De Telavive a Nova Iorque, o apelo é pela ocupação das ruas à escala global




"Muitos dos detidos em Wall Street, nos Estados Unidos, são os mesmos manifestantes de Telavive" contou Dov Ben-Lior, um dos membros do Movimento 14 de Julho, que esteve na origem dos protestos israelitas por "justiça social" durante os últimos meses. 
Em Julho e Agosto, milhares de israelitas montaram grandes "cidades de tendas" principalmente na emblemática Avenida Rothschild, em Telavive, o epicentro do movimento israelita pela justiça social.
O movimento viu as fileiras engrossadas por milhares de israelitas nova-iorquinos, com dupla nacionalidade, que de visita às famílias passaram as férias acampados nas ruas, passeios e parques de Israel. 
Imediatamente a seguir à última grande manifestação que reuniu cerca de 5% da população (350 mil pessoas nas ruas de Telavive e um total de meio milhão por todo o Estado de Israel) a 3 de Setembro, muitos destes manifestantes regressaram a Nova Iorque e participam, agora, no protesto "Occupy Wall Street", junto a um dos principais centros financeiros mundiais. 
"Nova Iorque e Telavive são próximas, há muitos cidadãos de Telavive a viver em Nova Iorque. Muitos deles foram presos e por isso acredito que o protesto das tendas foi inspirador", explicou Dov Ben-Lior à Lusa.
Segundo este activista "a inspiração funciona nas duas direcções" e nesse sentido espera que "portugueses, israelitas, indianos, americanos e todo o mundo resista em conjunto", afirmou. 
"É inspirador ver que o movimento está também na Índia, em Wall Street, em São Francisco. Dá poder às pessoas", sublinha.
Telavive é uma das cidades que consta do mapa do movimento global "Occupy Together" que vai dar lugar a uma manifestação convocada para o próximo sábado, 15 de Outubro.
Segundo este activista está agendada uma marcha que vai culminar na praça do museu de arte de Telavive onde vão ser transmitidas num ecrã gigante e em tempo real as manifestações em outras "frentes" mundiais e entradas via Twitter vindas de outros pontos durante o dia pela "mudança global". 
"Estará a transmitir de todo o mundo e todo o mundo irá ver-nos a nós. Milhões de pessoas juntas", salienta, explicando que o mote do evento internacional é "os povos do mundo erguem-se".
O manifesto para a marcha de 15 de Outubro em Israel alerta contra aquilo que consideram os perigos do sistema capitalista. 
"É nosso dever tomar uma posição crítica sobre o governo, o sistema capitalista e a comunicação, até agora mediada entre nós e a realidade. Reconhecemos que a mediação está infectada com incontáveis interesses monetários que apenas nos vêem como consumidores. Chegámos à conclusão de que não somos 'capital humano', 'força de trabalho' e não somos audiência".
"Por isso tentámos fazer algo nesse espírito", acrescentou o activista que aproveita para sublinhar a importância em "construir o poder da união".
Segundo afirma o manifesto, "o sistema económico actual é tudo menos social". 
"Apenas serve políticos e magnatas. Uns poucos fazem milhões de dólares por dia. Basta! É tempo de pôr ponto final a este sistema opressor que nos divide e nos vira uns contra os outros. 2011 é o ano em que milhões de cidadãos constroem pontes entre diferenças e unem-se contra o sistema", conclui a mensagem.
