
Obama autoriza armas para os rebeldes sírios




Os Estados Unidos vão começar a armar os rebeldes sírios, marcando assim um crescendo do envolvimento norte-americano no conflito. A decisão de autorizar “ajuda letal” às forças anti-Assad foi tomada por Barack Obama depois de Washington dar como confirmado o recurso a armas químicas pelas forças de Damasco. Anteriormente, Obama tinha definido o uso desse tipo de armas como “a linha vermelha” que provocaria uma resposta dos EUA.
As vítimas do armamento químico, no qual se conta o tristemente célebre gás sarin, representam uma pequena fração das 93 mil mortes que o conflito provocou até agora. Os serviços de inteligência americanos estimam o número em 100 a 150 mortos. No entanto, a Casa Branca considera o uso desses agentes mortais como uma grave violação das normas internacionais. 
  
  O vice-conselheiro para a Segurança Nacional, Ben Rhodes, foi claro ao afirmar que os recentes ataques com armas químicas davam uma maior urgência à situação, mas não quis entrar em detalhes sobre as futuras modalidades da ajuda aos rebeldes. 
  EUA seguirão "o seu próprio calendário"
  
  Basta dizer que vai ser diferente em âmbito e em escala, em termos daquilo que nós fornecemos [até agora], disse, acrescentando que os Estados Unidos seguirão o seu próprio calendário no que respeita a definir medidas concretas.
  
  Fontes diplomáticas ocidentais na Turquia dizem que os Estados Unidos estão também a estudar a hipótese de impor uma zona de exclusão aérea, possivelmente próximo da fronteira com a Jordânia. 
  
  A intenção é a de limitar a superioridade militar de Damasco negando-lhe o uso da aviação sobre as regiões controladas pelos rebeldes. No entanto, Ben Rhodes garantiu que nenhuma decisão foi ainda tomada nesse sentido. 
  Rússia diz que provas não convencem
  A Rússia já veio criticar a decisão americana de armar os rebeldes, afirmando que a mesma vai prejudicar os esforços de paz. 
  
  Yuri Ushakov, conselheiro para a política externa do Presidente Vladimir Putin, afirma que as informações que os Estados Unidos forneceram sobre o uso de armas químicas pelo governo sírio não parecem convincentes .
  
  Ushakov disse também que o apoio militar dos EUA aos opositores de Assad vai minar os esforços conjuntos para organizar uma conferência de paz, mas acrescentou que Moscovo ainda não decidiu responder com o envio para a Síria do sofisticado sistema russo de mísseis antiaéreos S-300, que o Kremlin recentemente tinha prometido mandar a Bashar al-Assad.
  Damasco acusa Washington de mentir
  
  O governo sírio já veio entretanto classificar de "mentiras" as afirmações de que terá recorrido a armas químicas contra os rebeldes.
  
  "A Casa Branca fez publicar um comunicado recheado de mentiras sobre o recurso a armas químicas na Síria, baseando-se em informações fabricadas, através das quais tentou assacar ao governo sírio as responsabilidades de um tal uso", disse em Damasco um responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros, citado pela agência oficial Sana.
  Armas podem acabar em mãos indesejadas
  É sabido que os responsáveis do governo americano ainda estão divididos sobre o tipo de armas que serão fornecidas e como evitar que as mesmas caiam nas mãos de algumas das forças mais extremistas que lutam contra Bashar al-Assad.
  
  Entre as várias fações que combatem o regime sírio há algumas forças ligadas à Al-Qaeda e outras ainda ao movimento Hezbollah, o aliado libanês do Irão que combate Israel. O receio de que as armas acabem nas mãos destas forças antiocidentais é um dos principais fatores que impediu, até agora, os Estados Unidos e a Europa de ajudarem militarmente os rebeldes. 
  
  Até agora, os Estados Unidos e alguns países da Europa têm vindo a fornecer apenas rações e medicamentos aos rebeldes. A Casa Branca concordou também, em princípio, em enviar coletes à prova de bala e equipamento de visão noturna mas, segundo o Pentágono, esse tipo de artigos ainda não foi entregue.
  
  O campo anti-Assad tem sido armado e financiado sobretudo por países como o Qatar, Arábia Saudita e Turquia mas os insurretos sírios têm vindo a pedir insistentemente uma ajuda mais substancial dos países ocidentais.
  Forças de Assad estão a ganhar terreno
  Melhor armadas desde o princípio, as forças de Damasco estão beneficiar de um aumento da ajuda da Rússia, aliada de Bashar al-Assad, e ainda do reforço de 5000 guerrilheiros do Hezbollah, recentemente vindos do Líbano. 
  
  As forças do regime têm vindo a obter uma série de vitórias que inclinam a seu favor a balança do conflito, provocando assim sinais de alarme nas capitais ocidentais. 
  
  Exemplo dessa reviravolta é o atual intensificar dos combates em Aleppo, no norte da Síria, uma semana depois de as forças de Assad, apoiadas pelo Hezbollah, terem capturado aos rebeldes a cidade de Qusair, perto da fronteira libanesa. 
  
  Os cálculos alteraram-se nos EUA e na Europa. Depois de exigirem publicamente o afastamento do presidente sírio, os países ocidentais receiam o pesadelo geo-político que para eles representaria um Assad vitorioso e um consequente reforço do poder regional do Irão.
  Leque de armas será limitado 
  A administração norte-americana poderá optar por fornecer aos insurretos um leque limitado de armas, que poderá incluir armas ligeiras, como espingardas automáticas, e granadas-foguete e outras armas antitanque que as forças da oposição podem operar sem necessitarem de um treino intensivo.
  
  A oposição de Obama ao envio de tropas americanas para a Síria deverá afastar a possibilidade de armas mais sofisticadas, ou sistemas antiaéreos que necessitariam de um treinamento aprofundado.
  
  A CIA e as forças especiais dos EUA já estão atualmente envolvidas em programas de treino das forças rebeldes e acredita-se que poderão também ser incumbidas da tarefa de ministrar formação sobre as armas que os EUA vão fornecer a partir de agora. 
  Ocidente quer distinguir os rebeldes "viáveis"
  O campo anti-Assad está altamente fragmentado e tanto os Estados Unidos como a Europa querem reforçar o peso do que consideram, eufemisticamente, as fações rebeldes viáveis, ou seja, as que não estão afiliadas ao radicalismo islâmico ou ao Irão. 
  
  Todos concordam no entanto que, num cenário de guerra como a que se trava na Síria, é quase impossível garantir que algumas das armas não passem para as mãos erradas. 
  
  As granadas-foguete e as armas antitanque destinadas a combater Assad poderão assim acabar por servir para reforçar os taliban e a Al Qaeda no Afeganistão e Paquistão e os grupos islamitas radicais noutros países da região, ou para ajudar o Hezbollah na sua luta contra Israel.

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Hamid Khatib, Reuters
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