Chile procura antecipar resgate de mineiros 




Escavadora abre um poço de 75 centímetros de diâmetro e avança 20 metros por dia.
Começou ontem a ser perfurado o poço que permitirá trazer de volta à superfície os 33 mineiros chilenos retidos desde 5 de Agosto, a mais de 700 metros de profundidade na mina de São José. Embora se estime em, pelo menos, 90 dias o tempo necessário para a realização dos trabalhos, o Governo chileno procura alternativas para acelerar o resgate, querendo concluir a operação até meados de Outubro. O Presidente Sebastián Piñera pediu mesmo a conclusão das operações a tempo dos mineiros celebrarem em liberdade o bicentenário da independência do Chile, a 18 de Setembro. Este prazo é considerado inexequível pelos técnicos, citados ontem no diário La Tercera.
Uma opção mais realista poderá ser a expansão de um dos três poços feito até ao interior da mina, por onde está a ser feito o envio de alimentos e equipamentos, referiu o responsável pelas operações, André Sougarret. Cada um destes poços tem um diâmetro de 12 centímetros, que seria ampliado até aos 30 centímetros. Seria então avaliada a possibilidade da expansão deste diâmetro para permitir a passagem de um adulto.
A máquina que começou ontem a trabalhar permite escavar um poço de 75 centímetros de diâmetro, e pode avançar até 20 metros por dia. Este poço irá ser perfurado em linha recta em direcção ao ponto onde se encontram os mineiros. Para permitir a passagem de um homem de constituição média basta uma conduta de 66 centímetros de diâmetro.
Os trabalhos em curso reservam papel importante aos mineiros retidos em São José. Estes terão de remover muito da terra e rochas que se desmoronaram a 5 de Agosto, e outras que irão cair com a perfuração do poço de resgate. 
Estes detritos não podem ficar acumulados, o que, a partir de certo ponto, inviabilizaria a perfuração e o resgate, explicou Sougarret às agências.
O ambiente no fundo da mina de São José melhorou bastante com o envio regular de alimentos, água, vitaminas e oxigénio.
Domingo, cada mineiro teve oportunidade de comunicar directamente com um familiar. Apenas durante um minuto, mas foi importante, porque "permitiu a todos perceberem que eles [os mineiros] estão bem" e também "reforçou o ânimo" dos 33 homens. 
Um deles, Esteban Rojas, casado há 25 anos pelo regime civil com Jessica Yáñez , expressou, no telefonema, o desejo de casar pela Igreja. Uma intenção que já manifestara numa carta. Jessica ficou de tal modo emocionada que não queria largar o telefone. "Tiveram de tirar-mo à força", contou depois entre lágrimas e sorrisos.
Noutros casos, ouvir a voz dos mineiros foi "um enorme alívio" para as famílias, como referiu a mulher de um deles. Ou "uma profunda emoção", disse à AFP o pai de Carlos Barrios, de 27 anos.
Os mineiros vão proceder a uma mudança do local onde se encontram devido à forte humidade, que está a provocar problemas cutâneos e outro tipo de infecções. A mudança deve suceder nos próximos dias.
Além deste problema, o ministro do Interior, Jaime Manalich, admitiu a existência de cinco casos de depressão entre os mineiros e alguma ansiedade entre os consumidores habituais de álcool e tabaco. Que não estão autorizados no fundo da mina.
Em termos de saúde, "detectaram-se ainda infecções urinárias e dermatológicas, além de um quadro depressivo inicial de certa importância", disse o ministro.
Além do apoio psicológico normal em acidentes desta natureza, as autoridades estão a recorrer à ajuda de entidades com experiência em longos períodos de isolamento em espaços confinados. Chegou ontem a Santiago uma equipa da NASA para fornecer assistência na matéria.
ABEL COELHO DE MORAIS