
Tropas vigiam cidades atingidas pelo sismo no Chile




O Exército do Chile começou esta segunda-feira a patrulhar os centros urbanos da região de Maule e de Conceição, a segunda maior cidade do país. Perante a sucessão de pilhagens nas cidades, a Presidente em exercício, Michelle Bachelet, decretou o recolher obrigatório nas zonas mais atingidas pelo terramoto de sábado. O número de vítimas mortais é já superior a 700.
Os números do desastre que se abateu no fim-de-semana sobre o Chile continuam a ser actualizados de hora para hora. Segundo o último balanço do Governo, o sismo de magnitude 8.8 na escala de Richter provocou pelo menos 711 mortos. Mais de três milhões de chilenos foram directamente afectados. Quinhentos mil ficaram sem tecto e estima-se que os prejuízos excedam os 22 mil milhões de euros.    "Enfrentamos uma catástrofe de uma magnitude de tal forma impensável que vai ser necessário um esforço gigantesco", admitia no domingo a Presidente em exercício.      A duas semanas de entregar o testemunho ao Presidente eleito Sebastian Piñera, Michelle Bachelet procura acelerar as operações de assistência humanitária às populações mais atingidas. Ao mesmo tempo, as autoridades tentam pôr cobro à vaga de pilhagens que varreu as cidades de Conceição, Talca e a própria capital, Santiago, nas horas que se seguiram ao tremor de terra. Centenas de pessoas invadiram lojas e farmácias em busca de comida, medicamentos, electrodomésticos e outros produtos. Dez mil operacionais do Exército foram entretanto destacados para impor o recolher obrigatório na região de Maule, onde estão confirmados mais de 541 mortos, e em Conceição, a Sul da capital.      Em Talca, a 250 quilómetros a Sul de Santiago, uma mulher de 78 anos, identificada como Ana, relatou à agência Reuters o ambiente que se vive na principal cidade da região de Maule: "Não temos água, ou outra coisa qualquer. Ninguém apareceu com ajuda e precisamos de mais polícia para manter a ordem. Há muitas pessoas a roubar".      Terra continua a tremer      O epicentro do sismo de sábado foi localizado a 115 quilómetros a nordeste de Conceição e a 325 quilómetros a sudoeste de Santiago do Chile. Estima-se que 1,5 milhões de casas tenham sofrido danos. Estradas, pontes e edifícios de construção antiga foram as estruturas mais castigadas. Na cidade de Curico, por exemplo, cerca de 90 por cento do centro histórico ficou destruído.      Durante a madrugada de segunda-feira foi registada mais uma réplica de magnitude 6.2 na escala de Richter.      Num primeiro momento, a Presidente chilena não pediu assistência internacional. Constatada a dimensão do desastre, Michelle Bachelet acabaria por reconhecer a necessidade de aceitar parte das ofertas de ajuda. O Chile, enunciou Bachelet, precisa de hospitais, pontes temporárias, unidades de purificação de água, equipas de salvamento para ajudar os socorristas no terreno e especialistas em avaliação de danos.      O Japão, que já anunciou um pacote de ajuda financeira na ordem dos 2,1 milhões de euros, vai enviar tendas, geradores e outros equipamentos de emergência para o Chile.      Levantado alerta de tsunami      O alerta de tsunami emitido para os países do Pacífico foi cancelado na manhã de domingo. Foi nas cidades costeiras do Chile que a onda de 2,5 metros gerada pelo sismo provocou mais estragos. O ministro chileno da Defesa, Francisco Vidal, reconheceu que a Marinha cometeu um erro ao tardar na emissão de um alerta de tsunami logo após o terramoto. Ainda assim, o governante afirma que o alarme accionado pelas capitanias dos portos poderá ter salvo centenas ou mesmo milhares de vidas.      Da localidade piscatória de Constituição saem relatos de pelo menos 350 corpos encontrados entre os escombros. No porto de Talcahuano, o ímpeto do mar levou mais de 20 embarcações para as ruas da cidade.      As medidas de emergência decretadas pela Administração de Michelle Bachelet incluem voos de aprovisionamento assegurados pela Força Aérea, a distribuição gratuita de bens de primeira necessidade nas regiões de Maule e Biobio e um redobrar dos esforços para repor a distribuição de electricidade, numa altura em que muitas regiões do país permanecem sem energia.      O Governo adiantou, entretanto, que os serviços de transportes públicos estão a ser retomados, assim como o tráfego nas estradas. Em Santiago, foi reposta a circulação numa das linhas de metro e o aeroporto reabriu, depois de ter sido encerrado devido a danos num terminal e na torre de controlo.  

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Uma equipa de resgate procura sobreviventes no interior de um edifício destruído pelo sismo em Conceição, a Sul de Santiago
Geraldo Caso, EPA
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