
Islamitas abandonam cidades no norte do Mali




Ao início da noite de segunda-feira, testemunhas locais afirmaram que os radicais islâmicos abandonaram as cidades que ocupavam no norte do Mali, nomeadamente Gao e Timbuctu. "Estamos livres!" regojizava-se um habitante de Gao, contactado por telefone. Um dos grupos extremistas fala em "recuo tático".
Senda Ould Boumama, porta-voz do Ansar Dine, um dos grupos extremistas, diz que as forças islamitas abandonaram as anteriores posições para se recolocarem no terreno. A reação foi publicada num site de informações da Mauritânia, próximo dos islamitas, o Alakhbar.
  
  "Estamos livres. Não vimos hoje um único mujaheddin aqui. Eles abandonaram a cidade e os seus chefes estão escondidos," garantiu um habitante de Gao. 
  
  O reposicionamento dos islamitas pode significar uma nova fase nos combates. A Mauritânia afirma que milhares de pessoas estão a fugir dos combates e a dirigir-se para as suas fronteiras, a norte do Mali. 
  
  Do mesmo modo, pelo menos 30.000 pessoas refugiaram-se já no sul do país. 
  
  O número de deslocados pela guerra pode na realidade ser muito superior, afirmando as autoridades terem conhecimento de que "alguns grupos islâmicos estão a impedir as populações de se dirigir para sul," afirmou Eduardo Del Buey, porta-voz adjunto da ONU.
  
  A ocupação do norte pelos islamitas provocou meio milhão de refugiados desde março de 2012, de acordo com o PAM, Programa Alimentar Mundial.
  Apoios internacionais aumentam
  Esta segunda-feira o exército francês presente na Costa do Marfim foi mobilizado para o Mali. 
  
  De acordo com testemunhos, cerca de 30 carros-armados escoltados por um  helicóptero atravessaram a fronteira em Pôgô, aplaudidos por multidões  "imensas" nas cidades e aldeias ao longo do trajeto, de acordo com o  jornal francês Le Monde.
  
  O grupo rebelde independentista Tuareg MNLA, afastado pelos islamitas após uma colaboração  inicial contra as tropas malianas, há um ano, afirmou esta segunda-feira estar disposto a colaborar  com as forças francesas contra os extremistas islâmicos.
  O MNLA (Movimento Nacional para a  Libertação do Azawad) não assume filiações religiosas e propõe-se realizar o "trabalho  no terreno" baseado no seu "grande conhecimento local e das  populações." Promete igualmente desistir das suas pretensões  separatistas.
  Também esta segunda-feira e reagindo ao apelo francês, a Argélia encerrou as suas extensas fronteiras terrestres com o Mali.
  
  Paris tinha dito no domingo que se as tropas africanas tivessem de subir para norte, a Argélia teria de fechar as fronteiras. 
  
  Argel já anunciou várias vezes o seu apoio ao governo de Bamako na sua luta contra os terroristas e o crime organizado. Autorizou ainda a força aérea francesa a sobrevoar o seu território.
  
  O Presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan anunciou por seu lado segunda-feira à noite o envio de tropas nigerianas para o Mali "já na próxima semana", informando um grupo de diplomatas recebidos na sua residência oficial em Abuja que a Nigéria já tem no terreno "equipas de apoio técnico" ao exército maliano.
  
  O Canadá juntou-se também hoje ao Reino Unido no apoio logístico à ofensiva da França, com a Alemanha e os Estados Unidos ainda indecisos quanto à posição a assumir além do apoio diplomático.
  Islamitas conquistam Diabaly
  Além do seu recuo, os islamitas tomaram esta tarde uma cidade a oeste do Mali, após intensos combates com as tropas malianas. Os habitantes de Diabaly, a 400 quilómetros da capital Bamako, afirmam que os islamitas vieram de uma zona junto à fronteira com a Mauritânia, fortemente bombardeada. 
  
  A França afirma que a movimentação islamita "já era esperada". O avanço francês e maliano tem-se baseado até agora em bombardeamentos através da aviação francesa, com a ofensiva terrestre a ser efetuada sobretudo pelas tropas malianas.A Cruz Vermelha Internacional afirma ter recebido mais de 80 feridos nos combates, nos seus hospitais de Gao (norte) e Mopti (centro), estes últimos, a maioria, vindos de Konna, recuperada pelas forças malianas este fim-de-semana após ter caído na posse dos extremistas no dia 10 de janeiro de 2013.
  
  O Mali reconhece até hoje 11 mortos e 60 feridos nas suas fileiras e ainda um morto nas tropas francesas, este falecido de ferimentos recebidos durante a ofensiva.
  
  Os islamitas recusam-se a dar números sobre as suas baixas. De acordo com responsáveis malianos, os islamitas terão perdido mais de cem homens em Konna e pelo menos 60, provavelmente mais, em Gao.

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A aviação francesa tem bombardeado fortemente as posições islamitas no norte do Mali. Os grupos armados extremistas islâmicos abandonaram as suas posições nas cidades onde se haviam estabelecido, após perderem cerca de 200 homens e material.
Joe Penney/Reuters
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Mali, Gao, Timbuctu
Graça Andrade Ramos, RTP
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