Curral das Freiras isolada, situação é "muito preocupante"




A freguesia de Curral das Freiras, concelho de Câmara de Lobos, na ilha
da Madeira, continua isolada, sem acessos e comunicações, com indicação
de existência de vítimas mortais mas ainda não contabilizadas, disse
hoje fonte da autarquia. O helicóptero da Força Aérea que se deslocou
ao local não conseguiu aterrar e a única via terrestre para a freguesia
continua obstruída.
Curral das Freiras é uma freguesia situada no centro da ilha, num vale encravado entre as montanhas onde nascem algumas das ribeiras que ontem arrasaram a capital do arquipélago, o Funchal, e Ribeira Brava. A localidade está mais perto do Pico do Areeiro, onde se registou a queda de 185 litros por metro quadrado, um recorde em Portugal.
“A vila de Curral das Freiras é a nossa maior preocupação, devido ao número de pessoas [cerca de quatro mil habitantes] que se encontram entregues a elas próprias”, disse à agência Lusa o vice-presidente de Câmara de Lobos, Leonardo Figueira, autarca que à RTP/Madeira adiantou que o helicóptero da Força Aérea foi incapaz de aterrar.
O autarca avançou que as derrocadas que aconteceram no sábado na sequência das fortes chuvadas provocaram na vila vítimas mortais, feridos, desaparecidos e desalojados, mas que ainda não se conseguiu apurar o seu número. As comunicações estão interrompidas e os únicos contactos com os habitantes foram feitos via telemóvel, através de algumas mensagens de textos .
Leonardo Figueira adiantou que as estradas de acesso à vila estão bloqueadas e que a única maneira de alcançar a localidade é a pé por entre destroços e entulho.
“O presidente [do governo regional, Alberto João Jardim] está a caminho do local e vai tentar fazer a passagem pedonal, perto das derrocadas, para conhecer a situação do local, porque de outra forma não conseguimos saber”, disse o autarca.
Na localidade encontram-se máquinas para remover o entulho das derrocadas, bem como uma equipa de bombeiros.
No concelho de Câmara de Lobos, também a freguesia de Fajã das Galinhas está isolada, onde duas máquinas tentam desobstruir a passagem.
Leonardo Figueira explicou que enquanto não se conseguir chegar à população, uma vez que as comunicações estão bloqueadas, não se consegue ter noção exacta dos danos.
A tempestade que assolou a Madeira já causou pelo menos 40 mortos, 101 feridos, 250 desalojados, segundo as últimas actualizações do secretário regional dos Assuntos Sociais, Francisco Ramos.
O mau tempo deixou um rasto de destruição em alguns concelhos, o que já levou o presidente do governo regional a pedir ajuda a Bruxelas.
A forte chuva registada, desde o início da madrugada de hoje, provocou deslizamentos de terras, inundações, sendo considerado o pior temporal na Madeira desde 1993.
Lusa