 Anlise do " mito da caverna " de Plato

 Daniel Pires Nunes

 A metfora de Plato define a realidade como sendo

 composta de dois domnios , os quais so o domnio das coisas sensveis

 e o domnio das idias .
 Para ele a maioria da humanidade vive na

 infeliz condio da ignorncia , ou seja , vive no mundo ilusrio das

 coisas sensveis as quais so mutveis , no so universais e nem

 necessrias e , por isso , no so objetos de conhecimento .
 Este mundo

 das idias , percebido pela razo , est acima do sensvel ( dominado

 pela subjetividade ) que s existe na medida em que participa do

 primeiro , sendo apenas sombra dele .
 Mais tarde Aristteles criticaria

 Plato dizendo que ele no havia questionado o que  participar .

 O filsofo  aquele que , atravs de um processo dialtico ,

 se liberta das correntes , saindo assim da ignorncia para a opinio e ,

 depois , para o conhecimento .
 Estabelece portanto , etapas bem definidas

 e dolorosas .

  importante ressaltar que o autor faz uma analogia entre

 aptido para ver e aptido para conhecer , exerccio da viso e

 exerccio da razo e entre faculdade da viso e faculdade da razo .
 H

 a , tambm , uma relao entre o mundo visvel e o mundo inteligvel ,

 sendo como j foi dito , o primeiro uma sombra do segundo .
 Feito isto ,

 pode-se afirmar que , durante a descrio do mito , as fases pelas quais

 a viso do sujeito passa so as fases pelas quais passa a razo .

 A primeira etapa  chegar  opinio ( doxa ) , ilustrada pela subida do

 fundo da caverna at s imagens exteriores , tentando superar a inrcia

 da ignorncia ( agnosis ) .
 O sujeito  ofuscado pela luz da fogueira

 sendo esta ( a luz ) a representao da verdade a qual lhe causa dor aos

 olhos que representam o rgo do conhecimento .
 Neste primeiro

 instante , ele no consegue distinguir muito bem o que est a ver mas

 com persistncia e olhar investigativo contempla as formas bem

 definidas dos objetos que geram as sombras do fundo da caverna .
 Ento

 ele atinge o conhecimento ( episteme ) .
 Mas a investigao no acaba por

 a .
 A busca pelas idias gerais , unas e imutveis  ilustrada pela

 sada at  luz do Sol que simboliza o bem ( alegoria do Sol ) que est

 no topo da hierarquia das idias universais das quais tambm fazem

 parte o belo e a justia .

 Estas etapas so representadas tambm por outra metfora em que o

 sujeito olha primeiro para a sombra dos objetos , depois para a imagem

 deles refletida na gua e , por ltimo , para os prprios .
 Note-se a , a

 passagem da ignorncia para a opinio e depois para o conhecimento .

 Ento ele passa a ser capaz de contemplar o que h no cu e o prprio

 cu  noite representando a contemplao das idias imutveis .

 Finalmente ele torna-se apto a olhar para o Sol e o seu brilho de dia

 ilustrando o descobrimento da idia do bem .

 Ento Plato pergunta o que aconteceria a esse homem se

 ele descesse novamente  caverna e tentasse contar o que havia

 descoberto .
 Sua vista demoraria a acostumar-se s trevas novamente .

 Certamente ele seria ridicularizado , hostilizado e at morto pelos

 demais .
 Esta descida  caverna representa o dever do filsofo para com

 o Estado de compartilhar com os outros cidados o conhecimento a que

 chegou com o apoio deste Estado .
 Por mais que seja dolorosa esta

 atitude , para o homem sbio , de conviver com os demiurgos , o Estado

 deve preocupar-se com a felicidade de toda a cidade e no apenas de

 uma parte dela .
 Por isso o filsofo teria a funo de orientador e

 educador nessa cidade , alm da funo de governante .

 E porque a funo de governante ?
 Justamente por ele ter sido o nico a

 ter contemplado o belo , o bem e o justo .
 E , por ter o conhecimento do

 que  a justia , governaria melhor a cidade .
 Tambm por ser mais

 indiferente ao poder , no estaria brigando por ele contra rivais e no

 governaria por interesses prprios .
 Agiria de acordo com o que 

 justo .
 Plato imaginou um estado ideal que  sustentado no conceito de

 justia .

 Mas por que Plato precisou usar esta alegoria ?
 Ele termina o livro VI

 ( 511 a-e ) ordenando os modos de conhecimento da seguinte forma : o mais

 elevado , a inteligncia ; o segundo , o entendimento ; o terceiro , a

 crena e a opinio ; e o ltimo , a imaginao ou a suposio .
 O

 terceiro e o quarto baseiam-se no mundo sensvel e , portanto , no

 levam  verdade suprema .
 Os dois primeiros so do domnio do

 inteligvel , mas o entendimento diferencia-se da inteligncia porque

 no vai at ao princpio mas parte de hipteses , o que o torna um

 intermdio entre a doxa e a episteme .

 O livro VII comea com o seguinte ( 514 a ) : " Em seguida - continuei -

 imagina a nossa natureza , relativamente  educao ou  sua falta , de

 acordo com a seguinte experincia " .
 Esta primeira fala de Scrates

 neste captulo mostra a sua inteno de tratar da educao ao

 utilizar-se de tal alegoria .
 Ele estava preocupado em ilustrar como

 deveria ser a formao dos habitantes da cidade , ou seja , eles

 deveriam ser orientados a buscar as idias e os valores mais elevados .

 A idia principal da pedagogia de Plato  formar o homem moral dentro

 do Estado justo .
 Para orientar os habitantes a tais idias 

 necessrio o filsofo como educador pois  ele quem tem o conhecimento

 das idias unas e imutveis .

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 Bibliografia

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