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 CABACAL / CUX ou CUX

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 CABAAL. Conjunto musical composto de instrumentos de sopro ( pfanos ou pifes ,

 feitos de bambu ) e de percusso ( zabumbas , usados na marcao do ritmo ) ,

 animando as festas e os bailes , acompanhando as procisses nos sertes de

 Pernambuco , Paraba e Alagoas .
 O conjunto , tambm  conhecido como banda de

 pfanos ou esquenta-mulher .
 Est sempre presente no coco , no tor , no

 bumba-meu-boi , nos caboclinhos .
 Alguns conjuntos cabaal contam com a

 participao de ganzs , tars e tamborins , conforme a ocasio .

 CABEA-CHATA .
 Apelido dado aos cearenses .

 CABEA-DE-CUIA. Alto , de cabelos bem compridos caindo na testa , magro , o

 cabea-de-cuia aparece no Rio Parnaba , no Piau , por ocasio das enchentes ,

 amedrontando as crianas .
 At mesmo os adultos tm medo de ficar nas margens do

 rio , receando serem aprisionados .
 O cabea-de-cuia tambm aparece durante o

 tempo da seca e devora uma moa que tenha o nome de Maria , de sete em sete

 anos .
 O cabea-de-cuia  assim chamado porque sua cabea  parecida com uma

 cuia .

 CABEA-DE-NEGRO .
  uma bomba de mdio poder explosivo , muito usada nos festejos

 de So Joo .

 CABEA-DE-PROA .
 Os barqueiros do alto So Francisco colocam na proa de suas

 embarcaes , esculpidas em madeira e coloridas , figuras de animais misturadas

 com gente .
 Alm de enfeitar suas embarcaes , as cabeas-de-proa ou carrancas

 servem , tambm , para afugentar os maus espritos de pessoas ms que morreram

 afogadas .
 Os indgenas tambm usavam tais figuras em suas canoas quando iam

 guerrear .
 Os africanos herdaram dos egpcios o hbito de usar tais figuras em

 suas embarcaes .

 CABELOS .
 As tradies ligadas aos cabelos nos foram trazidas pelos

 colonizadores mas , em diversos pases do mundo , elas ainda persistem .
 Os

 cabelos s podiam ser cortados pelas mos do homem .
 Os cachinhos dos cabelos

 das crianas eram presenteados s pessoas da famlia como lembrana , amarrados

 com fitas ou encastoados em ouro .
 As pessoas ainda hoje fazem promessas aos

 santos de sua devoo , de deixarem crescer os cabelos durante certo tempo e ,

 depois , do as cabeleiras cortadas aos santos que atenderam aos seus pedidos .
 O

 homem que tem cabelos no peito  considerado como um homem valente , que no tem

 medo de nada .
 Os cabelos so usados nas bruxarias e traduzem fora fsica , como

 no caso de Sanso , que foi aprisionado e teve seus cabelos cortados por Dalila

 e , quando seus cabelos voltaram a crescer , tornou a ter foras para derrubar as

 colunas do templo .
 A trunfa ou topete era smbolo de destemor , cacho usado

 pelos valentes de antigamente , principalmente os cangaceiros do Nordeste .

 Quando as mulheres tinham mau comportamento seus cabelos eram cortados e eram

 expulsas da cidade .
 A linguagem popular nordestina registra , tendo o cabelo

 como motivo , as seguintes expresses : 1 .
 Cabelo de espeta caju : diz-se do

 cabelo que fica em p ; 2 .
 Cabelo de cupim : cabelos dos negros ; 3 .
 Cabelo de

 ju : cabelos dos negros , quando assanhados ; 4 .
 Cabelo pixaim : cabelos dos

 negros .

 CABIDELA .
 1 .
 Conhecida tambm como galinha-ao-molho-pardo , a cabidela  um

 guisado de galinha , pato , peru ou ganso no molho feito com sangue da ave ,

 misturado com vinagre .
 No Nordeste ,  um prato tradicional nos almoos

 domingueiros , nas festas de batizado e casamento .
 2 .
  a roupa quando fica

 velha , surrada .

 CABOCLINHOS OU CABOCOLINHOS .
 Grupo de homens que se vestem de ndio durante o

 carnaval pernambucano , com seus cocares multicoloridos , tufos de penas na

 cintura e nos tornozelos , colares de contas e de dentes de animais , empunhando

 arco e flecha .
 A dana  primria .
 Fingem flechar um inimigo inexistente .

 Quando usam sua arma , ela produz um estalido seco , produzido pelo encontro da

 flecha com o arco .
 A orquestra  composta de pfano , tarol , marac e surdo .

 CABOCLO-D'GUA .
 O caboclo-d'gua vive no Rio So Francisco , dominando suas

 guas e seus peixes .
 Os compadres do caboclo-d'gua so seus amigos , mas as

 pessoas com as quais ele no simpatiza sofrem muito , tm suas canoas viradas ,

 aumentam a altura das ondas durante as tempestades , afugentando os peixes dos

 anzis e das tarrafas dos pescadores .
 Ele mora nas ribanceiras mais profundas ,

 mais sossegadas .
 Tem o corpo monstruoso , de gigante , da cor de cobre e costuma

 engolir os canoeiros .

 CABOCLO-DE-LANA .
 O caboclo-de-lana faz parte do maracatu rural .
 Quando se

 apresenta , usa uma lana de dois metros , saltando e danando sem parar .
 Na

 cabea , usa um chapu de palha coberto com tiras de papel celofane de diversas

 cores .

 CABOCLO-DE-PENA .
 Tambm conhecido por tuxu , o caboclo-de-pena usa um chapu

 com quase um metro de altura enfeitado com aljofre , vidrilhos e muitas penas de

 muitas cores .

 CABRA .
 1 .
 A cabra , criada em longa escala no serto nordestino , por no ser

 exigente no que se refere  alimentao , ajuda muito a criar os filhos dos

 sertanejos .
 Seu leite  mais grosso , mais saboroso e mais forte que o da vaca ,

 sendo aconselhado s crianas fracas .
 A cabra  um animal tido como simptico

 ao diabo , e tanto  assim que uma das oraes fortes  a famosa

 orao-da-cabra-preta .
 Os antigos consideravam a cabra como um animal malfazejo

 por ter a saliva venenosa e seu hlito ser capaz de fazer murchar as plantas .

 No serto nordestino , a cabra , por prestar tanto servio  famlia com seu

 leite , seu couro e sua carne , anda nos cmodos da casa e  at chamada de

 comadre .
 2 .
 Cabra tambm  o filho de mulato com negro .
 Uma reunio de cabras 

 uma cabroeira .
 Os adgios sobre a cabra so numerosos : no h doce ruim nem

 cabra bom ; cabra bom nasceu morto ; cabra quando no furta  porque esqueceu ;

 cabra valente no tem semente ; valentia de cabra  matar aleijado .
 Mas cabra

 tambm significa homem forte , destemido , valente : - " O Joo  um cabra danado

 de bom ; trabalhador , honesto , um homem direito " .

 CABRA-CABRIOLA .
  um monstro horrvel , que bota fogo pelo nariz e pela boca e

 que entra na casa das pessoas , durante a noite , para devorar as crianas .
  um

 bicho-papo usado para meter medo aos meninos quando esto trelando , para fazer

 parar seus malfeitos .

 CABRA-CEGA .
  uma brincadeira que consiste em vendar os olhos de uma criana ,

 fazer com que ela d umas voltas e depois deixar que pegue outro componente da

 brincadeira .
 Quando conseguir tirar o leno dos olhos da pessoa que foi

 agarrada , passa a mesma a ser a nova cabra-cega .
 A brincadeira veio da Europa

 trazida pelos colonizadores portugueses .
 As meninas tambm brincam de

 cabra-cega usando um chicote ; no menino que o cabra-cega acertar uma chicotada ,

 esse ser o novo cabra-cega .

 CABRA-DA-PESTE. Nome dado aos nordestinos , por sua coragem , sua valentia .

 CABRA-DE-PEIA. Diz-se do homem mau , sem palavra , mau carter , sem nenhuma

 qualidade .

 CACHAA .
  a aguardente obtida pela fermentao e destilao do mel , ou borras

 do melao .
  a bebida mais popular do povo brasileiro .
 Tambm  conhecida por

 outros nomes : gua-que-passarinho-no-bebe , assovio-de-cobra , birita ,

 branquinha , capote-de-pobre , dengosa , jeribita , meu-consolo , pinga e

 aguardente , dentre outros apelidos .
 Associada ao mel faz-se o cachimbo ( Ver

 CACHIMBO ) ; ao suco de algumas frutas com acar , faz-se a batida .
 A cachaa

 tambm significa hbito , mania , vcio , preferncia e tanto  assim que os

 namorados dizem s namoradas : - " Minha cachaa  voc " .

 CACHIMBO .
 1 .
 Feito de madeira , de barro ou de osso , o cachimbo  um instrumento

 feito para se fumar .
 O cachimbo , at o sculo XVI , no era conhecido na Europa ;

 os portugueses  que introduziram o uso do cachimbo entre os europeus .
 2 .

 Quando as mulheres do  luz , no serto ou at mesmo na Zona da Mata ou do

 Agreste , os maridos servem uma bebida chamada cachimbo , que  a mistura de

 cachaa com mel de abelha .

 CACHORRO .
 Conhecido como fiel amigo do homem , o cachorro est ligado a uma

 srie de supersties : 1 .
 O cachorro quando uiva est chamando infelicidade ,

 desgraa , para seu dono ; 2 .
 Cavando na porta da casa ou se cavar areia com o

 focinho , est cavando a sepultura do dono ; 3 .
  anncio de dinheiro quando o

 cachorro , com o focinho voltado todo para a casa , est cavando para fora ; 4 .
 

 sinal de mau agouro quando est dormindo com a barriga para cima ; 5 .
 Uivando na

 porta  sinal de felicidade para as pessoas de casa ; 6 .
 Quando est uivando 

 porque est vendo almas de outro mundo ; 7 .
 No  bom erguer o cachorro pelas

 orelhas para ele no ficar covarde ; 8 .
 Para o cachorro no pegar hidrofobia

 deve ter o nome de peixe ; 9 .
 Puxado pela cauda , o cachorro fica ladro ; 10 .

 Para curar tosse-de-cachorro nada como fazer um rosrio de sabugo de milho e

 coloc-lo no pescoo da pessoa doente .

 CAULA .
 Caula  o filho ou a filha mais nova do casal .
 Quando nasce outro

 filho o caula fica-no-canto isto  , perde todas as regalias , todas as atenes

 que antes lhe eram dispensadas , como o corao da galinha , as frutas mais

 maduras , os brinquedos mais bonitos .

 CADEIRAS-NA-CALADA .
 Antes da chegada da vitrola , do rdio e da televiso , era

 costume , nas noites de vero , as famlias colocarem cadeiras na calada , depois

 da ceia e ficarem conversando .
 As donas-de-casa trocavam receitas de bolo ,

 ensinavam remdios , contavam as fofocas dos namoros e dos casamentos desfeitos .

 As meninotas namoravam , de longe , seus bem-amados .
 E os meninos brincavam de

 dono-da-calada , de chicote-queimado .
 Os que estudavam e estavam adiantados ,

 brincavam de adivinhao .
 E quando o sino da matriz tocava as oito horas , todos

 se recolhiam para dormir .

 CADEMIA .
 Veja ACADEMIA

 CAF .
 O consumo do caf s se tornou popular no comeo do sculo XIX .
 Bebida

 estimulante , nutritiva , reconfortante , animadora , o caf  consumido pelos

 motoristas que dirigem  noite , para no dormir .
 Muitos remdios populares so

 feitos com o caf como , por exemplo , colocar p de caf nos ferimentos para

 estancar o sangue .
 Atirando-se o caf numa superfcie plana - a toalha de uma

 mesa , uma folha de papel ou uma parede - ele forma desenhos de animais , que so

 palpites para o jogo do bicho .
 A borra do caf serve para tirar mal cheiro das

 mos .

 CAFIOTO .
  o freqentador dos cultos afro-brasileiros .

 CAFUN .
 O cafun  feito com os dedos polegar e o anular cujas unhas produzem

 estalos na cabea da pessoa que est recebendo , como se algum estivesse

 catando piolhos em sua cabea .
 O cafun esteve em moda no sculo passado .

 Muitas sinhs gostavam de adormecer com uma escrava lhes dando cafuns .

 CAIAPS .
 Em So Paulo , nas cidades e vilas do interior , nas festas de Natal e

 Reis , bem como nas do Divino Esprito e do Sbado de Aleluia , um grupo de

 homens vestidos como ndios , guiado pelo cacique e um curumim ( menino ) , usando

 apenas instrumentos de percusso ( tambor , caixa , pandeiro , reco-reco ) dana o

 caiaps .
 Toda a dana se resume no seguinte : O curumim finge que est sendo

 perseguido por guerreiros brancos e cai morto .
 O cacique , danando em torno

 dele , ressuscita-o e vai em seguida , repetir a mesma dana em outro local .

 CAINDO-NAS-MOLAS. Passo da dana do frevo quando o passista , na ponta dos ps ,

 ora apoiado nos calcanhares , flexiona as pernas , alternadamente .

 CAIPIRA .
 O caipira ou matuto  o homem e a mulher que no moram nas cidades .

 Moram nas fazendas e no sabem se apresentar em pblico .
 Nos diversos Estados o

 caipira tem um nome diferente : roceiro ( Rio de Janeiro , Mato Grosso e Par ) ,

 tapiocano , babaquara e muxuango ( na regio de Goitacases ) , matuto ( Pernambuco ,

 Paraba e Rio Grande do Norte ) , casaca e baiano ( no Piau ) , curau ( em Sergipe ) ,

 e tabaru ( na Bahia , Sergipe , Maranho e Par ) .
 Jogo de caipira  o jogo de

 dados .

 CAIPORA .
  um duende , habitante do mato , que dizem ser o diabo disfarado em

 figura de gente .
 Outros afirmam que caipora  o mesmo que curupira , tendo os

 ps normais , mora nas matas e no tronco das rvores .
 H , tambm , os que dizem

 ser caipora ou caapora um pequeno ndio , de cor escura , que anda vestido com

 uma tanga , fumando cachimbo e que  doido por cachaa e por fumo .
 Os caadores

 levam pedaos de fumo em rolo que so colocados no tronco das rvores como um

 presente para caipora / curupiras .
 No Cear , aparecem montados num porco e tm os

 olhos em brasa .
 Em Pernambuco , apresentam-se com um p s que  redondo .
 A

 lenda da caipora / curupira corre o Nordeste todo .
 Diz-se que uma pessoa 

 caipora quando est sem sorte em tudo quanto faz .
 Caiporismo  a qualidade de

 quem  caipora .
 Na linguagem popular caipora  a pessoa que fuma muito , um

 cigarro atrs do outro .
 Veja CURUPIRA .

 CAJU .
 O caju  uma das frutas mais populares do Norte e Nordeste brasileiros .

 Como sua safra coincide com o comeo e o fim do ano , os ndios tupis costumam

 guardar uma castanha de cada colheita e assim eles sabiam quantos cajus ,

 quantos anos tinham de idade , de vida .
 Do caju nada se perde .
 Do pednculo se

 faz o vinho , o vinagre , o doce , o suco , o sorvete .
 A castanha , que 

 propriamente o fruto , serve para comer assada , para enfeitar os bolos e para

 servir de aperitivo .
 Da resina , faz-se uma goma que substitui a goma-arbica .

 Do fruto , das folhas e das razes o povo faz remdios para curar seus males .
 O

 caju tambm participa da linguagem popular , quando se diz : - " Besta  caju , que

 nasce de cabea para baixo " , ou - " Homem  como caju : sempre deixa um rano " .

 CALUNDU .
 At o final do sculo XVIII , calundu era a mesma coisa que macumba .

 Depois calundu passou a significar tambm mau-humor , neurastenia , irritao ,

 melancolia .

 CALUNGA .
 1 .
 Nos maracatus do Recife , calungas so duas bonecas ( ou s vezes uma

 s ) , representando Dom Henrique e Dona Clara , conduzidos pelos brincantes

 encarregados de angariar dinheiro .
 2 .
 Na linguagem popular , calunga  o homem

 que ajuda a colocar a carga nos caminhes .

 CAMA-DE-GATO .
 1 .
 Cama-de-gato  um divertimento infantil , com um cordo com as

 duas extremidades atadas , entrelaadas nos dedos das mos formando uma rede ,

 para que outra pessoa se apodere da brincadeira , transformando-a em outra mais

 difcil .
 2 .
 Na linguagem popular , cama-de-gato acontece nos jogos de futebol ,

 quando um dos jogadores pula para cabecear uma bola e um adversrio o escora

 pelas pernas , provocando desequilbrio e uma queda de mau jeito que pode ter

 srias conseqncias .

 CAMARINHA .
 1 .
  um esconderijo , na mata , usado pelos criminosos quando so

 perseguidos pela polcia .
 2 .
  o quarto de dormir na cantiga infantil : - " A

 bno , Dindinha sua / Me d po com farinha / Para eu dar  minha galinha / Que est

 presa na cozinha. / X , galinha !
 / Vai pra tua camarinha " .
 Assim , tambm 

 galinheiro , lugar onde as galinhas dormem .

 CAMBICA. D-se o nome de cambica a uma sopa feita de jerimum com leite de vaca

 e acar .
 J no Amazonas cambica  a polpa de frutas dissolvida no leite da

 vaca .

 CAMBINDAS. Folies vestidos de baiana que desfilam sem enredo no carnaval de

 algumas vilas e povoados nordestinos , ao som de qualquer orquestra .
 Surgiram

 antes do maracatu .

 CAMBITO .
 1 .
  perna fina , magra : - " Maria tem uns cambitos de fazer d !
 " 2 .

 Esticar o cambito significa morrer .

 CANDANGO .
 Candango era o nome dado pelos escravos africanos aos portugueses , em

 Angola , e aos senhores de engenho no Nordeste .
  uma palavra do dialeto

 quimbundo .
 Quando comeou a construo de Braslia , as pessoas que trabalhavam

 na construo civil tambm ficaram conhecidas como candangos .

 CANDOMBL .
  uma festa religiosa dos negros africanos do grupo jeje-nags na

 Bahia e que ainda hoje  mantida por seus descendentes .
 No Rio de Janeiro ,

 candombl  macumba .
 Em Pernambuco e Alagoas , candombl  xang .
 J na

 Argentina o candombl  diferente :  uma festa profana , parecida com reisado ,

 congos , maracatus , coroamento de reis nas festas de Nossa Senhora do Rosrio .

 Nos candombls onde a influncia mestia e indgena predomina , o candombl 

 chamado candombl-de-caboclo .

 CANGACEIRO .
 No Nordeste brasileiro , o cangaceiro era um criminoso que , isolado

 ou fazendo parte de um grupo , vivia assaltando e saqueando os fazendeiros , as

 cidades do Serto e do Agreste , lutando com as foras policiais estaduais , at

 que era aprisionado ou morto em combate .
 Para no serem assaltados , alguns

 fazendeiros eram amigos dos bandos de cangaceiros , dando-lhes dinheiro ,

 alimentao e escondendo os grupos nas matas de suas fazendas .
 Esses

 fazendeiros eram chamados de coiteiros .
 Os principais cangaceiros do Nordeste

 foram Antnio Silvino e Lampio .
 Em Minas Gerais , o cangaceiro chamado Antnio

 D tambm deixou sua marca de terror .

 CANGAO .
 Cangao  o nome que se d aos pequenos objetos , aos utenslios de

 famlias humildes , moblia de pobre .
 Tambm  troos , burundangas , cacarecos ,

 cangaado .
  bagao .
  o conjunto de armas conduzidas pelos valentes .
 No

 serto ,  tudo quanto um cangaceiro carrega : armas , bisacos com suprimento ,

 balas , alimentos secos , remdios populares , calas , camisas , etc .
 E vivem no

 cangao os bandidos , os assaltantes , os ladres de mo armada .

 CANHOTO .
 Canhoto  um dos muitos nomes pelos quais o Diabo  conhecido na boca

 do povo .
 Tambm  a pessoa que faz tudo com a mo esquerda , mo que tem mais

 fora , mais jeito para fazer as coisas .

 CANJICA .
  um dos pratos mais tradicionais das festas juninas do Nordeste .
 

 feita com milho verde ralado , ao qual se junta leite de vaca ou de coco , e

 acar .
 Depois de pronta , a canjica  colocada em pratos , enfeitando-se com

 canela em p , e com ela escrevendo-se as iniciais dos donos da casa ou da

 pessoa que fez a canjica .
 Em algumas cidades do sul chamam a canjica de

 mangunz , que  feito com gros de milho cozido com leite de vaca ou de coco .

 CANTADOR .
 O cantador  o nome que se d ao cantor popular nos estados do

 Nordeste , Leste e Centro brasileiros .
 Ele canta de improviso e as pessoas que

 esto escutando lhe do o mote ( dois versos ) e com ele faz seus versos , ao som

 da viola .
 Os cantadores tambm fazem desafios e pelejas entre si .

 CANTIGAS DE NINAR .
 Veja ACALANTO .

 CANTIGAS-DE-RODA .
 As cantigas-de-roda , trazidas pelos colonizadores

 portugueses , so muito populares no Brasil .
 As meninas , de mos dadas , formam

 uma roda e cantam " A barca virou " , " Atirei o pau no gato " , " Capelinha de

 melo " , " Caranguejo " , " Ciranda , Cirandinha " , " Terezinha de Jesus " , etc .

 CANTORIA .
  a disputa , o desafio ao som da viola entre dois cantadores cada um

 procurando diminuir o outro mas que , no final , tudo termina bem .

 CO .
 1 .
 O co  o Diabo na linguagem popular .
 E o Diabo tem muitos nomes na

 boca do povo : Capiroto , Capeta , Fute , Azarape , Belzebu , Bicho-Preto , Cafuu ,

 Canhoto , Demo , Esprito Maligno , Ferrabraz , Gato Preto , Imundo , Lcifer ,

 Mequetrefe , Nego , P-de-pato , Rabudo , Satans , Tinhoso .
 2 .
 Co tambm  o

 cachorro .
 3 .
 Co  uma bebida que se faz assim : pe-se no liqidificador , em

 alta velocidade , meio litro de cachaa-de-cabea , trs limes e trs maracujs ,

 meia xcara de mel de abelha , uma caixa ( das pequenas ) de passa sem sementes ,

 meia xcara de acar , uma colherinha de baunilha e duas colheres de sopa de

 chocolate em p .
 Depois a mistura deve ser coada em peneira fina para ser

 engarrafada e servida trs meses depois .

 CAPANGA .
 1 .
  o indivduo que  pago para ser guarda-costa , segurana de algum

 muito importante .
 2 .
 Tambm  uma pequena bolsa , presa  cintura , na qual so

 conduzidos os mais diversos objetos e dinheiro .

 CAPOEIRA .
 A capoeira  um jogo atltico ofensivo e defensivo , trazido para o

 Brasil pelos escravos bantos de Angola e que se espalhou pelo Recife , pela

 cidade de Salvador e pelo Rio de Janeiro , onde so encontrados os mestres

 conhecidos por sua agilidade .
 No comeo , a capoeira foi reprimida pela polcia

 e os capoeristas eram perseguidos e presos porque vinham no comeo dos blocos

 de carnaval e das bandas musicais que , quando encontravam seus adversrios , as

 pessoas lutavam , saiam feridas ou mortas .
 Atualmente , em quase todas as

 capitais , funcionam escolas de capoeira .

 CARACAX .
 Tambm conhecido como reco-reco , regue-regue , o caracax  feito com

 um pedao de bambu ou taquara com talhos transversais .
 A execuo  feita

 passando , sobre os talhos , uma vareta de madeira ou de ferro .

 CARIMB. 1 .
 O carimb  uma dana negra brasileira , de roda , da Ilha de Maraj

 e do Par .
 Num crculo formado por homens e mulheres , uma bailarina vestida de

 baiana vai para o centro e dana , requebrando-se ao som do carimb , pandeiro ,

 reco-reco e , s vezes , instrumentos de corda .
 2 .
 O carimb  um atabaque

 trazido pelos escravos africanos , feito de um tronco oco , medindo um metro de

 comprimento por 30 cm de dimetro .
 Numa das aberturas do tronco ,  aplicado um

 couro de veado sem pelos , bem esticado .
 O tocador do carimb senta-se sobre o

 tronco e bate com as mos no couro , numa cadncia prpria .

 CARIT .
 1 .
  uma prateleira presa  parede e que funciona como uma espcie de

 armrio das pessoas humildes , pobres .
 2 .
  uma choupana suja , casebre , quarto ,

 depsito de velharias onde so guardadas as coisas quebradas ou que no tm

 mais utilidade .
 3 .
 Tambm  o nome dado s moas velhas , solteironas , que

 passaram da idade de casar , como registra o cancioneiro popular : - " Bota p ,

 vitalina tira p , / Que moa velha no sai mais do carit !
 "

 CARNAVAL .
 At a metade do sculo XIX o entrudo ( nome que tambm se dava ao

 carnaval ) era brutal , jogando-se gua , farinha-do-reino , fuligem e goma para

 molhar as pessoas que caminhavam nas ruas das cidades do Norte , Nordeste ,

 Centro e Sul do Brasil .
 Atualmente o mela-mela ainda existe , no como

 antigamente .
 O carnaval , o futebol , o jogo do bicho e a cachaa so as grandes

 paixes do povo brasileiro .
 O Rio de Janeiro , com as suas escolas de samba ;

 Salvador , com seus trios-eltricos e Recife / Olinda - com seus blocos ( o Galo da

 Madrugada , o Bloco da Saudade , o Elefante , a Pitombeira dos Quatro Cantos ) e o

 frevo , so os principais plos do nosso carnaval que , todos os anos , atrai

 milhares de turistas vindos do mundo inteiro .
 As escolas-de-samba , os

 trios-eltricos , o frevo e o passo so manifestaes carnavalescas existentes

 somente no Brasil que tm o melhor e o mais animado carnaval do mundo .
 Os

 maracatus , os caboclinhos , os papangus , os bailes populares fazem a alegria de

 todos .
 No Carnaval , o povo esquece seus problemas para pular , danar e brincar .

 CARNE-DE-SOL .
 Veja CARNE-DO-CEAR

 CARNE-DE-VENTO .
 Veja CARNE-DO-CEAR

 CARNE-DO-CEAR .
 Tambm  o nome que se d  carne de charque , jab ou

 carne-do-rio-grande .
 Por incrvel que parea o charque comeou a ser feito no

 Cear ( em Camucim e Aracati ) e no Rio Grande do Norte , principalmente no lugar

 chamado Oficinas .
 Depois que o boi  abatido , sua carne  cortada em mantas ,

 salgadas , expostas ao sol e ao vento para secar .
 Em 1780 , o cearense Jos Pinto

 Martins fundou o primeiro fabrico de carne-do-cear no Rio Grande do Sul e

 comeou a abastecer a regio .
 Somente em 1821  que passou a carne-do-cear a

 ser conhecida como charque .
 Depois , o mesmo tipo de carne passou a ter outros

 nomes : carne-seca , carne-do-serto , carne-de-sol , carne-de-vento .

 CARNE-DO-SERTO .
 Veja CARNE-DO-CEAR .

 CARNE-SECA .
 Veja CARNE-DO-CEAR .

 CARPIDEIRAS .
 A carpideira  uma mulher que , mediante pagamento de uma quantia

 previamente combinada , chora o defunto alheio .
 No Brasil , no tivemos a

 carpideira , conhecida em quase toda a Europa ; a carpideira no somente chorava

 o defunto mas tambm cantava hinos religiosos .
 Os escravos africanos e os

 ndios brasileiros conheciam o trabalho da carpideira .
 No interior tivemos as

 choronas , que choravam o defunto , faziam quarto ao falecido e se encarregavam

 do velrio , cantando as incelncias .

 CARRANCA .
 Veja CABEA-DE-PROA .

 CARRANQUINHA .
  uma das mais antigas danas de rodas populares do Brasil .
 Sua

 origem  portuguesa e foi trazida pelos colonizadores .
 Feita a roda pelas

 meninas , de mos dadas , elas cantam : - " A dana da carranquinha /  uma dana

 deliciosa / Que bota joelho em terra / As moas ficam formosas. / Fulana levanta

 os braos / Fulana sacode a saia / Fulana tem d de mim / Fulana me d um abrao " .

 Segundo alguns pesquisadores , entre eles Waldemar de Oliveira , a dana das

 carranquinhas  uma corrutela nascida entre as crianas participantes daquele

 folguedo .
 Em vez de dana das tais anquinhas , ( o correto ) , elas modificaram

 para dana da carranquinha .

 CARROSSEL .
  um dos passos da dana do frevo .
 O passista comea a dana com o

 corpo agachado e depois , com os braos abertos e na ponta dos ps , gira o corpo

 como um carrosel , encontrado ainda hoje , embora com mais tecnologia , nas festas

 do interior e nos parques de diverses .

 CARTA-DA-SECA .
 Os sertanejos acreditam na carta-da-seca , um vento vindo do sul

 e que sopra nas madrugadas de alguns dias do ms de maro .
 Se assim acontecer ,

 o ano vai ser de seca , no vai chover ou vai chover muito pouco .

 CARTOLA .
 1 .
 Antigo chapu usado pela nobreza ; 2 .
  uma sobremesa feita com

 bananas fritas , queijo assado , acar e canela .

 CARURU .
 1 .
 O caruru  uma comida indgena feita com bredo ; 2 .
 Comida de So

 Cosme e Damio , o caruru  um prato afro-baiano feito conforme a receita que se

 segue : Quiabo cortado mido e cozido em caldo de peixe seco e temperado com

 sal , um dente de alho , cebola ralada , camaro seco batido no pano , pimenta

 ralada , quioi , castanha assada e moda , catassol torrado e azeite-de-dend .

 Alguns colocam sementes de jerimum torradas e modas com tempero , substituindo

 o egossi .
 No se cozinha caruru em panela de alumnio nem em panela de esmalte

 quebrado , pois fica escuro , com os caroos arroxeados .
 Os quiabos devem ser

 cortados em cruz no sentido longitudinal e depois , ento , em rodelinhas bem

 finas , e enxutos antes de serem cortados para no babar .
 Se depois de fervido

 persistir em babar , corta-se a baba com pingos de limo .
 As cozinheiras antigas

 cortavam a baba com a colher de pau numa tcnica toda especial .
 O caruru est

 bom de tirar do fogo quando o caroo do quiabo ficar cor-de-rosa .
 Joga-se uma

 poeira de farinha de mandioca ou flor-de-milho por cima e mexe-se bem para

 engrossar .
 Despeja-se numa tigela ou deixa-se na prpria panela de barro ,

 pondo-se mais azeite por cima .
 Come-se com arroz , aca , angu de bola de

 inhame , farinha seca , etc .
 O caldo , alm do peixe fresco , de preferncia

 garoupa , pode ser de siri , carne-do-serto , etc .

 CASA .
  onde as pessoas moram ou trabalham .
 Os portugueses trouxeram muitas

 supersties sobre a casa .
 Vejamos alguns exemplos : 1 .
 Casa de esquina , morte

 ou runa ; 2 .
 Casa do meio , vida sem receio ; 3 .
 Quando uma pessoa se muda , o

 dono da casa deve fechar a casa que deixou e abrir a nova residncia entrando

 com o p direito ; 4 .
 Nunca abrir a porta do quintal primeiro que a porta da

 casa ; 5 .
 No passar pelas janelas os alimentos j preparados ; 6 .
 Na mudana , a

 primeira coisa que se manda para a nova casa  o sal , a segunda  o carvo e a

 terceira  a farinha .
 A nova casa deve ser varrida a primeira vez com uma

 vassoura nova e a mesma pessoa que varreu deve apanhar o lixo ; 7 .
 Duas

 vassouras varrendo a mesma casa varrem tambm a felicidade ; 8 .
 Quem apanha o

 lixo que outra pessoa varreu , leva todo o bem que possa acontecer a quem morou

 antes na casa ; 9 .
 A mudana de uma casa para outra deve ser feita nos dias de

 sbado , porque o primeiro dia que a famlia passar na nova morada deve ser o

 domingo , que  o dia de Deus ; 10 .
 Sair de casa quando o sino da igreja estiver

 tocando ao meio-dia traz infelicidade , desgraa .
 O oratrio ( pequeno mvel

 envidraado onde esto guardadas as imagens dos santos da famlia ) deve ficar

 voltado para a rua .
 Na linguagem popular , casa-de-chapu  um lugar muito

 longe , distante , no fim do mundo ; casa-de-noca , casa-de-me-joana ,  o lugar

 onde todos mandam .
 A sabedoria popular ensina : casa de ferreiro , espeto de pau ;

 quem casa quer casa .

 CASACA .
 Tambm conhecida como canz , ganz , canzaca e reco-reco , casaca  um

 instrumento musical usado nas bandas de congo em quase toda as cidades do

 Esprito Santo , e  feito com um cilindro de pau , medindo uns 70 cm , escavado

 na parte superior , coberto por uma tala de bambu dentada .
 A escavao  a caixa

 de ressonncia .
  a denominao do caipira no Piau .

 CASA-DE-FARINHA .
  onde se fabrica a farinha de mandioca .
 A casa-de-farinha 

 composta das seguintes partes : 1 .
 O rodete , que tritura a mandioca , depois de

 descascada ; 2 .
 A prensa , que extrai o lquido ( manipueira ) da mandioca

 triturada ; 3 .
 O forno , onde , finalmente , a farinha fica pronta .
 Na

 casa-de-farinha tambm  feito o beiju .

 CASA-DO-FREVO .
 No dia 10 de fevereiro de 1984 , por iniciativa da Fundao de

 Cultura Cidade do Recife , foi instalada a Casa-do-Frevo , espcie de museu , onde

 so expostos trofus , estandartes , partituras e tudo que diga respeito 

 histria do Carnaval pernambucano .

 CASAMENTO .
 Por meio do casamento  que comea a existir a famlia .
 As

 supersties ligadas ao casamento so em grande nmero e fazem parte das

 crendices de todos os povos .
 No  bom casar nos dias de domingo .
 Moa que casa

 no dia 26 de julho , dia de Nossa Senhora Sanlona , morre de parto .
 A noiva no

 deve dar seu vestido e seus sapatos e se der ,  a mesma coisa que estar dando ,

 aos outros , a sua felicidade .
 Escreve-se o nome das moas no solado do sapato

 dos noivos ; quem assim fizer , casa logo .
 O noivo s pode ver a noiva com seu

 vestido de noiva no dia do casamento ; se assim no acontecer , o casamento ser

 infeliz .
 No dia do casamento os noivos no podem olhar para trs , tanto na ida

 como na vinda da igreja .
 Os noivos sero felizes se chover durante ou depois da

 cerimnia .
 A noiva deve comear o baile danando com o marido ou com seu

 padrinho-de-casamento .
 Na igreja , a noiva , de costas para a assistncia , joga

 seu bouquet ; a moa que conseguir pegar o bouquet casar logo .

 CASCABULHO .
  a casca do milho depois de descascado .
  coisa sem valor que se

 joga fora .
  tudo quanto no presta , no tem utilidade .

 CATIMB .
  feitio , coisa-feita , canjur , muamba .
 Tambm  conjunto de regras e

 cerimnias que devem ser obedecidas durante a feitura do encanto .
 O catimb no

  religioso e no tem ritos do candombl baiano , do xang pernambucano ,

 sergipano ou baiano , nem da macumba carioca .
 Catimb quer dizer cachimbo , usado

 pelo mestre de cerimnia para defumar os assistentes com sua fumaa e receber o

 esprito de um mestre defunto , mestre Carlos , Xaramundi , Pinavaruu , Anambar ,

 Faustina , indgenas , negros feiticeiros como pai Joaquim , bons e maus .

 CATUCAR-O-CO-COM-VARA-CURTA. Catucar , no Nordeste ,  variante de CUTUCAR , e

 CO  o diabo .
 Essa expresso popular diz respeito a quem comete qualquer ato

 sem que tenha condies de faz-lo .

 CAVALHADA .
 A cavalhada  um desfile de cavaleiros montados em seus cavalos ; 

 uma corrida de cavalos ;  um jogo de argolas .
 Os desfiles de cavaleiros nas

 festas oficiais e nas festividades sacras , desde os romanos , eram um

 acontecimento que juntava muita gente .
 Mas a cavalhada mais em voga atualmente

  a manifestao folclrica que consiste no seguinte : Os cavaleiros sempre em

 nmero par , se vestem de branco e azul .
 Cada ala tem o seu maquinador .
 O

 maquinador da direita  do Cordo Encarnado e denomina-se Roldo ; e o

 maquinador da esquerda , do cordo azul , denomina-se Oliveiros .
 Empunhando

 lanas , os cavaleiros procuram tirar as argolas que esto penduradas por

 cordes que atravessam o trajeto .
 Depois da corrida de argolinhas , os

 cavaleiros , em ordem , vo render graas diante da capela ou da igreja e

 desfilam ao som de uma banda de msica ou de uma banda cabaal .
 Alguns

 cavaleiros oferecem as argolinhas conquistadas s suas noivas , namoradas ou

 esposas .

 CAVALO .
 Desde a mais remota antigidade , principalmente , no ciclo do gado , o

 cavalo  o animal favorito de todos os povos .
 A posio social do homem do

 interior ainda  medida pelo cavalo que possui .
 Se o homem tiver um cavalo

 bonito , grande , de longas crinas e de boa raa ,  de uma pessoa importante .
 Mas

 se aparecer montado num pangar , sua importncia social  pequena .
 Na

 antigidade , no tempo das cruzadas , o guerreiro tinha que ter um bom cavalo

 para mostrar seu valor social e sua arte de guerrear .
 Os vaqueiros , os gachos ,

 os fazendeiros tm sempre um cavalo , bom , dentro de suas limitaes

 financeiras .
 No folclore , o cavalo participa das cavalhadas , das vaquejadas .
 Na

 linguagem popular , cavalo batizado  a pessoa que come muito , estpido ,

 ignorante , grosseiro .
 Cavalo-do-co  todo homem que  metido a brabo ,

 valento .

 CAVALO-DO-RIO .
  um animal encantado que vive no Rio So Francisco e que tem o

 poder de perseguir embarcaes , virando-as .
 Para afugentar o cavalo-do-rio nada

 como sua escultura colocada na proa das canoas .

 CAVALO-MARINHO. 1 .
  um animal encantado que vive no mar ou nos rios .
 Sua

 origem  oriental .
 Muito branco , com as crinas e cauda de fios dourados , o

 cavalo-marinho aparece nos contos , nas estrias tradicionais de muitos povos .

 2 .
 No bumba-meu-boi o cavalo-marinho  um dos principais personagens .
 Aparece

 com o traje de capito , com seu chapu armado e dragonas , montado no seu

 cavalo , mas fingidamente , com uma armao presa  cintura , para representar o

 animal .
 Tambm aparece no bumba-meu-boi montado num cavalo de pau , trazendo na

 garupa a Zebelinha , sua filha , ladeada por dois meninos Galante e Arrelequinho ,

 vestidos com roupas espalhafatosas , berrantes .
 3 .
 Cavalo-marinho tambm  nome

 de um inseto .

 CAVAQUINHO .
 De origem popular ,  um instrumento de cordas , menor do que o

 violo e a viola , muito usado nas orquestras populares .
 2 .
 Tambm  um biscoito

 de farinha de trigo , em forma de cone , vendido na periferia das cidades , nas

 praias e cidades do interior , ao som de um tringulo .

 CH .
 Originrio da China , o ch  uma infuso feita com folhas de certas

 plantas .
 O ch tanto pode ser usado na alimentao como tambm ser feito com

 folhas de plantas medicinais , no combate a certos males .
 Na linguagem social ,

 ch-danante  uma reunio danante que comea  tardinha ,  hora do ch , e vai

 at certa hora da noite , sem que as pessoas estejam vestidas a rigor .

 Ch-das-cinco  uma refeio leve , servido mais ou menos s 17 horas , com ch ,

 torradas e bolos .
 Ch-preto  o ch feito com folhas torradas depois de

 fermentadas .
 Na linguagem popular , no tomar ch em pequeno  ser pessoa mal

 educada .
 Tomar ch  gracejar , brincar .
 Tomar ch-de-cadeira  no ser , uma

 moa , convidada para danar nos bailes .
 Tomar-ch-de-sumio  desaparecer .

 Ch-de-burro  o mesmo que manguz ( mangunz ) ou munguz ( mungunz ) .

 CH-DE-BURRO. Manguz ou mangunz .

 CHAMA .
  um instrumento de sopro que imita o canto dos pssaros e aves ,

 atraindo-as para a mira do caador .
  o mesmo que pio .

 CHAPU .
 O chapu fazia parte , at certo tempo , da elegncia das pessoas .

 Atualmente , o chapu  raramente usado .
 S os chapus-de-palha so vistos no

 interior , protegendo a cabea dos que trabalham na agricultura .
 As crendices

 que o povo criou em torno do chapu so numerosas e interessantes : 1 .
 Mulher

 no deve botar chapu de homem na cabea porque pode brigar com o dono do

 chapu ; 2 .
 Fazer as refeies com o chapu na cabea pode afugentar Jesus

 Cristo ou o Anjo da Guarda que sempre assistem s refeies ; 3 .
 Entrar em casa

 com o chapu na cabea  chamar a morte ou a infelicidade nos negcios ou na

 sade .

 CHARQUE .
 Veja CARNE-DO-CEAR .

 CHARUTO .
  uma bebida feita com vinho e mel de abelha .
 Os negros eram chamados

 de charutos por causa da cor .

 CHAVE .
 Usada como amuleto , a chave significa o poder de abrir e fechar , ligar e

 desligar , afastar todas as dificuldades .
 Feita de prata , de ouro ou de platina ,

 a chave  muito usada como adorno feminino , nas pulseiras e nos colares .
 A

 chave  muito citada nas oraes populares e nas demais .
 Do catimb e magia

 branca , uma chave virgem  usada para fechamento do corpo contra tiros e

 facadas .

 CHEIRO .
 O cheiro  uma carcia chinesa .
  comum no Nordeste o cheiro em vez do

 beijo , especialmente nas crianas .
 Os chineses no do beijo ; aproximam a boca

 e o nariz do rosto da pessoa e aspiram o cheiro que as pessoas tm .
 Eles

 cheiram as moedas para saber se elas so de ouro ou falsificadas .

 CHICOTE-QUEIMADO. Trata-se de uma brincadeira em que uma criana tenta alcanar

 as outras batendo com um leno enrolado , em forma de chicote .
 Tambm 

 conhecida como chicote-queimado a brincadeira em que uma criana esconde um

 objeto qualquer que dever ser procurado pelas outras .
 Cada vez que uma das

 crianas se aproxima do lugar onde o objeto est escondido , a pessoa que

 escondeu o objeto , vai dizendo : - Est quase quente !
 ou Est quente !
 Se a

 criana se afasta do esconderijo ,  advertida : - Est frio !
 Quando o objeto 

 encontrado , a pessoa grita : - Chicote queimado !
 A criana que achou o objeto

 escondido passa a comandar a brincadeira .

 CHINA .
  chamada de china a mulher de ndio , mulher morena de cor carregada e

 tambm a mulher pblica .
 O diminutivo chinita  muito usado para moas do

 interior , muito citado em poesia e cantos regionais ( RS ) .

 CHORO , CHORINHO .
 1 .
 O conjunto de instrumentos , como flauta , bandolim ,

 clarinete , violo , pisto e trombone , um deles fazendo solo .
 2 .
 Tambm  a

 msica tocada por esse grupo de instrumentos .
 3 .
 O choro  carioca e choro  o

 msico que toca choros .

 CHORONAS .
 Veja CARPIDEIRA

 CHOURIO .
  um doce feito com sangue de porco e especiarias , conhecido em

 Portugal com o nome de morcela .
 Vejamos como se faz o chourio nordestino e

 quais so seus ingredientes : lingia , geralmente feita em casa , tripa cheia de

 carne de porco picada e temperada , ou de sangue cozido com temperos .
 Faz-se o

 chourio assim : uma tigela de farinha de mandioca bem peneirada e outra tigela ,

 do mesmo tamanho , contendo os seguintes temperos : erva-doce , pimenta-do-reino

 bem picada , um pouco de gengibre pisado com um pouquinho de farinha , cravo

 picado , castanha de caju assada bem seca , gergelim pisado com um pouquinho de

 farinha de mandioca e , tudo bem peneirado , misturar tudo , bem misturado .
 Faz-se

 mel da rapadura , esfria-se e mistura-se no fogo brando com o sangue de porco

 at ferver , mexendo-se com colher de pau para no encaroar .
 Depois de bem

 fervido , coa-se e adiciona-se a farinha e os temperos .
 Depois , vai-se

 despejando , devagar , a banha derretida , mexendo-se sem parar em fogo esperto

 para que a mistura fique perfeita .
 O chourio s fica pronto , no ponto de tirar

 do fogo , quando vai desapregando do tacho .
 O chourio leva duas horas para

 ficar pronto .
 Enfeita-se , finalmente , com castanhas de caju assadas , inteiras e

 come-se frio , com farinha bem fina .

 CHULA .
  um canto e dana , independentes .
  bailado no Rio Grande do Sul ,

 danado por homens numa coreografia agitada , ginstica , difcil .
 Chula tambm 

 um canto profano conhecido como fandango .
 A chula gacha  um bailado como se

 as pessoas estivessem pisando em uvas ; a chula cantada  danada por mulheres e

 rapazes que bailam acrobaticamente .
 A chula est quase desaparecendo .

 CHUPA-CABRA .
  uma espcie de lobisomem que comeou a aparecer no Mxico e que ,

 faz pouco tempo , tambm em So Paulo .
 O chupa-cabra chupa sangue de ovelhas e

 de outros animais do mesmo porte .
 Diz o povo que o chupa-cabra tem dois metros

 de altura , mais ou menos , e  meio bicho e meio homem .

 CHURRASCO .
  uma comida do gacho .
  a carne de espeto assada rapidamente ,

 comida com farinha e , s vezes temperada com molho de salmoura ou gua de sal .

 O churrasco se espalhou por todo o pas e  apreciado por milhes de

 brasileiros .
 Nos Estados Unidos tem o nome de barbecue .

 CHUVA .
 Sem a chuva , a vida seria de todo impossvel .
 Quando chove , a terra fica

 molhada e em condies de receber sementes que geram a alimentao dos homens e

 dos animais ; os rios aumentam seu volume d'gua e se tornam navegveis , alm de

 aumentar a quantidade de peixes ; as represas armazenam gua para fornecer

 energia eltrica e iluminar as casas e fazer com que as fbricas nos forneam

 alimentos , vesturios , aparelhos eletrnicos nas casas , nos hospitais .
 A chuva

  , pois , um presente da natureza .
 Quando a estiagem  prolongada no Nordeste ,

 os homens migram , os animais morrem por falta de gua e pastagem .
 O povo faz

 procisses , cantando benditos , novenas e reza para que a chuva faa cessar seu

 sofrimento .
 A sabedoria popular  prdiga no que se refere aos prognsticos da

 chuva : 1 .
 Se o dia 1 de janeiro for um dia limpo , o ano ser bom de inverno ;

 mas , se for chuvoso , indica que o inverno ser fraco ; 2 .
 Se no dia 1 de

 janeiro ou no dia de Natal o Sol nascer detrs de uma barra escura , o inverno

 ser bom ; 3 .
 Com chuvas parciais em outubro , pequena vegetao verde e

 relmpagos para o poente , o inverno ser bom ; 4 .
 Se chover em novembro , o

 inverno ser ruim ; 5 .
 Se na vspera de Natal o dia tiver algum sinal de chuva ,

 o inverno ser bom na certa .
 E uma quantidade enorme de prognsticos garante um

 bom ou um mau inverno .

 CIGANOS .
 Os ciganos saram da ndia e hoje esto em todos os pases do mundo .

 No Brasil , eles comearam a aparecer no sculo XVI , exercendo sempre as mesmas

 profisses : soldadores , caldeireiros , trocadores de animais , enquanto as

 mulheres continuam lendo a sorte das pessoas na palma das mos .
 Os ciganos no

 tm um lugar certo para morar .
 Esto sempre na estrada , percorrendo cidades ,

 vilas e povoados .
 So , assim , um povo nmade .
 Os ciganos gostam de festas ,

 msicas e danas ; as mulheres usam saias longas , lenos na cabea , muitos

 colares , pulseiras e brincos .

 CIGARRA .
 A cigarra  um inseto homptero , que muda de casca .
 Quando canta est

 chamando o sol , anunciando que o vero vai ser longo .
 A cigarra tambm anuncia

 chuva , segundo outras pessoas .
 Na Grcia , acredita-se que o canto da cigarra

 provoque o sono .

 CINZA .
 A cinza , sempre foi o smbolo da humildade , do arrependimento , da

 penitncia .
 Cobrir-se , a pessoa , de cinzas  o mesmo que pedir , a Deus , o

 perdo de suas culpas .
 Quando a quaresma comea na quarta-feira de cinzas , o

 sacerdote faz , na testa dos penitentes , uma cruz com a cinza das palmas que

 sobraram do Domingo de Ramos , depois de queimadas .
 As cinzas so atiradas no ar

 para fazer com que as tempestades terminem .
 Colocadas nas soleiras das portas ,

 impedem a entrada dos entes malvados e poderosos , perturbadores do sono das

 crianas que no foram batizadas .
 No catimb , as cinzas tm o mesmo poder do

 sal .
 As coisas feitas , muambas , feitios , eb , perdem seu poder quando

 enterrados nas cinzas .

 CIRANDA .
 1 .
 Dana infantil , de roda , vinda de Portugal , danada por adultos e

 muito em voga no Brasil ; 2 .
 Samba rural em Parati , Estado do Rio de Janeiro ; 3 .

 Dana de adultos em So Paulo , em rodas concntricas : a roda dos homens por

 dentro e a roda das mulheres por fora ; 4 .
 Em Pernambuco , principalmente na Ilha

 de Itamarac ,  muito conhecida a ciranda de Lia , de Lia de Itamarac , como 

 conhecida de todos .
 Homens e mulheres de mos dadas , na praia , nas noites de

 luar , danam a ciranda ao som das batidas das ondas do mar .

 CRIO DE NAZAR .
  uma festa religiosa que acontece no segundo domingo de

 outubro , na cidade de Belm , Par , desde a segunda dcada do sculo XIX , e que

 consegue reunir milhares de fiis que acompanham a procisso da imagem de Nossa

 Senhora de Nazar .
 Os fiis pagam suas promessas com ex-votos , velas , flores e

 dinheiro .
 A festa consta dessa procisso , chamada de Crio de Nazar .

 CISMA .
 Cisma  a desconfiana , a suspeita , um aviso misterioso que a pessoa

 sente ao tomar conhecimento de um fato , de uma informao que no lhe parea

 verdadeira .
 A pessoa fica cismada , desconfiada : - " Fiquei cismado com a estria

 que Joana me contou !
 " .
 A pessoa fica sem saber se acredite ou no .

 COBRAS .
 As cobras so divididas pelo povo em cobra de sangue frio - que so as

 venenosas - e as cobras de sangue quente - que no so venenosas .
 H um santo

 que manda nas cobras , que lhe obedecem cegamente :  So Bento .
 Quando uma

 pessoa v uma cobra  bom rezar : - " Esteja presa , por ordem de So Bento !
 " e a

 cobra fica imvel enquanto a pessoa segue seu caminho .
 Quando uma pessoa vai

 passar por um lugar que tem muita cobra deve rezar : - " So Bento , po quente , /

 Sacramento do altar / Toda colina do caminho / Arrede que eu vou passar !...
 " O

 nmero de crendices e supersties sobre a cobra  muito grande : 1 ) Assobiar de

 noite , chama cobra ; 2 ) Cobra no morde quem traz azougue ( mercrio ) no bolso ;

 3 ) Certas cobras ,  noite , procuram entrar no quarto das mulheres que tiveram

 menino para roubar o leite dos filhos e , para que os meninos no chorem , essas

 cobras botam a pontinha da cauda na boca do menino , como uma chupeta ; 4 ) Quando

 uma mulher v uma cobra vira o cs da saia e a cobra fica parada .
 H uma

 quantidade enorme de estrias , de lendas sobre as cobras .

 COBRA-ENCANTADA .
 A cobra-encantada  uma tradio conhecida na maior parte do

 Brasil .
  uma princesa muito bonita condenada a viver como uma serpente , at

 que aparea um homem de muita coragem que quebre seu encanto , restituindo-lhe

 sua antiga forma humana de moa encantadora .
 Para quebrar seu encantamento 

 preciso sacrificar a vida de um cristo , e molhar a cobra com seu sangue .
 Ou

 basta ferir a cobra-encantada para que ela volte a ser uma pessoa .

 COBRA-GRANDE .
 Veja BOIUNA .

 COBREIRO .
  uma erupo da pele .
 O povo diz que quando uma cobra passa por

 qualquer parte do corpo de uma pessoa , no lugar da passagem deixa o cobreiro .
 A

 inflamao provocada pelo cobreiro  capaz de matar a pessoa , caso o comeo e o

 e o fim do cobreiro se encontrarem .
 Um remdio bom para curar o cobreiro  esta

 orao : - " Pedro , que tendes / Senhor , cobreiro. / Pedro , curai / curai com que ?
 /

 gua das fontes , / Ervas dos montes " .
  herpes , fogo selvagem ,

 fogo-de-santo-antnio .

 COCADA .
 A cocada  um doce muito popular .
  feito com coco seco , raspado , com

 acar branco ( cocada branca ) ou com acar escuro , mascavo ( cocada preta ) .

 Depois do doce feito  espalhado num tabuleiro para secar e ser cortado em

 pedaos quadrados ou em forma de disco .
 Na linguagem popular , cocada  o mesmo

 que se dar um bofeto , tapa , cocorote , murro na cabea ou na face .
 Tambm 

 elogio fcil , conversa-fiada ou conversa-mole .
 Fazer cocada  o namoro-grudado ,

 chamego .

 COCO .
 1 .
 O coco  uma fruta tpica das praias do Nordeste .
 Tem mil e uma

 utilidades .
 Sua folhas servem para cobrir as casas dos pescadores .
 Do fruto ,

 fazem-se vrios doces , entre os quais a baba-de-moa , e a cocada .
 A gua de

 coco  muito saudvel .
 Na Segunda Grande Guerra Mundial , num dos hospitais

 americanos situados no Pacfico , alguns feridos em combates estavam condenados

  morte por falta de soro fisiolgico .
 Um dos mdicos teve a idia de

 substituir o soro em falta pela gua de coco verde , depois de filtrada , obtendo

 timos resultados .
 Do tronco do coqueiro so feitos bonitos e diferentes

 mveis .
 Do endocarpo , a quenga do coco , so feitas vrias peas de artesanato .

 Do coco , tudo se aproveita e sua presena na culinria nordestina  enorme : na

 canjica , nos bolos , nas mais variadas guloseimas o coco d o ar de sua graa ,

 de seu sabor ; 2 .
 O coco tambm  uma dana popular nordestina , das praias e do

 Serto .
  uma roda de homens e mulheres com o solista no centro , cantando e

 fazendo passos figurados at que se despede , convidando o substituto escolhido

 com uma umbigada .
 Os instrumentos que animam o coco so de percusso , como

 cucas , pandeiros , ganzs e bombos .
 Alguns estudiosos acham que o coco  a

 fuso da musicalidade cabocla e da negra .

 COCHO .
 1 .
  o nome que se d a um recipiente feito do tronco de uma rvore ou

 at mesmo de tbuas e que serve para colocar a comida de animais ; 2 .
 Tambm  a

 denominao que se d a uma viola de cinco cordas feitas de tripas de mico ou

 de coati , ainda muito usada em Mato Grosso .

 COC .
 Veja TOT .

 COITEIROS .
 Eram os fazendeiros que se tornavam amigos dos cangaceiros ,

 dando-lhes comida , balas , armas , dinheiro , para no sofrerem violncia da parte

 deles , escondendo-os em suas matas , em suas fazendas .

 COISA-FEITA .
 Veja CATIMB .

 COMADRE FULOZINHA .
  uma caboclinha de grande cabeleira derramada nas costas ,

 servindo-lhe de chicote .
 Ela tem os olhos escuros ,  zombeteira , malvada , e

 vive na Zona da Mata de Pernambuco .
 Tem o poder de se transformar ora em

 mocinha , ora em animais , ora em um menino magro .
 Ela desaparece sem deixar

 rastro .
 Uma das suas distraes  fazer tranas nas caudas dos cavalos ,

 surrando os cachorros que encontra na mata e desorientando os caadores com

 seus assobios .
 Ela protege a caa contra os caadores .
 Orgulha-se de sua

 ascendncia selvagem .
 Como a curupira , detesta pimenta no seu mingau .
 A Comadre

 Fulozinha gosta muito  de fumo .
 Veja CURUPUIRA .

 COMER-SAFADO .
  passar mal , sofrer dificuldade , na linguagem popular do

 Nordeste .

 COMIDA .
  um momento sagrado e de muito respeito quando a famlia se rene 

 mesa para fazer as refeies : no se come  mesa conduzindo armas , com chapu ,

 ou despido .
 No se deve pronunciar palavres nem fazer gestos obscenos .
 No se

 deixa o po cair no cho .
 Lavam-se as mos antes e depois das refeies .
 Os

 romanos costumavam beijar a mesa .
 O povo estabeleceu uma srie enorme de tabus

 alimentares .
 Leite com manga , faz mal .
 Comer carne e peixe na mesma refeio

 faz com que a pessoa fique doente de morfia .
 Se a pessoa tomar vinho e chupar

 manga , morre envenenada .
 Chupar manga e abacaxi numa mesma refeio faz muito

 mal , principalmente se a pessoa for uma mulher e estiver menstruada .
 Comer

 piro quente e beber gua gelada , em seguida , a pessoa pode morrer .

 COM-UM-OLHO-NO-PADRE-E-O-OUTRO-NA-MISSA .
 No perder nada de vista ; observar

 tudo que se passa , tudo que est acontecendo .

 CONFETE .
 Minsculas rodelinhas de papel , das mais variadas cores , jogadas

 entres folies nos bailes de carnaval .
 De origem italiana ou espanhola , o

 confete enfeita muito o carnaval nos clubes nas ruas .
 Apareceu no carnaval

 brasileiro do ano de 1892 .
 De l pra c , o confete continua existindo e sendo

 motivo at de batalhas , batalhas de confete .
 Em 1970 , na cidade Bauru , SP , foi

 inventado um canho que ao invs de balas jogava confetes que se espalhavam com

 facilidade , como uma chuva .

 CONGADAS , CONGADOS , CONGOS .
 De motivao africana as congadas , os congados , os

 congos so autos ( peas dramticas ) populares brasileiros representados no

 Norte e Sul do pas .
 Os elementos de formao so : coroao dos reis de congo ;

 prstitos e embaixadas ; reminiscncias de bailados guerreiros e a

 reminiscncias da Rainha Njinga Nbandi , Rainha da Angola , falecida em 1663 ,

 defensora de seu reinado , contra o domnio dos portugueses .

 CONSELHEIRO .
 Antnio Conselheiro , Bom Jesus Conselheiro , Santo Antnio

 Aparecido foram apelidos dados pelos jagunos de Canudos ao seu chefe Antnio

 Vicente Mendes Maciel , nascido em Quixeramobim / CE , em 1828 , e que morreu de

 disenteria no curral de Canudos , em setembro de 1897 , no serto da Bahia .
 Por

 vrios motivos abandonou sua terra e saiu , vestido de monge , pregando uma moral

 rgida e severa e , em pouco tempo , foi seguido por uma multido de homens e

 mulheres .
 Depois de percorrer Sergipe , escolheu o interior da Bahia  margem do

 Rio Vasa Barris , onde fundou o povoado de Canudos .
 Srio , exigente , casto ,

 Antnio Conselheiro dominou a populao da regio que lhe dava ttulos divinos

 e lhe obedecia cegamente .
 Ajudado por seus seguidores , Antnio Conselheiro

 construiu igrejas , cemitrios , e pregou seu Evangelho , como um santo .

 Aconselhava prolongados jejuns , combatia o uso de bebidas .
 Com a proclamao da

 Repblica em 1889 , Antnio Conselheiro permaneceu monarquista , sem reconhecer

 as leis republicanas nem o casamento civil .
 Ele era uma espcie de santo vivo .

 Dizem at que fazia milagres .
 E ele ia vivendo em paz com seu povo ,

 completamente ilhado do resto do mundo .
 Um dia , houve um caso com o Comissrio

 de Polcia do Juazeiro , por causa de umas madeiras que o Conselheiro lhe

 comprara mas no lhe haviam sido entregues .
 O Comissrio , aproveitando-se do

 cargo , tornou-se violento e os seguidores do Conselheiro reagiram  violncia

 policial .
 Canudos se transformou num foco de insubmisso , de rebeldia .
 E quatro

 foras policiais bem armadas foram enviadas para combater o que o governo

 chamava de insubmisso .
 Os seguidores do Conselheiro , mal armados , conseguiram

 resistir s quatro foras policiais bem armadas e com muitos soldados .
 Para

 terminar o caso , o governo mandou uma tropa do Exrcito e das Polcias

 Estaduais composta de quase 5.000 homens , armados at com canhes , sob o

 comando do general Artur Oscar de Andrade Guimares , que cercou Canudos , e seus

 canhes destruram toda a Vila de Canudos , matando seus habitantes com exceo

 de poucas pessoas que sobraram para contar como tudo aconteceu .

 CORDO .
 Durante os dias de carnaval desfilam , pelas ruas , os cordes , grupos de

 folies fantasiados , cantando e danando .
 Fazem parte dos cordes : mascarados ,

 velhos , palhaos , diabos , rei , rainha , ndios , baianas e outras pessoas

 vestindo as mais estranhas fantasias como a de alma , de pirata , etc .

 CORDO-DOS-BICHOS .
 Fundado por Vicente de Almeida e Aladim Ponce desfilou , pela

 primeira vez , na cidade de Tatu , SP , o cordo-dos-bichos , composto de animais

 feitos de madeira , papelo , estopa e arame .
 Em 1980 um incndio destruiu todos

 os animais do cordo , que foram refeitos com o auxlio da Prefeitura e do povo

 da cidade .

 CORDO-DOS-PSSAROS .
 Desde o incio do sculo passado , o cordo-dos-pssaros j

 existia no Par , um auto popular que ainda no se conseguiu saber sua origem .

 Em algumas cidades do Estado , durante o ms de junho , o cordo-dos-pssaros

 surge como uma manifestao folclrica prpria da regio , na cidade de So

 Caetano de Odivelas , a 110 km de Belm , Par , os cordes de Bode Montez , Lhama ,

 Zebra e o famoso Boi Tunga , fazem a alegria do povo .
 Seu enredo  parecido com

 o dos autos dos boi-bumbs , com a morte e ressurreio do animal e com a

 incluso de novos elementos .
 Na mesma festividade junina os bois danam no

 terreiro e , os cordes-de-pssaros , nos teatros e nos coretos .
 Dos temas que

 motivam a brincadeira alguns giram em torno de nobres e coronis .
 O cenrio  o

 ambiente rural , envolvendo o nordestino que deixa sua terra para se dedicar 

 pecuria e  extrao da borracha nos seringais .
 Os pssaros pertencem s

 filhas dos donos das fazendas e vivem como encantados .
 Um dia , em seu passeio

 pelas matas , as aves , so cobiadas pelos caadores e feiticeiros .
 O caador ,

 entretido com a beleza do belo animal , atira nele o rouba .
 Esta cena gera toda

 a ao do espetculo .
 Da por diante o animal volta  vida e  curado .
 Um mundo

 de coisass acontece no cordo-dos-pssaros e do boi-bumb .

 COR-DE-BISPO .
  o nome que o povo d  cor escarlate ou solferina .
 Tem este

 nome porque  a cor de uma parte da veste usada pelos bispos da Igreja Catlica

 CORES .
 As cores sempre tiveram um significado especial .
 A cor preta  sinal de

 luto , de morte .
 A cor branca significa paz , pureza , alegria .
 A cor vermelha

 traduz o sangue ,  vida .
 A cor roxa  uma cor triste .
 Nos cultos

 afro-brasileiros , o branco  a cor de Oxal .
 O vermelho  cor de Xang , a cor

 de Omulu  a preta , a de Anamburucu  azul-escuro .
 Os catlicos , em suas

 promessas , se vestem de azul , quando  promessa feita a Nossa Senhora ; azul e

 branco , quando  feita a Nossa Senhora de Lourdes ; branca e marrom ,  Santa

 Terezinha ; vermelho e branco ao Sagrado Corao de Jesus ; branco , a So Joo

 Batista ; e roxo , a Nosso Senhor dos Passos .
 Nos bailes de pastoris os cordes

 azul e vermelho so rivais seculares .
 Com a roupa branca , meninos e meninas

 fazem a primeira comunho e os rapazes e moas casam .
 Em Portugal a cor branca

 era a cor de luto .
 O amarelo , entre os Judeus , era a cor da traio .
 O

 riso-amarelo , na boca do povo ,  o riso falso , mentiroso , da boca para fora .

 CORPO FECHADO .
 Diz-se que uma pessoa tem o corpo fechado quando no  atingida

 por bala , faca , coice de animal .
 A pessoa consegue ter o corpo fechado quando

 traz amuletos pendurados no pescoo ou quando se submete s cerimnias do

 feitio da muamba , do catimb , da macumba .
 Tambm , de acordo com a

 religiosidade das pessoas , algum pode fechar o corpo rezando certas oraes

 que tm este poder .
 A orao para fechar o corpo mais conhecida  a da Pedra

 Cristalina : " Minha Pedra Cristalina , que no mar fostes achada entre o clice e

 a Hstia consagrada ; treme a Terra mas no treme Nosso Senhor Jesus Cristo no

 Altar , assim tremam os coraes de meus inimigos quando olharem para mim .
 Eu te

 benzo em cruz e no tu a mim , entre o Sol e a Lua , as estrelas e a Santssima

 Trindade .
 Meu Deus , na travessia avistei meus inimigos e que fao com eles ?
 Com

 o manto da Virgem Maria serei coberto ; com o sangue de Nosso Senhor Jesus

 Cristo serei valido ; meus inimigos tm vontade de atirar porm no atiram , se

 atirarem , gua pelo cano da espingarda correr ; se tiverem vontade de me furar ,

 a faca de suas mos cair ; se me amarrarem , os ns se desataro ; se me

 trancarem , as portas se abriro .
 Amm .
 Salvo fui , salvo sou e salvo serei ; com

 a chave do sacrrio eu me fecharei " .
 Reza-se um Padre-Nosso , trs Ave-Marias ,

 trs Glria ao Pai e oferece-se s cinco chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo .

 CORRIDA-DO-ANEL .
 Veja ANEL .

 CORSO .
 Cortejo de automveis de capotas arriadas e de caminhes conduzindo

 folies fantasiados , que percorriam as ruas da cidade usando muita serpentina e

 confete .
 O primeiro corso do carnaval carioca aconteceu em 1907 , com o carro do

 presidente Afonso Pena , conduzindo suas filhas .
 Da dcada de 40 para c , o

 corso foi desaparecendo porque os automveis passaram a ter suas capotas de

 ao .

 CORTA-JACA. 1 .
  uma dana solta , cada participante com sua maneira de danar ;

 2 .
 Depois foi o nome dado a uma espcie de tanguinho composto por Chiquinha

 Gonzaga ; 3 .
 Na linguagem popular corta-jaca  o mesmo que enxuga-gelo ,

 chaleira , puxa-saco ; 4 .
 Tambm  uma expresso nordestina utilizada para pedir

 ajuda de namoro : " Vai , Roberta , corta jaca para mim .
 Fala com ele .
 Diz a ele

 que eu estou apaixonada " .

 CORUJA .
 As corujas , em todo o mundo , tm a fama de agoureiras .
 Quando voam

 sobre a casa de uma pessoa que est doente , a pessoa morre .
 A coruja

 rasga-mortalha  a mais agourenta de todas .
 Na linguagem popular , me-coruja ,

 av-coruja , tia-coruja so , no caso , pessoas que querem muito bem aos filhos ,

 aos netos , aos sobrinhos e tudo fazem para agrad-los , v-los felizes .
 A coruja

  uma ave no muito bonita , e a me-coruja , a av-coruja , e a tia-coruja , acham

 seus filhos , netos e sobrinhos muito lindos , embora , s vezes , no o sejam .

 COSME E DAMIO .
 Cosme e Damio eram gmeos quando foram martirizados no dia 27

 de setembro de 287 , na Egia , Cclica , sia Menor , durante a perseguio do

 imperador Diocleciano .
 So Cosme e So Damio foram canonizados pela Igreja

 Catlica e hoje so patronos dos cirurgies e padroeiro da cidade de Igarassu ,

 Pernambuco .
 No Brasil , So Cosme e So Damio so defensores da fome , das

 doenas do sexo e dos partos duplos .
 Quando as parturientes sofrem de

 hemorragia costumam rezar : " So Cosme / So Damio / Dei sangue / desde cristo " .

 CRENDICES .
 Veja ABUSO .

 CRUVIANA .
  o nome que se d ao frio da madrugada ,  queda repentina de

 temperatura ,  friagem durante o inverno .
 Em Minas Gerais , o nome  corrubiara

 e no Cear ,  graviana .

 CRUZ .
 A cruz sempre foi um sinal dos cristos , talvez porque Nosso Senhor Jesus

 Cristo morreu crucificado , isto  , pregado numa cruz .
 A cruz , feita com a palha

 de coqueiro seca do Domingo de Ramos , afasta o perigo do raio e faz cessar a

 tempestade .
 As almas do outro mundo fogem quando se faz uma cruz com dois dedos

 indicadores cruzados .
 As cruzes de madeira esto nas sepulturas dos cristos e

 nos lugares onde as pessoas foram assassinadas ou morreram em acidentes de

 automvel .
 O diabo corre da cruz .
 Quando se faz uma cruz nos ovos para a

 galinha chocar , eles no goram .
 Uma cruz na soleira do porto de entrada das

 casas no deixa que nada de ruim acontea com as pessoas da casa .
 Para fazer

 chover , em Gois , os agricultores costumam dar um banho nos cruzeiros erguidos

 na frente de algumas capelas ou igrejas .

 CUCA .
  um bicho-papo , papo feminino , que devora as crianas , no Sul .

 CUCA .
  um pequeno barril , tendo uma pele numa das extremidades , em que , na

 parte do centro , est presa , pela parte de dentro , uma varinha ou uma tira de

 couro .
 Atritando-a com um pano mido , produz um som rouco , que marca o ritmo

 dos sambas e dos cordes carnavalescos .
 A cuca tambm  instrumento musical

 dos candombls e macumbas e indispensvel nos bailes populares .
 A cuca chegou

 ao Brasil trazida pelos escravos bantos , especialmente de Angola , onde lhe do

 o nome de ruita , como tambm o instrumento  conhecido no Nordeste .
 Em

 Portugal , seu nome  ronca .

 CUMCUBI. Prstito com pequeno enredo e bailados guerreiros , popular na Bahia e

 no Rio de Janeiro .

 CURADO DE COBRA , CURADOR DE COBRA .
 O curado de cobra  a pessoa que , quando 

 picada por cobras , nada sofre .
 O curador-de-cobra  o curandeiro que sabe rezar

 as pessoas quando so picadas por cobras .

 CURAU .
 1 .
  um angu feito com xerm de milho verde modo e cozido com acar ;

 2 .
 Nome dado aos caipiras em Sergipe .

 CURUPIRA .
 Veja CAIPORA .

 CURURU .
 1 .
  uma espcie de sapo muito conhecida no Nordeste .
 2 .
  uma dana ,

 canto em desafio , quase como acontece com os repentistas nordestinos que , ao

 som da viola , cantam , de improviso , os seus heris , ou fazem pelejas entre si ,

 cada qual procurando diminuir o outro .
 2 .
  um carro velho , com muitos anos de

 uso .

 CUSCUZ .
 O cuscuz  um prato nacional dos mouros e rabes , feito com arroz ,

 trigo , cevada , milhetos ou sorgos .
 Logo quando apareceu o milho americano , no

 sculo XVI , o cuscuz passou , no Brasil , a ser feito de milho , comido com mel de

 abelha ou acar .
 Tambm pode ser comido com carne , peixe , crustceos , legumes

 ou ainda molhado no leite de vaca , de cabra ou de ovelha .
 O cuscuz foi

 inventado pelos brberes que levaram para Portugal e Espanha e os portugueses

 trouxeram para o Brasil , onde passou a ser feito com milho .

 CUX ou CUX .
 O arroz de cux ou cux  um prato tradicional no Maranho e 

 feito assim : Farinha seca peneirada ,  qual se junta gergelim torrado e socado

 no pilo com alguns camares secos , sal e um bob de vinagrete. Soca-se a

 farinha com o camaro , junta-se o gergelim j torrado , bota-se um pouco de sal

 e leva-se ao fogo com o bob de vinagrete , adicionando-se um pouco d'gua at

 ferver e cozinhar e virar uma papa .
 Serve-se quente , com arroz .

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