Dilma será a primeira presidenta do Brasil
Dilma Rousseff sucede a Lula da Silva que a impôs ao país como herdeira




  As urnas confirmaram todas as sondagens: colhendo as preferências de 56% dos eleitores brasileiros, Dilma Rousseff será a próxima inquilina do Palácio do Planalto e a primeira presidenta do Brasil, batendo de forma indiscutível o adversário José Serra.


A "petista" de 62 anos sucede a Luís Inácio Lula da Silva, o presidente brasileiro mais popular de sempre que, constitucionalmente impedido de se recandidatar, abandona o cargo com 83% de aprovação dos brasileiros. Tal abandono é, porém, para muitos analistas um eufemismo, pois que a vitória de Dilma Rousseff, putativa herdeira do "lulismo", se deveu em larga medida - senão em toda a extensão -, ao apoio de Lula que, na verdade, a impôs como candidata aos barões do PT, primeiro, e depois a recomendou activamente durante a campanha eleitoral. Aliás, o presidente cessante nunca escondeu que a vitória da sua candidata era uma questão pessoal: "Não vou permitir-me a perder estas eleições", declarou amiúde Lula da Silva. 
O candidato opositor, José Serra, também teve sempre ciente que nem ele, nem os seus apoiantes (o Partido da Social Democracia Brasileira, PSDB), combatiam apenas a candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), mas sim contra o próprio presidente em fim de mandato. "A minha batalha é gigantesca ", confessou Serra antes de depositar o seu voto na urna, na cidade de São Paulo, de que já foi governador. Perdeu-a, e com ela todo o seu capital político, o que ditará o seu abandono da política activa, aos 68 anos.
Guerrilheira e tenaz
Dilma Vana Rousseff Linhares, filha de um advogado comunista búlgaro e de uma professora brasileira, antiga militante de um grupo armado durante a ditadura militar, apresentou-se a estas eleições (as primeiras a que concorreu em toda a sua vida) com uma reputação inatacável de gestora económica, séria e eficiente, prometendo, sobretudo, ser uma continuadora fiel do "lulismo". "Se ganhar as eleições, ouvirei Lula sempre que precisar", disse repetidamente. 
No Executivo de Lula foi ministra do Planeamento e mais tarde da Casa Civil, onde administrou um dos mais importantes planos de Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que tem investido em infra-estruturas e obras que ajudem o crescimento económico do país. Nessa linha, Dilma, 40.º presidente do quinto maior país do Mundo, capaz de albergar toda a União Europeia em apenas metade do seu território, manterá, pelo menos no primeiro ano do seu mandato, o actual ministro da Economia, Guido Mantegna, para sustentar o crescimento actual. 
