China diz que activista detido é suspeito de crimes económicos




A China rejeitou, esta quinta-feira, as críticas ocidentais à detenção de Ai Weiwei, afirmando que o conhecido artista plástico e activista social "está a ser investigado por suspeita de crimes económicos".
"Os outros países não têm o direito de interferir (...) Esperamos que respeitam as decisões tomadas pelas autoridades competentes chinesas", disse o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Hong Lei. 

Ai Weiwei foi detido, no domingo, no aeroporto de Pequim, quando pretendia viajar para Hong Kong; no mesmo dia a policia fez uma busca ao estúdio do artista em Caochangdi, nos arredores da capital chinesa. 
Esta quinta-feira de madrugada, pela primeira vez, a agência noticiosa oficial chinesa anunciou que o artista estava a ser investigado por "suspeita de crimes económicos". 
Ai Weiwei "é suspeito de crimes económicos... [a sua detenção] não tem a nada a ver com direitos humanos ou liberdade de expressão", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. 
"A China protege a liberdade de expressão dos seus cidadãos, mas no âmbito da lei e da Constituição", acrescentou. 
Hong Lei afirmou que "a polícia está a conduzir as investigações de acordo com a lei" e que "a China é um Estado de direito". 
Na quarta-feira, um jornal do grupo Diário do Povo, o órgão central do Partido Comunista Chinês, disse que Ai Weiwei queria "ir para Taiwan, via Hong Kong", mas "as suas formalidades de partida estavam incompletas". 
Os governos de Estados Unidos, França, Alemanha e Reino Unido, o embaixador da União Europeia da China, a Amnistia Internacional e a organização Repórteres sem Fronteiras protestaram contra a detenção de Ai Weiwei, considerado um dos mais influentes artistas chineses contemporâneos.
