União Africana suspende Egito após deposição de Morsi





O Conselho de Paz e de Segurança da União Africana (UA) decidiu hoje 
suspender a participação do Egito na organização, após a deposição do 
Presidente egípcio Mohamed Morsi pelo exército.



"O Conselho decidiu suspender a participação do Egito das atividades da UA até ao restabelecimento da ordem constitucional", referiu, em declarações à comunicação social, o secretário do Conselho de Paz e de Segurança da UA, Admore Kambudzi, citando um comunicado oficial da organização, elaborado após uma reunião de mais de três horas.
O órgão da UA reuniu-se hoje em Addis Abeba (Etiópia), na sede da organização, para debater a crise política egípcia.
"O Conselho reitera a condenação da UA e a rejeição de qualquer tomada de poder ilegal", acrescentou o comunicado da organização pan-africana.
"A deposição de um Presidente democraticamente eleito não segue as disposições pertinentes da Constituição egípcia e, portanto, corresponde a uma mudança inconstitucional de poder", reforçou o texto.
O exército egípcio depôs e deteve na quarta-feira o primeiro Presidente democraticamente eleito do país, o islamita Mohamed Morsi, há um ano no poder, depois de dias de violentos protestos para exigir a sua demissão. Os militares suspenderam igualmente a Constituição e dissolveram o parlamento.
Morsi foi entretanto substituído interinamente pelo presidente do Supremo Tribunal Constitucional egípcio Adli Mansur, que prestou juramento na quinta-feira. 
No início da reunião, o embaixador egípcio na UA, Mohamed Edrees, tentou convencer o conselho a não suspender o Egito, argumentando que o exército só tinha reagido aos apelos do povo.
"Defendi o Egito diante do conselho", explicou o diplomata aos jornalistas, antes da divulgação da decisão, mencionando ainda que na altura da revolução popular que originou a queda do regime de Hosni Mubarak o país não foi suspenso da organização.
"A UA, na altura [da queda do regime de Mubarak], decidiu que aquilo que se estava a passar no Egito era uma revolução popular e devia ser tratada em conformidade", argumentou.
A deposição de Morsi é uma nova "fase do que se passou antes e merece o mesmo tratamento", concluiu o diplomata.
Lusa