 APRESENTAO

 REPRESENTAO SOCIAL DO NACIONALISMO EM CRIANAS

 SEM-TERRA

 O presente trabalho teve como objetivo investigar o contedo e a estrutura da Representao Social do Nacionalismo nas crianas do MST .
 Tal interesse decorre do fato deste movimento ter um carter reivindicatrio , cuja filosofia prega , atravs de uma proposta de reforma agrria , um Brasil mais justo e igualitrio .

 Esperamos encontrar como resultado de nossa pesquisa , alm de um conceito de Brasil compartilhado pela maioria das crianas de uma mesma faixa etria , tambm a compreenso de um outro pas , um outro retrato de nao construdo dentro da realidade vivenciada pelo grupo e consequentemente pelos filhos deste , de forma peculiar .

 Dada a escassez de dados referentes a compreenso das crianas que so agentes de um movimento social to visado e forte como  o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra ( MST ) e a dura realidade a que esto expostas tais crianas , a importncia deste trabalho encontra-se na oportunidade de se conhecer a fundo o pensamento desses pequenos sujeitos acerca do Brasil e do ser brasileiro .
 Tal representao refletir futuras aes destes indivduos como cidados .

 Para a coleta dos dados utilizamos trs instrumentos : a anlise documental , o desenho e a associao livre .
 Participaram da coleta 61 crianas , de ambos os sexos , entre 8 e 13 anos de idade .

 INTRODUO

 Nacionalidade , nacionalismo e patriotismo so conceitos que possuem diferenas muito sutis quanto aos seus significados , sendo impossvel falar de um sem remeter-se aos outros .

 Segundo Guillermo Ral Ruben ( 1984 ) a nacionalidade pode ser compreendida de acordo com vrios aspectos :

 1 .
 Natural

 " A noo de nacionalidade remete para o fato de se pertencer a um territrio .
 Desta forma , a nacionalidade  tida como um atributo ou qualidade natural , ou seja , se encontra na natureza e as pessoas a adquirem pelo fato de ter nascido num determinado territrio. "

 2 .
 Dogmtico

 " Nesta perspectiva , o caminho de acesso  nacionalidade deve se realizar fundamentalmente pela via da herana. "

 Para o autor acima citado , estas duas definies no so completas , pois no abordam o aspecto da historicidade e dos processos sociais de construo da nacionalidade , uma vez que a mesma no pode ser entendida como uma categoria social esttica ou at mesmo como uma qualidade adquirida para todo o sempre .

 " No se trata de partilhar caractersticas fsicas comum , nem de caracteres homogneos de tipo cultural .
 Trata-se de partilhar fundamentalmente um espao econmico homogneo , isto  , espaos mais ou menos fechados onde se localizam processos de produo , processos de trabalho e explorao relativamente semelhantes. " ( Ruben , 1984 ) .

 Por ser historicamente construda , a nacionalidade possui duas caractersticas :

 * No aparece subitamente nas sociedades ,  o resultado das interaes entre as esferas poltico-econmica-social e ,

 *  universal no sentido de ocorrer em todos os lugares do planeta , porm preserva a singularidade de cada cultura  qual est atrelada .

 O territrio  fundamental para a construo da nacionalidade por determinar um limite fsico capaz de propiciar o pleno desenvolvimento histrico-cultural de uma sociedade .

 Foi a partir do aparecimento e consolidao dos Estados Modernos - processo desencadeado com a Revoluo Francesa em 1789 , que surgiu a noo moderna de nacionalidade .

 As diferentes regies da Frana possuam suas peculiaridades culturais : crenas , costumes , lnguas etc .
 Mas , apesar destas diferenas , a Revoluo Francesa possibilitou a ocorrncia dos processos unificadores .
 Assim , a nacionalidade aparece como uma prtica social de unificao , construda a partir da Revoluo Francesa , que constituiu a condio necessria para o desenvolvimento do capitalismo .

 O sculo XIX  o sculo de consolidao das modernas nacionalidades na Europa , que se caracterizam pelo controle poltico de um territrio ( espao econmico ) e pelo controle poltico de uma populao unida e relacionada pelo atributo comum de possuir a mesma nacionalidade .

 O sculo XIX na Amrica Latina  o sculo da Independncia .
 Diferentemente do que aconteceu na Europa ( processo revolucionrio ) , na Amrica Latina , o processo de construo da nacionalidade acompanhou o da Independncia , conduzido por uma minoria aristocrtica .
 Por isso , a nacionalidade nos pases latino-americanos se constitui em uma forma de poder e dominao sobre a massa popular .

 Ainda segundo Guillermo Ruben , da idia de nacionalidade deriva um conjunto de idias chamado nacionalismo , cuja principal caracterstica  " uma viso interpretativa da realidade , que se coloca - em relao  nao - como uma totalidade. "

 Segundo Boris Fausto ( 2000 ) , o nacionalismo nasce no sculo XIX , vinculado ao surgimento do movimento romntico e  criao e o fortalecimento de novos Estados Nacionais , como  o caso da Alemanha e da Itlia .

 O patriotismo  , portanto , uma derivao do nacionalismo , prximo dele conceitualmente .
 Uma diferena entre ambos , consiste no fato de que , enquanto o nacionalismo diz mais respeito  ideologia e  luta poltica , o patriotismo constitui um sentimento , mas que , nem por isso , deixa de ser um potente mobilizador das aes humanas .

 Para Hlio Jaguaribe ( 1958 ) o nacionalismo constitui a aspirao fundadora e preservadora da nacionalidade .
 " A pura vontade poltica cria estados , mas no forma naes .
  o nacionalismo que se constitui em projeto fundador e preservador da nao. "

 Esta espcie de nacionalismo  o integrador .
 Pertenceram a esta espcie as comunidades que se constituram em naes , especialmente os nacionalismos europeu e norte-americano do sculo XVIII e no sculo XX os nacionalismos dos pases afro-asiticos , rabes e latino-americanos .

 Os nacionalismo da Europa e o norte-americano do sculo XX so do tipo imperialista , "  o das comunidades para as quais o Estado-Nao no constitui mais um enquadramento adequado , porque seu desenvolvimento econmico e cultural j extravasou daquela rea e requer um mbito mais amplo para lhe dar suporte e espao de realizao. "

 A nao brasileira comeou a sua formao a partir da colonizao , porm s no comeo do sculo XX com a Independncia e a Repblica , que se comea a esboar uma configurao nacional no sentido poltico do termo .

  a partir da Abolio e da criao de um mercado interno e da industrializao , que os movimentos nacionalistas surgem de forma fragmentria e descontnua , em funo das reas de integrao constitudas pelo desenvolvimento econmico-social .

 O movimento modernista e as correntes dele originadas ( Verde-Amarela , regionalista e a do realismo nacional entre outras ) constituram o nacionalismo cultural .

 O nacionalismo poltico destaca-se no mbito interno e internacional .
 Surgiu mais recentemente , juntamente com o nacionalismo econmico .
 No plano interno , identifica-se com as " exigncias de democracia e de justia social e com a tendncia a fortalecer a Unio , no quadro da federao e revitalizar o municpio como ncleo regional bsico " .
 J no plano internacional , " reivindica para o pas uma posio de maior autonomia em face dos EUA e das grandes potncias europias. "

 O nacionalismo econmico se volta contra o capital estrangeiro , visto como um " fator de espoliao das riquezas nacionais do pas e um processo de agravamento de nossa dependncia colonial. " Esta questo  bem debatida nos dias de hoje , haja a vista as privatizaes de grandes estatais como a Embratel e a Vale do Rio Doce , rendendo polmica e protestos contra a chamada poltica " entreguista " .

 No plano social h contradies que minam o sentimento nacionalista .
 O Servio Pblico , por exemplo ,  deficiente por no consistir ( em sua maioria ) no atendimento das necessidades coletivas , configurando-se num " mecanismo de perpetuar privilgios da classe dominante .
 "

 No pano poltico , as contradies dizem respeito primeiramente ao carter do nacionalismo integrador no permitir a heterogeneidade de interesses das classes sociais dominantes .
  inconcilivel defender a integrao e fundao da nao e atender a populao atravs do servio pblico sucateado por interesses minoritrios da aristocracia .

 Em segundo lugar , o Brasil ainda mantm uma posio incoerente quanto ao problema do colonialismo , ligado culturalmente e economicamente s grandes potncias mundiais .

 Essa dependncia cultural se reflete na aceitao de forma acrtica e na transplantao de categorias oriundas das culturas que funcionam como metrpoles , deformando a viso de si mesmo da nao dominada , induzindo  falta de autenticidade e  incapacidade de conceber originalmente a prpria realidade .

 De forma geral , podemos dizer que as aspiraes nacionalistas exigem do Estado a adequada preservao da soberania externa e a ativa interveno interna na promoo e orientao do desenvolvimento .
 Portanto , podemos dizer que o nacionalismo  finalista , sendo o seu fim o pleno desenvolvimento da nao .

  nesse contexto de desenvolvimento pleno da nao que o MST busca atingir os seus objetivos , dentre eles o mais visvel  a Reforma Agrria .
 O conjunto de idias do movimento  composto por vrias Representaes Sociais , sendo o nosso objeto de estudo a Representao Social do Nacionalismo .

 Representao Social " ...
  um termo filosfico que significa a reproduo de uma percepo retida na lembrana ou do contedo do pensamento .
 Nas cincias sociais so definidas como categorias de pensamento que expressam a realidade , explicam-na , justificando-a ou questionando-a ...
 " ( Minayo , 1994 ) .

 A Representao Social  um conceito abordado no s pela Psicologia Social , mas tambm por diversas reas de conhecimento como a Antropologia , Filosofia e tambm a Sociologia .
 Foi Durkheim , que dentro dessa ltima perspectiva , deu as primeiras contribuies acerca do termo Representao Social .
 Durkheim falava na existncia de uma representao coletiva , ou seja , para ele , todos os indivduos tm uma forma comum de pensar sobre as coisas , e esse conhecimento  passado de gerao para gerao .
 Portanto , Representao se caracteriza pela exterioridade dos fenmenos sociais - os fatos sociais so coisas - e pela estaticidade , universalidade e imutabilidade nos mesmos .
 Resistentes , portanto , s mudanas sociais .

 O autor que criou a teoria da Representao Social foi Serge Moscovici .
 Este autor , ao contrario Durkheim , tentou explicar o fenmeno da Representao Social a partir da Psicologia Social .
 Moscovici tomou os estudos de Durkheim sobre Representaes Coletivas como ponto de partida para compreender o indivduo como um produto da sociedade .

 No entanto , as idias desenvolvidas sobre esta teoria diferiram das usadas por Durkheim j que para Moscovici , os fenmenos assumem particularidades , so dinmicos e mutveis de significado , portanto , permite modificaes e transformaes sociais .

 Em vez de Representao Coletiva , como sugeriu Durkheim , o termo passou a ser denominado por Moscovici de Representao Social .
 Social porque  uma realidade socialmente construda , no entanto , este fenmeno social  elaborado a partir da forma como cada indivduo o processa .

 De acordo com Moscovici , a construo de uma Representao Social segue dois passos : Objetivao e Ancoragem , os quais esto concatenados .
 A Objetivao  a concretizao ou a materializao de um objeto abstrato representado ; quando um esquema conceitual se torna real e acessvel ao senso comum ( Sobral , 1995 ) .
 Em outras palavras , objetivar  tornar um conhecimento abstrato em algo concreto que seja prximo da realidade dos indivduos .
 A Ancoragem , por sua vez ,  a base sobre a qual se constri a Representao Social ; ela " designa a forma na qual os elementos representados contribuem para expressar e constituir as relaes sociais " ( Lipiansky , 1991 ) e " fixa a representao e seu objeto numa rede de significaes que os permite adequarem-se aos valores sociais , dando-lhes coerncia " ( Jodelet , 1989 ) .
 De outra forma , pode-se dizer que a Ancoragem torna compatvel ou enraizado o conhecimento num sistema de pensamento dos indivduos .

 Segundo Abric ( 1976 ) , a Representao Social se estrutura de acordo com dois sistemas : O Sistema Central e o Perifrico .
 O Sistema Central ou ncleo central  o que garante a significao da representao , por isso  o mais resistente a mudanas e  constitudo por um nmero limitado de elementos ( um ou alguns elementos ) .
 O Sistema Perifrico  considerado mais flexvel , pois pode haver mudanas neste sem que haja no ncleo central , ou seja , na Representao Social .
 Esse sistema tambm  o que permite a apropriao mais individual de determinada representao social .

 Pode-se dizer , portanto , que a representao social  uma teoria ( um conjunto de significados ) que se atribui a um fenmeno social ;  construda a partir dos dois processos acima citados , Objetivao e Ancoragem e  estruturada de acordo com os sistemas Central e Perifrico os quais so responsveis pela organizao do contedo de uma Representao Social .

 As representaes sociais de determinado movimento social so transmitidas pela ideologia do movimento .

 O conceito de movimento social pode ser tido como um movimento de massas que , mediante aes coletivas sistemticas , busca alcanar um determinado objetivo comum - seja este a igualdade de direitos para um grupo minoritrio ou a independncia e autogoverno , como  o caso de movimentos nacionalistas radicais. ( Gracia , 1988 ) .

 As principais teorias que se propem a explicar o fenmeno dos movimentos sociais so a Teoria da Sociedade de Massas e a Teoria dos Recursos para a Mobilizao .
 A primeira , proposta por Durkheim , explica os movimentos sociais a partir da reao de sujeitos annimos , altamente frustrados , isolados e automatizados como conseqncia da marginalizao e alienao inerentes s concentraes urbanas .
 Essas massas alienadas estariam suscetveis a mobilizaes radicais , ideologias dogmticas e lderes autoritrios .
 Esta teoria predominou at aproximadamente o incio dos anos 70 quando a Teoria dos Recursos para a Mobilizao se converteu no paradigma central de explicao dos movimentos sociais ( Tilly et al , 1975 ; Tilly , 1978 ; Oberschall , 1973 , 1978 ; Klandermans , 1984 ; Jenkins , 1983 In : Gracia , 1988 ) .

 A Teoria dos Recursos para a Mobilizao sustenta que a existncia de grupos altamente organizados e coesos , porm impedidos de participao poltica facilita o surgimento de movimentos sociais .
 Em outras palavras , esses grupos possuiriam os recursos para mobilizarem-se mas careceriam de meios ou canais de expresso para os mesmos ( Oberschall , 1973 In : Gracia , 1988 ) .
 Esta perspectiva sustenta ainda que , para tomar parte em movimentos coletivos , faz-se necessrio que o indivduo identifique-se com o grupo e que compartilhe as representaes sociais deste .
 Tanto a ideologia do movimento quanto as representaes que dela derivam possuem elementos intrnsecos que so os princpios da Identidade , Oposio e Totalidade ( Touraine , 1974 , 1980 In : Gracia , 1988 ) .
 A difuso das representaes sociais destes princpios tem como efeitos :

 1.Construir uma identidade coletiva , uma reivindicao comum ( Identidade ) .

 2.Construir um grupo inimigo e oposto ao grupo de referncia que passa a ser visto como causador dos problemas sociais do grupo em questo. ( Oposio )

 3.Construir um projeto de ao comum , de mudana social e planejamento de aes para consegui-lo. ( Totalidade ) ( Pez , 1983 In : Gracia , 1988 )

 Vale ressaltar que  a existncia de tenses e conflitos no plano objetivo aliada  difuso e compartilhamento das representaes sociais que legitimar a ao coletiva e explicar o surgimento dos movimentos sociais .

 As representaes sociais compartilhadas pelos militantes de determinado movimento coletivo cumprem , basicamente , as funes de diferenciar a identidade grupal do restante da sociedade , explicar uma situao ( ao atribuir as causas da desigualdade ao grupo inimigo ) , justificar as condutas coletivas , antecipar e guiar aes futuras .

 A percepo do mundo como algo injusto tambm est fortemente associada s ideologias dos movimentos sociais , estas difundem a crena da injustia social , procurando motivar os sujeitos  mobilizao ; assim , estes sentem-se moralmente impelidos a lutar contra um mundo injusto. ( Wilson , 1973 ; Turner Killian , 1972 ) .
 Esta percepo de um mundo injusto geralmente vem associada a um sentimento de privao ou frustrao relativa .
 Davies ( 1989 ) comenta que  Segundo a teoria explicativa dos movimentos sociais mediante  privao relativa , seria a desigualdade entre a satisfao esperada das necessidades e a situao real que explicaria a apario de movimentos sociais radicais .
  A essas variveis psicolgicas de carter motivacional  participao em movimentos coletivos , soma-se o sentimento de competncia , isto  , a crena na capacidade do sujeito coletivo de influir no meio social .

 O MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra -  um dos movimentos sociais mais organizados , fortes e polmicos da atualidade brasileira por suas aes tais como invases de propriedades e reparties pblicas , passeatas e protestos e pelo seu crescimento , ao longo do tempo .
 Sua forma embrionria surgiu ainda na dcada de 70 agrupando os excludos do " milagre brasileiro " preconizado pelo regime militar , porm o MST se efetivou como movimento organizado em 1985 durante Congresso Nacional em Curitiba ( PR ) .
 As primeiras invases e os primeiros confrontos tiveram incio com o Mastro - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do oeste do Paran , formado por colonos da regio insatisfeitos porque tiveram reas desapropriadas para a criao do Lago Itaipu .
 Desde o incio , o movimento recebeu apoio dos sindicalistas rurais e das igrejas progressistas , sobretudo , catlicos e luteranos .

 O movimento ganhou fora com a entrada em 1986 dos " brasiguaios " .
 Os brasiguaios foram os brasileiros enviados ao Paraguai para a construo da Binacional de Itaipu .
 No adaptados  dura realidade imposta pelo ditador Alfredo Strossener , retornaram ao Brasil e se engajaram na luta .

 A reivindicao geral dos trabalhadores rurais  a reforma agrria , no sentido de uma redistribuio da renda , do poder e dos direitos , ou seja , uma mudana na poltica social do campo ( Graziano , 1989 ) .

 Os trabalhadores rurais lutam para que a terra no seja vista como uma mercadoria , mas sim como um instrumento de trabalho .
 " Atualmente , o que mais impede que os lavradores tenham acesso  terra  a concentrao da propriedade fundiria nas mos das chamadas " oligarquias " ( Veiga , 1984 ) .

 Para Graziano , devido ao desenvolvimento econmico porque passou o campo brasileiro , especialmente nas duas ltimas dcadas , as reivindicaes dos trabalhadores rurais no se restringem  reforma agrria , incluindo o desejo de que o Estado garanta crdito e subsdios para a produo agrcola .
 Estas polticas tm estado mais voltadas para os grandes produtores .

 O MST compe-se de 19 lderes , dos quais 5 so mulheres , tendo a maioria idade entre 25 e 35 anos e militam no movimento h pelo menos 10 anos .
 Dos 19 lderes , 11 so oriundos do sul do pas e outros se distribuem pelas outras comisses do pas .
 A estrutura hierrquica do MST  descentralizada e tem no topo a direo nacional , que comanda as aes em 23 estados .
 O movimento no existe no Acre , no Amazonas , em Roraima e no Amap .
 " A coordenao nacional , formada por cerca de 300 sem-terra , define as linhas mestras que sero executadas pela direo nacional .
 Os coordenadores se renem duas vezes por ano .
 Os dirigentes nacionais tm reunies mensais " ( Silva , 2000 ) .

 O contexto atual , no qual est inserido o MST , apresenta duas faces : uma  alvo de crticas , ataques da mdia e do governo , e at mesmo de utilizao em campanhas polticas como forma de veicular uma imagem de ameaa permanente  ordem nacional , e a outra face , apresenta a realidade singular deste movimento com suas peculiaridades e verdadeiros objetivos .

 Estando as crianas do MST expostas s contradies surgidas mediante essas duas faces , e tambm por estarmos vivendo um momento no qual o nacionalismo tem sido bastante discutido , por ordem das comemoraes dos 500 anos , dos Jogos Olmpicos e das eleies , o presente trabalho teve como objetivo investigar a natureza das representaes sociais acerca do nacionalismo nessas crianas .
 Acreditamos poder contribuir com uma fonte de informaes acerca das representaes sociais tpicas dos componentes desse movimento popular , ressaltando a especificidade de que os sujeitos deste trabalho so crianas componentes do mesmo movimento .
 Imaginamos , portanto , que as contradies vivenciadas pelos " sem-terrinhas " sejam refletidas na forma de expresso do que  ser brasileiro .

 METODOLOGIA

 A amostra foi composta por 61 sujeitos , de ambos os sexos , na faixa etria de 8 a 13 anos .
 Estas crianas so filhas dos  Sem Terra  , sendo , portanto , denominadas de  Sem Terrinhas  .

 Foram utilizados trs tipos de instrumento de coleta de dados  anlise documental , desenho e associao livre - os quais se complementam visando a atingir o nosso objetivo .

 Anlise documental permitiu ao pesquisador ter acesso aos processos de objetivao e de ancoragem do fenmeno de Representao Social estudado .
 Foi feita a anlise dos documentos relativos seus objetivos e suas reivindicaes do MST , visto que essa documentao nos deu base para investigar e compreender o ideal e a filosofia do grupo , bem como , sua forma peculiar de designar o Brasil .

 Aproveitamos a oportunidade do V Encontro dos Sem Terrinhas que aconteceu no dia 10 de outubro de 2000 , no qual contamos com a presena de 1300 crianas para coletar os dados atravs de desenhos e associao livre .
 Foi estabelecida uma quantia de mnima de 25 desenhos .
 O material utilizado para a produo dos desenhos foram papel ofcio , lpis de cor e lpis de cera .
 Atravs da representao grfica , buscamos verificar processos de objetivao de significados das Representaes Sociais .

 A partir da associao livre poderam ser apreendidos o contedo e a estrutura do fenmeno investigado .
 O material utilizado para coleta foi papel ofcio e lpis .
 Este instrumento foi aplicado em 61 crianas .
 Inicialmente visamos aplicar o instrumento em 65 crianas , porm quatro das associaes no possuam identificao quanto  idade do sujeitos .
 Para nos mantermos fiis  faixa etria pr-determinada , descartamos estas quatro .

 Para aplicao do desenho , os sujeitos foram orientados sobre a realizao de uma  brincadeira de desenhar  .
 Foi distribudo o material necessrio s crianas e se pediu que elas desenhassem o Brasil .
 A aplicao durou 6 minutos e cada 2 minutos elas recebiam a instruo para trocarem de desenho e cada uma continuar o desenho da outra .
 Selecionamos alguns desenhos e anexamos algumas cpias .

 Para aplicao da associao livre , dividimos os sujeitos em dois grupos : os alfabetizados e os no alfabetizados .
 Aps a distribuio do material , fez-se a pergunta  O que  ser brasileiro ?
  e as crianas alfabetizadas foram orientadas a escreverem , enquanto as no alfabetizadas deveriam falar para os coordenadores , as palavras que lhes viessem em mente sobre a questo .
 Em seguida , foram orientadas a circularem as palavras que mais se adequassem a pergunta feita .

 Para a anlise da associao livre o instrumento utilizado foi o EVOC , um programa de computador desenvolvido na Frana por Pierre Verges .
 Sua funo  categorizar as palavras evocadas segundo sua freqncia e ordem mdia de evocao .
 Com isso obtm-se as palavras pertencentes ao ncleo central e s periferias , sendo organizadas em quadrantes .

 Para a anlise documental , utilizamos cinco documentos extrados do site oficial do movimento na internet : http : \\ www.mst.org.br .
 Avaliando a diversidade , riqueza e quantidade de documentos contidos neste endereo eletrnico , optamos por fazer a coleta de dados via internet .

 Os documentos selecionados foram lidos integralmente .
 No entanto , a ttulo de anlise , utilizamos apenas trechos dos mesmos , os quais consideramos ilustrativos dos conceitos tericos que queramos objetivar .
 Os documentos encontram-se em anexo .
 Os ttulos dos documentos so os seguintes :

 1 .
 Campanha por um Brasil sem latifndio

 2 .
 Os Sem-Terra e a democracia

 3 .
 Mandamentos do rgo Pblico da Reforma Agrria

 4 .
 Nota do MST ao povo brasileiro

 5 .
 O MST e a Educao

 Identificamos as caractersticas gerais do movimento de acordo com a Teoria dos Recursos para a Mobilizao .
 Destacamos tambm os tipos de nacionalismo segundo Hlio Jaguaribe .
 Este procedimento possibilitou o acesso aos processos de objetivao e ancoragem do fenmeno da Representao Social do Nacionalismo .

 ANLISE E DISCUSSO

 As Representaes Sociais do MST so transmitidas pela ideologia do movimento .
 Derivados dela , os princpios bsicos das representaes tambm so identificadas no discurso dos militantes .
 Tais princpios ( Identidade , Oposio e Totalidade ) fazem parte da Teoria dos Recursos para a Mobilizao ( Tilly et al , 1975 ; Tilly , 1978 ; Oberschall , 1973,1978 ; Klandermans , 1984 ; Jenkins , 1983 In : Gracia , 1988 ) .
 Podemos identificar o princpio da Identidade no seguinte documento elaborado pelos trabalhadores do acampamento da Bacia  Paran .

  S o povo , a sociedade organizada , as pessoas dignas e patriotas que amam essa nao  que entendem a necessidade da Reforma Agrria .
 So esses setores que esto junto com o MST lanando a campanha pelo fim do latifndio.

 A construo de uma identidade coletiva se faz presente aqui por haver um desejo comum compartilhado pelo povo e sociedade organizada , que  o desejo pela Reforma Agrria , a campanha pelo fim do latifndio .
 Tambm encontra-se delineado um conceito de pessoa nacionalista que seriam apenas as pessoas  dignas e patriotas que amam essa nao e entendem a necessidade de Reforma Agrria  .

  Ter conscincia de que quem invade  o poderoso , o grileiro urbano ou rural , visando s o lucro .
 Os sem-terra ocupam , em estado de necessidade ou porque encontram o imvel abandonado .
  o nico trabalhador que arrisca a vida e a da famlia para conseguir emprego.

 Ao enfatizar algumas caractersticas especficas do trabalhador sem-terra , est-se contribuindo para reforar a identidade diferenciada do participante deste movimento .
 J com relao ao princpio da Oposio , temos as seguintes passagens :

  FHC no quer atender as reivindicaes do pobres do campo quer deixar tudo para o mercado resolver .
 Ou seja , deixar que as grandes empresas controlem toda a produo e comercializao dos alimentos .
 Ento , a nica sada , para o governo ,  tentar destruir a organizao dos agricultores.

  A elite , as classes dominantes que governam o Brasil , governo aps governo , traram a nao , esto pondo o pas no caos e de joelhos frente s naes multinacionais e poderosas .
 Esto humilhando o povo e nos deixando sem futuro .
 Esses no querem a Reforma Agrria .
 So eles os banqueiros , industriais , grandes empresas , scios de multinacionais , todos tambm latifundirios , que no querem a Reforma Agrria.

  O governo Fernando Henrique Cardoso , atravs de sua poltica econmica , busca implantar um novo modelo agrcola no meio rural brasileiro .
 Um modelo que , essencialmente ,  centrado no pr-suposto neoliberal de que deve ocorrer uma seletividade dos produtores rurais , permanecendo no mercado apenas os que so capazes de enfrentar a concorrncia internacional .
 Em termos gerais , essa poltica significa a completa mercantilizao e desnacionalizao de nossa agricultura , entregando o controle do mercado s multinacionais e a inviabilizao da agricultura familiar.

  Nessa estratgia , a ttica principal  derrotar , fsica e moralmente , o MST .
 No porque ele seja forte ou possa apresentar uma ameaa  poltica neoliberal do governo FHC .
 Mas sim , porque pode servir de exemplo e incentivo  outras organizaes de trabalhadores .
 Assim , o governo FHC no hesitou em promover o arbtrio poltico e a manipulao poltico e ideolgica dos meios de comunicao de massa , de forma totalitria , para atingir seu objetivo .
 Por isso , contando com a conivncia de alguns meios de comunicao social e , principalmente escalando profissionais de comunicao perfilados com a estratgia do Planalto em combater os movimentos dos trabalhadores rurais organizados , iniciou uma ampla e violenta campanha de difamao do MST , suas cooperativas e lideranas.

 Nesta viso , o opositor se constitui nos banqueiros , industriais , scios de multinacionais , todos latifundirios e tambm no governo FHC .
 So rotulados de inimigos pois so vistos como causadores dos problemas sociais do MST .
 E suas propostas vo de encontro s reivindicaes do grupo em questo .
 Evidencia-se tambm o ideal nacionalista no seu aspecto poltico , econmico e social .
 No aspecto econmico , o nacionalismo est representado pela defesa da soberania e de polticas nacionais que fortaleam o mercado interno .
 Os trechos a seguir so ilustrativos desta questo .

  O pas soberano no admitir a dolarizao da sua economia  .

  Pelo desenvolvimento integrado da Amrica Latina e seu fortalecimento para proporcionar polticas soberanas de nossos pases ; contra qualquer sorte de interveno no continente ou presena de bases militares estrangeiras .
 Fortalecimento do Mercosul , como um dos instrumentos de resistncia  ALCA e  hegemonia Norte Americana.

  Defesa das comunidades de pases de lngua portuguesa.

  Auditoria dos processos de privatizao e , a partir dos seus resultados , a adoo de medidas cabveis que assegurem a soberania nacional e os interesses do povo brasileiro.

 Em seu aspecto poltico , o nacionalismo difundido pelo MST corresponde ao destacado por Hlio Jaguaribe .
 Este modelo caracteriza-se  pelas exigncias de democracia e de justia social e com a tendncia a fortalecer a Unio , no quadro da Federao e revitalizar o municpio como ncleo regional bsico. Essa correspondncia pode ser comprovada no trecho que segue :

  Restabelecimento do pacto federativo e renegociao das dvidas do estado e do municpio.

  Democratizao dos meios de comunicao como princpio para a democratizao da sociedade e legitimao do processo poltico representativo ; instituio de mecanismos pblicos no estatais que assegurem livre circulao de idias e opinies dos vrios setores da sociedade.

  Controle pblico e direto , pela sociedade civil , dos servios de empresas concessionrias para que cumpram com sua destinao pblica.

  Poltica nacional de combate  corrupo e impunidade , levando as investigaes at as ltimas conseqncias .
 A corrupo  elemento constitutivo da desigualdade social e seu combate no pode ser confundido com o falso moralismo de direita .
 Ser tarefa primordial das foras democrticas brasileiras .
 O brasil precisa de um governo que seja capaz de liderar o pas na direo destes objetivos programticos , para construir uma nao justa.

 O nacionalismo social pregado pelo MST abrande no s o atendimento das necessidades coletivas pelo servio pblico , mas tambm abrange outras categorias da esfera dos direitos sociais , como por exemplo :

  Poltica de emprego e combate ao desemprego .
 Programas emergenciais descentralizados de combate  fome e s calamidades sociais , particularmente  seca do Nordeste , alimentados , de um lado pela ampliao dos investimentos pblicos , de outro pelos resultados do combate  sonegao e  corrupo , com a reduo drstica dos subsdios a grandes empresas .
 Reforma administrativa que elimine vantagens e privilgios nas estruturas mais elevadas da administrao pblica nos trs poderes , e aumente a eficincia do aparelho pblico  .

  Aumento emergencial e substantivo do Salrio Mnimo  .

  Reforma Agrria imediata e massiva ; poltica agrcola de estmulo ao pequeno e mdio produtor.

  Reforma urbana que assegure moradia decente a todos os trabalhadores.

  Reestruturao da sade e da educao , baseada nos princpios da universalidade e da eqidade.

  Defesa do ensino pblico gratuito , universal e de alta qualidade ; retomada da pesquisa e do desenvolvimento tecnolgicos como prioridades .
 Fortalecimento da Universidade pblica .
 Universalizao do ensino de primeiro e segundo graus  .

  Nova orientao para o modelo de financiamento da previdncia social , tendo como base a solidariedade entre geraes .
 Recuperao dos fundos de poupana dos trabalhadores para aplicaes de interesse social.

 Todas essas questes , reivindicadas em nome do nacionalismo , em seus diferentes aspectos , constituem um projeto de ao comum , de mudana social e planejamento de ao definindo o terceiro e ltimo princpio da Teoria dos Recursos para a Mobilizao - Totalidade .

  ( ...
 ) o MST , ( .. ) na prtica , com lutas e ocupaes , est mostrando como  urgente e necessria a Reforma Agrria pois no resolver s o problema dos sem terra , aumentar a produo , distribuir renda e riqueza , dinamizar a economia , acabar com a fome e a misria , gerar milhes de empregos e trar dignidade para uma grande parte da populao.

  Por meio dele , o Movimento pretende formar militantes para organizaes de trabalhadores que , segundo o MST , devem desenvolver conscincias de classe e revolucionria ligadas s lutas e aos objetivos do movimento .
 Queremos preparar sujeitos capazes de interveno e transformao prtica da realidade.

  O MST quer uma verdadeira reforma agrria .
 Quer desapropriar o latifndio improdutivo , estimular a produo e garantir apoio do Estado ao pequeno agricultor .
 Quer um Brasil melhor , mais feliz , mais justo.

 Observa-se que o MST  um movimento extremamente organizado e coeso , com objetivos e planos de ao bem delineados e forte identidade grupal possuindo tambm recursos para a mobilizao .
 Carece , no entanto , de meios ou canais de expresso e so impedidos de participao poltica .
  a difuso da Representaes Sociais dos princpios anteriormente citados ( Identidade , Oposio e Totalidade ) que garantem a coeso do movimento .

 A base sobre a qual se constri a Representaes Sociais do nacionalismo no MST est diretamente relacionada aos trs princpios bsicos ( Identidade , Oposio e Totalidade ) que organizam o movimento atravs do processo de ancoragem .
 Dessa forma , tais princpios funcionam como  ncoras  para a subsequente Representaes Sociais do nacionalismo .
 A ancoragem torna compatvel ou enraizado o conhecimento no sistema de pensamento dos indivduos .

 O contedo e a estrutura das Representaes Sociais das crianas do movimento podem ser apreendidas atravs da anlise das associaes livres .
 Como forma de induzir associaes , foi feita a pergunta :  O que  ser brasileiro ?
  Utilizando o EVOC , obtivemos os seguintes resultados :

 Bom 9 2,111 Brasil 7 2,000 Educado 6 2,000 Feliz 8 2,375

 Brincar 5 3,600 Esporte 6 4,333 Estudar 8 4,250 Futebol 17 4,059 Sem-Terra 6 3,167 Trabalhar 7 4,143

 Casa 3 2,333 Inteligente 3 2,000 Legal 3 1,333 Morar-no-Brasil 3 1,333 Muito-bom 4 1,250 Orgulho 4 1,000 Respeitar 3 1,333 Ser bom 3 1,667

 Alegria 3 3,333 Bandeira 4 2,500 Violncia 3 2,667

 A primeira coluna representa o nmero de vezes que a palavra foi citada ( freqncia ) e a segunda coluna representa a ordem mdia de evocao .
 As palavras primeiramente citadas e com maior freqncia de evocao fazem parte do ncleo central .
 Estas palavras so bom , Brasil , educado e feliz .
 Por exemplo , a palavra bom foi citada 9 vezes e est entre as primeiras a ser evocada .
 Esta palavra tem uma dimenso valorativa , traz uma avaliao positiva de ser brasileiro .
 Tambm as palavras educado e feliz tm conotao normativa e valorativa .
 Nesse contexto , o ser educado diz respeito a ter boas maneiras .

 A presena dessa palavras no discurso das crianas reflete uma influncia da ideologia do grupo nas Representaes Sociais do Nacionalismo .
 Essa ideologia  transmitida de forma educativa , tambm por meio de canes .
 Este trecho evidencia o sistema de normas e valores do grupo e marca a memria coletiva do movimento ( afetando o ncleo central ) :

   o povo em movimento contra as cercas da concentrao , com um sorriso de felicidade e a histria na palma da mo.

 A palavra Brasil remete a uma noo de territorialidade que aparece objetivada nos desenhos .
 A primeira periferia  composta pelo segundo e terceiro quadrantes .
 Ambos possuem uma contradio entre a freqncia e a ordem mdia de evocao .
 Tomando por exemplo , as palavras futebol e orgulho ( respectivamente pertencentes ao segundo e terceiro quadrantes ) podemos observar que a primeira apresenta alta freqncia de evocao ( 17 ) , porm  uma das ltimas a ser citada ( o.m.e .
 = 4 , 59 ) .
 J a palavra orgulho apresenta baixa freqncia de evocao ( 4 ) e  uma das primeiras a ser citadas ( o.m.e .
 = 1 ) .

 No segundo quadrante temos a presena das palavras brincar , esporte e futebol , que se referem a atividades prazerosas , retratando a realidade imediata ( cotidiano ) das crianas .
 Com uma ressalva , a palavra futebol , que inferimos , est relacionada a smbolos nacionais difundidos nos meios de comunicao .
 Esta palavra no foi includa na categoria esporte , por ter sido amplamente citada .
 A categoria esporte compreende as palavras capoeira , basquete , karat e vlei .
 Apenas trs sujeito se referiram a tais palavras .

 As palavras estudar , trabalhar e sem-terra se ancoram na realidade imediata das crianas ou seja , em seu cotidiano escolar .
 A partir da anlise das linhas metodolgicas da educao no MST pode-se perceber conceitos que norteiam as Representaes Sociais do Nacionalismo nas crianas do MST .
  especialmente o nacionalismo social que busca a defesa de direitos como educao , trabalho e terra .

  A escola precisa preparar as crianas e os jovens no meio rural .
 Desenvolver o amor pela terra e tambm trazer conhecimentos que ajudem concretamente o assentamento a enfrentar seus desafios nos campos da produo , da educao , da sade , da habitao etc.

 O aspecto relativo ao conceito de nacionalidade natural evidencia-se no terceiro quadrante , a partir da evocao da expresso morar no Brasil .
 Por nacionalidade natural entende-se  o fato de se pertencer a um territrio .
 Desta forma , a nacionalidade  tida como um atributo ou qualidade natural , ou seja , se encontra na natureza e as pessoas a adquirem pelo fato de ter nascido num determinado territrio. " ( Ruben , 1984 ) .

 Por ltimo , mas no menos importante , temos a ltima periferia , composta por palavras com baixa freqncia de evocao e ltimas na ordem de citao .
 Observa-se que a palavra bandeira traz referncia a smbolos nacionais e juntamente com a palavra Brasil do ncleo central , so objetivados nos desenhos .

 Fazendo uma anlise qualitativa e quantitativa dos elementos do desenho , foi elaborado o seguinte quadro :

 Categoria Nmero de elementos Percentagem Bandeira Nacional 41 50,6 % Bandeira Sem-Terra 2 2,51 % Personagens1 4 4,9 % Objetos2 8 9,8 % Mapa 2 2,51 % Tema indgena3 2 2,51 % Casa 7 8,64 % Natureza 15 18,52 %

 A reproduo grfica objetiva a significao central da representao .
 A idia de brasil foi evidenciada principalmente atravs dos desenhos da bandeira nacional e da natureza .

 Sendo o ncleo central o elemento determinante do contedo da Representao Social , pode-se verificar que a significao central da Representao Social do Nacionalismo nas crianas do MST  composta por conceitos normativos e que fazem uma avaliao positiva do que  ser brasileiro .

 Uma vez que compartilham do mesmo ncleo central , as crianas do MST tm a mesma Representao Social do nacionalismo .

 CONCLUSO

 O Nacionalismo Integrador foi evidenciado na anlise do processo de ancoragem .
 Esse nacionalismo tem um carter de preservao e de unio da nao .
 A Reforma Agrria  o fim ( objetivo mximo visado pelos integrantes do movimento ) e ao mesmo tempo  o meio para se atingir o pleno desenvolvimento da nao .

 Em linhas gerais , a Representao Social do Nacionalismo nas crianas sem-terra parece estar ligada aos valores do grupo .
 As crianas transferem assim , suas idias sobre o que  ser sem-terra ( identidade grupal ) para o que  ser brasileiro ( identidade nacional ) .
 A presena dos valores do grupo foi detectada em conceitos como  ser bom  ,  educado  ,  trabalhar  e  sem-terra  .

 Por considerarmos a freqncia mnima de anlise a de trs palavras , algumas associaes que revelam as particularidades de uma dada Representao Social no foram categorizadas .
 Por exemplo , temos a citao de um sujeito que definiu ser brasileiro como  no deixar o pas ser vendido  .
 Isso expressa o quanto da ideologia do grupo foi apropriada pelo indivduo .

 Ainda com relao aos desenhos , acreditamos que a grande freqncia de reprodues da bandeira nacional se deva  facilidade de representao grfica de um smbolo nacional muito difundido e exaltado , sendo por isso , mais rpida a sua evocao ao se pensar em Brasil .
 Por outro lado , imaginamos tambm , que os elementos bom , educado e feliz ( componentes do ncleo central ) , no tenham sido objetivados nos desenhos pela dificuldade em se representar graficamente tais conceitos normativos e valorativos .

  importante lembrar o tema do V Encontro Estadual dos Sem-Terrinhas :  Brasil , quantos anos voc tem ?
  Este tema pode ter motivado as crianas a desenharem as categorias relativas aos temas indgenas e tambm a bandeira nacional .

 Chega a ser surpreendente e esperanoso que crianas inseridas num contexto to delicado e conflitivo como  a realidade do MST no Brasil possuam uma representao positiva , carregada de boas qualidades e sentimentos em relao ao pas e tambm construtiva , buscando trabalho , educao e moradia .

 Esperamos que este trabalho sirva de apoio para futuras pesquisas que busquem compreender este universo infantil , tendo em vista a sua importncia na construo de um projeto unificado de nao justa e igualitria .

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 http : \\ www.mst.org.br

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 1 Esta categoria inclui : homens e mulheres desenhadas

 2 Esta categoria inclui : carro , avio , helicptero

 3 Esta categoria inclui : ndios e oca

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