Pelo menos 300 mortos no Chile
                  




  O poderosíssimo sismo que assolou na madrugada deste sábado o Chile causou, pelo menos, 300 mortos, danos ainda incalculados e um tsunami, que deixou em alerta vários países do Pacífico.


Já considerado um dos mais potentes de sempre da história do Chile, o sismo de magnitude 8,8 graus na escola de Richter que abalou o Chile foi 50 vezes mais intenso do que o que destruiu parcialmente, a 12 do mês passado, o Haiti. Segundo o Instituto Geológico dos Estados Unidos, o epicentro foi no mar, a 59,4 quilómetros de profundidade, na região da costa da região de Maule, no centro do Chile. 
O Gabinete Nacional de Urgências confirmou 300 mortes no terremoto, já classificado de um "cataclismo de dimensões históricas". "Desde 1960 (data do sismo de Valdivia, o maior da história), nunca tínhamos tido um terramoto assim", afirmou o ministro do Interior do Chile 
O forte sismo provocou também desmoronamentos de habitações, pontes, hospitais e outras estruturas, incêndios em fábricas e acidentes rodoviários por todo o país. A ministra da Habitação avançou que meio milhão de casas ficaram gravemente destruídas e mais 1,5 milhões sofreram danos. Os serviços de electricidade e de telefone foram também severamente atingidos. Desconhece-se quantas pessoas foram afectadas pelo sismo.
O número de vítimas poderá aumentar, segundo Sebastián Piñera, presidente eleito que assumirá funções no próximo mês. Michelle Bachelet, presidente em funções, já declarou estado de catástrofe em cinco regiões do país, incluindo a capital.
O tremor de terra durou cerca de um minuto e foi sentido em Santiago, a mais de 300 quilómetros do epicentro, e em regiões de Norte a Sul do país. Ao longo do dia, registaram-se 60 réplicas.
Uma das zonas mais afectadas pelo sismo foi a região dos arredores de Conception, a segunda cidade do país, situada 400 quilómetros a sul de Santiago, informou o Gabinete Nacional de Emergência.
Mais de 200 detidos aproveitaram a queda de um muro para escapar de uma prisão de Chillán (região de Bío-Bío, também fortemente abalada pelo sismo), de acordo com os serviços prisionais, que acrescentaram que, inicialmente, fugiram 269, mas 60 foram capturados por guardas.
Os portugueses que se encontram no Chile e foram contactados pelos serviços consulares encontram-se bem, de acordo com informações prestadas pelo gabinete do secretário de Estado das Comunidades, António Braga. Estão registados na Embaixada de Santiago do Chile cerca de mil portugueses. 
Maremoto

O maremoto provocado pelo sismo chegou ao Havai, embora sem causar danos, informou o Centro de Alertas de Tsunamis do Pacífico.
As ondas alcançaram um metro acima do que é habitual, segundo a agência norte-americana que alertou que as primeiras ondas poderiam não ser as mais fortes.
"É certo que um tsunami está a ocorrer no Havai agora mesmo", disse à imprensa Nathan Becker, um oceanógrafo do centro.
Até agora não se registaram danos no arquipélago, ainda que tenha conhecimento de danos em Ventura (Califórnia), referiu Nathan Becker, acrescentando porém desconhecer a gravidade daqueles.
Ao Havai chegaram duas ondas do tsunami, com um intervalo de 20 minutos, segundo o oceanógrafo, que acrescentou esperar que as ondas do maremoto se prolonguem durante uma ou duas horas.
Uma onda gigante com características de tsnuami atingiu também a zona central do principal porto militar chileno de Talcahuano, na localidade de Bibobío, a 500 quilómetros a sul da cidade de Santiago, ante o olhar do moradores que se refugiram numa parte alta das proximidades.
O tsunami no Oceano Pacífico atingiu ainda a ilha da Páscoa e as Galápagos.
