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<title>Respostas dos biomas ao clima</title>
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<div id="wx_article">
<wx:section level="1" title="Respostas dos biomas ao clima" id="wxsec1"><h1 class="pagetitle" id="wx1">Respostas dos biomas ao clima</h1>

<dl id="wx2">
<dd id="wx3">
<p id="wx4">O <a href="/wpt/Clima" title="Clima" wx:linktype="known" wx:pagename="Clima" wx:page_id="599" id="wx5">clima</a> define as características e as fronteiras dos <a href="/wpt/Biomas" title="Biomas" wx:linktype="known" wx:pagename="Biomas" wx:page_id="440636" id="wx6">biomas</a> terrestres <sup id="_ref-0" class="reference"><a href="#_note-0" title="" wx:fragment="_note-0" wx:linktype="note" id="wx7"/></sup> A distribuição e estrutura básicas dos ecossistemas é resultado de um processo evolutivo de dezenas de milhares de anos governado principalmente pelas interações entre variáveis bióticas, climáticas e geológicas. Esta interação gera mecanismos de <a href="/wpt/Feedback" title="Feedback" wx:linktype="known" wx:pagename="Feedback" wx:page_id="213449" id="wx8">feedback</a> entre os compartimentos (<a href="/wpt/Biosfera" title="Biosfera" wx:linktype="known" wx:pagename="Biosfera" wx:page_id="2834" id="wx9">biosfera</a>/<a href="/wpt/Atmosfera" title="Atmosfera" wx:linktype="known" wx:pagename="Atmosfera" wx:page_id="17600" id="wx10">atmosfera</a>), e ao longo da história o resultado destas interações reproduz o padrão natural de distribuição dos biomas e consequentemente da <a href="/wpt/Biodiversidade" title="Biodiversidade" wx:linktype="known" wx:pagename="Biodiversidade" wx:page_id="9853" id="wx11">biodiversidade</a>. Toda e qualquer alteração na estrutura dos biomas que não satisfaça esta trajetória evolutiva pode ser atribuída a processos de <a href="/wpt/Aclimatiza%C3%A7%C3%A3o" title="Aclimatização" wx:linktype="known" wx:pagename="Aclimatização" wx:page_id="795607" id="wx12">aclimatização</a> que está relacionado às mudanças súbitas cíclicas ou não nas variáveis climáticas.<sup id="_ref-1" class="reference"><a href="#_note-1" title="" wx:fragment="_note-1" wx:linktype="note" id="wx13"/></sup> Portanto as respostas dos biomas ao clima estão intimamente relacionadas com os mecanismos de feedback gerados pela biosfera. Na prática esses mecanismos correspondem aos diversos meios com os quais a vegetação se ajusta às mudanças. Um exemplo muito comum deste processo é observado na ciclagem da água em biomas cuja vegetação esteja submetida a estresse hídrico.</p>
</dd>

<dd id="wx14">
<p id="wx15">As respostas dos biomas ao clima são geradas em uma escala característica, que é a dimensão no tempo ou no espaço sobre a qual as variações geradas podem ser percebidas. Sendo assim, a escala pode ocorrer em centenas de anos ou em curto espaço de tempo, como podemos observar com mais clareza nos últimos trinta anos.</p>
</dd>

<dd id="wx16">
<p id="wx17">As <a href="/wpt/Mudan%C3%A7as_clim%C3%A1ticas" title="Mudanças climáticas" wx:linktype="known" wx:pagename="Mudanças_climáticas" wx:page_id="92116" id="wx18">mudanças climáticas</a> em curso têm efeitos sobre os mais diversos biomas do planeta e suas conseqüências ainda são fonte de muitos estudos. Em geral as principais respostas geradas por estes biomas estão associadas ao aumento da temperatura e por alterações no padrão de outras variáveis climáticas como umidade. Em escala global o agravamento do <a href="/wpt/Efeito_estufa" title="Efeito estufa" wx:linktype="known" wx:pagename="Efeito_estufa" wx:page_id="14505" id="wx19">efeito estufa</a> e das alterações que o mesmo causa no clima, tem sido o agente determinante para os atuais ajustamentos dos biomas. Muito embora o efeito estufa seja um processo natural, seu agravamento vem se tornando prejudicial à estabilidade do clima global. O clima do planeta sempre passou por transformações, a história geológica da terra registrou ciclos de aquecimento e resfriamento bem pronunciados ao longo do tempo. Porém o que se observa atualmente é que desde a revolução industrial as mudanças nos biomas causadas pelas variações do clima ocorrem num ritmo mais rápido e estão sendo determinadas pelo aumento da temperatura, que cresce numa velocidade sem precedentes.</p>
</dd>
</dl>

<dl id="wx20">
<dt id="wx21">Respostas de biomas às mudanças climáticas </dt>

<dd id="wx22">
<p id="wx23">Ao longo dos últimos 100 anos o homem nas suas mais variadas atividades, contribui para um aumento médio na temperatura de aproximadamente 0,7°C na temperatura global<sup id="_ref-2" class="reference"><a href="#_note-2" title="" wx:fragment="_note-2" wx:linktype="note" id="wx24"/></sup> , (Figura 1). Em escala global o aumento já desencadeou o início de processos como branqueamento de corais<sup id="_ref-3" class="reference"><a href="#_note-3" title="" wx:fragment="_note-3" wx:linktype="note" id="wx25"/></sup> e principalmente perda de gelo em grandes geleiras na Antártica Ocidental e também nos Alpes Suíços. Modelos climáticos de circulação geral acoplados atmosférica-oceano [<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Aquecimento_global#Modelos_clim.C3.A1ticos|AOGCMs" class="external autonumber" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx26"/>] prevêem que o aumento de 1,0°C ainda para este século implicará no desaparecimento das geleiras dos Andes tropicais. A projeção de aumento para 1,6°C deverá acarretar o derretimento da geleira da Groenlândia. Em último caso, num cenário mais pessimista, o aumento de 4ºC determinará colapso da <a href="/wpt/Circula%C3%A7%C3%A3o_termohalina" title="Circulação termohalina" wx:linktype="known" wx:pagename="Circulação_termohalina" wx:page_id="1468823" id="wx27">circulação termohalina</a>.<sup id="_ref-multipla_0" class="reference"><a href="#_note-multipla" title="" wx:fragment="_note-multipla" wx:linktype="note" id="wx28"/></sup></p>
</dd>
</dl>

<dl id="wx29">
<dt id="wx30">Bioma Amazônico </dt>

<dd id="wx31">
<p id="wx32">Um dos cenários para o Bioma Amazônico projetado pelo Modelo do Instituto Hadley Centre,<sup id="_ref-4" class="reference"><a href="#_note-4" title="" wx:fragment="_note-4" wx:linktype="note" id="wx33"/></sup> afirma que, de 1990 a 2090, a temperatura subirá em 10ºC e a precipitação cairá em até 4 mm por dia. Trata-se do mais radical dos cenários e sugere colapso total da floresta amazônica. Modelos menos catastróficos com cenários mais brandos, obtidos pela média entre seis modelos dentre os quais está o modelo do Hadley Centre, prevêem aumento de 3-4°C e sugerem a possibilidade de savanização de parte da Amazônia, sobretudo porque o clima se tornaria mais sazonal, com menos água no solo para a floresta atravessar a estação seca. Um modelo de circulação geral atmosférica acoplado a outro de vegetação potencial desenvolvido pelo INPE<sup id="_ref-5" class="reference"><a href="#_note-5" title="" wx:fragment="_note-5" wx:linktype="note" id="wx34"/></sup> prevê o surgimento de um novo estado de equilíbrio na relação bioma-clima, a substituição das florestas do bioma amazônico na parte leste por vegetação do tipo savana (Figura 2). A proporção em que esta transformação pode ocorrer, de acordo com o modelo, é de que 30% da floresta sejam convertidos em savana até a primeira metade deste século e 50% até 2100.</p>
</dd>
</dl>

<dl id="wx35">
<dd id="wx36">
<p id="wx37">O principal fator que determina a cobertura vegetal de uma região como floresta ou savana, é a duração da estação seca.<sup id="_ref-multipla_1" class="reference"><a href="#_note-multipla" title="" wx:fragment="_note-multipla" wx:linktype="note" id="wx38"/></sup> As atividades antrópicas como o <a href="/wpt/Desmatamento" title="Desmatamento" wx:linktype="known" wx:pagename="Desmatamento" wx:page_id="48880" id="wx39">desmatamento</a>, fragmentação florestal, e a <a href="/wpt/Explora%C3%A7%C3%A3o_madeireira" class="new" title="Exploração madeireira" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Exploração_madeireira" id="wx40">exploração madeireira</a> por si só são suficientes para redução das chuvas na Amazônia e contribuem para agravar os efeitos danosos da estação seca prolongada.<sup id="_ref-multipla_2" class="reference"><a href="#_note-multipla" title="" wx:fragment="_note-multipla" wx:linktype="note" id="wx41"/></sup> Porém, embora a maioria dos modelos de clima e emissão de carbono faça previsões de mudanças na estrutura do ecossistema amazônico, um estudo recente <sup id="_ref-6" class="reference"><a href="#_note-6" title="" wx:fragment="_note-6" wx:linktype="note" id="wx42"/></sup> assegura que a Amazônia é mais resistente à seca do que se pressupõem. A pesquisa sugere que a floresta intacta pode ser mais resiliente do que os modelos de ecossistema assumem, pelo menos em resposta a anomalias climáticas de curta duração. Foi demonstrado que a floresta reagiu positivamente ao aumento de calor e radiação solar durante a seca de 2005. O estresse hídrico sob o qual estava a vegetação, não foi suficiente para anular o rebrotamento da floresta, que aconteceu somente pelo estímulo da radiação solar. Com isso a pesquisa pode contribuir para elaborar modelos mais precisos de previsão climática, que até então consideram a vegetação do bioma amazônico altamente sensível aos eventos de seca.</p>
</dd>

<dd id="wx43">
<p id="wx44">No entanto se as previsões se concretizarem, durante o processo de aquecimento na Amazônia a floresta liberaria grande parte dos 70 bilhões de toneladas de carbono estocados na sua <a href="/wpt/Biomassa" title="Biomassa" wx:linktype="known" wx:pagename="Biomassa" wx:page_id="83685" id="wx45">biomassa</a>, gerando um pulso crescente de emissão de CO<sub id="wx46">2</sub>, contribuindo para acelerar o efeito estufa. Desta forma, assim como já ocorre em outros biomas do planeta, o bioma amazônico passaria a ser fonte de gases do efeito estufa, e não mais retentor desses gases. As mudanças na característica natural da Amazônia potencializariam as alterações já em curso no clima regional e poderiam ter implicações globais. Paulatinamente os serviços ambientais gerados pelo bioma amazônico como manutenção do <a href="/wpt/Ciclo_hidrol%C3%B3gico" title="Ciclo hidrológico" wx:linktype="known" wx:pagename="Ciclo_hidrológico" wx:page_id="55080" id="wx47">ciclo hidrológico</a> na região, <a href="/wpt/Sequestro_de_carbono" title="Sequestro de carbono" wx:linktype="known" wx:pagename="Sequestro_de_carbono" wx:page_id="1282662" id="wx48">sequestro de carbono</a> entre outros, poderão ser substituídos por capacidades distintas características da nova vegetação.</p>
</dd>
</dl>

<dl id="wx49">
<dt id="wx50">Bioma de Tundra </dt>

<dd id="wx51">
<p id="wx52">O bioma de Tundra se encontra em três grandes regiões geográficas ecológicas: Alpes, Antártica e Ártico. <sup id="_ref-multipla2_0" class="reference"><a href="#_note-multipla2" title="" wx:fragment="_note-multipla2" wx:linktype="note" id="wx53"/></sup> As tundras que têm formação recente, cerca de 10 mil anos atrás, estão passando por grandes transformações determinadas pelo <a href="/wpt/Aquecimento_global" title="Aquecimento global" wx:linktype="known" wx:pagename="Aquecimento_global" wx:page_id="232" id="wx54">aquecimento global</a>.<sup id="_ref-multipla2_1" class="reference"><a href="#_note-multipla2" title="" wx:fragment="_note-multipla2" wx:linktype="note" id="wx55"/></sup> Grandes extensões da paisagem (Figura 3) anteriormente congeladas, <a href="/wpt/Permafrost" title="Permafrost" wx:linktype="known" wx:pagename="Permafrost" wx:page_id="132499" id="wx56">permafrost</a>, estão se tornando áreas de vegetação alagadas em decorrência do derretimento da água do solo. Com o aumento da temperatura e maior disponibilidade de água a atividade microbiana é maximizada e a liberação de <a href="/wpt/G%C3%A1s_carb%C3%B4nico" title="Gás carbônico" wx:linktype="known" wx:pagename="Gás_carbônico" wx:page_id="45822" id="wx57">gás carbônico</a> (CO<sub id="wx58">2</sub>) e <a href="/wpt/Metano" title="Metano" wx:linktype="known" wx:pagename="Metano" wx:page_id="44753" id="wx59">metano</a> (CH<sub id="wx60">4</sub>) aumentam ante a maior taxa de <a href="/wpt/Decomposi%C3%A7%C3%A3o" title="Decomposição" wx:linktype="known" wx:pagename="Decomposição" wx:page_id="16308" id="wx61">decomposição</a>.<sup id="_ref-7" class="reference"><a href="#_note-7" title="" wx:fragment="_note-7" wx:linktype="note" id="wx62"/></sup> <sup id="_ref-8" class="reference"><a href="#_note-8" title="" wx:fragment="_note-8" wx:linktype="note" id="wx63"/></sup> A liberação destes gases para atmosfera agrava ainda mais o efeito estufa, pois repõe para atmosfera grandes quantidades de carbono estocado neste bioma ao longo do tempo. Há uma tendência, portanto na atual condição do bioma de tundra ser fonte e não mais sumidouro de carbono.</p>
</dd>
</dl>

<a id="Refer.C3.AAncias" name="Refer.C3.AAncias"/>
<wx:section level="2" title="Referências" id="wxsec2"><h2 id="wx64">Referências</h2>

<ol id="wx65">
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<p id="wx67">RICKEFS, R. A Economia da Natureza. Editora Guanbara Koogan. 5ª Edição, Rio de Janeiro 2003.</p>
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<li id="wx68">
<p id="wx69">TAIZ, L. &amp; ZEIGER, E. Fisiologia Vegetal. Editora Artmed. 3ª Edição. São Paulo, 2003.</p>
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<li id="wx70">
<p id="wx71">MARENGO, J.A. Interdecadal variability and trends of rainfall across the Amazon basin. Theoretical and applied Climatology. Vol 78, 79–96 (2004).</p>
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<li id="wx72">
<p id="wx73">WALTHER, Gian-Reto et al. Ecological responses to recent climate change. Nature Vol. 416, March 2002.</p>
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<li id="wx74">
<p id="wx75">NOBRE, C. II Simpósio da Biota Amazônica. Museu Paraense Emilío Goeldi, Belém Dezembro de 2006. Web site: <a href="http://www.museu-goeldi.br/biota/" class="external free" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx76">http://www.museu-goeldi.br/biota/</a></p>
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<li id="wx77">
<p id="wx78">Instituto Hadley Centre, 2000. <a href="http://www.metoffice.gov.uk/research/hadleycentre/pubs/brochures/2005/climate_greenhouse.pdf" class="external free" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx79">http://www.metoffice.gov.uk/research/hadleycentre/pubs/brochures/2005/climate_greenhouse.pdf</a></p>
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<li id="wx80">
<p id="wx81">OYAMA, D. Marcos and NOBRE, A. Carlos. A new climate-vegetation equilibrium state for Tropical South America. Geophysical Research Letters, vol. 30, Nº. 23, 2199, 2003.</p>
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<li id="wx82">
<p id="wx83">SALESKA, Scott R. et al. Amazon Forests Green-Up During 2005 Drought. Science Express, 2007. Disponível em: <a href="http://www.sciencemag.org/cgi/content/abstract/1146663v1" class="external free" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx84">http://www.sciencemag.org/cgi/content/abstract/1146663v1</a></p>
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<li id="wx85">
<p id="wx86">MOORE, Peter D. Hope in the hills for tundra? Nature, Vol 432, november 2004.</p>
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<p id="wx88">AERTS, R. The freezer defrosting: global warming and litter decomposition rates in cold biomes. Journal of Ecology. Vol. 94 , pp. 713–724, 2006.</p>
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<p id="wx90">LOYA, W. M. and GROGAN, P. Carbon Conundrum on the tundra. Nature VOL 431. September 2004.</p>
</li>
</ol>
</wx:section></wx:section></div>
<div id="wx_categorylinks">
<a href="/wpt/index.php?title=Especial:Categories&amp;article=Respostas_dos_biomas_ao_clima" title="Especial:Categories" wx:linktype="known" wx:pagename="Especial:Categories" id="wx91">Categorias de páginas</a>: <span dir="ltr" id="wx92"><a href="/wpt/Categoria:Biomas" title="Categoria:Biomas" wx:linktype="known" wx:pagename="Categoria:Biomas" wx:page_id="522787" id="wx93">Biomas</a></span> | <span dir="ltr" id="wx94"><a href="/wpt/Categoria:Clima" title="Categoria:Clima" wx:linktype="known" wx:pagename="Categoria:Clima" wx:page_id="37402" id="wx95">Clima</a></span></div>
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</div>
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