<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<html xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml" xmlns:wx="http://ilps.science.uva.nl/WikiXML/wx" xml:lang="pt" lang="pt">
<head>
<title>Irmandades do Divino Espírito Santo</title>
<meta name="wx_namespace" content="0"/>
<meta name="wx_pagename" content="Irmandades_do_Divino_Espírito_Santo"/>
<meta name="wx_page_id" content="114108"/>
</head>
<body>
<div id="wx_article">
<wx:section level="1" title="Irmandades do Divino Espírito Santo" id="wxsec1"><h1 class="pagetitle" id="wx1">Irmandades do Divino Espírito Santo</h1>

<div class="wx_image" wx:thumb="thumb" id="wx2"><a href="/wpt/Imagem:Imperio_Feteira.jpg" title="O império da Feteira, ilha Terceira, um exemplar típico da arquitectura ligada às Irmandades do Espírito Santo (finais do século XIX)." wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Imperio_Feteira.jpg" id="wx3"><img src="/wpt/Imagem:Imperio_Feteira.jpg" alt="O império da Feteira, ilha Terceira, um exemplar típico da arquitectura ligada às Irmandades do Espírito Santo (finais do século XIX)." id="wx4"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx5">
<p id="wx6">O <i id="wx7">império</i> da <a href="/wpt/Feteira_%28Angra_do_Hero%C3%ADsmo%29" title="Feteira (Angra do Heroísmo)" wx:linktype="known" wx:pagename="Feteira_(Angra_do_Heroísmo)" wx:page_id="5930" id="wx8">Feteira</a>, ilha <a href="/wpt/Terceira" title="Terceira" wx:linktype="known" wx:pagename="Terceira" wx:page_id="1855" id="wx9">Terceira</a>, um exemplar típico da arquitectura ligada às Irmandades do Espírito Santo (finais do <a href="/wpt/S%C3%A9culo_XIX" title="Século XIX" wx:linktype="known" wx:pagename="Século_XIX" wx:page_id="1774" id="wx10">século XIX</a>).</p>
</div>
</div>

<p id="wx11">Os <b id="wx12">Impérios do Divino Espírito Santo</b> são um dos traços mais marcantes da identidade açoriano, constituindo um culto que para além de marcar o quotidiano insular, determina traços identitários que acompanham os açorianos para todos os lugares onde a emigração os levou. Para além dos <a href="/wpt/A%C3%A7ores" title="Açores" wx:linktype="known" wx:pagename="Açores" wx:page_id="385" id="wx13">Açores</a>, o culto do <a href="/wpt/Divino_Esp%C3%ADrito_Santo" title="Divino Espírito Santo" wx:linktype="known" wx:pagename="Divino_Espírito_Santo" wx:page_id="136486" id="wx14">Divino Espírito Santo</a> está hoje bem vivo no <a href="/wpt/Brasil" title="Brasil" wx:linktype="known" wx:pagename="Brasil" wx:page_id="404" id="wx15">Brasil</a> (para onde foi levado há três séculos) e na América do Norte.</p>

<div id="wx_toc"/>

<a id="O_joaquimismo_e_o_culto_do_Divino_Esp.C3.ADrito_Santo_nos_A.C3.A7ores" name="O_joaquimismo_e_o_culto_do_Divino_Esp.C3.ADrito_Santo_nos_A.C3.A7ores"/>
<wx:section level="2" title="O joaquimismo e o culto do Divino Espírito Santo nos Açores" id="wxsec2"><h2 id="wx16">O joaquimismo e o culto do Divino Espírito Santo nos Açores</h2>

<p id="wx17">Apesar da colonização dos <a href="/wpt/A%C3%A7ores" title="Açores" wx:linktype="known" wx:pagename="Açores" wx:page_id="385" id="wx18">Açores</a> só se ter iniciado a partir de 1432, quase 200 anos após o apogeu do <a href="/wpt/Joaquim_de_Fiore" title="Joaquim de Fiore" wx:linktype="known" wx:pagename="Joaquim_de_Fiore" wx:page_id="113997" id="wx19">joaquimismo</a>, e do núcleo central da doutrina de <a href="/wpt/Joaquim_de_Fiore" title="Joaquim de Fiore" wx:linktype="known" wx:pagename="Joaquim_de_Fiore" wx:page_id="113997" id="wx20">Joaquim de Fiore</a> já ter sido condenado em 1256 pelo papa <a href="/wpt/Papa_Alexandre_IV" title="Papa Alexandre IV" wx:linktype="known" wx:pagename="Papa_Alexandre_IV" wx:page_id="63256" id="wx21">Alexandre IV</a>, há no arquipélago um claro reacender daquelas doutrinas, inspirando manifestações religiosas e acções rituais e simbólicas que perduram até aos nossos dias.</p>

<p id="wx22">Seguramente por influência dos franciscanos espiritualistas, que foram os primeiros religiosos a instalar-se nas ilhas, partilhando com os primeiros povoadores as agruras da colonização, o culto do Divino Espírito Santo, então em apagamento na Europa devido à crescente pressão da ortodoxia religiosa, foi trazido para as ilhas. Aqui, em comunidades isoladas e sujeitas às pressões e incertezas da vida na margem do mundo conhecido, as crenças e ritos do Divino Espírito Santo ganharam raízes e recuperaram o seu vigor, reganhando um claro cunho joaquimita que ainda hoje está bem patente.</p>

<p id="wx23">Os Açores, e as comunidades de origem açoriana, constituem assim os últimos redutos onde as doutrinas de Joaquim de Fiore sobrevivem, e, a julgar pelo recrudescer dos Impérios do Divino Espírito Santo, mantêm todo o seu vigor.</p>

<a id="Origem_e_expans.C3.A3o_do_culto" name="Origem_e_expans.C3.A3o_do_culto"/>
<wx:section level="3" title="Origem e expansão do culto" id="wxsec5"><h3 id="wx24">Origem e expansão do culto</h3>

<div class="wx_image" wx:thumb="thumb" id="wx25"><a href="/wpt/Imagem:Igr_s_barbara_15.JPG" title="Coroa do Espírito Santo, Ilha de Santa Maria (Açores, 2008)." wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Igr_s_barbara_15.JPG" id="wx26"><img src="/wpt/Imagem:Igr_s_barbara_15.JPG" alt="Coroa do Espírito Santo, Ilha de Santa Maria (Açores, 2008)." width="250" id="wx27"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx28">
<p id="wx29">Coroa do Espírito Santo, Ilha de Santa Maria (Açores, 2008).</p>
</div>
</div>

<p id="wx30">Sobre as origens do culto e dos rituais utilizados, pouco se sabe. A corrente dominante filia o culto açoriano ao Divino Espírito Santo nas celebrações introduzidas em Portugal pela <a href="/wpt/Rainha_Santa_Isabel" title="Rainha Santa Isabel" wx:linktype="known" wx:pagename="Rainha_Santa_Isabel" wx:page_id="39594" id="wx31">Rainha Santa Isabel</a>, que por sua vez as teria trazido do seu <a href="/wpt/Arag%C3%A3o" title="Aragão" wx:linktype="known" wx:pagename="Aragão" wx:page_id="41897" id="wx32">Aragão</a> natal. De facto existem notícias seguras da existência do culto nos séculos XIV e XV em Portugal.</p>

<p id="wx33">O seu centro principal parece ter sido em torno de <a href="/wpt/Tomar" title="Tomar" wx:linktype="known" wx:pagename="Tomar" wx:page_id="20681" id="wx34">Tomar</a> (a Festa dos Tabuleiros parece ter aí raiz), localidade que era sede do priorado da <a href="/wpt/Ordem_de_Cristo" title="Ordem de Cristo" wx:linktype="known" wx:pagename="Ordem_de_Cristo" wx:page_id="38664" id="wx35">Ordem de Cristo</a>, a que foi confiada a tutela espiritual das novas terras, incluindo dos Açores. Outro centro relevante foi <a href="/wpt/Alenquer_%28Portugal%29" title="Alenquer (Portugal)" wx:linktype="known" wx:pagename="Alenquer_(Portugal)" wx:page_id="5220" id="wx36">Alenquer</a>, localidade onde, nos primeiros anos do <a href="/wpt/S%C3%A9culo_XIV" title="Século XIV" wx:linktype="known" wx:pagename="Século_XIV" wx:page_id="10585" id="wx37">século XIV</a>, a rainha Santa Isabel terá introduzido em Portugal a primeira celebração do Império do Divino Espírito Santo, provavelmente influenciada por <a href="/wpt/Franciscano" title="Franciscano" wx:linktype="known" wx:pagename="Franciscano" wx:page_id="94281" id="wx38">franciscanos</a> espiritualistas, que ali fundaram o primeiro convento franciscano em Portugal. Pelo menos assim reza um velho pergaminho franciscano depositado na <i id="wx39">Câmara Velha</i> daquela vila estremenha. A partir dali o culto expandiu-se, primeiro por Portugal (Aldeia Galega, na época Montes de Alenquer, Sintra, Tomar, Lisboa) e depois acompanhou os portugueses nos <a href="/wpt/Descobrimentos" title="Descobrimentos" wx:linktype="known" wx:pagename="Descobrimentos" wx:page_id="15879" id="wx40">Descobrimentos</a>.</p>

<p id="wx41">As novas colónias, de início subordinado directamente ao prior de Tomar, e depois ao arcebispado do Funchal e ao novo bispado de Angra, estavam sobre a orientação religiosa da Ordem, a quem competia a nomeação do clero e a supervisão do seu desenvolvimento religioso.</p>

<p id="wx42">Neste contexto, as referências ao culto do Espírito Santo aparecem muito cedo e de forma generalizada em todo o arquipélago, já que <a href="/wpt/Gaspar_Frutuoso" title="Gaspar Frutuoso" wx:linktype="known" wx:pagename="Gaspar_Frutuoso" wx:page_id="98564" id="wx43">Gaspar Frutuoso</a>, escrevendo cerca de 150 anos após o início do povoamento, já o menciona, indicando ser comum a todas as ilhas. Tal expansão apenas seria possível se contasse com a tolerância, ou mesmo o incentivo, da Ordem de Cristo. Também as referências a festejos feitas nas <i id="wx44">Constituições Sinodais da Diocese de Angra</i>, aprovadas em <a href="/wpt/1559" title="1559" wx:linktype="known" wx:pagename="1559" wx:page_id="28219" id="wx45">1559</a> pelo bispo D. frei <a href="/wpt/Jorge_de_Santiago" title="Jorge de Santiago" wx:linktype="known" wx:pagename="Jorge_de_Santiago" wx:page_id="159993" id="wx46">Jorge de Santiago</a>, demonstram que naquela altura já eram matéria a merecer a atenção da autoridade episcopal.</p>

<p id="wx47">Tendo em conta que os povoadores vieram de múltiplas origens, desde o norte ao sul de Portugal, e ainda da Flandres e outras regiões europeias, o que aliás está bem patente na diversidade dos falares açorianos e das tradições e costumes das ilhas, e que excluindo a diocese, não existia no temporal qualquer forma de governo comum, a existência de um culto unificador, comum a todo o arquipélago, e com existência em fase tão precoce do povoamento, parece demonstrar que terá existido uma clara intenção e coordenação na sua introdução. Admitindo tal facto, não resta senão a presença franciscana como explicação para a propagação do culto e como veículo de introdução das doutrinas joaquimitas.</p>

<p id="wx48">A existência de Irmandades do Divino Espírito Santo é já generalizada no século XVI. O primeiro hospital criado nos Açores (1498), a cargo da Santa Casa da Misericórdia de Angra, recebe a designação, ainda hoje mantida, de Hospital do Santo Espírito. A distribuição de carne e os bodos eram também já comuns em meados do século XVI.</p>

<p id="wx49">A partir daí, e particularmente após o início do século XVIII, o culto do Divino Espírito Santo assume-se como um dos traços centrais da açorianidade, sendo o verdadeiro traço cultural unificador das populações das diversas ilhas. Com a imigração açoriana o culto é levado para o Brasil, onde já no <a href="/wpt/S%C3%A9culo_XVIII" title="Século XVIII" wx:linktype="known" wx:pagename="Século_XVIII" wx:page_id="10579" id="wx50">século XVIII</a> existia no <a href="/wpt/Rio_de_Janeiro" title="Rio de Janeiro" wx:linktype="known" wx:pagename="Rio_de_Janeiro" wx:page_id="1658" id="wx51">Rio de Janeiro</a>, na Baía e nas zonas de colonização açoriana de Santa Catarina, <a href="/wpt/Rio_Grande_do_Sul" title="Rio Grande do Sul" wx:linktype="known" wx:pagename="Rio_Grande_do_Sul" wx:page_id="2731" id="wx52">Rio Grande do Sul</a> e Pernambuco. No <a href="/wpt/S%C3%A9culo_XIX" title="Século XIX" wx:linktype="known" wx:pagename="Século_XIX" wx:page_id="1774" id="wx53">século XIX</a> é levado para o <a href="/wpt/Hawaii" title="Hawaii" wx:linktype="known" wx:pagename="Hawaii" wx:page_id="978" id="wx54">Hawaii</a>, para o <a href="/wpt/Massachussets" title="Massachussets" wx:linktype="known" wx:pagename="Massachussets" wx:page_id="45206" id="wx55">Massachussets</a> e para a <a href="/wpt/Calif%C3%B3rnia" title="Califórnia" wx:linktype="known" wx:pagename="Califórnia" wx:page_id="601" id="wx56">Califórnia</a>.</p>

<p id="wx57">Hoje o culto açoriano do Divino Espírito Santo está em claro crescimento, tanto nos Açores como nas zonas de imigração açoriana, nomeadamente as costas leste e oeste dos Estados Unidos e a Província do Ontário, Canadá. Com o renascer da identidade açoriana no sul do Brasil, os festejos do Divino revigoraram-se também aí.</p>

<a id="A_ess.C3.AAncia_joaquimita_dos_Imp.C3.A9rios_do_Divino" name="A_ess.C3.AAncia_joaquimita_dos_Imp.C3.A9rios_do_Divino"/>
</wx:section><wx:section level="3" title="A essência joaquimita dos Impérios do Divino" id="wxsec6"><h3 id="wx58">A essência joaquimita dos Impérios do Divino</h3>

<div class="wx_image" wx:thumb="thumb" id="wx59"><a href="/wpt/Imagem:Festas_tradicionais_que_ocorrem_em_todas_as_9_ilhas_dos_A%C3%A7ores._Festa_do_Esp%C3%ADrito_Santo._Coroa_da_Freguesia_da_Vila_Nova%2C_ilha_Terceira%2C_A%C3%A7ores.jpg" title="Coroa, ceptro e orbe do Espírito Santo." wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Festas_tradicionais_que_ocorrem_em_todas_as_9_ilhas_dos_Açores._Festa_do_Espírito_Santo._Coroa_da_Freguesia_da_Vila_Nova,_ilha_Terceira,_Açores.jpg" id="wx60"><img src="/wpt/Imagem:Festas_tradicionais_que_ocorrem_em_todas_as_9_ilhas_dos_A%C3%A7ores._Festa_do_Esp%C3%ADrito_Santo._Coroa_da_Freguesia_da_Vila_Nova%2C_ilha_Terceira%2C_A%C3%A7ores.jpg" alt="Coroa, ceptro e orbe do Espírito Santo." width="250" id="wx61"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx62">
<p id="wx63">Coroa, ceptro e orbe do Espírito Santo.</p>
</div>
</div>

<p id="wx64">Para se compreender a proximidade do actual culto açoriano ao Espírito Santo às doutrinas de Joaquim de Fiore é necessário analisar-se sua forma de organização, crenças, e rituais.</p>

<p id="wx65">A organização do culto, embora com pequenas variações entre ilhas, e particularmente entre estas e as comunidades de origem açoriana nas Américas, o culto assenta nas seguintes estruturas:</p>

<ul id="wx66">
<li id="wx67">
<p id="wx68">A <b id="wx69">Irmandade</b> — A irmandade constitui o núcleo organizacional do culto. É composta por <i id="wx70">irmãos</i>, voluntariamente inscritos e consensualmente aceites, todos eles iguais em direitos e deveres. Embora haja notícia de antigas irmandades exclusivamente masculinas, desde há muito que homens e mulheres participam sem diferenças. O carácter igualitário das irmandades, condicente com a crença joaquimita, é bem patente, não sendo aceites diferenças por origem ou posses. Esta regra foi raramente violada, mas há notícia nalgumas ilhas de <i id="wx71">Impérios dos nobres</i> (o mais conhecido e o único sobrevivente é o da <a href="/wpt/Horta" title="Horta" wx:linktype="known" wx:pagename="Horta" wx:page_id="12953" id="wx72">Horta</a>, hoje sob responsabilidade da Câmara Municipal) que apenas aceitavam irmãos provenientes da aristocracia local. As irmandades são de carácter territorial, constituindo-se como verdadeiras associações de vizinhos, agrupando famílias residentes numa mesma freguesia ou localidade, sem prejuízo de aceitarem irmãos residentes noutras localidades, desde que tenham vínculo de origem ou família à localidade onde se situa a irmandade. As irmandades têm um <i id="wx73">compromisso</i>, mas em geral regem-se por regras consensuais, não escritas. Sempre que a diocese ou as autoridades civis tentaram intervir em matérias das irmandades depararam-se com enorme resistência e indignação, seguida de resistência passiva que impediu a interferência.</p>
</li>

<li id="wx74">
<p id="wx75">O <b id="wx76">Império</b> — Cada irmandade estrutura-se em torno de um Império do Divino Espírito Santo, normalmente um pequeno edifício com arquitectura distinta em torno do qual se realizam as actividades do culto. A arquitectura dos Impérios varia grandemente de ilha para ilha, variando desde um simples telheiro no tardoz das igrejas na ilha de Santa Maria até capelas vistosamente ornadas e encimadas pela coroa imperial na ilha Terceira. Aos impérios está normalmente associada uma <i id="wx77">dispensa</i> ou <i id="wx78">copeira</i>, espaço destinado ao armazenamento dos adereços utilizados, dos víveres e vitualhas e para confecção e distribuição das funções e demais refeições rituais. O aparecimento generalizado dos <i id="wx79">impérios</i> como edifícios permanentes em alvenaria data última metade do século XIX, provavelmente em resultado do retorno de dinheiro dos emigrantes no Brasil e na Califórnia. Até ali o culto realizava-se em torno dos <i id="wx80">treatros</i> (e não teatros!), palanques em madeira montados especificamente para a ocasião. Na diáspora açoriana, particularmente na Nova Inglaterra e no Canadá, para além dos pequenos impérios, são hoje comuns os grandes salões, onde as festas se realizam em ambiente fechado.</p>
</li>

<li id="wx81">
<p id="wx82">O <b id="wx83">Mordomo</b> — Para cada celebração os irmãos escolhem um irmão responsável que recebe a designação de mordomo. A escolha é normalmente feita pela retirada de <i id="wx84">pelouros</i>, bilhetes em papel onde é inscrito um nome, enrolados e colocados num saco ou chapéu, de onde são retirados por uma criança. A maioria das irmandades admite a existência de mordomos voluntário, que se oferecem a realizar a festa em resultado do cumprimento de promessa feita para recebimento de uma especial graça do Divino Espírito Santo. Ao mordomo cabe coordenar a recolha de fundos para a festa e coordenar a sua realização, sendo para tal efeito considerado a autoridade suprema a que todos os irmãos estão obrigados a estrita obediência.</p>
</li>
</ul>

<p id="wx85">No que respeita às crenças, que estão por detrás da organização acima descrita, elas entroncam directamente no joaquimismo. São elas:</p>

<ul id="wx86">
<li id="wx87">
<p id="wx88">A <b id="wx89">esperança</b> — os devotos esperam a chegada de um tempo novo onde todos os homens serão irmãos e onde o Espírito Santo será a fonte de todo o saber e de toda a ordem.</p>
</li>

<li id="wx90">
<p id="wx91">A <b id="wx92">fé no Divino</b> e nos seus <b id="wx93">sete dons</b> — o Divino Espírito Santo está presente em todo o lado, tudo sabe e tudo vê, não havendo para ele segredos. As ofensas ao divino são punidas severamente (Diz-se: <i id="wx94">O Divino Espírito Santo é vingativo</i>), não ficando impunes as promessas não cumpridas. Os <a href="/wpt/Sete_Dons_do_Esp%C3%ADrito_Santo" title="Sete Dons do Espírito Santo" wx:linktype="known" wx:pagename="Sete_Dons_do_Espírito_Santo" wx:page_id="114117" id="wx95">Sete Dons do Espírito Santo</a> (Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor) são a fonte de toda a virtude e de toda a sabedoria, devendo guiar os irmãos.</p>
</li>

<li id="wx96">
<p id="wx97">O <b id="wx98">igualitarismo</b> — todos os irmãos são iguais e todos podem ser mordomos, e todos podem ser coroados assumindo a função de imperador, merecendo igual respeito e obediência quando investidos dessa autoridade. É a expressão prática do igualitarismo joaquimita.</p>
</li>

<li id="wx99">
<p id="wx100">A <b id="wx101">solidariedade e a caridade</b> — na distribuição do bodo e das pensões, devem ser privilegiados os mais pobres para que todos possam igualmente festejar o Divino Espírito Santo. Todas as ofensas devem ser perdoadas para se ser digno de receber o Divino Espírito Santo.</p>
</li>

<li id="wx102">
<p id="wx103">A <b id="wx104">autonomia face à Igreja</b> — o culto do Divino Espírito Santo não depende da organização formal da igreja nem necessita da participação formal do clero. Não existem intermediários entre os devotos e o Divino. É clara a influência do pensamento joaquimita, preferindo a igreja mística à igreja formal.</p>
</li>
</ul>

<p id="wx105">Os rituais do culto assentam num conjunto de objectos simbólicos e em cerimónias visando a representação directa das crenças subjacentes. São eles:</p>

<ul id="wx106">
<li id="wx107">
<p id="wx108">A <b id="wx109">coroa</b>, o <b id="wx110">ceptro</b> e o <b id="wx111">orbe</b> — são os símbolos mais importantes do Império do Divino Espírito Santo, assumindo o lugar central em todo o culto. A coroa é uma coroa imperial, em prata, normalmente com três braços, encimada por um orbe em prata dourada sobre o qual assenta uma pomba de asas estiradas. O tamanho da coroa varia, e em geral cada irmandade dispõe de uma coroa grande e duas mais pequenas. Cada coroa é completada com um ceptro em prata, encimado por uma pomba de asas estiradas. A coroa é decorada com um laço de fita de seda branca, o mesmo acontecendo com o ceptro. Por vezes os braços da coroa são decorados com pequenos botões de flor de laranjeira em tecido branco. A coroa é colocada sobre uma <i id="wx112">bandeja</i> de pé alto, também em prata. Simboliza o império do Divino Espírito Santo e o seu poder universal. Para além de servir para coroar, é considerada uma honra, conferida pelo imperador, transportar a coroa e segurar a respectiva bandeja. Durante o ano as coroas circulam semanalmente entre as casas dos irmãos, que as colocam em lugar de honra, rezando e louvando o Divino, todas as noites, perante elas. As coroas são também transportadas pelos mordomos quando realizam peditórios.</p>
</li>

<li id="wx113"><b id="wx114">A bandeira</b>
<p id="wx115">— a bandeira é confeccionada em damasco vermelho vivo, normalmente de dupla face, de forma quadrangular, com 5 palmos de lado (embora existam bandeiras maiores e menores), sobre o centro da qual é bordada em relevo uma pomba branca da qual irradiam para baixo raios de luz em branco e fio de prata. A bandeira é colocada numa haste em madeira com cerca de dois metros de comprido, encimada por uma pomba em prata ou latão. A bandeira acompanha a coroa e está sempre presente nas cerimónias litúrgicas onde se coroe. Uma bandeira menor é içada junto à casa do imperador durante a permanência das coroas. Junto aos impérios é hábito existir um grande mastro no qual é içada durante as cerimónias uma grande bandeira de tecido branco onde estão pintadas cenas alusivas ao culto. É considerada uma honra ser escolhido para levar a bandeira nos cortejos.</p>
</li>

<li id="wx116">
<p id="wx117">O <b id="wx118">Hino</b> — o Hino do Espírito Santo, composto em finais do século XIX para ser tocado pelas bandas e ser cantado durante as coroações, é o mais reverenciado de todos os hinos, sendo sempre escutado nos Açores com grande emoção e respeito. Alguns dos acordes estão patentes no <a href="/wpt/Hino_dos_A%C3%A7ores" title="Hino dos Açores" wx:linktype="known" wx:pagename="Hino_dos_Açores" wx:page_id="71816" id="wx119">Hino dos Açores</a>.</p>
</li>

<li id="wx120">
<p id="wx121">As <b id="wx122">varas</b> e as <b id="wx123">fitas</b> — claramente inspiradas nas antigas varas municipais e dos juízes, as cerimónias e cortejos são acompanhadas por um número variável de varas em madeira polida (em geral 12), com cerca de 1,5 m de comprido, encimadas por um suporte no qual é possível colocar uma vela. Algumas varas são decoradas com fitas brancas e vermelhas. Notros casos são colocadas sete fitas, todas de cor diferente, representando os sete dons do Espírito Santo. Nas cerimónias de coroação, são colocadas velas que se acendem durante o acto. Nos cortejos as varas rodeiam as coroas, nalguns casos sendo seguradas por dois participantes e colocadas de forma a formar um quadrado em torno de cada coroa. Nalgumas irmandades existe uma vara extra, mais cumprida e sem suporte para vela, por vezes pintada de branco, que é entregue pelo imperador a uma pessoa que se responsabiliza por mater o cortejo em boa ordem. Esta vara é por vezes referida como o "enxota porcos", talvez uma referência aos tempos em que os animais domésticos andavam pelas ruas e precisavam de ser afastados para o cortejo passar. O imperador escolhe para levar as varas pessoas, normalmente jovens, que deseje honrar.</p>
</li>

<li id="wx124">
<p id="wx125">O <b id="wx126">cortejo</b>, <b id="wx127">império</b> ou <b id="wx128">mudança</b> — no dia de Páscoa as coroas são transportadas para a igreja, fazendo-se no final da missa a primeira coroação, depois de coroado, o imperador parte para sua casa, acompanhado por um cortejo, acompanhado pelos irmãos, que é aberto pela bandeira e termina pelas coroados rodeados pelas varas. Atrás vai normalmente uma filarmónica que acompanha com música alegre o percurso. Chegados a casa do imperador, as coroas são colocada num trono armado em madeira revestida de papel branco e de flores, ficando em exposição toda a semana. Todas as noites, os vizinhos e convidados reúnem-se para um pequeno convívio, por vezes incluindo danças, que termina pela recitação do terço e de orações alusivas ao Divino Espírito Santo. No domingo seguinte, as coroas partem novamente em cortejo para a igreja, sendo recebidas à porta pelo pároco, que entoa o <i id="wx129">Magnificat</i>. O processo repete-se até ao Domingo do Bodo (o sétimo após a Páscoa), e nalguns casos até ao 2.º Bodo (o Domingo da Trindade - 8.º após a Páscoa). Começa a ser comum fazer cortejos durante o Verão, normalmente associados a funções oferecidas por emigrantes em férias.</p>
</li>

<li id="wx130">
<p id="wx131">A <b id="wx132">coroação</b> – a coração é feita após o termo da missa e consiste na colocação, pelo sacerdote, da coroa na cabeça do imperador ou das pessoas que ele designar, e na imposição do ceptro, que depois de beijada a pomba que o encima, é empunhado pelos coroados. Os fiéis assistem de pé à coroação, sendo por vezes cantado o Hino. Depois da coroação, inicia-se o cortejo, sendo o imperador seguido até à porta pelo sacerdote, que canta o <i id="wx133">Magnificat</i>.</p>
</li>

<li id="wx134">
<p id="wx135">O <b id="wx136">bodo</b> — No 7.º domingo após a Páscoa (dia de <a href="/wpt/Pentecostes" title="Pentecostes" wx:linktype="known" wx:pagename="Pentecostes" wx:page_id="77833" id="wx137">Pentecostes</a>) realiza-se o bodo. Nesse dia, o cortejo depois de sair da igreja dirige-se ao império, sendo as coroas e bandeiras aí colocadas em exposição. Frente ao império, em longos bancos corridos são colocadas as <i id="wx138">esmolas</i>, que depois de abençoadas são destribuídas. Os irmãos recebem-nas e todas as pessoas que passam podem livremente servir-se de pão e vinho. No entretanto são arrematadas as oferendas, normalmente gado, alfenim e massa sovada. O bodo é organizado e gerido pelo mordomo e por quem ele designe. Terminado o bodo as coroas recolhem em cortejo a casa do mordomo. A segunda-feira imediata é o <a href="/wpt/Dia_dos_A%C3%A7ores" title="Dia dos Açores" wx:linktype="known" wx:pagename="Dia_dos_Açores" wx:page_id="113424" id="wx139">Dia dos Açores</a>, ou <b id="wx140">dia da pombinha</b>.</p>
</li>

<li id="wx141">
<p id="wx142">A <b id="wx143">esmola</b> ou <b id="wx144">pensão</b> — é constituída por uma porção de carne de vaca (de gado especialmente abatido para o efeito), por um pão de cabeça (ou pão do bodo), e por vinho de cheiro. É distribuída aos irmãos que as pretenderem e às famílias mais necessitadas.</p>
</li>

<li id="wx145">
<p id="wx146">A <b id="wx147">função</b> — é uma refeição ritual servida a um numeroso grupo de convidados por um dos irmãos, normalmente em resultado de um voto ou promessa. A refeição consiste de “sopa do Espírito Santo” (pão seco que depois é recoberto com água de cozer carne, temperada com hortelã e outros condimentos), o cozido de carne, pão de água, a massa sovada (um pão de massa doce e rico em ovos) e arroz doce polvilhado com canela. Na Terceira é por vezes incluída a <i id="wx148">alcatra</i>, um prato de carne cozinhada em vinho num alguidar de barro. A função simboliza a partilha e é servida na presença das coroas e da bandeira, sendo acompanhada por cantigas alusivas ao Império do Divino Espírito Santo, normalmente cantadas por foliões. As funções são hoje servidas em contextos cerimoniais, como seja a celebração do <a href="/wpt/Dia_dos_A%C3%A7ores" title="Dia dos Açores" wx:linktype="known" wx:pagename="Dia_dos_Açores" wx:page_id="113424" id="wx149">Dia dos Açores</a> e recepções protocolares. O recorde de participação numa função (cerca de 8 mil convivas) ocorreu na Rua de São Pedro, em <a href="/wpt/Angra_do_Hero%C3%ADsmo" title="Angra do Heroísmo" wx:linktype="known" wx:pagename="Angra_do_Heroísmo" wx:page_id="5926" id="wx150">Angra do Heroísmo</a>, nas celebrações do 10 de Junho de 2000, com a presença do Presidente da República, do Primeiro-Ministro, do Presidente do Governo dos Açores e de todo o corpo diplomático acreditado em Portugal, entre outros convidados.</p>
</li>

<li id="wx151">
<p id="wx152">A <b id="wx153">briança</b> — é um cortejo em que o gado que vai ser abatido para o bodo ou arrematado é mostrado á comunidade, com flores de papel colorido coladas na pelagem e acompanhado por foliões ou cantadores de cantigas ao desafia. O cortejo para à porta de cada família que contribuiu, sendo então cantadas cantigas alusivas. Durante o percurso é tocada a <i id="wx154">briança</i> (música tradicional para este evento) ou um <i id="wx155">pezinho</i> adequado.</p>
</li>

<li id="wx156"><b id="wx157">Ceia dos criadores</b>
<p id="wx158">— são jantares organizados em honra dos lavradores que contribuíram com gado ou das pessoas que deram ofertas relevantes à irmandade. Funciona como momento de recolha de fundos, sendo tradição em algumas ilhas convidar figuras ilustres as política ou da vida social local.</p>
</li>

<li id="wx159">
<p id="wx160">Os <b id="wx161">foliões</b> — são pequenos grupos de até 5 pessoas, os Foliões do Divino, que, com as suas cantigas, acompanhadas por <a href="/wpt/Tamborete" title="Tamborete" wx:linktype="known" wx:pagename="Tamborete" wx:page_id="151798" id="wx162">tamborete</a> e <a href="/wpt/C%C3%ADmbalo" title="Címbalo" wx:linktype="known" wx:pagename="Címbalo" wx:page_id="151782" id="wx163">címbalos</a>, participam da preparação das Festas do Divino, visitando as casas dos irmãos, cantando os feitos e os poderes do Divino Espírito Santo, recolhendo donativos e marcando os rituais da distribuição do bodo ou da função. Na <a href="/wpt/Ilha_de_Santa_Maria" title="Ilha de Santa Maria" wx:linktype="known" wx:pagename="Ilha_de_Santa_Maria" wx:page_id="1763" id="wx164">ilha de Santa Maria</a> e no lugar da <a href="/wpt/Beira_%28Velas%29" title="Beira (Velas)" wx:linktype="known" wx:pagename="Beira_(Velas)" wx:page_id="166839" id="wx165">Beira</a>, <a href="/wpt/Ilha_de_S%C3%A3o_Jorge" title="Ilha de São Jorge" wx:linktype="known" wx:pagename="Ilha_de_São_Jorge" wx:page_id="1761" id="wx166">ilha de São Jorge</a>, sobrevivem rituais extremamente complexos, autêntica liturgia do culto do Espírito Santo, que já desapareceram nas outras ilhas.</p>
</li>
</ul>

<a id="Bibliografia" name="Bibliografia"/>
</wx:section></wx:section><wx:section level="2" title="Bibliografia" id="wxsec3"><h2 id="wx167"><wx:template id="wx_t1" pagename="Predefinição:Bibliografia" page_id="377386"/>Bibliografia<wx:templateend start="wx_t1"/></h2>

<ul id="wx168">
<li id="wx169"><i id="wx170">A Influência de Joaquim de Flora em Portugal e na Europa. Escritos de Natália Correia sobre a utopia da Idade Feminina do Espírito Santo</i>
<p id="wx171">, por José Augusto Mourão e José Eduardo Franco, Lisboa, Roma Editora, 2005.</p>
</li>

<li id="wx172"><i id="wx173">São Bento e a ordo monachorum de Joaquim de Fiore (1136-1202)</i>
<p id="wx174">, por Nachman Falbel, in <i id="wx175">Revista USP</i>, São Paulo, (30), pp. 273-276, Junho/Agosto de 1996.</p>
</li>
</ul>

<a id="Liga.C3.A7.C3.B5es_externas" name="Liga.C3.A7.C3.B5es_externas"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Ligações externas" id="wxsec4"><h2 id="wx176"><wx:template id="wx_t2" pagename="Predefinição:Ligações_externas" page_id="62491"/>Ligações externas<wx:templateend start="wx_t2"/></h2>

<ul id="wx177">
<li id="wx178"><a href="http://www.vatican.va/roman_curia/secretariat_state/documents/rc_seg-st_doc_20020404_sodano-agostino_po.html" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx179">Carta do Secretário de Estado do Vaticano celebrando o VIII centenário da morte de Fiore.</a></li>

<li id="wx180"><a href="http://www.portaldodivino.hpgplus.com.br/Modelo1/modelo1.htm" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx181">Portal do Divino Espírito Santo.</a></li>

<li id="wx182"><a href="http://carlosnogueira.tripod.com/id22.html" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx183">A Igreja do Espírito Santo de Alenquer.</a></li>

<li id="wx184"><a href="http://www.terceiraemfesta.com/" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx185">Terceira me Festa</a></li>
</ul>


</wx:section></wx:section></div>
<div id="wx_categorylinks">
<a href="/wpt/index.php?title=Especial:Categories&amp;article=Irmandades_do_Divino_Esp%C3%ADrito_Santo" title="Especial:Categories" wx:linktype="known" wx:pagename="Especial:Categories" id="wx186">Categorias de páginas</a>: <span dir="ltr" id="wx187"><a href="/wpt/Categoria:Regi%C3%A3o_Aut%C3%B3noma_dos_A%C3%A7ores" title="Categoria:Região Autónoma dos Açores" wx:linktype="known" wx:pagename="Categoria:Região_Autónoma_dos_Açores" wx:page_id="94575" id="wx188">Região Autónoma dos Açores</a></span> | <span dir="ltr" id="wx189"><a href="/wpt/Categoria:Conceitos_religiosos" title="Categoria:Conceitos religiosos" wx:linktype="known" wx:pagename="Categoria:Conceitos_religiosos" wx:page_id="65821" id="wx190">Conceitos religiosos</a></span> | <span dir="ltr" id="wx191"><a href="/wpt/Categoria:Cristianismo" title="Categoria:Cristianismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Categoria:Cristianismo" wx:page_id="15087" id="wx192">Cristianismo</a></span> | <span dir="ltr" id="wx193"><a href="/wpt/Categoria:%21Artigos_sem_interwiki" title="Categoria:!Artigos sem interwiki" wx:linktype="known" wx:pagename="Categoria:!Artigos_sem_interwiki" wx:page_id="1133291" id="wx194">!Artigos sem interwiki</a></span></div>
<div id="wx_languagelinks">
</div>
</body>
<wx:templatearguments for="wx_t1"><wx:argument name=""/></wx:templatearguments>
<wx:templatearguments for="wx_t2"><wx:argument name=""/></wx:templatearguments>
</html>
