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<title>S.E.M.C.P.</title>
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<div id="wx_article">
<wx:section level="1" title="S.E.M.C.P." id="wxsec1"><h1 class="pagetitle" id="wx1">S.E.M.C.P.</h1>

<p id="wx2"><b id="wx3">S.E.M.C.P.</b> é um termo genérico que pode se referir a diversas correntes artísticas de vanguarda e grupos de ativismo estético. A sigla foi utilizada pela primeira vez pelo grupo de estudo em <a href="/wpt/Psicologia_experimental" title="Psicologia experimental" wx:linktype="known" wx:pagename="Psicologia_experimental" wx:page_id="109598" id="wx4">psicologia experimental</a> <b id="wx5">Sociedade de Estudos Mentais Contra-perceptivos (S.E.M.C.P.)</b> surgido na década de 90, cuja atuação se deu em diversos núcleos acadêmicos brasileiros. De certa forma o S.E.M.C.P. atual contém os princípios desenvolvidos por este primeiro núcleo de estudos psicológicos, embora atualmente se volte quase exclusivamente para a área de estética e expressão. Atualmente existem representantes das idéias do grupo na América do Norte, Brasil e Europa, como o <b id="wx6">Pan-Schwaskaist Sect</b> em Nova Iorque (<a href="/wpt/EUA" title="EUA" wx:linktype="known" wx:pagename="EUA" wx:page_id="793" id="wx7">EUA</a>), <b id="wx8">S'Etage</b> de Viena (<a href="/wpt/%C3%81ustria" title="Áustria" wx:linktype="known" wx:pagename="Áustria" wx:page_id="1979" id="wx9">Áustria</a>) e <b id="wx10">Igjentagelsen</b> em Vágar (<a href="/wpt/Ilhas_Faroe" title="Ilhas Faroe" wx:linktype="known" wx:pagename="Ilhas_Faroe" wx:page_id="42313" id="wx11">Ilhas Faroe</a>). As idéias do grupo se resumiriam à aplicação de uma espécie <a href="/wpt/Niilismo" title="Niilismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Niilismo" wx:page_id="45515" id="wx12">niilismo</a> epistemológico no processo de comunicação como um todo. O grupo mantém um caráter experimental, de forma que nenhuma teoria definitiva é formada de suas atividades: toda ação dos chamados "núcleos S.E.M.C.P." se resumiria a desmonte de processos comunicativos, de um modo bastante semelhante ao realizado pelo <a href="/wpt/Desconstru%C3%A7%C3%A3o" title="Desconstrução" wx:linktype="known" wx:pagename="Desconstrução" wx:page_id="74195" id="wx13">desconstrução</a>. Em função disso muitas experimentações realizadas pelos vários núcleos S.E.M.C.P. se voltam para estudos nas áreas de <a href="/wpt/Semiologia" title="Semiologia" wx:linktype="known" wx:pagename="Semiologia" wx:page_id="58658" id="wx14">semiologia</a>, <a href="/wpt/Ling%C3%BC%C3%ADstica" title="Lingüística" wx:linktype="known" wx:pagename="Lingüística" wx:page_id="1186" id="wx15">lingüística</a>, estudos de <a href="/wpt/Cogni%C3%A7%C3%A3o" title="Cognição" wx:linktype="known" wx:pagename="Cognição" wx:page_id="73863" id="wx16">cognição</a>, <a href="/wpt/Epistemologia" title="Epistemologia" wx:linktype="known" wx:pagename="Epistemologia" wx:page_id="8709" id="wx17">epistemologia</a>, <a href="/wpt/Psican%C3%A1lise" title="Psicanálise" wx:linktype="known" wx:pagename="Psicanálise" wx:page_id="9845" id="wx18">psicanálise</a> e <a href="/wpt/Est%C3%A9tica" title="Estética" wx:linktype="known" wx:pagename="Estética" wx:page_id="13430" id="wx19">estética</a>.</p>

<div id="wx_toc"/>

<a id="Significado" name="Significado"/>
<wx:section level="2" title="Significado" id="wxsec2"><h2 id="wx20">Significado</h2>

<p id="wx21">A sigla 'S.E.M.C.P.' é um sigla vazia, de forma que cada núcleo afiliado à idéia central do S.E.M.C.P. desenvolve seu nome a partir de das letras nela contidas. Embora os diversos núcleos raramente mantenham relação alguma entre si, certos princípios os unificam ideologicamente e agem como ponto de partida de idéias e ideais destes grupos. Basicamente a entidade S.E.M.C.P. se define via um experimentalismo radical em seja qual for a área que o grupo se especialize, com premissas baseadas em diversas teorias niilistas e pós-modernas, defendendo sobretudo princípios de anonimidade, <a href="/wpt/Situacionismo" title="Situacionismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Situacionismo" wx:page_id="489067" id="wx22">situacionismo</a>, <a href="/wpt/Perspectivismo" title="Perspectivismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Perspectivismo" wx:page_id="178658" id="wx23">perspectivismo</a> e reativação de significados ocultos em <a href="/wpt/S%C3%ADmbolos" title="Símbolos" wx:linktype="known" wx:pagename="Símbolos" wx:page_id="45241" id="wx24">símbolos</a> recorrentes da cultura ocidental. Existem atualmente representantes no campo das artes visuais, literatura, filosofia, religião, psicologia, teoria da comunicação, música e artes cênicas.</p>

<a id="Princ.C3.ADpio_de_Reativa.C3.A7.C3.A3o_de_S.C3.ADmbolos" name="Princ.C3.ADpio_de_Reativa.C3.A7.C3.A3o_de_S.C3.ADmbolos"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Princípio de Reativação de Símbolos" id="wxsec3"><h2 id="wx25">Princípio de Reativação de Símbolos</h2>

<p id="wx26">A 'reativação de símbolos' funciona através do apagamento de seus significados (<a href="/wpt/Tabula_rasa" title="Tabula rasa" wx:linktype="known" wx:pagename="Tabula_rasa" wx:page_id="210620" id="wx27">tabula rasa</a>) e reposição do significado deles sem aspectos os ideológicos ligados às suas formas convencionais, através de um remonte de origens - por exemplo, no texto-base do movimento<sup id="_ref-0" class="reference"><a href="#_note-0" title="" wx:fragment="_note-0" wx:linktype="note" id="wx28"/></sup> há uma análise do signo DEUS, remontando todos os significados atribuídos a este signo durante a história, sejam eles semânticos (isto é, o sentido literal do termo), religiosos ou metalingüísticos (outros significados que se ligam à idéia DEUS via analogia). O fato de que um signo muda no decorrer da história sugere que há manipulação de seu conteúdo; mais do que isso, de que todo significado no mundo é resultado de manipulação. Um exemplo são interesses políticos da igreja católica, que levaram à uma mudança na concepção total deste signo. A idéia é uma aplicação das teorias epistemológicas de <a href="/wpt/Friedrich_Nietzsche" title="Friedrich Nietzsche" wx:linktype="known" wx:pagename="Friedrich_Nietzsche" wx:page_id="3866" id="wx29">Friedrich Nietzsche</a> do <a href="/wpt/Perspectivismo" title="Perspectivismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Perspectivismo" wx:page_id="178658" id="wx30">perspectivismo</a> e <a href="/wpt/Experimentalismo" class="new" title="Experimentalismo" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Experimentalismo" id="wx31">experimentalismo</a>, aonde há uma radical negação do princípio metafísico de <a href="/wpt/Subst%C3%A2ncia" title="Substância" wx:linktype="known" wx:pagename="Substância" wx:page_id="40849" id="wx32">substância</a>, cristalizado na cultura ocidental via Platão e Aristóteles.</p>

<p id="wx33"><i id="wx34">The world is a stage, and there is nothing hidden behind the sensational and sensory play. We act in our own exclusively human play, not realizing that we are the playwrights, believing that he meanings suggested by historical configurations were meant to be by a universal intelligence.</i></p>

<p id="wx35">(tradução) <i id="wx36">O mundo é um estágio, e não há coisa alguma escondida atrás de seu papel sensacional e sensorial. Nós atuamos exclusivamente nosso papel humano, não percebendo que nós somos o próprio roteiro, crendo que os significados sugeridos pelas configurações históricas foram colocados por uma inteligência universal.</i><sup id="_ref-1" class="reference"><a href="#_note-1" title="" wx:fragment="_note-1" wx:linktype="note" id="wx37"/></sup></p>

<p id="wx38">Ainda que as idéias sejam exclusivamente nietzscheanas, a aplicação delas pelo S.E.M.C.P. se relacionam muito mais à fase inicial do filósofo (sobretudo à de '<a href="/wpt/Genealogia_da_Moral" title="Genealogia da Moral" wx:linktype="known" wx:pagename="Genealogia_da_Moral" wx:page_id="473247" id="wx39">Genealogia da Moral</a>') do que à fase em que ele desenvolveu suas teorias perspectivas (por volta de 1887). O apelo do grupo é por uma análise que libere o ser humano de toda e qualquer convenção social que possa minar o livre exercício de seu poder criativo, e assim o devolva uma consciência orgânica de sua unidade com o mundo exterior.</p>

<a id="Hist.C3.B3rico" name="Hist.C3.B3rico"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Histórico" id="wxsec4"><h2 id="wx40">Histórico</h2>

<a id="Surgimento_.281995-2003.29" name="Surgimento_.281995-2003.29"/>
<wx:section level="3" title="Surgimento (1995-2003)" id="wxsec8"><h3 id="wx41">Surgimento (1995-2003)</h3>

<p id="wx42">A falta de significado implícita ao nome (que foi assumido aleatoriamente) liga-se a uma premissa básica do grupo, a da arbitrariedade total que ele afirma haver nos signos. A publicação de <i id="wx43">Pressupostos Necessários para a Criação de Algo Inexistente</i> de 1995 (panfleto publicado em dinamarquês em <a href="/wpt/T%C3%B3rshavn" title="Tórshavn" wx:linktype="known" wx:pagename="Tórshavn" wx:page_id="594966" id="wx44">Tórshavn</a>) marca a concepção do projeto. O texto inicial, escrito pelo faroês J.P.Olavsfjørður Morzelo, é o que se segue:</p>

<p id="wx45">"<i id="wx46">A possibilidade de se criar um nome aleatoriamente - tomemos uma sigla vazia como S.E.M.C.P. - e lhe dotar de significação conforme se atribui idéias e essência a tal nome é plenamente passível de ocorrência. Essa capacidade humana de criar formas e lhes dar significados nos liga à idéia da criação divina do mundo [...] [e] é o que resume 90% da psicologia humana: há uma necessidade de criar e criar-se através de sua criação - como no caso do homem que cria 'Deus' a fim de suprir a coceira espiritual 'de onde vim, quem me criou?'. [...] No momento em que citei a sigla 'S.E.M.C.P.' ela ganhou estatudo de existência, e nada neste mundo pode negar isso.</i>"<sup id="_ref-2" class="reference"><a href="#_note-2" title="" wx:fragment="_note-2" wx:linktype="note" id="wx47"/></sup></p>

<p id="wx48">O panfleto em seguida se desenvolve sobre a perspectiva lingüística da aleatoriedade do signo. De certa forma o que se tornaria as premissas que definem o grupo como sociedade artística experimental está contido na seguinte passagem: "<i id="wx49">Da mesma forma que a sigla S.E.M.C.P. é algo criado, não-original (unursprünglich), todas as palavras que constam no dicionário, no exato segundo após sua concepção, não faziam sentido algo. Eram formas puras ocas. [...] A radicalidade desta afirmação está no fato de que algumas palavras tomaram proporções de significado tão tremendas que mudaram o modo de os homens verem a vida nos quatro cantos do mundo; passaram a definir verdades pelas quais se vale a pena matar e morrer: eu falo de palavras como 'Deus', 'Verdade', 'Felicidade', 'Sorte', 'Nação', 'Liberdade', 'Paz', termos cujos conceitos se construíram meramente com idéias despejadas a cada momento que um ser os vocalizava. Há algo de tremendamente violento no simples ato de falar, de se usar conceitos: a cada vez que fazemos-o estamos cristalizando cada vez mais preconceitos culturais presos aos termos que os carregam. É que acontece e continuará acontecendo nas culturas humanas, sempre haverá por trás do uso da língua uma certa tirania que define conceitos e, fazendo-o, lhes acorrentam dentro de limites culturais que constrói nossa cultura da forma que ela é hoje: asfixiante.</i><sup id="_ref-3" class="reference"><a href="#_note-3" title="" wx:fragment="_note-3" wx:linktype="note" id="wx50"/></sup></p>

<p id="wx51">O termo <b id="wx52">S.E.M.C.P.</b>, entretando, só voltará a ser citado oito anos depois. Neste texto ele fica como um exemplo qualquer para se defender a tese lingüística onde a <a href="/wpt/Linguagem" title="Linguagem" wx:linktype="known" wx:pagename="Linguagem" wx:page_id="30071" id="wx53">linguagem</a> traz a tirania da cultura, tese bastante afim às teorias do lingüista suíço <a href="/wpt/Ferdinand_de_Saussure" title="Ferdinand de Saussure" wx:linktype="known" wx:pagename="Ferdinand_de_Saussure" wx:page_id="869" id="wx54">Ferdinand de Saussure</a>, a representantes do <a href="/wpt/P%C3%B3s-estruturalismo" title="Pós-estruturalismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Pós-estruturalismo" wx:page_id="834531" id="wx55">pós-estruturalismo</a> franceses <a href="/wpt/Roland_Barthes" title="Roland Barthes" wx:linktype="known" wx:pagename="Roland_Barthes" wx:page_id="71930" id="wx56">Roland Barthes</a> e <a href="/wpt/Michel_Foucault" title="Michel Foucault" wx:linktype="known" wx:pagename="Michel_Foucault" wx:page_id="22739" id="wx57">Michel Foucault</a>, além de <a href="/wpt/Jean_Baudrillard" title="Jean Baudrillard" wx:linktype="known" wx:pagename="Jean_Baudrillard" wx:page_id="136190" id="wx58">Jean Baudrillard</a> e <a href="/wpt/Paul_Virilio" title="Paul Virilio" wx:linktype="known" wx:pagename="Paul_Virilio" wx:page_id="143027" id="wx59">Paul Virilio</a>. A dimensão da palavra como conceito, segundo o desenvolvimento do texto, mostra quão propensas as palavras estão ao serviço da ideologia dominante, e quão maleáveis e facilmente manipuláveis elas podem ser sobretudo em uma época onde se busca a exatidão científica, a comunicação clara, econômica e direta (como ocorre no modelo da mídia moderna) e organização total dos símbolos visuais nas cidades (o exemplo dado pelo autor é o dos projetos urbanistas aplicados na modernização das cidades de seu país natal). Essa exatidão radical do signo é tratada como um fenômeno que trás uma nova era na história da humanidade, a da <a href="/wpt/P%C3%B3s-modernidade" title="Pós-modernidade" wx:linktype="known" wx:pagename="Pós-modernidade" wx:page_id="13482" id="wx60">pós-modernidade</a>. Ela não é uma condição de toda comunicação, é somente o nosso mal-uso dela. É deste tema que trata o panfleto <b id="wx61">Dimensão Ética do Mundo como Forma Vazia</b> de 1996. A Pós-modernidade é não como um estágio metafísico novo na história do mundo (como prevê o modelo hegeliano), mas é tratada como uma época em que os ideais da modernidade atingiram sua radicalidade, tornando-se distopia.</p>

<p id="wx62">"<i id="wx63">Por mais absurdo que isso possa soar, tudo o que o burguês alimentou como ideal desde 1789 se tornou realidade: desde então o mundo se tornou o inferno</i>."<sup id="_ref-4" class="reference"><a href="#_note-4" title="" wx:fragment="_note-4" wx:linktype="note" id="wx64"/></sup></p>

<p id="wx65">J.P.O.Morzelo defende que o mundo de hoje não enfrenta mudança alguma já que toda diferença foi eliminada: com o fim da Guerra Fria os poderes (e ideais correspondentes) que se combatiam, representados pelos eixos socialista e capitalista, tiveram seus destinos julgados: o bloco capitalista vence e se torna a potência absoluta no mundo. Sempre haverá conflito, já que a própria essência do capitalismo pressupõe competição que move o mercado, porém o capitalismo como idéia e conceito (remetendo à teoria desenvolvida no panfleto #1) não possui o que o negue para que seja possível <a href="/wpt/Dial%C3%A9tica" title="Dialética" wx:linktype="known" wx:pagename="Dialética" wx:page_id="11391" id="wx66">dialética</a> (de acordo com o autor, resquícios do bloco comunista como a Coréia do Norte e China são meramente resquícios, fadados ao esquecimento; eles não exercem influência suficiente no mundo para que possam ser considerados potências). Essa nivelação das dualidades que caracterizavam a modernidade como 'Era do Extremos' (como afirma <a href="/wpt/Hobsbawn" class="new" title="Hobsbawn" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Hobsbawn" id="wx67">Hobsbawn</a>) caracteriza cada aspecto da vida pós-moderna: não havendo mais conflito entre idéias, todos os ideais da classe burguesa e do <a href="/wpt/Iluminismo" title="Iluminismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Iluminismo" wx:page_id="1038" id="wx68">Iluminismo</a> valem como ideais já atingidos, de forma que teríamos na pós-modernidade democracia, liberdade, igualdade movendo os eixos do mundo. Entretanto, para o autor, essa é a própria distopia dessa era: não há o que fazer no mundo a não ser contemplar um curso infinitamente repetitivo de uma força ideológica que não é nada além de um processo viciante de auto-afirmação. Em função da natureza dos ideais da classe burguesa, o atual contexto mascara o atual estado de coisas como se ele fosse ideal e progressivo. A partir daí o autor propõe que o pessoas convencidas que não se tem mais pelo que lutar perdem sua humanidade imediatamente. As idéias do segundo panfleto remetem diretamente à fase madura do pensamento do filósofo francês <a href="/wpt/Jean_Baudrillard" title="Jean Baudrillard" wx:linktype="known" wx:pagename="Jean_Baudrillard" wx:page_id="136190" id="wx69">Jean Baudrillard</a>, sobretudo no que foi desenvolvido em suas obras 'The perfect crime', 'Simulacra' e 'Under the shadow of silent majorities'. Em sua terra natal, <a href="/wpt/T%C3%B3rshavn" title="Tórshavn" wx:linktype="known" wx:pagename="Tórshavn" wx:page_id="594966" id="wx70">Tórshavn</a>, que na época enfrentava uma crise econômica e despovoamento maciço, as idéias de J.P.Morzelo soaram paranóicas e deslocadas; não fazia sentido falar sobre pós-modernidade em um país de 43.000 habitantes em estágio de modernização. Elas foram encontrar repercussão somente em 2003, quando Morzelo se mudou para <a href="/wpt/S%C3%A3o_Paulo" title="São Paulo" wx:linktype="known" wx:pagename="São_Paulo" wx:page_id="1719" id="wx71">São Paulo</a>, então um dos maiores centros urbanos do mundo, como estudante internacional na <a href="/wpt/Universidade_de_S%C3%A3o_Paulo" title="Universidade de São Paulo" wx:linktype="known" wx:pagename="Universidade_de_São_Paulo" wx:page_id="7687" id="wx72">Universidade de São Paulo</a>.</p>

<a id="Desenvolvimento_do_movimento_no_Brasil_.282003-2004.29" name="Desenvolvimento_do_movimento_no_Brasil_.282003-2004.29"/>
</wx:section><wx:section level="3" title="Desenvolvimento do movimento no Brasil (2003-2004)" id="wxsec9"><h3 id="wx73">Desenvolvimento do movimento no Brasil (2003-2004)</h3>

<p id="wx74">Um ponto interessante das teorias desenvolvidas nos dois panfletos, teorias claramente emprestadas de outros teóricos e redesenvolvidas em seu estilo peculiar que passeia do campo do texto crítico ao do texto poético, é que elas param de ser desenvolvidas no momento em que o autor nota a indiferença de seus leitores aos assuntos tratados. Ele volta a reaplicar tais idéias somente sete anos depois, no período em que ele se muda para o Brasil, a fim de completar seus estudos na área de Artes Plásticas. Ele chega a traduzir seus dois antigos textos para o português e lançá-los independentemente, no mesmo formato de panfleto. Só que neste momento a repercussão foi incomparavelmente maior. Em entrevista à mídia interna da universidade ele afirma "não concordar com muito do que está escrito ali", e ter publicados os textos "em partes por fidelidade à sua própria memória, em partes como exercício de língua portuguesa" (***). No tempo entre o lançamento das duas versões de sua teoria, J.P. havia produzido uma vasta obra de artes plásticas que ele afirma "deriva[r] dos princípios expostos nos panfletos". Essa perspectiva de dar uma leitura artística de um texto basicamente filosófico-lingüístico é o que gera as duas linhas de representantes do S.E.M.C.P. A idéia de aplicar as teorias expostas nos panfletos veio da atriz e teórica <a href="/wpt/Christina_Calysto" class="new" title="Christina Calysto" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Christina_Calysto" id="wx75">Christina Calysto</a>, então estudante de Artes Cênicas da mesma universidade e colega de J.P.Morzelo. Christina é considerada pela maioria dos núcleos SEMCP como verdadeira criadora do 'movimento': da mesma forma como J.P.Morzelo emprestou das idéias de <a href="/wpt/Jean_Baudrillard" title="Jean Baudrillard" wx:linktype="known" wx:pagename="Jean_Baudrillard" wx:page_id="136190" id="wx76">Jean Baudrillard</a>, <a href="/wpt/Friedrich_Nietzsche" title="Friedrich Nietzsche" wx:linktype="known" wx:pagename="Friedrich_Nietzsche" wx:page_id="3866" id="wx77">Friedrich Nietzsche</a> e <a href="/wpt/S%C3%B8ren_Kierkegaard" title="Søren Kierkegaard" wx:linktype="known" wx:pagename="Søren_Kierkegaard" wx:page_id="23275" id="wx78">Søren Kierkegaard</a> para escrever os panfletos-base do S.E.M.C.P., Christina Calysto deu forma de 'ativismo estético' às idéias em questão. Em dois meses do ano de 2004 ela chegou a publicar oito artigos que deram as premissas e forma do movimento.<br id="wx79"/>
Em seu primeiro texto, um curioso panfleto intitulado <b id="wx80">Sobre o Estupro de Meu CorPo</b>, com o subtítulo "Testemunho da vítima de um dos casos recentes de estupro nesta Universidade", ela desenvolve uma teoria da influência via aparência. Obviamente o título extretamente apelativo e polêmico é uma farsa, que se revela logo na primeira linha do texto. O que é desenvolvido é um sumário de teoria geral da influência via a necessidade de conflitos do homem pós-moderno, de sangue nos noticiários de TV, nas discussões políticas. "<i id="wx81">Há uma tendência quase histriônica de querer ser a única vítima sobrevivente da catástrofe, de se inteirar da violência incomensurável, de se discutir o fim do mundo: justamente porque em nossos subconscientes massacrados pela repetição tediosa da ordem geral há algo de humano que grita por ação, pela possibilidade de conflito, para que a vida se faça provar válida em seu último instante pelas marcas de batalha deixadas no corpo exausto</i>."<sup id="_ref-5" class="reference"><a href="#_note-5" title="" wx:fragment="_note-5" wx:linktype="note" id="wx82"/></sup></p>

<p id="wx83">Ainda que o expressa com muito mais lirismo do que sua fonte, não há dúvidas que sua proposta de ação, via um 'ativismo estético', seja conseqüência direta dos textos de J.P.Morzelo, como ela própria afirma no segundo artigo dessa série de oito artigos. A continuação do texto e da proposta se faz neste panfleto #2 (<b id="wx84">Novos casos de estupro nesta Universidade</b>) onde o panfleto #1 de Morzelo é analisado quase frase por frase. O que ele outrora havia dado como exemplo para explicar sua teoria lingüística - o exemplo do signo vazio "SEMCP" que pode passar a existir se houver força cultural que o divulgue como sendo algo - é levado às últimas conseqüências pela autora: ela sugere que se teste a validade da asserção de Morzelo criando-se de fato o tal "S.E.M.C.P." como uma entidade artística que 'tomará a força que a aleatoriedade de nossas ânsias lhe prover'. E foi o que aconteceu: neste momento o movimento toma forma.</p>

<a id="Liga.C3.A7.C3.B5es_Externas" name="Liga.C3.A7.C3.B5es_Externas"/>
</wx:section></wx:section><wx:section level="2" title="Ligações Externas" id="wxsec5"><h2 id="wx85">Ligações Externas</h2>

<ul id="wx86">
<li id="wx87"><a href="http://www.semcp.com/" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx88">Atual página do S.E.M.C.P., incluindo seus diversos manifestos artísticos</a></li>
</ul>

<a id="Refer.C3.AAncias" name="Refer.C3.AAncias"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Referências" id="wxsec6"><h2 id="wx89">Referências</h2>

<ol class="references" id="wx90">
<li id="_note-0"><a href="#_ref-0" title="" wx:fragment="_ref-0" wx:linktype="noteref" id="wx91">↑</a>
<p id="wx92">O texto-base se trata de uma unusual análise semiológica escrita pelo autor faroese Joseph Patrick Olavsfjørður Morzelo, intitulado <i id="wx93">Pressupostos necessários para a criação de algo inexistente</i>. Há uma versão online do ensaio <a href="http://www.semcp.com/" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx94">no site oficial do grupo</a></p>
</li>

<li id="_note-1"><a href="#_ref-1" title="" wx:fragment="_ref-1" wx:linktype="noteref" id="wx95">↑</a>
<p id="wx96">WICKS, Robert. Nietzsche. Oxford: Oneworld Publications, 2002. p.103.</p>
</li>

<li id="_note-2"><a href="#_ref-2" title="" wx:fragment="_ref-2" wx:linktype="noteref" id="wx97">↑</a> <i id="wx98">Opus cit</i>
<p id="wx99">.</p>
</li>

<li id="_note-3"><a href="#_ref-3" title="" wx:fragment="_ref-3" wx:linktype="noteref" id="wx100">↑</a> <i id="wx101">Idem</i>
<p id="wx102">."</p>
</li>

<li id="_note-4"><a href="#_ref-4" title="" wx:fragment="_ref-4" wx:linktype="noteref" id="wx103">↑</a> <i id="wx104">Op.cit.</i>
<p id="wx105">.</p>
</li>

<li id="_note-5"><a href="#_ref-5" title="" wx:fragment="_ref-5" wx:linktype="noteref" id="wx106">↑</a>
<p id="wx107">Christina Calysto. <i id="wx108">Sobre o Estupro de Meu Corpo</i>, 2004 (panfleto independente).</p>
</li>
</ol>

<a id="Ver_Tamb.C3.A9m" name="Ver_Tamb.C3.A9m"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Ver Também" id="wxsec7"><h2 id="wx109">Ver Também</h2>

<ul id="wx110">
<li id="wx111"><a href="/wpt/Arte_Conceptual" class="new" title="Arte Conceptual" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Arte_Conceptual" id="wx112">Arte Conceptual</a></li>

<li id="wx113"><a href="/wpt/Happening" title="Happening" wx:linktype="known" wx:pagename="Happening" wx:page_id="170057" id="wx114">Happening</a></li>

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