisquer actividades contrárias à lei chinesa serão proibidas», avisou por sua vez o governador de Huairou, a vila dos arredores de Pequim onde irá decorrer o Fórum das ONG.</P>
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Inicialmente previsto para o «Ginásio dos Trabalhadores», no centro de Pequim, o Fórum das ONG acabou por ser transferido para Huairou, cerca de 50 quilómetros ao norte da capital chinesa. A mudança -- anunciada há apenas cinco meses devido a «problemas estruturais» do referido ginásio -- foi vista como uma medida para isolar as delegadas e afastá-las da Praça de Tiananmen, o espaço urbano mais sensível da China. Responsáveis chineses rejeitaram aquela interpretação, garantindo que haverá um autocarro entre Huairou e Pequim de dez em dez minutos.</P>
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Quarenta frases</P>
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Os agentes da Polícia de Pequim receberam, entretanto, instruções para se mostrar educados e «projectar uma boa imagem junto de pessoas vindas de todas as partes do país e do mundo». Alguns tiveram até lições de inglês. O manual de boa educação distribuído pelo Departamento Municipal de Segurança Pública inclui uma lista de 40 frases que os polícias deverão abster-se de pronunciar nos seus contactos com os cidadãos, entre as quais o clássico «não sei» e o ameaçador «não arranje problemas». Idênticas instruções foram dadas aos funcionários dos caminhos de ferro, aeroportos, correios, hospitais e centros comerciais.</P>
<P>
Por outro lado, a companhia aérea chinesa anunciou a concessão de descontos de 20 a 50 por cento às delegadas que se deslocarem a Pequim nos seus aviões, e o Departamento Municipal de Comércio garantiu que as lojas e mercados da cidade estarão «abundantemente abastecidos».</P>
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Ninguém espera, no entanto, que a nova cortesia das autoridades chinesas tolere manifestações «subversivas». Como avisou também o governador de Huairou, «qualquer pessoa que vá a um país estrangeiro deve respeitar as leis desse país».</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-49440">
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Clube deve acertar também com o volante Donizete</P>
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Da Reportagem Local</P>
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O dia promete grande movimentação no mercado de futebol de São Paulo. O retorno dos jogadores das férias está pevisto para hoje na Portuguesa e o atacante Dener deverá forçar a nova diretoria a negociá-lo.</P>
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Corinthians e Vasco são seus maiores pretendentes, mas a Portuguesa fixou o passe do jogador em US$ 2 milhões, o que pode dificultar a negociação.</P>
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Além de Denner, o Corinthians deve tentar hoje, mais uma vez, contratar o volante Donizete, do Bragantino. O lateral-esquerdo Biro-Biro e o volante Ezequiel entrariam na negociação para aliviar o US$ 1 milhão que o time de Bragança pede por seu jogador.</P>
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Se der certo, Donizete será o quarto reforço da equipe do Parque São Jorge para a temporada de 94. Já vieram Marcelinho e Casagrande, ambos ex-Flamengo, e Gralak, do Paraná Clube. O goleiro Dida, do Vitória da Bahia, vice-campeão brasileiro, e o lateral-esquerda Piá, do Flamengo, também estão na mira do Corinthians.</P>
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No Palmeiras, a maior expectativa fica por conta do atacante colombiano Rincón, cuja apresentação está prevista para o dia 17. Segundo jornais italianos, o jogador deverá ficar no Parque Antarctica apenas no primeiro semestre deste ano, transferindo-se, depois da Copa dos EUA, para o Parma da Itália.</P>
<P>
O meia Edílson pode ser negociado com o Monaco, da França, ou o Nagoya, do Japão. Mas seu desejo (e do clube) é não deixar o Palmeiras até a Copa do Mundo. Edílson entende que se ficar no futebol brasileiro terá chances de ser chamado pelo técnico Carlos Alberto Parreira e disputar o Mundial.</P>
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Hoje se iniciam as negociações para a renovação dos contratos de Antônio Carlos, Roberto Carlos, Evair, que também interessa ao futebol japonês, e Edmundo, que desde a final do brasileiro expressou seu desejo de permanecer no Parque Antarctica.</P>
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O São Paulo deve dar prioridade para a renovação dos contratos de Muller e Cafu. O diretor Márcio Aranha é esperado hoje em Belo Horizonte para acertar a contratação do ponta Euler junto ao América.</P>
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Guilherme foi contratado ao Marília, enquanto que Jura e Luís Carlos Goiano foram devolvidos, respectivamente, para Guarani e Novorizontino. Júnior Baiano, trazido do Flamengo, pode não ser o único novo jogador na zaga são-paulina, caso Ronaldo acerte sua ida para o Japão. O clube tem interesse no quarto-zagueiro Rogério, do Flamengo. E Matosas, dispesando pelo clube, pode acertar com o Guarani.</P>
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Na Portuguesa, o recém-eleito presidente, Manuel Gonçalves Pacheco, além de tentar conseguir um bom dinheiro com a venda de Dener, deve reintegrar alguns jogadores que estavam emprestados e que o técnico Fito Neves quer reintegrados à equipe, casos de Enio, Tico, Cícero, Sinval, Carlinhos e Pereira.</P>
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No Santos, o meia Pita, que foi campeão paulista no clube em 1978, pode desprezar os dólares do milionário futebol japonês para acertar um contrato de um ano com o clube. Pita, 34, é dono de seu passe. O futuro presidente do clube, Miguel Kodja Neto, deve se reunir esta semana para acertar a renovação dos contratos de Ranielli, Indio, Gallo e Axel.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-68214">
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REGINA CARDEAL</P>
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Da Redação</P>
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Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, que abriram caminho para a recessão mundial em 1990, renovam os sinais de crescimento econômico. É nestes três integrantes do Grupo dos Sete (países mais industrializados) que os analistas apostam suas fichas para a recuperação global em 1994.</P>
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Se Reino Unido e Canadá têm importância relativa na engrenagem econômica mundial, os Estados Unidos se mantêm como potente motor, com uma economia de US$ 5,7 trilhões. Para a maior economia do globo, os principais institutos internacionais prevêem crescimento em torno de 3% este ano.</P>
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É um número modesto se comparado ao que se espera da China. Os chineses vão espantar o mundo com crescimento econômico de dois dígitos pelo terceiro ano consecutivo.</P>
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De seu lado, a América Latina, movida a investimentos privados e exportações, deve crescer em torno de 3,5%. Apesar da prevista desaceleração no México, Argentina e Chile, a América Latina conservará seu recém-conquistado segundo lugar como a região que mais cresce no mundo.</P>
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O sudeste da Asia, com seus tigres e filhotes, continuará no topo da lista. Mercados emergentes, asiáticos e latino-americanos, se manterão como ímãs para o capital internacional.</P>
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Este é o lado brilhante das previsões de instituições como o FMI e o Banco Mundial para o Ano Novo. O lado sombrio mostra uma fila de quase 35 milhões de desempregados só nos 24 países industrializados da OCDE, economia estagnada no Japão e um grande ponto de interrogação sobre a Alemanha.</P>
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Contrariando estatísticas da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que projetam a queda da economia alemã até meados do ano que vem, o ministro da Economia, Gunter Rexrodt, declarou esta semana encerrada a recessão no país. De qualquer maneira, Rexrodt espera para a "locomotiva" da Europa desempenho mais próximo de uma maria-fumaça do que de um trem-bala para 1994. Rexrodt acredita em crescimento de até 1%. Para a OCDE, a expansão alemã não passa de 0,5%.</P>
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Para seus 24 países, a OCDE crava expansão média de 2,1% na primeira metade do ano, acelerando para 2,7% até o final de 94. Para comparar com os 'líderes": o crescimento econômico nas chamadas Economias Dinâmicas da Asia (Coréia do Sul, Taiwan, Hong Kong, Cingapura, Tailândia e Malásia) vai atingir 6,1%.</P>
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Mais boas novas: o Leste Europeu retomará o crescimento pela primeira vez desde o colapso do comunismo na virada da década. Já para a Rússia, cuja economia despencou mais de 10% em 1993, o cenário não é tão animador, apesar do aparente controle da inflação –façanha que o Brasil não conseguiu em 1993 e que muitos analistas duvidam que consiga em 1994.</P>
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Já os países ricos vão continuar experimentando níveis excepcionalmente baixos de inflação.</P>
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Misturando o expressivo crescimento da Asia e América Latina, mais a recuperação do Leste, o FMI chega a um cenário de expansão global de 3,2% em 1994. É uma taxa considerada muito baixa para criar o número de novos empregos que o mundo precisa com urgência.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-71495">
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Mas dirigente da F-1 afirma que GP que matou Senna aconteceria `de qualquer maneira'</P>
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MAURO TAGLIAFERRI</P>
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Da Reportagem Local</P>
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O vice-presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Bernie Ecclestone, pediu desculpas ontem à família do piloto Ayrton Senna.</P>
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"Eu queria pedir desculpas ao Leonardo (irmão de Senna). Estou tão aborrecido com tudo isso como qualquer outra pessoa", disse.</P>
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Ecclestone esteve em São Paulo ontem e pretendia ir ao enterro do piloto. Ao saber que Leonardo afirmou que ele não seria bem-vindo, desistiu.</P>
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"Estou profundamente magoado. Mas compreendo sua posição. O problema é que Leonardo só ouviu versões da história e não toda a verdade", afirmou.</P>
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O dirigente da F-1 lamentou a confusão que disse ter feito em Imola, ao, segundo ele, trocar a expressão "his head" (a cabeça dele –afirmando que a contusão de Senna no acidente era na cabeça) por "he's dead" (ele está morto) ao comunicar a batida do brasileiro a seu irmão no autódromo.</P>
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Ecclestone também tentou provar que o acidente foi causado por falha no Williams de Senna.</P>
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Para isso, mostrou ao governador de São Paulo, Luiz Antonio Fleury Filho, um vídeo com uma volta completa do carro de Senna na pista de Imola, antes da colisão.</P>
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As imagens foram obtidas da câmera do carro do alemão Michael Schumacher (Benetton), que vinha logo atrás de Senna.</P>
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Segundo o governador e os fotógrafos que assistiram ao vídeo, o carro de Senna se chocou contra a pista pelo menos dez vezes durante a volta.</P>
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"Normalmente isso não significa nada (os carros costumam tocar o solo), mas não sabemos. A suspensão podia ter problemas."</P>
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"Podia haver uma saliência na pista naquele ponto e, com o choque, o carro teria ficado fora de controle", explicou Ecclestone.</P>
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O dirigente fez questão de deixar claro que o GP de San Marino seria realizado independentemente de se comprovar que o austríaco Roland Ratzenberger morreu na pista de Imola e não no hospital.</P>
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Ratzenberger morreu em um acidente durante os treinos para o GP no sábado.</P>
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Ecclestone rebateu a acusação de que, se a FIA tivesse admitido que o austríaco morreu em Imola, a prova seria suspensa e, assim, Senna teria se salvado.</P>
<P>
"É 100% certo que o GP aconteceria", afirmou. "A Justiça italiana não fecharia o autódromo."</P>
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E completou: "Se alguém morresse numa auto-estrada, não iriam interditá-la só por isso".</P>
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O dirigente disse também que não há imagens da câmera do carro de Senna no momento da colisão. </P>
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Segundo ele, havia 18 carros com câmeras na pista. As imagens eram enviadas para um helicóptero que sobrevoava o circuito. De lá, imagens de apenas três carros eram retransmitidas ao diretor de TV, que diz quais irão ao ar.</P>
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"Como Senna estava na frente, as imagens que fazia não eram boas", explicou Ecclestone. "Por isso, não foram selecionadas."</P>
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Mesmo não condenando o autódromo, Ecclestone reconheceu o perigo da curva Tamburello (onde Senna bateu). "Há seis anos sugeri modificações ali, mas ecologistas foram contra porque derrubaríamos algumas árvores", contou.</P>
</DOC>

<DOC DOCID="cha-67156">
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Região de Angra dos Reis e Parati, litoral sul do Rio, tem maioria das opções; diárias chegam a US$ 1.000</P>
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TELMA FIGUEIREDO</P>
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Da Reportagem Local</P>
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Curtir o calor e o mar "a bordo" de uma ilha particular não é privilégio exclusivo dos personagens de filmes no cinema ou das raras pessoas que incluem um lugar como esses em seu patrimônio. Principalmente em Angra dos Reis, no Rio, uma região com várias ilhas particulares, há proprietários que alugam seus imóveis para temporada de famílias ou grupos.</P>
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As descrições dessas ilhas –que muitas vezes incluem prainhas privativas, natureza exuberante, acomodações confortáveis, opção de uso de lanchas e jet-ski– ajudam a "digerir" os preços altos das diárias, que em alguns casos chegam a US$ 1.000.</P>
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"As pessoas que procuram ilhas particulares geralmente não se importam em pagar caro por privacidade, sossego e pelo prazer de praticar mergulho em um lugar especial, por exemplo", diz Guilherme Moreira, 58, dono de um centro de mergulho em Angra dos Reis.</P>
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Moreira intermedia alguns negócios entre proprietários de ilhas e interessados que o procuram. "Alguns estrangeiros que gostam de mergulhar me ligam querendo viabilizar uma estadia da noite para o dia", afirma. Quando dinheiro não é problema, até um helicóptero pode ser posto a disposição dos ocupantes. Entre as pessoas que trabalham com esse mercado, comenta-se que no réveillon passado um empresário pagou US$ 50 mil por uma estadia de dez dias –com direito a todas mordomias, é claro.</P>
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Procura difícil</P>
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A dificuldade para se hospedar em uma casa de ilha particular começa na procura de contatos. Primeiro porque a oferta é muito restrita. "A maioria das pessoas que têm casas nesses locais, utilizam-nas para uso próprio e nem cogitam alugá-las", diz Cláudia Maria Morcef, 31, sócia da Classi Produções e Turismo, empresa de Angra que trabalha com opções de casas em ilhas.</P>
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Outro motivo é o fato de várias agências de turismo optarem por não trabalhar com o produto. "Não operamos com ilhas particulares. Embora elas atraiam bastante as pessoas é difícil montar grupos por causa do alto custo da estadia", diz Miya Tanaka, 37, sócia da Radical Livre Ecoturismo e Aventuras.</P>
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Entre as opções encontradas pela Folha, três –ilha do Breu, ilha do Araújo e ilha da Cocanha– são negociadas na cidade de São Paulo. Os demais negócios precisam ser fechados com empresas ou pessoas do Rio.</P>
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Na ilha Francisca, em Angra, por exemplo, onde há uma casa com acomodações para até 16 pessoas, diárias de US$ 400 a US$ 500, as reservas podem ser feitas pelo telefone –(0243) 65-0044– na cidade mesmo ou no Rio, (021) 233-6336, na Norway Turismo. A ilha pertence a uma família de ingleses e dispõe ainda de um restaurante.</P>
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LEIA MAIS</P>
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sobre aluguel de ilhas na pág. 10-2.</P>
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<DOC DOCID="cha-48118">
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Relatório da Unicef mostra que em 1992 morreram no país 236 mil crianças com idade inferior a 5 anos</P>
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JOÃO BATISTA DE ABREU</P>
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Da Sucursal do Rio</P>
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Em 1992 morreram no Brasil 236 mil crianças com idade inferior a 5 anos, o que deixa o país na décima colocação entre as nações de maior número de óbitos infantis. O primeiro lugar é ocupado pela India, com 3.212 mortes de crianças. Os dados fazem parte do relatório Situação Mundial da Infância 1994, divulgado ontem pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).</P>
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A taxa brasileira de mortalidade infantil, de acordo com o relatório da Unicef, caiu de 118, em 1960, para 54 em 1992, em cada grupo de mil crianças com menos de 12 meses. Nesse ano, nasceram 3.626 mil crianças e a expectativa de vida do brasileiro alcançou 66 anos (números de 1992).</P>
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Entre 1983 e 1992, as principais doenças causadoras da mortalidade infantil registraram queda significativa. O sarampo caiu de 2,5 milhões de óbitos em 83 para 1,1 milhão em 92; as mortes por tétano diminuíram de 1,1 milhão para 600 mil; diarréia, de 4 milhões para 2,9 milhões; coqueluche, de 700 mil para 400 mil e poliomielite, de 360 mil para 140 mil.</P>
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A Unicef informa que as metas propostas para o final de 1995 incluem a eliminação do tétano neonatal, redução de 90% dos casos de sarampo e de 95% nas mortes causadas pela mesma doença, eliminação da poliomielite, da deficiência de vitamina A e do verme da Guiné.</P>
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O documento adverte que o problema da pobreza neste fim de século ameaça a maior parte dos países em desenvolvimento, dentro da espiral PPA (pobreza, população e ambiente). "É ilusório visualizar estes problemas como questões isoladas", afirma a entidade das Nações Unidas.</P>
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O relatório revela que a chamada Africa negra, ao sul do deserto do Saara, é a única região do mundo onde a pobreza se agrava irremediavelmente. O cidadão médio tornou-se 20% mais pobre nos últimos 10 anos e mais de 200 milhões de seres humanos não conseguem suprir suas necessidades básicas.</P>
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A Africa também é o continente mais afetado pela Aids: de cada grupo de 40 cidadãos, 1 está contaminado com o vírus HIV, sendo que em algumas localidades a relação chega a uma pessoa contaminada em cada três. A Unicef prevê que até o fim do século a Africa abrigará 10 milhões de crianças órfãs ou abandonadas por causa da epidemia de Aids.</P>
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<DOC DOCID="HAREM-811-00058">

<P>W. JAMES</P>
<P> Willian James</P>
<P> Willian James, filósofo e psicólogo.</P>
<P> Foi o mais influente dos pensadores dos EUA, criador do pragmatismo.</P>
<P> Nasceu e, Nova Iorque, a 11 de Janeiro de 1842.</P>
<P> O seu pai, Henru James, era um teólogo seguidor de Emanuel Swedenborg.</P>
<P> Um dos seus irmãos foi o conhecido novelista Henry James.</P>
<P> Concluiu os seus estudos de medicina, em 1870, na Universidade de Harvard, onde iniciou a sua carreira como professor de fisiologia em 1872.</P>
<P> A partir de 1880 ensinou psicologia e filosofia em Harvard, universidade que abandonou em 1907, proferindo conferências nas universidades de Columbia e Oxford.</P>
<P> Morreu em Chocorua, New Hampshire, a 26 de Agosto de 1910.</P>
<P>Princípios de Psicologia (1890), uma obra monumental que o projectou na comunidade científica e filosófica do tempo.</P>
<P> A Vontade de Crer e Outros Ensaios Sobre Filosofia Popular (1897), A Imortalidade Humana (1898), Diversidade da Experiência Religiosa (1902).</P>
<P> Pragmatismo: um nome novo para velhas formas de pensar (1907).</P>
<P> Esta obra resume as contribuições de Willian James para o pragmatismo, termo empregue pela primeira vez por Charles Peirce.</P>
<P>Durante décadas aplicou os seus métodos empíricos à investigação de temas religiosos e filosóficos.</P>
<P> Explorou a questão da existência de Deus, a imortalidade da alma, o livre arbítrio e os valores éticos, como fonte da experiência religiosa e moral.</P>
<P> O método pragmático, desenvolvido a partir da análise do fundamento lógico das ciências, converte-se na base da avaliação de qualquer experiência.</P>
<P> O significado das ideias só pode ser analisado a partir das suas consequências.</P>
<P> Se não produzem efeitos as ideias não têm sentido As ideias metafisicas são desprovidas de sentido porque não podem ser comprovadas.</P>
<P> As teorias com significado, segundo Willian James, são aquelas que permitem resolver problemas que decorrem da experiência.</P>
<P> Carlos Fontes Navegando na Filosofia </P>
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<DOC DOCID="cha-25762">
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Depois de pôr em fuga a guerrilha karen</P>
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Birmânia prepara ataque ao «Rei do Ópio»</P>
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João Carlos Silva</P>
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O regime militar da Birmânia parece ter decidido utilizar em pleno as enormes somas que gasta em armamento. Infligiu derrotas pesadas à resistência karen, provocou um fluxo de refugiados para a Tailândia e prepara-se, tudo o indica, para se virar agora contra o «Rei do Ópio». As armas espalham por todo o território a autoridade de um regime que sufoca e reprime um dos países mais pobres do mundo.</P>
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Militares tailandeses sugeriram ontem que o Exército da Birmânia está a preparar uma operação de grande envergadura contra os redutos no Nordeste do país controlados pelo «Rei do Ópio», Khun Sa.</P>
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O comandante regional tailandês, coronel Charoen Netrpae, revelou que os seus soldados detectaram uma grande concentração de tropas birmanesas e que o objectivo parece ser um ataque às forças de Khun Sa. O coronel descreveu a operação como «iminente».</P>
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O militar da Tailândia, segundo as declarações transcritas pela agência Reuter, não adiantou mais quanto ao porquê do ataque. É um facto que o regime militar birmanês se tem comprometido diversas vezes a eliminar Khun Sa e a sua força de guerrilheiros, o Exército Mong Tai, que serão talvez oito mil homens. Entre o final de 1993 e meados do ano passado, houve inclusive uma grande operação militar birmanesa contra Khun Sa, que, no entanto, acabou sem resultados.</P>
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Mas, por outro lado, fontes da oposição ao regime birmanês dão como certa uma cumplicidade real entre as autoridades de Rangum e o «Rei do Ópio». Sarkis Istanbulyan, um empresário português que tem acompanhado as violações dos direitos humanos na Birmânia e está ligado em particular ao apoio dos refugiados da minoria étnica karen, assegurou ao PÚBLICO que os militares birmaneses «celebram pactos com o barão da droga Khun Sa e partilham os lucros da cultura da papoila e sua transformação em ópio e heroína».</P>
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«Estes lucros são escandalosamente incorporados no `saco azul' do produto interno bruto [PIB] birmanês, a fim de financiar uma máquina militar cujo orçamento representa cerca de 60 por cento do PIB -- isto num dos países mais pobres do mundo. Institucionalizam assim o tráfico de droga e cometem um crime monstruoso contra toda a humanidade», acrescentou o empresário.</P>
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As autoridades dos Estados Unidos, por exemplo, também não têm muitas dúvidas de que Khun Sa, 60 anos, seja um criminoso. Um tribunal norte-americano já o acusou de delitos de tráfico de droga, enquanto responsáveis de Washington o qualificam como um dos principais traficantes do mundo.</P>
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Khun Sa e os seus homens controlam uma grande parte da região de produção de ópio conhecida como «Triângulo Dourado». Mas o senhor da guerra apresenta-se como um nacionalista shan, em combate com o Estado birmanês pela independência shan. Sobre as acusações de narcotráfico, responde candidamente que apenas se limita a deixar passar os traficantes de ópio pela região que controla, a troco de um imposto que serve para financiar o seu combate.</P>
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Na verdade, porém, esta defesa de Khun Sa não é levada a sério por ninguém, muito menos a sua tentativa de se equiparar aos rebeldes da etnia karen, que há muitos anos travam luta contra os militares de Rangum.</P>
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Esse combate sofreu esta semana um dos mais sérios reveses de sempre, quando os rebeldes karen perderam o seu último reduto em solo birmanês, a base de Kawmoora.</P>
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Fazendo eco de relatos da resistência, o empresário Istanbulyan disse ao PÚBLICO que Kawmoora foi evacuada depois de ter estado durante semanas sob intenso fogo de artilharia birmanesa.</P>
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Os karen indicaram que os seus mil homens em Kawmoora foram também alvo de obuses químicos que causaram vómitos e desmaios. Um militar tailandês afirmou, porém, à agência Reuter que, após investigar estas alegações, os seus homens não tinham conseguido provar a utilização de armas químicas.</P>
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Os defensores da base karen retiraram-se para a Tailândia, atravessando o rio Mui, e aí foram desarmados pelo Exército tailandês e «devolvidos» à Birmânia, a território ainda em poder da sua guerrilha.</P>
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Istanbulyan disse ao PÚBLICO que o número de refugiados karen na Tailândia «ronda neste momento os 80 mil, apenas apoiados por algumas organizações humanitárias». O empresário fez questão de realçar que «a sua permanência em território tailandês revela a atitude humana e tolerante da Tailândia que, baluarte democrático na região, nunca tem travado fluxos de refugiados de países vizinhos».</P>
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A derrota karen em Kawmoora seguiu-se à perda, em 26 de Janeiro, do que era até então a sua capital, Manerplaw. As populações karen que fugiram estão instaladas em campos improvisados a cerca de 500 metros da fronteira.</P>
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Os resistentes karen, segundo Istanbulyan, acusam o Exército birmanês de, «repetidamente, nas últimas duas semanas, bombardear com artilharia pesada e morteiros estes campos, matando civis e violando escandalosamente a soberania do território tailandês».</P>
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Curiosamente, as autoridades birmanesas parecem apostadas em camuflar a sua operação militar contra os karen. Esta semana, por exemplo, asseguraram que o assalto a Kawmoora não foi obra do seu Exército, mas sim de um grupo dissidente budista dos karen.</P>
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A União Nacional Karen tem uma componente maioritariamente cristã, e o grupo assaltante, segundo Rangum, seria o Exército Democrático Budista Kayin, uma dissidência.</P>
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Esta alegação é rejeitada liminarmente pelos karen e pelos militares tailandeses: para ambos, não há dúvidas de que a operação foi realizada pelo Exército do regime, o mesmo que mantém sob prisão domiciliária, vai para três anos, a nobel da Paz Aung San Suu Kyi.</P>
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<DOC DOCID="cha-93988">
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Grande Prémio de San Marino de Fórmula 1</P>
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O dia da morte de Ratzenberger</P>
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Do nosso enviado</P>
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Manuel Abreu, em Ímola</P>
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Roland Ratzenberger morreu ontem, depois de bater a cerca de 300 km/h nos treinos de qualificação para o GP de S. Marino. Williams, Benetton, Sauber e Simtek não voltaram à pista, enquanto aumentavam as críticas às condições de segurança do circuito de Ímola. Para a corrida de hoje, Senna parte na frente.</P>
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O austríaco Roland Ratzenberger, 31 anos, morreu ontem no hospital Principal de Bolonha, depois de se ter despistado e batido contra um muro de protecção, a cerca de 300 km/h, durante o segundo treino de qualificação para o Grande Prémio de S. Marino, a terceira prova do «Mundial» de Fórmula 1 de 1994. Este é o primeiro acidente mortal durante um GP de F.1 desde 1982, ano em que morreram Gilles Villeneuve (treinos para o GP da Bélgica) e Riccardo Paletti (partida do GP do Canadá).</P>
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O piloto da Simtek-Ford tinha-se estreado este ano na F.1, não conseguindo qualificar-se para o GP do Brasil, mas cumprindo todo o GP do Pacífico, onde terminou no 11º lugar. Ontem, ocupava o 25º lugar da grelha provisória quando saiu para a pista à procura de um melhor tempo, acabando por não resistir às várias paragens cardíacas que sofreu após o acidente. Ratzenberger iniciava a aproximação à curva Villeneuve quando perdeu o controlo do seu monolugar -- terá ficado sem apoio aerodinâmico quando, presume-se, se soltou uma parte da asa da frente --, embatendo violentamente num muro de protecção, quase de frente.</P>
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Quando o carro se imobilizou, o piloto austríaco estava já inconsciente, sendo assistido pelos médicos presentes no local, que de seguida iniciaram uma série de massagens cardíacas. Um pouco mais de vinte minutos mais tarde, já depois de ter passado pela enfermaria do circuito, Ratzenberger foi transportado num helicóptero-ambulância para o hospital Principal de Bolonha, onde morreu oito minutos depois da entrada.</P>
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Natural de Salzburgo, solteiro, o piloto austríaco tinha começado a sua carreira pela F. Ford, em 1983, passando depois pela F. 3, F. 3000 e Turismo, mas considerava como experiência mais importante os seus primeiros testes com um monolugar de F. 1 -- neste mesmo circuito Enzo e Dino Ferrari.</P>
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Segurança posta em causa</P>
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Após o acidente, e ainda antes que fosse conhecido o seu trágico desfecho, várias equipas decidiram não voltar à pista para completar o treino de qualificação (uma hora), interrompido aos 18 minutos. Cerca de 45 minutos mais tarde, os restantes pilotos puderam então regressar à luta por um lugar na grelha, mas não sem que antes fossem levantadas algumas questões quanto às actuais condições de segurança do circuito de Ímola e dos próprios monolugares de F.1. De acordo com alguns especialistas, os carros de F.1 precisam de um sector deformável na sua estrutura, para evitar que o corpo do piloto absorva toda a energia libertada em caso de embate.</P>
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O piloto brasileiro esteve ontem no circuito, e hoje deve assistir à corrida na «boxe» da Jordan. Já sorridente, Rubinho tinha ainda bem visíveis as marcas dos ferimentos -- cortes no rosto, o nariz partido, para além de uma costela fracturada. De acordo com o médico que o assistiu no hospital de Bolonha, o piloto brasileiro precisa de 25 dias para recuperar -- o que o deixaria de fora o GP do Mónaco, a disputar no próximo dia 15, e traria um novo problema para a equipa, que já tem Andrea de Cesaris a substituir Eddie Irvine, suspenso até ao dia 16.</P>
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«Pole» para Senna</P>
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O acidente de Ratzenberger condicionou grande parte dos treinos, quer porque algumas equipas decidiram não voltar à pista, quer pela reacção de alguns pilotos e técnicos. O piloto austríaco, embora há pouco tempo no «circo», tinha já feito muitos amigos.</P>
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Como nas duas corridas anteriores, Ayrton Senna parte da «pole-position» (com o tempo de sexta-feira, já que ontem não chegou a rodar), tendo a seu lado na primeira linha o alemão Michael Schumacher (que entrou também no segundo 21).</P>
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Da segunda fila partem Gerhard Berger e Damon Hill, com JJ Lehto e Nicola Larini a fechar o grupo dos seis primeiros -- onde estão os dois Williams, os dois Benetton e os dois Ferrari. Destaque ainda para a boa colocação dos dois Sauber Mercedes, com Frentzen (que só fez o treino de qualificação de sexta-feira) no sétimo lugar e Wendlinger no 10º posto.</P>
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De acordo com os tempos obtidos nas duas sessões de qualificação, ficam de fora deste GP de S. Marino Rubens Barrichello (Jordan-Hart) e Paul Belmondo (Pacific-Ilmor). No entanto, aguardava-se que a Simtek-Ford retirasse a inscrição de Ratzenberger na corrida, o que abriria lugar para a primeira participação de Belmondo no «Mundial» deste ano.</P>
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<DOC DOCID="cha-86514">
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Crianças sem mãos na Alemanha</P>
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A oposição social-democrata alemã (SPD) pediu ontem ao Governo um relatório sobre o número anormalmente alto de bebés nascidos sem mãos nos últimos anos perto das costas do Mar do Norte. Os casos, noticiados esta semana pela estão de televisão ARD, «são tão assustadores que o Bundestag [parlamento] deve informar-se os mais depressa possível sobre este assunto e descobrir-lhe as causas», declarou o porta-voz para o ambiente do grupo parlamentar do SPD, Michael Mueller. O SPD pretende a criação de um registo nacional de recenseamento dos casos de doenças cancerosas e outras doenças graves «para evitar que casos similares não venham a ser dissimulados do futuro», acrescentou, em comunicado. A televisão pública ARD revelou quarta-feira ter encontrado 20 casos de crianças vítimas de malformações nos braços e das mãos ao longo das costas do Mar do Norte, um terço dos quais na região industrial de Wilhesmshaven.</P>
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Presos mais raptores 
