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<title>Ficção</title>
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<div id="wx_article">
<wx:section level="1" title="Ficção" id="wxsec1"><h1 class="pagetitle" id="wx1">Ficção</h1>

<p id="wx2"><b id="wx3">Ficção</b> é o termo usado para descrever obras (de <a href="/wpt/Arte" title="Arte" wx:linktype="known" wx:pagename="Arte" wx:page_id="310" id="wx4">arte</a>) criadas a partir da imaginação. Em contraste, à não-ficção reivindica ser factual sobre a <a href="/wpt/Realidade" title="Realidade" wx:linktype="known" wx:pagename="Realidade" wx:page_id="58335" id="wx5">realidade</a>. Obras ficcionais podem ser parcialmente baseadas em fatos reais, mas sempre contêm conteúdo imaginário.</p>

<p id="wx6">No <a href="/wpt/Cinema" title="Cinema" wx:linktype="known" wx:pagename="Cinema" wx:page_id="523" id="wx7">cinema</a>, ficção é o <a href="/wpt/G%C3%A9nero" title="Género" wx:linktype="known" wx:pagename="Género" wx:page_id="1455908" id="wx8">género</a> que se opõe a <a href="/wpt/Document%C3%A1rio" title="Documentário" wx:linktype="known" wx:pagename="Documentário" wx:page_id="93348" id="wx9">documentário</a>.</p>

<p id="wx10"><br id="wx11"/>
</p>

<div id="wx_toc"/>

<a id="Defini.C3.A7.C3.A3o" name="Defini.C3.A7.C3.A3o"/>
<wx:section level="2" title="Definição" id="wxsec2"><h2 id="wx12">Definição</h2>

<p id="wx13">É um tanto difícil estabelecer limites sobre o que pode ser ficcional, e o que pode ser uma “interpretação real”. A <i id="wx14">Enciclopédia Larousse</i> define ficção como “ato ou efeito de simular, fingimento; criação do imaginário, aquilo que pertence à imaginação, ao irreal; fantasia, invenção”.</p>

<p id="wx15">Se ficções forem quaisquer produções humanas que representem a realidade sem, contudo, interferir materialmente nela, então qualquer <a href="/wpt/An%C3%A1lise_do_discurso" title="Análise do discurso" wx:linktype="known" wx:pagename="Análise_do_discurso" wx:page_id="12942" id="wx16">discurso</a> — melhor, qualquer expressão de <a href="/wpt/Linguagem" title="Linguagem" wx:linktype="known" wx:pagename="Linguagem" wx:page_id="30071" id="wx17">linguagem</a> — seria uma ficção. Mas, como já dito, a ficção aqui focada é a artística, especialmente a expressada pelos <a href="/wpt/M%C3%ADdia" title="Mídia" wx:linktype="known" wx:pagename="Mídia" wx:page_id="126098" id="wx18">meios audiovisuais</a> (<a href="/wpt/Cinema" title="Cinema" wx:linktype="known" wx:pagename="Cinema" wx:page_id="523" id="wx19">cinema</a>, <a href="/wpt/Televis%C3%A3o" title="Televisão" wx:linktype="known" wx:pagename="Televisão" wx:page_id="1794" id="wx20">televisão</a>, <a href="/wpt/V%C3%ADdeo" title="Vídeo" wx:linktype="known" wx:pagename="Vídeo" wx:page_id="14266" id="wx21">vídeo</a>). Certamente há mais campo de trabalho sobre ficção na <a href="/wpt/Literatura" title="Literatura" wx:linktype="known" wx:pagename="Literatura" wx:page_id="1124" id="wx22">literatura</a>, na <a href="/wpt/Poesia" title="Poesia" wx:linktype="known" wx:pagename="Poesia" wx:page_id="14822" id="wx23">poesia</a>, no <a href="/wpt/Teatro" title="Teatro" wx:linktype="known" wx:pagename="Teatro" wx:page_id="12300" id="wx24">drama teatral</a>.</p>

<a id="Defini.C3.A7.C3.A3o_2" name="Defini.C3.A7.C3.A3o_2"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Definição 2" id="wxsec3"><h2 id="wx25">Definição 2</h2>

<p id="wx26">Ficção é tudo aquilo que é, em maior ou menor parte, divorciado da realidade. E isso não acontece apenas nas artes. Em nosso dia a dia, existem muitas coisas nas quais acreditamos e que somos capazes de defender, e que na realidade são ficções. Veja-se por exemplo, nossas crenças sobre o após morte e outras tantas de nosso dia a dia. Na verdade nem sempre é fácil determinarmos os limites entre a sanidade e a esquizofrenia.</p>

<a id="Por_que_o_Homem_produz_fic.C3.A7.C3.A3o.3F" name="Por_que_o_Homem_produz_fic.C3.A7.C3.A3o.3F"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Por que o Homem produz ficção?" id="wxsec4"><h2 id="wx27">Por que o Homem produz ficção?</h2>

<p id="wx28">Por que fazemos ficção? Por que criamos ilusões de realidades, espaços e pessoas inexistentes para contar histórias que nunca aconteceram? Por que produzimos imagens que não se encontram na natureza, de forma a materializar visualmente as idéias que temos na cabeça? Por que escrevemos <a href="/wpt/Roteiros" title="Roteiros" wx:linktype="known" wx:pagename="Roteiros" wx:page_id="1577586" id="wx29">roteiros</a>, filmamos e editamos <a href="/wpt/Fotografia" title="Fotografia" wx:linktype="known" wx:pagename="Fotografia" wx:page_id="886" id="wx30">fotografia</a>, <a href="/wpt/Cinema" title="Cinema" wx:linktype="known" wx:pagename="Cinema" wx:page_id="523" id="wx31">cinema</a> e <a href="/wpt/V%C3%ADdeo" title="Vídeo" wx:linktype="known" wx:pagename="Vídeo" wx:page_id="14266" id="wx32">vídeo</a>?</p>

<p id="wx33">O <a href="/wpt/Homem" title="Homem" wx:linktype="known" wx:pagename="Homem" wx:page_id="13431" id="wx34">Homem</a> é o único animal que produz ficção. É o único ser vivo que cria uma aparência de realidade para enganar a si próprio ou a seus similares. Todos os outros seres interagem com a realidade material, e apenas com ela — enquanto o Homem, não satisfeito em alterá-la, procura também criar uma espécie de nova realidade: a ficção. Ali, o Homem é capaz de moldar o ambiente e seus elementos, de acordo com sua vontade.</p>

<p id="wx35">Mas o Homem, também, é o animal que sonha. Que, quando dorme, cria suas próprias versões da realidade, em situações nas quais pode realizar seus desejos. O Homem pega as experiências que vivenciou ou presenciou recentemente (<b id="wx36">restos diurnos</b>) e cria alegorias para camuflar o que seu inconsciente mais deseja expressar: o seu desejo. O <a href="/wpt/Sonho" title="Sonho" wx:linktype="known" wx:pagename="Sonho" wx:page_id="75518" id="wx37">sonho</a> fornece a possibilidade de realizar o desejo numa realidade que não terá maiores conseqüências — algumas horas depois, o Homem vai acordar e dizer que “tudo não passou de um sonho”.</p>

<p id="wx38">Da mesma forma, a ficção cria um espaço <a href="/wpt/Simula%C3%A7%C3%A3o" title="Simulação" wx:linktype="known" wx:pagename="Simulação" wx:page_id="49527" id="wx39">simulador</a> de realidade que não tem maiores conseqüências para além de sua fronteira. Ao terminar a sessão, “tudo não passou de um filme”. Tanto em sonho quanto em ficção, tudo que experimentamos foi a percepção de imagens e sons cujo sentido só existe em nossas mentes. E na ficção o Homem repete conscientemente o que o inconsciente faz no sonho: criar um mundo para efetuar desejos.</p>

<p id="wx40">Nesta lógica, parece inevitável concluir que a capacidade humana de fazer ficção é conseqüência da sua faculdade de sonhar — que a construção de um espaço ficcional deriva da experiência onírica. Ou seja, a ficção existe porque o homem sonha. No entanto, essa afirmativa tão categórica e simplista poderia descartar inúmeras outras formas de interação com a realidade. Ainda assim, o primeiro contato que o Homem terá com uma experiência não-real e não-material será o seu próprio sonho. A partir disso, todo filme, toda <a href="/wpt/Novela" title="Novela" wx:linktype="known" wx:pagename="Novela" wx:page_id="38195" id="wx41">novela</a>, toda invenção será um sonho que se sonha acordado.</p>

<a id="Fic.C3.A7.C3.A3o_x_Realidade" name="Fic.C3.A7.C3.A3o_x_Realidade"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Ficção x Realidade" id="wxsec5"><h2 id="wx42">Ficção x Realidade</h2>

<p id="wx43">Ao longo da história do pensamento humano, a <a href="/wpt/Filosofia" title="Filosofia" wx:linktype="known" wx:pagename="Filosofia" wx:page_id="844" id="wx44">Filosofia</a>, a Teoria da <a href="/wpt/Arte" title="Arte" wx:linktype="known" wx:pagename="Arte" wx:page_id="310" id="wx45">Arte</a> e a <a href="/wpt/Teoria_da_Comunica%C3%A7%C3%A3o" title="Teoria da Comunicação" wx:linktype="known" wx:pagename="Teoria_da_Comunicação" wx:page_id="132603" id="wx46">Teoria da Comunicação</a> vêm estudando a questão de como delimitar a fronteira entre <b id="wx47">ficção</b> e <a href="/wpt/Realidade" title="Realidade" wx:linktype="known" wx:pagename="Realidade" wx:page_id="58335" id="wx48">realidade</a>. É a camuflagem do limite entre representação e realidade que dá início e sentido ao problema. O observador de um <a href="/wpt/Pintura" title="Pintura" wx:linktype="known" wx:pagename="Pintura" wx:page_id="1547" id="wx49">quadro</a>, ainda que fosse pintado com a mais precisa técnica de “realismo”, não era “enganado”, pois sabia que estava vendo um quadro. A <a href="/wpt/Fotografia" title="Fotografia" wx:linktype="known" wx:pagename="Fotografia" wx:page_id="886" id="wx50">fotografia</a>, ainda que fosse alegadamente a captação mais fiel da realidade, não se confundia com ela, para o observador, por ser <a href="/wpt/Imagem" title="Imagem" wx:linktype="known" wx:pagename="Imagem" wx:page_id="13484" id="wx51">imagem</a> estática. Mas o <a href="/wpt/Cinema" title="Cinema" wx:linktype="known" wx:pagename="Cinema" wx:page_id="523" id="wx52">cinema</a>, pela a transposição acelerada de fotogramas, causa a ilusão de movimento, o que amplia a sensação de “realismo” da imagem reproduzida, mais ainda com o advento posterior das <a href="/wpt/Cor" title="Cor" wx:linktype="known" wx:pagename="Cor" wx:page_id="13310" id="wx53">cores</a> (já que o preto-e-branco seria uma forma de diferenciar da visão “real” humana).</p>

<p id="wx54">É essa opção que gera um problema de linguagem para o audiovisual. Se nenhuma imagem é o real, como transmitir o real? A afirmação de que "mesmo na realidade da imagens há muita ficção" (Ivete Lara C. Walty, “O Que É Ficção”), na medida em que condena toda produção audiovisual (mesmo aquela pretensamente “documental”) ao status de ficção, nega-lhes a confiabilidade e veracidade anteriormente conferidas. O problema de linguagem passa a ser “como contar a verdade?”.</p>

<a id="T.C3.B3picos_Relacionados" name="T.C3.B3picos_Relacionados"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Tópicos Relacionados" id="wxsec6"><h2 id="wx55">Tópicos Relacionados</h2>

<ul id="wx56">
<li id="wx57"><a href="/wpt/Arte" title="Arte" wx:linktype="known" wx:pagename="Arte" wx:page_id="310" id="wx58">Arte</a></li>

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