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<title>Franklin Vilas Boas</title>
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<div id="wx_article">
<wx:section level="1" title="Franklin Vilas Boas" id="wxsec1"><h1 class="pagetitle" id="wx1">Franklin Vilas Boas</h1>

<p id="wx2"><b id="wx3">Franklin Vilas Boas</b> (<a href="/wpt/Esposende" title="Esposende" wx:linktype="known" wx:pagename="Esposende" wx:page_id="9988" id="wx4">Esposende</a>, <a href="/wpt/1_de_Mar%C3%A7o" title="1 de Março" wx:linktype="known" wx:pagename="1_de_Março" wx:page_id="10830" id="wx5">1 de Março</a> de <a href="/wpt/1919" title="1919" wx:linktype="known" wx:pagename="1919" wx:page_id="14034" id="wx6">1919</a> — Esposende, <a href="/wpt/23_de_Abril" title="23 de Abril" wx:linktype="known" wx:pagename="23_de_Abril" wx:page_id="8058" id="wx7">23 de Abril</a> de <a href="/wpt/1968" title="1968" wx:linktype="known" wx:pagename="1968" wx:page_id="11494" id="wx8">1968</a>) foi engraxador de profissão, dedicou grande parte da sua vida à <a href="/wpt/Escultura" title="Escultura" wx:linktype="known" wx:pagename="Escultura" wx:page_id="777" id="wx9">escultura</a>: representações humanas, <a href="/wpt/%C3%8Dcone" title="Ícone" wx:linktype="known" wx:pagename="Ícone" wx:page_id="121817" id="wx10">ícones</a> religiosos, figuras zoomórficas de natureza fantástica. É considerado um dos maiores e mais originais representantes da arte popular portuguesa, utilizando como matéria privilegiada de expressão a madeira.</p>

<a id="Biografia" name="Biografia"/>
<wx:section level="2" title="Biografia" id="wxsec2"><h2 id="wx11">Biografia</h2>

<p id="wx12">Inscrito no <a href="/wpt/Registo_civil" title="Registo civil" wx:linktype="known" wx:pagename="Registo_civil" wx:page_id="218337" id="wx13">registo civil</a> como <i id="wx14">Fanklim Martins Ribeiro</i>, era "filho de namoro" (filho ilegítimo) de Maria da Soledade Vilas Boas Neto e de Quintino Martins Ribeiro. O seu pai, <a href="/wpt/Imigra%C3%A7%C3%A3o_portuguesa_no_Brasil" title="Imigração portuguesa no Brasil" wx:linktype="known" wx:pagename="Imigração_portuguesa_no_Brasil" wx:page_id="97372" id="wx15">emigrante no Brasil</a> durante alguns anos, figura como «pedreiro» no registo de nascimento do filho, como «artista» no seu assento de baptismo e como «canteiro» na designação do investigador e crítico de arte <a href="/wpt/Ernesto_de_Sousa" title="Ernesto de Sousa" wx:linktype="known" wx:pagename="Ernesto_de_Sousa" wx:page_id="557452" id="wx16">Ernesto de Sousa</a>, que visita Franklin Vilas Boas e divulga o seu trabalho artístico em meados dos anos sessenta. «Canteiro» e «lavrista» (artes de escultura funerária) são os termos usados pelo filho mais velho de Franklin para referir a actividade paterna. A mãe de Franklin trabalha regularmente na cidade do <a href="/wpt/Porto" title="Porto" wx:linktype="known" wx:pagename="Porto" wx:page_id="1528" id="wx17">Porto</a> como criada de servir. São gente pobre. Um conterrâneo do artista refere, a propósito das tradições de vida das gentes locais, em grande parte pescadores, que «não havia uma casa em Esposende que não tivesse um barco veleiro de três mastros feitos à navalha».</p>

<p id="wx18">Instruido pelo pai, que não hesita em aplicar na formação do filho uma <a href="/wpt/Pedagogia" title="Pedagogia" wx:linktype="known" wx:pagename="Pedagogia" wx:page_id="90433" id="wx19">pedagogia</a> dura e muitas vezes violenta, Franklin Vilas Boas, analfabeto, aprende o ofício da <a href="/wpt/Alvenaria" title="Alvenaria" wx:linktype="known" wx:pagename="Alvenaria" wx:page_id="109527" id="wx20">alvenaria</a>, esculpindo a pedra. Mas, seja por que motivo for, por não gostar desse material ou por ter um braço defeituoso, Franklin prefere trabalhar com madeira, «não sem esforço», opção que o afasta da tradição familiar e do trabalho de alvenaria, típico do <a href="/wpt/Artesanato" title="Artesanato" wx:linktype="known" wx:pagename="Artesanato" wx:page_id="339" id="wx21">artesanato</a> local.</p>

<p id="wx22">Com um modo de ser conflituoso, por certo devido à influência paterna, Franklin ganha a vida, durante uma boa parte dos anos cinquenta, trabalhando numa bomba de gasolina e vendendo aos clientes umas caixinhas de papelão primorosamente decoradas. Começa a ser frequentado por certos coleccionadores que descobrem a sua obra. Chama-lhes «doutores» e inibe-se de demonstrar perante eles o seu mau feitio, agravado por algum excesso de bebida. O grande evento que lhe concede o estatuto de “artista” é um artigo do <i id="wx23">Diário Popular</i> de <a href="/wpt/1966" title="1966" wx:linktype="known" wx:pagename="1966" wx:page_id="11496" id="wx24">1966</a>. A propósito da reviravolta ele confessa: «Sabe, foi de repente. Foi como se alguém me tivesse tocado no coração e na cabeça. Foi de um dia para o outro, da noite para o dia. Eu julgo que foi a inteligência que começou a subir para o cérebro». Tendo decididamente recusado a pedra, inicia a sua experimentação artística com o chumbo (estátua de <a href="/wpt/Ant%C3%B3nio_Correia_d%27Oliveira" title="António Correia d'Oliveira" wx:linktype="known" wx:pagename="António_Correia_d'Oliveira" wx:page_id="356500" id="wx25">António Correia d'Oliveira</a>, exposta na praça do município de <a href="/wpt/Esposende" title="Esposende" wx:linktype="known" wx:pagename="Esposende" wx:page_id="9988" id="wx26">Esposende</a>). Depois explora o marfim e acaba por se fixar na madeira. Aos domingos, engraxa sapatos para ganhar a vida. Nas horas de lazer entretém-se a esculpir à navalha as «canhotas», as raízes que as enchentes do rio <a href="/wpt/C%C3%A1vado" title="Cávado" wx:linktype="known" wx:pagename="Cávado" wx:page_id="41863" id="wx27">Cávado</a> lançam na praia, retirando-lhes o que lhe parece estar «a mais». Parte da obra criada, em vez de vendida, é trocada por géneros.</p>

<p id="wx28">Um arquitecto de <a href="/wpt/Lisboa" title="Lisboa" wx:linktype="known" wx:pagename="Lisboa" wx:page_id="1165" id="wx29">Lisboa</a>, que se apercebe da qualidade do seu trabalho, vai-lhe fazendo algumas encomendas e Franklin começa a ser conhecido nos meios cultos da capital. <a href="/wpt/Ernesto_de_Sousa" title="Ernesto de Sousa" wx:linktype="known" wx:pagename="Ernesto_de_Sousa" wx:page_id="557452" id="wx30">Ernesto de Sousa</a> visita-o e mantém com ele correspondência regular. A correspondência trocada no ano de <a href="/wpt/1964" title="1964" wx:linktype="known" wx:pagename="1964" wx:page_id="11498" id="wx31">1964</a> revela a preocupação de <a href="/wpt/Ernesto_de_Sousa" title="Ernesto de Sousa" wx:linktype="known" wx:pagename="Ernesto_de_Sousa" wx:page_id="557452" id="wx32">Ernesto de Sousa</a> pelos métodos de trabalho do artista, recomendando-lhe que não importa que as suas esculturas pareçam antigas, sendo mais importante que se revelem como «espelho do seu talento». Nesse ano, tem lugar em Lisboa uma exposição na <i id="wx33">Galeria Divulgação</i> organizada pelas associações de estudantes universitários, intitulada <i id="wx34">Barristas e Imaginários - quatro artistas populares do Norte</i>. São eles <a href="/wpt/Rosa_Ramalho" title="Rosa Ramalho" wx:linktype="known" wx:pagename="Rosa_Ramalho" wx:page_id="328109" id="wx35">Rosa Ramalho</a>, <a href="/wpt/Mist%C3%A9rio" title="Mistério" wx:linktype="known" wx:pagename="Mistério" wx:page_id="125610" id="wx36">Mistério</a>, Franklin e o seu irmão Quintino, que trabalha no mesmo ofício. Nessa exposição, que termina no mês de Junho, <a href="/wpt/Ernesto_de_Sousa" title="Ernesto de Sousa" wx:linktype="known" wx:pagename="Ernesto_de_Sousa" wx:page_id="557452" id="wx37">Ernesto de Sousa</a> dá uma conferência intitulada «Arte Popular Portuguesa», cujo catálogo inclui imagens das obras dos artistas expostos. Vários jornais divulgam o evento: <i id="wx38">Diário de Notícias</i> (24 de Maio), <i id="wx39">Jornal de Artes e Letras</i> (27 de Maio) e <i id="wx40">Jornal de Notícias</i> (6 de Junho). Franklin desloca-se a Lisboa para participar com obras suas em exposições de artesanato (Lisboa e <a href="/wpt/Estoril" title="Estoril" wx:linktype="known" wx:pagename="Estoril" wx:page_id="8250" id="wx41">Estoril</a>), ideia do seu amigo arquitecto que, para lhe fazer chegar às mãos algum pecúlio, tenta entretanto vender obras suas a amigos e conhecidos.</p>

<p id="wx42">É inaugurada a trinta de Março de <a href="/wpt/1968" title="1968" wx:linktype="known" wx:pagename="1968" wx:page_id="11494" id="wx43">1968</a> (mantendo-se até dezassete de Abril) no <i id="wx44">Centro Académico de Famalicão</i> uma exposição intitulada «Quintino e Franklin Vilas Boas». No catálogo dessa exposição <a href="/wpt/Ernesto_de_Sousa" title="Ernesto de Sousa" wx:linktype="known" wx:pagename="Ernesto_de_Sousa" wx:page_id="557452" id="wx45">Ernesto de Sousa</a> sublinha a necessidade de manter vivo o interesse pelo trabalho desses dois artistas. Franklin congratula-se por conseguir vender uma quantidade importante das suas obras. A exposição é referida pelo jornal <i id="wx46">A Capital</i> de dezassete de Abril.</p>

<p id="wx47">Franklin Vilas Boas sucumbe dias depois, após o encerramento da exposição, quando é atropelado na sua motorizada pelo automóvel de um comerciante do <a href="/wpt/Porto" title="Porto" wx:linktype="known" wx:pagename="Porto" wx:page_id="1528" id="wx48">Porto</a>.</p>

<p id="wx49">Uma grande exposição sobre a obra de Franklin Vilas Boas, intitulada <i id="wx50">Onde mora o Frankiln?, um escultor do acaso</i>, é organizada em Lisboa pelo <i id="wx51">Museu Nacional de Etnologia</i> em Dezembro de <a href="/wpt/1994" title="1994" wx:linktype="known" wx:pagename="1994" wx:page_id="11368" id="wx52">1994</a>. A exposição reúne obras do autor pertencentes a quarenta e dois coleccionadores privados. O catálogo dessa exposição, coordenada pelo director do museu, o <a href="/wpt/Etn%C3%B3logo" title="Etnólogo" wx:linktype="known" wx:pagename="Etnólogo" wx:page_id="620892" id="wx53">etnólogo</a> Joaquim Pais de Brito, inclui textos seus, de Ernesto de Sousa, Paulo Freire da Costa e Rita Sá Marques. O catálogo inclui numerosas fotografias das esculturas de Franklin.</p>

<a id="Obra" name="Obra"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Obra" id="wxsec3"><h2 id="wx54">Obra</h2>

<p id="wx55">A obra de Franklin Vilas Boas assenta em matérias constituídas por</p>

<ul id="wx56">
<li id="wx57"><b id="wx58">madeiras da terra</b>
<p id="wx59">(restos de troncos de árvore recolhidos no campo ou madeiras adquiridas, mais nobres), que servem para aludir a «<a href="/wpt/Tema" title="Tema" wx:linktype="known" wx:pagename="Tema" wx:page_id="311140" id="wx60">temas</a>, <a href="/wpt/Tipo" title="Tipo" wx:linktype="known" wx:pagename="Tipo" wx:page_id="154910" id="wx61">tipos</a>, <a href="/wpt/Forma" title="Forma" wx:linktype="known" wx:pagename="Forma" wx:page_id="175290" id="wx62">formas</a> estáveis»,</p>
</li>
</ul>

<ul id="wx63">
<li id="wx64"><b id="wx65">madeiras do mar</b>
<p id="wx66">(raízes ou destroços de madeira recolhidos na praia), que são bons para representar «temas instáveis da mais evidente invenção» - (<a href="/wpt/Ernesto_de_Sousa" title="Ernesto de Sousa" wx:linktype="known" wx:pagename="Ernesto_de_Sousa" wx:page_id="557452" id="wx67">Ernesto de Sousa</a>)..</p>
</li>
</ul>

<p id="wx68">Esses objectos informes são a base, o ponto de partida para o encontro, no processo criativo, da matéria com o <a href="/wpt/Imagin%C3%A1rio" title="Imaginário" wx:linktype="known" wx:pagename="Imaginário" wx:page_id="620786" id="wx69">imaginário</a>. Ao retirar deles o que é supérfluo, Franklin Vilas Boas procura criar o movimento potencial que neles vislumbra, traduzindo-o numa forma de equilíbrio que ele designa como «cadença», o movimento que ele acaba por traduzir na <a href="/wpt/Postura" title="Postura" wx:linktype="known" wx:pagename="Postura" wx:page_id="425446" id="wx70">postura</a>, no <a href="/wpt/Gesto" title="Gesto" wx:linktype="known" wx:pagename="Gesto" wx:page_id="200016" id="wx71">gesto</a> ou na <a href="/wpt/Express%C3%A3o" title="Expressão" wx:linktype="known" wx:pagename="Expressão" wx:page_id="221812" id="wx72">expressão</a> da figura talhada a formão, goiva ou navalha, movimento esse que se torna a essência da obra concluída, a sua <i id="wx73">alma</i>.</p>

<p id="wx74">Essas figuras são</p>

<ul id="wx75">
<li id="wx76"><b id="wx77">híbridas</b>
<p id="wx78">(homem-animal ou animal fantástico partilhando elementos de outro ser)</p>
</li>

<li id="wx79"><b id="wx80">humanas</b>
<p id="wx81">(mulheres com mantos e homens barbudos)</p>
</li>

<li id="wx82"><b id="wx83">deuses</b>
<p id="wx84">(divindades míticas, deformadas pelo gosto do escultor)</p>
</li>

<li id="wx85"><b id="wx86">santos</b>
<p id="wx87">(ícones de <a href="/wpt/Cristo" title="Cristo" wx:linktype="known" wx:pagename="Cristo" wx:page_id="9788" id="wx88">Cristo</a>, de <a href="/wpt/S._Pedro" title="S. Pedro" wx:linktype="known" wx:pagename="S._Pedro" wx:page_id="228677" id="wx89">S. Pedro</a>, de <a href="/wpt/Santo_Ant%C3%B3nio" title="Santo António" wx:linktype="known" wx:pagename="Santo_António" wx:page_id="17960" id="wx90">Santo António</a>, de <a href="/wpt/Nossa_Senhora" title="Nossa Senhora" wx:linktype="known" wx:pagename="Nossa_Senhora" wx:page_id="51991" id="wx91">Nossa Senhora</a>, do <a href="/wpt/Menino_Jesus" title="Menino Jesus" wx:linktype="known" wx:pagename="Menino_Jesus" wx:page_id="620898" id="wx92">Menino Jesus</a> e outros).</p>
</li>

<li id="wx93"><b id="wx94">animais</b>
<p id="wx95">(<a href="/wpt/R%C3%A9pteis" title="Répteis" wx:linktype="known" wx:pagename="Répteis" wx:page_id="20480" id="wx96">répteis</a>, <a href="/wpt/Ave" title="Ave" wx:linktype="known" wx:pagename="Ave" wx:page_id="379" id="wx97">aves</a>, <a href="/wpt/Cabra" title="Cabra" wx:linktype="known" wx:pagename="Cabra" wx:page_id="116737" id="wx98">cabras</a>, <a href="/wpt/Monstro" title="Monstro" wx:linktype="known" wx:pagename="Monstro" wx:page_id="51416" id="wx99">monstros</a>).</p>
</li>
</ul>

<p id="wx100">Estas esculturas são mais criação pura ditada pela <a href="/wpt/Imagina%C3%A7%C3%A3o" title="Imaginação" wx:linktype="known" wx:pagename="Imaginação" wx:page_id="157498" id="wx101">imaginação</a> que representações convencionais, mesmo quando se referem a <a href="/wpt/S%C3%ADmbolo" title="Símbolo" wx:linktype="known" wx:pagename="Símbolo" wx:page_id="98776" id="wx102">símbolos</a> religiosos ou figuras humanas típicas. Esta vertente onírica do objecto artístico confere-lhe uma espessura <a href="/wpt/Surrealista" title="Surrealista" wx:linktype="known" wx:pagename="Surrealista" wx:page_id="210239" id="wx103">surrealista</a>. Os «Senhores», homens austeros e barbudos, são representações tradicionais dos <a href="/wpt/Canteiro" title="Canteiro" wx:linktype="known" wx:pagename="Canteiro" wx:page_id="621238" id="wx104">canteiros</a> populares e <a href="/wpt/Ceramista" title="Ceramista" wx:linktype="known" wx:pagename="Ceramista" wx:page_id="556194" id="wx105">ceramistas</a>, tradição essa proveniente da <a href="/wpt/Antiguidade" title="Antiguidade" wx:linktype="known" wx:pagename="Antiguidade" wx:page_id="15078" id="wx106">antiguidade</a> pré-românica. No caso de Franklin, essas figuras esculpidas fazem lembrar <a href="/wpt/Busto" title="Busto" wx:linktype="known" wx:pagename="Busto" wx:page_id="528115" id="wx107">bustos</a> <a href="/wpt/Hel%C3%A9nico" title="Helénico" wx:linktype="known" wx:pagename="Helénico" wx:page_id="620804" id="wx108">helénicos</a> e são provavelmente influência da <a href="/wpt/Estatu%C3%A1ria" title="Estatuária" wx:linktype="known" wx:pagename="Estatuária" wx:page_id="620895" id="wx109">estatuária</a> religiosa comum na decoração das igrejas, mas algo nelas subverte a provável influência. Quanto às figuras fantásticas, na sua grande parte esculpidas a partir de raízes, onde o <a href="/wpt/Imagin%C3%A1rio" title="Imaginário" wx:linktype="known" wx:pagename="Imaginário" wx:page_id="620786" id="wx110">imaginário</a> impera, se as compararmos com o <a href="/wpt/Besti%C3%A1rio" title="Bestiário" wx:linktype="known" wx:pagename="Bestiário" wx:page_id="220911" id="wx111">bestiário</a> <a href="/wpt/Medieval" title="Medieval" wx:linktype="known" wx:pagename="Medieval" wx:page_id="48462" id="wx112">medieval</a>, facilmente concluímos que são muito menos representações simbólicas que livre e pura <a href="/wpt/Imagina%C3%A7%C3%A3o" title="Imaginação" wx:linktype="known" wx:pagename="Imaginação" wx:page_id="157498" id="wx113">imaginação</a>, característica esta presente também do <a href="/wpt/Besti%C3%A1rio" title="Bestiário" wx:linktype="known" wx:pagename="Bestiário" wx:page_id="220911" id="wx114">bestiário</a> da <a href="/wpt/Idade_M%C3%A9dia" title="Idade Média" wx:linktype="known" wx:pagename="Idade_Média" wx:page_id="1042" id="wx115">Idade Média</a>, onde a carga simbólica no entanto predomina. Esta avaliação é aplicável ainda no caso de <a href="/wpt/Barrista" title="Barrista" wx:linktype="known" wx:pagename="Barrista" wx:page_id="621237" id="wx116">barristas</a> como <a href="/wpt/Rosa_Ramalho" title="Rosa Ramalho" wx:linktype="known" wx:pagename="Rosa_Ramalho" wx:page_id="328109" id="wx117">Rosa Ramalho</a> ou <a href="/wpt/Mist%C3%A9rio" title="Mistério" wx:linktype="known" wx:pagename="Mistério" wx:page_id="125610" id="wx118">Mistério</a>. A originalidade de certos <a href="/wpt/Artista" title="Artista" wx:linktype="known" wx:pagename="Artista" wx:page_id="125448" id="wx119">artistas</a> populares do norte de Portugal é conferida por essa tendência <a href="/wpt/Surrealista" title="Surrealista" wx:linktype="known" wx:pagename="Surrealista" wx:page_id="210239" id="wx120">surrealista</a>, caricatural, muito própria da arte popular portuguesa, mesmo quando de se trata de figuras religiosas.</p>

<p id="wx121">Servindo-se da designação de <a href="/wpt/Almada_Negreiros" title="Almada Negreiros" wx:linktype="known" wx:pagename="Almada_Negreiros" wx:page_id="105949" id="wx122">Almada Negreiros</a>, que se assume como «ingénuo voluntário», Ernesto de Sousa define Franklin Vilas Boas como «ingénuo involuntário». Ser ingénuo, ser <a href="/wpt/Na%C3%AFf" title="Naïf" wx:linktype="known" wx:pagename="Naïf" wx:page_id="178593" id="wx123">naïf</a>, significa para ele «A transcendência que justifica a obra de arte, para lá das grandes promessas sociais, tecnológicas, e científicas do nosso tempo (…)». Trata-se de certo modo de um retorno ao ‘’<a href="/wpt/Para%C3%ADso" title="Paraíso" wx:linktype="known" wx:pagename="Paraíso" wx:page_id="7902" id="wx124">paraíso</a> perdido’’ da <a href="/wpt/Inf%C3%A2ncia" title="Infância" wx:linktype="known" wx:pagename="Infância" wx:page_id="74816" id="wx125">infância</a>, a um universo em que as regras colectivas estão ausentes, a um lugar em que impera um modo de «olhar ingénuo: olhar físico ou <i id="wx126">olhar mental</i>», um estado de <a href="/wpt/Consci%C3%AAncia" title="Consciência" wx:linktype="known" wx:pagename="Consciência" wx:page_id="86473" id="wx127">consciência</a> despojado de <a href="/wpt/Paradigma" title="Paradigma" wx:linktype="known" wx:pagename="Paradigma" wx:page_id="129088" id="wx128">paradigmas</a>, um «<a href="/wpt/Cogito" title="Cogito" wx:linktype="known" wx:pagename="Cogito" wx:page_id="348961" id="wx129">cogito</a> pré-refexivo»: um mundo de «semelhanças selvagens».</p>

<p id="wx130"><br id="wx131"/>
</p>

<a id="Liga.C3.A7.C3.B5es_externas" name="Liga.C3.A7.C3.B5es_externas"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Ligações externas" id="wxsec4"><h2 id="wx132"><wx:template id="wx_t1" pagename="Predefinição:Ligações_externas" page_id="62491"/>Ligações externas<wx:templateend start="wx_t1"/></h2>

<wx:template id="wx_t2" pagename="Predefinição:Wikiquote" page_id="50516"/>
<div class="noprint" style="clear: right; border: solid #aaa 1px; margin: 0 0 1em 1em; font-size: 90%; background: #f9f9f9; width: 250px; padding: 2px; spacing: 2px; text-align: center; float: right;" id="wx133">
<div style="float: left; vertical-align:middle;" id="wx134">
<div class="wx_image" wx:align="none" id="wx135"><a href="/wpt/Imagem:Wikiquote-logo.svg" title="Wikiquote" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Wikiquote-logo.svg" id="wx136"><img src="/wpt/Imagem:Wikiquote-logo.svg" alt="Wikiquote" width="25" id="wx137"/></a></div>
</div>

<div style="margin-left: 30px; line-height:normal; vertical-align:middle;" id="wx138">
<p id="wx139">O <a href="/wpt/Wikiquote" title="Wikiquote" wx:linktype="known" wx:pagename="Wikiquote" wx:page_id="50517" id="wx140">Wikiquote</a> tem uma coleção de citações de ou sobre: <i id="wx141"><b id="wx142"><a href="http://pt.wikiquote.org/wiki/Franklin_Vilas_Boas" class="extiw" title="q:Franklin_Vilas_Boas" wx:linktype="interwiki" wx:pagename="q:Franklin_Vilas_Boas" id="wx143">Franklin Vilas Boas</a></b></i>.</p>
</div>
</div>

<wx:templateend start="wx_t2"/>
<ul id="wx144">
<li id="wx145"><a href="http://ceas.iscte.pt/etnografica/docs/vol_06/N2/Vol_vi_N2_251-280.pdf" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx146">Metamorfoses da Arte Popular: Joaquim de Vasconcelos, Virgílio Correia e Ernesto de Sousa</a>
<p id="wx147">, artigo de João Leal (<a href="/wpt/PDF" title="PDF" wx:linktype="known" wx:pagename="PDF" wx:page_id="3555" id="wx148">PDF</a>).</p>
</li>

<li id="wx149"><a href="http://www.ipmuseus.pt/pt/museus/M24362/TA.aspx" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx150">Museu Nacional de Etnologia</a>
<p id="wx151">.</p>
</li>
</ul>

<p id="wx152"><br id="wx153"/>
<wx:template id="wx_t3" pagename="Predefinição:Biografias" page_id="10343"/>
<br clear="all" id="wx154"/>
</p>

<div class="noprint" align="center" id="wx155">
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