Haiti: Presidente sobe para 300 mil o número de mortos




Alerta. Um milhão de pessoas precisa urgentemente de abrigo para evitar primeiras chuvas
O número de vítimas mortais do terramoto que no dia 12 de Janeiro abalou fortemente o Haiti poderá chegar aos 300 mil, declarou em Cancun, René Préval, na abertura da Cimeira México-Caricom. O Chefe do Estado haitiano pediu ajuda para um milhão de haitianos que continuam desalojados desde a catástrofe. 
"Apelo a uma grande coligação de forças que nos ajude a enfrentar o problema rapidamente e de uma forma eficaz. Se quiserem, ajudem um milhão de haitianos que todos os dias dormem na rua", declarou, citado pela AFP, perante os representantes da quinzena de países da Comunidade das Caraíbas e do seu homólogo do México, Felipe Calderón. E alertou que as primeiras chuvas estão a tornar impossível uma vida humana digna para todos os que perderam as suas casas no violento sismo. 
O mesmo alerta deixou ontem na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros europeus Kristalina Giorgieva. "A comissária da Ajuda Humanitária falou da nova fase nas necessidades do Haiti e lembrou que com o início da época das chuvas é preciso abrigos para as pessoas", disse ao DN o secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Pedro Lourtie, que substituiu o chefe da diplomacia portuguesa na reunião. Luís Amado ficou em Lisboa para participar no Conselho de Ministros, destinado a discutir a catástrofe na ilha da Madeira. 
Questionado sobre a eventual contribuição que o Governo português poderá fazer na conferência de doadores sobre o Haiti, que está agendada para o dia 31 de Março, em Nova Iorque, Lourtie disse ser ainda muito cedo para haver uma decisão. 
No mesmo dia, a alta-representante para a Política Externa e de Segurança da União Europeia e vice-presidente da Comissão Europeia, Catherine Ashton, afirmou que considera necessário "um plano Marshall para o Haiti" - referindo-se às ajudas americanas dadas para a reconstrução da Europa no pós-II Guerra Mundial. A baronesa britânica indicou ainda que pretende deslocar-se na próxima semana àquele que é o mais pobre país do continente americano. 
A seguir à tragédia de 12 de Janeiro, a UE mobilizou equipas de busca e salvamento e desbloqueou 400 milhões de euros para ajuda humanitária, reconstrução e desenvolvimento. Após uma proposta francesa, decidiu-se reforçar com três centenas de homens a componente policial da missão das Nações Unidas no Haiti através da Eurogendfor. Além disso, mais recentemente, Ashton anunciou o envio de militares europeus para ajudar a construir abrigos para os desalojados. 
A reconstrução do Haiti pode demorar ao todo 25 anos, afirmou ontem a embaixadora do país em Espanha, Yollete Azor-Charles, citada pela agência Efe. Além do milhão de desalojados que Préval referiu em Cancun, a diplomata lembrou também os 500 mil feridos e quatro mil amputados. 
PATRÍCIA VIEGAS