Réplica interrompe temporariamente operações de buscas




Uma réplica de 4.5 graus na escala de Richter abalou hoje, sábado, a capital do Haiti semeando de novo o pânico e obrigando a uma breve interrupção das operações para retirar vítimas dos escombros do sismo de terça-feira.
A réplica foi sentida na manhã de hoje (16:00 em Lisboa) na capital haitiana quando várias equipas de socorro tentavam retirar vítimas da montanha de escombros na cidade de Port-au-Prince, devastada pelo forte sismo de terça-feira, que provocou um número indeterminado de mortos, mas que será sempre bastante elevado.
Esta situação levou a uma breve interrupção dos trabalhos, retomados minutos depois. As  operações de busca por sobreviventes deverão continuar pelo menos até domingo.
De acordo com porta-voz do Instituto Geológico dos Estados Unidos (EUA), já foram registadas mais de 50 réplicas de maior ou menor intensidade desde o sismo de magnitude 7,0 que terça-feira sacudiu a ilha de Santo Domingo, partilhada pelo Haiti e República Dominicana. 
Apesar de as novas replicas não terem sido suficientemente fortes para causar mais estragos, vários especialistas em geofísica fizeram notar que mesmo um pequeno terramoto pode derrubar os prédios já danificados pelo grande sismo.
Milhares de haitianos, aterrorizados com as constantes réplicas e temendo a violência das pessoas que procedem a pilhagens tentaram hoje deixar a cidade de Port-au-Prince em direcção a outras cidades.
De acordo com testemunhos de membros do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), dezenas de milhares de pessoas desalojadas continuam a viver nas ruas e em acampamentos improvisados, aproveitando cada centímetro dos espaços públicos da capital haitiana, onde as tropas norte-americanas começaram a distribuir ajuda humanitária.
O porta-voz da organização no local, Simon Schorno, visitou diversas regiões da cidade na sexta-feira e declarou hoje que "o caos é total".
"Há destruição em todos os bairros. As pessoas andam de um lado para o outro à procura de comida e ajuda. Muitos usam máscaras para se proteger do mau cheiro dos corpos em decomposição, não há tendas para se abrigarem, não há lugares para cozinhar, nem casas de banho", lamentou.
Schorno descreveu, no entanto, cenas de grande solidariedade entre as vítimas que dividem o pouco que têm e se organizam da melhor maneira possível.
Segundo este responsável, há também falta pessoal nos centros médicos da capital, que estão saturados e não podem atender ao alto número de pacientes.
Quatro dias depois da tragédia, a frequência das pilhagens e receio de violência nas ruas aumentam.
