
Polícia Sueca acredita ter identificado o bombista suicida




A polícia sueca diz ter identificado,“com 98 por cento de certeza” o homem que morreu numa das explosões de Sábado no centro de Estocolmo. O presumível bombista, que faria 29 anos no dia seguinte, foi identificado como Taymour Abdel Abdulwahab, nascido no Médio Oriente e portador da nacionalidade sueca desde 1992. O ataque só não causou mais vítimas porque um dos engenhos que transportava explodiu cedo de mais.
A única razão porque a policia não diz ter a certeza absoluta deve-se ao facto de o corpo ainda não ter sido alvo de uma análise de ADN ou formalmente identificado por um familiar. 
  
  As duas explosões ocorreram num espaço de poucos minutos, num bairro repleto de pessoas que faziam compras de Natal. A primeira deu-se numa viatura e feriu dois transeuntes. A segunda, ocorreu a 300 metros dali, quando o cinto explosivo que o bombista tinha vestido rebentou prematuramente, provocando-lhe a morte. 
  
  O carro da primeira explosão pertencia a Taymour Abdulwahab. Foi também de um telemóvel registado no mesmo nome que, dez minutos antes dos rebentamentos, foram enviadas duas mensagens à Polícia de Segurança e à agência de notícias sueca TT.
  
  As mensagens incluíam ficheiros de áudio com ameaças em sueco e árabe e referências à Jihad ou Guerra Santa. Mencionavam também a presença de militares suecos no Afeganistão e uma controversa caricatura, desenhada pelo cartoonista sueco Lars Vilks, em que o profeta Maomé aparece retratado como um cão, o que enraiveceu muitos muçulmanos. 
  
  Estado islâmico No áudio uma voz masculina dizia que por causa do silêncio sueco para com tudo isto também as vossas crianças, filhas, irmãos e irmãs morrerão como os nossos irmãos, irmãs e crianças morrem. 
  
  Agora o Estado Islâmico foi criado. Existimos agora na Europa e na Suécia. Somos uma realidade continuava a voz. Não quero dizer mais nada acerca disto, as nossas acções falarão por si próprias. 
  
  Os serviços de segurança suecos acreditam que a intenção do  suicida seria fazer-se explodir numa gare de comboios ou numa estação de metropolitano próxima, onde o efeito, no meio da multidão, teria sido devastador. Além do cinto com explosivos, foi encontrada no corpo do bombista uma mochila, também com explosivos, e um objecto parecido com uma panela de pressão. 
  
  Os serviços de informação suecos afirmam que o suspeito nunca lhes tinha despertado a atenção e não contava de nenhuma lista de islamitas radicais. 
  
  Adolescência NormalTaymour Abdulwahab chegou à Suécia quando tinha dez anos, vindo de um país do Médio Oriente, que alguns jornais identificam com o sendo o Iraque. Durante a adolescência nada o diferençava dos outros jovens suecos da mesma idade. Um período passado com o pai, a mãe e duas irmãs em Traanas, uma cidade pequena a 200 quilómetros a sul de Estocolmo onde frequentou a escola.
  
  Quem o conheceu descreve-o como alguém com muitos amigos, que amava a vida, saia, festejava bebia e tinha namoradas como todos os outros. Falava muito bem o sueco e retratam-no como tendo sido honesto e amigável. 
  
  Tudo isso viria a mudar em 2001, quando Taymour partiu para a Grã-Bretanha para continuar os seus estudos de fisioterapia desportiva na Universidade de Bedfordshire em Luton, uma cidade de 200.000 habitantes a 50 quilómetros a Norte de Londres.
  
  Foi aí que se terá radicalizado, depois de contactar com um imã egípcio na mesquita local. 
  
  Ideias radicaisAnos depois regressou à Suécia como um homem mudado". Para além de ter deixado crescer a barba, amigos da família descrevem-no como "muito mais reservado. A permanência no seu país de adopção apenas durou alguns meses, tendo acabado por regressar à Grã-Bretanha onde continuavam a viver a mulher e os filhos. 
  
  O secretário da mesquita de Luton, Farasat Latif, disse à agência Associated Press que Taymour tinha frequentado o local uns dois meses em 2006 ou 2007, mas acabou por se ir embora depois de ter sido posto em causa o seu radicalismo. 
  
  Farasat Latif descreve o jovem como tendo uma personalidade exuberante e popular à chegada à mesquita. Mais tarde mudou e terá começado a pregar ideias extremistas. Segundo a mesma fonte, a atitude foi relatada ao comité da mesquita que terá explicado a Taymour que as suas ideias eram incorrectas. Este terá aparentemente acatado estas palavras mas o seu radicalismo terá continuado a manifestar-se. 
  
  Um dia, quando se encontravam no local cerca de uma centena de fieis, o presidente da mesquita ergueu-se e fez um aviso publico contra o radicalismo, os ataques suicidas, etc. Latif conta que, sentindo-se visado, Taymour Abdulwahab terá saído num rompante e não voltou a ser visto.
  
  Segundo Latif, as ideias que Taymour defendia, tinham que ver com ataques suicidas à bomba, e acusações aos líderes e Governos dos países islâmicos, que classificava de descrentes. No entanto, segundo afirma o secretário da mesquita, nada fazia crer que este se preparasse para fazer algo de estúpido. 
  
  Página no FacebookA página que Taymour mantinha no Facebook parece dar conta do que então lhe passava na cabeça. Lá postou comentários contra os Shiitas, que os muçulmanos sunitas consideram heréticos, bem como um vídeo em que figurava um homem moribundo, possivelmente ferido na Chechénia, que rezava para poder morrer como um mártir. Num comentário a esse mesmo vídeo expressava a sua admiração. 
  
  Um facto curioso. Recentemente Taymour tinha postado num site islâmico da internet um anúncio matrimonial em que dizia procurar uma mulher que aceite a religião de Allah e que não se oponha a presença de uma outra esposa. Um pormenor importante, uma vez que desde 2004 era casado com Mona, uma cidadã sueca, hoje com 28 anos, da qual tinha três filhos. 
  
  Domingo, um site na internet próximo da Al-Qaeda colocou na sua página uma mensagem descrevendo Taymour Abdulwahab como um irmão e citava uma oração que dizia Deus, deixa que eu morra enquanto estás satisfeito comigo. 
  
  PM sueco defende a sociedade abertaNuma reacção ao que parece ter sido o primeiro ataque suicida no país, o primeiro-ministro sueco Fredrik Reinfeldt disse que as explosões eram completamente inaceitáveis e expressou uma defensa apaixonada da sociedade sueca. 
  
  Este não é o caminho por onde queremos seguir, disse o chefe de Governo é muito grave que isto já tenha acontecido. 
  
  A Suécia é uma sociedade aberta, acrescentou, é uma sociedade aberta que demonstrou vontade em que as pessoas possam vir de diferentes meios, acreditar em deuses diferentes, ou não acreditar em deus nenhum. Poderem viver lado a lado, na nossa sociedade aberta.
  
  
  
  
  
  
  


Imagem
Foi nesta esquina, no centro da capital sueca, que morreu o bombista suicida, quando os explosivos que transportava detonaram prematuramente
Claudio Bresciani, EPA
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António Carneiro, RTP
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