 Eclipses

 Fernando A. P. Vieira

 Lus Guilherme Haun

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 Por que ocorrem os eclipses

 Os eclipses ocorrem quando o Sol , a Lua e a Terra esto

 alinhados .
 Este alinhamento s acontece em condies especiais , porque

 a rbita da Lua ao redor da Terra est inclinada aproximadamente cinco

 graus em relao  rbita da Terra em torno do Sol .

 Os eclipses , ento , s se do nos momentos em que a Lua ,

 nas fases cheia e nova , cruza a rbita da Terra .
 No primeiro caso ,

 temos o eclipse lunar e no segundo , o eclipse solar .

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 Os desenhos no esto em escala

 Eclipses da Lua - Ocorrem quando a Terra bloqueia a luz

 solar , impedindo que esta atinja nosso satlite .
 Mesmo na totalidade ,

 ainda podemos ver a Lua que , nesse momento , adquire um tom avermelhado

 ou alaranjado .
 Isso se deve aos raios solares , que atingem a atmosfera

 da Terra e espalham-se , iluminando nosso satlite .
 Nessa situao , s

 a luz vermelha consegue atravessar a espessa atmosfera e atingir a

 Lua .

 Eclipses do Sol - Ocorrem quando a Lua passa entre a Terra

 e o Sol .
 A Lua e o Sol apresentam quase o mesmo dimetro angular .
 Mas

 como as distncias entre estes astros e a Terra variam , os seus

 tamanhos angulares tambm variam , de modo que ora o Sol  angularmente

 maior , ora a Lua .
 Ento um eclipse que ocorra no segundo caso , a Lua

 encobrir totalmente o disco solar ;  o eclipse total .
 J no primeiro

 caso restar , na fase mxima , um pequeno anel ;  o eclipse anular .

 Nos eclipses totais , o observador tem oportunidade de ver

 as estrelas mais brilhantes , alm de planetas .
 Contudo , o mais

 espetacular  a observao da coroa solar , um halo luminoso , em geral

 no uniforme , que aparece em torno do Sol e alcana temperaturas

 superiores a um milho de graus .

 Tanto os eclipses solares como os lunares podem ser

 parciais quando , mesmo na fase de maior encobrimento , resta ainda uma

 parte no eclipsada .

 Os eclipses totais do Sol s so observados em uma pequena

 faixa .
 Fora dessa regio os eclipses aparecero , no seu auge , ainda

 parcialmente .
 Dependendo da posio do observador , ele pode mesmo no

 presenciar o eclipse , embora com o Sol acima do horizonte .
 J com o

 eclipse lunar isso no acontece .
 Como ele ocorre por causa da sombra

 da Terra , independe da posio do observador ; basta que a Lua esteja

 acima do horizonte para ele ser visvel .

 A totalidade dos eclipses solares  de no mximo sete

 minutos ; j nos eclipses lunares a totalidade pode durar 1 hora e 40

 minutos .

 Durante a parcialidade , a observao do Sol s pode ser

 feita com o uso de filtros apropriados .
 Sem essa proteo corre-se o

 risco de ocorrerem danos irreparveis aos olhos .

 O nmero de eclipses durante um ano pode variar de quatro

 a sete , incluindo os solares e lunares .

 As fotos abaixo foram tiradas pela equipe da Fundao

 Planetrio :

 Eclipse Anular - 10/08/1980 - Nioaque / MS

 Autores : Fernando Vieira e Rundsthen V. de Nader

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 Eclipse Total - 11/07/1991 - Formoso do Araguaia / TO

 Autores : Fernando Vieira e Francisco Bolivar Carneiro

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 Eclipse Total - 30/06/1992 - Atlntico ( lat : 26 38 ' S ; long : 30 )

 Autor : Fernando Vieira

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 Eclipse Anular - 29/04/1995 - Belm / PA

 Autores : Domingos Bulgarelli e Gladys L. Vieira

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 Eclipse Total - 26/02/1998 - Maracaibo / Venezuela

 Autores : Fernando Vieira e Jorge M. dos Santos Junior

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 Aspecto do Sol s 13h40min .
 As mltiplas imagens do Sol foram

 produzidas por vrios orifcios em um anteparo ( princpio da cmara

 escura ) - Maracaibo / Venezuela

 Autores : Fernando Vieira e Jorge M. dos Santos Junior

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 Como observar o Sol com segurana

 ATENO : Para a observao do Sol so necessrios alguns

 cuidados .
 A falta do uso de filtros causa danos irreversveis aos

 olhos , podendo chegar  cegueira .
 Siga , portanto , as orientaes

 abaixo :

 A observao direta deve ser feita usando-se proteo para os olhos ,

 como o filtro de soldador nmero 14 .

 Somente use binculos ou telescpios se tiverem filtros

 apropriados .

 Pode-se , tambm , observ-lo indiretamente como apresentado abaixo .

 O nosso astro-rei  muito brilhante e vamos tirar proveito

 disto para efetuarmos a experincia .
 Usaremos , para isso , o princpio

 da " cmara escura " .

 Use um pequeno espelho coberto por um papel preto em que

 foi previamente feito um furo de aproximadamente 4mm ( se necessrio

 cole o papel no espelho ) .
 Agora , projete a imagem refletida do Sol a

 uns 5 ou 7 metros de distncia em um papel branco fixo em uma parede .

 Ser conveniente apoiar o espelho em algum lugar para se obter uma

 imagem " imvel " .

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 Somente na fase total de um eclipse solar ( que neste no

 ser visvel do Brasil )  que se pode olhar diretamente para o Sol

 eclipsado .

 Os eclipses lunares podem ser vistos diretamente , sem

 prejuzo para a viso .
 Com o auxlio de binculos , lunetas ou pequenos

 telescpios , so captadas melhores imagens destes eclipses .

 Leitura complementar : Histrias de eclipses

 Os eclipses foram os fenmenos celestes que mais

 preocupao e angstia trouxeram para as civilizaes passadas e , at

 mesmo hoje , geram grande temor em alguns segmentos menos esclarecidos

 de nossa sociedade .

 O homem da Antiguidade considerava o cu imutvel .
 Quando

 ocorriam fenmenos como os eclipses ou mesmo a passagem de algum

 cometa , naturalmente ele julgava que os deuses estavam zangados ou que

 anunciavam tragdias , como guerra , fome ou a morte de algum rei .

 Muitas vezes o eclipse era atribudo  ao de drages ,

 lobos , porcos ou serpentes que devoravam o Sol ou a Lua .
 Magos ou

 bruxos eram , ento , convocados para expulsar os " monstros " ou os " maus

 espritos " .

 Chineses e indianos , temerosos , batiam panelas e faziam

 muito barulho para afugentar o monstro que , acreditavam , engolia o

 astro .
 Os romanos erguiam tochas para o cu , na tentativa de

 substituir a sua fonte de luz .

 A previso dos eclipses era , portanto , muito importante

 para os antigos .
 Diz-se que os chineses , h centenas de anos antes de

 Cristo , conseguiam calcular os eclipses .
 Segundo uma lenda , os

 astrnomos Ho e Hi colocaram em risco o Imprio por no terem previsto

 um eclipse .
 Por esta razo , foram imediatamente executados .

 Muitas so as histrias acerca dos eclipses e suas

 conseqncias .
 Uma delas conta que , em 584 antes de Cristo , os hdios

 e os medos , povos que habitavam a sia Menor , estavam em guerra quando

 se deu um eclipse solar .
 Aqueles povos , supondo que o fenmeno se

 tratava de um sinal divino , logo buscaram negociar a paz .

 Outra registra um episdio ocorrido durante as viagens de

 Colombo .
 Em 1504 , ele e sua tripulao estavam quase morrendo de fome

 na Jamaica , porque os indgenas se recusavam a fornecer-lhes comida .

 Colombo tinha a informao de que ocorreria um eclipse da Lua naquela

 noite .
 Ameaou , ento , apag-la , caso no lhes dessem alimentos .

 Quando o eclipse se iniciou , os indgenas prontamente atenderam ao

 pedido .

 Os eclipses so , tambm , bastante teis aos historiadores ,

 pois , sendo eles registrados com freqncia pelos cronistas , podem

 servir para fixar a data de importantes fatos .
 Um bom exemplo para

 ilustrar esta idia  a histria da descoberta do ano da morte do rei

 da Frana , Lus - o Bom , o que , at h algum tempo , ningum tinha

 conhecimento .
 Mas , em relato da poca , foi mencionada a ocorrncia de

 um eclipse total do Sol , visto na regio algumas semanas antes da

 morte do monarca .
 Os astrnomos , ento , concluram que o falecimento

 ocorrera no ano 840 de nossa era .

 Atividade : Construo de um simulador de eclipses

 O aparelho descrito a seguir possibilita demonstrar a

 ocorrncia de eclipses solares totais , anulares e parciais .
 Seu

 funcionamento  muito simples .
 No desenho , v-se o esquema de uma

 caixa de madeira onde h um furo de uns cinco centmetros que simular

 o Sol .
 Pode-se encobrir o furo com um celofane amarelo ; a fonte pode

 ser uma lmpada de 25 watts com bulbo fosco .
 Uma bola de isopor de uns

 dois ou trs centmetros representar a Lua , presa por um prego a um

 caibro .
 Aproximando-se ou afastando-se esta ripa do " disco solar " ,

 sero produzidos eclipses anulares ou totais , respectivamente .

 Observando-se atravs dos furos ( 0,5 cm ) , teremos as diversas fases .

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