
Posicionam-se os candidatos e medem-se forças




Com a demissão de Strauss-Kahn, abriu-se a “guerra da sucessão”. Com a Europa a preferir um europeu à frente do FMI, as potências emergentes (Brasil, China, México, etc) assumem-se cada vez mais como interlocutores incontornáveis numa economia cada vez mais globalizada.
A União Europeia já revelou que a sua preferência vai para a escolha de um nome oriundo de um dos 27 países que compõem a União. Acreditamos que é natural trabalhar para conseguirmos um forte candidato europeu mas ao mesmo tempo claro, a sua competência e não a nacionalidade deve decidir quem é o melhor homem ou mulher para o posto, afirmou Pia Ahrenkilde Hansen, porta-voz da Comissão Europeia.
  
  Angela Merkel, a líder da Alemanha, que numa primeira fase poderia ter tido em mente para o lugar de Kahn o presidente do Deutsche Bank, Josef Ackermann, estará neste momento inclinada em aposta na ministra francesa da Economia e Finanças, Christine Lagarde. A francesa é também apoiada, segundo noticia o jornal alemão de economia Handelsblatt na sua edição desta quinta-feira, pelos Estados Unidos.
  
  Para Merkel o apoio a um candidato saído da União Europeia justifica-se com os "enormes problemas" relacionados com a crise das dívidas soberanas na zona euro, embora tenha reconhecido as ambições de países emergentes como a China e o Brasil a ocupar, pela primeira vez, a chefia do FMI ou do Banco Mundial.
  
  Jean-Claude Trichet é um nome apontado para o FMI e recolhe o entusiástico apoio do Banco Central Holandês, enquanto o presidente do Banco Central do Cazaquistão recolhe o apoio de 12 primeiros-ministros de antigas Repúblicas soviéticas, hoje Estados independentes.
  
  A China, país que se tem afirmado como grande potência económica do presente e do futuro, tem precisamente a aspiração de ver um conterrâneo seu à frente do FMI ou do Banco Mundial. As suas preferências dividir-se-ão entre o vice-Governador do Banco Central chinês Zhu Min ou o Governador da mesma instituição bancária em funções Zhou Xiaochuan, a fazer crer nas especulações que correm em Pequim.
  
  Outra potência em ascensão, o Brasil, defende claramente uma nomeação concertada no Grupo G-20.
  
  «A seleção deve ser baseada no mérito, independentemente da nacionalidade. Já passou o tempo em que podia ser remotamente apropriado reservar este importante cargo para um cidadão europeu», lê-se numa carta enviada pelo ministro brasileiro das Finanças, Guido Mantega, à direção do G-20.
  
  «Se o FMI quer ter legitimidade, o seu diretor-geral deve ser escolhido apenas depois de uma ampla consulta com os países membros (...) a seleção deve der baseada no mérito e isso significa que nenhuma nacionalidade pode ser excluída», conclui a missiva.
  
  Tudo aponta no entanto, que seja Christine Lagarde a suceder a Dominic Strauss Khan. 
  
  Existe, no entanto, uma pequena pedra no sapato. O eixo Berlim  Washington exige que o futuro presidente do FMI não tenha casos com a justiça.
  
  Acontece que Christine Lagarde é acusada em Paris de abuso do poder, por ter alegadamente livrado o empresário francês Bernard Tapie de uma querela jurídica com o Estado, recorrendo a uma arbitragem civil. 
  
  Bernard Tapie ganhou o processo na referida arbitragem e o Estado teve de deixar cair as exigências apresentadas, o que gerou as acusações contra Christine Lagarde. 
  
  Ora, a responsável pela pasta das Finanças de França está na iminência de poder vir a ser constituída arguida num processo referente a esse polémico caso. Se o for a sua candidatura ao FMI cai por terra.
  
  Só nos próximos dias se conhecerão os próximos episódios da novela que teve a sua origem num quarto do Sofitel de Nova Iorque na noite do passado dia 14 do corrente mês.

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Christine Lagarde parece ganhar algum avanço na corrida à sucessão de Strauss-Kahn
Yoan Valat, EPA
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Fundo Monetário Internacional, Dominic Strauss-Kahn, Christine Lagarde, União Europeia
RTP
Sucessão de Strauss-Kahn
Economia
