
Artista dissidente libertado na China




O artista dissidente chinês Ai Weiwei foi posto em liberdade sob caução e regressou a casa após ter estado detido por mais de dois meses. Segundo a agência oficial de noticias chinesa, o artista, de 54 anos, foi libertado por sofrer de uma doença crónica, não especificada, e depois de se ter declarado culpado de uma fraude fiscal "em grande escala". A detenção de Ai Weiwei tinha provocado protestos a nível mundial
Estou bem. Regressei a Casa e estou livre. Mas não posso falar, por favor compreendam declarou Ai Weiwei à edição online do diário alemão Bild.
  
  O artista de vanguarda tinha sido preso a 3 de abril, quando se preparava para embarcar num avião para Hong-Kong e ficou incomunicável durante 43 dias, sem que, na altura, fosse tornada pública qualquer acusação contra ele.
  
  Defensor dos direitos humanosO artista, que participou na conceção do célebre ninho de pássaro, o estádio dos Jogos Olímpicos de Pequim de 2008, tinha caído no desagrado das autoridades chinesas, por criticar frontalmente, nos últimos anos, os líderes comunistas do país ou por defender causas humanitárias e denunciar a corrupção. 
  
  A detenção ocorreu no âmbito da pior vaga de repressão de dissidentes da era do pós-Tiananmen.
  Algum tempo depois as autoridades chinesas deram a entender que Ai Weiwei era culpado de uma significativa evasão fiscal, o que lhe augurava uma pesada pena de prisão. 
  
  Fontes bem informadas citadas pela agência France Press (AFP), disseram, no entanto, que os responsáveis chinêses não sabiam bem como lidar com o caso, uma vez que a detenção provocou protestos em todas as capitais ocidentais e nos meios culturais estrangeiros, que surpreenderam Pequim pela sua amplitude.
  
  Os Estados Unidos, a França, a Grã-Bretanha, a Alemanha e as organizações internacionais dos direitos humanos exigiram a libertação imediata de Ai WeiWei.
  
  Libertação inesperadaA libertação hoje concretizada era inesperada, apesar de alguns rumores sobre um iminente retorno à liberdade terem circulado na internet chinesa antes de serem apagados pelos censores. 
  
  O advogado de Ai Weiwei, Liu Xiaoyuan, disse à AFP, pouco depois da meia-noite, que tinha recebido um SMS do artista, a confirmar que tinha sido libertado e dizendo simplesmente obrigado.
  
  A polícia de Pequim confirmou que Ai Weiwei foi libertado sob caução devido ao seu bom comportamento, uma vez que confessou os seus crimes e também por causa de uma doença crónica de que sofre, anunciou a agencia de noticias oficial chinesa.
  
  Esta decisão (de libertar o artista) leva em conta o facto de Ai ter repetidamente declarado estar pronto a pagar os impostos que deve ao fisco chinês, acrescenta a agência, explicando que uma companhia controlada por Ai Weiwei a Beijing Fake Cultural Development Ltd. Se tinha declarado culpada de uma evasão fiscal em grande escala e de ter destruído intencionalmente documentos contabilísticos. 


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O dissidente chinês Ai Weiwei foi posto em liberdade depois de se declarar culpado de evasão fiscal em grande escala
Tobias Hase, EPA
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