A última estocada catalã




O mais emblemático espectáculo da cultura espanhola desaparece da comunidade autónoma e transforma-se em batalha política.
A partir de Janeiro de 2012, não voltará a haver corridas de touros na Catalunha. Com a aprovação, quarta-feira, da lei que proíbe a realização das touradas, o mais emblemático espectáculo da cultura espanhola e o principal símbolo do país a nível internacional fica condenado a desaparecer das praças de Barcelona e restante comunidade autónoma.
Após a votação, multiplicaram-se por toda a Espanha as manifestações a favor e contra a medida aprovada pelo Parlamento da Catalunha. 
Manifestantes anti-taurinos regozijaram-se ostentando frases como "A tortura é indigna", enquanto os aficcionados das corridas prometeram lutar para evitar que a proibição se torne uma realidade. "Este é o pior ataque à nossa cultura desde a transição para a democracia", afirmou o poeta catalão Pere Gimferrer.
Opinião contrária têm, no entanto, as 180 mil pessoas que colocaram a sua assinatura na petição promovida pela plataforma Prou! (Basta! em catalão) e que conseguiu levar a votação ao Parlamento. 
Trata-se da segunda comunidade autónoma espanhola a proibir formalmente as corridas de touros, depois das Canárias terem, em 1991, aprovado uma lei de protecção dos animais que impedia implicitamente as corridas de touros. No entanto, a tauromaquia nunca fez parte da tradição cultural do arquipélago.
Na arena mediática, a questão transformou-se também em batalha política. O Governo de José Luis Rodríguez Zapatero mostrou-se contrário à proibição, mas fez saber que respeita a decisão. Já o líder do PP, o principal partido da Oposição, Mariano Rajoy, anunciou que pretende levar ao Congresso uma iniciativa para que "a festa dos touros seja considerada de interesse geral e cultural".
Maria João Morais