NATO não tem intenções de se tornar uma "polícia mundial"




O secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, insistiu hoje, quarta-feira, que a Aliança Atlântica não tem intenções de se tornar uma "polícia mundial" após a cimeira de Lisboa, onde se aprovará um novo conceito estratégico da organização.
Em declarações a jornalistas de agências de notícias internacionais nas vésperas da reunião de chefes de Estado e de governo da NATO, na sexta-feira e sábado em Lisboa, Rasmussen afirmou que "a Aliança necessita de uma perspectiva global", mas considerou que tal passa pela cooperação com "actores globais".
"No mundo de hoje precisamos de cooperar com os actores globais", assinalou, adiantando que a Aliança procura aumentar a sua cooperação com as Nações Unidas e a União Europeia.
Rasmussen defendeu que a operação da NATO no Afeganistão mostra a necessidade de cooperação com países vizinhos, como o Paquistão, para encontrar soluções para os problemas de segurança.
Várias organizações convocaram manifestações na capital portuguesa e acusam a NATO de se querer transformar numa "polícia mundial" com o seu novo conceito estratégico, um documento que indica os objectivos da organização e os meios para os cumprir.
O secretário-geral da Aliança afirmou ainda que a reunião de Lisboa, que integra um Conselho NATO-Rússia, constituirá "um novo começo" nas relações com Moscovo, após o impasse devido ao conflito russo-georgiano de Agosto de 2008.
Rasmussen espera que a Rússia e a Aliança acordem lançar uma análise conjunta sobre como podem cooperar no projecto de defesa anti-míssil, que deve ser aprovado pela NATO.
Além disso, NATO e Rússia devem aprovar uma declaração conjunta sobre as ameaças comuns que enfrentam, como o terrorismo ou a pirataria.
Na cimeira deverá ainda ser aprovado o plano para diminuir de 11 para sete o número de quartéis-generais da organização, o que levará a uma redução de pessoal de 13500 para cerca de 9 mil.
A NATO decidirá "o mais tardar em Junho" de 2011 que quartéis serão encerrados e Rasmussen admitiu que espera "negociações duras" por parte dos países que envolvidos, entre os quais se encontra Portugal.
