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<title>Formação de linhagens na nobreza galega da Baixa Idade Média</title>
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<div id="wx_article">
<wx:section level="1" title="Formação de linhagens na nobreza galega da Baixa Idade Média" id="wxsec1"><h1 class="pagetitle" id="wx1">Formação de linhagens na nobreza galega da Baixa Idade Média</h1>

<p id="wx2">No fim do difícil <a href="/wpt/S%C3%A9culo_XIV" title="Século XIV" wx:linktype="known" wx:pagename="Século_XIV" wx:page_id="10585" id="wx3">século XIV</a> e durante o convulso <a href="/wpt/S%C3%A9culo_XV" title="Século XV" wx:linktype="known" wx:pagename="Século_XV" wx:page_id="10584" id="wx4">século XV</a> ocorreu na isolada <a href="/wpt/Galiza" title="Galiza" wx:linktype="known" wx:pagename="Galiza" wx:page_id="931" id="wx5">Galiza</a> a <b id="wx6">transformação da antiga nobreza</b> e a incorporação de uma nova que formaram seu poder econômico e social alicerçado na posse da terra (unificada num único patrimônio, sob a mão do cabeça-de-casal) e o poder das <a href="/wpt/Arma" title="Arma" wx:linktype="known" wx:pagename="Arma" wx:page_id="46867" id="wx7">armas</a>. Configurou-se deste jeito uma sociedade baseada na instituição do <a href="/wpt/Morgado" title="Morgado" wx:linktype="known" wx:pagename="Morgado" wx:page_id="370950" id="wx8">morgado</a> e o <a href="/wpt/Cavalaria_medieval" title="Cavalaria medieval" wx:linktype="known" wx:pagename="Cavalaria_medieval" wx:page_id="97849" id="wx9">ideal cavaleiresco</a>, dando lugar às <a href="/wpt/Linhagem" title="Linhagem" wx:linktype="known" wx:pagename="Linhagem" wx:page_id="182278" id="wx10">linhagems</a>, que perduraram durante toda a <a href="/wpt/Baixa_Idade_M%C3%A9dia" title="Baixa Idade Média" wx:linktype="known" wx:pagename="Baixa_Idade_Média" wx:page_id="72000" id="wx11">Baixa Idade Média</a> até a chegada da <a href="/wpt/Idade_Moderna" title="Idade Moderna" wx:linktype="known" wx:pagename="Idade_Moderna" wx:page_id="1043" id="wx12">Idade Moderna</a> com a reforma política levada a cabo pelos <a href="/wpt/Reis_Cat%C3%B3licos" title="Reis Católicos" wx:linktype="known" wx:pagename="Reis_Católicos" wx:page_id="15740" id="wx13">Reis Católicos</a>, tendo muitas delas continuidade quando conseguiram adaptar-se à nova situação achegando-se ao novo centro real de poder, a <a href="/wpt/Corte_Real" title="Corte Real" wx:linktype="known" wx:pagename="Corte_Real" wx:page_id="155500" id="wx14">Corte Real</a>.</p>

<div id="wx_toc"/>

<a id="O_passo_da_cogna.C3.A7.C3.A3o_.C3.A0_agna.C3.A7.C3.A3o._A_generaliza.C3.A7.C3.A3o_do_morgado_dentro_de_um_quadro_de_crise" name="O_passo_da_cogna.C3.A7.C3.A3o_.C3.A0_agna.C3.A7.C3.A3o._A_generaliza.C3.A7.C3.A3o_do_morgado_dentro_de_um_quadro_de_crise"/>
<wx:section level="2" title="O passo da cognação à agnação. A generalização do morgado dentro de um quadro de crise" id="wxsec2"><h2 id="wx15">O passo da cognação à agnação. A generalização do morgado dentro de um quadro de crise</h2>

<div class="wx_image" wx:thumb="thumb" id="wx16"><a href="/wpt/Imagem:Pestilence_spreading_1347-1351_europe.png" title="Progressão anual da Peste negra na Europa no século XIV. A cor verde indica baixa incidência" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Pestilence_spreading_1347-1351_europe.png" id="wx17"><img src="/wpt/Imagem:Pestilence_spreading_1347-1351_europe.png" alt="Progressão anual da Peste negra na Europa no século XIV. A cor verde indica baixa incidência" width="270" id="wx18"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx19">
<p id="wx20">Progressão anual da <a href="/wpt/Peste_negra" title="Peste negra" wx:linktype="known" wx:pagename="Peste_negra" wx:page_id="13219" id="wx21">Peste negra</a> na <a href="/wpt/Europa" title="Europa" wx:linktype="known" wx:pagename="Europa" wx:page_id="772" id="wx22">Europa</a> no <a href="/wpt/S%C3%A9culo_XIV" title="Século XIV" wx:linktype="known" wx:pagename="Século_XIV" wx:page_id="10585" id="wx23">século XIV</a>. A cor verde indica baixa incidência</p>
</div>
</div>

<dl id="wx24">
<dd id="wx25"><i id="wx26">Ver os artigos sobre <a href="/wpt/Cogna%C3%A7%C3%A3o" class="new" title="Cognação" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Cognação" id="wx27">cognação</a>, <a href="/wpt/Agna%C3%A7%C3%A3o" class="new" title="Agnação" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Agnação" id="wx28">agnação</a> e <a href="/wpt/Morgado" title="Morgado" wx:linktype="known" wx:pagename="Morgado" wx:page_id="370950" id="wx29">morgado</a>.</i></dd>
</dl>

<p id="wx30">O <a href="/wpt/S%C3%A9culo_XIV" title="Século XIV" wx:linktype="known" wx:pagename="Século_XIV" wx:page_id="10585" id="wx31">século XIV</a> foi o século das calamidades, um século de <a href="/wpt/Crise" title="Crise" wx:linktype="known" wx:pagename="Crise" wx:page_id="188990" id="wx32">crise</a>:</p>

<ul id="wx33">
<li id="wx34">
<p id="wx35">Crise agrária que provocou uma terrível <a href="/wpt/Fome" title="Fome" wx:linktype="known" wx:pagename="Fome" wx:page_id="105188" id="wx36">fome</a> que abriu as portas à grande <a href="/wpt/Epidemia" title="Epidemia" wx:linktype="known" wx:pagename="Epidemia" wx:page_id="37089" id="wx37">epidemia</a> de <a href="/wpt/Peste_negra" title="Peste negra" wx:linktype="known" wx:pagename="Peste_negra" wx:page_id="13219" id="wx38">peste</a> que assolou <a href="/wpt/Europa" title="Europa" wx:linktype="known" wx:pagename="Europa" wx:page_id="772" id="wx39">Europa</a> de ponta a ponta.</p>
</li>

<li id="wx40">
<p id="wx41">A <a href="/wpt/Guerra" title="Guerra" wx:linktype="known" wx:pagename="Guerra" wx:page_id="5327" id="wx42">guerra</a>, presente na maioria do território europeu. Também na <a href="/wpt/Galiza" title="Galiza" wx:linktype="known" wx:pagename="Galiza" wx:page_id="931" id="wx43">Galiza</a>, que participou ativamente nos conflitos nos quais se viu imersa a <a href="/wpt/Castela" title="Castela" wx:linktype="known" wx:pagename="Castela" wx:page_id="1508755" id="wx44">coroa de Castela</a>.</p>
</li>
</ul>

<p id="wx45">A expansão demográfica e econômica de séculos anteriores foi destacável, mas já no fim do <a href="/wpt/S%C3%A9culo_XIII" title="Século XIII" wx:linktype="known" wx:pagename="Século_XIII" wx:page_id="10586" id="wx46">século XIII</a> se apreciara certa recessão que se iria agravando com o troco de centúria; isto deveu-se ao estancamento da <a href="/wpt/Agricultura" title="Agricultura" wx:linktype="known" wx:pagename="Agricultura" wx:page_id="249" id="wx47">agricultura</a>. Foi nesta tessitura quando fez aparição a <a href="/wpt/Fome" title="Fome" wx:linktype="known" wx:pagename="Fome" wx:page_id="105188" id="wx48">fome</a>. E foram duas as razões principais: uma de índole econômica e outra de índole social. A primeira devido a que, com a bonança agrícola, o aumento demográfico fora espetacular, mas com a súbita parada das <a href="/wpt/Aradura" class="new" title="Aradura" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Aradura" id="wx49">araduras</a> de terras não havia suficientes <a href="/wpt/Alimento" title="Alimento" wx:linktype="known" wx:pagename="Alimento" wx:page_id="8253" id="wx50">alimentos</a> para todos, e e mais a rigorosidade do <a href="/wpt/Clima" title="Clima" wx:linktype="known" wx:pagename="Clima" wx:page_id="599" id="wx51">clima</a> estragava as <a href="/wpt/Colheita" title="Colheita" wx:linktype="known" wx:pagename="Colheita" wx:page_id="491985" id="wx52">colheitas</a>. A segunda razão descansa na conseqüência que produziu o anteriormente citado, um enorme desequilíbrio social, já que as classes dominantes decidiram adotar uma posição defensiva aumentando as carregas fiscais e <a href="/wpt/Renda" title="Renda" wx:linktype="known" wx:pagename="Renda" wx:page_id="99987" id="wx53">rendas</a> que tinham que pagar seus <a href="/wpt/Vassalo" title="Vassalo" wx:linktype="known" wx:pagename="Vassalo" wx:page_id="169828" id="wx54">vassalos</a>, sem reinvestir o obtido na melhora da produtividade. Mas alguns nobres laicos com poucas terras botaram mão de outros meios mais expeditivos para subsistirem.</p>

<p id="wx55">Um bom exemplo encontra-se no ordenamento dado por <a href="/wpt/Afonso_XI" title="Afonso XI" wx:linktype="known" wx:pagename="Afonso_XI" wx:page_id="116657" id="wx56">Afonso XI</a> nas cortes de <a href="/wpt/Valladolid" title="Valladolid" wx:linktype="known" wx:pagename="Valladolid" wx:page_id="44920" id="wx57">Valladolid</a> de <a href="/wpt/1325" title="1325" wx:linktype="known" wx:pagename="1325" wx:page_id="12751" id="wx58">1325</a>, que contestava às queixas interpostas por <a href="/wpt/Mosteiro" title="Mosteiro" wx:linktype="known" wx:pagename="Mosteiro" wx:page_id="63660" id="wx59">mosteiros</a> e <a href="/wpt/Prelado" title="Prelado" wx:linktype="known" wx:pagename="Prelado" wx:page_id="123439" id="wx60">prelados</a> sobre os atropelos cometidos pelos <a href="/wpt/Ricohome" class="new" title="Ricohome" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Ricohome" id="wx61">ricoshomes</a> ou seus <a href="/wpt/Meirinho" title="Meirinho" wx:linktype="known" wx:pagename="Meirinho" wx:page_id="222114" id="wx62">meirinhos</a>. As fontes da época recolhem, não isentas de dramatismo, as calamidades que castigavam nomeadamente à população mais desfavorecida: <i id="wx63">fue muy grant mortandat en los ganados, e otrosí la simiença muy tardía por el muy fuerte temporal que ha fecho de muy grandes nieves e de grandes yelos.</i></p>

<p id="wx64">Logo fez aparição a <a href="/wpt/Peste" title="Peste" wx:linktype="known" wx:pagename="Peste" wx:page_id="64564" id="wx65">peste</a>, a princípios do outono de <a href="/wpt/1348" title="1348" wx:linktype="known" wx:pagename="1348" wx:page_id="28072" id="wx66">1348</a>, e foi na costa onde se detectaram os primeiros brotes pestíferos, na zona do <a href="/wpt/Bispado_de_Tui" class="new" title="Bispado de Tui" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Bispado_de_Tui" id="wx67">bispado de Tui</a>, para ir estendendo-se para o interior da <a href="/wpt/Galiza" title="Galiza" wx:linktype="known" wx:pagename="Galiza" wx:page_id="931" id="wx68">Galiza</a> através das vias de comunicação mais freqüentadas.</p>

<p id="wx69">A escassez de braços tornou-se evidente, obrigando à nobreza a reorganizar suas explorações e a <i id="wx70">ganhar o pão</i> mediante outras formas: a <a href="/wpt/Viol%C3%AAncia" title="Violência" wx:linktype="known" wx:pagename="Violência" wx:page_id="48599" id="wx71">violência</a> indiscriminada, roubos, novos impostos (os <a href="/wpt/Maus_usos" class="new" title="Maus usos" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Maus_usos" id="wx72">maus usos</a>), etc.</p>

<div class="wx_image" wx:align="left" wx:thumb="thumb" id="wx73"><a href="/wpt/Imagem:Gladiatora_Longsword.jpg" title="Arte do códice de esgrima medieval Gladiatória em que se amostra a esgrima de espada longa armada" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Gladiatora_Longsword.jpg" id="wx74"><img src="/wpt/Imagem:Gladiatora_Longsword.jpg" alt="Arte do códice de esgrima medieval Gladiatória em que se amostra a esgrima de espada longa armada" width="275" id="wx75"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx76">
<p id="wx77">Arte do códice de esgrima medieval <i id="wx78">Gladiatória</i> em que se amostra a esgrima de espada longa armada</p>
</div>
</div>

<p id="wx79">O terceiro grande lastro que acompanhou o <a href="/wpt/S%C3%A9culo_XIV" title="Século XIV" wx:linktype="known" wx:pagename="Século_XIV" wx:page_id="10585" id="wx80">século XIV</a> foi a <a href="/wpt/Guerra" title="Guerra" wx:linktype="known" wx:pagename="Guerra" wx:page_id="5327" id="wx81">guerra</a>. De entre os conflitos haveria que salientar a <a href="/wpt/Guerra_civil" title="Guerra civil" wx:linktype="known" wx:pagename="Guerra_civil" wx:page_id="31939" id="wx82">guerra civil</a> entre <a href="/wpt/Pedro_I" title="Pedro I" wx:linktype="known" wx:pagename="Pedro_I" wx:page_id="11262" id="wx83">Pedro I</a> e <a href="/wpt/Henrique_de_Trast%C3%A2mara" title="Henrique de Trastâmara" wx:linktype="known" wx:pagename="Henrique_de_Trastâmara" wx:page_id="133034" id="wx84">Henrique de Trastâmara</a> (futuro Henrique II) entre o ano <a href="/wpt/1365" title="1365" wx:linktype="known" wx:pagename="1365" wx:page_id="28082" id="wx85">1365</a> e o <a href="/wpt/1369" title="1369" wx:linktype="known" wx:pagename="1369" wx:page_id="28085" id="wx86">1369</a>. Neste conflito <a href="/wpt/Galiza" title="Galiza" wx:linktype="known" wx:pagename="Galiza" wx:page_id="931" id="wx87">Galiza</a> jogou um papel ativo e protagonista, posicionando-se a maior parte da alta nobreza e as urbes junto a Dom Pedro. A ingente massa de pequenos cavaleiros aproveitaram a contenda para ascender socialmente apoiando a causa do <a href="/wpt/Bastardo" title="Bastardo" wx:linktype="known" wx:pagename="Bastardo" wx:page_id="1022229" id="wx88">bastardo</a>. Com o triunfo deste, foram eles os que ocuparam os postos vacantes deixados pela nobreza petrista erguendo-se como donos indiscutíveis da <a href="/wpt/Galiza" title="Galiza" wx:linktype="known" wx:pagename="Galiza" wx:page_id="931" id="wx89">Galiza</a>.</p>

<p id="wx90">O <a href="/wpt/S%C3%A9culo_XV" title="Século XV" wx:linktype="known" wx:pagename="Século_XV" wx:page_id="10584" id="wx91">século XV</a> foi palco de atropelos e abusos por parte destes cavaleiros, como também de uma instabilidade interna cujo máximo expoente se personificou nas contínuas disputas bandeiriças entre os diferentes magnatas e os prelados das mais importantes <a href="/wpt/S%C3%A9" title="Sé" wx:linktype="known" wx:pagename="Sé" wx:page_id="6496" id="wx92">Sés</a>. Mas a instabilidade transladou-se ao mesmo seio da aristocracia, ou seja, às mesmas bases que alicerçavam sua própria existência: a terra. Assistiu-se desde finais do <a href="/wpt/S%C3%A9culo_XIII" title="Século XIII" wx:linktype="known" wx:pagename="Século_XIII" wx:page_id="10586" id="wx93">século XIII</a> a uma reorganização dos modos de traspasso dos bens patrimoniais com a única idéia de reforçar o patrimônio e evitar por todos os meios a "fuga" das escassas terras possuídas em casamentos e na divisão das mesmas entre os filhos. O <b id="wx94">morgado</b> converteu-se deste jeito numa verdadeira instituição, tornando-se no primeiro passo da cognação à agnação.</p>

<div class="wx_image" wx:thumb="thumb" id="wx95"><a href="/wpt/Imagem:AljubarrotaBattle.jpg" title="A batalha de Aljubarrota (1385) enfrentou o reino de Portugal com o de Castela" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:AljubarrotaBattle.jpg" id="wx96"><img src="/wpt/Imagem:AljubarrotaBattle.jpg" alt="A batalha de Aljubarrota (1385) enfrentou o reino de Portugal com o de Castela" width="300" id="wx97"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx98">
<p id="wx99">A <a href="/wpt/Batalha_de_Aljubarrota" title="Batalha de Aljubarrota" wx:linktype="known" wx:pagename="Batalha_de_Aljubarrota" wx:page_id="15727" id="wx100">batalha de Aljubarrota</a> (<a href="/wpt/1385" title="1385" wx:linktype="known" wx:pagename="1385" wx:page_id="14735" id="wx101">1385</a>) enfrentou o reino de <a href="/wpt/Portugal" title="Portugal" wx:linktype="known" wx:pagename="Portugal" wx:page_id="1480" id="wx102">Portugal</a> com o de <a href="/wpt/Castela" title="Castela" wx:linktype="known" wx:pagename="Castela" wx:page_id="1508755" id="wx103">Castela</a></p>
</div>
</div>

<p id="wx104">O gérmen da transmissão patrimonial no período alto medieval é o <a href="/wpt/Direito_germ%C3%A2nico" class="new" title="Direito germânico" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Direito_germânico" id="wx105">germânico</a>, sendo os códigos e direitos que a regulamentavam iguais para toda a prole (<b id="wx106">modelo cognatício</b>); o patrimônio constituiu aquele conjunto de bens imóveis e para que isto ocorresse estes bens deviam ser estáveis e sólidos. O princípio cognativo obriga que a repartição da herança prime de jeito eqüitativo a todos os filhos havidos no casal sem importar sexo e idade. Este princípio gerava certa instabilidade patrimonial e portanto precisava a busca de soluções adequadas que paliassem a crescente desconfiança neste sistema sucessório.</p>

<p id="wx107">Também há que levar em conta os seguintes condicionantes: as quatro quintas partes das posses matrimoniais passavam às mãos dos filhos, restando uma quinta parte à livre disposição dos cônjuges. Normalmente esta parte ia parar ao poder de instituições eclesiásticas (nomeadamente às <a href="/wpt/Ordem_mendicante" title="Ordem mendicante" wx:linktype="known" wx:pagename="Ordem_mendicante" wx:page_id="276139" id="wx108">ordens mendicantes</a> para que agissem como mediadores frente ao passo ao além, tratando deste jeito de garantir aos seus doadores a glória celestial) ou bem para dotar melhor a algum dos filhos. O princípio cognativo rachava pois, de jeito paulatino, os bens familiares desmembrando sua base econômica.</p>

<p id="wx109">Surgiu então um novo modelo que já se vinha impondo em outros territórios europeus; falamos do <b id="wx110">princípio agnatício</b>, mediante o qual prevalece a linha paterna da família (frente à materna do anterior) à hora da sucessão como também também a <a href="/wpt/Primogenitura" title="Primogenitura" wx:linktype="known" wx:pagename="Primogenitura" wx:page_id="367062" id="wx111">primogenitura</a>. Está firmemente vinculado a um apelido, num <a href="/wpt/Solar_%28habita%C3%A7%C3%A3o%29" title="Solar (habitação)" wx:linktype="known" wx:pagename="Solar_(habitação)" wx:page_id="182436" id="wx112">solar</a> determinado, à idéia de linhagem, ao primogênito varão. Um claro exemplo vê-se no <a href="/wpt/Testamento" title="Testamento" wx:linktype="known" wx:pagename="Testamento" wx:page_id="330209" id="wx113">testamento</a> de <a href="/wpt/Pedro_Arias_de_Aldao" class="new" title="Pedro Arias de Aldao" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Pedro_Arias_de_Aldao" id="wx114">Pedro Arias de Aldao</a> do ano <a href="/wpt/1347" title="1347" wx:linktype="known" wx:pagename="1347" wx:page_id="28071" id="wx115">1347</a>: <i id="wx116">"Quero e he a minha vontade que toda a minha fazenda quede junta, porque sempre aja memória das minhas casas e da minha gente fidalga que deles bem."</i> O primogênito varão era pelo tanto o descente privilegiado e recebia todos os bens em conceito de morgado. Era o encarregado de proporcionar prestígio ao apelido e de engrossar o patrimônio. Mulheres e <a href="/wpt/Segundo" title="Segundo" wx:linktype="known" wx:pagename="Segundo" wx:page_id="25718" id="wx117">segundos</a> aparecem como os mais prejudicados, ficando relegados a um segundo plano, tendo por diante um futuro sombrio cheio de incertezas.</p>

<a id="A_forma.C3.A7.C3.A3o_das_linhagens" name="A_forma.C3.A7.C3.A3o_das_linhagens"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="A formação das linhagens" id="wxsec3"><h2 id="wx118">A formação das linhagens</h2>

<div class="wx_image" wx:align="left" wx:thumb="thumb" id="wx119"><a href="/wpt/Imagem:Hyghalmen_Roll_Late_1400s.jpg" title="O brasão representava uma família nobre" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Hyghalmen_Roll_Late_1400s.jpg" id="wx120"><img src="/wpt/Imagem:Hyghalmen_Roll_Late_1400s.jpg" alt="O brasão representava uma família nobre" width="160" id="wx121"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx122">
<p id="wx123">O <a href="/wpt/Bras%C3%A3o" title="Brasão" wx:linktype="known" wx:pagename="Brasão" wx:page_id="11516" id="wx124">brasão</a> representava uma família nobre</p>
</div>
</div>

<p id="wx125">A linhagem sustentava-se no solar de origem, num <a href="/wpt/Bras%C3%A3o" title="Brasão" wx:linktype="known" wx:pagename="Brasão" wx:page_id="11516" id="wx126">brasão</a>; incluía à gente viva e morta da família, e remoinhava-se ao redor de uma família já não conjugal, senão extensa. Cada linhagem tinha um chefe, um autêntico líder que procurava a maior glória para seu apelido e fazia as funções de cabeça visível, e para este fim era educado o varão primogênito.</p>

<p id="wx127">A pertença a uma determinada linhagem não era uma questão biológica; em torno ao líder tecia-se uma rede de <a href="/wpt/Clientelismo" title="Clientelismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Clientelismo" wx:page_id="275000" id="wx128">clientelismo</a> (<a href="/wpt/Dom%C3%A9stico" title="Doméstico" wx:linktype="known" wx:pagename="Doméstico" wx:page_id="1431717" id="wx129">domésticos</a>, meirinhos, homens de armas, criados) junto aos seus consangüíneos. Tinha uma clara função aglutinadora. O chefe tomava todas as decisões que atingiam ao seu contorno e tinha a obriga da salvaguarda do patrimônio familiar.</p>

<div class="wx_image" wx:thumb="thumb" id="wx130"><a href="/wpt/Imagem:Middelaldersv%C3%A6rd.jpg" title="Espadas do período final da Idade Média" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Middelaldersværd.jpg" id="wx131"><img src="/wpt/Imagem:Middelaldersv%C3%A6rd.jpg" alt="Espadas do período final da Idade Média" width="150" id="wx132"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx133">
<p id="wx134">Espadas do período final da <a href="/wpt/Idade_M%C3%A9dia" title="Idade Média" wx:linktype="known" wx:pagename="Idade_Média" wx:page_id="1042" id="wx135">Idade Média</a></p>
</div>
</div>

<p id="wx136">Aspirava-se à solidez patrimonial, pelo qual a solução radicava no morgado. Este constituía-se pela massa de bens inseparáveis do vínculo hereditário. E mais exige-se uma condição fundamental ao primogênito que: <i id="wx137">se casse com gente fidalga e limpa de toda agaficidade e má raça</i>.</p>

<p id="wx138">O morgado proporcionava estabilidade àqueles <a href="/wpt/Cavaleiro" title="Cavaleiro" wx:linktype="known" wx:pagename="Cavaleiro" wx:page_id="65777" id="wx139">cavaleiros</a> pertencentes às pequenas linhagens economicamente pouco fortes, ávidas por perdurar na história e na memória da fidalguia galega.</p>

<p id="wx140">A transcendência da linhagem aprecia-se sem dúvida no testamento de <a href="/wpt/Vasco_de_Ulloa" class="new" title="Vasco de Ulloa" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Vasco_de_Ulloa" id="wx141">Vasco de Ulloa</a> do ano <a href="/wpt/1290" title="1290" wx:linktype="known" wx:pagename="1290" wx:page_id="28022" id="wx142">1290</a> no que exige que todos seus bens recaiam no seu primogênito e se não é assim, em alguma pessoa capaz que porte o apelido Ulloa: <i id="wx143">"con condiçon que ditos beens sempre anden juntos heredados encorporados nunha soa persoa (...) a persoa que teña sempre por mais adiantado o meu linaje de Ulloa e o traiga no seu escudo darmas con roda e o pendón da señora Santa Catalina."</i></p>

<p id="wx144">No caso da inexistência de filhos legítimos, não resulta estranho que a sucessão recaísse nos ilegítimos: <i id="wx145">E falecendo a dita Ysabel sem semeda e menor de ydade e hos ditos Lopo e Gonzalo como ditto he, que todos estes dittos bees terras e senhorios que se tornem a Rodrigo meu filho que hey de Maria Fernandez, filha de Pedro Fernandez de Soñar.</i>. <a href="/wpt/Pedro_Madruga" title="Pedro Madruga" wx:linktype="known" wx:pagename="Pedro_Madruga" wx:page_id="1687169" id="wx146">Pedro Madruga</a> foi outro bom exemplo desta prática.</p>

<div class="wx_image" wx:align="left" wx:thumb="thumb" id="wx147"><a href="/wpt/Imagem:Soutomaior%2C_castelo_de.jpg" title="Castelo de Soutomaior, residência da família nobre dos Soutomaior" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Soutomaior,_castelo_de.jpg" id="wx148"><img src="/wpt/Imagem:Soutomaior%2C_castelo_de.jpg" alt="Castelo de Soutomaior, residência da família nobre dos Soutomaior" width="200" id="wx149"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx150"><a href="/wpt/Castelo_de_Soutomaior" title="Castelo de Soutomaior" wx:linktype="known" wx:pagename="Castelo_de_Soutomaior" wx:page_id="1693996" id="wx151">Castelo de Soutomaior</a>
<p id="wx152">, residência da família nobre dos Soutomaior</p>
</div>
</div>

<p id="wx153">O término casa é sinônimo de família ou linhagem. É sua significação simbólica; o gérmen da linhagem, o solar que os identifica perante a sociedade e acompanha o seu <a href="/wpt/Apelido" title="Apelido" wx:linktype="known" wx:pagename="Apelido" wx:page_id="347830" id="wx154">apelido</a>. A conscientiza genealógica que desperta na nobreza galega da <a href="/wpt/Baixa_Idade_M%C3%A9dia" title="Baixa Idade Média" wx:linktype="known" wx:pagename="Baixa_Idade_Média" wx:page_id="72000" id="wx155">Baixa Idade Média</a> mergulha-se até este ponto originário na procura do seu primeiro valedor; na busca das gestas e da glória que lhe supõe e que dignifique o nome do atual intitular da casa e da linhagem. Ganhará pulo nestes anos o passado, seguindo a linha reta até o mesmo fundador. Em palavras de Duby: <i id="wx156">Estas representaciones traducen una cierta conciencia de cohesion familiar; además (...) fijaron esta conciencia y la impusieron firmemente a los miembros del grupo, guiando en cierta medida su conducta durante las generaciones posteriores.</i>.</p>

<p id="wx157">Novos modelos de comportamento, novas réguas de conduta social e formas de relacionamento com o mundo dos antigos; tudo isto imbuído de uma forte marca militar-cavaleiresca. A partir de agora, geração após eração, embarcar-se-ão em prodigiosos esforços destinados ao crescimento dos bens e da <a href="/wpt/Gl%C3%B3ria" title="Glória" wx:linktype="known" wx:pagename="Glória" wx:page_id="6247" id="wx158">glória</a> da linhagem. Será através do pai desde onde se transmita a conscientiza não somente da linhagem mas também de nobreza; a mãe participará por que ao seu través se percebem os recursos que fazem possível este fato como também o sangue azul que prestigia ao cavaleiro.</p>

<p id="wx159">A nobreza galega começará a preocupar-se da elaboração das <a href="/wpt/Genealogia" title="Genealogia" wx:linktype="known" wx:pagename="Genealogia" wx:page_id="3491" id="wx160">árvores genealógicas</a> criando uma realidade do passado a medida dos seus desejos inventando origens míticas e quase que totalmente irreais. O solar primigênio (em muitas ocasiões relacionado com uma torre ou fortaleza) não pode ser alienado, deve permanecer inalterado já que é o suporte da função aristocrática; o lugar onde nasceram e viveram os progenitores, e os destes ao mesmo tempo, do novo senhor.</p>

<a id="Fun.C3.A7.C3.B5es_da_cabe.C3.A7a_de_linhagem" name="Fun.C3.A7.C3.B5es_da_cabe.C3.A7a_de_linhagem"/>
<wx:section level="3" title="Funções da cabeça de linhagem" id="wxsec8"><h3 id="wx161">Funções da cabeça de linhagem</h3>

<p id="wx162">Como norma geral, o chefe da linhagem via acrescentado o patrimônio como conseqüência da sua criança na casa de algum familiar que, seguindo os usos da época, uma vez armado cavaleiro, recebia do seu tutor alguma posse por muito pequena que fosse. A fortuna sorria com maior amabilidade se cabe se tinham a oportunidade de criar-se na corte real, como foi o caso de Fernando de Andrade na época dos <a href="/wpt/Reis_Cat%C3%B3licos" title="Reis Católicos" wx:linktype="known" wx:pagename="Reis_Católicos" wx:page_id="15740" id="wx163">Reis Católicos</a>.</p>

<div class="wx_image" wx:thumb="thumb" id="wx164"><a href="/wpt/Imagem:Mosteiro_de_San_Xo%C3%A1n_de_Caaveiro.Galicia-Espa%C3%B1a.jpg" title="Uma família nobre podia fundar ou melhorar mosteiros. Na imagem, mosteiro de Caaveiro" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Mosteiro_de_San_Xoán_de_Caaveiro.Galicia-España.jpg" id="wx165"><img src="/wpt/Imagem:Mosteiro_de_San_Xo%C3%A1n_de_Caaveiro.Galicia-Espa%C3%B1a.jpg" alt="Uma família nobre podia fundar ou melhorar mosteiros. Na imagem, mosteiro de Caaveiro" width="350" id="wx166"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx167">
<p id="wx168">Uma família nobre podia fundar ou melhorar <a href="/wpt/Mosteiro" title="Mosteiro" wx:linktype="known" wx:pagename="Mosteiro" wx:page_id="63660" id="wx169">mosteiros</a>. Na imagem, <a href="/wpt/Mosteiro_de_San_Xo%C3%A1n_de_Caaveiro" title="Mosteiro de San Xoán de Caaveiro" wx:linktype="known" wx:pagename="Mosteiro_de_San_Xoán_de_Caaveiro" wx:page_id="1784758" id="wx170">mosteiro de Caaveiro</a></p>
</div>
</div>

<p id="wx171">A linhagem tinha sua expressão material como manifestação de poder e da sua própria existência. Trata-se de uma das múltiplas imagens dos seus membros dadas ao exterior, traduzidas na fundação ou dotação de mosteiros escolhidos como colossais <a href="/wpt/Mausol%C3%A9u" title="Mausoléu" wx:linktype="known" wx:pagename="Mausoléu" wx:page_id="231431" id="wx172">mausoléus</a> familiares; <i id="wx173"><a href="/wpt/Fortifica%C3%A7%C3%A3o" title="Fortificação" wx:linktype="known" wx:pagename="Fortificação" wx:page_id="111239" id="wx174">fortalezas</a></i> e importantes obras públicas (pontes e hospitais) como se vem em <a href="/wpt/Fern%C3%A1n_P%C3%A9rez_de_Andrade" class="new" title="Fernán Pérez de Andrade" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Fernán_Pérez_de_Andrade" id="wx175">Fernán Pérez de Andrade</a>.</p>

<p id="wx176">O cabeça de linhagem tinha uma série de obrigas inerentes à sua posição a respeito dos seus. Em primeiro lugar, devia brindar e garantir o sustento e rango pertinente dos seus irmãos; também se responsabilizava de cuidar que as mulheres da família fossem bem dotadas no caso dos esponsais, decidindo quem resultava adequado para este mester, sempre atendendo a possíveis alianças.</p>

<p id="wx177">A <a href="/wpt/Clientela" title="Clientela" wx:linktype="known" wx:pagename="Clientela" wx:page_id="147603" id="wx178">clientela</a> integrada dentro da casa via-se imersa neste círculo em troca de obediência e lealdade. De aí que a política estamental da <a href="/wpt/Fidalguia" title="Fidalguia" wx:linktype="known" wx:pagename="Fidalguia" wx:page_id="62960" id="wx179">fidalguia</a> galega fosse cuidadosa e medida. Como nobreza humilde que era a galega, com escassas rendas e terras, levaram a cabo um progressivo achegamento entre eles e não somente pela via matrimonial. Tratava-se de uma espécie de solidariedade de grupo que fechava filas para proteger as precárias fontes econômicas das quais dispunham. Deste jeito era habitual a reunião dos bens de vários fidalgos de uma mesma linhagem que não duvidavam em pôr-se sob as ordens e serviço do irmão maior, para assim reforçar o solar. Juravam-lhe lealdade e a promessa de engrandecer a honra familiar, tal como fizeram <a href="/wpt/Garc%C3%ADa_Martiz_de_Barbeyra" class="new" title="García Martiz de Barbeyra" wx:linktype="unknown" wx:pagename="García_Martiz_de_Barbeyra" id="wx180">García Martiz de Barbeyra</a> e <a href="/wpt/Garc%C3%ADa_P%C3%A9rez_de_Costela" class="new" title="García Pérez de Costela" wx:linktype="unknown" wx:pagename="García_Pérez_de_Costela" id="wx181">García Pérez de Costela</a> à morte de Vasco Pérez; formando conselho com outros nobres e escolhendo a um deles como senhor: <i id="wx182">alçarono por senhor</i>.</p>

<p id="wx183">Por outro lado a adesão de pequenos cavaleiros e fidalgos por parte da nobreza mais poderosa mediante o matrimônio ou a homenagem foi um eixo primordial. Com a <i id="wx184"><a href="/wpt/Longueza" class="new" title="Longueza" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Longueza" id="wx185">longueza</a></i>, o senhor assegurava-se de pagar com cresces a fidelidade dada por esta mesnada. Em muitas ocasiões punha-se um preço à lealdade e a incorporação de fidalgos a uma casa ou a outra dependia em grande medida do que estiverem dispostos a pagar.</p>

<a id="O_ideal_cavaleiresco_na_nobreza_galega_da_Baixa_Idade_M.C3.A9dia" name="O_ideal_cavaleiresco_na_nobreza_galega_da_Baixa_Idade_M.C3.A9dia"/>
</wx:section></wx:section><wx:section level="2" title="O ideal cavaleiresco na nobreza galega da Baixa Idade Média" id="wxsec4"><h2 id="wx186">O ideal cavaleiresco na nobreza galega da Baixa Idade Média</h2>

<div class="wx_image" wx:thumb="thumb" id="wx187"><a href="/wpt/Imagem:Caballeromedieval.jpg" title="Cavaleiro medieval montado de a cavalo com uma lança" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Caballeromedieval.jpg" id="wx188"><img src="/wpt/Imagem:Caballeromedieval.jpg" alt="Cavaleiro medieval montado de a cavalo com uma lança" id="wx189"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx190">
<p id="wx191">Cavaleiro medieval montado de a cavalo com uma lança</p>
</div>
</div>

<p id="wx192">A <a href="/wpt/Cavalaria_medieval" title="Cavalaria medieval" wx:linktype="known" wx:pagename="Cavalaria_medieval" wx:page_id="97849" id="wx193">cavalaria</a> é uma instituição dentro de um mundo militarizado que encontra em épocas antigas seu nascimento. Muito a modo este grupo de <i id="wx194">"milites"</i> que combatem ao lombo de um <a href="/wpt/Cavalo" title="Cavalo" wx:linktype="known" wx:pagename="Cavalo" wx:page_id="49484" id="wx195">cavalo</a> foram destacando-se no âmbito bélico e assimilando-se à <a href="/wpt/Aristocracia" title="Aristocracia" wx:linktype="known" wx:pagename="Aristocracia" wx:page_id="49035" id="wx196">aristocracia</a>. Graças a este achegamento foram tomando da nobreza costumes similares até concluírem numa plena identificação por parte de ambos os grupos.</p>

<p id="wx197">Mas a nobreza deu-se conta do negativo desta situação, porque a entrada dentro do seu mundo de grande quantidade de guerreiros desprestigiava por uma banda sua preeminência e por outra possibilitaria o ingresso no estamento de numerosos intrusos carentes dessa longa tradição e avoengo da nobreza. Devido a isto, optou-se por fechar todas as vias de acesso por este caminho elaborando uma série de códigos e valores próprios, como também uma <a href="/wpt/Cerim%C3%B4nia" title="Cerimônia" wx:linktype="known" wx:pagename="Cerimônia" wx:page_id="213204" id="wx198">cerimônia</a> pela qual o <a href="/wpt/Rei" title="Rei" wx:linktype="known" wx:pagename="Rei" wx:page_id="75510" id="wx199">rei</a>, e posteriormente qualquer nobre, pudessem conceder esta categoria de cavaleiro a um futuro aspirante. Uma vez investido com toda classe de honras, o indivíduo passava a fazer parte dessa elite que controlava exaustivamente sua demografia. A fusão nobreza/cavalaria seria um feito.</p>

<p id="wx200">Estas idéias de <a href="/wpt/Honra" title="Honra" wx:linktype="known" wx:pagename="Honra" wx:page_id="419863" id="wx201">honra</a>, valia e <a href="/wpt/Gl%C3%B3ria" title="Glória" wx:linktype="known" wx:pagename="Glória" wx:page_id="6247" id="wx202">glória</a> arraigarão na Galiza nos séculos XIV e XV à par da instauração do morgado, das linhagens e da mão do ascenso da pequena nobreza à sombra de <a href="/wpt/Henrique_II_de_Castela" title="Henrique II de Castela" wx:linktype="known" wx:pagename="Henrique_II_de_Castela" wx:page_id="62478" id="wx203">Henrique II de Trastâmara</a>.</p>

<p id="wx204">O uso das armas e a manifestação de <a href="/wpt/Coragem" title="Coragem" wx:linktype="known" wx:pagename="Coragem" wx:page_id="889761" id="wx205">coragem</a> na <a href="/wpt/Batalha" title="Batalha" wx:linktype="known" wx:pagename="Batalha" wx:page_id="36000" id="wx206">batalha</a> catapultavam o cavaleiro às mais altas honras e, seguindo as pautas marcadas por um código de comportamento que expressava as atitudes de máxima nobreza. Eram possuidores de um conjunto de virtudes definidas por uma ética e uma moral; ética e moral de classe, excludente e exclusivista, para afastar aqueles intrusos sem tradição de linhagem: Linhagem e cavalaria assimilam-se nesta época.</p>

<p id="wx207">Os aristocratas preocuparam-se pelo culto à honra pessoal, patrimônio da família e prestígio da Casa. Será então quando os moços tentem atingir as quotas mais altas de reconhecimento. Em verbas de <a href="/wpt/Georges_Duby" title="Georges Duby" wx:linktype="known" wx:pagename="Georges_Duby" wx:page_id="75126" id="wx208">Duby</a>: <i id="wx209">La juventud aparece (...) como el tiempo de la impaciencia, de la turbulencia y de la inestabilidad.</i></p>

<div class="wx_image" wx:align="left" wx:thumb="thumb" id="wx210"><a href="/wpt/Imagem:Ribadavia_medieval_cabalo_cabaleiro.jpg" title="Recriação moderna de um cavaleiro medieval" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Ribadavia_medieval_cabalo_cabaleiro.jpg" id="wx211"><img src="/wpt/Imagem:Ribadavia_medieval_cabalo_cabaleiro.jpg" alt="Recriação moderna de um cavaleiro medieval" width="230" id="wx212"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx213">
<p id="wx214">Recriação moderna de um cavaleiro medieval</p>
</div>
</div>

<p id="wx215">A guerra será o quadro idôneo para acarinhar a tão desejada glória. Serão eles os responsáveis pela agressividade feudal característica da Galiza baixo-medieval (além de levar em conta a natural supervivência econômica); da turbulência entre senhores, já que os <a href="/wpt/Segundo" title="Segundo" wx:linktype="known" wx:pagename="Segundo" wx:page_id="25718" id="wx216">segundos</a> sem nenhuma outra expectativa ver-se-ão na obriga de lançar-se à aventura.</p>

<p id="wx217">A cavalaria gerará uma rica <a href="/wpt/Literatura" title="Literatura" wx:linktype="known" wx:pagename="Literatura" wx:page_id="1124" id="wx218">literatura</a> muito prolífica com o fim de esporear os sentimentos colocando num primeiro plano figuras heróicas, mitos viventes que sirvam de arquétipo aos cavaleiros moços. Neste senso o <i id="wx219">Livro de Linhagens do Conde Don Pedro</i> equipara a Rodrigo Froiaz com <a href="/wpt/El_Cid" title="El Cid" wx:linktype="known" wx:pagename="El_Cid" wx:page_id="65875" id="wx220">o Cid</a>, apresentando um <a href="/wpt/Her%C3%B3i" title="Herói" wx:linktype="known" wx:pagename="Herói" wx:page_id="46954" id="wx221">herói</a> conhecido e próximo e que talvez precise o reino galego-português. Amostra-o como um vassalo modelo, cavaleiro intrépido e virtuoso. E assim é; a cavalaria visava a despertar virtudes nos seus componentes, mas sobretudo a lealdade, mãe de todas as virtudes (ao <a href="/wpt/Rei" title="Rei" wx:linktype="known" wx:pagename="Rei" wx:page_id="75510" id="wx222">rei</a> e, em conseqüência, ao senhor). É a definidora de <a href="/wpt/Nobreza" title="Nobreza" wx:linktype="known" wx:pagename="Nobreza" wx:page_id="56090" id="wx223">nobreza</a> e por extensão de cavalaria.</p>

<p id="wx224">Fomenta consideravelmente a convicção de pertença a um grupo privilegiado de dirigentes da sociedade mediante os vínculos feudo-vassaláticos, definidos pela linhagem, a cavalaria e o código feudal. De aí que, como observou Duby para a <a href="/wpt/Fran%C3%A7a" title="França" wx:linktype="known" wx:pagename="França" wx:page_id="827" id="wx225">França</a> do <a href="/wpt/S%C3%A9culo_XII" title="Século XII" wx:linktype="known" wx:pagename="Século_XII" wx:page_id="10587" id="wx226">século XII</a> mas igualmente extensível à Galiza da <a href="/wpt/Baixa_Idade_M%C3%A9dia" title="Baixa Idade Média" wx:linktype="known" wx:pagename="Baixa_Idade_Média" wx:page_id="72000" id="wx227">Baixa Idade Média</a>, o guerreiro deixa de ser considerado novo pelos seus quando se estabelece, ou seja, quando atinge a chefatura de uma Casa e encabeça sua própria linhagem casando e criando filhos.</p>

<p id="wx228">Mas talvez o que mais interessa ao nobre é o reconhecimento, a fama; a base deste reconhecimento será o nome. Converter-se-á quase que em <a href="/wpt/Patrim%C3%B4nio" title="Patrimônio" wx:linktype="known" wx:pagename="Patrimônio" wx:page_id="49465" id="wx229">patrimônio</a> familiar repetindo-se entre seus membros em gerações alternas (avô/neto); nas árvores genealógicas observa-se este fato. Assim, na importante família dos Castro galegos, Fernando Ruiz de Castro levava por nome o do seu avô, e à sua vez seu neto levaria seu nome. É a faze distintiva da linhagem, rememora a qualidade do antepassado e a <a href="/wpt/Gl%C3%B3ria" title="Glória" wx:linktype="known" wx:pagename="Glória" wx:page_id="6247" id="wx230">glória</a> que acumulou com a esperança de que sua valia impregne ao atual portador do nome, semelhando uma espécie de <a href="/wpt/Supersti%C3%A7%C3%A3o" title="Superstição" wx:linktype="known" wx:pagename="Superstição" wx:page_id="147432" id="wx231">superstição</a>.</p>

<p id="wx232">A mulher achegará seu sangue enobrecido e de prestígio, sobretudo se houver cavaleiros famosos na sua linhagem que incorporará ao do marido. Normalmente tenta-se medrar na escada social e procuram-se mulheres de melhor posição. A esposa deixa ao homem o acrescentamento da honra mediante o ofício das armas, enquanto elas serão as depositárias da honra do apelido.</p>

<p id="wx233">A <a href="/wpt/Fidalguia" title="Fidalguia" wx:linktype="known" wx:pagename="Fidalguia" wx:page_id="62960" id="wx234">fidalguia</a> galega apelará a um passado idealizado mostrando como forma de prestígio as origens cavaleirescas da família. Realmente não faziam mais que redefinir uma cavalaria de pequeno ou mediano porte, sempre num segundo plano recreando uma imagem muito diferente à da teoria.</p>

<a id="Os_exclu.C3.ADdos:_mulheres_e_segundos" name="Os_exclu.C3.ADdos:_mulheres_e_segundos"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Os excluídos: mulheres e segundos" id="wxsec5"><h2 id="wx235">Os excluídos: mulheres e segundos</h2>

<div class="wx_image" wx:align="right" wx:thumb="thumb" id="wx236"><a href="/wpt/Imagem:Codex_Manesse_%28Herzog%29_von_Anhalt.jpg" title="Torneu medieval, do Códice Manesse. Observem-se as mulheres" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Codex_Manesse_(Herzog)_von_Anhalt.jpg" id="wx237"><img src="/wpt/Imagem:Codex_Manesse_%28Herzog%29_von_Anhalt.jpg" alt="Torneu medieval, do Códice Manesse. Observem-se as mulheres" width="250" id="wx238"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx239">
<p id="wx240">Torneu medieval, do <i id="wx241">Códice Manesse</i>. Observem-se as mulheres</p>
</div>
</div>

<p id="wx242">Dadas as circunstâncias até o de agora expostas, é preciso lembrar aqueles descentes menos afortunados obrigados a viver à sombra do primogênito, com a incerteza de um futuro pouco esclarecedor. Trata-se das mulheres e dos filhos varões <i id="wx243">segundos</i>.</p>

<p id="wx244">Para eles a possibilidade de crescimento dentro da própria casa semelha impossível, enquanto as primeiras passam a depender plenamente dos homens: primeiro do pai, logo do primogênito varão e por último do marido. Aos segundos só lhes restava procurar a vida fora do âmbito familiar, ou em alguns casos a prestar serviço e jurar fidelidade ao irmão.</p>

<p id="wx245">No tocante às mulheres, cabe salientar que foram as mais prejudicadas do princípio agnatício. A linha paterna relegara à materna à marginalidade, construindo um mundo por e para os homens. Desde o estamento eclesiástico transmitiu-se uma imagem negativa da mulher amparando-se em várias circunstâncias pejorativas (e sem sentido):</p>

<dl id="wx246">
<dd id="wx247">
<ul id="wx248">
<li id="wx249">
<p id="wx250">Foi criada a partir da costela de <a href="/wpt/Ad%C3%A3o" title="Adão" wx:linktype="known" wx:pagename="Adão" wx:page_id="69297" id="wx251">Adão</a>, um homem.</p>
</li>

<li id="wx252">
<p id="wx253">Induziu ao <a href="/wpt/Pecado_original" title="Pecado original" wx:linktype="known" wx:pagename="Pecado_original" wx:page_id="46479" id="wx254">pecado original</a> ao seu companheiro.</p>
</li>

<li id="wx255">
<p id="wx256">Carecia de <a href="/wpt/Alma" title="Alma" wx:linktype="known" wx:pagename="Alma" wx:page_id="61035" id="wx257">alma</a>.</p>
</li>
</ul>
</dd>
</dl>

<p id="wx258">Depressa pareceu ficar clara a submissão e a inferioridade tanto intelectual como física da mulher. As suas funções reduziam-se a três: A consagração a <a href="/wpt/Deus" title="Deus" wx:linktype="known" wx:pagename="Deus" wx:page_id="674" id="wx259">Deus</a>, o matrimônio e a viuvez. Sirva para exemplificar esta concepção a seguinte declaração sita na <i id="wx260"><a href="/wpt/Hist%C3%B3ria_Compostelana" title="História Compostelana" wx:linktype="known" wx:pagename="História_Compostelana" wx:page_id="1666270" id="wx261">História Compostelana</a></i>:<wx:template id="wx_t1" pagename="Predefinição:Quote1" page_id="355098"/>
</p>

<table cellpadding="10" align="center" style="border-collapse:collapse; background-color:transparent; border-style:none;" id="wx262">
<tr id="wx263">
<td width="10" valign="top" id="wx264"><a href="/wpt/Imagem:Cquote1.png" title="" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Cquote1.png" id="wx265"><img src="/wpt/Imagem:Cquote1.png" alt="" width="20" id="wx266"/></a> </td>
<td id="wx267"><i id="wx268">Mas ¿que não ousa a perversidade mulheril?, ¿que não presume a astúcia da serpe?, ¿a que não acomete a maligníssima víbora?. Em soma: quanto presumem e acometem as ficções mulheris, suficiente o indica o exemplo de <a href="/wpt/Eva" title="Eva" wx:linktype="known" wx:pagename="Eva" wx:page_id="55215" id="wx269">Eva</a>, nossa primeira mãe; o audacíssimo ânimo da mulher viola o mais santo; tanto lhe tem o lícito como o vedado.</i> </td>
<td width="10" valign="bottom" id="wx270"><a href="/wpt/Imagem:Cquote2.png" title="" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Cquote2.png" id="wx271"><img src="/wpt/Imagem:Cquote2.png" alt="" width="20" id="wx272"/></a> </td>
</tr>
</table>

<wx:templateend start="wx_t1"/>
<p id="wx273">Com a aparição da idéia de linhagem e o morgado, a mulher deixou de perceber a parte correspondente à herança. Será confinada dentro do âmbito domestico; as linhas maternas vão decaindo muito a modo no esquecimento, mas recorrer-se-á a elas com freqüência pois é a fundadora da linha de sangue, cumpre o rol de parte prestigiante da linhagem masculina já que proporciona lustre, a idéia de nobreza, além de evitar com a sua função reprodutora que a linhagem se extinga. As únicas saídas que lhe restam à mulher limitam-se a duas: convento ou matrimônio.</p>

<p id="wx274">À morte do pai recebia uma quantidade de dinheiro ou uma pequena porção de terra em conceito de <a href="/wpt/Dote" title="Dote" wx:linktype="known" wx:pagename="Dote" wx:page_id="856942" id="wx275">dote</a> que lhe permitisse contrair um bom matrimônio. A documentação apresenta-se bastante clara. Em <a href="/wpt/1402" title="1402" wx:linktype="known" wx:pagename="1402" wx:page_id="14907" id="wx276">1402</a> <a href="/wpt/Gonzalo_Ozores_de_Ulloa" class="new" title="Gonzalo Ozores de Ulloa" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Gonzalo_Ozores_de_Ulloa" id="wx277">Gonzalo Ozores de Ulloa</a> assim o constata: <i id="wx278">A terceyra partizom queyro e outorgo e mando que haja por su herença e partizom dos meus bes a dita Ysabel minha filha trinta mil <a href="/wpt/Maravedi" title="Maravedi" wx:linktype="known" wx:pagename="Maravedi" wx:page_id="556354" id="wx279">mrs.</a>, para com que quasse (...) mando que os pague meu filho ao tempo que ela houver de casar.</i></p>

<p id="wx280">Por suposto o matrimônio era concertado pelo irmão atendendo sempre a alianças e a interesses econômicos ou políticos. Representa algo prioritário dentro da política internobiliária da casa. Em muitas ocasiões não era disparatado o casamento entre familiares para evitar a desmembração do patrimônio, sobretudo entre primos. Na Galiza primará a aliança com os vizinhos sendo simplesmente um mero objeto de troco. <i id="wx281">Et mando que Iohan Faian pela menagen que me ten feita que minna neta Ynes Perez que a de e entrerge a meu fillo Martin Afonsi e que a tena ata que seia de idade que case con Pero Fernandez fillo de Fernan Perez de Torrichano e de Maria Fernandez de Meyra.</i></p>

<div class="wx_image" wx:align="left" wx:thumb="thumb" id="wx282"><a href="/wpt/Imagem:Monasterio_huelgas_claustro_antiguo.jpg" title="Claustro do Mosteiro de las Huelgas (Burgos)" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Monasterio_huelgas_claustro_antiguo.jpg" id="wx283"><img src="/wpt/Imagem:Monasterio_huelgas_claustro_antiguo.jpg" alt="Claustro do Mosteiro de las Huelgas (Burgos)" width="200" id="wx284"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx285">
<p id="wx286">Claustro do <a href="/wpt/Mosteiro_de_las_Huelgas" class="new" title="Mosteiro de las Huelgas" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Mosteiro_de_las_Huelgas" id="wx287">Mosteiro de las Huelgas</a> (<a href="/wpt/Burgos" title="Burgos" wx:linktype="known" wx:pagename="Burgos" wx:page_id="138877" id="wx288">Burgos</a>)</p>
</div>
</div>

<p id="wx289">Outra solução era o ingresso num <a href="/wpt/Convento" title="Convento" wx:linktype="known" wx:pagename="Convento" wx:page_id="119219" id="wx290">convento</a>. Quando não dispunham de um dote suficiente ou, pela contra, não encontram um casamento adequado ou mesmo enviuvavam, o ingresso num convento era um feito. Isto supunha um grave problema para o convento, já que recebiam mulheres carentes de vocação e acostumadas a uma vida cômoda longe das tarefas quotidianas de um mosteiro. Um exemplo temo-lo no <i id="wx291"><a href="/wpt/Mosteiro_das_Huelgas" class="new" title="Mosteiro das Huelgas" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Mosteiro_das_Huelgas" id="wx292">mosteiro das Huelgas</a></i> em <a href="/wpt/Burgos" title="Burgos" wx:linktype="known" wx:pagename="Burgos" wx:page_id="138877" id="wx293">Burgos</a>, onde iam parar as filhas legítimas e ilegítimas da realeza e da alta aristocracia, e depressa se converteu num estado feudal economicamente poderoso, pois os donativos eram substanciosos.</p>

<p id="wx294">Conscientes da precariedade da sua situação no caso do falecimento do marido, puseram em prática a cessão a grandes <a href="/wpt/Mosteiro" title="Mosteiro" wx:linktype="known" wx:pagename="Mosteiro" wx:page_id="63660" id="wx295">mosteiros</a> e conventos do seu herdamento ou mesmo para a ereção de um novo; como exemplo sirva a fundação do <a href="/wpt/Convento_de_Santa_Mar%C3%ADa_de_Belv%C3%ADs" class="new" title="Convento de Santa María de Belvís" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Convento_de_Santa_María_de_Belvís" id="wx296">convento de Santa María de Belvís</a> em <a href="/wpt/1305" title="1305" wx:linktype="known" wx:pagename="1305" wx:page_id="28035" id="wx297">1305</a> por <a href="/wpt/Tareixa_Gonz%C3%A1lez" class="new" title="Tareixa González" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Tareixa_González" id="wx298">Tareixa González</a> que cede suas terras de <a href="/wpt/Carnota" title="Carnota" wx:linktype="known" wx:pagename="Carnota" wx:page_id="97784" id="wx299">Carnota</a> para o pagamento da obra.</p>

<p id="wx300">Uma exceção a tudo o dito constitúeu Vasco de Ulloa em <a href="/wpt/1290" title="1290" wx:linktype="known" wx:pagename="1290" wx:page_id="28022" id="wx301">1290</a>, quando ao carecer de filhos decidiu-se a deixar-lhe seu patrimônio a uma parenta, <a href="/wpt/Tareixa_S%C3%A1nchez_de_Ulloa" class="new" title="Tareixa Sánchez de Ulloa" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Tareixa_Sánchez_de_Ulloa" id="wx302">Tareixa Sánchez de Ulloa</a>, apoiando-se nas dificuldades que uma mulher encontraria na vida. Esta cessão de bens empurrá-la-ia a vigiar melhor o patrimônio e não desonrar o apelido: <i id="wx303">E sea sempre muller ainda que haja homes porque os homes, dandose a vertude, achan mais presto comodidade para pasala vida e unha muller filladalgo, por non ter con que se casar, pere a veçes sua honra e a do seu linaje.</i></p>

<p id="wx304">No caso dos varões não primogênitos os caminhos que lhes mostravam eram mais abertos que os das mulheres, mas ainda assim seu futuro não estava nada claro. As três saídas fundamentais eram:</p>

<dl id="wx305">
<dd id="wx306">
<ul id="wx307">
<li id="wx308">
<p id="wx309">A carreira eclesiástica.</p>
</li>

<li id="wx310">
<p id="wx311">Pôr-se ao serviço de outro nobre (mesmo de seu irmão maior).</p>
</li>

<li id="wx312">
<p id="wx313">Botar-se à aventura fora da <a href="/wpt/Galiza" title="Galiza" wx:linktype="known" wx:pagename="Galiza" wx:page_id="931" id="wx314">Galiza</a> ingressando numa ordem militar.</p>
</li>
</ul>
</dd>
</dl>

<div class="wx_image" wx:align="left" wx:thumb="thumb" id="wx315"><a href="/wpt/Imagem:Tapisserie_moines_mannequins.jpg" title="Monges realizando cópias" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Tapisserie_moines_mannequins.jpg" id="wx316"><img src="/wpt/Imagem:Tapisserie_moines_mannequins.jpg" alt="Monges realizando cópias" width="135" id="wx317"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx318"><a href="/wpt/Monge" title="Monge" wx:linktype="known" wx:pagename="Monge" wx:page_id="60672" id="wx319">Monges</a>
<p id="wx320">realizando cópias</p>
</div>
</div>

<div class="wx_image" wx:align="right" wx:thumb="thumb" id="wx321"><a href="/wpt/Imagem:Knight_Santiago.png" title="Vestimenta de um Cavaleiro de Santiago" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Knight_Santiago.png" id="wx322"><img src="/wpt/Imagem:Knight_Santiago.png" alt="Vestimenta de um Cavaleiro de Santiago" width="125" id="wx323"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx324">
<p id="wx325">Vestimenta de um <a href="/wpt/Ordem_de_Santiago" title="Ordem de Santiago" wx:linktype="known" wx:pagename="Ordem_de_Santiago" wx:page_id="148365" id="wx326">Cavaleiro de Santiago</a></p>
</div>
</div>

<p id="wx327"><b id="wx328">A carreira eclesiástica</b> subindo-os àqueles postos de maior renome da Galiza. Assim, os Soutomaior alçaram-se como os grandes prelados da Galiza; Paio Pérez foi arcebispo de <a href="/wpt/Santiago" title="Santiago" wx:linktype="known" wx:pagename="Santiago" wx:page_id="6180" id="wx329">Santiago</a> ou Álvaro Páez bispo de <a href="/wpt/Mondo%C3%B1edo" title="Mondoñedo" wx:linktype="known" wx:pagename="Mondoñedo" wx:page_id="94190" id="wx330">Mondoñedo</a>. Para aquelas famílias de segunda linha restavam os cargos de menor importância como o de <a href="/wpt/C%C3%B4nego" title="Cônego" wx:linktype="known" wx:pagename="Cônego" wx:page_id="517925" id="wx331">cônego</a>. A direção dos mosteiros foi também muito cobiçada pela aristocracia, pois abria-lhes muitas possibilidades econômicas.</p>

<p id="wx332"><b id="wx333">Prestar homenagem a um nobre</b> e servir-lhe como meirinho em alguma fortaleza e administrando as terras era outra das opções baralhadas. Tentava continuar mantendo seu <i id="wx334">status</i>, continuar desfrutando da posição privilegiada que lhe supunha, e continuar vivendo como um cavaleiro.</p>

<p id="wx335">No tocante ao <b id="wx336">ingresso nas <a href="/wpt/Ordem_militar" title="Ordem militar" wx:linktype="known" wx:pagename="Ordem_militar" wx:page_id="71016" id="wx337">ordens militares</a></b>, estas a princípio careciam de prestígio para reclamar a atenção da alta nobreza, ficando relegado seu ingresso à aristocracia mais modesta. A sede de aventuras e a projeção para o resto da península era o perfeito cebo para atrair a estes desesperados fidalgos; com o tempo, com o triunfo dos ideais cavaleirescos, a alta nobreza começaria a pôr suas olhas nas ditas ordens. Considerava-se prestigioso para a família a pertença de algum dos seus membros a estas ordens militares.</p>

<p id="wx338">Em muitas ocasiões abriam-se disputas entre os irmãos pela primogenitura; as tensões podiam terminar no confronto e mesmo no <a href="/wpt/Assassinato" title="Assassinato" wx:linktype="known" wx:pagename="Assassinato" wx:page_id="627523" id="wx339">assassinato</a>. Também não resulta estranho que estas tensões se projetassem para o exterior dando essa imagem violenta e conflituosa que acompanha à nobreza galega da <a href="/wpt/Baixa_Idade_M%C3%A9dia" title="Baixa Idade Média" wx:linktype="known" wx:pagename="Baixa_Idade_Média" wx:page_id="72000" id="wx340">Baixa Idade Média</a>. As suas pugnas intestinas não faziam mais que arruinar a terra e com isto arruinarem-se a sim mesmos.</p>

<a id="Ver_tamb.C3.A9m" name="Ver_tamb.C3.A9m"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Ver também" id="wxsec6"><h2 id="wx341"><wx:template id="wx_t2" pagename="Predefinição:Ver_também" page_id="62492"/>Ver também<wx:templateend start="wx_t2"/></h2>

<ul id="wx342">
<li id="wx343"><a href="/wpt/Irmandinhos" title="Irmandinhos" wx:linktype="known" wx:pagename="Irmandinhos" wx:page_id="145386" id="wx344">Irmandinhos</a></li>

<li id="wx345"><a href="/wpt/Grande_revolta_irmandinha" title="Grande revolta irmandinha" wx:linktype="known" wx:pagename="Grande_revolta_irmandinha" wx:page_id="1759414" id="wx346">Grande revolta irmandinha</a></li>

<li id="wx347"><a href="/wpt/A_Galiza_feudal" class="new" title="A Galiza feudal" wx:linktype="unknown" wx:pagename="A_Galiza_feudal" id="wx348">A Galiza feudal</a></li>

<li id="wx349"><a href="/wpt/Feudalismo" title="Feudalismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Feudalismo" wx:page_id="868" id="wx350">Feudalismo</a></li>
</ul>

<a id="Bibliografia" name="Bibliografia"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Bibliografia" id="wxsec7"><h2 id="wx351"><wx:template id="wx_t3" pagename="Predefinição:Bibliografia" page_id="377386"/>Bibliografia<wx:templateend start="wx_t3"/></h2>

<ul id="wx352">
<li id="wx353">
<p id="wx354">ANDRADE CERNADAS,J. M.; PÉREZ RODRÍGUEZ, F. J., <i id="wx355">Galicia Medieval</i>, Historia de Galicia, Tomo III, <a href="/wpt/A_Corunha" title="A Corunha" wx:linktype="known" wx:pagename="A_Corunha" wx:page_id="7676" id="wx356">A Corunha</a>, <a href="/wpt/1995" title="1995" wx:linktype="known" wx:pagename="1995" wx:page_id="6302" id="wx357">1995</a>.</p>
</li>

<li id="wx358">
<p id="wx359">APONTE, Vasco de, <i id="wx360">Recuento de las Casas Antiguas del Reino da Galiza</i>, Int. e Edi. Crítica com Notas, <a href="/wpt/Santiago_de_Compostela" title="Santiago de Compostela" wx:linktype="known" wx:pagename="Santiago_de_Compostela" wx:page_id="24618" id="wx361">Santiago de Compostela</a>, <a href="/wpt/1986" title="1986" wx:linktype="known" wx:pagename="1986" wx:page_id="11386" id="wx362">1986</a>.</p>
</li>

<li id="wx363">
<p id="wx364">DUBY, George, <i id="wx365">Hombres y Estructuras de la Edad Media</i>, <a href="/wpt/Madrid" title="Madrid" wx:linktype="known" wx:pagename="Madrid" wx:page_id="7419" id="wx366">Madrid</a>, <a href="/wpt/1977" title="1977" wx:linktype="known" wx:pagename="1977" wx:page_id="11426" id="wx367">1977</a>.</p>
</li>

<li id="wx368">
<p id="wx369">PALLARES MENDEZ, Mª. Carmen, <i id="wx370">A Vida das Mulleres na Galicia Medieval 1100-1500</i>, <a href="/wpt/Universidade_de_Santiago_de_Compostela" title="Universidade de Santiago de Compostela" wx:linktype="known" wx:pagename="Universidade_de_Santiago_de_Compostela" wx:page_id="400014" id="wx371">Universidade de Santiago de Compostela</a>, <a href="/wpt/1993" title="1993" wx:linktype="known" wx:pagename="1993" wx:page_id="11369" id="wx372">1993</a>.</p>
</li>

<li id="wx373">
<p id="wx374">PALLARES MENDEZ, Mª Carmen, <i id="wx375">Algunos Problemas Relativos a la Evolución de las Estructuras Familiares en la Nobleza Medieval Gallega</i> em, Parentesco, Familia y Matrimonio en la Historia da Galiza, <a href="/wpt/Santiago_de_Compostela" title="Santiago de Compostela" wx:linktype="known" wx:pagename="Santiago_de_Compostela" wx:page_id="24618" id="wx376">Santiago de Compostela</a>, <a href="/wpt/1988" title="1988" wx:linktype="known" wx:pagename="1988" wx:page_id="11384" id="wx377">1988</a>.</p>
</li>

<li id="wx378">
<p id="wx379">PALLARES MENDEZ, Mª Carmen, <i id="wx380">Los Mozos Nobles. Grandes hombres si Fueran Hijos Solos</i>, em Revista D`História Medieval, Universitat de Valéncia, <a href="/wpt/Val%C3%AAncia" title="Valência" wx:linktype="known" wx:pagename="Valência" wx:page_id="27042" id="wx381">Valência</a> <a href="/wpt/1995" title="1995" wx:linktype="known" wx:pagename="1995" wx:page_id="6302" id="wx382">1995</a>.</p>
</li>

<li id="wx383">
<p id="wx384">PAREDES MIRÁS, Mª del Pilar, <i id="wx385">Mentalidade Nobiliaria e Nobreza galega. Ideal e Realidade na Baixa Idade Media</i>, <a href="/wpt/A_Corunha" title="A Corunha" wx:linktype="known" wx:pagename="A_Corunha" wx:page_id="7676" id="wx386">A Corunha</a>, <a href="/wpt/2002" title="2002" wx:linktype="known" wx:pagename="2002" wx:page_id="8773" id="wx387">2002</a>.</p>
</li>

<li id="wx388">
<p id="wx389">PORTELA SILVA, E.; PALLARES MENDEZ, Mª del Carmen, <i id="wx390">Elementos para el Análisis de la Aristocracia Altomedieval de Galicia: Parentesco y Matrimonio</i>, em Museu de Pontevedra, Tomo XLIII, <a href="/wpt/Pontevedra" title="Pontevedra" wx:linktype="known" wx:pagename="Pontevedra" wx:page_id="30006" id="wx391">Pontevedra</a>, <a href="/wpt/1989" title="1989" wx:linktype="known" wx:pagename="1989" wx:page_id="11127" id="wx392">1989</a>.</p>
</li>

<li id="wx393">
<p id="wx394">V.V. A.A., <i id="wx395">Historia de Galicia</i>, <a href="/wpt/Madrid" title="Madrid" wx:linktype="known" wx:pagename="Madrid" wx:page_id="7419" id="wx396">Madrid</a>, <a href="/wpt/1981" title="1981" wx:linktype="known" wx:pagename="1981" wx:page_id="11398" id="wx397">1981</a>.</p>
</li>
</ul>
</wx:section></wx:section></div>
<div id="wx_categorylinks">
<a href="/wpt/index.php?title=Especial:Categories&amp;article=Forma%C3%A7%C3%A3o_de_linhagens_na_nobreza_galega_da_Baixa_Idade_M%C3%A9dia" title="Especial:Categories" wx:linktype="known" wx:pagename="Especial:Categories" id="wx398">Categorias de páginas</a>: <span dir="ltr" id="wx399"><a href="/wpt/Categoria:Hist%C3%B3ria_da_Galiza" title="Categoria:História da Galiza" wx:linktype="known" wx:pagename="Categoria:História_da_Galiza" wx:page_id="151469" id="wx400">História da Galiza</a></span> | <span dir="ltr" id="wx401"><a href="/wpt/Categoria:Idade_M%C3%A9dia" title="Categoria:Idade Média" wx:linktype="known" wx:pagename="Categoria:Idade_Média" wx:page_id="75775" id="wx402">Idade Média</a></span></div>
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Outras línguas: <a href="http://gl.wikipedia.org/wiki/Formaci%C3%B3n_das_li%C3%B1axes_na_nobreza_galega_baixomedieval" class="external" wx:linktype="interwiki" wx:pagename="gl:Formación_das_liñaxes_na_nobreza_galega_baixomedieval" id="wx403">Galego</a></div>
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<p id="wx404">Mas ¿que não ousa a perversidade mulheril?, ¿que não presume a astúcia da serpe?, ¿a que não acomete a maligníssima víbora?. Em soma: quanto presumem e acometem as ficções mulheris, suficiente o indica o exemplo de <a href="/wpt/Eva" title="Eva" wx:linktype="known" wx:pagename="Eva" wx:page_id="55215" id="wx405">Eva</a>, nossa primeira mãe; o audacíssimo ânimo da mulher viola o mais santo; tanto lhe tem o lícito como o vedado.</p>
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<p id="wx406">Mas ¿que não ousa a perversidade mulheril?, ¿que não presume a astúcia da serpe?, ¿a que não acomete a maligníssima víbora?. Em soma: quanto presumem e acometem as ficções mulheris, suficiente o indica o exemplo de <a href="/wpt/Eva" title="Eva" wx:linktype="known" wx:pagename="Eva" wx:page_id="55215" id="wx407">Eva</a>, nossa primeira mãe; o audacíssimo ânimo da mulher viola o mais santo; tanto lhe tem o lícito como o vedado.</p>
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