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 [ LINK ] Trs poetas , o amor e o tempo .

 Um poema de Copacabana .
 Celso Japiassu

 Dezessete Poemas Noturnos .
 Celso Japiassu

 O Itinerrio dos Emigrantes , de Celso Japiassu .

 O ltimo Nmero , de Celso Japiassu

 Equvocos literrios : poemas falsos de Brecht , Borges e Garcia Marquez .

 Seis novos poemas de Nei Leandro de Castro .

 Especial para Uma Coisa e Outra : Borges e seus mistrios , ensaio de Jos

 Numanne Pinto .

 Como uivar para a lua sem a menor possibilidade de estrelas .
 Antonio Torres .

 Alguns poemas de Fabricio Carpinejar .

 Cinco cus .
 Franklin Alves .

 Franklin Alves .
 Novos poemas .

 As supresas do novo romance de Moacir Japiassu , por Nei Ducls .

 Ode ao Fgado , de Pablo Neruda .

 Entrevista : Moacir Japiassu fala sobre seu novo livro .

 A biblioteca da literatura mundial .

 O Parque , de Carlos Tavares .

 Corpo .
 Conto de Rui Alo .

 Notas de um antroplogo cansado , por Rui Alo .

 Voltas em volta dos contratos de amor , de Pedro Galvo .

 Corpo invisvel , poema de Carlos Tavares .

 Quando a cidade faz esquina com a escrita .
 Antonio Torres .

 Dois contos de Paulo Maldonado .

 Preldio a Conessa .
 Conto indito de Carlos Tavares

 Outros poemas de Marilda Soares .

 O Farol e a Ilha , conto indito de Carlos Tavares .

 Poemas inditos de Marilda Soares .

 Adagio Negro , um conto de Carlos Tavares .

 Marcos de Castro e A Santa do Cabar .

 Almandrade : um poema visual e quatro poemas escritos .

 Literatura polonesa : um classico de Boleslaw Prus , numa traduo de Ruy Bello .

 Em traduo de Sebastio Uchoa Leite , um velho ( novo ) poema de Franois Villon .

 O que fazer diante de tantos livros que teramos de ler .
 Gabriel Zaid .

 Poemas de Moacy Cirne , poeta e cangaceiro .

 Dois contos do poeta R. Leontino Filho .

 Leontino Filho : Cinco Poemas .

 Erotismo e paixo : Cinco Sentidos , conto de Helena Barreto .

 A Retratista , conto de Bill Falco .

 Um poema de Rodrigo Souza Leo : Clarice Chopin .

 Poemas de Silvana Guimares .

 A orelha de A Santa do Cabar , por Fbio Lucas .

 Fotopoemas de Niteri .
 Lus Srgio dos Santos .

 O Olhar de Borges , Livro dos Amores .
 Poemas de Jaime Vaz Brasil .

 Poemas de Eric Ponty .

 Poemas de Ana Merij .

 A Absolvio das Formigas .
 Eduardo Ramos ,  moda de Jos Saramago .

 Quanta confuso fazem em teu nome , poesia .
 Paulo Maldonado .

 Na espera do amanh , por Affonso Romano de Sant'Anna

 O pior livro de todos os tempos , por Sergio Jedi

 Trs poetas de lngua espanhola .
 Tradues e notas de Anibal Bea .

 Anibal Bea , poeta amaznico : apresentao e a Sute para os Habitantes da

 Noite .

 Autobiografia da minha morte , por Jorge Vismara .

 Os homens amam a guerra .
 Belssimo poema de Affonso Romano

 de Sant'Anna com tradues de

 Fred Ellison e Nahuel Santana .

 Quatro poemas de

 Jos Numanne Pinto .

 Bill Falco , da poesia para o jornalismo , do jornalismo para a

 fico : porque Lennon & McCartney

 fazem falta e mais dois contos em

 forma de crime - Joo Amaro e Malaquias .

 Eduardo Ramos estria com seus

 Contos Inacabados

 A morte de Luiz Carlos Guimares .
 Pequena introduo  poesia de Luiz Carlos

 Guimares ,

 por Nei Leandro de Castro .

 Thereza Christina Motta fala de si ,

 da nova poesia e do seu novo livro .

 Para no esquecer Joo Antonio :

 De escritor para escritor .

 Paulo Maldonado .

 Joo Antonio , esse desconhecido .

 Prof. Tania Celestino de Macedo .

 Joo Antonio .
 Paulo Maldonado .

 Um jovem poeta se apresenta e

 mostra seus poemas .

 Alguns poemas traduzidos .
 Diferentes poetas , poemas mais diferentes ainda .

 HOMENAGEM AO POETA

 LUS CARLOS GUIMARES

 Nei Leandro de Castro

 Dados biogrficos

 Lus Carlos Guimares nasceu em Currais Novos , interior do Rio Grande do Norte ,

 em 1934 .
 Viveu quase toda sua vida em Natal , onde foi jornalista , juiz de

 Direito e professor universitrio .
 Nos anos 70 , fez um curso de extenso

 universitria na Fundao Getlio Vargas , no Rio de Janeiro , e se apaixonou

 pela cidade , que visitava com muita freqncia .
 Poucos antes de morrer , Lus

 Carlos decidira vir ao Rio para conhecer os recitais poticos das noites

 cariocas .

 Estreou em poesia em 1961 , com O aprendiz e a cano .
 Seguiram-se : As cores do

 dia , Ponto de fuga , O sal da palavra , Pauta de passarinho , A lua no espelho e O

 fruto maduro .
 Sem jamais ter sado da provncia natal , foi reconhecido como um

 dos grandes poetas do pas , por escritores e poetas como Pedro Nava , Ledo Ivo ,

 Francisco C. Dantas , Ivo Barroso , Affonso Romano de Sant'Anna .
 Do seu livro

 Ponto de fuga , assim falou Pedro Nava : " Que poesia terrvel e pungente  a sua !

 Todo o seu livro  uma onda me levando. "

 Lus Carlos Guimares tambm utilizou seu talento de poeta como tradutor .

 Publicou em 1997 113 traies bem-intencionadas , onde traduziu mais de 100

 poetas latino-americanos e poemas de Arthur Rimbaud .
 A sua traduo de O corvo ,

 de Edgar Allan Poe ,  considerada de alta qualidade pelo tradutor e poeta Ivo

 Barroso .

 Lus Carlos faleceu em Natal , no dia 21 de maio deste ano , dois dias antes de

 completar 67 anos .
 Morreu de um enfarte que ele previra num poema , Ode mnima

 ao enfarte do miocrdio , escrito em fevereiro de 1982 .

 Herana

 Nos hectares da poesia

 que me coube por herana ,

 colho safra de palavra ,

 armazeno proviso ,

 bebo de sede no poo ,

 como a fome no feijo .

 Invento tudo que penso ,

 sou mago , palhao e rei .

 Tenho tudo que no tenho ,

 lua no fundo do copo

 e o arco-ris na sopa .

 De mos dadas com Carlitos

 alimento de po e mel

 os bichos todos do circo .

 Pelo sem-fio da tarde

 recebo urgente avegrama :

 " De longe pas ao Sul

 vo no caminho do vento

 dois passarinhos azuis .

 Solicito alpiste e gua

 na concha de cada mo. "

 A noite cobre meu sono

 e da serragem do sonho

 fao colcho , travesseiro .

 Acordo .
  ganho ou perda

 ter mais um dia a viver ?

 Com flanela limpo os culos

 ( janela dos olhos mopes )

 mas no vejo mais poesia ,

 que sou cada vez mais turvo

 diante da vida dura

 e do mundo to escuro .

 Cano

 No seu bordel em languidez sem alarde

 a poesia se abisma toda em amor .

 A soluar baixinho ao cair da tarde

 envolve em lenis de seda sua dor .

 Nona

 Quando no mais esperava , chegou

 com a doura de uvas maduras .

 Jorro de luz .
 Estrela-d'alva .
 Lua

 refletida no rio , levada para o mar .

 Crena me acenando com a proteo

 do cu .
 Janela aberta  paisagem

 que se v pela primeira vez .

 Macia como l , sua voz na penumbra .

 Canto de pssaro tecendo a manh .

 Segredo

 No tom mais velado

 conto o segredo

 ao fundo do poo .

 Como se fosse gravada

 com um ferro em brasa ,

 nunca se apagar

 no rosto da gua

 a cicatriz da poesia .

 O pssego

 Por si s , como fruto ,

 no sugere seu sabor .

 Para mim que desfruto

 de sua forma , sua cor ,

 e com mo aliciante

 sinto a polpa veludosa ,

 no penso no gosto diante

 da penugem de tons rosa .

 De repente , perplexo ,

 vejo um ventre de mulher :

 sua vulva , o morno sexo

 que est a se oferecer .

 O plo da pele beijo ,

 mordo a carne sumarenta ,

 se me acende um desejo

 que no se dessedenta .

 A fome da minha lngua

 agora est saciada ,

 a do desejo no mngua ,

 tem que ser adiada .

 Epitfio

 Aqui jaz um menino azul

 tragicamente morto

 num desastre de velocpede .

 Poema soturno

 Convm s pessoas soturnas

 s trajar roupas escuras

 ( nem em festivo domingo

 uma cor que lembre o dia ) .

 Na lapela , ao lado esquerdo ,

 tarja de luto perptuo ;

 presa  gravata noturna ,

 uma papoula sombria .

 Ter oculto na algibeira

 um relgio que parou

 num dia de sexta-feira ,

 13 , na hora em que seu corpo

 a morte vir buscar .

 Com ar de quem vai  forca

 de capa e chapu fnebres ,

 com negros sapatos rotos

 nas quedas e descaminhos ,

 seguir todos os enterros ,

 a ala do caixo na mo .

 Mudar a verde esperana

 pelo roxo das mortalhas ,

 cultivar flores malditas ,

 reinventar desesperos .

 Gravar na pedra do espelho

 a face podre do mangue ,

 tingir as mos de vermelho

 que  a cor da cor do sangue .

 Com olhos sempre inclinados

 escavar o duro cho

 - os sete palmos de terra -

 herana de Deus aos homens

 desde o tempo da criao .

 Sagrao do vero

 De repente a mulher desabrochou nua

 saindo do mar , pois a gua no a vestia ,

 antes a desnudava , fazendo a sua

 nudez mais nua  dura luz que afia

 seu gume no sol da manh que inaugura

 o vero .
 Dezembro s luz reverbera

 em seu corpo , doura-lhe as coxas , fulgura

 nas ancas , no dorso ondulado de fera .

 Fera que guarda no ventre um colmeia

 com a flor em brasa do sexo que ateia

 fogo ao meu desejo e tanto me consome

 a vulva , gruta , rosa de plos - que nome

 tenha - que desfaleo como se em sangue

 me esvasse morrendo de amor .
 Exangue .

 Noturno

 Toma meu amor

 bebe at a ltima gota o vinho das estrelas

 e olha para a noite desenrolada no cu

 e vem e vem e deixa que eu assista  mutao dos teus olhos

 na cor de mel ouro antigo ch e telha v

 enquanto no chega a hora de amar

 desdobrar todos os minutos como pedras preciosas de um colar

 quando minha boca passeia o teu corpo assustado

 e meus dedos ciciam aos plos midos do teu sexo

 e eu vido cavalo te cavalgo montaria do meu amor .

 Presena de Cacaso

 Tua palavra era to bem cerzida ,

 sem emendas e sinal de costura ,

 que teu poema parecia uma tnica inconstil .

 CANO URBANA

 O que me chama a ateno  um homem sozinho numa mesa ,

 nos seus cinqenta anos bem morridos ,

 a entornar seu chope silenciosamente :

 o homem do palet cor de goiaba .

 Necessariamente funcionrio pblico ,

 na vizinhana da obesidade e do enfarte ,

 o homem do palet cor de goiaba

 tem cinco filhos , trs netos ,

 uma mulher de barriga cada e varizes nos braos e nas pernas ,

 um apartamento de dois quartos no 12o andar do Edifcio Flor de Laranjeiras

 ( financiado em 25 anos , com correo monetria , pelo BNH ) ,

 calos na sola do p direito ,

 dentes cariados ,

 fgado inchado ,

 acessos semanais de asma brnquica ,

 uma sogra que encarna o drago vomitador de fogo ,

 uma acentuada hipermetropia na viso esquerda

 e bolsos furados .

 E mais :

 no morrer de cada dia ,

 o homem do palet cor de goiaba

 tem os ouvidos rasgados pelo barulho do trnsito ,

 sua sangue poludo de asfalto na repartio ,

 nas filas de nibus e do INPS .

 Entornando silenciosamente o seu chope ,

 o homem do palet cor de goiaba

 parece um boi .

 Um boi .

 No o boi que pasta no campo ,

 mas o boi que vo levando ao matadouro .

 ODE MNIMA AO ENFARTE DO MIOCRDIO

 ( Os trs versos finais do poema )

 Se o enfarte vier ,

 atravessarei

 a ponte de safena ?

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