Grécia precisa de 135 mil milhões nos próximos três anos




BCE e FMI pressionam Alemanha  a dar aval ao pacote de ajudas aos gregos antes do dia 10  de Maio
A Grécia vai precisar de uma ajuda de 135 mil milhões de euros ao longo dos próximos três anos para fazer face à crise da dívida, admitiu o ministro da Economia alemão, Rainer Brüderle, o qual prevê deslocar-se a Lisboa, segundo o Dow Jones Newswires. 
As declarações do ministro, em visita a São Paulo, surgiram após a reunião realizada, em Berlim, entre deputados alemães e os líderes do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu, Dominique Strauss-Khan e Jean-Claude Trichet. Os dois franceses consideraram urgente a aprovação pelos parlamentares alemães do pacote de ajudas necessárias à Grécia. "É a confiança em toda a zona euro que está aqui em jogo e a cada dia perdido a situação só pode piorar mais", avisou o director-geral do FMI, citado pela AFP. "Há uma necessidade absoluta de haver uma decisão rápida por parte da Alemanha", alertou, por sua vez, o presidente do BCE. 
Angela Merkel concordou que existe essa necessidade de acelerar a ajuda aos gregos, mas voltou a insistir que são precisas mais medidas de austeridade. A chanceler alemã está pressionada pela opinião pública do seu país e tenta reduzir ao máximo o impacto da questão nas eleições regionais na Renânia do Norte-Vestefália, marcadas para 9 de Maio. 
"É evidente que as negociações entre o Governo grego, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional devem ser aceleradas", disse Merkel, recusando-se a criticar o trabalho das agências de rating. Ao contrário do que tem sido feito pela maioria dos políticos europeus, especialmente em Portugal. 
As ajudas a dar à Grécia, que um deputado alemão dos Verdes situou, por sua vez, entre os cem e os 120 mil milhões de euros, serão repartidas entre os países membros da zona euro e o FMI. Acordado para o ano actualmente em curso estava já um total de 30 mil milhões pela parte da UE, 15 mil milhões do FMI. O que, segundo a participação que cada Estado membro tem no capital do BCE, daria uma quota de 774 milhões de euros para Portugal - um montante que poderia, assim, vir a repetir-se igualmente em 2011 e 2012. 
Esse valor teria que ser aprovado por todos os Estados, estando já agendada, para 10 de Maio, uma cimeira extraordinária dos líderes dos países do Eurogrupo. A Grécia tem que refinanciar a sua dívida no dia 19 e já não consegue suportar as taxas de juro praticadas nos mercados internacionais. Estes esperam agora pelo aval político à activação da ajuda, que já foi oficialmente pedida pelos gregos. 
A Grécia está em violação do Pacto de Estabilidade que regula a zona da moeda única da UE, com um défice de 13,6% do PIB - quatro vezes mais do que o permitido. Os gregos recusam, no entanto, mais medidas de austeridade e já agendaram uma nova greve geral para o dia 5 de Maio. 
PATRÍCIA VIEGAS