Maré negra  nos EUA trava exploração de petróleo 'offshore'
Golfo do México. Agência de 'rating' Fitch  avaliou em dois a três mil milhões de dólares  o custo da limpeza da mancha de petróleo




Os 182 quilómetros de barreiras flutuantes protectoras que a marinha dos Estados Unidos enviou para a Luisiana parecem bem frágeis perante a força da mancha de petróleo que já começou a chegar às ilhas e pântanos na costa daquele estado. Com 800 mil litros de petróleo a escapar-se diariamente da plataforma Deepwater Horizon que se afundou no golfo do México a 22 de Abril após uma explosão. O Presidente Barack Obama já anunciou o congelamento das novas explorações de petróleo offshore enquanto não forem apuradas as razões do afundamento.
Obama irritara os seus apoiantes e os grupos ecologistas ao anunciar o fim de uma moratória sobre a exploração do petróleo no mar. Uma decisão que visava recolher apoios para uma lei de redução das emissões de gases poluentes. Mas agora, confrontado com o que os ambientalistas dizem poder vir a ser uma catástrofe maior do que a provocada pela fuga no petroleiro Exxon Valdez em 1989 (ver caixa), o Presidente parece ter decidido esperar para ver. 
Durante a noite, as primeiras manchas de petróleo começaram a chegar à costa da Luisiana. Os primeiros sinais surgiram nos pântanos próximos da foz do rio Mississípi, disse à AFP o presidente da paróquia de Plaquemines, Billy Nungesser. Estas zonas constituem um santuário para a fauna, sobretudo aves marinhas. 
Os outros estados costeiros da região, como a Florida, o Alabama ou o Mississípi, temem que a maré negra chegue às suas praias e ponha em risco a pesca, actividade essencial à economia local. "A maré negra é o pior cenário que se possa imaginar para os pescadores de camarão, os criadores de ostras e de caranguejos e para os pescadores no geral", dizia aos jornalistas Brent Roy, que aluga barcos de pesca em Venice. Já Melanie Driscoll, do grupo de conservação National Audubon Society, afirmou à BBC: "Para as aves o momento não podia ser pior. Estão a reproduzir-se, a nidificar, ficando especialmente vulneráveis nos locais onde o petróleo pode chegar.
Perante a dimensão da fuga, as autoridades americanas já a declararam "catástrofe nacional". E o governador da Luisiana, Bobby Jindall, declarou o estado de emergência (tal como a Florida), destacando seis mil guardas nacionais para ajudar a limpar a costa. 
A petrolífera britânica BP, que explorava a plataforma Deepwater Horizon antes da explosão, já veio assumir "toda a responsabilidade" pela maré negra e pela limpeza que esta vai exigir. Além disso, a porta-voz da empresa, Sheila Williams, garantiu que a BP irá pagar as indemnizações a todas as pessoas que ficarem prejudicadas pela fuga de petróleo. A plataforma, situada a mais de 70 quilómetros da costa da Luisiana, afundou-se a 22 de Abril, dois dias depois de uma explosão. Dos mais de uma centena de funcionários, 11 continuam desaparecidos. 
Segundo a agência de rating Fitch, a limpeza da mancha de petróleo e da costa poderá custar dois a três mil milhões de dólares. Ou mais, caso as operações de limpeza demorem mais do que os meses que já estão a ser previstos. No entanto, a Fitch admite que, a curto prazo, as acções da BP não serão afectadas pelo derrame. 
No terreno, além de robôs submergíveis que tentam travar a fuga, encontram-se aviões e navios, num esforço para controlar uma mancha que já atinge os 960 km2. As operações podem demorar meses até estarem concluídas.
HELENA TECEDEIRO