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 EDIO N  3 - MAI / JUN-97

 Epilepsia : preveno e controle

 Jornal da AME n  3 O Jornal da AME mostra , nesta edio , que a

 epilepsia  , em algumas vezes , um mal evitvel e , na maioria dos

 casos , possvel de ser controlado pelo uso correto e constante de

 medicamentos .
 A mdica neuropediatra , Suzana Bechelli ,  a responsvel

 pelas informaes deste artigo , para o qual selecionou dados , cuja

 linguagem acessvel permite desmistificar e esclarecer o leitor sobre

 as crenas que envolvem a doena .
 Neste artigo ,  possvel saber como

 lidar com o epilptico durante uma crise convulsiva , as causas que

 originam a doena e as formas de preveni-la .

 Epilepsia : o que 

  caraterizada por crises convulsivas repetidas .
 No  considerado

 epilptico a pessoa que apresenta uma nica crise durante a vida .

 Porque ocorrem crises convulsivas

 As crises convulsivas so resultado de uma descarga eltrica cerebral

 anormal , difusa ou localizada em alguma rea do crebro .

 Quem tem epilepsia

 A epilepsia atinge a cerca de 1 % a 2 % da populao , somando milhares

 nas grandes metrpoles .
 Embora haja afirmaes que se trata de uma

 doena hereditria , sabe-se que menos de 5 % das crianas nascidas de

 pais epilpticos apresentam a doena .

 Epilepsia tem remdio

 Oitenta entre 100 pessoas deixam de sofrer ataques com o uso correto

 dos medicamentos prescritos pelo mdico .
 O tratamento  varivel ,

 podendo ser por alguns anos ou mesmo pela vida toda , dependendo do

 caso .

 O que provoca a epilepsia

 Qualquer situao que provoque leses no crebro pode levar 

 epilepsia .
 Pode ocorrer em qualquer idade , embora em 70 % dos casos

 ocorra at a faixa etria de 21 anos .

 As causas mais comuns de danos cerebrais que , a longo prazo , podem

 resultar em epilepsia so ligadas s circunstncias ocorridas durante

 a gestao ou no momento do nascimento .

 H tambm associao com trauma sofrido na cabea , infeco cerebral e

 abuso de drogas ou lcool .
 Mas , na maioria das ocorrncias de

 epilepsia , so desconhecidas as causas que lhe do origem .

 Como se manifestam as crises convulsivas

 As mais conhecidas so as crises do tipo " grande mal " e " pequeno mal " .

 A do tipo " grande mal " provoca a queda da pessoa portadora de

 epilepsia , que fica com o corpo rgido , apresentando abalos de braos

 e pernas e sbita perda da conscincia .
 A crise do tipo " pequeno mal "

 faz com que a pessoa cesse bruscamente suas atividades e permanea com

 o olhar vago , completamente inconsciente , no respondendo s perguntas

 feitas  ela .

 O que fazer diante de uma crise convulsiva

 Presenciar uma crise convulsiva  algo muitas vezes que impressiona ,

 mas todos devemos estar preparados para prestar auxlio aos

 epilpticos , que se encontram inconscientes durante a crise , no

 podendo defender-se por conta prpria .
 Para quem assiste  importante ,

 acima de tudo , manter a calma e ser consciente de que a epilepsia no

 " pega " .
 Conhea abaixo algumas medidas prticas para atendimento de um

 epilptico no momento da crise :

 Remova da rea objetos perigosos que possam levar a pessoa em crise a

 se ferir .

 Afrouxe a gravata ou colarinho da camisa .

 Mexa a cabea da pessoa para um lado , possibilitando que a saliva

 flua e facilite a respirao .

 No tente faz-lo voltar a si dando-lhe gua para beber .

 No o agarre na tentativa de parar os abalos dos membros .

 Geralmente uma crise dura at trs minutos , mas se prolongar

 indefinidamente , ou seja , seguida por outras , procure levar a pessoa

 ao hospital .

 Fique ao lado do epilptico at que sua respirao volte ao normal .

 Algumas pessoas ficam sonolentas ou confusas aps as crises .

  possvel levar vida normal

 Tanto adultos como crianas podem levar uma vida plenamente norrnal e

 produtiva .
 As crianas , em sua maioria , podem freqentar a escola

 normalmente .
 Convm destacar que epilepsia e retardo mental so duas

 condies diferentes .

 Como  possvel preveni-la

 A preveno da epilepsia consiste em evitar leses na cabea , seguindo

 as orientaes abaixo :

 Dirija veculos com ateno , usando cinto de segurana , e capacete ,

 quando necessrio .

 No use medicamentos sem orientao mdica .

 Vacine as crianas contra as doenas infecciosas .

 Durante a gravidez submeta-se a exames pr-natal e acompanhamento

 mdico at o parto .

 Metr reintegra Profissional por intermdio da AME

 Numa operao inusitada , o Metr  pioneiro em apoiar a reintegrao

 profissional de um empregado tetraplgico , vtima de um assalto , em

 1991 , cujos tiros na [ ] [ 4 ] vrtebra cervical lhe imobilizaram do

 pescoo para baixo .
 O metrovirio Marco Antonio Ferreira Pellegrini ,

 33 anos , driblou a tetraplegia irreversvel e transforma-se em exemplo

 de garra e determinao , a ser seguido at pelos mais incrdulos .

 O Metr foi pioneiro em viabilizar , em 94 , o retorno de Pellegrini ao

 trabalho , exercendo as funes de analista de equipamentos e

 edificaes , a mesma que exercia antes do acidente , no Departamento de

 Projeto de Sistemas de Controle e Comunicaes ( GPS / PSC ) .

 Para a viabilizao do processo de reintegrao profissional , a

 iniciativa foi do prprio Pellegrini , que recusou-se a ser aposentado

 por invalidez pelo INSS .
 O empregado procurou a Associao Amigos

 Metrovirios dos Excepcionais - AME , que realizou um levantamento do

 seu potencial , preservado aps o acidente .
 A AME apresentou relatrio

  Companhia , ressaltando a qualidade do desempenho de Marco nas

 atividades que compem o cargo e as adaptaes necessrias para a sua

 execuo .

 Em seguida , a AME props  GRH a realizao de um estgio para a

 avaliao da possibilidade do retorno definitivo de Marco ao trabalho .

 O Metr criou , ento , uma equipe multidisciplinar para , juntamente com

 a sua rea de trabalho , redefinir suas funes , estabelecer critrios

 de acompanhamento e avaliao do estgio e analisar as necessidades de

 adaptao do espao fisico , equipamentos e mobilirio .

 Integraram a equipe representantes das reas : RHD , RHS , PSC , Metrus e

 AME , que contou com a assessoria de um especialista em reabilitao

 profissional , o professor Romeu Kazumi Sassaki .

 Com o acompanhamento do INSS , Pellegrini retornou ao trabalho por um

 perodo experimental de 90 dias - setembro a novembro de 1994 - para

 avaliao de seu desempenho nas novas atividades previstas para o seu

 cargo .
 Aprovado , foi reintegrado definitivamente na rea onde

 permanece at hoje .
 Marco provou que a deficincia fsica no implica

 em incapacidade para o trabalho .
 Com algumas adaptaes e ajustes o

 portador de deficincia , mesmo com severas limitaes fsicas , pode

 desenvolver plenamente suas atividades profissionais com eficincia e

 competncia .

 A Companhia realizou diversas adaptaes no ambiente de trabalho para

 tomar possvel ao Pellegrini o desenvolvimento das atividades .
 Adequou

 a mesa do microcomputador , que foi rebaixada .
 O micro foi adaptado

 pela IBM , podendo ser acessado por uma placa que atende a comandos de

 voz ou por uma haste que Pellegrini movimenta com o queixo .
 Ao

 telefone foi adaptado um acessrio especial preso ao seu corpo que

 permite a utilizao sem a necessidade de segur-lo .

 O Metr proporcionou , ainda , a utilizao de uma vaga na garagem , de

 forma a lhe facilitar o acesso ao edifcio .

 Para desempenhar funes simples mas inviveis para uma pessoa

 tetraplgica , como colocar o disquete no micro , o Metr assumiu tambm

 a remunerao de um empregado , Jos Miranda , que permanece , h cerca

 de dois anos , por meio perodo , auxiliando Marco Antonio no

 departamento .

 Tambm foi redimensionada a carga horria de Pellegrini , j que seria

 invivel sua permanncia no departamento durante todo o dia .
 Ficou

 acertado o cumprimento de meio perodo no departamento e o restante em

 sua casa , para onde Marco leva algumas atividades para serem

 completadas .

 ANTES E DEPOIS

 O que aconteceu com Marco Pellegrini poderia acontecer com qualquer

 pessoa .
 Em sua primeira semana de frias , em setembro de 91 , voltava

 para casa de moto , por volta das 21 horas - cursava faculdade de

 Matemtica - quando , j na garagem , foi abordado por dois assaltantes .

 Marco no reagiu , at que um deles quis entrar em sua casa , onde se

 encontravam sua mulher grvida e o filho com cerca de dois anos de

 idade .
 Um dos assaltantes disparou dois tiros , um no brao e outro no

 pescoo , mudando sua vida para sernpre .

 Marco acredita que , no incio , tambm para os amigos do departamento

 foi dificil lidar com aquela sua nova situao de portador de

 tetraplegia .
 ' " Agora  tranqlo .
 O tratamento aqui  de igual para

 igual .
 No incio eles tentavam me poupar de crticas ou cobranas ,

 hoje quando tm que cobrar alguma coisa , eles no se intimidam pela

 minha deficincia " , afirma .

 Segundo Pellegrini as limitaes atribudas aos portadores de

 deficincia so muito mais fantasias do que realidade .
 " Um dos maiores

 obstculos existentes na vida de um portador de deficincia  ele

 prprio .
 "  difcil deixar os outros se aproximarem , lidar com a

 limitao .
 O que mais incomoda  a dependncia " , completa .

 Na busca de informaes e recursos para portadores de deficiencia ,

 Marco acabou conhecendo o Centro de Vida Independente , o CVI , entidade

 voltada para a promoo da vida independente e produtiva , organizada

 por portadores de deficincia , com vrios ncleos em todo o Brasil .

 Pellegrini hoj  um dos fundadores e presidente do CVI Araci Nallin .

  tambm membro do conselho administrativo da AME .

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