Editora de "Diamantes de Sangue" considera processo "tentativa de intimidação"








A editora
Bárbara Bulhosa considerou, esta quinta-feira, "uma tentativa
de intimidação" o processo contra o jornalista angolano Rafael
Marques pelo livro "Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção
em Angola", no qual é co-arguida. 





"Interpreto
este processo como uma tentativa de intimidação não só ao Rafael
Marques (...) mas também à Tinta-da-China (a editora do livro) e,
principalmente, parece-me que é um precedente perigoso porque é uma
intimidação a todos os jornalistas e todos os editores ao
investigarem matérias mais sensíveis que possam envolver altas
figuras do Estado angolano. É uma forma de os pressionar a não
avançarem", afirmou Bárbara Bulhosa em declarações a
jornalistas.




O processo
foi instaurado em Portugal, onde foi publicado o livro, por nove
generais angolanos ligados à exploração de diamantes em Angola,
que acusam o autor de "calúnia e injúria".




Na obra,
que resulta de uma investigação iniciada em 2004, são denunciadas
alegadas violações dos direitos humanos, incluindo torturas e
assassínios de trabalhadores da extração mineira na região das
Lundas.




A
responsável editorial da Tinta-da-China, que falou aos jornalistas
depois de ter sido ouvida no Departamento de Investigação e Ação
Penal de Lisboa, lembrou que Rafael Marques foi constituído arguido
neste caso em novembro de 2012.




"Agora
eu fui constituída arguida como cúmplice por ter publicado o
livro", explicou.




A editora
referiu que está convencida da "veracidade e credibilidade"
da investigação que deu origem ao livro.




"Tive
acesso aos documentos que estão citados no livro e fiquei convencida
de que o que está no livro é verdade", disse Bárbara Bulhosa,
acrescentando que quando aceitou publicar a obra percebeu que "se
tratava de uma matéria muito sensível porque são revelados abusos
sistemáticos dos direitos humanos".




"Agora
não estava à espera de ter um processo", confessou, afirmando
que não está arrependida.




"Estou
e estava convencida que o que está lá é verdade", insistiu.




O livro
"Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola" já
vendeu 7 mil exemplares e em breve sairá a sua 5ª edição, com
mais 1.500 exemplares.




Segundo a
editora, foi-lhe dito que a justiça pode demorar um ou dois meses a
decidir se o processo será arquivado ou se vai a julgamento.


