
Governo português autorizou sobrevoo mas proibiu aterragem de avião de Evo Morales
Aeronave com o presidente boliviano aterrou em Portugal para reabastecer na viagem para Moscovo. No regresso, o Governo português proibiu a aterragem por “considerações técnicas”. Nova escala será em Las Palmas.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros explicou, ao início da tarde, a proibição de aterragem do avião presidencial da Bolívia em território luso. De acordo com o comunicado enviado às redacções, foi concedida autorização de sobrevoo e aterragem ao avião presidencial da Bolívia no dia 28 de Junho, às 19h03, para o percurso La Paz/Moscovo e regresso. O avião aterrou no aeroporto de Lisboa no dia 30 de Junho, para reabastecer, em direcção à capital russa.     Apesar de o avião do presidente Evo Morales ter autorização para aterrar em Portugal e sobrevoar o território, tudo isso foi cancelado no dia 1 de Julho, às 16:28, por por considerações técnicas. As autoridades bolivianas pediram esclarecimentos e o Governo português acabou por explicar, ainda nesse dia, que a autorização de sobrevoo do espaço aéreo português se mantinha, estando apenas cancelada a aterragem para reabastecimento, pelas mesmas considerações técnicas.     Apesar de múltiplos contactos por via diplomática durante o dia 1 e durante o dia 2 de Julho, as autoridades bolivianas insistiram inicialmente em submeter junto das autoridades aeronáuticas internacionais um plano de voo que previa a aterragem em Lisboa para reabastecimento, plano que sabiam não seria possível cumprir como, repetidamente, fora em tempo comunicado, prossegue o comunicado.     Face à iminência de o avião poder aterrar sem ter sido autorizado, Foram tomadas as necessárias medidas junto das autoridades aéreas internacionais para evitar que fosse efectuada uma aterragem não autorizada em Lisboa.     A Bolívia acabou por submeter esta terça-feira um plano de voo que apenas prevê que o avião presidencial sobrevoe Portugal, estando a aterragem para reabastecimento prevista para o aeroporto de Las Palmas. Está autorizado hoje, como sempre esteve, o sobrevoo do território nacional, prossegue o comunicado.     O Governo lamenta qualquer incómodo para a Bolívia, mas rejeita culpas e considera-se totalmente alheio a esse incómodo, porque foram as autoridades bolivianas que durante quase 24 horas não aceitaram estudar um percurso alternativo e insistiram num procedimento que teria violado a soberania portuguesa.     Avião boliviano também foi impedido de aterrar em França     O chefe da diplomacia boliviana, David Choquehuanca, acusou esta terça-feira Portugal e França de terem impedido a aterragem do avião presidencial, por suspeitas, que considerou infundadas, de que o informático Edward Snowden, que divulgou a vigilância em massa dos EUA sobre comunicações, estaria no seu interior.     O avião acabou por aterrar em Viena, capital da Áustria, onde foi revistado pelas autoridades locais, que não encontraram Snowden. Um diplomata boliviano considerou que a revista representou o rapto do presidente Evo Morales. Estamos a falar do presidente ter sido raptado numa viagem oficial após uma cimeira oficial, afirmou o embaixador da Bolívia na ONU, Sacha Llorenti Soliz, aos jornalistas em Genebra, citado pela Reuters.     Evo Morales esteve em Moscovo para participar numa conferência sobre energia. O avião com o presidente da Bolívia saiu de Moscovo às 10:45 de Lisboa, em direcção às ilhas Canárias, onde vai reabastecer.

Evo Morales

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