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 [ INLINE ] Mudana de hbito

 Operadoras reconhecem importncia do pr-pago e adotam sistemas de faturamento

 em tempo real .

 Os 30 milhes de assinantes mveis pr-pagos no Brasil subiram um degrau no

 conceito das operadoras .
 Antes vistos como cidados de segunda classe , porque

 de menor poder aquisitivo , agora so definidos como um usurio que optou por um

 mtodo diferente de pagamento .
 A mudana pode parecer sutil mas , em termos de

 billing ( ou faturamento ) , isso significa muita coisa .
 O gasto do pr-pago agora

  controlado em tempo real , inclusive com a possibilidade de o usurio sofrer

 um " calado " no meio de uma conversa ou durante o envio de uma mensagem de

 texto ( SMS ) ou multimdia ( MMS ) se o seu saldo no for suficiente no momento .

 " O que ocorreu tradicionalmente nas operadoras e tambm na Telemig Celular 

 que tecnologicamente o pr-pago entrou no mercado independente dos sistemas

 ps-pagos " , afirma o gerente de tecnologia Srgio Gazolla , da Telemig .
 As ento

 concessionrias mveis estatais da banda A somente tinham plataformas para o

 ps-pago .
 " No era comum que os fornecedores tivessem plataformas que

 convergissem o pr e o ps porque os requisitos dos sistemas eram muito

 diferentes " , explica Gazolla .
 Assim , quando os servios mveis pr-pagos foram

 lanados no Pas , comeou tambm o tratamento diferenciado para esse tipo de

 assinante , separado do ps-pago desde o nascimento .
 Agora , com a evoluo do

 billing , o ps e o pr-pago voltam a convergir , pelo menos no que diz respeito

  emisso de contas .
 Outro fator que pesa , tambm ,  o acentuado crescimento da

 base pr-paga .
 Originalmente comprado por assinantes de baixa renda , o pr-pago

 j no pode ser qualificado de " primo pobre " do ps .
 Muitos usurios pr-pagos

 so de classe A e B e usam os mesmos servios de valor agregado que os usados

 pelo assinante ps-pago .

 Se no Pas h uma mudana de hbito em relao ao usurio , no mundo h uma

 demanda crescente , de quase 5 % ao ano , pelos sistemas de billing e customer

 care ( BCC , na sigla em ingls ) , cujo volume de vendas deve atingir quase US$ 11

 bilhes somente este ano .
 Na Amrica Latina , esse nmero chega a US$ 545

 milhes .
 Os maiores clientes desses sistemas sero as operadoras mveis , fixas ,

 empresas de TV a cabo e de satlites , segundo a apurao feita pelo Yankee

 Group no estudo " Global Billing & Mediation Solutions Forecast " , realizado no

 final do ano passado ( veja quadro  pg. 21 ) .

 Com a consolidao das teles mveis e conseqente uniformizao das plataformas

 de sistemas de suporte a operaes ( OSS , na sigla em ingls ) , a diferena entre

 pr e ps-pagos acabou .
 Pelo menos ,  essa a leitura dos sistemas de

 faturamento de nova gerao .

  claro que no  um ato de condescendncia das operadoras .
 O sucesso do modelo

 pr-pago no Brasil , com quase 80 % de adeso dos assinantes , deu origem a

 solues criativas para fazer frente  crescente expanso da carteira de

 ofertas da operadora e , lgico , para agilizar a cobrana .

 H dois anos , a tendncia era que se consolidasse o modelo do billing

 convergente , com uma s plataforma que controlasse todo o trfego mvel .
 O

 problema  que , com tantos aplicativos - voz pr-paga , voz ps-paga , dados ,

 dados de alta velocidade , Wi-Fi - , para abrang-los houve a necessidade de se

 criar novos parmetros .
 " A tendncia , agora ,  focalizar segmentos

 especficos " , afirma o gerente de negcios em billing do CPqD , Luiz Antonio

 Cobos .
 " So regras especficas de tarifao. " E isso tudo na mesma operadora .

 Futuramente , essas plataformas tero que comportar contas de outras empresas

 como TV a cabo , utilities e assinaturas de revistas , por exemplo .

 A troca do simples nome " pr-pago " pela denominao politicamente correta de

 " mtodo diferente ou alternativo de pagamento " tem a ver tambm com a postura

 dos assinantes .
 Antes , o pr-pago estava concentrado nas classes C e D , cuja

 conta sempre esteve na ponta do lpis .
 Mas , o desenvolvimento do pr-pago , com

 roaming , aparelhos mais sofisticados e planos mais variados , inverteu essa

 situao e agora  possvel constatar que no h uma diviso de classes no

 segmento .

 Houve uma diversificao do segmento pr-pago e consumidores de vrias classes

 econmicas optaram por esse modelo para melhor controlar a conta do telefone

 mvel .
 O aparelho pr-pago pode ser usado pela esposa de um assinante das

 classes A ou B , ou pelos seus filhos , pelo simples fato de que  mais fcil

 controlar os gastos e gerenciar a conta de telefonia mvel de uma residncia .

 Outro pblico que est constantemente na mira das operadoras e pode ser

 definido como um heavy user de servios multimdia  o adolescente .
 Esse

 usurio tem que ser ainda mais controlado no uso do seu celular e os pais , em

 geral , o fazem por meio do pr-pago .
 E , finalmente , com a diversificao dos

 planos corporativos oferecidos pelas teles , o funcionrio pode usar o aparelho

 mvel como um ramal durante o horrio comercial e transform-lo num telefone

 privativo quando encerra o expediente .

 " O billing em tempo real comea a ocorrer agora no Brasil .
 Um dos motivos  a

 consolidao das vrias plataformas , em funo da unificao de diversas

 operadoras ( caso da Claro , Vivo e TIM ) .
 Outro motivo  a reduo dos custos

 operacionais ( Opex ) " , afirma o gerente de marketing Amrica Latina da Comverse ,

 Marcelo Fernandes .
 Com essa plataforma , aumenta a competitividade e a agilidade

 da operadora , principalmente na hora de criar servios .
 " Antes , havia um tempo

 longo para lanar aplicativos. "

 Fernandes diz que a nica distino a ser feita entre o segmento pr-pago e

 ps-pago , com o real-time billing ( RTB ) ,  o mtodo de pagamento diferente .

 Para Fernando Hussmi , diretor de desenvolvimento de negcios da Alcatel , h que

 se observar a questo da anlise de risco que envolve o segmento pr-pago .

 " Mas , o resultado operacional  muito pequeno com o pr-pago e a receita mdia

 por assinante ( ARPU , na sigla em ingls ) cai .
 Agora , se pode permitir que esse

 assinante agregue valor  operadora " , pondera .

 " O departamento de marketing no deveria estar preocupado com o billing " ,

 afirma o consultor de vendas da Convergys , Virglio Fiorese .
 " O billing de nova

 gerao  composto de vrios mdulos , ou grupos , para determinados tipos de

 usurios .
 O que precisa estar centralizado  o gerenciamento de crdito ou o

 mdulo que executar o billing " , completa .
 Para Fiorese , o billing tem que

 estar totalmente preparado para o caso do marketing lanar diversos

 aplicativos .

 A adoo do RTB comea apenas agora mas j  possvel antever aplicaes antes

 impensveis , sobretudo para os usurios pr-pagos .
 Ser possvel cobrar por

 bytes , por aplicativo , por tempo de utilizao e at por qualidade de servio

 ( QoS , na sigla em ingls ) , afirma Fernandes .
 Uma cobrana por QoS ( em uso na

 sia ) , por exemplo , seria definida pelo prprio assinante , que pode optar e

 pagar por determinada qualidade escolhida .
 Os sistemas de billing de nova

 gerao operam quase como um co-billing dentro da operadora , que faz as

 conexes entre as switches de voz e de dados ( SMS , MMS ) e informa os eventos ao

 sistema de pr-pago para a emisso da fatura .

 " A cobrana em algumas operadoras ainda  bsica , seja pela distncia , por

 minuto ou pelo evento " , diz o diretor de vendas da Amdocs , Samir Donizett

 Milagre .
 No Brasil , segundo o executivo , as plataformas de redes 2,5G j

 incluem algumas configuraes que permitem cobrana por QoS .
 " Mas  s na 3G

 que todas as possibilidades estaro contempladas. " O diretor da Amdocs diz que

 a operadora tem que pensar no limite das redes de voz .
 " No dar para reduzir

 mais os preos e ento a operadora ter que vender mais servios de valor

 adicionado. "

 A fase seguinte do billing extrapola as fronteiras da operadora .
  o co-billing

 entre diferentes operadoras e outros parceiros , com faturamento de servios

 agregados de assinaturas de jornais , despertador automtico , servios

 financeiros , de localizao e assim por diante .
 A operadora ter que tarifar ,

 faturar e repassar esses diversos servios para cada um de seus parceiros .

 Cobos , do CPqD , explica que para viabilizar o co-billing , as polticas tm que

 estar muito bem definidas entre as operadoras que se dispem a faz-lo .
 A Vivo ,

 por exemplo , mantm um acordo com a Qualcomm para a cobrana de downloads de

 aplicativos Brew .
 Por esse acordo , a Vivo cobra o download do usurio e repassa

 para a Qualcomm .
 Se o usurio reclama de algum servio cobrado equivocadamente ,

 a operadora tem que estar munida de um contrato com seu parceiro para

 possibilitar o acerto e at , se for o caso , fazer o estorno .

 As operadoras fixas investiram muito em voz sobre IP ( VoIP ) e ocorrer um

 grande crescimento nesse mercado , quando a tecnologia chegar  rea

 residencial .
 Nesse momento , o billing das teles ter que estar preparado para

 tarifar as chamadas por volume .
 " Isso  uma revoluo no billing " , anima-se

 Cobos .
 E sem falar no Wi-Fi e no WiMax ( Wi-Fi para redes metropolitanas ) .
 O

 CPqD j fornece billing que faz cobrana de banda larga por volume para a Star

 One , a subsidiria de satlite da Embratel .

 Fonte : Teletime - Srgio Damasceno

 [ INLINE ] 3/6/2004

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