ONU aprova investigação sobre intervenção de Israel
Israel iniciou a deportação massiva dos activistas detidos após o ataque



O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou, ontem, quarta-feira, a criação de uma "missão de inquérito internacional" sobre a intervenção militar israelita contra uma frota humanitária pró-palestiniana para Gaza. Activistas dizem ter sido vítimas de abusos na prisão.
A resolução, que prevê o envio de uma "missão internacional para investigar as violações das leis internacionais" que causaram a morte de nove pessoas foi aprovada por 32 dos 47 membros do Conselho. Estados Unidos, Holanda e Itália votaram contra e nove países abstiveram-se, entre eles, França e Reino Unido. A resolução também "condena veementemente o ataque" e apela a "Israel para levantar imediatamente o bloqueio a Gaza".
Enquanto isso, o processo de deportação das centenas de activistas que estavam a bordo dos seis navios da Frota da Liberdade continua. "Não há mais detidos na prisão", declarou o porta-voz do Governo israelita, Yaron Zamir, à agência France Presse. O responsável assegurou que todos os passageiros estão a ser encaminhados para os seus países de origem.
Os activistas que chegaram à Jordânia denunciaram que foram alvo de abusos na prisão. Alegam que não receberam água, nem comida, que foram impedidos de dormir e que não puderam usar as instalações sanitárias. "Os israelitas exageraram e humilharam-nos a todos - mulheres, homens e crianças", disse o deputado do Kwait, Walid al Tabtabai, que estava a bordo de um dos navios. 
"Terrorismo de Estado"
O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, classificou, ontem, de "terrorismo de Estado" o ataque à frota humanitária, durante uma conferência em Belém, Cisjordânia. Abbas disse ainda que pedirá, na próxima semana, "decisões corajosas para mudar a face do Médio Oriente" ao presidente dos EUA.
Após o ataque à frota, o Egipto reabriu a fronteira com Gaza e, até ao momento, mercadorias e passageiros circularam sem incidentes. Recorde-se que Israel impôs o bloqueio a Gaza quando o Hamas assumiu o controlo da região, em 2007. 
