

 [ INLINE ] [ INLINE ] [ INLINE ]

 Cincia Cognitiva

 Alma Humana

 Crebro

 Consciente e Inc .

 Hipnose

 Filosofia

 I.A. e a Filosofia

 Percepo

 Imagem Mental

 Racionalidade

 PC e Cognio

 [ INLINE ]

 _________________________________________________________________

 Imagem Mental

 Por Antnio Rogrio da Silva

 Perante tudo que foi dito sobre percepo visual , afinal , ainda restam dvidas

 quanto ao fato de existirem ou no imagens mentais .
 H quem diga que tais

 imagens no passam de descries verbais e abstratas , cujo significado no pode

 ser apreendido seno pela linguagem .
 Pesa contra a imaginao seu carter

 subjetivo , que a torna inacessvel a outros indivduos alm de quem imagina .

 Falta saber tambm se a imaginao  ativada , caso ela realmente exista , pela

 mente como a percepo normal ou se ela sofre outras influncias .

 Assim , para responder o nmero certo de janelas do prdio no qual se encontre ,

 uma pessoa percorrer mentalmente a imagem das fachadas contando uma por uma .

 Nessa tarefa , a soma total das janelas depender da visualizao interna , bem

 como do conceito abstrato de nmero .
  provvel que o uso de imagens mentais

 seja necessrio sempre que um problema envolva coordenadas espaciais ou , como

 j foi dito antes , a procura de coisas , aproximao de um detalhe , criar um

 trajeto de locomoo mais curto etc .
 Porm , quanto a avaliar a justia de uma

 conduta , imaginar a curvatura do espao , a " me de todas as guerras " , recordar

 o nome de uma pessoa ou objeto e negar a verdade de um enunciado , talvez o

 recurso a figuras no sirva para apontar uma resposta adequada .
 Tais restries

 podem indicar que a imagtica seja ilusria , pois no fim das contas , enquanto

 uma representao pictrica pode ser descrita numa grande quantidade de

 sentenas ou equaes algbricas , o inverso j no ocorre , isto  , existem

 problemas que no podem ser resolvidos apenas por imagens .

 Excerto por essa pequena vantagem reducionista em favor da linguagem

 verbal do pensamento , experincias recentes comprovam que o uso da

 imagem , apesar de suas limitaes , efetivamente  empregado , no s

 pela mente humana , como pela de outros primatas , pelo menos .
 Recursos

 a mapas corticais , esboos em duas e meia dimenses e memria visual

 so evidncias dificilmente questionveis , a no ser por cticos

 radicais que no admitem provas empricas .

 Os amantes do cinema mudo sabem o poder que as imagens tm para

 gerarem sensaes tteis , auditivas , gustativas , estimular o intelecto

 e provocar emoes .
 A aceitao universal do cinema como arte deve-se

 muito ao fato histrico de que , em sua fase inicial , as legendas eram

 dispensveis para a compreenso correta da narrativa .
 Contava-se uma

 histria apenas por imagens que seguiam uma gramtica prpria que

 passou a ser conhecida por linguagem cinematogrfica , repleta de

 planos de aproximao diferentes , enquadramentos especficos ,

 movimentos de cmaras suficientes para darem a dramaticidade exigida

 pela encenao .
 A integrao dos imigrantes de diversos pases que se

 dirigiram para os Estados Unidos , no incio do sculo XX , em muito 

 devida ao cinema mudo que no exigia o domnio da lngua inglesa aos

 italianos , poloneses , russos , chineses que acabavam de chegar .

 O Retorno  Imagtica

 [ INLINE ] A habilidade em criar e experimentar situaes virtuais , de

 combinar informaes de forma pouco comum ou de inventar imagens

 mentais  alvo de muita controvrsia entre filsofos e psiclogos .
 A

 relutncia em aceitar os quadros pictricos da mente no atinge

 somente as evidncias exibidas pela maioria das pessoas , mas tambm a

 capacidade criativa de artistas e pensadores no-lingsticos .
 Os

 primeiros psiclogos , como Wilhelm Max Wundt ( 1832-1920 ) e Edward

 Titchener , perscrutavam os relatos de seus pacientes sobre suas

 imagens internas , vises e sonhos , no final do sculo XIX , para

 sugerirem uma teoria imagtica inicial .

 Entretanto , a hegemonia das pesquisas behavioristas , no perodo que

 vai das primeiras dcadas do sculo XX , at o incio dos anos 70 ,

 impediu a continuidade da investigao das representaes mentais .
 As

 pesquisas sobre rotao das imagens elaboradas por Roger Shepard , na

 universidade Stanford , reintroduziram o tema das representaes

 pictricas no centro das atenes da cincia cognitiva .
 Os resultados

 observados por Shepard trouxeram de volta as questes sobre o

 mecanismo serial de computao , j que elas demonstravam uma passagem

 ordenada por uma seqncia de estados para compreenso das figuras

 expostas em suas diversas posies .

 Steven Kosslyn partiu da iniciativa de Shepard para empreender novos

 testes que visavam ampliar o nmero de provas empricas sobre a

 existncia e flexibilidade da imagtica mental .
 Kosslyn demonstrou que

 procurar propriedades geomtricas de um objeto ausente , localizar

 coisas em um mapa ou responder perguntas sobre fatos cotidianos

 apresentam uma relao de tempo linear entre a distncia dos objetos a

 serem localizados , freqentemente diferente de uma busca real .
 Num

 espao virtual , as perguntas inesperadas exigiam uma inspeo cuja

 resposta dependia do tamanho da parte a ser identificada .
 Objetos

 menores e mais distantes levavam mais tempo que os maiores e mais

 prximos para serem encontrados .
 Quando as questes recaam sobre

 fenmenos familiares para o ouvinte , a rapidez das respostas

 resultaria da nitidez da imagem gravada na memria .

 Kosslyn props , ento , uma teoria imagtica sobre as representaes

 mentais figurativas , na qual as imagens so to importante para

 compreenso da cognio quanto o mtodo proposicional .
 Inicialmente

 ele concebeu um modelo de um tubo de raios catdicos - os tubos de

 imagem dos monitores de TV e computadores - acionados por um programa

 de computador , explicando assim o surgimento de figuras na mente .
 Em

 1992 , esse modelo computacional foi substitudo pelo modelo

 conexionista das rede neurais , onde o estmulo visual flui entre as

 conexes sinpticas que interpretam a informao obtida pelo ajuste de

 pesos que as ligam a outras unidades cerebrais ^ ( 1 ) .

 Experincias Contra Argumentos

 O psiclogo canadense Zenon Pylyshyn no ficou nada satisfeito com o

 retorno do modelo imagtico .
 Para Pylyshyn , o processo cognitivo 

 totalmente computacional e o comportamento do sistema pode ser

 explicado por propriedades intrnsecas de leis biolgicas .
 Assim , as

 imagens no estariam fixadas no equipamento fsico , mas no programa

 que seria composto por um conjunto de smbolos ou proposies

 abstratas manipulveis .
 Portanto , as representaes visuais no

 passariam de um epifenmeno - evento superficial , produto acidental de

 um processo , que no tem efeitos prprios - secundrio  execuo das

 regras algortmicas ^ ( 2 ) .

 Embora admitindo um nvel proposicional de codificao bsico , Kosslyn

 realizou experimentos com intuito de provar que as reas visuais do

 lobo occipital so a sede das imagens .
 Usando o tomgrafo por emisso

 de psitrons ( PET ) , ele pediu a seus pacientes que com a cabea no

 interior da cmara de irradiao , de olhos fechados , respondessem

 perguntas sobre letras maisculas e minsculas do alfabeto .
 O crtex

 visual foi ativado em diversas localizaes , na periferia pelas

 maisculas e no centro da fvea as letras menores .
 Curiosamente , por

 vezes , as representaes visuais imaginadas , mobilizavam uma maior

 rea do crtex , do que a percepo direta da imagem , refutando a

 concepo de uma atividade tnue da imaginao , que , pelo contrrio ,

 pode ser muito intensa ^ ( 3 ) .

 [ INLINE ]

 Numa experincia decisiva quanto a atividade imagtica no crebro ,

 Roger B. H. Tootell coloriu o crtex visual de um macaco e demonstrou

 que , quando o animal via uma figura qualquer , os neurnios ativados

 formavam um mapa topogrfico semelhante  estrutura do que estava

 sendo visto ^ ( 4 ) .
 Por sua vez , o neurologista francs Jean-Pierre

 Changeux , partindo das hiptese de Kosslyn , definiu imagem como " um

 objeto de memria autnomo e fugaz cuja evocao no exige uma

 interao direta como o meio " ^ ( 5 ) .

 Mapas corticais , representaes visuais , memria fotogrfica

 proporcionam um instrumental cognitivo poderoso para o processamento

 de raciocnio espacial e na soluo de problemas relacionados 

 aparncia das coisas .
 Ao invs de utilizar uma longa lista de

 operaes lgicas , o recurso a imagens permite a elaborao de um

 plano de curso desde o incio at o final da tarefa a ser executada .

 As solues gerais de problemas obtm mais xitos pela utilizao de

 diagramas que tornam os objetos mais compreensveis .
 As tomadas de

 decises , freqentemente , empregam recursos imagticos que simulam as

 opes disponveis , antecipando as conseqncias , para s ento

 comprometer o agente com a mais vivel .
 Entre muitas outras

 aplicaes , incluindo lingsticas e na aprendizagem , o uso de imagens

 torna o processo de compreenso mais gil .
 Muitas metforas so

 originalmente visuais , enquanto no processo de generalizao de uma

 categoria a representao por imagens pode ignorar as informaes

 singulares , mantendo a estrutura geral e as propriedades relevantes

 para o conceito .
 A linguagem pictrica dos ideogramas do dialeto

 mandarim que constitui a base da lngua chinesa , ao lado da linguagem

 de sinais dos surdos , so exemplos autnticos de que o raciocnio pode

 operar exclusivamente por imagens .

 " P " de Idias

 Em Como a Mente Funciona ( 1997 ) , Pinker cita o caso de Edward

 Titchener , um psiclogo experimental norte-americano que , no incio do

 sculo XX , aceitou o desafio de criar imagens de idias abstratas .
 O

 conceito de vaca ele definiu por " um retngulo alongado com uma

 expresso facial , uma espcie de beio exagerado " , enquanto o prprio

 significado , segundo Titchener , era representado como " a ponta

 azul-cinzenta de uma espcie de p cncava , com um pedacinho amarelo

 acima ( provavelmente uma parte do cabo ) e que est cavando em uma

 massa escura do que parece ser um material plstico " ^ ( 6 ) .

 Exageros  parte ,  possvel que nem todos possuam uma " p " de idias

 na cabea , como Titchener .
 Nos casos mais restritos , muitas vezes ,

 ser conveniente manter o mtodo do clculo lgico-lingstico .
 A

 avaliao da justia de uma norma moral , ou relaes causais entre

 objetos que no possuam propriedades visuais claras , como o " crebro

 segrega o pensamento " , ou " o gato de Schordinger est 50 % morto e 50 %

 vivo " , ou ainda " a gravidez da virgem " exigem algo mais alm da

 imaginao frtil .
 Operaes lgicas , como as do clculo proposicional

 e dos predicados , precisam de uma descrio verbal ou algbrica para

 um entendimento melhor , no obstante a possibilidade de se criar

 exemplos aproximativos que de fato j so aplicao da prpria regra

 de construo lgica .

 Nem sempre as imagens mentais reproduzem com exatido o objeto da

 representao .
 Caso isso ocorresse , no seria possvel distinguir a

 imaginao da realidade .
 Mesmo assim , elas preservam um carter

 concreto que as representaes proposicionais no podem alcanar .
 Elas

 captam a geometria do objeto e no apenas o seu significado , o que as

 tornam vulnerveis s ambigidades observadas nas iluses de tica .

 Alm disso , o registro de imagens  fragmentado , dependendo do ponto

 de vista em que foram memorizadas .
 Para formar-se a imagem completa ,

 uma coleo de vrias representaes faz-se necessria , o que resulta

 num arranjo pouco fiel  percepo original .
 Os artistas plsticos

 tiveram de enfrentar diretamente esse problema , sendo o cubismo a

 tentativa radical de expressar a figura percebida , tal como sua

 representao mental .

 Por outro lado , as representaes visuais so facilmente influenciadas

 por uma organizao conceitual lingstica estabelecida ou pelas

 emoes e sentimentos .
 Para evitar esse problemas de definio , 

 preciso que o pensamento disponha de conceitos unvocos que faam as

 representaes coerentes .
 Embora uma imagem valha mais do que mil

 palavras , as fotografias de jornal vm sempre acompanhadas por

 legendas que privilegiam uma interpretao adequada do fato .

 As representaes visuais desempenham um papel fundamental para a

 compreenso humana .
 Elas permitem a observao direta de informaes

 visuais e espaciais , evitando uma longa descrio verbal .
 Os processos

 computacionais que podem ser realizados por imagens facilitam a busca

 de objetos , a visualizao de detalhes , a transformao de instrues

 verbais em pictricas , a memorizao de conceitos e a rotao

 espacial , entre outras tarefas .
 Contudo , ao gerar planos e explanaes

 esquemticas que no devem ser ambguas , o pensamento tem de recorrer

 a descries verbais que sigam regras de execuo consistentes , como

 as fornecidas pela lgica .
 Destarte , imagens e conceitos podem

 interagir com objetivo de proporcionar um raciocnio mais gil ,

 criativo e preciso ^ ( 7 ) .

 _Imagem Mental ;

 _Texto : PINKER , S .
 Como a Mente Funciona , cap. 4 , " Imagine !
 " , pp .

 303-317 .

 Referncia Bibliogrfica

 CHANGEUX , J-P .
 O Homem Neuronal ; trad. Artur J. P. Monteiro. - Lisboa :

 Dom Quixote , 1991 .

 DAMSIO , A. R .
 O Erro de Descartes ; trad. Dora Vicente e Georgina

 Segurado. - So Paulo : Companhia das Letras , 1996 .

 GARDNER , H .
 A Nova Cincia da Mente ; trad. Cludia M. Caon. - So

 Paulo : Edusp , 1995 .

 PINKER , S .
 Como a Mente Funciona ; trad. Laura T. Motta. - So Paulo :

 Companhia das Letras , 1998 .

 THAGARD , P .
 Mente ; trad. M  Rita Hofmeister. - Porto Alegre , 1998 .

 Notas

 1 .
 Veja GARDNER , H .
 A Nova Cincia da Mente , part. III , cap. 2 ,

 pp .344-348 e PINKER , S .
 Como a Mente Funciona , cap. 4 , pp. 303-312 .

 2 .
 Veja GARDNER , H. Op .
 Cit. , idem , pp. 350-354 .

 3 .
 Veja PINKER , S. Op .
 Cit. , idem , p. 308 .

 4 .
 Veja DAMSIO , A. R .
 O Erro de Descartes , part. II , cap. 5 , p. 131 .

 5 .
 CHANGEUX , J-P .
 O Homem Neuronal , cap. 5 , p. 144 .

 6 .
 TITCHENER , E. Lectures on the Experimental Psychology of the

 Thought Process , apud PINKER , S .
 Idem , idem , p .315 .

 7 .
 Veja PINKER , S. Ibdem , ibdem , pp. 312-317 .

 Fonte : http : // www.geocities.com / discursus /

 Voltar



 [ INLINE ] [ INLINE ] [ INLINE ]

 Cincia Cognitiva

 Alma Humana

 Crebro

 Consciente e Inc .

 Hipnose

 Filosofia

 I.A. e a Filosofia

 Percepo

 Imagem Mental

 Racionalidade

 PC e Cognio

 [ INLINE ]

 _________________________________________________________________

 " BT Cincia Cognitiva " tem como objetivo o estudo interdisciplinar da mente .

 [ INLINE ]

 _________________________________________________________________

