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<title>Massacre de Lisboa de 1506</title>
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<div id="wx_article">
<wx:section level="1" title="Massacre de Lisboa de 1506" id="wxsec1"><h1 class="pagetitle" id="wx1">Massacre de Lisboa de 1506</h1>

<div class="wx_image" wx:thumb="thumb" id="wx2"><a href="/wpt/Imagem:Massacre_de_lisboa.jpg" title="Uma das duas únicas gravuras sobreviventes ao Terramoto de Lisboa 1755 e ao incêndio da Torre do Tombo: “Von dem Christeliche – Streyt, kürtzlich geschehe – jm. M.CCCCC.vj Jar zu Lissbona – ein haubt stat in Portigal zwischen en christen und newen chri – sten oder juden, von wegen des gecreutzigisten [sic] got.” (Da Contenda Cristã, que recentemente teve lugar em Lisboa, capital de Portugal, entre cristãos e cristãos-novos ou judeus, por causa do Deus Crucificado”)" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Massacre_de_lisboa.jpg" id="wx3"><img src="/wpt/Imagem:Massacre_de_lisboa.jpg" alt="Uma das duas únicas gravuras sobreviventes ao Terramoto de Lisboa 1755 e ao incêndio da Torre do Tombo: “Von dem Christeliche – Streyt, kürtzlich geschehe – jm. M.CCCCC.vj Jar zu Lissbona – ein haubt stat in Portigal zwischen en christen und newen chri – sten oder juden, von wegen des gecreutzigisten [sic] got.” (Da Contenda Cristã, que recentemente teve lugar em Lisboa, capital de Portugal, entre cristãos e cristãos-novos ou judeus, por causa do Deus Crucificado”)" id="wx4"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx5">
<p id="wx6">Uma das duas únicas gravuras sobreviventes ao <a href="/wpt/Terramoto_de_Lisboa" title="Terramoto de Lisboa" wx:linktype="known" wx:pagename="Terramoto_de_Lisboa" wx:page_id="19862" id="wx7">Terramoto de Lisboa</a> <a href="/wpt/1755" title="1755" wx:linktype="known" wx:pagename="1755" wx:page_id="18486" id="wx8">1755</a> e ao incêndio da <a href="/wpt/Torre_do_Tombo" title="Torre do Tombo" wx:linktype="known" wx:pagename="Torre_do_Tombo" wx:page_id="94295" id="wx9">Torre do Tombo</a>: “<i id="wx10">Von dem Christeliche – Streyt, kürtzlich geschehe – jm. M.CCCCC.vj Jar zu Lissbona – ein haubt stat in Portigal zwischen en christen und newen chri – sten oder juden, von wegen des gecreutzigisten [sic] got</i>.” (Da Contenda Cristã, que recentemente teve lugar em Lisboa, capital de Portugal, entre cristãos e cristãos-novos ou judeus, por causa do Deus Crucificado”)</p>
</div>
</div>

<p id="wx11">No <b id="wx12">Massacre de <a href="/wpt/Lisboa" title="Lisboa" wx:linktype="known" wx:pagename="Lisboa" wx:page_id="1165" id="wx13">Lisboa</a> de 1506</b> - também conhecido como <b id="wx14">Progrom de Lisboa</b> ou <b id="wx15">Matança da <a href="/wpt/P%C3%A1scoa" title="Páscoa" wx:linktype="known" wx:pagename="Páscoa" wx:page_id="51072" id="wx16">Páscoa</a> de <a href="/wpt/1506" title="1506" wx:linktype="known" wx:pagename="1506" wx:page_id="16897" id="wx17">1506</a></b>, uma multidão movida pelo <a href="/wpt/Fanatismo" title="Fanatismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Fanatismo" wx:page_id="196640" id="wx18">fanatismo</a> religioso perseguiu, violou, torturou e matou entre duas mil e quatro mil pessoas, acusadas de serem judias. Isto sucedeu antes do início da <a href="/wpt/Inquisi%C3%A7%C3%A3o" title="Inquisição" wx:linktype="known" wx:pagename="Inquisição" wx:page_id="1051" id="wx19">Inquisição</a> e nove anos depois da conversão forçada dos judeus em Portugal, em <a href="/wpt/1497" title="1497" wx:linktype="known" wx:pagename="1497" wx:page_id="28175" id="wx20">1497</a>, durante o reinado de <a href="/wpt/Manuel_I_de_Portugal" title="Manuel I de Portugal" wx:linktype="known" wx:pagename="Manuel_I_de_Portugal" wx:page_id="16010" id="wx21">D. Manuel I</a>.</p>

<p id="wx22">Cerca de 93 mil judeus se refugiaram em Portugal nos anos que se seguiram à sua expulsão de <a href="/wpt/Espanha" title="Espanha" wx:linktype="known" wx:pagename="Espanha" wx:page_id="785" id="wx23">Espanha</a>, pelos <a href="/wpt/Reis_cat%C3%B3licos" title="Reis católicos" wx:linktype="known" wx:pagename="Reis_católicos" wx:page_id="994494" id="wx24">reis católicos</a>, em <a href="/wpt/1492" title="1492" wx:linktype="known" wx:pagename="1492" wx:page_id="28172" id="wx25">1492</a>. D. Manuel I se mostrara mais tolerante para com o <a href="/wpt/Juda%C3%ADsmo" title="Judaísmo" wx:linktype="known" wx:pagename="Judaísmo" wx:page_id="1095" id="wx26">judaísmo</a>, mas, sob a pressão de Espanha, também em Portugal, a partir de <a href="/wpt/1497" title="1497" wx:linktype="known" wx:pagename="1497" wx:page_id="28175" id="wx27">1497</a>, os judeus foram forçados a converter-se.</p>

<p id="wx28">A <a href="/wpt/Historiografia" title="Historiografia" wx:linktype="known" wx:pagename="Historiografia" wx:page_id="965" id="wx29">historiografia</a> situa o início da matança no Mosteiro de São Domingos (<a href="/wpt/Santa_Justa_%28Lisboa%29" title="Santa Justa (Lisboa)" wx:linktype="known" wx:pagename="Santa_Justa_(Lisboa)" wx:page_id="15663" id="wx30">Santa Justa</a>), no dia <a href="/wpt/19_de_abril" title="19 de abril" wx:linktype="known" wx:pagename="19_de_abril" wx:page_id="11501" id="wx31">19 de abril</a> de 1506, um domingo, quando os fiéis rezavam pelo fim da <a href="/wpt/Seca" title="Seca" wx:linktype="known" wx:pagename="Seca" wx:page_id="71997" id="wx32">seca</a> e da <a href="/wpt/Peste_negra" title="Peste negra" wx:linktype="known" wx:pagename="Peste_negra" wx:page_id="13219" id="wx33">peste</a> que tomavam Portugal, e alguém jurou ter visto no altar o rosto de Cristo iluminado — fenômeno que, para os <a href="/wpt/Catolicismo" title="Catolicismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Catolicismo" wx:page_id="2761" id="wx34">católicos</a> presentes, só poderia ser interpretado como uma mensagem de misericórdia do Messias - um <a href="/wpt/Milagre" title="Milagre" wx:linktype="known" wx:pagename="Milagre" wx:page_id="1281" id="wx35">milagre</a>.</p>

<p id="wx36">Um <a href="/wpt/Crist%C3%A3o-novo" title="Cristão-novo" wx:linktype="known" wx:pagename="Cristão-novo" wx:page_id="37869" id="wx37">cristão-novo</a> que também participava da missa argumentou que a luz era apenas o reflexo do sol, mas foi calado pela multidão, que o espancou até a morte.</p>

<p id="wx38">A partir daí, os judeus da cidade foram o <a href="/wpt/Bode_expiat%C3%B3rio" title="Bode expiatório" wx:linktype="known" wx:pagename="Bode_expiatório" wx:page_id="334534" id="wx39">bode expiatório</a> da seca, da fome e da peste: três dias de massacre se sucederam, incitados por frades <a href="/wpt/Dominicanos" title="Dominicanos" wx:linktype="known" wx:pagename="Dominicanos" wx:page_id="67706" id="wx40">dominicanos</a> que prometiam <a href="/wpt/Absolvi%C3%A7%C3%A3o" title="Absolvição" wx:linktype="known" wx:pagename="Absolvição" wx:page_id="795278" id="wx41">absolvição</a> dos <a href="/wpt/Pecado" title="Pecado" wx:linktype="known" wx:pagename="Pecado" wx:page_id="65953" id="wx42">pecados</a> dos últimos 100 dias para quem matasse os "<a href="/wpt/Heresia" title="Heresia" wx:linktype="known" wx:pagename="Heresia" wx:page_id="35753" id="wx43">hereges</a>".</p>

<p id="wx44">A corte encontrava-se em <a href="/wpt/Abrantes" title="Abrantes" wx:linktype="known" wx:pagename="Abrantes" wx:page_id="4854" id="wx45">Abrantes</a> - onde se instalara para fugir à peste - quando o massacre começou. D. Manuel I tinha-se posto a caminho de <a href="/wpt/Beja" title="Beja" wx:linktype="known" wx:pagename="Beja" wx:page_id="473" id="wx46">Beja</a>, para visitar a mãe. Terá sido avisado dos acontecimentos em <a href="/wpt/Avis" title="Avis" wx:linktype="known" wx:pagename="Avis" wx:page_id="6222" id="wx47">Avis</a>, logo mandando magistrados para tentar pôr fim ao banho de sangue. Entretanto, mesmo as poucas autoridades presentes foram postas em causa e, em alguns casos, obrigadas a fugir.</p>

<p id="wx48">Como consequência, homens, mulheres e crianças foram torturados, massacrados, violados e queimados em fogueiras improvisadas no <a href="/wpt/Rossio" title="Rossio" wx:linktype="known" wx:pagename="Rossio" wx:page_id="76313" id="wx49">Rossio</a>. Os judeus foram acusados entre outros "males", de <a href="/wpt/Deic%C3%ADdio" title="Deicídio" wx:linktype="known" wx:pagename="Deicídio" wx:page_id="114459" id="wx50">deicídio</a> e de serem a causa da profunda seca e da peste que assolava o país. A matança durou três dias - de <a href="/wpt/19_de_Abril" title="19 de Abril" wx:linktype="known" wx:pagename="19_de_Abril" wx:page_id="7928" id="wx51">19</a> a <a href="/wpt/21_de_Abril" title="21 de Abril" wx:linktype="known" wx:pagename="21_de_Abril" wx:page_id="7945" id="wx52">21 de Abril</a>, na <a href="/wpt/Semana_Santa" title="Semana Santa" wx:linktype="known" wx:pagename="Semana_Santa" wx:page_id="282218" id="wx53">Semana Santa</a> de 1506 - e só acabou quando foi morto um judeu que era <a href="/wpt/Escudeiro" title="Escudeiro" wx:linktype="known" wx:pagename="Escudeiro" wx:page_id="119896" id="wx54">escudeiro</a> do rei, <a href="/wpt/Jo%C3%A3o_Rodrigues_Mascarenhas" class="new" title="João Rodrigues Mascarenhas" wx:linktype="unknown" wx:pagename="João_Rodrigues_Mascarenhas" id="wx55">João Rodrigues Mascarenhas</a>, e as tropas reais afinal chegaram para restaurar a ordem.</p>

<p id="wx56">D. Manuel I penalizou os envolvidos, confiscando-lhes os bens, e os dominicanos instigadores foram condenados à morte. Há também indícios de que o Convento de S. Domingos (da Baixa) teria sido fechado durante oito anos.</p>

<p id="wx57">No seguimento do massacre, do clima de crescente <a href="/wpt/Anti-semitismo" title="Anti-semitismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Anti-semitismo" wx:page_id="8842" id="wx58">anti-semitismo</a> em <a href="/wpt/Portugal" title="Portugal" wx:linktype="known" wx:pagename="Portugal" wx:page_id="1480" id="wx59">Portugal</a> e do estabelecimento do <a href="/wpt/Inquisi%C3%A7%C3%A3o" title="Inquisição" wx:linktype="known" wx:pagename="Inquisição" wx:page_id="1051" id="wx60">Tribunal do Santo Ofício</a> — que entrou em funcionamento em <a href="/wpt/1540" title="1540" wx:linktype="known" wx:pagename="1540" wx:page_id="28203" id="wx61">1540</a>, perdurando até <a href="/wpt/1821" title="1821" wx:linktype="known" wx:pagename="1821" wx:page_id="11378" id="wx62">1821</a> — muitas famílias judaicas fugiram ou foram expulsas do país, tendo como destino principal os <a href="/wpt/Pa%C3%ADses_Baixos" title="Países Baixos" wx:linktype="known" wx:pagename="Países_Baixos" wx:page_id="3374" id="wx63">Países Baixos</a> e secundariamente, <a href="/wpt/Fran%C3%A7a" title="França" wx:linktype="known" wx:pagename="França" wx:page_id="827" id="wx64">França</a>, <a href="/wpt/Turquia" title="Turquia" wx:linktype="known" wx:pagename="Turquia" wx:page_id="3864" id="wx65">Turquia</a> e <a href="/wpt/Brasil" title="Brasil" wx:linktype="known" wx:pagename="Brasil" wx:page_id="404" id="wx66">Brasil</a>, entre outros.</p>

<p id="wx67">Mesmo expulsos da <a href="/wpt/Pen%C3%ADnsula_Ib%C3%A9rica" title="Península Ibérica" wx:linktype="known" wx:pagename="Península_Ibérica" wx:page_id="1532" id="wx68">Península Ibérica</a>, os judeus só podiam deixar Portugal mediante o pagamento de "resgate" à Coroa. No processo de <a href="/wpt/Emigra%C3%A7%C3%A3o" title="Emigração" wx:linktype="known" wx:pagename="Emigração" wx:page_id="343033" id="wx69">emigração</a>, os judeus abandonavam suas propriedades ou as vendiam por preços irrisórios e viajavam apenas com a bagagem que conseguissem carregar.</p>

<div id="wx_toc"/>

<a id="O_Massacre_de_Lisboa_na_historiografia" name="O_Massacre_de_Lisboa_na_historiografia"/>
<wx:section level="2" title="O Massacre de Lisboa na historiografia" id="wxsec2"><h2 id="wx70">O Massacre de Lisboa na historiografia</h2>

<div class="wx_image" wx:thumb="thumb" id="wx71"><a href="/wpt/Imagem:Homenagem_aos_Judeus_-_Massacre_de_Lisboa_de_1506.jpg" title="Monumento em Lisboa em homenagem aos Judeus mortos no massacre de 1506" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Homenagem_aos_Judeus_-_Massacre_de_Lisboa_de_1506.jpg" id="wx72"><img src="/wpt/Imagem:Homenagem_aos_Judeus_-_Massacre_de_Lisboa_de_1506.jpg" alt="Monumento em Lisboa em homenagem aos Judeus mortos no massacre de 1506" id="wx73"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx74">
<p id="wx75">Monumento em Lisboa em homenagem aos Judeus mortos no massacre de 1506</p>
</div>
</div>

<p id="wx76">O Massacre de 1506 ficou como que apagado da <a href="/wpt/Mem%C3%B3ria_colectiva" class="new" title="Memória colectiva" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Memória_colectiva" id="wx77">memória colectiva</a>, um pedaço de <a href="/wpt/Vergonha" title="Vergonha" wx:linktype="known" wx:pagename="Vergonha" wx:page_id="420938" id="wx78">vergonha</a> esquecida que não está nos livros de História, caiu no esquecimento e são poucos os historiadores que lhe fazem referência. O horror e a violência foram descritos e reproduzidos por <a href="/wpt/Dami%C3%A3o_de_G%C3%B3is" title="Damião de Góis" wx:linktype="known" wx:pagename="Damião_de_Góis" wx:page_id="109088" id="wx79">Damião de Góis</a>, <a href="/wpt/Alexandre_Herculano" title="Alexandre Herculano" wx:linktype="known" wx:pagename="Alexandre_Herculano" wx:page_id="58391" id="wx80">Alexandre Herculano</a>, <a href="/wpt/Oliveira_Martins" title="Oliveira Martins" wx:linktype="known" wx:pagename="Oliveira_Martins" wx:page_id="331570" id="wx81">Oliveira Martins</a>, <a href="/wpt/Garcia_de_Resende" title="Garcia de Resende" wx:linktype="known" wx:pagename="Garcia_de_Resende" wx:page_id="27314" id="wx82">Garcia de Resende</a>, <a href="/wpt/Salomon_Ibn_Verga" title="Salomon Ibn Verga" wx:linktype="known" wx:pagename="Salomon_Ibn_Verga" wx:page_id="503393" id="wx83">Salomon Ibn Verga</a> e <a href="/wpt/Samuel_Usque" title="Samuel Usque" wx:linktype="known" wx:pagename="Samuel_Usque" wx:page_id="1088137" id="wx84">Samuel Usque</a>.</p>

<p id="wx85"><a href="/wpt/Dami%C3%A3o_de_G%C3%B3is" title="Damião de Góis" wx:linktype="known" wx:pagename="Damião_de_Góis" wx:page_id="109088" id="wx86">Damião de Góis</a> <i id="wx87">in</i> «<i id="wx88">Chronica do Felicissimo Rey D. Emanuel da Gloriosa Memória</i>»:</p>

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<table cellpadding="0" style="width:auto; background:none; margin-bottom:.5em; font-size:95%; color:#606060; text-align:left" id="wx89">
<tr id="wx90">
<td style="padding:0 1.2em; vertical-align:top" id="wx91"><a href="/wpt/Imagem:Wikiquote-logo.svg" title="Citação" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Wikiquote-logo.svg" id="wx92"><img src="/wpt/Imagem:Wikiquote-logo.svg" alt="Citação" width="15" id="wx93"/></a> </td>
<td style="padding:0 1.2em 0 0" id="wx94">
<div style="font-style:normal" id="wx95">
<p id="wx96">«No mosteiro de São Domingos da dita cidade estava uma capela a que chamava de Jesus, e nela um crucifixo, em que foi então visto um sinal, a que davam cor de milagre, com quanto os que na igreja se acharam julgavam ser o contrário dos quais um cristão-novo disse que lhe parecia uma candeia acesa que estava posta no lado da imagem de Jesus, o que ouvindo alguns homens baixos o tiraram pelos cabelos de arrasto para fora da igreja, e o mataram, e queimaram logo o corpo no Rossio. Ao qual alvoroço acudiu muito povo, a quem um frade fez uma pregação convocando-os contra os cristãos-novos, após o que saíram dois frades do mosteiro, com um crucifixo nas mãos bradando, heresia, heresia, o que imprimiu tanto em muita gente estrangeira, popular, marinheiros de naus, que então vieram da Holanda, Zelândia, e outras partes, ali homens da terra, da mesma condição, e pouca qualidade, que juntos mais de quinhentos, começaram a matar todos os cristãos-novos que achavam pelas ruas, …tirando-os delas de arrasto pelas ruas, com seus filhos, mulheres, e filhas, os lançavam de mistura vivos e mortos nas fogueiras, sem nenhuma piedade, e era tamanha a crueza que até nos meninos, e nas crianças que estavam no berço a executavam, tomando-os pelas pernas fendendo-os em pedaços, e esborrachando-os de arremesso nas paredes. …tornaram terça-feira este danados homens a prosseguir a sua crueza, mas não tanto quanto nos outros dias porque já não achavam quem matar, pois todos os cristãos-novos que escaparam desta tamanha fúria, serem postos a salvo por pessoas honradas, e piedosas que nisto trabalharam tudo o que neles foi.»</p>
</div>
</td>
</tr>

<tr class="hiddenStructure noprint" id="wx97">
<td style="padding:0 1.2em" id="wx98"/>
<td style="padding:0 1.2em 0 0" id="wx99"/>
</tr>
</table>

<wx:templateend start="wx_t1"/>
<a id="Ver_Tamb.C3.A9m" name="Ver_Tamb.C3.A9m"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Ver Também" id="wxsec3"><h2 id="wx100">Ver Também</h2>

<ul id="wx101">
<li id="wx102"><a href="/wpt/Sinagoga_Portuguesa_de_Amsterd%C3%A3o" title="Sinagoga Portuguesa de Amsterdão" wx:linktype="known" wx:pagename="Sinagoga_Portuguesa_de_Amsterdão" wx:page_id="15969" id="wx103">Sinagoga Portuguesa de Amsterdão</a></li>

<li id="wx104"><a href="/wpt/Decreto_de_Alhambra" title="Decreto de Alhambra" wx:linktype="known" wx:pagename="Decreto_de_Alhambra" wx:page_id="80316" id="wx105">Decreto de Alhambra</a>
<p id="wx106">de 1492</p>
</li>

<li id="wx107"><a href="/wpt/Cripto-judeu" title="Cripto-judeu" wx:linktype="known" wx:pagename="Cripto-judeu" wx:page_id="80308" id="wx108">Cripto-judeu</a></li>

<li id="wx109"><a href="/wpt/Richard_Zimler" title="Richard Zimler" wx:linktype="known" wx:pagename="Richard_Zimler" wx:page_id="112042" id="wx110">Richard Zimler</a>
<p id="wx111">: "<i id="wx112">O Último Cabalista de Lisboa</i>"</p>
</li>
</ul>

<a id="Refer.C3.AAncias" name="Refer.C3.AAncias"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Referências" id="wxsec4"><h2 id="wx113">Referências</h2>

<ul id="wx114">
<li id="wx115">
<p id="wx116">Yosef Kaplan: <i id="wx117">A Diáspora Judaico-Portuguesa: as Tribulações de um Exílio</i> (dissertação).</p>
</li>

<li id="wx118">
<p id="wx119">Jorge Martins: <i id="wx120">Portugal e os Judeus — Volume I, Dos primórdios da nacionalidade à Legislação Pombalina</i>.</p>
</li>
</ul>

<a id="Liga.C3.A7.C3.B5es_externas" name="Liga.C3.A7.C3.B5es_externas"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Ligações externas" id="wxsec5"><h2 id="wx121"><wx:template id="wx_t2" pagename="Predefinição:Apontadores_Externos" page_id="67990"/>Ligações externas<wx:templateend start="wx_t2"/></h2>

<ul id="wx122">
<li id="wx123"><a href="http://www.laicidade.org/documentacao/textos-historicos/pogrom-damiao-gois/" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx124">O Progrom de Lisboa segundo Damião de Góis</a></li>

<li id="wx125"><a href="http://www.geocities.com/brasilsefarad/progrom.htm" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx126">O Progrom de Lisboa</a></li>

<li id="wx127"><a href="http://www.cilisboa.org/" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx128">Comunidade Israelita de Lisboa</a></li>

<li id="wx129"><a href="http://ruadajudiaria.com/" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx130">500 Anos: O massacre de Lisboa IX</a></li>

<li id="wx131"><a href="http://www.beitisrael.org/" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx132">Comunidade Judaica Masorti de Lisboa</a></li>
</ul>
</wx:section></wx:section></div>
<div id="wx_categorylinks">
<a href="/wpt/index.php?title=Especial:Categories&amp;article=Massacre_de_Lisboa_de_1506" title="Especial:Categories" wx:linktype="known" wx:pagename="Especial:Categories" id="wx133">Categorias de páginas</a>: <span dir="ltr" id="wx134"><a href="/wpt/Categoria:Hist%C3%B3ria_de_Portugal" title="Categoria:História de Portugal" wx:linktype="known" wx:pagename="Categoria:História_de_Portugal" wx:page_id="15041" id="wx135">História de Portugal</a></span> | <span dir="ltr" id="wx136"><a href="/wpt/Categoria:Hist%C3%B3ria_judaica" title="Categoria:História judaica" wx:linktype="known" wx:pagename="Categoria:História_judaica" wx:page_id="132279" id="wx137">História judaica</a></span> | <span dir="ltr" id="wx138"><a href="/wpt/Categoria:Massacres" title="Categoria:Massacres" wx:linktype="known" wx:pagename="Categoria:Massacres" wx:page_id="277360" id="wx139">Massacres</a></span></div>
<div id="wx_languagelinks">
Outras línguas: <a href="http://eo.wikipedia.org/wiki/Pogromo_de_Lisbono_en_1506" class="external" wx:linktype="interwiki" wx:pagename="eo:Pogromo_de_Lisbono_en_1506" id="wx140">Esperanto</a></div>
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<p id="wx141">No mosteiro de São Domingos da dita cidade estava uma capela a que chamava de Jesus, e nela um crucifixo, em que foi então visto um sinal, a que davam cor de milagre, com quanto os que na igreja se acharam julgavam ser o contrário dos quais um cristão-novo disse que lhe parecia uma candeia acesa que estava posta no lado da imagem de Jesus, o que ouvindo alguns homens baixos o tiraram pelos cabelos de arrasto para fora da igreja, e o mataram, e queimaram logo o corpo no Rossio. Ao qual alvoroço acudiu muito povo, a quem um frade fez uma pregação convocando-os contra os cristãos-novos, após o que saíram dois frades do mosteiro, com um crucifixo nas mãos bradando, heresia, heresia, o que imprimiu tanto em muita gente estrangeira, popular, marinheiros de naus, que então vieram da Holanda, Zelândia, e outras partes, ali homens da terra, da mesma condição, e pouca qualidade, que juntos mais de quinhentos, começaram a matar todos os cristãos-novos que achavam pelas ruas, …tirando-os delas de arrasto pelas ruas, com seus filhos, mulheres, e filhas, os lançavam de mistura vivos e mortos nas fogueiras, sem nenhuma piedade, e era tamanha a crueza que até nos meninos, e nas crianças que estavam no berço a executavam, tomando-os pelas pernas fendendo-os em pedaços, e esborrachando-os de arremesso nas paredes. …tornaram terça-feira este danados homens a prosseguir a sua crueza, mas não tanto quanto nos outros dias porque já não achavam quem matar, pois todos os cristãos-novos que escaparam desta tamanha fúria, serem postos a salvo por pessoas honradas, e piedosas que nisto trabalharam tudo o que neles foi.</p>
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<p id="wx142">No mosteiro de São Domingos da dita cidade estava uma capela a que chamava de Jesus, e nela um crucifixo, em que foi então visto um sinal, a que davam cor de milagre, com quanto os que na igreja se acharam julgavam ser o contrário dos quais um cristão-novo disse que lhe parecia uma candeia acesa que estava posta no lado da imagem de Jesus, o que ouvindo alguns homens baixos o tiraram pelos cabelos de arrasto para fora da igreja, e o mataram, e queimaram logo o corpo no Rossio. Ao qual alvoroço acudiu muito povo, a quem um frade fez uma pregação convocando-os contra os cristãos-novos, após o que saíram dois frades do mosteiro, com um crucifixo nas mãos bradando, heresia, heresia, o que imprimiu tanto em muita gente estrangeira, popular, marinheiros de naus, que então vieram da Holanda, Zelândia, e outras partes, ali homens da terra, da mesma condição, e pouca qualidade, que juntos mais de quinhentos, começaram a matar todos os cristãos-novos que achavam pelas ruas, …tirando-os delas de arrasto pelas ruas, com seus filhos, mulheres, e filhas, os lançavam de mistura vivos e mortos nas fogueiras, sem nenhuma piedade, e era tamanha a crueza que até nos meninos, e nas crianças que estavam no berço a executavam, tomando-os pelas pernas fendendo-os em pedaços, e esborrachando-os de arremesso nas paredes. …tornaram terça-feira este danados homens a prosseguir a sua crueza, mas não tanto quanto nos outros dias porque já não achavam quem matar, pois todos os cristãos-novos que escaparam desta tamanha fúria, serem postos a salvo por pessoas honradas, e piedosas que nisto trabalharam tudo o que neles foi.</p>
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