Lagarde ganha apoios para suceder a Strauss-Kahn




A ministra da Economia francesa, Christine Lagarde, tem o apoio implícito do comissário europeu Olli Rehn para suceder a Dominique Strauss-Kahn na direcção do Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo uma entrevista publicada hoje em Paris.
Christine Lagarde tem também o apoio da China e do Brasil na escolha do novo diretor do FMI, noticia hoje a agência Bloomberg.
"Parece que é assunto fechado a favor de Lagarde", declarou à Bloomberg um ex-director adjunto do FMI, Desmond Lachman.
Christine Lagarde poderá anunciar hoje oficialmente a sua candidatura à direcção do FMI, segundo a imprensa francesa.
O apoio de Olli Rehn, comissário europeu de Assuntos Económicos e Monetários, ficou implícito numa entrevista ao diário francês Les Échos, ao qual declara que "Lagarde é sem dúvida uma personalidade de peso na cena internacional e a sua reputação cresceu ainda mais nos últimos meses".
Olli Rehn afirma também a Les Échos que "os recentes acontecimentos na Europa exigem uma gestão dessa instituição [FMI] por parte de uma personalidade que perceba os desafios da crise da dívida soberana europeia em toda a sua complexidade".
Para Olli Rehn, "embora se tenha dado passos importantes para abrir a gestão [do FMI] aos países emergentes, que reclamam justificadamente uma maior presença, na conjuntura atual é legítimo que a Europa se ponha de acordo para apresentar um candidato".
O apoio essencial do Brasil à candidatura de Christine Lagarde, segundo a Bloomberg, será dado discretamente para contrariar a escolha de um "rival" latino-americano, o governador do banco central mexicano, Agustín Carstens.
A corrida à direção do FMI foi aberta com a demissão, na semana passada, de Dominique Strauss-Kahn, detido em Nova Iorque sob a acusação de agressão sexual e tentativa de violação.
Strauss-Kahn, que as sondagens em França apresentavam como o nome favorito dos socialistas às eleições presidenciais de 2012, foi libertado sob caução e aguarda em Nova Iorque a instrução do processo.
A ministra francesa participa na Semana dos 50 Anos da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE), que realiza hoje e quinta-feira um Conselho ministerial sob a presidência da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.
Lusa