
“Vimos a morte a poucos metros” (C/VÍDEO)
Cabinda: Confissão de Adebayor horas depois do ataque que já fez três mortos
"Vimos a morte a poucos metros e estamos assustados. Havia sangue por todo o lado. Queremos ir para casa e proteger as nossas carreiras." As palavras são de Emmanuel Adebayor, avançado do Manchester City e capitão do Togo, horas depois do ataque armado ao autocarro que transportava a sua selecção e do qual resultaram três mortos já confirmados.
O veículo foi atingido na sexta--feira à noite por várias rajadas de metralhadoras, perto da fronteira entre o Congo e Angola (exclave de Cabinda), província onde têm decorrido conflitos entre o Exército angolano e os separatistas. O atentado surgiu precisamente no mesmo dia em que a polícia garantia todas as condições de segurança do CAN 2010, que tem início hoje com o Angola-Mali.A acção, reivindicada pelo braço--militar das forças armadas de Libertação do Estado de Cabinda, causou a morte imediata do motorista da equipa. O treinador--adjunto da selecção do Togo, Hamelet Abulo, e o jornalista Stanyslays Ocloo acabaram por falecer horas depois, na sequência de ferimentos de balas. O guarda-redes Kodjovi Obilalé (25 anos, do GSI Pontivy) foi transportado para a África do Sul, onde foi operado, em virtude de uma lesão neurológica na região lombar, causada, alegadamente, por um tiro num rim. O Governo de Angola, que entretanto repudiou o ataque, comparando-o ao de Munique em 1972 (12 israelitas assassinados), garantiu que a competição irá decorrer em segurança. No Togo, a participação da selecção continua a ser discutida. A Federação de Futebol do país quer a equipa em Angola, enquanto o Governo ordenou o regresso da delegação. LÍDER DA FLEC CONDENA ATAQUEO secretário-geral da Frente de Libertação de Cabinda (FLEC) no exílio, Joel Batila, classificou ontem como 'inaceitável' a acção reivindicada pela facção armada do movimento que fez vítimas na selecção do Togo. Apesar disso, considerou que a situação de Cabinda 'obriga a agir contra a arrogância do governo de Angola'. DISCURSO DIRECTO'ATENTADO FOI UMA VERGONHA': Manuel José, Seleccionador de AngolaCorreio da Manhã  Como classifica o atentado de que foi alvo a comitiva do Togo?Manuel José  Foi indescritível. Uma autêntica vergonha. Repudio vivamente todo e qualquer acto deste género.  A realização do CAN 2010 está em risco? Não. Penso que a realização da prova não deve ser posta em causa. Todos em Angola se esforçaram bastante para que o CAN pudesse ganhar forma. Seria ceder aos que praticaram tamanha barbaridade. Mas reconhece que o ataque armado manchou o CAN... Claro.  Como estão os seus jogadores? Não temos palavras para descrever o que sentimos. Lamentamos profundamente. Entendemos se o Togo decidir não participar na prova. PORMENORESACORDO DE PAZ FRÁGILA FLEC assinou a paz em 2006, mas a facção liderada por NZita Tiago mantém a guerra contra o governo de Luanda. GUERRA DO PETRÓLEOCabinda representa mais de metade dos dois milhões de barris diários de petróleo extraídos por Angola. Só uma ínfima parte dessa riqueza reverte para a região. EXCLAVE FRANCÓFONOO exclave de Cabinda tem 350 mil habitantes que na maior parte fala francês e ibinda.
David Barata/F.J.G.



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