Equador concede asilo político a Assange
Londres insiste em extraditar Fundador do "WikiLeaks"



Estava refugiado na embaixada equatoriana de Londres há duas semanas...
Estava refugiado na embaixada equatoriana de Londres há duas semanas...
O Equador concedeu esta quinta-feira asilo político a Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, refugiado há dois meses na embaixada do Equador em Londres, enquanto o Reino Unido se mantém inflexível quanto à "obrigação" de o extraditar para a Suécia. 
Quito "decidiu conceder asilo diplomático ao cidadão (australiano) Julian Assange", anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Equador, Ricardo Patiño. O fundador do WikiLeaks, 41 anos, esgotou todas as possibilidades de recurso jurídico no Reino Unido contra o mandado de extradição emitido pela Suécia, onde é acusado de crimes sexuais. 
Assange refugiou-se a 19 de junho na embaixada do Equador em Londres e pediu asilo político para evitar a extradição. Depois de anunciada a decisão de Quito, Julian Assange, em declarações perante os funcionários da embaixada, considerou tratar-se de "uma vitória importante" e acrescentou que "as coisas vão, provavelmente, tornar-se mais tensas a partir de agora". Segundo Patiño, o Equador considerou que se Assange "ficasse em detenção preventiva na Suécia ocorreria uma série de acontecimentos que não poderia evitar a sua extradição" para um terceiro país como os Estados Unidos. 
O 'site' WikiLeaks divulgou 250.000 telegramas diplomáticos norte-americanos e Assange disse recear que a Suécia o entregue aos Estados Unidos, onde poderia responder por espionagem. Nos Estados Unidos, Assange "poderia ser julgado por tribunais especiais ou militares e não é improvável que lhe esteja reservado um tratamento cruel e degradante e que seja condenado à pena capital", referiu o ministro equatoriano. Patiño repetiu igualmente que após dois meses de "diálogo ao mais alto nível" com os governos dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Suécia, o seu país reuniu "sérios indícios" que apontam para a possibilidade de "represálias" contra Assange que "podem pôr em perigo a sua integridade, a sua segurança e até a sua vida". Minutos depois, o Foreign Office anunciou em comunicado que ficou "desiludido" com a decisão, mas que esta "não muda nada". "As autoridades britânicas têm a obrigação de o extraditar para a Suécia. Acatamos esta obrigação. A decisão do governo equatoriano não muda nada", acrescentou Londres, que já tinha avisado que se opõe à partida de Assange para Quito. Por sua vez, a Suécia rejeitou "firmemente" as acusações indicando que a sua justiça não garante os direitos de defesa.
 "O nosso sistema jurídico e constitucional sólido garante os direitos de todos. Rejeitamos firmemente qualquer acusação em sentido contrário", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Carl Bildt. A Suécia anunciou também a convocação do embaixador equatoriano em Estocolmo para que explique as acusações de parcialidade feitas à justiça sueca. Em Londres, o WikiLeaks lançou um apelo a manifestações em frente à embaixada do Equador, situada no bairro de Kensington, depois do governo deste país ter anunciado na quarta-feira à noite que o Reino Unido poderia assaltar a missão diplomática caso o australiano não fosse entregue às autoridades britânicas. 
Londres poderá justificar uma intervenção desse tipo com uma lei de 1987 que permite levantar a imunidade de uma embaixada em solo britânico. Pouco antes do chefe da diplomacia anunciar a concessão de asilo a Assange, o presidente do Equador, Rafael Correa, escreveu no Twitter: "Não temos medo de ninguém". 
