
Exército egípcio dá 48 horas a Morsi para atender às reivindicações dos populares
As forças militares fizeram um ultimato ao presidente islamita para que atenda às exigências do povo egípcio e partilhe o poder com a oposição. Se tal não acontecer nas próximas 48 horas, os militares vão apresentar o seu próprio “plano para o futuro”.
Os altos representantes do exército egípcio fizeram um ultimato ao presidente islamita Mohamed Morsi. Se Morsi não responder às reivindicações dos civis no prazo de 48 horas, o exército vai apresentar o seu plano para o futuro.     Numa comunicação ao país através da televisão pública, o general Abdel Fattah al-Sisi, chefe das Forças armadas e ministro da Defesa, considerou as manifestações deste domingo uma expressão de clareza sem precedentes da vontade do povo egípcio. Os manifestantes que encheram as ruas do Cairo pedem a demissão de Morsi e novas eleições.       Se as exigências do povo não forem atendidas dentro do período definido, caberá às Forças Armadas anunciar um plano para o futuro, anunciou Sisi no comunicado citado pela Reuters. O chefe das Forças Armadas acrescentou ainda que a implementação do plano, que será feita com a supervisão do exército, contará com a participação de todas as facções e partidos políticos, incluindo a dos jovens. Porém, o exército não se envolverá no Governo ou na política.     Recorde-se que as Forças Armadas egípcias, de onde saíram todos os presidentes até Morsi, tomaram o controlo do país quando Hosni Mubarak foi afastado, e foi com alguma reticência que aceitaram começar a transferir o poder para as instâncias civis eleitas.        As declarações de Sisi foram recebidas com aplausos dos manifestantes que estão concentrados frente à residência presidencial. Também o principal partido da oposição, a Frente Nacional de Salvação, que tem vindo a pedir um governo de unidade nacional aplaudiu a acção dos militares.     Esta foi a segunda vez, no espaço de uma semana, que o exército lançou alertas ao Governo, pressionando Morsi a partilhar o poder com os liberais, laicos e esquerda. Se Morsi não ceder às reivindicações, os grupo civis prometeram intensificar os protestos e lançar uma campanha de desobediência civil.     De acordo com a Reuters, o número de pessoas que saiu à rua para pedir a demissão de Mohamed Morsi só é comparável aos protestos da Primavera Árabe. Durante as manifestações de ontem 18 pessoas morreram e 731 ficaram feridas, segundo os números avançados pelo ministro da Saúde egípcio.     No seguimento dos protestos, quatro ministros e cinco membros da câmara alta do parlamento entregaram a sua demissão.     Os Estados Unidos e a União Europeia apelaram já a Morsi para que partilhe o poder governamental com a oposição, indicando que apenas um consenso nacional pode ajudar o Egipto a ultrapassar a crise económica e a construir instituições democráticas.

Egipto, Mohamed Mursi, ultimato

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Governo egípcio demite-se

