 NOES DE EDUCAO A DISTNCIA

 Ivnio Barros Nunes

 [ INLINE ]

 [ INLINE ] O objetivo deste documento  servir de orientao inicial

 para aqueles que desejam comear a conhecer um pouco

 da modalidade da educao a distncia .
 Ao mesmo tempo

 em que trata das caractersticas gerais da educao a

 distncia , enunciadas pelos principais estudiosos da matria ,

 o documento apresenta algumas consideraes sobre

 procedimentos que podem ser adotados principalmente

 por grupos que esto pensando em comear a produzir

 materiais e cursos para essa modalidade .
 Qualquer dificuldade ,

 dvida ou mesmo para trocar algumas idias , escreva para o

 autor : ivonio@intelecto.net

 [ INLINE ] 1 .
 INTRODUO

 A educao a distncia  um recurso de incalculvel importncia como

 modo apropriado para atender a grandes contingentes de alunos de forma

 mais efetiva que outras modalidades e sem riscos de reduzir a

 qualidade dos servios oferecidos em decorrncia da ampliao da

 clientela atendida .

 A escolha da modalidade da educao a distncia , como meio de dotar as

 instituies educacionais de condies para atender s novas demandas

 por ensino e treinamento gil , clere e qualitativamente superior , tem

 por base a compreenso de que , a partir dos anos sessenta , a educao

 a distncia comeou a distinguirse como uma modalidade noconvencional

 de educao , capaz de atender com grande perspectiva de eficincia ,

 eficcia e qualidade aos anseios de universalizao do ensino e ,

 tambm , como meio apropriado  permanente atualizao dos

 conhecimentos gerados de forma cada mais intensa pela cincia e

 cultura humana .

 A educao a distncia no surgiu no vcuo ( Keegan 1991,11 ) , tem uma

 longa histria de experimentaes , sucessos e fracassos .
 Sua origem

 recente , j longe das cartas de Plato e das epstolas de So Paulo ,

 est nas experincias de educao por correspondncia iniciadas no

 final do sculo XVIII e com largo desenvolvimento a partir de meados

 do sculo XIX ( chegando aos dias de hoje a utilizar multimeios que vo

 desde os impressos  simuladores online , em redes de computadores ,

 avanando em direo da comunicao instantnea de dados vozimagem via

 satlite ou por cabos de fibra tica , com aplicao de formas de

 grande interao entre o aluno e o centro produtor , quer utilizando-se

 de inteligncia artificial-IA , ou mesmo de comunicao instantnea com

 professores e monitores ) .

 Do incio do sculo XX , at a Segunda Guerra Mundial , vrias

 experincias foram adotadas desenvolvendose melhor as metodologias

 aplicadas ao ensino por correspondncia que , depois , foram fortemente

 influenciadas pela introduo de novos meios de comunicao de massa ,

 principalmente o rdio , dando origem a projetos muito importantes ,

 principalmente no meio rural .

 A necessidade de capacitao rpida de recrutas norteamericanos

 durante a ll Guerra Mundial faz aparecerem novos mtodos ( entre eles

 se destacam as experincias de F.Keller para o ensino da recepo do

 Cdigo Morse , v. Keller , 1943 ) que logo sero utilizados , em tempos de

 paz , para a integrao social dos atingidos pela guerra e para o

 desenvolvimento de capacidades laborais novas nas populaes que

 migram em grande quantidade do campo para as cidades da Europa em

 reconstruo .

 No Brasil , desde a fundao do Instituto RdioMonitor , em 1939 , e

 depois do Instituto Universal Brasileiro , em 1941 , vrias experincias

 foram iniciadas e levadas a termo com relativo sucesso ( Guaranys ;

 Castro , 1979 , 18 ) .
 Entretanto , em nossa cultura chama a ateno um

 trao constante nessa rea : descontinuidade dos projetos ,

 principalmente os governamentais .

 Entre as primeiras experincias de maior destaque encontrase

 certamente , a criao do Movimento de Educao de BaseMEB , cuja

 preocupao bsica era alfabetizar e apoiar os primeiros passos da

 educao de milhares de jovens e adultos atravs das " escolas

 radiofnicas " , principalmente nas regies Norte e Nordeste do Brasil .

 Desde seus primeiros momentos , o MEB distinguiuse pela utilizao do

 rdio e montagem de uma perspectiva de sistema articulado de ensino

 com as classes populares .
 Porm , a represso poltica que se seguiu ao

 golpe de 1964 desmantelou o projeto inicial , fazendo com que a

 proposta e os ideais de educao popular de massa daquela instituio

 fossem abandonados .

 Mas o verdadeiro salto dse a partir de meados dos anos 60 com a

 institucionalizao de vrias aes nos campos da educao secundria

 e superior , comeando pela Europa ( Frana e Inglaterra ) e se

 expandindo aos demais continentes .
 Walter Perry e Greville Rumble

 ( 1987,4 ) citam as experincias que mais se destacaram .
 Em nvel do

 ensino secundrio : HermodsNKI Skolen , na Sucia ; Radio ECCA , na llhas

 Canrias ; Air Correspondence High School , na Coria do Sul ; Schools of

 the Air ; na Austrlia ; Telesecundria , no Mxico ; e National Extension

 College , no Reino Unido .
 Em nvel universitrio : Open University , no

 Reino Unido ; FernUniversitat , na Alemanha ; Indira Gandhi National Open

 University , na India ; Universidade Estatal a Distncia , na Costa Rica .

 As quais podemos acrescentar a Universidade Nacional Aberta , da

 Venezuela ; Universidade Nacional de Educao a Distncia , da Espanha ;

 o Sistema de Educao a Distncia , da Colmbia ; a Universidade de

 Athabasca , no Canad ; a Universidade para Todos os Homens e as 28

 universidades locais por televiso na China Popular , entre muitas

 outras .
 Atualmente mais de 80 pases , nos cinco continentes , adotam a

 educao a distncia em todos os nveis de ensino , em sistemas formais

 e noformais de ensino , atendendo a milhes de estudantes .
 A educao

 a distncia tem sido largamente usada para treinamento e

 aperfeioamento de professores em servio , como  o caso do Mxico ,

 Tanzania , Nigria , Angola e Moambique .
 Programas noformais de ensino

 tm sido utilizados em larga escala para adultos nas reas de sade ,

 agricultura e previdncia social , tanto pela iniciativa privada como

 pela governamental .
 Hoje  crescente o nmero de instituies e

 empresas que desenvolvem programas de treinamento de recursos humanos

 atravs da modalidade da educao a distncia .
 Na Alemanha , em que

 pese reclamaes empresariais com respeito ao alto custo da modeobra ,

 o elevado ndice de produtividade do trabalho est relacionado

 diretamente aos investimentos em treinamento e reciclagem .
 Na Europa ,

 de forma acelerada se investe em educao a distncia para o

 treinamento de pessoal na rea financeira , representando o

 investimento em treinamento maior produtividade e reduo de custos na

 ponta ( Nunes , 1992a ) .
 Nos Estados Unidos , no programa do novo governo ,

 que tomou posse em janeiro de 1993 , ganha destaque o investimento em

 formao e treinamento de pessoal , o que ir certamente gerar

 significativo impulso  educao a distncia naquele pas .

 As experincias brasileiras , governamentais , nogovernamentais e

 privadas , so muitas e representaram , nas ltimas dcadas , a

 mobilizao de grandes contingentes de tcnicos e recursos financeiros

 nada desprezveis .
 Contudo , seus resultados no foram ainda

 suficientes para gerar um processo de irreversibilidade na aceitao

 governamental e social da modalidade de educao a distncia no

 Brasil .
 Os principais motivos disto so a descontinuidade de projetos ,

 a falta de memria administrativa pblica brasileira e certo receio em

 adotar procedimentos rigorosos e cientficos de avaliao dos

 programas e projetos .

 [ INLINE ] 2 .
 CONCEITO

 H conceitos que , por sua pouca maturidade ou grande dependncia com

 outros j dominantes , demoram muito a firmarse a partir de suas

 prprias caratersticas .
 Com a educao a distncia aconteceu assim .

 Primeiro conceituouse , por ser tambm mais simples e direto , o que no

 seria educao a distncia .
 Somente a partir das pesquisas dos anos 70

 e 80 , ela foi vista pelo que  , ou seja , a partir das caractersticas

 que a determinam ou por seus elementos constitutivos .

 Desta forma , as primeiras abordagens conceituais , que qualificavam a

 educao a distncia pelo que ela no era , tomavam um referencial

 externo ao prprio objeto como paradigma , pois estabeleciam comparao

 imediata com a educao presencial , tambm denominada educao

 convencional , direta ou face-a-face , onde o professor , presente em

 sala de aula ,  a figura central .
 No Brasil , at hoje , muitos costumam

 seguir o mesmo caminho , preferindo tratar a educao a distncia a

 partir da comparao com a modalidade presencial da educao .
 Esse

 comportamento no  de todo incorreto , mas promove um entendimento

 parcial do que  educao a distncia e , em alguns casos , estabelece

 termos de comparao pouco cientficos .

 Estudos mais recentes apontam para uma conceituao , se no homognea ,

 mais precisa do que  educao a distncia .

 Walter Perry e Greville Rumble ( 1987 , 12 ) afirmam que a caracterstica

 bsica da educao a distncia  o estabelecimento de uma comunicao

 de dupla via , na medida em que professor e aluno no se encontram

 juntos na mesma sala requisitando , assim , meios que possibilitem a

 comunicao entre ambos como correspondncia postal , correspondncia

 eletrnica , telefone ou telex , rdio , " modem " , vdeodisco controlado

 por computador , televiso apoiada em meios abertos de dupla

 comunicao , etc .
 Afirmam , tambm , que h muitas denominaes

 utilizadas correntemente para descrever a educao a distncia , como :

 estudo aberto , educao notradicional , estudo externo , extenso ,

 estudo por contrato , estudo experimental .

 Contudo , nenhuma dessas denominaes serve para descrever com exatido

 educao a distncia ; so termos genricos que , em certas ocasies ,

 incluemna mas no representam somente a modalidade a distncia .
 Para

 exemplificar : um livro ou fascculo , desses que se intitulam " faa

 voc mesmo " ; um texto isolado de instruo programada ; uma programao

 insulada de rdio ou um programa assistemtico de televiso ; no so

 formas de educao a distncia .
 Esta pressupe um processo educativo

 sistemtico e organizado que exige no somente a duplavia de

 comunicao , como tambm a instaurao de um processo continuado , onde

 os meios ou os multimeios devem estar presentes na estratgia de

 comunicao .
 A escolha de determinado meio ou multimeios vem em razo

 do tipo de pblico , custos operacionais e , principalmente , eficcia

 para a transmisso , recepo , transformao e criao do processo

 educativo .

 Por seu turno , Desmond Keegan ( 1991 , 29 ) afirma que o termo genrico

 de educao a distncia inclui um conjunto de estratgias educativas

 referenciadas por : educao por correspondncia , utilizado no Reino

 Unido ; estudo em casa ( home study ) , nos Estados Unidos ; estudos

 externos ( external studies ) , na Austrlia ; ensino a distncia , na Open

 University do Reino Unido .
 E , tambm , tlenseignement , em francs ;

 Fernstudium / Fernunterricht , em alemo ; educacin a distncia , em

 espanhol ; e teleducao , em portugus .

 Em portugus ,  bom lembrar , educao a distncia , ensino a distncia

 e teleducao so termos utilizados para expressar o mesmo processo

 real .
 Contudo , algumas pessoas ainda confundem teleducao como sendo

 somente educao por televiso , esquecendo que tele vem do grego , que

 significa ao longe ou , no nosso caso , a distncia .
 H diferenas entre

 educao a distncia e educao aberta , porm ainda prevalece ,

 principalmente nos projetos universitrios , forte iluso de semelhana

 entre ambos os conceitos .
 No caso da educao aberta , esta pode ser a

 distncia ou presencial , o que a diferencia da educao tradicional , 

 que todos podem nela ingressar , independentemente de escolaridade

 anterior .
 O aluno pode organizar seu prprio currculo e ir vencendoo

 por seu prprio ritmo ( Cirigliano , 1983 , 11 ) .
 Alm disso , na expresso

 educao a distncia , pode-se ou no usar a crase , pois ela 

 facultativa neste caso , sendo obrigatria somente quando define-se a

 distncia , por exemplo :  distncia de trs metros .

 Visto isto , passemos a observar com maior detalhe , como pesquisadores

 da rea expressam o que consideram essencial para a conceituao da

 educao a distncia , conforme figura no estudo de Keegan ( 1991 ,

 3638 ) .

 G. Dohmem ( 1967 )

 Educao a distncia ( Ferstudium )  uma forma sistematicamente organizada

 de autoestudo onde o aluno se instrui a partir do material de estudo que

 Ihe  apresentado , onde o acompanhamento e a superviso do sucesso do

 estudante so levados a cabo por um grupo de professores .
 Isto  possvel

 de ser feito a distncia atravs da aplicao de meios de comunicao

 capazes de vencer longas distncias .
 O oposto de " educao a distncia " 

 a " educao direta " ou " educao faceaface " : um tipo de educao que tem

 lugar com o contato direto entre professores e estudantes .

 O. Peters ( 1973 )

 Educao / ensino a distncia ( Fernunterricht )  um mtodo racional de

 partilhar conhecimento , habilidades e atitudes , atravs da aplicao da

 diviso do trabalho e de princpios organizacionais , tanto quanto pelo

 uso extensivo de meios de comunicao , especialmente para o propsito de

 reproduzir materiais tcnicos de alta qualidade , os quais tornam possvel

 instruir um grande nmero de estudantes ao mesmo tempo , enquanto esses

 materiais durarem .
  uma forma industrializada de ensinar e aprender .

 M. Moore ( 1973 )

 Ensino a distncia pode ser definido como a famlia de mtodos

 instrucionais onde as aes dos professores so executadas a parte das

 aes dos alunos , incluindo aquelas situaes continuadas que podem ser

 feitas na presena dos estudantes .
 Porm , a comunicao entre o professor

 e o aluno deve ser facilitada por meios impressos , eletrnicos , mecnicos

 ou outros .

 B. Holmberg ( 1977 )

 O termo " educao a distncia " escondese sob vrias formas de estudo , nos

 vrios nveis que no esto sob a contnua e imediata superviso de

 tutores presentes com seus alunos nas salas de leitura ou no mesmo local .

 A educao a distncia se beneficia do planejamento , direo e instruo

 da organizao do ensino .

 Keegan ( 1991 , 38 ) sumariza os elementos que considera centrais dos

 conceitos acima enunciados :

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 separao fsica entre professor e aluno , que a distingue do ensino presencial ;

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 influncia da organizao educacional ( planejamento , sistematizao , plano ,

 projeto , organizao dirigida etc ) , que a diferencia da educao individual ;

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 utilizao de meios tcnicos de comunicao , usualmente impressos , para unir o

 professor ao aluno e transmitir os contedos educativos ;

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 previso de uma comunicao de mo dupla , onde o estudante se beneficia de um

 dilogo , e da possibilidade de iniciativas de dupla via ;

 [ INLINE ]

 possibilidade de encontros ocasionais com propsitos didticos e de socializa

 o ; e

 [ INLINE ]

 participao de uma forma industrializada de educao , a qual , se aceita ,

 contm o grmem de uma radical distino dos outros modos de desenvolvimento da

 funo educacional .

 Armengol ( 1987 , 2224 ) enumera , com base em seus estudos sobre educao

 superior a distncia e nos trabalhos de Borje Holmberg , Anthony Kaye e

 Greville Rumble , as seguintes caractersticas da educao a distncia

 ( traduo no integral e comentada , cf .
 Nunes , 1992b ) :

 a ) populao estudantil relativamente dispersa , devido a razes de

 posio geogrfica , condies de emprego , incapacidade fsica etc ;

 Uma grande quantidade de alunos , principalmente adultos , ao mesmo

 tempo em que tm uma enorme necessidade de prosseguir seus estudos

 ou de aperfeioar-se , por motivos variados , principalmente a falta

 de condies de subordinar-se  disciplina de horrios e locais das

 escolas presenciais , no conseguem ascesso ao ensino .
 No caso

 daqueles que j tm uma profisso e esto trabalhando em horrio

 integral ,  quase impossvel compatibilizar seus horrios

 profissionais e suas responsabilidades familiares com um novo

 curso .
 Assim , a educao a distncia aparece como o nico meio

 adequado de dar-lhes acesso a um novo saber .

 b ) populao estudantil predominantemente adulta , que apresenta

 peculiaridades que justificam enfoques educativos andraggicos .

 Quanto a este aspecto , Keegan ( 1991 , 6 ) afirma que a educao " pode

 prover um programa educativo completo para ambos , crianas e

 adultos " .

 No caso de tratarse de curso destinado a pblico infantil e

 adolescente ,  fundamental que se observe a necessidade de um forte

 apoio logstico e institucional que institua meios permanentes de

 estmulo social e motivao individual , quer incorporando as

 instituies sociais locais , quer dando forte destaque aos meios de

 comunicao com apelo emotivo .
  recomendvel que os cursos sejam

 mediados por orientadores de aprendizagem treinados a estimular os

 jovens e a valorizar sua aprendizagem individual .
 Exerccios e

 experimentos prticos , ligados  realidade concreta dos jovens

 devem ser uma constante no processo de ensino .

 No caso de populao adulta , a maioria da clientela da educao a

 distncia ,  fundamental que os projetos tenham , desde seu incio ,

 a perspectiva de valorizao da experincia individual , no somente

 no que se refere ao tema a ser estudado mas , principalmente , no

 tratamento dos contedos a partir da experincia de vida e cultura

 dos alunos .

 Quanto a valorizao da experincia anterior , devese levar em conta

 aspectos importantes da cultura geral e local .
 Em se tratando de

 pessoas com pouca escolaridade formal ou indivduos educados em

 processos que pouco incentivam a iniciativa individual , 

 imperativo que os cursos sejam precedidos ou , em todos os seus

 estgios , incorporem pequenos cursos ( ou mdulos ) que ensinem como

 estudar , como utilizar seu tempo e estimulem o aluno a tomar

 iniciativas e a construir sua autonomia .
 Os problemas e o grau de

 complexidade do curso , tambm , devem levar em considerao os

 aspectos culturais e o aprendizado anterior do aluno .
 Esse processo

 deve ser adequadamente controlado , como meio de avaliar se o curso

 est realmente atingindo seus objetivos e se os alunos esto

 verdadeiramente superando estgios de apatia e subordinao ,

 vencendo barreiras e desenvolvendo sua autonomia e independncia .

 De qualquer modo , como ensina Fred Keller com seu mtodo ( Keller ,

 1972 ) ,  fundamental que sejam dosados adequadamente os conceitos

 tratados em cada etapa do curso , evitandose sobrecarregar o aluno

 com contedos que podem confundir mais que esclarecer .

 c ) cursos que pretendem ser autoinstrucionais , mediante a elaborao de

 materiais para o estudo independente , contendo objetivos claros ,

 auto-avaliaes , exerccios , atividades e textos complementares .
 Estes

 cursos podem ser autosuficientes e constituirse em guia para o estudo

 de um conjunto de outros textos , fomentando a capacidade de observao

 e crtica e o pluralismo de idias , aspectos especialmente valiosos

 nos estudos universitrios ;

 Do ponto de vista da preparao dos materiais , h uma diferena

 fundamental entre a educao presencial e a distncia .
 Neste ltimo

 caso ,  importante que os materiais sejam preparados por equipes

 multidisciplinares / transdisciplinares que incorporem nos

 instrumentos pedaggicos escolhidos as tcnicas mais adaptadas para

 a auto-instruo , tendo em vista que o processo de aprendizagem

 dever se dar com uma pequena participao de apoios externos .
 O

 centro do processo de ensino passa a ser o estudante .

  essencial tambm que se procure ir ampliando as possibilidades de

 escolha dos estudantes , oferecendo vises alternativas sobre o

 mesmo problema e materiais complementares que auxiliem na formao

 de um pensamento crtico e analtico .

 d ) cursos prproduzidos , que geralmente usam de forma predominante

 textos impressos , mas combinandoos com uma ampla variedade de outros

 meios e recursos tais como : suplementos de peridicos e revistas ,

 livros adicionais , rdio e televiso educativos em circuito aberto ou

 fechado , filmes , computadores e , especialmente , microcomputadores ,

 vdeodiscos , vdeotextos , comunicaes mediante telefone , rdio e

 satlite , equipamentos portteis para testes ( " kits " ) , etc .
 A adequada

 integrao desses diversos meios para conquistar objetivos

 instrucionais , contituiu o denominado " enfoque multimeio " .
 A logstica

 desses cursos se caracteriza pela centralizao da produo , combinada

 com uma descentralizao da aprendizagem ;

 Para a implantao de um sistema de educao a distncia ou mesmo a

 ampliao de um j existente , h que se considerar , alm desses

 aspectos enunciados por Armengol , as tendncias comunicativas ,

 tanto no que diz respeito a equipamentos ( hardware ) quanto a

 programas ( software ) , para que no se faa investimentos que se

 tornem obsoletos no curto prazo .
 Atualmente , tendo em vista a

 grande flexibilidade que adquiriram os microcomputadores , h uma

 forte tendncia em poderse utilizlos em substituio a outras

 formas de comunicao , principalmente para a educao , que em breve

 ter , a custo relativamente baixo , a possibilidade de utilizao em

 massa da multimdia e de teleconferncias com base em computadores

 pessoais ou redes de computadores .

 Para sistemas de educao a distncia de pequeno porte ou queles

 que tm dificuldades oramentrias , muitas vezes a incorporao de

 novos meios de comunicao parece algo muito distante e  vista por

 muitos como utopia .
 Recorrentemente os administradores tm por

 prtica imaginar o custo de implantao de um sistema completo .
 No

 caso da informtica , at pouco tempo atrs , no havia como

 imaginarse incorporao de um sistema por partes pequenas , ou se

 comprava um computador de grande porte , com seus altos custos de

 instalao e programas proprietrios , ou no se fazia nada .
 Hoje a

 realidade  bem distinta , tanto no que se refere  informtica como

 ao vdeo .
  bem possvel comearse inovaes a partir de pequenos

 investimentos .

 Esses investimentos so muito importantes pois podem proporcionar

 elevados ganhos de produtividade e de qualidade ao processo de

 elaborao e produo de materiais , no somente no que se refere 

 acelerao do ritmo de produo , mas principalmente  incorporao ,

 desde esta etapa de produo de materiais , de mtodos e tcnicas

 que sero muito valiosos no seguimento dos cursos ( aplicao ,

 acompanhamento , avaliao ) .

 e ) comunicaes massivas , uma vez que os cursos estejam preparados 

 possvel , conveniente e economicamente vantajoso utilizlos para um

 grande nmero de estudantes ;

  imprescindvel , porm , testar adequadamente os materiais em

 situaes que possibilitem sua avaliao precisa .
 Caso contrrio , o

 custo poder ser muito grande e o resultado relativamente pequeno .

 No caso de reformulaes ou atualizaes de cursos j existentes 

 recomendvel que se faa primeiro a reformulao de um dos

 primeiros ou dos ltimos mdulos , testandoo depois , averiguando

 quais as melhores formas de aplicao , mudanas de linguagem etc ,

 para depois continuar a reformulao dos demais materiais .

 Em se tratando de curso de longa durao , como os cursos formais ,

 para que no se perca muito tempo , recursos financeiros e desgaste

 as equipes em esforos concentrados para a reformulao de todo o

 material de tempos em tempos ,  recomendvel que sempre uma parte

 da equipe esteja trabalhando na reformulao e atualizao de

 materiais e interagindo com outras equipes e instituies que

 estejam pesquisando novas metodologias e linguagens .
 Dessa forma 

 possvel diluirse o investimento de renovao ao longo do tempo e

 irse disseminando os novos conhecimentos por todas as equipes

 produtoras e tcnicas .

 Um material que apresente problemas no processo de aprendizagem 

 sempre aquele que deve merecer maior ateno da equipe de

 reformulao , sendo tambm recomendvel que haja alguma interao

 entre aqueles que iro reformular e aqueles que elaboraram

 primeiramente os materiais , mas  mais produtivo que as equipes no

 sejam integralmente as mesmas .

 f ) comunicaes organizadas em duas direes , que se produzem entre os

 estudantes e o centro produtor dos cursos .
 Esta comunicao se cumpre

 mediante tutorias , orientaes , observaes sobre trabalhos e ensaios

 realizados pelo estudante , autoavaliaes e avaliaes finais .
 O meio

 principal de comunicao  a palavra escrita , entretanto usase com

 frequncia o telefone , o rdio e reunies entre tutor e aluno ou com

 pequenos grupos ;

 No caso de tratarse de cursos onde h facilidade de acesso a

 equipamentos mais sofisticados , se os custos disso compensarem ,

 podese utilizar o microcomputador ligado na rede telefnica por um

 equipamento denominado " modem " .

 Instituies que j tenham adquirido certa estabilidade

 institucional e j estejam desenvolvendo e aplicando seus cursos h

 um certo tempo , no podem deixar de manter pessoal encarregado ( ou

 outras instituies sob contrato ) de pesquisar , desenvolver e

 aplicar , mtodos e tcnicas novos de comunicao de dupla via .
 A

 tecnologia comunicativa moderna tem avanado muito e as

 transformaes so permanentes e cada vez mais velozes .
 Essa

 situao exige uma ateno redobrada tanto das equipes de pesquisa

 quanto dos formuladores de polticas administrativas , sob a pena de

 se optar por mtodos que podem se tornar obsoletos e , portanto , de

 elevado custo de reposio no curto prazo .

 No Brasil  comum iniciarse procedimentos de informatizao a

 partir de reas administrativas ou tcnicas .
 Isto no se constitui

 necessariamente em erro , pois um plano interno de informtica 

 formulado a partir da conjuno de vrios fatores .
 No entanto , em

 se tratando de uma instituio de educao a distncia , o

 retardamento em se desenvolver procedimentos operacionais e

 tcnicos que incorporem a informtica no processo de produo de

 materiais , avaliao , comunicao professoraluno , etc. , pode trazer

 problemas muito srios no futuro , no somente por causa do

 distanciamento entre as linguagens entre o pessoal das equipes

 tcnicas e pedaggicas , mas tambm porque os ncleos de elaborao

 pedaggica no estaro se formando para a utilizao racional e

 adequada das novas tecnologias .
 Isto pode provocar uma subordinao

 da rea pedaggica a " mitos tcnicos " ou a averso dessa mesma rea

  aplicao de novas tecnologias .

 Esta questo no pode estar desvinculada do processo de elaborao

 de materiais .
 Por isso  que insistimos na necessidade de

 incorporarse , desde logo , procedimentos inovadores na produo de

 materiais , pois  possvel , mesmo a ttulo de experimentao ,

 comear , a baixo custo , a fazer testagens de mtodos e tcnicas de

 comunicao entre o centro produtor e um dos centros receptores .

 Isto vale tanto para o caso de sistemas baseados em televiso ( que

 geralmente requerem grandes investimentos quando da introduo de

 mudanas significativas ) , como naqueles baseados em textos

 impressos mas que mantm departamentos ou ncleos em regies

 distantes do centro produtor .

 Com isso , podese testar a eficcia do mtodo e das tecnologias e

 avaliar se adequadamente seu custo relativo , antes que se expanda

 sua aplicao .

 g ) estudo individualizado , sem pretender que ele seja uma

 caracterstica exclusiva desta forma de ensino .
 Contudo , " aprender a

 aprender " constitui um recurso especialmente importante para o

 estudante a distncia e  deste ponto que seu desenvolvimento deve ser

 impulsionado neste tipo de educao ;

 Mesmo para os projetos / cursos que sejam fortemente baseados na

 recepo grupal , h que se considerar este aspecto importante : o

 estudante  um indivduo com caractersticas prprias , que devem

 ser respeitadas ; do mesmo modo , deve merecer ateno o ritmo de

 estudo individual .
 Portanto , devese considerar seu comportamento e

 os mecanismos facilitadores de aprendizagem nessa situao .

 Um dos projetos de maior significncia , do ponto de vista da

 eficcia da educao a distncia ,  a incorporao de procedimentos

 educativos que auxiliem o estudante a ingressar na modalidade

 educativa a distncia .
 Os alunos , geralmente , tm forte influncia

 dos mtodos presenciais e , principalmente , so pouco educados a

 estudar a partir de seu prprio esforo individual .
 Neste caso , 

 fundamental que se oriente o estudante ( no s em um momento

 inicial , mas durante todo o perodo em que estiver realizando

 atividades a distncia ) a estudar por conta prpria , desenvolvendo

 habilidades de independncia e iniciativa .

 h ) forma mediadora de conversao guiada , este aspecto tem sido

 destacado , especialmente por Holmberg , ressaltando como fundamental os

 aspectos relacionados  separao entre professor e aluno , que

 condicionaro as formas em que se do a comunicao entre ambos ;

 As formas mais simples de educao a distncia , baseadas somente em

 textos impressos , podem e devem incorporar , desde sua preparao ,

 procedimentos de conversao de dupla via , que podem estar

 incorporados nos textos e exerccios , na auto-avaliao contnua , e

 darem adequada orientao de como e quando outros intrumentos de

 conversao podero ser utilizados , facilitando o acesso do aluno

 ao professor , ao tutor , aos animadores , etc .

 Porm , novas tecnologias comunicativas , que esto sendo colocadas 

 disposio dos alunos e dos centros produtores , tm facilitado

 muito , pela rapidez e pelos baixos custos , a ligao do aluno ao

 apoios didticos .
 No obstante isso , deve-se evitar a crena de que

 a facilidade de comunicao substitui os defeitos dos materiais , ao

 contrrio , ela deve aparecer como uma meio a mais para facilitar o

 sucesso do aluno .

 Ademais , essas mesmas tecnologias , esto possibilitando um salto de

 qualidade na comunicao , produzindo mecanismos de contato entre os

 alunos , mesmo a distncia , para que troquem experincias e

 vivncias na condio de alunos .
 Um dos meios mais apropriados para

 tal , dado o baixo custo ,  o correio eletrnico e a conferncia

 eletrnica .

 No Brasil , as organizaes no-governamentais j possuem um sistema

 altamente sofisticado , de baixo custo e fcil de ser utilizado

 chamado AlterNex , que liga as organizaes e as pessoas por meio do

 computador que tenha um aparelho chamado MODEM

 ( MOdulador / DEMolulador ) .

 Com o desenvolvimento da Internet grfica ( Web ) , as fronteiras para

 a educao a distncia se expandiram , podendo reunir-se num s meio

 de comunicao as vantagens dos diferentes modos de se comunicar

 informaes e idias , de forma cada vez mais interativa ,

 reduzindo-se custos e ampliando as possibilidades de

 auto-descobrimento , atravs principalmente do uso de milhares de

 opes de buscas de informaes na grande rede mundial .
 O idioma ,

 para alguns ainda  problema , mas a crescente produo de materiais

 educativos em vrios idiomas , como o portugus , reduzir essa

 limitao em prazo muito curto .

 i ) tipo industrializado de ensino aprendizagem , a produo massiva de

 materiais autoinstrucionais implica em uma clara diviso do trabalho

 na criao e produo , tanto intelectual como fsica dos materiais .

 Ainda que alm deste modelo existam outros , este constituise no mais

 utilizado e importante em escala mundial :

  importante observar que esse modelo pressupe ou , no mnimo , traz

 como conseqncia a valorizao do trabalho

 multidisciplinar / transdisciplinar e em equipe , quase sempre ausente

 ou tendencialmente ausente do processo de educao presencial , onde

 a figura central do professor acaba por valorizar o trabalho

 artesanal e solitrio do mestrearteso produzindo sua obra prima e

 reproduzindoa depois .

 j ) crescente utilizao da " Nova Tecnologia Informativa " , Scriven ( 1991 )

 afirma que a informao no  educao , mas o conhecimento se firma na

 informao .
 A antiga tecnologia informativa utilizava principalmente

 meios mecnicos e eltricos para cumprir suas funes ; ao contrrio ,

 Hawdrigde ( 1983 ) explica que a nova tecnologia informativa depende

 mais da eletrnica e fundamentalmente compreende trs tecnologias

 convergentes : computao , microeletrnica e telecomunicaes .
 As

 possibilidades dessas novas tecnologias para a educao a distncia

 so extraordinrias .
 Obviamente , tambm a educao presencial pode

 beneficiarse desses novos meios , porm com um alcance mais limitado

 que nos sistemas a distncia ;

 Os avanos na rea de microcomputao indicam uma tendncia

 excepcional para a educao , quando da universalizao , a baixo

 custo , da multimdia e da " realidade virtual " .
 Esta ltima , quando

 melhor desenvolvida , ser muito til certamente para o ensino de

 matrias que requerem exerccios e experincias simulados .

 H muitos crticos da utilizao de tecnologia comunicativa na

 educao .
 Grande parte das observaes contrrias  utilizao de

 modernas tecnologias na educao dse no por causa da tecnologia

 em si , mas principalmente pelo uso que dela se faz .
 Por um lado ,

 no se prepara os profissionais da educao para tirarem o mximo

 proveito da tecnologia e , por outro , esta tem , em vrias ocasies ,

 servido simplesmente como meio de fixao de uma mensagem nica e

 acrtica .

 A tecnologia da comunicao telefnica digital e a instalao de

 cabos de fibra tica no Brasil , possibilitaro em breve a

 introduo de meios adequados para a teleconferncia e a integrao

 de cursos multimdia remotos em computadores pessoais .
 Essa nova

 aplicao tecnolgica na educao ter efeitos muito importantes no

 treinamento de pessoal das grandes corporaes e de grandes

 contingentes de pessoal .

 k ) tendncia a adotar estruturas curriculares flexveis , via mdulos e

 crditos ; tais estruturas permitem uma maior adaptao s

 possibilidades e aspiraes individuais da populao estudantil , sem

 que isto venha em detrimento da qualidade acadmica do material

 instrucional .
 Tampouco , neste caso , podese pretender que este aspecto

 seja exclusivo da educao a distncia , mas indubitavelmente para ela

 representa a possibilidade de oferecer a seus estudantes uma abertura

 e facilidades que na educao presencial realmente s se pode oferecer

 nos estudos de psgraduao ;

 Com respeito a este aspecto , o mtodo desenvolvido por Fred Keller ,

 denominado PSI-Personalized System of Instruction , apresenta grande

 contribuio para a organizao de um processo continuado , centrado

 no aluno , que a educao a distncia pode absorver e incrementar .

 Por outro lado , h que se observar que no basta a preferncia pelo

 sistema de crditos , tendncia dominante das universidades

 brasileiras hoje .
 A questo est em como administrar esse sistema

 de modo a oferecer realmente liberdade de ao ao estudante .
 O

 sistema de crditos atualmente utilizado no Brasil no tem

 contribudo para a flexibilidade que a proposta original apontava .

 Na educao a distncia essa maleabilidade se d com a adoo de

 uma concepo aberta de ensino e a existncia prvia de grande

 variedade de materiais , que podem constituir crditos

 suficientemente numerosos que proporcionem a administrao

 matricial dos cursos .

 Holmberg ( 1985,140-145 ) apresenta estudo que indica a superioridade

 do PSI sobre outros mtodos de ensino convencional , destacando-se

 alguns paralelos entre a educao a distncia e os princpios

 basilares do PSI , contudo aponta uma crtica ao carter

 eminentemente condutivista , em seu entender , ao mtodo PSI .
 Mas , em

 que pese esse aspecto , Holmberg assinala como importante o carter

 essencial da comunicao de dupla via entre o aluno e o professor ,

 o respeito ao ritmo do aluno , a importncia do uso de meios

 impressos , e a acentuao da motivao .

 Na utilizao da rede Internet , vrios softwares esto sendo

 produzidos , alguns podero se valer dessa experincia desenvolvida

 pelo mtodo PSI , alcanando muito mais facilmente os objetivos

 iniciais .

 l ) custos decrescentes por estudante , depois de elevados investimentos

 iniciais e sempre e quando se combinem uma populao estudantil

 numerosa com uma operao eficiente , a educao a distncia pode ser

 mais barata .
 Greville Ruble afirmou que ( " Planning for Distance

 Education " , trabalho apresentado no Seminrio Africano sobre Educao

 a Distncia , realizado em Addis Abeba em 1979 .
 citado por Armengol ,

 ibidem , grifo nosso ) :

 " Finalmente , h incentivos econmicos para adotar o ensino a

 distncia .
 O sistema de educao convencional exige grandes

 investimentos em recursos humanos .
 Pode-se argumentar que usando as

 facilidades de uma produo centralizada para elaborar e produzir

 materiais de alta qualidade , para estudantes independentes , podese

 obter grandes economias .
 Este argumento deve ser examinado com

 muito cuidado .
 A concepo de materiais de boa qualidade , adequados

 para esse estudo  mais caro em termos de tempo de professor , hora

 de estudante e tempo de aprendizagem , que nos casos do ensino

 convencional ' caraacara ' .
 Ademais , os custos iniciais de produo

 fsica , distribuio e transmisso podem ser muito elevados e

 certamente muito mais custosos que o caso de sistemas tradicionais .

 Contudo , a varivel custo de ensino  geralmente mais baixa no

 ensino a distncia sempre e quando a populao estudantil a ser

 atendida for suficientemente grande. "

 [ INLINE ] 3 .
 UTILIZAO DA EDUCAO A DISTANCIA NO BRASIL

 Apesar de certas divergncias pontuais , comea se a chegar a um

 conjunto relativamente homogneo de caractersticas que acabam por

 conceituar a educao a distncia e darlhe uma dimenso prtica

 adaptada aos dias atuais e s demandas por universalizao de

 processos de ensino .

  importante observar que a educao a distncia no pode ser vista

 como substitutiva da educao convencional , presencial .
 So duas

 modalidades do mesmo processo .
 A educao a distncia no concorre com

 a educao convencional , tendo em vista que no  este o seu objetivo ,

 nem poder ser .

 Se a educao a distncia apresenta como caracterstica bsica a

 separao fsica e , principalmente , temporal entre os processos de

 ensino e aprendizagem , isto significa no somente uma qualidade

 especfica dessa modalidade , mas , essencialmente , um desafio a ser

 vencido , promovendose de forma combinada , o avano na utilizao de

 processos industrializados e cooperativos na produo de materiais com

 a conquista de novos espaos de socializao do processo educativo .

 Esta modalidade de ensino no pode ser encarada como uma panacia para

 todos os males da educao brasileira .
 H um esforo muito grande dos

 educadores e pesquisadores da educao em mostrar que os problemas da

 educao brasileira no se concentram somente no interior do sistema

 educacional , mas , antes de tudo , refletem uma situao de desigualdade

 e polaridade social , produto de um sistema econmico e poltico

 perverso e desequilibrado .
 " Certamente que a educao , nas suas mais

 diversas modalidades , no tem condies de sanear nossos mltiplos

 problemas nem satisfazer nossas mais variadas necessidades .
 Ela no

 salva a sociedade , porm , ao lado de outras instncias sociais , ela

 tem um papel fundamental no processo de distanciamento da incultura ,

 da acriticidade e na construo de um processo civilizatrio mais

 digno do que este que vivemos " ( Luckesi , 1989 , 10 ) .

 Nesse sentido , a educao a distncia pode contribuir de forma

 significativa para o desenvolvimento educacional de um pas ,

 notadamente de uma sociedade com as caractersticas brasileiras , onde

 o sistema educacional no consegue desenvolver as mltiplas aes que

 a cidadania requer .

 [ INLINE ] 3.1 .
 Possibilidades de atuao

 Dessa forma , podemos enumerar , rapidamente , alguns campos onde a

 educao a distncia poder ser utilizada dentro de um programa amplo

 de prestao de um servio que a nacionalidade est a exigir :

 Democratizao do saber passo fundamental nesse sentido  dado pela

 educao formal , na medida em que possa conseguir garantir mnimas

 condies de acesso  cultura a milhes de cidados , principalmente

 atravs da universalizao do ensino bsico ( meta constitucional a ser

 atingida , CF art .
 214 ) .
 Contudo , isto no basta .
 Em um mundo que vive

 sob a gide das transformaes e mudanas , o acesso s informaes

 sistematizadas e s formas de capacitao para a tomada de decises

 independentes e autnomas , requisita aes que vo alm das fronteiras

 da educao formal .
 No campo da educao noformal e informal , a

 educao a distncia pode desempenhar papis mltiplos , que vo desde

 a atualizao de conhecimentos especficos , at a formao

 profissional .
 Alm disso , por meio de procedimentos adequados e

 sistematizados , pode a educao a distncia contribuir sobremaneira

 para que o acmulo de informaes assistemticas jogadas ao pblico

 atravs da mdia sejam processadas de forma organizada , contribuindo

 para o fortalecimento de uma mentalidade crtica e criativa , rompendo

 a barreira da passividade muitas vezes provocada por processos

 manipuladores de opinio pblica .

 Mais que substituta da educao presencial a educao a distncia , no

 Brasil , pode ser utilizada como forma complementar de educao ,

 atualizando conceitos e conhecimentos , auxiliando na permanente tomada

 de conscincia dos profissionais sobre os avanos promovidos em suas

 reas especficas e , principalmente , gerando processos continuados de

 acesso ao conhecimento acumulado pela humanidade  milhes de

 cidados .

 Formao e capacitao profissional em que pese a polmica , sadia ,

 sobre o papel da profissionalizao no processo de educao formal ,

 no h dvidas quanto  eficcia e pertinncia de projetos de educao

 a distncia neste campo fundamental da existncia social .
 Ao

 contrrio ,  justamente por este caminho que a educao a distncia

 comeou a trilhar seu desenvolvimento .
 Tanto em nvel da formao

 profissional bsica quanto em nveis universitrios , a educao a

 distncia tem demonstrado ser uma modalidade com grandes

 potencialidades , ainda mais por ser um meio de educao de massa .

 Do ponto de vista tecnolgico , a presena da informtica nos processos

 de capacitao tem gerado grandes avanos nos procedimentos de

 treinamento a distncia ou treinamento independente com ajuda do

 computador .
 Caso notrio so os procedimentos adotados pelas grandes

 companhias areas e setores das Foras Armadas , com a utilizao de

 simuladores e bancos de dados interativos .

  cada vez maior o nmero de empresas que descobrem as vantagens do

 treinamento a distncia para a capacitao e atualizao de seus

 funcionrios , no somente por conta da reduo dos custos , mas

 principalmente pela possibilidade de envolver um grande nmero de

 pessoas ao mesmo tempo e em regies distantes ( Rumble ; Oliveira ,

 1992 ) .

 No caso de instituies especializadas no treinamento de pessoal 

 importante observar que a modalidade de educao a distncia no

 somente pode introduzir ganhos de eficincia e eficcia , como tambm

 reduzir custos relativos , quando se tratar de processos de treinamento

 de contingentes numerosos de alunos e , tambm , elevar a qualidade ,

 atravs de processos de definio de contedos elaborados por equipes

 multidisciplinares altamente qualificadas a custo relativo baixo .
 A

 educao a distncia , como modalidade complementar da presencial pode

 auxiliar na introduo de novos instrumentos tecnolgicos para o

 acompanhamento dos alunos em sua ao prtica , em servio .
 Seus

 materiais instrucionais podero igualmente ser de grande utilidade na

 educao presencial .
 Temos como exemplo em outras situaes o caso da

 Universidade Nacional Autnoma de Honduras , onde o setor de educao a

 distncia nutre toda a Universidade de materiais para os cursos

 presenciais .

 A dinmica prpria das transformaes tecnolgicas atuais , que devem

 ser incorporadas rapidamente pelas empresas produtivas e do setor

 servios , bem como a sofisticao e o requerimento de agilidade no

 trato de informaes , como tambm a necessria qualificao para o

 trato de um mercado consumidor mais exigente , far com que grandes

 empresas e conglomerados sejam forados a adotar procedimentos de

 formao , qualificao e capacitao de pessoal , que atendam a

 requisitos de celeridade e custo , que somente a educao a distncia

 poder realizar .

 No que diz respeito aos servios pblicos , j se observa a necessidade

 de formao e atualizao profissional de servidores em quantidade e

 com caractersticas de disperso geogrfica que iro exigir a

 implantao de sistemas adaptados de educao a distncia que atendam

 aos reclamos da populao por melhores e mais geis servios pblicos

 de qualidade .

 A introduo cada vez maior de elementos tecnolgicos e cientficos

 nos mais variados campos da ao humana , incluindo se o servio

 pblico , exige a atualizao de procedimentos de trabalho em

 velocidade que o ensino formal no consegue acompanhar .

 Ademais , a veloz transformao tecnolgica que a microinformtica est

 processando , como o aparecimento de equipamentos mais rpidos , com

 maior confiabilidade e capacidade de processamento , aliado ao fato de

 estarem sendo colocadas  disposio do pblico linguagens

 interativas , far do microcomputador um instrumento indispensvel 

 formao e capacitao de pessoal , utilizando processos de multimdia ,

 com a interao de bancos de dados muito poderosos , capazes de

 fornecer aos educadores instrumentos eficientes e cleres de

 comunicao de duplavia com os alunos , e proporcionando maior

 liberdade no manuseio de materiais autoinstrucionais amigveis ( CBT de

 3a .
 gerao , quer sejam produzidos para aplicaes multimdias , quer

 sejam aplicativos que so gerados a partir de mdulos integrados por

 programas especialistas que se utilizam de inteligncia artificiallA ) .

 O desenvolvimento no Brasil de modernos meios de comunicao de dados ,

 a partir dos investimentos que esto sendo feitos pela TELEBRS e pela

 EMBRATEL , far com que as organizaes governamentais e no

 governamentais possam copatrocinar , com as empresas privadas , a

 formao de bancos de dados de utilizao mltipla que sirvam de

 suporte a projetos que objetivem a reduo dos custos de preparao de

 materiais instrucionais e educativos .

 Estas so tendncias que j se observam em vrios pases , onde os

 grandes estabelecimentos bancrios esto optando pela educao a

 distncia como modalidade por excelncia para a formao de seu

 pessoal .
 O mesmo j ocorre com as empresas areas e organismos

 militares .
 Empresas produtivas , com vrias unidades de produo

 espalhadas pelo mundo , esto se servindo de projetos de educao a

 distncia de pequena e larga escala ( dependendo do custo e impacto

 para a escolha da escala ) , para a melhoria da produtividade do

 trabalho de seus empregados .
 Todos descobrindo , como os japoneses e

 alemes , que o custo de formao de modeobra , bem administrado , se

 transforma rapidamente em lucros crescentes , via a elevao da

 produtividade geral do trabalho .

 Mas  importante observar que a educao a distncia no 

 necessariamente sinnimo de sofisticao tecnolgica .
 Ela pode ser

 desenvolvida a partir de meios econmicos e populares .
 De fato , as

 modernas tecnologias somente passam a ser instrumento adequado da

 educao a distncia quando ganham dimenso econmica de massa .

 Nesse sentido ,  importante observarse a oportunidade da educao a

 distncia no somente para a preparao profissional daqueles que j

 esto no mercado formal de trabalho , como , nos casos de desemprego

 elevado , principalmente uma forma de treinamento em massa de milhares

 de desempregados .

 Como forma integradora de parcelas da sociedade , a educao a

 distncia pode ser empregada para a formao e atualizao de

 contingentes populacionais com pouca escolaridade mas grande

 experincia de vida , adaptandose s mltiplas realidades dessas

 pessoas e buscando , inclusive , transformlas em cidados ativos na

 sociedade .

 A pouca familiaridade desses cidados , como  notrio no Brasil , com a

 leitura no pode ser vista como impedimento da educao a distncia ,

 mas sim como dificuldade a ser vencida .
 Que pode muito bem ser

 vencida .

 Capacitao e atualizao de professores apesar de inscrever-se no

 item acima merece destaque , no caso brasileiro , esta questo , dadas as

 caractersticas de nossos quadros de professores , notadamente aqueles

 responsveis pela educao de crianas e jovens que se encontram em

 nossas escolas tentando concluir o ensino bsico .
 Contudo , 

 importante salientar , que no bastam programas espordicos de formao

 de professores para que o problema da capacitao para o magistrio

 seja minimizado .
 H necessidade de promoverse aes integradas e

 permanentes , envolvendo as capacidades locais e as instituies

 sociais .

 Contudo , mesmo que exista uma grande deficincia na qualificao

 tcnica dos professores , no recomendamos que os projetos de

 treinamento do professorado tenham por base somente a especializao

 tcnica particular dos professores , isso pode ser muito melhor

 atingido se o eixo dos processos de ensino for a construo da

 cidadania .

 Educao aberta e continuada por meio da educao a distncia 

 possvel promoverse a proliferao de experincias de grande alcance

 social , como j foi abordado anteriormente , para a formao cultural

 da nacionalidade , dando acesso  educao a grandes contingentes

 afastados das instituies formais de ensino , ou que tm dificuldade

 de acesso a elas .
 Cursos sobre sade , ecologia , tecnologia e artes

 podem ser veculos muito importantes para a integrao social de

 grandes parcelas da populao , principalmente se forem respeitadas as

 formas comunitrias de organizao social e as instituies da

 sociedade civil .

 A educao a distncia poderia estar sendo muito bem desenvolvida no

 Brasil em regimes de cooperao entre o Estado e a sociedade , para a

 disseminao de conhecimentos bsicos e operativos , para a preveno

 da AIDS / SIDA , para o conhecimento de tcnicas e mtodos de higiene e

 saneamento comunitrio , organizao espacial urbana , capacitao

 massiva para a formao de empresas autogestionrias , entre outros .

 Educao para a cidadania um conjunto significativo de aes

 educativas podem ser levadas a termo com a educao a distncia ,

 transformando processos cvicos obrigatrios por lei em processos

 realmente participativos e conscientes .
 Temas fundamentais da

 existncia contempornea de nossa sociedade podem , e devem , ser

 tratados de forma sistemtica atravs de cursos , ou meios educativos

 sistemticos , capazes de elevar o nvel de participao responsvel da

 sociedade no processo de construo da nacionalidade .
 A integrao das

 organizaes da sociedade civil com os movimentos populares certamente

 produzir frutos fundamentais , apoiados por procedimentos educativos a

 distncia .

 Nesse caso inscrevemse os cursos dirigidos  segmentos definidos da

 sociedade , que carecem muito de informao e de formao , para atuarem

 concretamente na sociedade , como cursos de formao sindical , cursos

 de cidadania , cursos de preveno de doenas , organizao comunitria ,

 organizao social , formao poltica etc .

 [ INLINE ] 3.2 .
 Exemplos em curso

 A Fundao Educacional e Cultural Padre Landell de MouraFEPLAM , que

 completa agora 26 anos de existncia , tem origem no desenvolvimento

 dos movimentos de educao noformal da Amrica Latina , " que buscavam

 melhorar as condies de vida das populaes carentes " ( Malheiros ,

 1982 , p .5 ) .
 " O incio da Feplam foi atravs de programas de rdio

 ( Colgio do Ar ) e a srie Aprenda pela TV ( cursos profissionalizantes ) .

 As bases comunitrias so o ponto de partida e chegada da sua prtica

 educacional " ( idem , ibdem ) .
 Suas reas de atuao so : educao geral ,

 educao cvicosocial , educao rural e iniciao profissional .

 Na rea de educao geral , onde esto inscritos os cursos de

 alfabetizao , educao bsica , prescola e educao supletiva , a

 Feplam j beneficiou 110.703 alunos .
 Na rea de educao cvicosocial ,

 com programas de educao comunitria e de reforo de currculos

 escolares , j foram beneficiadas 53.000 pessoas .
 J na rea de

 educao rural , composta de cursos de capacitao rural e outros de

 cunho informativo , j foram beneficiados 391.509 agricultores , com uma

 mdia de 16.313 por ano .
 No campo da iniciao profissional , em cursos

 de mecnica de automveis , consertos de aparelhos eletrodomsticos ,

 programao de computadores etc. , j foram capacitadas 60.401 pessoas .

 Alm desses , a Feplam ainda mantm Programas de educao para a sade

 ( FEPLAM , 1992 ) .

 O Servio Nacional de Aprendizagem IndustrialSENAI , de So Paulo ,

 criou experimentalmente em 1978 , com operao regular a partir de

 1980 , o programa Autoinstruo com Monitoria ( AIM ) , caracterizandoo

 como " um esquema operacional de Ensino a Distncia , que envolve uma

 srie de programaes autoinstrutivas " ( SENAI , s / d ) .
 Desde ento ,

 mantm um curso de Leitura e Interpretao de Desenho Tcnico

 Mecnico , cursos de matemtica bsica e cursos de eletrnica , estando

 em fase de preparao cursos de tecnologia mecnica , usinagem ,

 elementos de mquinas , resistncia dos materiais , eletrotcnica bsica

 e formao de microempresrios .
 Entre 1980 e 1990 , dos 46.627

 matriculados , 23.684 concluram seus cursos .

 J a Petrleo Brasileiro S.A.PETROBRAS , que hoje conta com

 aproximadamente 53.000 empregados , distribudos por quase todo o pas

 e em alguns pontos do exterior , desenvolveu , a partir de 1975 , o

 Projeto ACESSO , com a finalidade de proporcionar a escolarizao a

 nvel de 1  .
 e 2  .
 graus a seus funcionrios e de oferecer

 profissionalizao especfica para a rea de petrleo .
 Esse projeto

 foi desenvolvido pelo Centro de Ensino Tcnico de BrasliaCETEB , que

 desenvolveu a metodologia , elaborou os mdulos e tem acompanhado todo

 o processo de implantao e desenvolvimento dos cursos .
 Para uma

 clientela adulta , na faixa de 20 a 40 anos de idade , com interrupo

 de estudos h mais de cinco anos , foi levado um curso de educao

 geral , de acordo com os currculos do ensino supletivo , e

 profissionalizao especfica para a indstria petrolfera .
 Segundo a

 PETROBRS , o Projeto ACESSO possui as seguintes orientaes : estudo

 autnomo , atravs de mdulos ; demonstrao de competncia dos

 cursistas , por meio de instrumentos de aferio da aprendizagem em

 cada mdulo ; demonstrao de suficincia pelo cursistas , quando o

 direito  aprovao no mdulo s  alcanado quando o cursista

 consegue satisfazer os critrios previstos nos instrumentos auto

 instrucionais .
 A Empresa tem avaliado como excelentes os resultados

 alcanados .
 Em que pese as dificuldades vrias enfrentadas por este

 projeto , mormente as operacionais , sendo que j concluram os cursos

 de 1  .
 e 2  .
 graus , com seus respectivos cursos profissionalizantes ,

 2.258 funcionrios .

 A Fundao Brasileira para o Desenvolvimento do Ensino de

 Cincias-FUNBEC , desenvolveu , com o apoio do Instituto Nacional de

 Estudos Pedaggicos-INEP , o Curso de Matemtica por Correspondncia ,

 dirigido a professores de 1  .
 grau .
 O curso foi veiculado pelo Jornal

 do Professor , editado pelo INEP , e recebeu 24.934 inscries , sendo

 que at julho de 1991 , 7.000 j haviam concludo a primeira etapa do

 curso e 13.361 haviam desistido .

 O Centro de Ensino Tcnico de Braslia-CETEB , unidade da Fundao

 Brasileira de EducaoFUBRAE , desde 1973 tem desenvolvido projetos de

 educao semidireta , notadamente para a formao e aperfeioamento de

 professores em servio .
 Foi responsvel pela execuo dos Projetos

 LOGOS I e LOGOS ll , do Ministrio da Educao , para a qualificao de

 professores leigos .

 A Associao Brasileira de Educao Agrcola Superior-ABEAS , mantm

 desde 1982 um Curso de Especializao por Tutoria  Distncia

 ( Psgraduao " Latu Sensu " ) , j tendo formado mais de 5.000

 profissionais das reas de cincias agrrias .

 Ainda neste campo , cabe citar as aes promovidas pela Associao

 Brasileira de Tecnologia EducacionalABT que , a partir de 1980 , iniciou

 o Programa de Aperfeioamento do Magistrio de 1  .
 e 3  .
 graus a

 distncia , integrado por cursos nas reas de Alfabetizao ,

 Metodologia Geral , Lngua Portuguesa , Matemtica , Cincias Sociais e

 Cincias Fsicas e Biolgicas , para docentes que atuam no 1  .
 grau e o

 Curso de Especializao em Tecnologia Educacional Tutoria a Distncia ,

 para aqueles que desenvolvem atividades no 3  .
 grau .
 At 1991 , o

 Programa atendeu 18.368 professoresalunos localizados em 697

 municpios , sendo esse atendimento , na maioria dos casos , efetuado

 atravs de convnios e contratos com Secretarias de Educao e

 Universidades .

 Merece destaque a experincia da Fundao de Teleducao do

 Cear-FUNTELC , tambm conhecida como TVE do Cear .
 Criada no processo

 de implantao das televises educativas na dcada de 70 , ela se

 distingue das demais por preservar um projeto de educao a distncia

 como elemento central da instituio .
 Desde 1974 essa instituio vem

 desenvolvendo ensino regular de 5 .
  8 .
 sries do 1  .
 grau , com a

 implantao de telessalas em grande parte dos municpios do estado e

 caminha para atingir a marca de 100.000 alunos regulares em seu

 sistema .
 No ano de sua implantao contava com 4.139 telealunos , nas

 5 .
 e 6 .
 sries , distribudos em 8 municpios .
 Em 1992 j contava com

 60.822 telealunos cursando da 5 .
  8 .
 sries , distribudos em 94

 municpios , 400 distritos , 725 escolas e 2.300 telessalas .
 Em 1993 , a

 matrcula passou a 102.170 alunos , atingindo 150 municpios .

 " A proposta polticopedaggica do Sistema de Teleducao , embora tenha

 surgido em pleno regime militar , se props a romper com os mecanismos

 autoritrios e tecnicistas que imperavam  poca lanarse como uma

 modalidade de educao voltada para o humanismo pedaggico , capaz de

 superar o parcelamento do saber e corrigir as falhas do individualismo

 e do academicismo .
 Foi gerado um mtodo de ensino nascido das srias

 discusses , estudos e debates de renomado e competente grupo de

 educadores , que buscou a melhor utilizao possvel de um sistema de

 multimeios e a mais interessante aplicao da televiso , tomada como

 elemento essencial , como veculo de democratizao do saber " ( Mesquita

 e Lcio , 1992 ) .

 A Televiso Educativa do Cear  uma das poucas propostas educativas

 que no sofreu o retrocesso  televiso comercial , que marca ainda

 muito da programao das demais televises educativas do pas .
 A busca

 de audincia somada a falta de perspectiva educativa , fez com que o

 instrumento televiso fosse desprezado pela poltica educacional

 brasileira .
  certo que no se pode ter na televiso o nico , nem o

 mais importante meio na educao a distncia , mas ela pode cumprir , em

 pases como o Brasil , papel de fundamental importncia , no somente no

 que se refere  educao formal , mas tambm no que diz respeito a

 educao informal , educao continuada e  formao de servidores

 pblicos .
 Para tanto podese utilizar canais abertos , transmisso e

 recepo em UHF , canais fechados , televises a cabo , por assinatura

 etc .

 Uma das primeiras experincias universitrias de educao a distncia

 no Brasil foi iniciada pela Universidade de Braslia-UnB em meados da

 dcada de 1970 .
 Na poca , motivada pelo sucesso da iniciativa

 Britnica , com a Open University , a UnB pretendia ser a Universidade

 Aberta do Brasil .
 Adquiriu todos os direitos de traduo e publicao

 dos materiais da Open University e comeou a produzir tambm alguns

 cursos , na rea ade cincia poltica .

 A iniciativa inovadora da UnB no logrou sucesso , principalmente dado

 a inadequao do discurso de sua direo , que apresentava a educao a

 distncia como substituto da educao presencial e um meio de resolver

 os conflitos polticos existentes  poca .
 Ademais , a falta de

 competncia na gesto do projeto , levou a UnB a estabelecer um

 programa de educao a distncia que acabava por excluir a

 possibilidade de colaborao crtica dos quadros da prpria

 Universidade na produo , avaliao e administrao dos cursos .

 Ora , quando se pretende desenvolver um programa de educao a

 distncia em uma instituio presencial , no se pode conduzi-lo em

 conflito com a cultura existente , ao contrrio , deve-se procurar

 adequ-lo a ela ( no subordin-lo mecanicamente ) , estabelecendo

 mecanismos de cooperao e convvio entre as duas modalidades de

 ensino .
 Possibilitando , com isso , que a educao a distncia possa ,

 inclusive , contribuir para melhorar os processos de ensino

 presenciais , adotando , no mnimo , os materiais produzidos pela

 educao a distncia , como acontece em vrias outras universidades a

 exemplo da Universidade Autnoma de Honduras , que tem um centro de

 educao a distncia dentro da universidade presencial .

 Naqueles momentos isso poderia ser mais difcil , tendo em vista que a

 administrao central da Universidade vivia em conflito permanente com

 a comunidade acadmica , pois aquela estava sendo dirigida por pessoas

 alheias a vida universitria e pouco afeitas  democracia .

 A partir de 1985 , com a democratizao da UnB , o projeto de educao a

 distncia foi retomado , agora sob novas bases e bem coordenado com as

 novas concepes de educao , universalizao do saber e pluralismo de

 idias .
 Em 1986 , a UnB promoveu um curso sobre a Constituio , que

 estava por ser elaborada , organizou grupos de estudo e levou o debate

 constitucional a mais de 100.000 participantes do curso , em todo o

 pas .
 A educao a distncia comeava a cumprir seu papel

 democratizador do saber .

 Em sequncia a esse curso , vrios outros comearam a ser elaborados .

 Grande parte deles em estreita colaborao com os quadros da prpria

 Universidade , dentro da rea de Extenso Universitria e com a

 superviso direta da Reitoria .

 Atualmente a Universidade de Braslia conta com um Centro de Educao

 Aberta , Continuada e a Distncia-CEAD , administrativamente subordinado

 a Reitoria , que j produziu vrios cursos de grande sucesso , entre

 eles o Direito Achado na Rua , coordenado pelo Prof. Jos Geraldo de

 Sousa Jnior , que foi utilizado em vrias universidades , nos cursos de

 Direito , como tambm por organizaes da sociedade civil , no debate

 sobre a democratizao da Justia no Brasil .
 Este curso agora

 transformou-se em um curso de Introduo Crtica ao Direito , que 

 ministrado atravs de materiais impressos , vdeo e tutoria a

 distncia .
 Alm desse , a UnB produziu cursos sobre Abuso de Drogas ,

 Freud , Introduo  Informtica ( chamado " Computador sem Mistrio " ) ,

 em diskettes , entre outros .

 A nova administrao central da Universidade , cuja gesto iniciou-se

 em fins de 1993 , promete dar apoio  alavancagem da educao a

 distncia , fortalecendo o CEAD , incentivando a participao de

 Institutos e Faculdades da Instituio no processo de trabalho do

 CEAD , estabelecendo mecanismos de cooperao inter-institucional ,

 apoiando a produo terica , organizando uma srie dedicada  educao

 a distncia em sua Editora e promovendo cursos de especializao na

 rea .
 Algumas dessas atividades j esto sendo desenvolvidas em

 conjunto com o Instituto Nacional de Educao a Distncia-INED .

 H vrias outras experincias importantes que poderiam ser citadas ,

 como : da Universidade da Fora Area , do Banco Ita , do Banco do

 Brasil , do Ministrio da Educao ( programa Um Salto para o Futuro ) ,

 da Conferncia Nacional dos Bispos do Brasil ( notadamente no

 acompanhamento das constituintes 19871991 ) , da Fundao Roberto

 Marinho , da Universidade Aberta do Nordeste ( Fundao Demcrito

 Rocha ) , da Universidade Federal de Santa Maria , da Universidade

 Federal do Mato Grosso , da Universidade Estadual de Santa Catarina e

 muitas outras .
 Mas o relevante  observarse que tem crescido a

 utilizao da modalidade de educao a distncia como meio adequado

 para a educao de grandes contingentes populacionais e tambm

 desenvolvido a formao de profissionais cada vez mais preocupados com

 a qualidade dos servios prestados e com o aperfeioamento da educao

 a distncia no Brasil , mesmo que este campo ainda sinta a falta de um

 envolvimento maior das universidades no desenvolvimento de pesquisas e

 na formao de pessoal em nvel de especializao e psgraduao .

 No campo das organizaes nogovernamentais , ao mesmo tempo em que se

 comea a observar o crescimento da simpatia por adotarse a educao a

 distncia como estratgia de formao de grandes contingentes

 populacionais , projetos nesse sentido j esto sendo iniciados pelo

 Instituto Nacional de Educao a DistncialNED , em conjunto com o

 Instituto Brasileiro de Anlises Sociais e EconmicaslBASE e com

 outras ONGs .
 O INED mantm , desde 1992 , uma publicao especializada

 chamada Educao a Distncia , que em seus trs primeiros anos ser

 distribuda gratuitamente .

 H dois anos foi criada a Rede Brasileira de Educao  Distncia

 READ / BR , sob os auspcios da Organizao dos Estados Americanos e cuja

 secretaria est ao encargo da Associao Brasileira de Tecnologia

 Educacional .
 A formao dessa Rede pode ser um passo importante para a

 integrao das variadas instituies que desenvolvem aes no campo da

 educao a distncia e na divulgao de inovaes que estejam sendo

 desenvolvidas no Brasil e exterior .

 Tanto o desenvolvimento de novas tecnologias comunicativas , como o

 barateamento de se acesso e a necessidade crescente de formao e

 educao da cidadania , contribuem para um melhor desenvolvimento da

 educao a distncia no Brasil , mas ainda falta muito para que a

 educao a distncia seja introduzida no Brasil como ingrediente

 estratgico de educao e formao .
 A desorganizao administrativa e

 poltica do Estado , a inexistncia de um projeto nacional articulador

 e democrtico , a permanncia de uma prtica privatista de

 administrao da coisa pblica e a instabilidade

 polticoadministrativa , ainda contribuem enormemente para a criao de

 barreiras ao desenvolvimento da educao em geral e da educao a

 distncia em particular no Brasil .

 [ INLINE ] Problemas Observados

 No Brasil , os problemas mais significativos que impediram o progresso

 e a massificao da modalidade de educao a distncia tm sido :

 [ INLINE ]

 organizao de projetospiloto sem a adequada preparao de seu seguimento ;

 [ INLINE ] falta de critrios de avaliao dos programas projetos ;

 [ INLINE ]

 inexistncia de uma memria sistematizada dos programas desenvolvidos e das

 avaliaes realizadas ( quando essas existiram ) ;

 [ INLINE ]

 descontinuidade dos programas sem qualquer prestao de contas  sociedade e

 mesmo aos governos e s entidades financiadoras ;

 [ INLINE ]

 inexistncia de estruturas institucionalizadas para a gerncia dos projetos e a

 prestao de contas de seus objetivos ;

 [ INLINE ]

 programas pouco vinculados s necessidades reais do pas e organizados sem

 qualquer vinculao exata com programas de governo ;

 [ INLINE ]

 permanncia de uma viso administrativa e poltica que desconhece os potenciais

 e as exigncias da educao a distncia , fazendo com que essa rea sempre seja

 administrada por pessoal sem a necessria qualificao tcnica e profissional ;

 [ INLINE ]

 pouca divulgao dos projetos , inexistncia de canais de interferncia social

 nos mesmos ;

 [ INLINE ]

 organizao de projetospiloto somente com finalidade de testagem de metodologia

 s .

 [ INLINE ]

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 Artigo publicado originalmente em :

 Revista Educao a Distncia nrs. 4/5 , Dez. / 93 - Abr / 94 Braslia ,

 Instituto Nacional de Educao a Distncia , pp. 7-25

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