Referendo no Sudão termina hoje





  O referendo sobre a autodeterminação do sul do Sudão, iniciado no dia 9 de Janeiro, termina hoje, sábado, com um resultado previamente aguardado: a legitimação da independência. 


A comissão eleitoral sudanesa já confirmou que a taxa de participação no sul atingiu os 60%, o patamar mínimo exigido para legitimar o escrutínio.  
A partir de 9 de Julho, no final do período de transição de seis anos previsto no acordo de paz que pôs termo a uma guerra civil de duas décadas, a população do sul, maioritariamente negra e de religião cristã ou animista, poderá tornar-se no mais recente membro da família das nações.  
Sexta-feira, um alto responsável do Governo de Cartum (Norte) anunciou que a votação decorreu sem incidentes e garantiu que Partido do Congresso Nacional (NCP, no poder) está preparado para aceitar a mais que provável separação do sul. 
O mesmo responsável garantiu que o Presidente Omar al-Bashir e o líder do sul do Sudão deverão reunir-se na capital Cartum nos próximos dias para discutir as novas medidas pós-referendo. 
A partilha de riquezas naturais, o pagamento da dívida externa do Sudão, a demarcação de 20% das fronteiras e a questão da dupla nacionalidade para os sudaneses do norte instalados no sul, e vice-versa, são algumas das questões ainda em aberto. 
No entanto, o litígio em torno do enclave de Abyei, uma zona habitada por povos do sul do Sudão mas administrada pelo norte, que não foi submetida a referendo e onde ocorreram confrontos no passado fim-de-semana, permanece o principal foco de tensão entre o norte e o sul. 
Além das rivalidades internas, a confirmação da independência do sul do Sudão, região rica em petróleo, também deverá intensificar a disputa entre os Estados Unidos e a China pelos recursos de África. 
