 Liberdade para as cobaias

 Nos laboratrios do futuro , programas de computador vo substituir os animais

 Haver um dia em que ratos , cobaias , macacos , ovelhas e outros bichos

 explorados ( e at sacrificados ) em experincias de laboratrio no precisaro

 mais ser usados nessas tristes aventuras .
 Programas de computadores vo

 substitu-los .
  nessa direo que trabalham , hoje , pesquisadores de

 universidades europias e americanas .
 Em 1997 , por exemplo , a empresa Physiome

 Science - especializada em programas de computadores que descrevem e analisam o

 funcionamento das clulas - simulou os efeitos de uma droga em um corao

 humano virtual .
 O teste pretendia verificar se a droga provocava efeitos

 colaterais , como a arritmia .
 Como a anomalia no foi identificada , a droga

 ( chamada Posicor ) foi aprovada pela FDA , agncia americana responsvel pela

 fiscalizao de remdios e alimentos .

 Uma patente americana desafia o velho direito de plantar

 Por muitos sculos os agricultores do mundo inteiro se habituaram a guardar as

 melhores sementes de uma safra , para plant-las e garantir a colheita seguinte .

 Uma patente autorizada pelo governo dos EUA acaba de sacudir essa velha rotina

 e mergulhar o assunto numa explosiva polmica , ao autorizar duas grandes

 multinacionais a vender sementes " estreis " - ou seja , que s se reproduzem uma

 nica vez .
 Isso quer dizer que a colheita resultante apenas servir para

 consumo e o agricultor ter de comprar novas sementes no ano seguinte .
  claro

 que o agricultor no  obrigado a comprar ; mas assim sua plantao ficar

 sujeita a pragas , baixa produtividade , safras de qualidade inferior e difceis

 de vender .
 E se for cliente antigo , os gros que colher de nada adiantaro .
 O

 impacto ser enorme para os muitos plantadores dos EUA , usurios dessas

 sementes de qualidade e que exportam em alto volume para todo o mundo .
 A

 patente foi pedida pela Monsanto e pela Delta & Pine Land ( D & PL ) , para suas

 sementes de algodo ( mais autorizaes para soja , trigo e milho j esto

 tramitando ) .
 A concesso enfureceu ONGs como a RAFI ( Fundao Internacional

 para o Avano Rural ) , do Canad , que condena esse " gene exterminador " , que

 " forar os agricultores , a cada safra , a comprar sempre das mesmas empresas " .

 Em um pedacinho de osso , o poder de fazer falar

 Quem pode , fala ; quem no pode , faz implante .
 Essa  a palavra de ordem que

 dois mdicos americanos , Paul Flint e Charles Cummings , esto passando aos

 pacientes que , por problemas pulmonares ou nas cordas vocais , perderam a voz .
 O

 segredo dos dois , que so otorrinolaringologistas da Universidade Johns

 Hopkins , de Baltimore ,  o Vocom ( a sigla para " vocal cord medialization " , ou

 interme-diador da corda vocal ) , pequena prtese ssea feita a partir de uma

 base de clcio chamada hydroxylapatite , j aprovada pela Food & Drug

 Administration ( FDA ) , o rgo fiscalizador dos assuntos de sade e alimentao

 nos EUA .
 Diminuto objeto de 3 ou 4 milmetros , o Vocom  encaixado em algum

 ponto entre as cordas vocais , de modo a recoloc-las numa posio adequada para

 a fala normal - - e , de quebra , elimina a dificuldade de engolir .
 Para isso , 

 feita antes uma pequena inciso por fora , no pescoo , logo abaixo do

 pomo-de-ado , por onde a prtese  introduzida ( ver ponto A na ilustrao ) .

 Muito prticos , os doutores Cummings e Flint produziram cinco tamanhos

 diferentes para essa prtese ; na operao , vo testando cada uma para que o

 prprio paciente decida o " ponto " exato em que sente melhor a sua voz .
 No vale

 escolher a voz de Frank Sinatra ou de Ray Charles , advertem eles .
 Uma dessas

 bem-sucedidas cirurgias foi feita em maro passado em Jean Morris , uma

 enfermeira de 67 anos que havia perdido o pulmo esquerdo .
 Jean saiu muito

 feliz da experincia , dizendo que " ainda tem muito o que dizer a todo mundo " .

 Alm desse , a dupla j fez cerca de 100 outros implantes , numa etapa de testes

 clnicos que contou com a ajuda das equipes de dois outros hospitais , um em

 Nova York e outro no Estado de Wisconsin .
 O sucesso do Vocom no  levado muito

 a srio por outros otorrinos , que continuam achando mais promissora a tcnica

 de se aplicar impulsos eltricos na rea das cordas vocais .
 " A laringe ou corda

 vocal de cada um de ns no  uma coisa to simples para ser recuperada com um

 simples implante de clcio em cinco tamanhos " , ironiza Clark Rosen , da

 Universidade de Pittsburgh .

 Mas os donos do Vocom tambm no se esquentam com as crticas : a empresa de

 Memphis que fabrica os seus cinco tamanhos de prtese , a Smith & Nephew ,

 garante ter vendido , nos EUA e na Europa , cerca de 12 mil a 15 mil unidades em

 um ano .

 O verde na gua das garrafas

 Um grupo em Braslia junta a reciclagem de garrafas plsticas e a criao de

 mudas sem terra .
 A hidroponia , ou o cultivo de plantas na gua , j  conhecida

 pelas belas flores e folhagens que produz em estufas .
 Mas ela tambm ajuda os

 agricultores em solos infrteis e at nas pesquisas espaciais ajuda os

 nutricionistas na criao de alimentos para os astronautas .
 Agora , em Braslia ,

 ela se tornou tambm uma arma da preservao ambiental com o projeto " Parede

 Viva " , que recorre a garrafas de plstico recicladas para desenvolver plantas e

 mudas para comercializao sem o uso de terra .

 A interminvel guerra entre flores e besouros

 Pelo menos 330 mil espcies de besouros alimentam-se de flores .
 Mas , atacadas

 pelos besouros ou por outros insetos , as flores reagem .
 Como ?
 Diversificando-se

 em novas espcies , mais resistentes .
 Esta  a sntese de uma pesquisa que o

 bilogo Brian Farrell , diretor do Museu de Zoologia Comparada , da Universidade

 de Harvard , nos Estados Unidos , est fazendo sobre a cadeia biolgica que une o

 mundo vegetal ao mundo animal .
 " Trata-se de uma relao sbia da natureza , que

 a cincia , hoje , pode detectar com o auxlio da gentica e da biotecnologia " ,

 anuncia Farrell .
 "  importante entender que , sem interferncias artificiais ,

 cada vez mais as plantas se multiplicaro , porque se multiplicaro tambm os

 seus predadores , assim como os parasitas predadores dos besouros. "

 Ataque e evoluo

 Farrell usou informaes da seqncia de DNA ( o cdigo gentico ) de vrias

 espcies de besouros , para descobrir e classificar as suas preferncias

 alimentares .
 Fez o mesmo com as plantas preferidas pelos insetos .
 Com isso ,

 ficou sabendo como essas plantas classificadas desenvolvem suas defesas e como

 os seus predadores procriam .
 " Quando uma espcie atacada por um predador

 sobrevive , ela se revigora , evolui e provoca tambm a evoluo do predador " ,

 conta Farrell .
 " H certos besouros extremamente conservadores que procuram

 sempre as mesmas espcies de flores , como faziam h 200 milhes de anos .

 Pretendemos , agora , identific-los , assim como os seus alimentos preferidos. "

 Os polvos , supertalentosos

 Inteligentes como os golfinhos , eles sabem at se transformar para fugir do

 perigo .
 Eles so os invertebrados mais inteligentes do planeta , garante o

 bilogo Roland Anderson , um estudioso dos polvos no Aquarium de Seattle , nos

 Estados Unidos .
 Moluscos da famlia dos cefalpodes , esses animais tm merecido

 constantes estudos no s de bilogos e zologos , mas tambm de psiclogos .
  o

 que revela a cientista Jennifer Mather , da Universidade de Lethbridge , no

 Canad , especializada em psicologia do comportamento e neurocincia .
 " Hoje

 sabemos , por exemplo , que esses animais extraordinrios so naturalmente

 brincalhes , como os golfinhos " , observa ela .
 " Soubemos recentemente que , para

 impressionar outros animais marinhos - seja para ca-los ou defender-se deles

 - , algumas espcies de polvos conseguem se disfarar em camares , cobras d'gua

 ou caranguejos gigantes " , ressalta Mather .
 " Mas j sabemos que os polvos vivem

 apenas dois ou trs anos .
 Outra peculiaridade : aps a cpula , o macho morre de

 subnutrio , a fmea aguarda o nascimento dos filhotes e morre tambm. "

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 Galileu , 1999 .

 ltima Atualizao : 23/Set/99

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