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 DE OLHO NA MEDICINA ALTERNATIVA

 CFM abre espao para discutir as terapias alternativas

 Acupuntura  a primeira das alternativas na universidade

 Medicina ortomolecular

 Terapia floral

 Homeopatia faz o paciente reagir em direo  cura

 Iridologia

 Fitoterapia

 Aromaterapia

 De olho na medicina

 alternativa

 Unifesp cria comisso de estudos para avaliar medicina no convencional

 Simone Paulino

 Pagar para ver .
 Assim pode ser resumida a meta da Comisso de Medicina

 Alternativa , criada na Unifesp , que ir pesquisar e avaliar algumas das

 chamadas " terapias alternativas " .
 Num primeiro momento , os estudos ficaro

 restritos quelas j reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina ( CFM ) como

 especialidades mdicas ou que esto em fase de avaliao : homeopatia ,

 acupuntura e fitoterapia .
 As pesquisas em homeopatia e acupuntura j esto em

 fase adiantada de planejamento .

 Mariana Ges Carvalho

 Nestor Schor :

 Nestor Schor : objetivo  aplicar mtodo cientfico na comprovao das terapias

 " Estamos certos de que no devemos desprezar nenhum dos outros conceitos , mas o

 esprito cientfico tem de predominar " , diz Nestor Schor , coordenador do Setor

 de Medicina Alternativa e chefe do Departamento de Medicina .

 O incio das pesquisas ocorre num momento de muita polmica sobre o tema .
 No

 final de agosto , o CFM proibiu que mdicos empreguem toda e qualquer terapia

 alternativa que no seja reconhecida como especialidade mdica no tratamento de

 seus pacientes .
 Entre as modalidades proscritas esto a terapia floral , a

 cromoterapia , a aromaterapia , a radiestesia , iridologia , massagem teraputica ,

 entre outras .
 Profissionais - mdicos e no-mdicos - que trabalham com estes

 conceitos rebatem a deciso do CFM com a alegao de que a maioria dessas

 terapias j vm sendo estudadas , regulamentadas e utilizadas fora do pas .

 A argumentao encontra eco numa pesquisa realizada pela Universidade Stanford ,

 na Califrnia , EUA , e divulgada no ms passado .
 De acordo com os dados da

 pesquisa , 69 % dos americanos utilizaram algum tipo de medicina alternativa no

 ano passado .
 O reflexo desse comportamento  uma reduo de 55 % na utilizao

 de servios da medicina tradicional no territrio norte-americano .
 Estima-se

 que so aproximadamente 25 bilhes de dlares ao ano - do total de mais de 2

 trilhes de dlares gastos em sade no pas anualmente - que deixam de entrar

 no bolso dos profissionais que atuam com a medicina tradicional .

 CFM abre espao para discutir

 as terapias alternativas

 O Conselho Federal de Medicina est formando uma comisso para fazer uma

 anlise criteriosa sobre a prtica das terapias alternativas .
 O objetivo 

 abrir espao para os mdicos que julgam importante manter os tratamentos no

 convencionais e que tenham desenvolvido trabalhos que indiquem sua eficincia .

 Divulgao

 Srgio Ibiapina :

 Srgio Ibiapina : reclamaes de pacientes motivaram proibio

 " Ns decidimos proibir essas prticas devido ao grande nmero de denncias que

 recebemos " , justifica Srgio Ibiapina Ferreira Costa , presidente do CFM .
 Ele

 diz que o Conselho recebeu muitas reclamaes de pacientes que receberam a

 promessa de cura e ao final dos tratamentos no tiveram nenhuma melhora no seu

 estado de sade e se sentiram lesados .
 Apesar da proibio , o presidente do CFM

 no descarta a possibilidade de rever a resoluo , da mesma forma que foram

 revistas as proibies da prtica de acupuntura e da homeopatia no passado .

 " Se no tomssemos uma postura proibitiva , daqui h pouco teramos gente

 praticando a urinoterapia e cobrando por isso " , ironiza , referindo-se s

 pessoas que bebem a prpria urina com fins teraputicos .

 Acupuntura  a primeira das

 alternativas na universidade

 Parte integrante da tradicional medicina chinesa , a acupuntura durante dcadas

 tambm foi tratada como uma terapia alternativa .
 A partir de 1992 , quando foi

 criado o Setor de Medicina Chinesa na Unifesp , passou-se a estudar o conceito

 de acupuntura do ponto de vista ocidental .
 Seis anos depois , a acupuntura j

 era reconhecida como especialidade mdica , e atualmente a Unifesp mantm um

 curso de especializao com 200 mdicos matriculados , alm de um laboratrio de

 pesquisa .
 " O mais importante neste processo de aceitao  que hoje os mdicos

 esto aprendendo acupuntura no lugar certo , que  a universidade " , diz Ysao

 Yamamura , chefe do Setor de Medicina Chinesa .

 Ysao diz que  contrrio  proibio do CFM , porque ela fere o primeiro

 juramento do mdico , que  utilizar todo o conhecimento que tiver para curar

 seu paciente .
 " Alm disso , essa proibio  perigosa , porque tira das mos do

 mdico o controle da situao , abrindo espao para que mais no-mdicos

 pratiquem essas terapias " , argumenta .

 Medicina ortomolecular

 Desenvolvido em 1956 , o conceito de medicina ortomolecular baseia-se na teoria

 de que espcies reativas de oxignio ( popularmente conhecidas como radicais

 livres ) so responsveis por um vasto leque de problemas causados ao organismo .

 A partir dessa teoria , os adeptos da medicina ortomolecular propem o combate

 aos radicais livres atravs da ingesto de uma suplementao vitamnica e

 mineral completa .
 O efeito antioxidante desta suplementao agiria na preveno

 de doenas e retardaria o envelhecimento das clulas .
 De acordo com Clineu de

 Mello Almada Filho , diretor cientfico do Centro de Estudos do Envelhecimento

 da Unifesp , o conceito no deve ser visto como uma terapia alternativa ou algo

 que est  margem da medicina convencional , mas como parte integrante do

 processo teraputico .

 Terapia floral

 Conceito desenvolvido pelo mdico ingls Edward Bach que , entre 1930 e 1934 ,

 pesquisou 38 espcies de flores .
 " O princpio da terapia  que as flores tm a

 propriedade de transmitir ou anular sentimentos negativos " , diz Valria Susana

 Saldias , formada em farmcia pela Universidade Catlica de Santos .
 A partir

 desta proposio , os adeptos da terapia floral acreditam que com a utilizao

 das essncias florais  possvel harmonizar o estado emocional e psicolgico

 dos seres humanos .

 Para Valria , h muito preconceito e falta de informao sobre os florais .
 " 

 lgico que ningum vai dizer que um floral  capaz de curar uma hepatite ,

 porque hepatite se pega por vrus e no por mau humor " , explica .
 " Mas no h

 como negar o efeito que o floral provoca no estado emocional das pessoas " ,

 completa .

 Homeopatia faz o paciente

 reagir em direo  cura

 O princpio bsico da homeopatia - reconhecida como especialidade mdica em

 1980 - foi desenvolvido pelo mdico alemo Christian Friedrich Hahnemann e

 consiste em curar as doenas atravs de substncias diludas em gua e

 transformadas em doses infinitamente menores que a sua composio inicial .

 Outro ponto importante na definio da homeopatia  que ela associa os sintomas

 da doena ao remdio que deve ser ministrado para cur-la .
 " O homeopata provoca

 o indivduo em direo  cura , ministrando medicamentos que provocam reaes

 semelhantes aos sintomas apresentados por ele " , explica Pedro Luiz Lacordia ,

 mdico homeopata , do Hospital So Paulo .

 Ele diz que um mdico homeopata jamais dir que para uma apendicite no se deve

 usar o bisturi , pois h situaes nas quais s a medicina tradicional funciona .

 Lacordia acredita que a evoluo da homeopatia  inevitvel , mas que ainda vai

 levar algum tempo para alcanarmos o estgio de alguns pases da Europa , onde

 os pacientes podem optar em se tratar com a alopatia ( medicina convencional ) ou

 a homeopatia .
 Um bom exemplo disso pode-se ter na Inglaterra , onde est sediado

 o Royal London Homeopathic Hospital , hospital exclusivamente dedicado ao

 tratamento homeoptico .

 Iridologia

 Diagnstico das disfunes e alteraes de rgos e tecidos do corpo humano

 atravs do estudo da ris ( parte colorida dos olhos ) - esta  a proposta da

 iridologia , que surgiu h cerca de 200 anos , quando um mdico hngaro notou um

 furo na ris de sua coruja de estimao , logo aps ela ter feito um ferimento

 na pata .
 A partir de ento ele se dedicou  pesquisa destas ocorrncias e

 estabeleceu a correlao entre as alteraes na ris e a manifestao de

 problemas fsicos nos seres humanos .

 De acordo com Wu Pou Kwang , cirurgio vascular que trabalha com iridologia , o

 diagnstico  absolutamente confivel .
 Ele diz que uma pessoa com problemas de

 colesterol alto , por exemplo , costuma apresentar um aro branco em volta da

 ris .
 Kwang acrescenta que o tratamento normalmente  baseado numa dieta

 natural e em remdios  base de plantas .

 Fitoterapia

 Talvez a " terapia alternativa " mais bem estabelecida e inserida na prtica

 mdica convencional , a fitoterapia tem como principal pilar o uso das plantas

 para curar diversas doenas .

 Para o professor de Botnica da Universidade de So Paulo , Walter Radams

 Acorsi , que h quase 50 anos se dedica ao estudo e  pesquisa da fitoterapia ,

 os principais benefcios do uso de plantas no combate s doenas  a quase

 inexistncia de contra-indicaes e a grande variedade de princpios ativos de

 cada espcie .
 " Uma mesma planta pode servir para curar vrios tipos de

 enfermidades sem provocar efeitos colaterais " , explica .
 Ele d como exemplo a

 Euphorlia firucalli , tambm conhecida como aveloz. Venenosa em seu estado

 natural , a planta  utilizada como complemento no tratamento da Aids , da

 leucemia e de vrios tipos de cncer por sua propriedade de combater efeitos

 colaterais dos medicamentos .

 Aromaterapia

 Tratamento que se utiliza de aromas em forma de leos essenciais de plantas ,

 para eliminar problemas ligados ao estresse , dores musculares e reumticas ,

 disfunes menstruais e respiratrias , entre outras .

 Em 1920 , um qumico francs chamado Ren Maurice Gattefoss percebeu que a

 alfazema curou rapidamente uma queimadura de sua mo e passou a pesquisar o

 assunto disseminando-o para o resto do mundo .

 Para Ftima Leo , adepta da aromaterapia , o uso desse mtodo no processo

 teraputico tende a se ampliar muito , tanto para auxiliar no processo de cura

 de enfermidades , quanto para preveni-las .
 " Uma combinao das essncias de tea

 tree com limo e lavanda , por exemplo , resulta numa formulao que limpa o

 ambiente , destruindo vrus e bactrias existentes no ar , diminuindo assim o

 ndice de infeces por bactrias " , explica .

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