
Atenas pede oficialmente a ajuda do FMI




De um laconismo extremo, compactado em três linhas apenas, foi entregue em Bruxelas o pedido de ajuda grego à União Europeia. Uma missão da Comissão Europeia e outra do Fundo Monetário Internacional (FMI) encontram-se entretanto na Grécia para estabelecer os detalhes e condições dessa ajuda.
  O porta-voz do comissário  responsável pelos Assuntos Económicos da União Europeia, citado pela agência France Press, explicou que a organização emitirá um aviso  sobre a necessidade de ativação do apoio, mas que "será o Eurogrupo que  decidirá formalmente a sua ativação".    Estão em causa empréstimos na ordem dos 45 mil milhões de euros, a uma taxa de juro próxima dos 5%. As reuniões do governo grego com o FMI começaram já na quarta-feira, com a presença, também, de representantes da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu. Amanhã, sábado, o ministro grego das Finanças. Georges Papaconstantinou, deverá reunir-se com o director-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn.
  
  O recurso ao FMI foi definido como pré-condição para que a União Europeia encarasse, também ela, a possibilidade de intervir na crise grega. Principalmente por pressão da chanceler alemã Angela Merkel, descartou-se a ideia de uma ajuda da UE que fosse independente desse outro mecanismo.
  
  O governo de Berlim, conhecido como principal força de bloqueio a um mecanismo de ajuda europeu sem FMI, fez hoje questão de manifestar a sua disponibilidade para responder positivamente ao pedido grego, assim que este foi conhecido.
  
  Entretanto, a situação grega tem continuado a degradar-se e ainda ontem o Eurostat apresenta uma nova estimativa do deficit grego, revista em alta de 12,9% para 13,6% do PIB.
  
  Por outro lado, as características habituais de uma intervenção do FMI fazem prever que se dê prioridade ao controlo do deficit, em detrimento das preocupações de recuperação económica propriamente ditas.
  
  Os países que se seguem
  Idêntica tensão entre o fundamentalismo monetarista do FMI e a lógica da recuperação económica manifestara-se na quarta-feira, nas Previsões de Primavera então publicadas pelo mesmo FMI. Ai se considerava que a agenda de recuperação económica irá dificultar o controlo do deficit, não apenas por parte da Grécia, mas também por parte de Espanha, Itália e Portugal.
  
  No caso português, o documento corrigia em baixa a estimativa do governo de Lisboa de um crescimento de 0,7% para este ano e, sem nunca pôr fim às más notícias, revia em baixa as previsões iniciais do próprio FMI, de um crescimento de 0,5%. A verdade, sentenciava finalmente o documento, é que a economia portuguesa não deverá crescer mais de 0,3% em 2010.
  
  O deficit português, pelo contrário, deveria cifrar-se em 8,3%, segundo o Orçamento de Estado, mas o FMI acha que ele atingirá  8,7%. Seja como for, trata-se de algo inaceitável para a UE e a deixar dúvidas sobre o objectivo proclamado pelo PEC português de baixar o deficit para 3% até 2013 - coisa bem mais difícil do que derrapar até aos 13,6% do deficit grego.


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O primeiro-ministro grego a anunciar o pedido formal de ajuda
EPA
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